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José Aristides da Silva Gamito


(Seleção e organização)

INTRODUÇÃO À CATEQUÉTICA
Princípios fundamentais para a atividade catequética

Conceição de Ipanema – MG
2011
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UNIDADE I

CATEQUÉTICA

A catequética é uma parte da teologia que estuda o processo


catequético, abrangendo conceitos, objetivos, conteúdo, história e método da
atividade catequética. Assim como a pedadogia prepara o profissional para
atuar como professor, a catequética prepara o cristão para atuar como
catequista. Dá-se o nome de catequeta à pessoa que se especializa em
catequética.

A CATEQUESE NA IGREJA

A catequese é uma das etapas do processo de evangelização da Igreja.


A sua função é conduzir até ao estado adulto na fé todos aqueles que
optaram pelo Evangelho ou que estão deficientemente iniciados na vida
cristã.
A catequese é uma tarefa necessária e primordial dentro da missão
evangelizadora da Igreja. Sem ela a actividade pastoral da comunidade cristã
não teria raízes e seria superficial e confusa.
O movimento catequético atual e os documentos eclesiais mais
recentes sobre catequese coincidem em indicar a comunidade cristã como
origem, lugar, agente responsável e meta da catequese:
* origem: na catequese, como serviço pastoral da Palavra, a Igreja se
vai manifestando como realidade sacramental de salvação.
* lugar: a catequese inicia e aprofunda a experiência de fé cristã, que
não é uma realidade individual, mas sim, comunitária.
* agente responsável: toda a comunidade tem a responsabilidade de
ajudar a quem procura conhecer o Senhor, ocupando-se do recrutamento,
formação e apoio dos catequistas.
* meta: a catequese constrói e renova a comunidade através da
integração e desenvolvimento da fé dos/as catequizandos/as.

IDENTIDADE DA CATEQUESE

A catequese é: “A etapa (período intensivo) do processo evangelizador


na qual se formam, basicamente, os cristãos: para entender, celebrar e viver
o Evangelho do Reino ao qual aderiram; para participar activamente na
construção da comunidade eclesial; e no anúncio e difusão do Evangelho.
Em sentido amplo ou pleno, a catequese “é a educação da fé das
crianças, dos jovens e dos adultos, que compreende especialmente um
ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática,
com o fim de iniciar na plenitude da vida cristã” (CT 18).
Segundo esta descrição, a catequese abrange os seguintes elementos:
uma ação educativa da fé, dirigida às crianças, jovens e adultos, que
abrange o ensino da Mensagem Revelada, apresentada em forma orgânica e
sistemática, para uma iniciação na plenitude da vida cristã.
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A catequese não é unicamente uma instrução doutrinal, mas pelo


contrário, uma acção educativa da fé. A forma particular de educação na fé
realizada com a catequese, garante “uma iniciação cristã integral, aberta a
todas as outras componentes da vida cristã” (CT 21).
Esta iniciação integral abrange três componentes básicos:
Cognitivo: Aquisição dos conhecimentos básicos sobre a fé.
Afetivo: Desenvolvimento de atitudes e convicções fundamentais da fé.
Comportamental: Aquisição de formas de comportamento e de acção
que caracterizam o estilo de vida dos cristãos.
A catequese educa “o ser humano todo (CT 20), de modo a que seja
impregnado pela Palavra de Deus até “atingir o que há de mais profundo do
ser humano” (CT 52); e educa em todas as dimensões da fé conversão a
Deus, conhecimento da mensagem moral evangélica, vida comunitária e
acção apostólica: “a catequese ilumina e robustece a fé, anima a vida com o
espírito de Cristo, conduz a uma participação consciente e activa do mistério
litúrgico e alenta uma acção apostólica” (GE 4; ver CC 132).
A catequese se dirige, também, a todos os cristãos (ver CT 35-45):
“ninguém na Igreja de Jesus Cristo deveria sentir-se dispensado de receber
catequese (...), que é não só a grande catequista mas também a grande
catequizada ” (CT 45).
Esta formação cristã – total e fundamental – tem como objectivo a
confissão de fé” (CC 34).

AS TAREFAS DA CATEQUESE

A catequese tem como finalidade a confissão da fé. Isto significa que,


através dela se realiza: a vinculação fundamental do ser humano a Deus por
Jesus Cristo, na comunhão eclesial, para o serviço do mundo.
As três dimensões (teológica, eclesial e diaconal) integram a finalidade
da catequese, relacionando-se umas com as outras. A catequese permite que
o cristão se encontre com Deus, numa Igreja que é enviada ao mundo para
anunciar a salvação, mediante palavras e obras. A confissão adulta da fé
vincula a Cristo e por Ele, ao Deus Trindade, à Igreja e ao mundo (ver CA
133-135).
As tarefas específicas da catequese para conseguir a sua finalidade
geral são: iniciação orgânica no conhecimento do mistério da salvação
centrado em Cristo; preparação para a vida de oração e para a celebração da
fé na liturgia; aquisição de atitudes e comportamentos evangélicos; iniciação
no compromisso missionário e apostólico.
Características – qualidades – de uma fé adulta: integrada;
fundamentada psicologicamente; diferenciada; aprofundada; operatória;
aberta.
Expressões básicas de uma fé adulta: conversão pessoal e estrutural.
aquisição de conhecimentos e atitudes de fé. Realização de formas de vida e
de ação.

O PROCESSO CATEQUÉTICO
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Atualmente, a catequese é considerada como um processo permanente


de iniciação, aprofundamento e amadurecimento da fé de todos os membros
da comunidade cristã.

O processo catequético é um período intensivo de formação cristã


integral, realizado em forma sistemática e organizada, ao longo de um tempo
determinado, ou seja, marcado por um princípio e um fim).
Este processo catequético é considerado permanente quando abrange
todas as etapas da vida e não fica reduzido exclusivamente à infância.
Este processo de catequese permanente exige que a sua acção
catequética, em cada uma das etapas vitais, seja realizada, em forma
progressiva e complementar, em cada uma das fases.
No itinerário catequético há que ter em atenção as seguintes
modalidades:
• Catequese de adultos.
• Catequese de adolescentes e jovens.
• Catequese familiar.
• Catequese da infância
O processo catequético tem uma estrutura gradual conforme estas três
etapas: Pré-catequese; Catequese propriamente dita; Mistagogia.

O CONTEÚDO CATEQUÉTICO

O conteúdo catequético abrange o conjunto de verdades, valores,


atitudes e pautas de conduta que integram a totalidade da mensagem cristã
ao serviço da pessoa na sua totalidade: inteligência, afectividade e
operatividade.
O conteúdo catequético deve ser apresentado em forma:
· íntegra · nuclear · significante · gradual · globalizada
O núcleo fundamental da mensagem cristã encontra-se no Símbolo da fé
que é “uma expressão privilegiada da herança viva, que os Pastores
receberam o encargo de guardar” e nele “condensaram em afortunadas
sínteses a fé da Igreja” (CT 28).
As diferentes fontes ou mediações das que se serve a catequese para
apresentar a mensagem cristã são:
· a Palavra de Deus;
· a comunidade eclesial: Liturgia, Santos Padres, Magistério.
A linguagem catequética deve congregar todas as formas de linguagem da
Bíblia e da Tradição e deve ser apresentado de forma significativa e acessível
ao ser humano de hoje.
O tema dos materiais catequéticos, que são os instrumentos
imprescindíveis para que se possa realizar o acto catequético encontra-se em
relação directa com a linguagem catequética.
Tendo em conta a enorme variedade de materiais catequéticos existentes,
vamos indicar alguns critérios a ter em conta para a sua escolha, revisão e
utilização.
Estes critérios são os seguintes:
· O princípio de fidelidade a Deus e à pessoa humana.
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· A harmonia entre as dimensões antropológica, cristológica e eclesial da


catequese.
· A integridade da mensagem cristã, tal como é confessada pela fé da
Igreja.
· A adequação do conteúdo e da linguagem catequética às diferentes
idades e contextos dos destinatários.
· A sua capacidade para facilitar uma iniciação ou reiniciação na fé e na
comunidade.
· A sua adequação para uma catequese activa, grupal, indutiva, que
responda a todas as dimensões da pessoa e esteja aberta às diversas
linguagens.
· A sua adaptação às possibilidades reais dos catequistas das nossas
comunidades.
O ato catequético, pela sua própria natureza, tem que ser fiel a Deus e ao
ser humano. Para que esta fidelidade se torne possível e real, o acto
catequético deverá integrar três elementos (momentos), que interagem
mutuamente:
· a experiência humana, religiosa e cristã do catequizando.
· a experiência de fé: a Palavra de Deus contida nas Sagradas
Escrituras e na Tradição viva da Igreja.
· a expressão da fé nas suas diversas formas: confissão da fé,
celebração e compromisso.
O ato de fé requer uma pedagogia inspirada na pedagogia divina:
· pedagogia do Dom
· pedagogia da Encarnação
· pedagogia dos sinais.
Os métodos mais utilizados são:
· Bíblico
· Eclesial e Antropológico

