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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA

ESTUDOS ESPECIAIS EM
PROTEÇÃO DE SISTEMAS DE
POTÊNCIA

RAIDSON JENNER NEGREIROS DE ALENCAR


Conteúdo
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO À PROTEÇÃO POR RELÉS ......................................................................................... 4
1.1- INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES................................................................................................................. 4
1.2- CLASSIFICAÇÃO DOS RELÉS................................................................................................................... 4
1.3- PRINCÍPIOS DA PROTEÇÃO POR RELÉS ................................................................................................. 6
1.3.1- Confiabilidade, Dependência e Segurança ......................................................................................... 6
1.3.2- Seletividade dos Relés e Zonas de Proteção ...................................................................................... 6
1.3.3- Categorias de Relés ............................................................................................................................ 7
1.3.4- Filosofias Gerais de Detecção de Faltas ............................................................................................. 8
CAPÍTULO 2 – PROTEÇÃO DIFERENCIAL DE TRANSFORMADORES ..................................................................... 12
2.1- INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 12
2.2- PROTEÇÃO DIFERENCIAL COM RETENÇÃO POR HARMÔNICOS.............................................................. 14
2.3- FATORES QUE AFETAM A PROTEÇÃO DIFERENCIAL................................................................................ 16
2.4- CAUSAS DA FALSA CORRENTE DIFERENCIAL ........................................................................................... 16
2.4.1- Corrente de Magnetização “Inrush” durante a Energização............................................................ 17
2.4.2- Correntes “Inrush” durante a remoção de faltas ............................................................................. 17
2.4.3- Sympathetic inrush........................................................................................................................... 17
2.4.4- Sobre-excitação de Transformadores .............................................................................................. 18
2.4.5- Saturação dos Transformadores de Corrente .................................................................................. 19
2.5- ALGORITMOS CONVENCIONAIS PARA PROTEÇÃO DIFERENCIAL ............................................................ 20
2.5.1- Introdução ........................................................................................................................................ 20
2.5.2- Séries de Fourier............................................................................................................................... 21
CAPÍTULO 3 – PROTEÇÃO DE DISTÂNCIA ........................................................................................................... 25
3.1- INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 25
3.2- FILOSOFIA DE PROTEÇÃO POR DISTÂNCIA ......................................................................................... 25
3.3- RELÉ DE DISTÂNCIA À IMPEDÂNCIA ................................................................................................... 28
3.3.1- Diagrama R-X ............................................................................................................................... 29
3.2.2- Direcionalidade do Relé de Impedância ................................................................................... 31
3.4- RELÉS DE DISTÂNCIA À REATÂNCIA ...................................................................................... 32
3.5- RELÉ DE IMPEDÃNCIA A ADMITÂNCIA – MHO ...................................................................... 35
CAPÍTULO 4 – TÉCNICAS AVANÇADAS APLICADAS À PROTEÇÃO DIFERENCIAL ................................................. 45
4.1- INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 45
4.2- TÉCNICAS NEURO-FUZZY APLICADAS À PROTEÇÃO DIFERENCIAL .......................................................... 45
4.2.1- Considerações Iniciais ...................................................................................................................... 45
4.2.2- Estrutura Básica do Algoritmo Proposto .......................................................................................... 46
4.3- REDES NEURAIS ARTIFICIAIS APLICADAS À PROTEÇÃO DIFERENCIAL ..................................................... 47
4.3.1- Método Baseado em Rede Neural Probabilística............................................................................. 47
4.3.2- Rede Neural Probabilística ............................................................................................................... 47
4.4 – TRANSFORMADAS WAVELET APLICADA À PROTEÇÃO DIFERENCIAL .................................................... 48
4.4.1 – Transformada Wavelet ................................................................................................................... 48
4.4.2 – Análise Multiresolução ................................................................................................................... 49
4.4.3 – Características em Frequência da Análise Multi-resolução............................................................ 50
4.4.4 – Aplicação de Transformadas Wavelet na Proteção Diferencial ..................................................... 51
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................................... 57
CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO À PROTEÇÃO POR RELÉS
1.1- INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES
O Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) define um relé como: “um
dispositivo elétrico que é designado para responder a condições de entrada de uma forma
preestabelecida após certas condições especificas serem satisfeitas devido a alterações
abruptas no sistema elétrico a ele associado”. As entradas são normalmente dados
elétricos (tensão e corrente), no entanto muitas vezes podem ser dados térmicos,
mecânicos ou combinação deles. Adicionalmente classificam-se relés de proteção como
sendo dispositivos eletromecânicos, eletrônicos ou digitais que são conectados aos
sistemas de potência com o intuito de detectar condições inesperadas ou intoleráveis
dentro de uma área específica. Eles são, de fato, uma segurança ativa, designados para
manter um alto grau de continuidade de serviço e limitação de danos aos equipamentos e
operadores.

A principal função de um sistema de proteção por relés é proteger o sistema de


potência dos efeitos danosos de uma falta. Uma falta em um componente do sistema de
potência (Barra, Transformador, Linha de transmissão etc.), na maioria das vezes um curto-
circuito, deve ser isolada rapidamente sob risco de causar instabilidades no sistema ou
mesmo desligamentos pela ação de outros dispositivos automáticos de proteção.

1.2- CLASSIFICAÇÃO DOS RELÉS


Os relés podem ser divididos em seis categorias funcionais:

Relés de Proteção. Detectam situações anormais ou defeituosas em elementos do


sistema de potência ou outras situações perigosas. Normalmente estes relés acionam
um ou mais disjuntores de potência mas podem também ser usados para
acionamento de alarmes.

Relés de Monitoração. Acompanham as condições do sistema de potência ou no


sistema de proteção. Estes relés incluem detectores de falta, unidades de alarme,
verificadores de sincronismo. Condições que não exijam a abertura de disjuntores
durante a situação anormal podem ser verificadas pelos relés de monitoração.

Relés de Religamento. Estabelecem uma sequência de religação dos disjuntores


operados pelos relés de proteção.
Relés de Regulação. São ativados quando um parâmetro de operação ultrapassa
seu valor predeterminado.

Relés Auxiliares. Operam em resposta à operação ou fechamento do circuito de


operação para auxiliar outro relé ou dispositivo. Estes incluem contadores de tempo,
relés multiplicadores de contato, relés de isolamento etc.

Relés de Sincronismo. Utilizados na interconexão de duas seções do sistema de


potência.

Muitos relés modernos são possuem diversas variantes destas funções. Em adição a
estas categorias funcionais, os relés podem ser classificados pelo tipo de dado de entrada
(Input), princípios de operação, e características de desempenho, de acordo com o padrão
ANSI/IEEE Standard C37.90, ou seja:

Inputs

• Corrente
• Tensão
• Potência
• Frequência
• Temperatura
• Pressão
• Fluxo
• Vibração
Princípios de Operação
• Balanço de Corrente
• Percentual
• Multirestrição
• Produto
• Estado sólido
• Estáticos
• Microprocessados
• Eletromecânicos
• Térmicos
Características de Desempenho
• Diferencial
• Distância
• Sobrecorrente Direcional
• Tempo inverso
• Tempo definido
• Subtensão
• Sobretensão
• Terra ou Fase
• Alta ou baixa velocidade
• Piloto

1.3- PRINCÍPIOS DA PROTEÇÃO POR RELÉS


A função de um relé de proteção é remover imediatamente de serviço algum elemento
do sistema de potência que esteja operando de forma anormal. Em geral os relés não
impedem que um determinado equipamento entre em estado faltoso: eles operam após a
detecção da falta. Seu objetivo é limitar o máximo possível maiores danos aos
equipamentos, riscos ao pessoal de operação, reduzir o stress nos outros equipamentos e,
acima de tudo, remover o equipamento em falta do sistema de potência tão rápido quanto
possível de forma que a estabilidade e integridade do sistema remanescente sejam
mantidas.