O CATEQUISTA
O ministério catequético é:
· um dom do Espírito Santo
· para a construção da comunidade
· em ordem ao crescimento da fé dos seus membros
· que exige de quem o realiza:
- vocação;
- permanência;
- reconhecimento;
- preparação.
O/A catequista é:
· uma pessoa crente
· enviada pela comunidade
· que está em processo de formação contínua
· de modo a ser um animador e educador da fé dos seus irmãos e
irmãs.
Entre os âmbitos comunitários, especialmente aptos para a catequese,
destacam-se: a paróquia; as comunidades eclesiais de base; a família; as
associações, grupos e movimentos apostólicos.
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HISTÓRIA DA CATEQUESE

No novo testamento, o termo “catequese” significa dar uma instrução a


respeito da fé. Em sua origem o termo se liga a um verbo que significa ”fazer
ecoar” (Kat-ekhéo). A Catequese, de fato, tem por objetivo último fazer
escutar e repercutir a palavra de Deus.

Catequese como iniciação à fé e vida na comunidade

Primeira fase: estende aproximadamente, do século I ao século V. No tempo


dos Apóstolos, a vivência fraterna da comunidade, celebrada principalmente
na Eucaristia maneira de representar e traduzir a mensagem do Cristo
Ressuscitado (1Cor 11, 17-29). Havia uma admissão dos catecúmenos de
três anos, que buscavam:

- Compreender melhor a fé;


- Deixar de lado os costumes pagãos;
- Realizar um tempo de conversão e santificação.

Catequese como processo de imersão na cristandade


Segunda fase: Nesse período que vai mais ou menos do século V ao século
XVI, a catequese já não consistia tanto numa iniciação à comunidade como
se vê na primeira fase. A sociedade se considerava animada pela religião
cristã, que estabeleceu uma aliança entre o poder civil e o poder eclesiástico,
tal fato denominou-se de cristandade.

Catequese como instrução

Terceira fase: A partir do século XVI, a catequese passa a valorizar mais


aprendizagem individual, na qual já não era tão marcante a ligação com a
comunidade. Alguns fatores contribuíram para essa instrução tais como:
- A descoberta da Impressa;
- A difusão das escolas;
- A preocupação com uma maior clareza das formulações cristã.

Catequese como educação permanente para a comunhão e a


participação na comunidade de fé

Quarta fase: no século XX, a catequese faz redescobrir a importância


fundamental da iniciação cristã e o lugar primordial que nela cabe a
comunidade.

Para a sua informação:

A catequese no Brasil e no mundo possui alguns documentos que a


organizam e definem seus objetivos. É importante conhecer esses livros:
Diretório Geral da Catequese, Diretório Nacional da Catequese.
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UNIDADE II

BÍBLIA E CATEQUESE

É importante que o catequista tenha uma intimidade com a Bíblia, que


saiba como ela se divide, que a manuseie com habilidade e saiba interpretar
suas principais passagens. Pois ela é o centro da catequese. A seguir,
apresentamos apena algumas noções introdutórias.

NOÇÕES BÁSICAS SOBRE A BÍBLIA

01) Qual o significado da palavra "Bíblia"?

A palavra "Bíblia" é de origem grega e quer dizer "LIVROS". São, ao todo, 73


livros: 46 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento.

02) Quem é o autor da Bíblia?

O autor da Bíblia é Deus. Não foi Ele, porém, quem a escreveu. Essa tarefa
coube aos homens e mulheres que, movidos pelo Espírito Santo, foram aos
poucos escrevendo tudo o que a eles era inspirado que escrevessem.

03) Os autores humanos da BÍBLIA apenas "copiaram" o que Deus


"ditou" a eles?

Não, os autores humanos da Bíblia receberam a inspiração de Deus e


usaram das próprias palavras - e dos próprios conhecimentos - para redigir
os textos inspirados.

04) Como a Bíblia foi escrita?

A BÍBLIA foi composta "A DUAS MÃOS": por Deus, que a inspirou, e pelos
homens e mulheres que a escreveram. Não sabemos quantos são os autores
humanos da Bíblia, mas sabemos que são muitos. Daí afirmarmos que a
Bíblia foi escrita em "mutirão".

05) Quando a Bíblia foi escrita?

A Bíblia foi escrita entre o ano 1250 antes de Cristo e o ano 100 depois de
Cristo, aproximadamente. Ou seja, ela levou mais de mil anos para ficar
pronta.

06) Onde foi escrito o Antigo Testamento?

O Antigo Testamento foi escrito na Palestina (a terra de Jesus), na Babilônia


(onde o povo judeu, num determinado momento de sua história, esteve
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exilado) e no Egito (para onde muitos judeus foram depois do cativeiro na


Babilônia).

07) Onde foi escrito o Novo Testamento?

Os livros do Novo Testamento foram escritos na Palestina (a terra de Jesus),


na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália (lugares estes onde haviam
sido fundadas comunidades cristãs).

08) Em que línguas foram escritas a Bíblia?

A Bíblia foi escrita em HEBRAICO, ARAMAICO e GREGO.

09) Quantas traduções existem da Bíblia?

A Bíblia já foi traduzida para aproximadamente DOIS MIL IDIOMAS. As


cópias mais antigas estão na Biblioteca do Vaticano, no Museu Britânico
(Londres, Inglaterra) e no Museu de Jerusalém (Israel).

10) No que foi escrita a Bíblia?

Os livros da Bíblia foram escritos em CERÂMICA (tijolos de argila), PAPIRO


(tiras de papel feitas a partir da árvore de papiro, originária do Egito) e
PERGAMINHO (couro curtido e preparado de carneiro, chamado de
pergaminho por ter sido usado pela primeira vez na cidade de Pérgamo, 200
anos antes de Cristo).

11) Quem dividiu a Bíblia em capítulos e versículos?

A divisão dos livros da Bíblia em capítulos é da autoria do inglês Estévão


Langton, arcebispo de Cantuária, e foi realizada no ano de 1214. Já a divisão
dos capítulos em versículos foi feita, em definitivo, em 1551, pelo tipógrafo
Roberto Stefano. Uma curiosidade: a Bíblia tem 1.328 capítulos e 40.030
versículos.

12) Quais são as duas grandes partes da Bíblia?

A Bíblia está dividida em duas grandes partes; ANTIGO TESTAMENTO e


NOVO TESTAMENTO. O Antigo Testamento começa com o livro de Gênesis e
termina com o livro de Malaquias, e o Novo Testamento vai do Evangelho
escrito por São Mateus até o livro do Apocalipse de São João.

13) Como está dividido o Antigo Testamento?

O Antigo Testamento está assim subdividido: PENTATEUCO (os cinco


primeiros livros, do Gênesis ao Deuteronômio; livros HISTÓRICOS (16 livros,
de Josué a Macabeus); livros POÉTICOS ou SAPIENCIAIS (7 livros, de Jó a
Eclesiático) e, livros PROFÉTICOS ( 18 livros, de Isaías a Malaquias).
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14) Como está dividido o Novo Testamento?

O Novo Testamento apresenta a seguinte subdivisão: livros HISTÓRICOS (os


4 Evangelhos mais o livro dos Atos dos apóstolos); CARTAS DOS
APÓSTOLOS (21 cartas, de Romanos a Judas) e, livro PROFÉTICO (apenas
um, o Apocalipse, o último livro da Bíblia).

15) O que são os livros APÓCRIFOS?

Os apócrifos são livros escritos nos tempos em que foram escritos os demais
livros da Bíblia, mas que não foram escritos sob inspiração de Deus e, por
isso, não pertencem ao livro da Bíblia.

16) Quantos livros tem a Bíblia Protestante?

A Bíblia Protestante tem 66 livros, 7 a menos que a Bíblia Católica. Os livros


de Baruc, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, 1º e 2º Macabeus e parte
dos livros de Ester e Daniel fazem parte da Bíblia Católica mas não da Bíblia
Protestante.
Razões teológicas e históricas levaram os judeus - e depois os protestantes -
a considerar esses livros como livros apócrifos.

17) É certo brigar com pessoas de outras religiões por causa da Bíblia?

Não, não é certo. A Bíblia é instrumento de aproximação e união, e não arma


de agressão.

18) Quem é o centro da Bíblia?

O centro da Bíblia é Jesus. Tudo nela aponta para o Filho de Deus feito
homem. O Antigo Testamento (antiga aliança) prepara a sua vinda; o Novo
Testamento (nova aliança) a realiza.

19) Quem pode interpretar a Bíblia?

Só a Igreja, instituída por Cristo, pode interpretar corretamente a Bíblia. O


Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é quem ajuda a
Igreja nessa interpretação. O católico que participa das celebrações de sua
comunidade vai, com o tempo, entendendo o sentido e o significado dos
ensinamento da Palavra de Deus; assim ele aprende a interpretar a Bíblia
junto com a Igreja.

20) Como estudar a Bíblia em grupo?

O Grupo de Reflexão (Círculo Bíblico) é um lugar e um modo seguro e


privilegiado de estudar e interpretar a Bíblia em comunidade. É no Grupo de
Reflexão e Vivência que os católicos "misturam"a vida com a fé e aprendem a
ser solidários uns com os outros.
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21) É bom e aconselhável decorar trechos da Bíblia?

Sim, é bom memorizar ou decorar trechos da Bíblia, desde que quem os


memorize também os pratique. Quem conhece passagens da Bíblia "de cor"
mas não se esforça por vivê-las é um falso cristão.

22) Com que atitude deve-se ler a Bíblia?

A Bíblia deve ser lida com humildade de coração. É aos pequenos e simples
que Deus revela a sua sabedoria.

22) Como procurar e encontrar uma citação bíblica?

As citações bíblicas têm sempre a seguinte ordem: Título do LIvro


(abreviado), Capítulo e Versículo.
Exemplo: Jo 10,10. Esta citação lê-se assim: Evangelho de São João,
capítulo dez, versículo dez.
A vírgula ( , ) separa o capítulo do versículo.
Exemplo: Jo 6,50 = Evangelho de São João, capítulo seis, versículo
cinqüenta.
O ponto ( . ) indica um pulo entre os versículos.Neste caso, lê-se o número
que vem antes e depois do ponto.
Exemplo: Jo 1,3.9 = Evangelho de São João, capítulo um, versículos três e
nove.
O traço ( - ) indica que devemos ler de um versículo até o outro.
Exemplo: Jo 17,20-26 = Evangelho de São João, capítulo dezessete,
versículos de vinte a vinte e seis. O traço pode também indicar uma
seqüência de capítulos.
Exemplo: Jo 17,20-18,12 = Evangelho de São João, do capítulo dezessete,
versículo vinte, até o capítulo dezoito, versículo doze.
O ponto e a vírgula ( ; ) separam uma citação de outra, ou um livro de
outro livro.
Exemplo: Jo 1,5;16,14 = lê-se o versículo cinco do capítulo um e o versículo
quatorze do capítulo dezesseis.
Outro exemplo: Jo 1,5;Mt1,22: neste caso, deve-se procurar as duas citações
pedidas, uma no Evangelho de São João e a outra no Evangelho de São
Mateus.
Um esse ( S ) indica o versículo imediatamente posterior ao citado.
Exemplo: Jo 1,5s = Evangelho de São João, capítulo um, versículo cinco e
seguinte, seis. Ou seja: Jo 1,5s = Jo 1,5-6.
Dois esses ( SS ) indicam os versículos seguintes ao citado.
Exemplo: Jo 1,5ss = Evangelho de São João, capítulo um, versículos cinco e
seguintes, até onde interessar a citação.
Às vezes encontramos um a, ou b, ou ainda um c depois da citação do
versículo. Exemplo: Jo 1,18a = lê-se a primeira parte do versículo dezoito.
Quando a letra que vem logo após a citação do versículo é a b, deve-se ler a
segunda parte desse versículo e, quando é a letra c, lê-se a terceira parte do
versículo. Isso acontece porque um versículo pode ser formado por uma,
duas ou até três frases. Quando o livro tem um só capítulo, omite-se a
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indicação do capítulo, e cita-se só o versículo. Exemplo: Jd 3 = Carta de São


Judas, versículo três. Quando o livro tem mais de um capítulo, o número
que vem logo após a indicação do livro é a do capítulo.
Exemplo: Jo 2 = deve-se ler todo o capítulo dois do Evangelho de São João.

O USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE

Costuma-se dizer que a Bíblia é o principal livro da catequese, a mais


importante fonte do processo de evangelização. E isso é fácil de entender,
pois sabemos que a Bíblia é para nós Palavra de Deus. Se na catequese o
que se pretende é ajudar o catequizando a realizar o seu encontro com Deus,
fica clara a importância da Palavra de Deus, por meio da qual se realiza esse
encontro.
A catequese deve, portanto, ser centrada na Palavra de Deus. O
catequizando deve aprender a escutar a Bíblia e deve ser incentivado a
vivenciá-la. Por meio da Palavra, Deus se comunica conosco e nós nos
comunicamos com Ele.
No entanto, o uso da Bíblia na catequese pode trazer algumas
dificuldades. Por isso, damos algumas dicas.

1. LINGUAGEM BÍBLICA
As traduções da Bíblia, em geral, não empregam uma linguagem
acessível a catequizandos e adolescentes. Às vezes, nem o adulto entende
direito o vocabulário bíblico. E não só o vocabulário traz dificuldades, mas
também certas noções históricas e certos costumes dos povos antigos, que
entram como personagens das Escrituras, nem sempre serão facilmente
compreensíveis.
Por outro lado, algumas versões da Bíblia para crianças deixam muito a
desejar, pois desfiguram completamente certos textos. O desejável seria uma
tradução que não desfigurasse tanto, mas apresentasse uma linguagem
compreensível, de acordo com a idade dos catequizados.
Certos manuais adotam o costume de apresentar uma versão do texto
bíblico numa linguagem apropriada à turma. Nesse caso é preferível não
ler o texto na Bíblia, mas no próprio manual. O importante, quando se fala
do uso da Bíblia, não é estar com a Bíblia na mão, mas compreender sua
mensagem. Certas expressões ou frases, que escapam totalmente do
universo mental da criança, precisam ser, no mínimo, adaptadas e, às vezes,
excluídas.
Quando se trabalha, no entanto, com adolescentes, jovens ou adultos,
principalmente se eles já têm certa caminhada, é importante familiarizá-los
com a Bíblia Sagrada. Nesse caso, o catequista incentivará a turma a
adquirir a Bíblia – de preferência completa – e a levá-la para os encontros. E
será preciso todo um cuidado para treinar o manuseio da Bíblia e para
explicar aquilo que não se compreende à primeira vista. Nesse caso, depois
de proclamar o texto, é preciso compreendê-lo, explicando seu vocabulário e
seu sentido, para depois partilhá-lo e tirar dele conclusões.
Pensamos que qualquer texto bíblico pode ser traduzido de modo a ser
compreendido por crianças de qualquer idade. Essa tradução, no entanto,
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deve ser feita por quem entende das Sagradas Escrituras. E por isso é
favorável apresentar, no manual que serve de base para os encontros, uma
versão de cada texto a ser usado, em linguagem acessível