1.3.1- Confiabilidade, Dependência e Segurança


Confiabilidade é geralmente entendido como sendo a medida do grau de certeza que
um determinado equipamento responderá conforme planejado. Relés, em contraste com
muitos outros equipamentos possuem duas alternativas em que podem ser classificados
como não-confiáveis: Eles podem não operar quando isso era esperando ou podem deixar
de operar quando deveriam. Dependência é definida como sendo a medida da certeza de
que o relé irá operar corretamente para todas as faltas para as quais eles são designados
para operar. Segurança é definido como sendo a grau de certeza de que o relé não irá
operar incorretamente para nenhuma falta.

1.3.2- Seletividade dos Relés e Zonas de Proteção


A propriedade de segurança dos relés, que é definida como sendo a exigência de
que ele não deverá operar para faltas que ele não foi designado para operar é definido em
termos de regiões do sistema de potência – denominadas zonas de proteção – para a qual
um determinado relé ou sistema de proteção é responsável. O relé será considerado
seguro se ele operara apenas para faltas dentro de sua zona de proteção. Geralmente os
relés recebem como “inputs” informações de Transformadores de Corrente (TC). As zonas
de proteção são delimitadas por estes equipamentos. É através do TC que o relé “enxerga”
dentro de sua zona de proteção. Enquanto os relés são utilizados para detectar as faltas
dentro da zona de proteção, os disjuntores são responsáveis por isolar as faltas através da
desconexão dos equipamentos dentro da zona de proteção.

O sistema de Potência é dividido em zonas de proteção de:

• Geradores
• Barras
• Transformadores
• Linhas de Transmissão
• Motores

Figura 1.1 – Um sistema de Potência típico com suas zonas de proteção

1.3.3- Categorias de Relés


Analógicos. Relés analógicos são aqueles nos quais as quantidades medidas são
convertidas em sinais similares de baixa tensão, que são então comparados ou
combinados diretamente com valores de referência em nível de detectores para proceder a
saída desejada.

Digitais. Relés digitais são aqueles em que as quantidades AC medidas são


manipuladas de forma analógica e subsequentemente convertidas em ondas quadradas
(sinais binários) de tensão. Circuitos lógicos ou microprocessadores que comparam as
relações de fase dessas ondas para produzir um “trip” de decisão.

Numéricos. Relés numéricos são aqueles em que as quantidades AC medidas são


sequencialmente amostradas e convertidas em dados numéricos. Um microprocessador
desempenha a lógica operacional AND / OR nos dados, produzindo o “trip” de decisão.

1.3.4- Filosofias Gerais de Detecção de Faltas


Em geral curtos-circuitos se manifestam através da elevação da magnitude da
corrente e redução da tensão. Juntamente com as alterações dessas magnitudes, outras
alterações podem ocorrer em um ou mais dos seguintes parâmetros: ângulos de fase dos
fasores de tensão e corrente, componentes harmônicas, potência ativa e reativa,
freqüência etc. O princípio de operação dos relés para detecção de faltas são baseados
sobre a detecção dessas alterações e identificar se as alterações indicam que a falta
ocorreu dentro de sua zona de proteção.

1.2.4.1- Detecção de Nível


Este é o mais simples de todos os princípios de operação dos relés, utilizado, por
exemplo, no relé de sobrecorrente. Como se sabe, as magnitudes das correntes de falta
são bem superiores as das correntes normais do sistema de potência. Neste princípio um
valor de referência é ajustado no relé, o relé então está programado para enviar um “trip”
de abertura do disjuntor toda vez que o valor medido pelo relé for superior ao valor
previamente ajustado. Caso seja desejado, o relé poderá também estar conectado a um
alarme sonoro, tal que um operador possa intervir manualmente na abertura do disjuntor. O
nível em que o relé opera é conhecido como “pickup” do relé. Para todas as correntes
acima do “pickup” o relé operará. Para correntes inferiores o relé não executará nenhuma
ação. Logicamente pode-se programar um relé para operar para valores inferiores ao valor
de “pickup” e manter-se bloqueado para valores superiores ao “pickup”, um exemplo dessa
prática é o relé de subtensão. A figura 1.2 mostra o esquema básico de um relé de
proteção por sobrecorrente.
Figura 1.2 – Esquema de Proteção por Sobrecorrente para um Motor

1.2.4.2- Comparação de Magnitudes


Este princípio de operação é baseado na comparação de uma ou mais grandezas
operativas umas com as outras. Por exemplo, o relé de balanço de corrente, que compara
a magnitude da corrente em um circuito com a corrente em outro circuito, que devem ser
iguais ou proporcionais em magnitudes em condições normais de funcionamento. O relé irá
operar quando a divisão de corrente em dois circuitos for superior a uma dada tolerância. A
figura 1.3 mostra um relé de balanço de corrente conectado entre duas linhas de
transmissão idênticas e paralelas conectadas a mesma barra. O relé de balanço de
corrente compara as correntes nas duas linhas IA e IB. Se │IA│>│IB│+ε, onde ε é uma dada
tolerância, o relé entenderá como sendo uma falta na linha A. Uma lógica similar pode ser
adotada com relação à linha B.

Figura 1.3 – Esquema Elétrico de um Relé de Balanço de Corrente

1.2.4.3- Comparação Diferencial


A comparação diferencial é um dos mais sensíveis e efetivos métodos de proteção.
O conceito de comparação diferencial é muito simples e pode ser rapidamente entendido
utilizando-se como exemplo o enrolamento de um gerador, conforme figura 1.4, abaixo.
Como o enrolamento é eletricamente continuo, a corrente I1 que entra no enrolamento
deverá ser igual à corrente I2 que sai do enrolamento. Quando uma falta ocorrer em
qualquer ponto na região entre os transformadores de corrente as correntes não serão
iguais, logo, a soma algébrica entre elas (I1 - I2) não será nula. Neste caso o relé entenderá
que estará havendo uma falta no elemento sob proteção. Este tipo de proteção é restrito à
aplicação em equipamentos de potência tais como transformadores, reatores, geradores,
motores e barras. Mais detalhes deste tipo de proteção serão discutidos posteriormente.

Figura 1.4 – Esquema de Proteção Diferencial

1.2.4.4- Comparação de Ângulo de Fase


Este tipo de relé compara o ângulo de fase relativo entre duas grandezas AC. A
comparação de ângulo de fase é comumente utilizada quando se deseja determinar a
direção de uma corrente com relação a uma grandeza de referência.

1.2.4.5- Medição da Distância


Este tipo de relé compara a corrente com a tensão na linha de transmissão, obtendo
assim a impedância da linha vista pelo relé. Um relé de impedância baseia-se no fato de
que o comprimento da linha dado pelo diâmetro de um condutor e seu espaçamento
determina sua impedância.

1.2.4.6- Relés de Proteção Piloto


Certos relés utilizam o princípio baseado na obtenção de informações obtidas de
outro relé localizado remotamente. Estas informações, em geral, são “status” de contatos
(fechado ou aberto). Estas informações são enviadas através de canais de comunicação
tais como sistema Carrier, micro-ondas, fibra ótica etc.
1.2.4.7- Componentes Harmônicas
A corrente e a tensão em sistemas de potência possuem a forma de onda senoidal à
frequência industrial. No entanto existem variações no sinal, tais como as correntes e
tensões de 3ª harmônica produzidas por geradores em operação normal. Outras
harmônicas ocorrem durante situações anormais, tais como as harmônicas geradas por
saturação de transformadores ou por componentes transitórias geradas pelo processo de
energização de transformadores. Estas condições anormais podem ser detectadas através
de filtros em relés eletromecânicos ou de estado sólido ou através de cálculos em relés
digitais.

1.2.4.8- Relés de Frequência


Sistemas de Potência em operação normal operam em freqüências de 50 ou 60 Hz,
dependendo do país. Qualquer variação em torno desses valores indica a presença de
problemas ou a iminência deles. A frequência pode ser medida através de circuitos de filtro,
contagem de zeros na forma de onda em uma unidade de tempo, ou especialmente por
amostragem ou técnicas de computação digital.
CAPÍTULO 2 – PROTEÇÃO DIFERENCIAL DE
TRANSFORMADORES

2.1- INTRODUÇÃO
A proteção diferencial é a mais importante forma de proteção de Transformadores de
Potência e é extremamente indicada para transformadores com potência superior a 10
MVA. Vale ressaltar que o relé diferencial protege o transformador apenas para faltas
internas à zona de proteção. A proteção do transformador para faltas externas deverá ser
executada através de um relé de sobrecorrente. A zona de proteção é delimitada pelos
grupos de TC´s do primário e secundário do Transformador de Potência a ser protegido.