2. SELEÇÃO DE TEXTOS
Apesar de a Bíblia ser um livro básico na catequese, o processo
catequético não consiste num mero estudo dela. Do ponto de vista
pedagógico, seria inconcebível na catequese – e ninguém pensa nisso –
estudar a Bíblia do começo ao fim, seguindo seus esquemas históricos e
canônicos.
A seleção de textos para cada encontro levará em consideração o conteúdo
que se quer transmitir. A catequese é organizada a partir de certos
conteúdos fundamentais no processo de evangelização. Primeiro, decidimos
os conteúdos. Depois, procuramos a fundamentação bíblica. Os textos
bíblicos servirão de base e suporte para a transmissão dos conteúdos.
Com isso, entendemos duas coisas:
1. Não se pode, na catequese, ler os livros bíblicos do começo ao fim, sem
organizar os textos a partir dos conteúdos programados. Dizemos isso
porque o catequista poderia ter a tentação de ir comentando textos bíblicos
aleatoriamente, sem um programa de conteúdos. Não daria certo.
2. Não se pode também realizar aquele tipo de leitura bíblica, infelizmente
comum em certos círculos de espiritualidade, em que se abre a Bíblia a esmo
e se lê o primeiro texto que os olhos encontram, como se essa fosse a
vontade de Deus para aquele momento. Isso é inconcebível não só na
catequese, mas também fora dela. Fica parecendo uma tentativa de tirar
sorte com a Bíblia, forçando Deus a revelar sua vontade na hora em que a
gente quiser. É manipulação, como uma cartomante joga as cartas para
descobrir a “vontade dos astros”. Não é esse o caminho.
Os roteiros de catequese devem apresentar, como é costume, uma sugestão
de texto bíblico que se encaixe dentro do assunto de cada encontro.

3. PROCLAMAÇÃO DOS TEXTOS


Um cuidado especial se deve ter ao proclamar um texto bíblico na
catequese. Toda leitura deve ser bem-feita. Mas, se vamos ler um texto que
traduz a Palavra de Deus diante do grupo, isso exige cuidados especiais.
Primeiro, é preciso preparar a turma para escutar a proclamação. É preciso
criar um clima de silêncio e concentração. Se a turma estiver inquieta, nem
adianta proclamar nada. Os ouvidos estarão ligados em outras coisas.
Primeiro, faz-se silêncio. Depois, proclama-se o texto.
Outro cuidado importante é fazer, antes da proclamação, breve comentário a
respeito do texto. O comentário desperta a curiosidade de quem vai ouvir e
facilita a compreensão. É como se faz na liturgia: antes de proclamar o texto
bíblico, um comentarista motiva a assembléia. Essa motivação faz com que o
povo se ligue no que vai ser proclamado.
A postura também é importante. Talvez seja melhor o pessoal estar sentado.
Mesmo que seja um texto do Evangelho, pode ser ouvido em pé. Mas
catequese não é missa. Deve-se levar em conta que o encontro catequético
costuma iniciar-se com todos em pé. Também a oração inicial costuma ser
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feita nesta posição. Então, quando chega a hora da Palavra, todos já querem
se sentar. E essa é uma boa posição para se concentrar e ouvir atentamente.
Talvez o catequista, no entanto, ao ler, devesse ficar em pé diante de todos.
Isso ajudaria até para que sua voz se tornasse mais fácil de ouvir. Seria um
modo mais solene de proclamar o texto. E ainda produziria um efeito
disciplinar melhor, já que, estando o catequista em posição de destaque
diante da turma, os catequizandos são mais facilmente induzidos a respeitá-
lo.
Por falar em voz, não se pode nunca esquecer que o texto bíblico deve ser
proclamado com voz clara e boa dicção, respeitando a pontuação e
caprichando na entonação. O tom da voz e a boa leitura são fundamentais
para a compreensão do texto. Um texto lido, por exemplo, sem pontuação,
torna-se incompreensível. Por isso, é preciso treinar a leitura com
antecedência, compreendendo bem o sentido de cada frase.
A entonação da voz é outro ponto que exige cuidado. Entonação é o tom que
a pessoa dá à voz, quando começa a ler. Durante a leitura, o tom de voz
deveria mostrar naturalidade. A pessoa que está ouvindo deve ter a
impressão de que o leitor está como que conversando. O segredo é a
naturalidade. Normalmente, quando vamos ler, mudamos completamente a
voz e começamos a “cantar” o texto, dando aqueles arrancos forçados na
interrogação. Fica tão artificial! Não cante o texto. Proclame-o conversando.
E use um volume de voz suficiente para que a leitura seja audível. Não é
preciso gritar o texto. Mas também não se deve sussurrá-lo, como se fosse
segredo.
É preciso lembrar ainda que há enorme diferença entre proclamar um texto
e contar uma história. Na Pré-evangelização, como lidamos com crianças
muito novas – 5 a 7 anos – os textos bíblicos vêm em forma de histórias. A
história não é propriamente uma tradução do texto bíblico. Ela é mais uma
adaptação do texto. Uma história não deve ser lida, deve ser contada,
dramatizada. Principalmente, se estivermos lidando com crianças de 5 a 7
anos, como acontece na Pré-evangelização.
Contar histórias é uma arte. O catequista deve usar sua imaginação e sua
criatividade, para encantar as crianças. Pode usar fantoches, máscaras,
roupas especiais. Pode se movimentar de um canto para outro, atraindo
sobre si os olhares da turma. Pode gesticular à vontade, usando mímicas e
posturas: deve fazer tudo isso.
Pode arremedar os personagens, criando vozes diferentes para cada um. É
uma verdadeira encenação. O critério será sempre a reação do grupo. Se
mostra que está gostando, vá em frente. Se reage mal, mude de tática.

4. COMENTÁRIO DOS TEXTOS


O comentário dos textos, como é proposto nos encontros, é uma
verdadeiro aprofundamento do tema, a partir dos textos proclamados. Não
basta explicar e compreender o texto. É preciso compreender sua ligação
com o tema do encontro. Essa ligação equivale à aplicação do texto à
realidade da vida.
O texto bíblico não é um fim em si mesmo. Ele serve para iluminar a vida.
Então, é preciso ficar claro em que sentido o texto a ilumina. Qual é a
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mensagem que ele traz?


De um único texto, costuma ser possível tirar várias mensagens. Como o
catequista vai saber conduzir a reflexão sobre o texto sem fugir do assunto?
É só ficar atento ao tema e ao objetivo de cada encontro. Há um risco
enorme de se sair do assunto e conversar sobre um tanto de coisas, sem
concluir nada. Se a curiosidade da turma puxa o assunto noutra direção,
satisfaça, enquanto possível, essa curiosidade. Mas depois volte ao assunto
principal para concluir a reflexão.
O texto bíblico não deve ser visto como uma camisa-de-força para limitar a
reflexão. Ao contrário, ele é o ponto de partida para uma conversa de
aprofundamento do tema.
É importante que o momento da reflexão seja momento de diálogo. O
catequista não deve se sentir num púlpito fazendo sermão. Deve, sim,
conversar com a turma e ajudá-la a debater o assunto. Mais importante que
falar é deixar falar, induzindo todos a se expressarem. Quando só o
catequista fala, ninguém garante que a turma tenha se ligado à reflexão.
Mas quando o grupo fala, tem-se a certeza de que de algum modo houve
interiorização.
O momento do comentário é privilegiado para perguntar, tirar dúvidas,
esclarecer. Deve-se dar essa liberdade aos catequizandos, mas sem perder o
controle do debate, prolongando-o em demasia. Às vezes, quando o tema
desperta interesse, a turma parece querer passar o resto do dia em
discussão. O catequista saberá dosar tudo isso para que o encontro não vá
muito além do horário programado. O segredo é buscar a objetividade.
Quando o assunto exige, para sua compreensão, certa organização lógica,
costumamos sugerir que se use algum recurso didático apropriado, que
venha auxiliar a reflexão: cartazes, faixas, álbuns seriados. Esses recursos
facilitam a organização das idéias e proporcionam uma síntese mais
conveniente. Quando o assunto é mais intuitivo e depende mais da opinião
pessoal, costumamos sugerir alguma forma de partilha. A partilha é
importante porque ajuda cada um a emitir suas opiniões. Afinal, o
catequizando precisa ser incentivado a elaborar o seu pensamento a partir
dos conteúdos apresentados. A partilha é possível é útil em qualquer idade.
Só vai diferir quanto ao seu conteúdo. Mesmo uma criança de cinco anos já
sabe emitir opiniões sobre os temas propostos, desde que compreenda o
assunto.

5. PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
Enfim, é importante frisar aqui o aspecto da comunicação que deve
merecer atenção em todos os momentos do encontro, principalmente na
hora do comentário.
Podemos falar novamente da comunicação horizontal e vertical que engloba
todo o processo de reflexão da Palavra de Deus. A comunicação horizontal vai
do catequista ao catequizando e, deste, retorna ao catequista. A comunicação
vertical vai de Deus ao catequizando e, deste, retorna a Deus, em forma de
adesão íntima e pessoal. Vejamos melhor esses quatro aspectos. Se faltar
um deles, o processo de evangelização ficará incompleto.

1º) O catequista precisa se comunicar com os catequizandos, saber uma


16

linguagem que eles entendam, de um modo que apreciem. Há dois


problemas possíveis aqui. O primeiro é quando nem o catequista entendeu
direito o assunto e, por isso, não consegue comunicá-lo com clareza.
Ninguém então entende nada. O segundo é quando o catequista assume
certas atitudes que produzem antipatia na turma como o mau humor, a falta
de graça, o moralismo, o autoritarismo, a dificuldade de ouvir o
catequizando, o monopólio da verdade (que acontece quando o catequista se
coloca como o dono da verdade, em ouvir a posição dos catequizandos) –
tudo isso pode prejudicar a empatia, principalmente – mas não somente –
quando se lida com crianças já mais amadurecidas ou a partir da
adolescência.

2º) O catequista precisa também abrir um canal de comunicação com os


catequizandos. Se a comunicação vai apenas do catequista ao
catequizando, e não retorna, será deficiente. Às vezes, essa comunicação de
retorno é mais difícil. O catequista precisa de certo jeito para escutar a
turma, compreendendo sua realidade, suas idéias, suas opiniões, seu
mundo. Comunicação sem retorno é sempre incompleta. É como quando se
envia uma carta que fica sem resposta. É pela resposta dos catequizandos
que se perceberá com que profundidade acolheram e assimilaram o assunto,
transformando-o em expressões próprias de seu conhecimento. O
catequizando não precisa sair da catequese repetindo tudo o que o
catequista afirmou. O que se espera é que o catequizando seja confrontado
com toda a mensagem proposta e possa se posicionar diante dela,
elaborando seu conhecimento. Nesse sentido, o catequista não se desespere
se a turma questionar e protestar, parecendo não concordar com certos
temas. Talvez haja maior assimilação ao protestar que ao se calar. Esse
raciocínio, no entanto, não dispersa o catequista de usar todo o seu poder de
convencimento, para gerar na turma uma adesão aos valores propostos.

3º) O catequista precisa estabelecer a comunicação de Deus com os


catequizandos. A Palavra que se ouviu é Palavra de Deus. Com as devidas
proporções, é Deus falando. A turma precisa ouvir a Palavra como coisa de
Deus. Deus quer nos comunicar algo. Estamos, entretanto, diante de
afirmações delicadas e perigosas, pois certos conceitos como Palavra de
Deus, voz de Deus, vontade de Deus nem sempre são muito claros. É preciso
ter cuidado para não colocar nossa vontade como sendo vontade de Deus.
Nem mesmo podemos colocar a vontade da Igreja como desejo último de
Deus. São três coisas distintas. Ao emitir sua opinião, o catequista deve
deixar claro que se trata de sua opinião. Ao comentar a doutrina da Igreja,
precisa deixar claro que é o pensamento da Igreja, , sempre voltado, é claro,
para a busca do bem de toda a humanidade. A vontade de Deus, no entanto,
será sempre um mistério. Cada pessoa a ouvirá diretamente em seu coração,
em sua consciência. O catequizando aprenderá a concluir o que Deus lhe
mostra, a partir de tudo, quando se reflete num encontro. Mas a
comunicação de Deus ao catequizando acontecerá sempre no íntimo de cada
um. Por isso, é bom evitar expressões ambíguas, tais como: “Deus me disse
isso”, “Deus está dizendo aquilo”, “Deus me revelou tal coisa”. A não ser em
frases genéricas e óbvias, como: “Deus quer o bem de todos”.
17

4º) O catequista precisa ainda incentivar a comunicação dos


catequizandos com Deus. Trata-se de dar uma resposta, um retorno
àquela iluminação divina que tiver sido captada a partir da reflexão sobre a
Palavra. Mais uma vez, é preciso frisar que também essa resposta acontecerá
no íntimo de cada um e dependerá de quanta luz o catequizando absorveu
pela reflexão e por todo o encontro. Essa resposta é que produzirá depois a
tão propalada mudança de vida. Mas não muito como induzir mudança de
vida. O que o catequista pode e deve fazer é iluminar ao máximo o coração
do catequizando, com a luz da reflexão, proporcionando assim a mais clara
adesão que ele for capaz. Mas essa capacidade será sempre muito pessoal e
dependerá de muitos outros fatores que escapam ao controle do catequista.
A melhor resposta à Palavra de Deus é a simpatia e o amor do catequizando
com Deus equivale a regar esse amor e essa simpatia, criando condições
favoráveis para que floresça no coração de cada catequizando uma atração
forte por Deus.

Para a sua compreensão:

É bom que o catequista procure estudar sobre a Bíblia, sobre sua


constituição e sua interpretação. Para isso, procure livros de introdução à
Bíblia, de comentários bíblicos. Esses ajudam obter uma visão melhor da
Bíblia.
18

UNIDADE III

DOUTRINAS E DOGMAS

O catequista deve conhecer as principais doutrinas da Igreja Católica


Apostólica. Os dogmas são verdades de fé proclamadas pela Igreja. O
conjunto de dogmas constitui a identidade doutrinária do catolicismo.
Uma verdade proveniente da Revelação divina só pode ser considerado um
dogma quando ela é proposta pela Igreja Católica diretamente à sua fé,
através de uma definição (clarificação) solene e, portanto, infalível da Igreja e
do posterior ensinamento de seu magistério ordinário. Para que tal aconteça,
são necessárias duas condições:

• O Sentido deve estar suficientemente manifestado;


• A doutrina em causa deve ser definida pela Igreja como revelada.
A Igreja Católica proclama a existência de 43 Dogmas, subdivididos em 8
categorias diferentes: Dogmas sobre Deus, Dogmas sobre Jesus Cristo;
Dogmas sobre a criação do mundo; Dogmas sobre o ser humano; Dogmas
marianos; Dogmas sobre o Papa e a Igreja; Dogmas sobre os sacramentos
Dogmas sobre as últimas coisas (Escatologia). Os dogmas especificam o que
a Igreja crê como verdade de fé. A síntese da fé cristã se encontra no Símbolo
Apostólico e no Símbolo Nicenoconstantinopolitano, as “orações do creio”.

DOGMAS SOBRE DEUS


1- A Existência de Deus - "A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a
capacidade para conhecê-Lo com facilidade, e de certo modo
espontaneamente por meio de Sua obra".
2 - A Existência de Deus como Objeto de Fé - "A existência de Deus não é
apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé
sobrenatural".
3 - A Unidade de Deus - "Não existe mais que um único Deus".
4- Deus é Eterno - "Deus não tem princípio nem fim".
5- Santíssima Trindade - "Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito
Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a
mesma".