A proteção diferencial pode ser utilizada em transformadores de dois ou três


enrolamentos, em autotransformadores, em barramento de subestações, etc.

Figura 2.1 – Esquema de Proteção Diferencial

Os relés diferenciais são equipamentos que contém duas bobinas, sendo uma de
operação (BO) e outra de restrição (BR). A bobina de operação é responsável pela atuação
do relé, quando percorrida efetivamente por uma corrente diferencial. A bobina de restrição
é formada por duas meias bobinas e tem por finalidade inibir a atuação do relé quando
percorrida por correntes de mesmo sentido.

Os TCs a serem instalados no primário e secundário do transformador de potência,


deverão ser instalados na configuração inversa à configuração de conexão das espiras do
Trafo. Assim, se as espiras do Transformador estiverem ligadas em delta (∆) a
configuração dos TCs deverá ser em estrela (Y) e vice-versa.

A figura abaixo representa as características de operação dos relés diferenciais. A


região situada acima das retas consideradas no ajuste do relé corresponde à situação de
operação, enquanto que a região situada abaixo das retas corresponde à situação de
retenção do relé (Não-operação).

Figura 2.2 – Curva para ajuste da declividade de um Relé Diferencial

A essas retas dá-se o nome de inclinação característica ou declividade percentual do


relé, que pode variar, no caso da proteção de transformadores, entre 15% e 50%. Para se
calcular o ajuste da declividade percentual do relé deve-se proceder da seguinte maneira:

a) O valor médio da corrente que circula pela bobina de restrição, denominada


corrente de restrição, ou seja:

 
 = (2.1)


b) O valor da Corrente Diferencial, isto é, o valor da corrente que circula pela bobina
de operação do relé.

∆ = | −  | (2.2)

c) A declividade percentual do relé é calculada da seguinte forma:


Considerando:
Δ =  .  (2.3)
Esta equação representa uma reta cuja característica está indicada na figura
anterior.
A declividade percentual do relé será dada por:

 = . 100
∆

(2.4)

2.2- PROTEÇÃO DIFERENCIAL COM RETENÇÃO POR HARMÔNICOS


A proteção de Transformadores de potência apresenta algumas dificuldades e
limitações a saber:
i. Características dos transformadores de corrente (TC): Em virtude de os
transformadores do primário e secundário operarem em níveis de tensão
diferentes e em função disso apresentarem a dificuldade de se obter o melhor
balanço de corrente para a operação diferencial.

ii. Corrente de Magnetização Inrush: Quando o transformador de potência é


energizado, flui pelo enrolamento primário uma corrente de grande
intensidade, que provoca um desbalanceamento do relé diferencial.

iii. Saturação do TC´s: Um curto-circuito fora da zona de proteção pode causar


a saturação do TC, provocando uma operação anormal dos mesmos
causando um desligamento incorreto.

Com relação à corrente de magnetização, o relé diferencial com retenção por


harmônicos possui um filtro que separa as correntes de 60 Hz das outras freqüências.
Assim o relé pode identificar os tipos de ocorrências no transformador, pois, caso haja um
curto-circuito, predomina neste caso a componente fundamental da corrente de 60 Hz, com
poucos harmônicos, neste caso o relé deverá operar normalmente. No caso da
energização do transformador, a corrente de inrush vem acompanhada de uma grande
quantidade de correntes harmônicas. Neste caso, a proteção não deverá operar.
O esquema do relé diferencial dotado de restrições por harmônicas é apresentado na
figura a seguir:
Figura 2.3 – Relé Diferencial com Restrição de Harmônicos

Considerando-se inicialmente que o transformador esteja fora de operação, com os


dois disjuntores abertos.
• O processo de energização inicia-se com o fechamento do disjuntor do lado
primário do transformador. Com este procedimento surgirá nos enrolamentos
primários do transformador a corrente de inrush que atravessará o TC do lado
primário, refletindo no secundário do TC uma corrente de inrush secundária.
Esta corrente passará pela bobina de restrição T1 e pela bobina primária do TC
de operação do relé diferencial T2.
No secundário da bobina de restrição T1, a corrente de inrush será retificada e
passará totalmente na bobina de restrição resultante, criando um torque
negativo e impedindo a atuação do relé.
• No fechamento do disjuntor do secundário do transformador, a corrente de
inrush terá dois caminhos. A componente fundamental de 60 Hz passará pelo
filtro correspondente alimentando a bobina de operação resultante, que cria um
torque positivo. A parcela da corrente de inrush, sem a componente
fundamental de 60 Hz, passará pelo filtro de bloqueio de 60 Hz, será retificada
e alimentará a bobina de restrição resultante, produzindo um torque negativo.

Assim na bobina de operação resultante teremos:

çã =  − !"#$%&' ()%#*+,#-+. / (2.5)

Como çã ≫ 12çã o relé não deverá operar na energização do


transformador.

2.3- FATORES QUE AFETAM A PROTEÇÃO DIFERENCIAL

Na proteção diferencial, vários fatores devem ser levados em consideração na


operação do relé diferencial, alguns desses fatores, inclusive, podendo causar falsos
“trip´s” de abertura do disjuntor:

1- Corrente de magnetização “inrush”, Sobre-excitação e saturação dos TC´s.


Estas condições podem resultar em um desbalanço da corrente aplicada ao relé,
podendo aparentar uma corrente de falta.
2- Transformadores de Corrente em diferentes níveis de tensão, exigindo que se
tenham TC diferentes no primário e secundário do transformador de potência.
3- O deslocamento de fase (30o) ocasionado na corrente em bancos de
transformadores conectados em ∆-Y.
4- Mudanças de TAP para controle de tensão.
5- Rotação de fase ou mudanças de TAP em transformadores reguladores de
tensão.

2.4- CAUSAS DA FALSA CORRENTE DIFERENCIAL


O relé diferencial lida com correntes diferenciais relativamente pequenas que fluem
em condições normais de operação do transformador de potência. No entanto, alguns dos
fatores citados na seção 2.3 anterior podem causar, em situações de não falta, variações
significativas na corrente diferencial suficientes para causar o acionamento do relé
diferencial. Estes fenômenos são devidos às não-linearidades do núcleo do transformador
de potência ou dos transformadores de corrente, ou em ambos. Passaremos a descrever
cada uma destas situações a seguir.
2.4.1- Corrente de Magnetização “Inrush” durante a Energização
Quando um transformador é energizado pela primeira vez, uma corrente transitória
inicial de magnetização, ou de excitação, passa a fluir pelo seu enrolamento primário. Esta
corrente, que apresenta picos de 3 a 8 vezes a corrente nominal, muitas das vezes é
interpretada pelo relé diferencial como uma falta interna no transformador. Os fatores que
influenciam o valor desta corrente são: Tamanho e localização do transformador de
potência, o tamanho do sistema de potência, a impedância entre a fonte de alimentação e o
transformador, tipo de ferro utilizado no núcleo do transformador bem como sua densidade
de saturação, fluxo residual no transformador e a forma como o transformador foi
energizado.

Se o transformador foi energizado anteriormente, existe uma grande possibilidade de


que algum fluxo residual 3 tenha sido deixado no ferro, e este fluxo pode ser positivo ou
negativo. Se no momento da re-energização existir no ferro um fluxo +3 de uma recente
energização, o fluxo resultante no núcleo do transformador será então 23 + 3 , resultando
em uma elevada corrente de magnetização devido à soma dos fluxos. No entanto se o
fluxo residual for negativo (−3 ), a corrente de magnetização “inrush” será menor devido a
subtração dos fluxos (23 − 3 ).

2.4.2- Correntes “Inrush” durante a remoção de faltas


Quando uma falta externa, porém próxima ao transformador é eliminada por um
disjuntor, as condições no interior do núcleo do transformador são bastante similares às
condições apresentadas na situação de “Inrush”. Como a tensão nos enrolamentos do
transformador saltam de um valor mais baixo pré-falta para um nível normal, ou maior, pós-
falta os fluxo de ligação no núcleo do transformador são obrigados a saltar de um baixo
valor pré-falta para níveis próximos do normal. Dependendo do instante em que a falta foi
removida, poderia surgir no enrolamento primário, correntes com forma de onda
semelhante àquelas encontradas nas correntes de magnetização. Deve-se notar, no
entanto, que como não há fluxo remanescente neste processo, estas correntes
normalmente são de magnitudes inferiores às da corrente de “inrush”.

2.4.3- Sympathetic inrush


Este não é um fenômeno muito usual, mas que ocorre com alguma frequência, por
isso merece ser citado. O transformador T1, da figura 2.5 está energizado e o
transformador T2 será energizado através do fechamento do disjuntor B. Quando o
disjuntor B fecha, uma corrente de “inrush” é estabelecida nos enrolamentos primários do
transformador T2, que é fornecida pelo gerador através da impedância da entre as barras A
e G. Esta corrente de magnetização possui uma componente DC que decai ao longo do
tempo produzindo uma queda de tensão na resistência da linha de transmissão. Este
fenômeno pode causar o surgimento de uma corrente de “inrush” no enrolamento primário
do transformador T1, previamente energizado e em paralelo com T2. A este fenômeno
denomina-se “Sympathetic inrush”, cujo comportamento típico é mostrado na figura 2.4.

Figura 2.5 – “Sympathetic Inrush” em Transformadores em Paralelo.

2.4.4- Sobre-excitação de Transformadores


Durante certas situações de rejeição da carga, ou outras situações operacionais, os
transformadores podem ser submetidos à sobretensões em regime permanente e à
frequência nominal. Durante a sobre-excitação, o fluxo no transformador permanece
simétrico, mas entra em saturação por igual período, nos meios períodos positivos e
negativos. A corrente do transformador nesta condição é ilustrada na figura 2.6. Percebe-se
que o comportamento desta corrente é semelhante ao comportamento de uma corrente de
“inrush”, fato que pode causar um falso “trip” do relé diferencial.

Figura 2.6 – “Inrush” causada por sobre-excitação do Transformador

2.4.5- Saturação dos Transformadores de Corrente


Para certas faltas externas à zona de proteção diferencial, quando a corrente de falta
possui magnitude elevada, é possível que algum dos TC´s entrem em saturação. A
resultante da onda de corrente no enrolamento secundário do TC é mostrada na figura 2.6
a seguir. A corrente diferencial no relé será então a área em destaque, que é a diferença
entre a onda de corrente não-saturada e a onda saturada. O destaque para esta forma de
onda é que a mesma não possui componentes harmônicos pares e que a componente de
terceira ordem apresenta parcela significante.

Figura 2.7 – “Inrush” causada por saturação dos TC´s


2.5- ALGORITMOS CONVENCIONAIS PARA PROTEÇÃO DIFERENCIAL

2.5.1- Introdução
Algoritmos para proteção de transformadores de potência devem ser concebidos para atuar
corretamente na presença de correntes de “inrush” e em condições de sobre-excitação ou
saturação de TC´s. Sendo assim, a proteção diferencial deverá prever sua inibição quando
forem identificadas situações semelhantes às descritas na seção 2.4. Os algoritmos mais
tradicionais utilizam-se do fato de que as correntes de magnetização, de sobre-excitação e
provenientes da saturação dos TC´s possuem características peculiares que as diferenciam
das correntes de falta normais. Basicamente estas diferenças se apresentam em termos de
componentes harmônicas. As correntes de falta, em geral, apresentam-se como
componentes puras da frequência fundamental (50 ou 60 Hz), enquanto que as correntes
de magnetização apresentam, na maioria das vezes, significativa presença de
componentes de 2ª ordem (120 Hz). Já as correntes de sobre-excitação apresentam
significativa presença de componentes de 3ª e 5ª harmônicas (180 e 300 Hz,
respectivamente). Por outro lado as correntes procedentes da saturação dos TC´s não
apresentam conteúdo de componentes harmônicos de ordem par. Por outro lado
apresentam significativa presença de componentes de 3ª ordem (180 Hz). Vale ressaltar
que estas características possuem algumas exceções, pois se observa em certas situações
a presença de componentes de 2ª ordem nas correntes de falta e ainda reduzida presença
de componentes de 2ª ordem nas correntes de “inrush”. Isto se deve ao fato de que nos
transformadores mais modernos novas tecnologias e materiais tem sido utilizados com o
objetivo de melhorar o desempenho destes equipamentos diante de situações de
saturação.

A principal tarefa então, além das rotinas normais de proteção diferencial, é fazer a
distinção entre as correntes de “inrush” (ou de saturação de TC) e as correntes de falta. Em
geral a Transformada Discreta de Fourier, com uma taxa de amostragem adequada, é
utilizada para decompor o sinal de corrente em suas componentes harmônicas e a partir de
certos critérios de restrição é tomada a decisão de operação ou bloqueio de relé diferencial.

A transformada rápida de Fourier (Fast Fourier Transform – FFT) é um algoritmo


inteligente que implementa a Transformada Discreta de Fourier (TDF). Ele fornece os
mesmos resultados da TDF, porém com uma velocidade bem maior, em virtude da
eficiência do algoritmo.
2.5.2- Séries de Fourier
A maioria dos dados encontrados em sistemas de potência, tais como tensão e
corrente, são essencialmente periódicos. A situação ideal seria que tanto o sinal de tensão,
quanto o de corrente em regime permanente fossem sinais puramente à frequência
fundamental (50 ou 60 Hz). Alguns dispositivos, tais como transformadores, inversores,
conversores e cargas provocam distorções nas formas de ondas de corrente e de tensão,
portanto, os sinais “vistos” pelos relés de proteção não são senóides puras. As
características destes sinais à frequência não-fundamental têm uma importante influência
sobre o desempenho dos algoritmos de proteção. As Séries de Fourier fornecem condições
para que estes sinais sejam analisados e suas componentes harmônicas sejam
determinadas.

2.5.2.1- Série de Fourier Exponencial


Um sinal 789) é considerado periódico se existe um T, tal que:

789) = 789 + :), para todo t (2.6)

Se 789) é periódico, então existe um :; , definido como sendo o menor valor positivo
de T para o qual a equação 2.6 seja satisfeita. :; é denominado de período fundamental de
789). Se 789) = sin8?; 9)então a equação 2.6 será satisfeita para:

2@A
:= 82.7)
?;

A frequência fundamental será:

2A
?; = 82.8)
:;

Dado um sinal periódico com frequência fundamental ?; , a série de Fourier


exponencial será escrita como:

FKL

789) = D EF G HFIJ 82.9)


FK(L

A tarefa principal nesta situação é determinar os coeficientes EF . Uma importante


propriedade no calculo das exponenciais que simplifica o processo é:
VJ
:; ; S = 0U
N G HOIJ  P9 = Q 82.10)
;
0; S ≠ 0

Sendo assim tem-se:

VJ
1
E = N 789)G HOIJ  P9 82.11)
:;
;

2.5.2.2- Série de Fourier Seno e Cosseno


Utilizando-se a identidade de Euler:

G HFIJ  = cos8Y?; 9) + Z sin8Y?; 9)

É possível escrever a equação 2.9 em termos de Senos e Cossenos

FKL L L

D EF G HFIJ
= [; + D [F cos8Y?; 9) + D \F sin8Y?; 9) 82.12)
FK(L FK FK

Onde:

[; = E;

[F = EF + E(F Y≠0 82.13)

\F = Z8EF − E(F ) Y ≠ 0 82.14)

Ou ainda, usando a equação 2.11:

VJ
2
[F = N 789) cos8Y?; 9) P9 82.15)
:;
;

VJ
2
\F = N 789) sin8Y?; 9) P9 82.16)
:;
;

Como demonstração desse procedimento, seja o gráfico da figura 2.8, a seguir. Será
usada a série de Fourier para fazer a análise das componentes harmônicas do sinal.
Figura 2.8 – Corrente de “inrush” a ser analisada