DOGMAS SOBRE JESUS CRISTO

6- Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência - "O dogma
diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas
infinitas perfeições, por haver sido engendrado eternamente por Deus."
7- Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam -
"Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra
natureza humana: a prova está nos milagres e no padecimento"
8- Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e
uma própria operação física - "Existem também duas vontades físicas e duas
operações físicas de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de
19

modo inseparável e de modo não confuso"


9- Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus - "O Pai celestial
quando chegou a plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus Cristo"
10- Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício
- "Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e
oferenda, mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito
Santo, era o que recebia o sacrifício."
11- Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua
morte na cruz - "Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como
sacrifício apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir
para eles o eterno perdão"
12- Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os
mortos - "ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou
do sepulcro"
13- Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direta de Deus
Pai - "ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma"

DOGMAS SOBRE A CRIAÇÃO DO MUNDO

14- Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada - "A criação do
mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã,
mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas
suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e sobretudo
na argumento da contingência."
15- Caráter temporal do mundo - "O mundo teve princípio no tempo"
16- Conservação do mundo - "Deus conserva na existência a todas as coisas
criadas"

DOGMAS SOBRE O SER HUMANO

17- O homem é formado por corpo material e alma espiritual - "o humano
como comum constituída de corpo e alma"
18- O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração,
não por imitação - "Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos
seus descendentes por geração e não por imitação, e que é inerente a cada
indivíduo"
19- O homem caído não pode redimir-se a si próprio - "Somente um ato livre
por parte do amor divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída
pelo pecado"

DOGMAS MARIANOS

20- A Imaculada Conceição de Maria - "A Santíssima Virgem Maria, no


primeiro instante de sua conceição, foi por singular graça e privilégio de
Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do
gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original"
21- Maria, Mãe de Deus - "Maria gerara a Cristo segundo a natureza
humana, mas quem dela nasce, ou seja, o sujeito nascido não tem uma
20

natureza humana, mas sim o suposto divino que a sustenta, ou seja, o


Verbo. Daí que o Filho de Maria é propriamente o Verbo que subsiste na
natureza humana; então Maria é verdadeira Mãe de Deus, posto que o Verbo
é Deus. Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem"
22- A Assunção de Maria - "A Virgem Maria foi assunta ao céu
imediatamente depois que acabou sua vida terrena; seu Corpo não sofreu
nenhuma corrupção como sucederá com todos os homens que ressuscitarão
até o final dos tempos, passando pela descomposição."

DOGMAS SOBRE O PAPA E A IGREJA

23-A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo - "Cristo fundou a
Igreja, que Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no
tocante a doutrina, culto e constituição"
24- Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos
e como cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente
o primado da jurisdição - "O Romano Pontífice é o sucessor do bem-
aventurado Pedro e tem o primado sobre todo rebanho"
25- O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja,
não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e
governo da Igreja - "Conforme esta declaração, o poder do Papa é: de
jurisdição, universal, supremo, pleno,ordinário, episcopal, imediato"
26- O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex cátedra - "Para
compreender este dogma, convém ter na lembrança: Sujeito da infalibilidade
papal é todo o Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro e não
outras pessoas ou organismos (ex.: congregações pontificais) a quem o Papa
confere parte de sua autoridade magistral". O objeto da infalibilidade são as
verdades de fé e costumes, reveladas ou em íntima conexão com a revelação
divina.
A condição da infalibilidade é que o Papa fale ex catedra:
- Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua
suprema autoridade.
- Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para
que seja acreditada por todos os fiéis. As encíclicas pontificais não são
definições ex catedra.
A razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que
preserva o supremo mestre da Igreja de todo erro.
A conseqüência da infalibilidade é que a definição ex catedra dos Papas
sejam por si mesmas irreformáveis, sem a intervenção ulterior de qualquer
autoridade."
27- A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes -
"Estão sujeitos à infalibilidade:
- O Papa, quando fala ex catedra
- O episcopado pleno, com o Papa, que é a cabeça do episcopado, é infalível
quando reunido em concílio ecumênico ou disperso pelo rebanho da terra,
ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis
a sustentem"

DOGMAS SOBRE OS SACRAMENTOS


21

28- O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo - "Foi


dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas,
batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"
29- A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento - "Este Sacramento
concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem
interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com
valentia sua fé em Jesus Cristo."
30- A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após
o Batismo - "Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o
poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos
depois do Batismo"
31- A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e
é necessária para a salvação - "Basta indicar a culpa da consciência apenas
aos sacerdotes mediante confissão secreta"
32- A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo - "Aquele que
come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna"
33- Cristo está presente no sacramento do altar pela Transubstanciação de
toda a substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu
sangue - "Transubstanciação é uma conversão no sentido passivo; é o
trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois
sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A
Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das
conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do
pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem
mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente já não o
são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de
Cristo."
34- A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por
Cristo - "Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em
nome do Senhor"
35- A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo -
"Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de
Bispos, Presbíteros e Diáconos"
36- O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento - "Cristo restaurou o
matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu
primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de
Sacramento."

DOGMAS SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS

37-A Morte e sua origem - "A morte, na atual ordem de salvação, é


consequência primitiva do pecado"
38- O Céu (Paraíso) - "As almas dos justos que no instante da morte se
acham livres de toda culpa e pena de pecado entram no céu"
39- O Inferno - "As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão
ao inferno"
40- O Purgatório - "As almas dos justos que no instante da morte estão
22

agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado
vão ao purgatório. O purgatório é estado de purificação"
41- O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo - "No fim do mundo,
Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens"
42- A Ressurreição dos Mortos no Último Dia - "Aos que crêem em Jesus e
comem de Seu corpo e bebem de Seu sangue, Ele lhes promete a
ressurreição"
43- O Juízo Universal - "Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os
homens."
No processo catequético, é preciso introduzir esses princípios de fé
respeitando a idade do catequizando. Tomar a misericórdia de Jesus sempre
como referência ao falar de inferno, de pecado, de condenação. A catequese
tem de contribuir para a uma visão positiva de Deus. Não se deve ensinar
doutrina de modo seco, como um estudo escolar, mas deve tomar sempre a
Bíblia como referência, demonstrando esses princípios de modo vivencial e
encarnado na vida.
Para a sua compreensão:
A Igreja Católica tem como fonte de doutrina e de organização pastoral os
seguintes livros: Bíblia Sagrada (fundamento da fé), Catecismo da Igreja
Católica (principais doutrinas explicadas) e o Código de Direito Canônico
(as leis que organizam e regem a Igreja). As fontes da doutrina da Igreja
provém da Bíblia, da Tradição (doutrinas e costumes dos primeiros cristãos)
e do Magistério (são os documentos com orientações e decisões do papa e
dos bispos em comunhão com ele).
23

UNIDADE IV

METODOLOGIA DA CATEQUESE
Nenhuma metodologia dispensa a pessoa do catequista no processo
da catequese. A alma de todo método está no carisma do catequista,
na sua sólida espiritualidade, em seu transparente testemunho de
vida, no seu amor aos catequizandos, na sua competência quanto ao
conteúdo, ao método e à linguagem. O catequista é um mediador que
facilita a comunicação entre os catequizandos e o mistério de Deus,
das pessoas entre si e com a comunidade” (DNC 172)

1. IMPORTÂNCIA DA METODOLOGIA NA AÇÃO CATEQUÉTICA

Uma das preocupações mais intrigantes para os catequistas é com


relação à Metodologia. Cada vez mais nos defrontamos com a necessidade de
melhorarmos e crescermos na missão catequética. Ao preparar um encontro
catequético sempre vêm à mente aquelas perguntas: “como vou preparar o
meu encontro?”, “de que maneira vou trabalhar com os catequizandos?”,
“qual o caminho a percorrer?”.