A expressão para a corrente será:

O 8cos b − sin c), e[7[ 0 ≤ b ≤ c, 82A − c) ≤ b ≤ 2AU


a8b) = Q
0, e[7[ c ≤ b ≤ 82A − c)

Utilizando-se a equação 2.15, tem-se:

g h
2 1
[ = N a8b) cos8@b) Pb = 2 N O 8cos b cos @b − cos c cos @b) Pb
2A A
; ;

Resolvendo-se a integral:

O 1 1 1
[ = i sin8@ + 1)c + sin8@ − 1)c − 2 cos c sin @cj
A @+1 @−1 @

Calculando-se as componentes harmônicas, variando @ = 1,2,3, … . ,13, para


calcularmos até a componente de 13ª ordem, tem-se:


[ = g
lc −  sin 2cm

A magnitude relativa das várias componentes harmônicas em relação à componente


fundamental foi calculada e tabelada na tabela 2.1 a seguir, para ângulos de saturação8c)
de 600, 900 e 1200.
Componentes [
[
Harmônicas
0 0 0
60 90 120
2 0.705 0.424 0.171
3 0.352 0.000 0.086
4 0.070 0.085 0.017
5 0.070 0.000 0.017
6 0.080 0.036 0.019
7 0.025 0.000 0.006
8 0.025 0.029 0.006
9 0.035 0.000 0.008
10 0.013 0.013 0.003
Tabela 2.1 – Magnitude Relativa das Componentes até a 10ª Harmônica

Percebe-se que em todos os ângulos de saturação, a componente de 2ª harmônica


é a mais significativa. Percebe-se também que no caso do ângulo de saturação de 90º não
existem componentes ímpares.
CAPÍTULO 3 – PROTEÇÃO DE DISTÂNCIA
3.1- INTRODUÇÃO
Como se sabe, o valor da corrente de curto-circuito em uma linha de transmissão
varia de acordo com a impedância medida desde a fonte de energia até o ponto de defeito.
Quando se trata de linhas de transmissão muito longas, pode existir uma dificuldade no
emprego da proteção de sobrecorrente, pois ao se estabelecer um determinado tempo T,
para atuação do relé em função da corrente de defeito nas proximidades do barramento,
pode-se estar prejudicando o sistema, por exemplo, quando o defeito ocorresse no final da
linha de transmissão, onde a corrente de defeito é significativamente menor que o valor
obtido no início da linha. Neste caso, o tempo T ajustado para a atuação se tornaria
excessivamente longo, trazendo graves conseqüências para o sistema e às cargas a ele
ligadas.

Com o intuito de contornar esta deficiência do relé de sobrecorrente, desenvolveu-se


o relé de distância (ASA 21), que tem seu funcionamento baseado na corrente e na tensão
no início da linha de transmissão e cuja atuação é dependente da impedância medida entre
o ponto de instalação do relé e o ponto de defeito.

As vantagens da aplicação de relés de distância sobre os relés de sobrecorrente


são:

 Maior cobertura de “trip” instantâneo


 Maior sensibilidade
 Facilidade nos cálculos de ajustes e coordenação
 Zonas de proteção fixas, relativamente independentes de alterações no sistema,
exigindo pouco esforço de manutenção
 Independência da carga do sistema.

3.2- FILOSOFIA DE PROTEÇÃO POR DISTÂNCIA


O princípio de funcionamento do relé de distância pode ser avaliado com base no
seguinte diagrama:
Figura 2.1 – Diagrama unifilar do relé de distância

Pela lei de Ohm, tem-se a impedância medida desde o ponto de instalação do relé
até o ponto de falta, ou seja:

o
n= (3.1)


E como:

n = p. P (3.2)

Onde:

n – Impedância medida pela fonte, em Ω

p - Impedância unitária da linha de transmissão em Ω/km (valor conhecido)

q- Tensão medida pelo relé, em Volts (V)

- Corrente de Falta, em Ampére (A)

d – Distância da fonte até o ponto de falta, em km.

Com base nessas equações calcula-se a distância da fonte ao ponto de falta, ou


seja:
o
P = p (3.3)

Tomando-se como exemplo, o princípio de funcionamento de um relé


eletromecânico conclui-se o seguinte.

O torque de operação do relé de distância será dado por:


r1 = Y Vs  − Y qVt 

Onde:

r1 - Torque de Operação resultante

Y e Y - Constantes intrínsecas

No limiar da operação do relé, o torque resultante será nulo, logo:

Y Vs  = Y qVt 

Y qVt 
=
Y Vs 

ouv F
= xF = nyV = z8{  + |  ) = { + Z| (3.4)
uw 

Onde:

n} – Impedância medida pelo relé, em Ω.

Através da comparação da tensão com a corrente que flui na linha de transmissão, o


relé de distância calcula a impedância vista pelo relé. Caso o módulo desta impedância
seja inferior a um valor pré-ajustado o relé enviará um “trip” para o disjuntor provocando
sua abertura. Caso contrário o disjuntor permanecerá bloqueado.

Os relés de distância operam basicamente sob três princípios:

• Relé de distância à Impedância (Ohm)


• Relé de distância à Reatância
• Relé de distância à Admitância (Mho)
3.3- RELÉ DE DISTÂNCIA À IMPEDÂNCIA

Os relés de distância do tipo Impedância são relés que possuem pelo menos duas
unidades que são as unidades de medida de impedância e unidade de temporização. O
funcionamento do relé se dá da seguinte forma:

Como se sabe:

o
q~ = Vt
v
(3.5)


~ = Vs
v
(3.6)

Dividindo-se a equação (5) pela equação (6) tem-se

qt
q~ {:
=
~ t
{:€
Arrumando-se:

q~ qt {:€
=
~ t {:

Como:

n~ = 
(3.7)

ov
nt = v
(3.8)

Substituindo-se (7) e (8) tem-se:


Vs
n~ = nt . Vt (3.9)

Onde:

ZS – Impedância medida pelo relé relativa ao secundário

ZP – Impedância medida pelo relé relativa ao primário

VS – Tensão no Secundário do TP, vista pelo relé

VP – Tensão Primária do Sistema

IS – Corrente no Secundário do TC, vista pelo relé

IP – Corrente primária do sistema


RTP – Relação de Transformação do Transformador de Potencial

RTC – Relação de Transformação do Transformador de Corrente

3.3.1- Diagrama R-X


As características do relé de distância à impedância podem ser demonstradas mais
convenientemente através do diagrama de impedâncias R-X, onde a resistência R é a
abscissa e a reatância X é a ordenada, conforme figura a seguir. Generalizando, a equação
(4) representa um círculo concêntrico na origem dos eixos, representando o lugar
geométrico da impedância medida pelo relé, mantendo-se o módulo constante e variando-
se a defasagem angular. Para fins de ajuste e seletividade definem-se zonas de proteção
do relé de impedância que normalmente, nos relés eletromecânicos e estáticos são em
número de 3 zonas.

Figura 3.1 – Diagrama R-X do relé à Impedância

A primeira zona de atuação (Z1) corresponde de 80% a 90% do comprimento da


linha de transmissão. Este ajuste é feito na unidade Z1, cujo tempo T1 é muito pequeno, em
geral T1≅ 0. A zona Z2 pode ser ajustada para atuação de até 50% do comprimento da
linha L2, cujo tempo de atuação T2 pode variar de 0.15 a 0.50 segundos. Por fim a zona de
atuação Z3 pode ser ajustada para atuar até o comprimento da linha L3 com tempo de
atuação variando de 0,4 a 1,0 segundos, conforme figura 3.2 a seguir.
Figura 3.2 – Zonas de Atuação do Relé de Distância à Impedância

O ajuste do relé de impedância é feito então com base na predefinição das seções
do comprimento da linha de transmissão sob supervisão e de suas impedâncias, definindo-
se assim as zonas de proteção do relé. Caso, em dado momento a medição da impedância
realizada pelo relé caia dentro de uma das zonas de proteção, o relé enviará o “trip” para o
disjuntor provocando sua abertura. Caso a medição da impedância caia fora das zonas de
proteção o disjuntor permanecerá bloqueado. Ver figura 3.3 a seguir.

Por outro lado, o ajuste das temporizações do relé de impedância (Figura 3.2) se dá
com base nos seguintes princípios:

• Zona Z1: T1≅ 0 (3.10)


• Zona Z2: T2=T1+∆T (3.11)
• Zona Z3: T3=T2+∆T (3.12)

Onde em geral se usa ∆T=0,5 seg.


Figura 3.3 – Características de operação do relé de impedância

3.2.2- Direcionalidade do Relé de Impedância


Uma análise mais atenciosa do diagrama R-X da figura 3.1 demonstra que o relé de
impedância não possui direcionalidade, ou seja, ele pode atuar para qualquer sentido de
circulação da corrente, o que o impossibilita de ser utilizado em redes em anel a menos
que ao relé 21 seja acoplada uma unidade direcional (relé 67). Desta forma, a
característica de operação do relé 21 passará a ser demonstrada pela figura 3.4 a seguir.

Figura 3.4 – Unidade Direcional Acoplada ao Relé de Impedância


3.4- RELÉS DE DISTÂNCIA À REATÂNCIA

Os relés de distância à reatância utilizam-se das medidas da reatância desde o início


da linha até o ponto de defeito. Este tipo de relé é mais empregado em sistemas quando a
resistência do arco elétrico formado pela falta é considerada significativa. Neste caso
particular, os relés à impedância seriam inadequados porque ele contempla o valor da
resistência e pode ser significativamente afetados pela resistência do arco elétrico. No caso
dos relés à reatância, o valor dessa resistência no momento da falta não prejudicará o
desempenho do mesmo, pois o relé é sensibilizado apenas pela reatância do sistema.

Para um relé à reatância eletromagnético tem-se o seguinte torque, onde θ é o


ângulo de defasagem entre os fasores de tensão e corrente:

ƒ = „   − „… † sin b − „

No limiar de operação o torque resultante será nulo, ou seja:

„   = „… † sin b + „

Dividindo-se ambos os lados da equação por „…   tem-se

„   „… † sin b „
= +
„…   „…   „…  

„   „… † sin b „
= +
„…   „…   „…  

Rearrumando-se e desprezando-se a última parcela da equação tem-se:

† „
sin b =
 „…
…
Como =n


„
n sin b =
„…

Sabe-se que n sin b = | logo:


‡
| = ‡ˆ (3.13)
‰

Graficamente o comportamento do relé de reatância representa uma reta paralela ao


eixo da resistência num plano R-X, conforme figura 4.1 a seguir.
Para o relé de reatância, a região localizada acima da reta paralela ao eixo R é a
região de bloqueio do disjuntor. Já a região localizada abaixo da reta é a região de
operação.

O ajuste do relé de reatância pode ser feito com base na seguinte equação:
Vs
| = |1 . (3.14)
Vt

Onde:

| - Reatância do sistema de potência referida ao secundário dos transformadores


de medida, em Ω;

|1 - Reatância primária do sistema de potência, em Ω.

O alcance e temporização das zonas de atuação são semelhantes aos valores


típicos dados para o relé de impedância, conforme figura.

Figura 4.1 – Representação gráfica de um relé de reatância


Figura 4.2 – Zonas de proteção do Relé de Reatância
3.5- RELÉ DE IMPEDÃNCIA A ADMITÂNCIA – MHO
Os relés de Admitância são relés de distância que seguem uma filosofia semelhante
à do relé de impedância. São particularmente indicados na proteção de fase de linhas de
transmissão longas. São também denominados de relés tipo MHO. Possuem
características determinadas pela equação a seguir.

‡
n= . cos83 − Š) (3.15)
‡

Onde:

„
„ G „ – São constantes internas do relé e ‹„ representa o valor máximo da

impedância do sistema

3 − Ângulo de projeto do relé

Š −Ângulo de defasagem entre V e I

A representação gráfica da característica de atuação deste relé no plano R-X, é uma


circunferência que tangencia a origem do sistema de eixos e é dado pela equação:

Graficamente tem-se:

Figura 5.1 – Diagrama R-X do Relé de Admitância (MHO)


Figura 5.2 – Zonas de proteção do Relé MHO

De maneira semelhante ao relé de impedância, o relé de Admitância possui três


zonas de proteção (Z1, Z2 e Z3) com os respectivos tempos de atuação e alcance, conforme
figura 5.2. A região localizada dentro do círculo representa a região de “trip” do disjuntor, já
a região localizada fora do círculo é a região de bloqueio.

Analisando-se o gráfico da figura 5.2 percebe-se claramente a característica


intrinsecamente direcional do relé de admitância, o que é uma grande vantagem pois o
mesmo poderá ser utilizado em sistemas em anel sem utilizar-se de um relé direcional
adicional.
Exemplo 1: Dado o sistema de potência da figura abaixo, efetuar o

ajuste do relé de distância à impedância, instalado na subestação, sabendo-se que a


impedância unitária das linhas de transmissão vale Œ = , Ž . Deve-se atender aos
seguintes limites de atuação:

• Zona 1 – 80% da Linha L1.


• Zona 2 – Até 50% do comprimento da Linha L2.
• Zona 3 – Até o fim da Linha L3.
• ∆T = 0.5 seg.

RESOLUÇÃO

a) Cálculo de TP e TC:

Para o TC

75.000.000
‘ = = 627,57 
√3 69.000
Como:

‘t ≥ s,ƒ2”

Pela tabela Usaremos um TC 800:5 A, ou seja, RTC = 160

Para o TP
qt 69.000
{: = = = 600
q~ 115

RTP = 600

b) Determinação das distâncias e impedâncias de proteção


• Zona Z1

n = 0,8 . 150 . 0,304 = Ž•, –

Distância protegida:

36,48
n = = —˜ ™š
0,304

• Zona Z2

n  = ›œ + 0,5 . ›s = 150 . 0,304 + 0,5 . 120 .0,304 = •Ž, – 

Distância protegida:

63,84
n = = ˜— ™š
0,304

• Zona Z3

n ž = ›œ + ›s + ›s = 150 + 120 + 55 = Ž˜Ÿ ™š

n ž = 325 .0,304 =  –, – 

c) Ajuste do Relé

{:€
n~ = nt .
{:

• Zona Z1
160
n~ = 36,48 . =  , ¡Ž 
600
Usar n = — 
• Zona Z2
160
n~ = 63,84 . = —¡, ˜ 
600
Usar n  = —¡ 
• Zona Z3

160
n~ = 98,8 . = ˜•, ŽŸ 
600
Usar n ž = ˜• 
d) Ajuste do Tempo de Disparo
Zona Z1 – T1 = 0,05 s

Zona Z2 – T2 = T1 + ∆T= 0,05 + 0,5 = 0,55 s

Zona Z3 – T3 = T2 + ∆T = 0,55 + 0,5 = 1,05 s


Exemplo 2: Considere agora o sistema de potência da figura abaixo,
onde é possível haver circulação de corrente em ambos os sentidos. Utilizando-se do
relé de distância tipo admitância, faça o ajuste da proteção da linha de transmissão
sabendo-se que a impedância unitária das linhas de transmissão vale Œ = , Ž .
Deve-se atender aos seguintes limites de atuação para ambos os lados da linha:

• Zona 1 – 80% da Linha L1.


• Zona 2 – Até 50% do comprimento da Linha L2.
• Zona 3 – Até o fim da Linha L3.
• ∆T = 0.5 seg.