A palavra método é uma palavra de origem grega (méthodos, do grego – odós,


caminho), que quer dizer caminho, estrada que ajuda a chegar aonde que se
quer, isto é, alcançar a meta proposta.
O método catequético supõe uma ação de planejamento, o qual requer:
a) “domínio” do conteúdo a ser transmitido (O QUÊ?)
b) conhecimento da realidade e da vida dos catequizandos (QUEM?)
c) objetivos claros e concretos (PARA QUÊ?)
d) discernimento para escolher o melhor caminho, o método mais apropriado
(COMO?)
e) capacidade para agendar as datas e administrar bem o tempo (QUANDO?)
f) clareza quanto à razão da sua missão e do caminho a ser percorrido (POR
QUÊ?)
A catequese pode ter vários métodos. Assim, como para se chegar a um
endereço determinado, pode-se fazer uma longa caminhada, passar por
24

desvios e pontes desnecessários ou encontrar a maneira mais rápida para


chegar à meta proposta.
Na educação da fé pode acontecer o mesmo. Quando não temos objetivos
claros e nem sabemos como realizar o que desejamos, podemos nos perder
no caminho sem chegar a alcançar a meta proposta. Na catequese,
precisamos percorrer os caminhos mais adequados para vivenciar um
processo eficaz: “Para isto, é preciso não esquecer que além dos objetivos,
precisamos ter em mente a realidade em que trabalhamos (rural, periferia,
urbana), os destinatários com suas experiências, cultura, idade, os
conteúdos a serem refletidos, vivenciados, o uso de uma linguagem
adequada, e a comunidade que é fonte, lugar e meta da catequese” (Marlene
Bertoldi).
A Conferência de Aparecida fez sobre a caminhada da Igreja Latino-
Americana fazendo uma séria reflexão sobre os métodos utilizados pela
Igreja na Catequese e na Ação Evangelizadora.
Depois de elencar as conquistas e os aspectos positivos (a animação bíblica
da pastoral, renovação litúrgica, empenho dos ministros ordenados e dos
leigos e religiosos, a ação missionária e a renovação pastoral da Igreja), a
conferência apresentou algumas sombras e retrocessos
(reducionismos, enfraquecimento da vida cristã, falta de acompanhamento
aos leigos, florescimento de espiritualidade de cunho intimista, linguagem
distante da Igreja, escassez de vocações, católicos afastados, trânsito
religioso, pluralismo religioso, afastamento e falta de coragem e perseverança
na fé), dentre os quais, elencamos duas:
• “Percebemos uma evangelização com pouco ardor e sem novos métodos e
expressões, uma ênfase no ritualismo sem o conveniente caminho de
formação, descuidando outras tarefas pastorais” (DA 100 c).
• “Na evangelização, na catequese e, em geral, na pastoral persistem também
linguagens pouco significativas para a cultura atual e em particular para os
jovens. (...) As mudanças culturais dificultam a transmissão da Fé por parte
da família e da sociedade” (DA 100 d).
Tal constatação nos convida a re-pensar nossa ação catequética, procurando
novos caminhos e novos meios para transmitir a mensagem de fé. Sobre a
importância do método, convém refletir alguns aspectos inerentes:
• Método Catequético supõe um caminho a ser trilhado, a ser construído.
Como diz o provérbio: “não há caminho pronto, caminho se faz ao
caminhar”.
• O catequista faz parte do Método Catequético: seu jeito de ser, olhar,
escutar, falar, sorrir, questionar, trabalhar, pontuar e agir;
O Método supõe sempre uma ação comunitária: ele passa pela partilha em
grupo e aproveita os espaços onde há reflexão, planejamento, ação e
avaliação;
• Método é uma experiência de convivência e de amizade. O método
transforma as pessoas, de desconhecidas a bons amigos. Aqui não há espaço
para isolamento, inimizades ou monólogos.
• Jesus fez do seu seguimento um método bastante eficaz para os seus
discípulos. Ele mesmo se colocou como caminho (Jo 14, 6);
• Método é procedimento: acolher, ver, iluminar, agir, celebrar e avaliar;
• Método é interação: Fé, Vida e Comunidade;
25

• Método é aprendizagem (aprender-fazendo, aprender-ensinando) e


oportunidade para aprimorar a escuta (ouvir-rezando; ouvir-sentindo e
ouvir-amando).
• Método é comunicação através da linguagem verbal e não verbal (gestos e
símbolos);
• Método é ação criativa e dinâmica. É caminho de construção, instrução e
desconstrução.
Trabalho em grupo: A partir de alguns textos dos evangelhos (Zaqueu,
Samaritana, Discípulos de Emaús e outros relatos), qual o método utilizado
por Jesus para anunciar a Palavra e provocar uma resposta de fé?

2. O ENCONTRO CATEQUÉTICO

“A pedagogia catequética tem uma originalidade específica, pois seu


objetivo é ajudar as pessoas no caminho rumo à maturidade na fé,
no amor e na esperança”. (DNC 146)

O encontro de catequese não é uma aula, e não há aluno e professor,


mas catequizando e catequista. O encontro catequético é um encontro de fé,
espaço privilegiado de educação e amadurecimento da fé.
O encontro é uma feliz oportunidade para aprender, ensinar, sentir,
criar, descobrir e experenciar. A catequese é exigente! Não dá para ficar com
aquela idéia de que basta ter boa vontade para fazê-la. Todos devem estar
preparados para a catequese: o catequizando, o qual deve estar motivado
para participar e o catequista, o qual deve ter preparo e testemunho de fé. A
comunidade também tem um papel importante para a catequese, como
escola de comunhão e acolhida e ambiente propício para a iniciação e o
testemunho da fé.
A metodologia da Catequese é a metodologia da Igreja. Ela contempla
alguns passos importantes: VER – ILUMINAR – AGIR – CELEBRAR -
AVALIAR. Dentro do encontro catequético, estes momentos podem ser
contemplados.
Mais do que nunca, o século XXI exige de nós catequistas uma nova
maneira de evangelizar e catequizar as crianças, jovens e adultos. Sonhamos
com uma catequese que parta da realidade, que seja iluminada pala Palavra
de Deus. Sonhamos com uma catequese que valoriza os laços de amizade e
os sentimentos. Sonhamos com uma catequese comprometida com os
valores do Reino de Deus. Sonhamos com uma catequese que conduza
nossos catequizandos a serem autênticos e fiéis seguidores de nosso Mestre
Jesus.
Para que isso aconteça, não existem receitas prontas. Existem
caminhos que precisam ser trilhados. Cabe a cada catequista, de acordo com
sua realidade, descobrir qual o melhor método
(caminho) a ser seguido para que a catequese alcance seu objetivo de
construir comunidades catequizadoras comprometidas com a verdade e a
justiça, numa educação contínua de fé, à luz da
Palavra de Deus, para serem sinal do Reino entre nós.
Eis algumas dicas para melhorar a qualidade do encontro catequético:
26

1. Conheça o seu grupo de catequizandos, chamando-os pelo nome.


Interesse-se por conhecer cada família e a realidade de cada um.
2. Busque apoio em alguém para resolver as dificuldades surgidas; seu
coordenador deve estar a par de tudo.
3. Procure variar a disposição dos lugares na hora do encontro. a disposição
em semi-círculo é sempre muito boa: todos se olham de frente.
4. Evite as improvisações. Prepara cada encontro com antecedência. Tenha
seu caderno de preparação e avaliação sempre em dia e em ordem.
5. Evite a rotina. Aproveite para isso as celebrações e revisões. Quando
sentir que o grupo está desinteressando, prepare um encontro-surpresa:
passeio, confraternização, jogo...
6. Procure conhecer o conjunto da programação e do material que pode ser
utilizado na catequese. Isso lhe dará segurança.
7. Use com critério e criatividade o seu material à sua disposição. Saiba
inculturar de acordo com a realidade de cada um.
8. Procure valorizar e acompanhar os catequizandos, dando-lhes algumas
responsabilidades e oportunidades para participar ativamente do encontro
catequético.
9. Esteja sempre em contato com a coordenação. Ela ajudará você a resolver
suas dúvidas e você sentirá que não está sozinho nessa obra. Não desanime!
O trabalho que vale a pena, sempre exige compromisso e sacrifício.
10. Não se interesse pelo catequizando somente no momento do encontro.
Ele precisa ter a certeza de que você está pensando nele, querendo o seu
bem. Procure saber do que ele gosta, quais seus problemas.
11. Participe intensamente de sua comunidade. Carregue no coração a
alegria de pertencer a uma comunidade cristã, mesmo com suas
dificuldades. Lembre-se de que você é um legítimo representante e servidor
da Igreja, no ministério do anúncio da Palavra.
12. Seja uma pessoa de oração. Reze. A Palavra de Deus deve ser para você
um livro de meditação diária. Não uma oração alienada da realidade, mas
uma oração comprometida com a vida e a realidade.
13. Seja freqüente nos encontros de formação de catequese, correspondendo
ao chamado de Deus com responsabilidade. Seja presente e atuante na vida
da sua comunidade. Seu testemunho de vida é a forma mais eloqüente para
viver o ministério.
3. Como preparar um encontro catequético:
Visto os meios e recursos disponíveis, o catequista deve preparar
antecipadamente o encontro. E como preparar um encontro de Catequese?
Eis alguns passos:
1. Olhar a realidade: quem são? Crianças? Adolescentes e Jovens? Adultos?
Onde vivem?
2. Traçar o objetivo do encontro: o que se pretende alcançar com esse
encontro? qual sua finalidade? Tente formular um objetivo bastante simples
e bem concreto. Algo bem “pé no chão”.
3. Escolher o conteúdo: qual a mensagem a ser anunciada? Que tema trata o
encontro?
Qual o texto da Palavra de Deus será proclamado e refletido no encontro?
Quais as perguntas que poderão ser feitas a fim de ajudar a entender o
texto?
27