RESOLUÇÃO

a) Cálculo de TP e TC (Para ambos os lados da linha):

Para o TC

75.000.000
‘ = = 627,57 
√3 69.000
Como:

‘t ≥ s,ƒ2”

Pela tabela Usaremos um TC 800:5 A, ou seja, RTC = 160

Para o TP

qt 69.000
{: = = = 600
q~ 115

RTP = 600

b) Determinação das distâncias e impedâncias de proteção


Relé na Barra A
• Zona Z1

n = 0,8 . 150 . 0,304 = Ž•, –

Distância protegida:

36,48
n = = —˜ ™š
0,304

• Zona Z2

n  = ›œ + 0,5 . ›s = 150 . 0,304 + 0,5 . 120 .0,304 = •Ž, – 

Distância protegida:

63,84
n = = ˜— ™š
0,304

• Zona Z3

n ž = ›œ + ›s + ›s = 150 + 120 + 55 = Ž˜Ÿ ™š

n ž = 325 .0,304 =  –, – 

Relé na Barra D
• Zona Z1

n = 0,8 . 55 . 0,304 = 1Ž, Ž–

Distância protegida:

13,38
n = =  ™š
0,304

• Zona Z2

n  = ›s + 0,5 . ›s = 55 . 0,304 + 0,5 . 120 .0,304 = Ž,  • 

Distância protegida:

34,96
n = = ——Ÿ ™š
0,304

• Zona Z3

n ž = ›s + ›s + ›œ = 55 + 120 + 150 = Ž˜Ÿ ™š

n ž = 325 .0,304 =  –, – 


c) Ajuste dos Relé

Relé na Barra A

{:€
n~ = nt .
{:

• Zona Z1
160
n~ = 36,48 . =  , ¡Ž 
600
Usar Z 1 =10 Ω
• Zona Z2
160
n~ = 63,84 . = —¡, ˜ 
600
Usar n  = —¡ 
• Zona Z3

160
n~ = 98,8 . = ˜•, ŽŸ 
600
Usar n ž = ˜• 

Relé na Barra D

{:€
n~ = nt .
{:

• Zona Z1
160
n~ = 13,38 . = Ž, Ÿ¡ 
600
Usar n =  

• Zona Z2
160
n~ = 34,96 . =  , Ž˜ 
600
Usar n  = — 

• Zona Z3

160
n~ = 98,8 . = ˜•, ŽŸ 
600
Usar n ž = ˜• 
d) Ajuste do Tempo de Disparo dos Relés

Relés nas Barras A e D

Zona Z1 – T1 = 0,05 s

Zona Z2 – T2 = T1 + ∆T= 0,05 + 0,5 = 0,55 s

Zona Z3 – T3 = T2 + ∆T = 0,55 + 0,5 = 1,05 s

OBS: Os tempos de disparo dos relés são os mesmos

Como resultado do ajuste dos relés tem-se o esquema a seguir

Relé na Barra A
Relé na Barra D
CAPÍTULO 4 – TÉCNICAS AVANÇADAS APLICADAS À
PROTEÇÃO DIFERENCIAL

4.1- INTRODUÇÃO
A utilização de ferramentas computacionais na solução de problemas de difícil
tratamento convencional na proteção de sistemas elétricos de potência deve-se
principalmente ao contínuo crescimento, tanto em tamanho como em complexidade de tais
sistemas. A idéia de utilização de técnicas computacionais à proteção de sistemas de
energia elétrica não é nova. Já nos anos 60 surgiram propostas inovadoras da utilização de
ferramentas computacionais com esta finalidade [5]. Nos últimos anos, uma quantidade
razoável de publicações utilizando ferramentas inteligentes para a solução destes
problemas tem sido observada, em virtude do continuo crescimento dos recursos
computacionais disponíveis. Ferramentas, que em outros tempos eram difíceis de serem
imaginadas, atualmente tem sido recorrentes no meio acadêmico, fazendo com que,
naturalmente estas ferramentas sejam utilizadas nos mais diversos ramos da tecnologia.

O presente capítulo dedica-se à exposição de algumas técnicas de Inteligência Artificial (AI)


aplicadas à proteção diferencial de transformadores de potência: Redes Neurais Artificiais,
Lógica Fuzzy e Transformadas Wavelet.

4.2- TÉCNICAS NEURO-FUZZY APLICADAS À PROTEÇÃO DIFERENCIAL


4.2.1- Considerações Iniciais
Em [16] um algoritmo baseado em técnicas Neuro-fuzzy é proposto. O método baseia-se
nos diferentes comportamentos da componente harmônica de 2ª ordem da corrente de
“inrush” e das correntes de falta. Em muitas condições de falta, a proporção entre os
ângulos de fase da componente de 2ª ordem e a componente fundamental da corrente
diferencial é próxima de zero, 180 ou 360 graus e em chaveamentos e condições de
“inrush” esses valores são próximos de 90 ou 270 graus. Neste método a magnitude e a
diferença angular da proporção da componente harmônica de 2ª ordem e a componente
fundamental são calculados simultaneamente através das equações a seguir:
a
2
I dif
I 21 = 1a
(4.1)
I dif

∠I 21 = ∠I 2 − 2 * ∠I 1 (4.2)

Onde:

I 21 - Razão entre as componentes de 2ª e de 1ª ordem da corrente diferencial

a
2
I dif - Magnitude da componente de 2ª ordem da corrente diferencial
a
1
I dif - Magnitude da componente de 1ª ordem da corrente diferencial

∠I 21 - Ângulo de fase de I 21

∠I 2 - Ângulo de fase da componente de 2ª ordem

∠I1 - Ângulo de fase da componente de 1ª ordem

4.2.2- Estrutura Básica do Algoritmo Proposto


Inicialmente as correntes das fases são processadas através da transformada rápida
de Fourier (FFT) e as magnitudes das componentes harmônicas são obtidas. Em seguida
calcula-se o valor de I 21 através da equação (4.1). Estes valores servirão de entrada para
três unidades de proteção diferencial que consistem de três unidades Neuro-Fuzzy, sendo
uma para cada fase. Uma unidade lógica é usada para emitir a decisão final da atuação ou
bloqueio de relé, conforme diagrama a seguir.

Figura 4.1 – Diagrama Estrutural do Método Neuro-Fuzzy

A rede Neuro-Fuzzy é treinada para processar os dados de entrada. A rede proposta


possui dois dados de entrada ( I 21 e ∠I 21 ) e uma saída. Se uma situação de falta ocorrer, o
dado de saída fornecerá um valor próximo de zero, caso contrário fornecerá um valor
próximo da unidade.
4.3- REDES NEURAIS ARTIFICIAIS APLICADAS À PROTEÇÃO DIFERENCIAL
4.3.1- Método Baseado em Rede Neural Probabilística
Em [8], um método baseado na utilização de uma rede neural probabilística é
proposto para fazer a distinção entre correntes de magnetização “inrush” e faltas internas
em transformadores de potência.

4.3.2- Rede Neural Probabilística


Uma rede neural probabilística é um bom classificador que leva em conta as
características probabilísticas do espaço amostral em que as amostras das faltas são
mapeadas. Este método não necessita de treinamento para cálculo dos pesos sinápticos e
as amostras são classificadas por regras de prioridades probabilísticas de Bayes e pela
regra do mínimo risco de Bayes. Quando a rede opera para identificar uma amostra
proveniente da camada de entrada que é enviada diretamente para a camada de
modelagem, que possui várias subunidades de categorias. A operação do produto é
completada com o vetor de peso nas unidades de modelagem, após o processamento não-
linear, podemos estimar a probabilidade com base nos métodos de Parzen na camada de
soma, com base na estimativa de probabilidade do vetor de entrada e da regra de Bayes
de classificação, o vetor de entrada é classificado na categoria que tem valores de
probabilidade a posteriori máxima na camada de tomada de decisões. A figura 4.2 abaixo
ilustra a estrutura de uma rede neural probabilística.

Figura 4.2 – Estrutura de uma Rede Neural Probabilística


4.4 – TRANSFORMADAS WAVELET APLICADA À PROTEÇÃO DIFERENCIAL
4.4.1 – Transformada Wavelet

Wavelets são funções matemáticas que satisfazem certos critérios. Apresentam-se


de forma oscilatória, localizadas no tempo e de curta duração. Há vários tipos de famílias
de Wavelets, no entanto, as mais conhecidas são as da família Daubechies. As wavelets
são usadas de forma similar ao que a análise de Fourier utiliza-se de senos e cossenos,
com a vantagem de que podem lidar com sinais descontínuos, transitórios ou não
estacionários no tempo.

A análise de Wavelet é uma técnica semelhante à análise de Fourier janelada, com a


diferença que a largura da janela é variável. Permite o uso de grandes intervalos de tempo,
quando se deseja obter informações de baixa frequência e curtos intervalos de tempo
quando se deseja obter informações de alta frequência. Diferentemente da análise de
Fourier que usa senos e cossenos, a análise wavelet utiliza pequenas ondas denominadas
wavelet (Ondaletas). A transformada wavelet decompõe o sinal original em versões
deslocadas e escalonadas da wavelet original (Wavelet mãe).

A transformada contínua de wavelet é definida como a soma sobre todos os tempos


do sinal original multiplicado por versões deslocadas e escalonadas da função wavelet, ou
seja:

+∞
t −b
WT (a, b ) = ∫ x(t )g 
1
dt (4.3)
a −∞
a 

Onde:

x(t ) - Sinal a ser analisado (decomposto)

a, b - Fatores de dilatação e de translação respectivamente

g (t ) - Wavelet Mãe.

A equação (4.3) representa uma transformada continua e possui uma


correspondente discreta, para implementação digital, definida como:
 k − na 0m 
DWT (m, k ) = x(n )g 
1
a 0m
∑n  a0
m



(4.4)

Onde os fatores de dilatação e de translação de (4.3), a, b , são função de um


parâmetro inteiro m , onde a = a 0m e b = bom .

A transformada discreta de wavelet pode ser implementada através de um banco de


filtros, podendo a equação (4.4) ser reescrita da seguinte forma:

DWT (m, k ) = ∑ x(k )g (a )


1 −m
0 n−k (4.5)
m
a 0 n

4.4.2 – Análise Multiresolução


A análise multiresolução tem por objetivo desenvolver a representação do sinal de
entrada x(k ) em termos de uma base ortogonal que são as funções escala e wavelet. Na
estrutura da análise multiresolução o sinal de entrada é convoluído, obtendo-se como
resposta os conteúdos de baixa frequência do sinal de entrada, ou uma aproximação do
mesmo e ainda os conteúdos de alta frequência do sinal de entrada, ou os detalhes. Os
sinais de saída sofrem um processo de sub-amostragem por 2, resultando em um sinal
com a metade dos números de elementos do sinal anterior (Ver figura 4.2). Os coeficientes
de aproximação passam por um novo processo de decomposição, obtendo-se desta forma
uma decomposição multi-nível do sinal original (Ver figura 4.3).

Figura 4.3 – Decomposição de um Sinal através Transformada Wavelet


Figura 4.4 – Estrutura de Decomposição em Múltiplos Níveis

O número máximo de decomposições que um sinal pode sofre é baseado no número


de amostras desse sinal e é dado por log 2 N onde N é o número de amostras.

4.4.3 – Características em Frequência da Análise Multi-resolução


A transformada Discreta Wavelet fornece como saída um conjunto de coeficientes de
detalhes e de aproximação, correspondentes a uma banda de frequência. Essas bandas de
frequência dependem da frequência de amostragem e do número de pontos do sinal de
entrada. O máximo valor da banda de mais alta frequência é igual à metade da frequência
de amostragem do sinal. As demais bandas de frequência possuem seus limites definidos a
partir do mesmo critério utilizado na banda de maior frequência, ou seja, para um sinal
amostrado em 5kHz, 100 amostras por ciclo de 50 Hz. Utilizando-se uma janela de 64
amostras. Podemos decompor o sinal em 6 níveis, ou seja:

Nível Faixa de Frequências Frequência Central


Detalhe 1 2500 – 1250 Hz 1875 Hz
Detalhe 2 1250 – 625 Hz 937,5 Hz
Detalhe 3 625 – 312,5 Hz 477,75 Hz
Detalhe 4 312,5 – 156,25 Hz 234,38 Hz
Detalhe 5 156,25 – 78,125 Hz 117,19 Hz
Aproximação 78,125 - 0 39 Hz
Cada detalhe ou aproximação deste sinal decomposto carrega consigo as
informações das componentes de frequência do sinal original contido na banda de
frequência determinada.

4.4.4 – Aplicação de Transformadas Wavelet na Proteção Diferencial


Vários métodos têm sido propostos para utilização de transformadas wavelet na
proteção diferencial ([10]-[15]). O método apresentado é baseado em [15] e utiliza uma
combinação de Redes Neurais e Wavelet. A transformada wavelet é primeiramente
aplicada para decompor o sinal de corrente diferencial do transformador de potência em um
conjunto de coeficientes de detalhes e aproximação. A energia espectral da cada detalhe e
aproximação é calculada e utilizada para treinar uma rede neural com estrutura
multicamada feedforward. A rede é utilizada para classificar os padrões de entrada
chegando a conclusão se a corrente diferencial se trata de uma falta interna ou de uma
corrente de inrush.

4.4.4.1- Simulação do Sistema a ser Estudado


A eficiência e a versatilidade do método são demonstradas, primeiramente pela
simulação e teste em um sistema de potência 750 MVA, 27/420 kV (Figura 4.5), onde uma
extensiva série de simulações é realizada para se obter os sinais de correntes provenientes
dos eventos transitórios no transformador, para análise subseqüente. A corrente diferencial
decorrente de tais transitórios será utilizada na análise. Posteriormente um segundo
sistema é considerado, composto por um transformador de 35 MVA, 11/132 kV, onde a
rede treinada foi utilizada, demonstrando que o método proposto poderá ser utilizado em
diferentes sistemas de potência.

Figura 4.5 – Sistema utilizado na simulação

4.4.4.2 – Análise Wavelet de fenômenos transitórios


Foram realizadas análises através da transformada wavelet de diversos tipos de
fenômenos transitórios, dentre os quais, correntes transitórias “inrush”, faltas internas e
externas. A figura 4.6 mostra a representação gráfica dos detalhes de 1 a 5 e a
aproximação da decomposição do sinal de corrente diferencial para uma corrente de
“inrush”.

Figura 4.6 – Detalhes e Aproximação para Corrente de “inrush”


A figura 4.7 ilustra a decomposição do sinal de corrente diferencial para um curto
interno bifásico para a terra entre as fases a e b.

Figura 4.7 - Detalhes e Aproximação para Falta entre as fases a e b e a terra


A figura 4.8 ilustra a decomposição do sinal de corrente diferencial para um curto
externo com saturação dos TCs.

Figura 4.8 – Detalhes e Aproximação para faltas externas com saturação dos TCs
4.4.4.3 – Técnica Combinada Wavelet e Rede Neural

A representação gráfica do algoritmo proposto para o relé diferencial, para distinguir


uma falta interna de uma corrente de “inrush” é mostrada na figura 4.9 a seguir.

Figura 4.9 – Algoritmo para o Relé Diferencial através de Wavelet e Redes Neurais
Segundo o algoritmo, a corrente diferencial será decomposta através da
transformada discreta wavelet, caso o módulo da corrente diferencial seja superior a um
limite pré-estabelecido. Neste caso, as correntes diferenciais das três fases ( I DA , I DB e I DC
) são então decompostas e os detalhes 1 a 3 são obtidos para as três fases ( I DA−det 1 , I DA−det 2 ,
I DA− det 3 , ..., I DC −det 3 ) Então, a energia espectral de cada um dos detalhes é calculada,
através das equações abaixo:
n
PA−det i = ∑I
k =1
2
DA− det i (k )∆t ( i = 1,2,3 ) (4.6)

n
PB −det i = ∑I
k =1
2
DB − det i (k )∆t ( i = 1,2,3 ) (4.7)

n
PC −det i = ∑I
k =1
2
DC − det i (k )∆t ( i = 1,2,3 ) (4.8)

Onde:

PA−det i , PB −det i e PC −det i - Energia Espectral dos detalhes nas três fases

i = 1,2,3 - Respectivamente, detalhes 1, 2 e 3.

∆t - Intervalo de tempo de amostragem.

n – Número de amostras na janela.

A energia espectral obtida é então apresentada a uma rede neural para classificar
entre faltas internas ou correntes de “inrush”. Se uma falta interna for detectada será
enviado um sinal de trip para o disjuntor.
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Edição do Autor
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