4. Selecionar o método apropriado: como chegar lá? Quais os meios e


recursos serão utilizados para transmitir a mensagem?
5. Executar o que foi planejado: colocar em prática tudo aquilo que foi
preparado com antecedência.
6. Avaliar o encontro: o objetivo do encontro foi alcançado? Se não foi, por
quê? Houve imprevistos? O que não ficou claro e precisa ser esclarecido?
Houve uma boa participação?
4. Regras de ouro para o bom êxito de um encontro:
a) Divida bem o tempo do encontro, de modo que a metade seja ocupada
pelos catequizandos,
incentivando sua participação e entrosamento nos temas abordados.
b) Evite atrasos. Saiba chegar com antecedência para os encontros. Assim
você terá oportunidade para preparar o ambiente e acolher cada
catequizando que chega.
c) Inicie sempre os encontros com uma oração. Pode-se invocar o Espírito
Santo, fazer uma oração espontânea. Faça uma pequena recordação da vida,
para colocar na oração intenções, nomes de pessoas ou fatos ocorridos na
semana e que merecem nossa atenção.
d) Procure primeiro OUVIR. Retenha seu saber para despertar nos outros o
prazer pela busca, pela partilha e pela construção de novas idéias.
e) Valorize as colaborações dos catequizandos, mesmo que suas idéias não
estejam muito claras. Saiba dar o devido valor à partilha e ao trabalho do
grupo.
f) Tente inspirar confiança, respeito e alegria através da sua presença. Não
tente inibir o catequizando com o seu olhar e outras posturas.
g) Valorize a diversidade e os dons de cada um. Você não é poeta? Algum
catequizando talvez o seja. Você não canta? Algum talvez cante.
h) Quando for necessário dialogar, não queira que a sua idéia ou sua cabeça
prevaleça. Aponte caminhos, mas nunca feche assuntos e questões.
i) O catequista também ensina, em nome da Igreja, por isso, apresenta a
verdade de fé, não segundo suas intuições, mas de acordo com o que a Igreja
prega e ensina.
j) Ao escolher uma criatividade ou dinâmica para os encontros procure
variar, levando em conta os cincos sentidos: ouvir (audição); ver (visão);
degustar (paladar); cheirar (olfato); trabalhar as mãos (tato). É bom variar
pra não cansar explorando somente um sentido!
k) Saiba criar dinâmicas de acordo com as idades dos catequizandos:
desenhos, gestos, cantos, gincanas, jogral, encenação, trabalhos em grupos,
gravuras, recortes de jornal, slides, fantoches, histórias em quadrinhos,
audiovisuais, filmes, poemas, cartazes, pintura, etc...
l) Saiba colocar um toque de humor em cada encontro. O encontro de
catequese não pode ser uma reunião séria, como se fosse uma reunião de
executivos. Tem que haver descontração, deve saber equilibrar, oferecendo
possibilidades de desenvolver o lúdico.
m) Se os catequizandos falam alto demais, fale mais baixo. Você adquire o
silêncio, sem ter que perder a paciência, ou pior sem ter que berrar achando
que vai apaziguar a situação.
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n) Não humilhe, não despreze e nem deixe ninguém de lado. Saiba controlar
aqueles que facilmente participam para não intimidar mais ainda os que
ficam muito quietos e sem iniciativa.
o) Cada um é um. Por isso, evite fazer comparações entre os catequizandos.
p) Quando dar alguma atividade em grupo, procure perceber se está havendo
a participação de todos, ou se tem algum que não se envolve. Procure ter
essa sensibilidade para não deixar essa situação atrapalhar a participação e
a aprendizagem de todos.
q) Saiba ser presença junto a cada catequizando, ao longo do encontro.
Mantenha uma comunicação com cada um é a melhor forma de obter
disciplina. Você poderá se comunicar efusivamente com o olhar, um gesto,
um sorriso e uma palavra, sem soar como se estivesse vigiando ou
desconfiando da capacidade do catequizando.
r) Apresente os objetivos do encontro de forma atraente e desejável. Nunca
falar claramente, deixe sempre um enigma a desvendar no final.
s) Terminar o encontro com uma oração e sempre que puder ajudar o grupo
a assumir um propósito para ser realizado naquela semana e que esteja em
sintonia com o tema que foi refletido.
t) Além dos encontros aproveitar para celebrar a vida e a fé, as alegrias e as
dores, os desafios e os anseios da caminhada. Recorrer ao ofício Divino, à
celebração da Palavra, terço, e outras manifestações de fé.
5. A linguagem na catequese:
Vivemos na sociedade da informação e da tecnologia, marcada pelos
impactos da globalização. E a catequese se coloca diante desse mundo plural
com várias vozes e vários estereótipos. Junto aos areópagos da pós-
modernidade, a catequese tem a missão de tornar não só clara e audível,
mas também crível, a Palavra de Deus, precioso tesouro anunciado ao longo
dos séculos pelos profetas, mártires, discípulos e discípulas que
ardorosamente deram seu testemunho com coragem e alegria.
Não é possível pensar que hoje todos tenham de ter uma única linguagem,
um mesmo jeito de falar e de anunciar a mensagem cristã. Contudo é
possível que todos procurem entender a essência da mensagem e a ela
possam aderir, transmitindo ao mundo pela fidelidade, a fé que edifica o
Reino de Deus. Não há como haver uma única linguagem, mas é possível
que todos estejam sintonizados na mesma freqüência que oriunda do
Evangelho.
O Diretório Nacional de Catequese coloca como desafio: “formar catequistas
como comunicadores de experiências de fé, comprometidos com o Senhor e
sua Igreja, com uma linguagem inculturada que seja fiel à mensagem do
Evangelho e compreensível, mobilizadora e relevante para as pessoas do
mundo de hoje, na realidade pós-moderna, urbana e plural” (DNC 14b).
Enfim, falar de linguagem é falar de inculturação e esta prática torna-se
cada vez mais irrenunciável para a ação catequética: “a catequese tem a
missão permanente de inculturar-se, buscando uma linguagem capaz de
comunicar a Palavra de Deus e a profissão de fé (Credo) da Igreja, conforme
a realidade de cada pessoa” (DNC 149).

Para ajudar a reflexão:


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“No método, são importantes a linguagem adequada e os meios didáticos. É


necessário adaptar-se aos interlocutores, usando uma linguagem
compreensível, levando em conta a idade, cultura e circunstâncias. Às vezes
a transmissão da mensagem evangélica fica prejudicada pelo uso de uma
linguagem inadequada. (...) A catequese faz uso da linguagem bíblica,
histórico-tradicional (Credo, liturgia), doutrinal, artística e outras. É preciso,
porém, estimular novas expressões do Evangelho com linguagens renovadas
e comunicativas como a linguagem sensorial e midiática (rádio, TV, internet)
e outras. O emprego dos meios didáticos e o uso de instrumentos de
trabalho são úteis e mesmo necessários para a educação da fé. Por isso, a
Igreja capacita os catequistas para resgatar e assumir os valores da cultura
do povo, estimulando a inculturação do evangelho” (DNC 163).
“a pedagogia da fé precisa então atender às diversas necessidades e adaptar
a mensagem e a linguagem cristãs às diferentes situações dos interlocutores
(DNC 179).
“A catequese é chamada a anunciar com vigor o Evangelho ao coração da
cultura e das culturas”
(DNC 224).

UNIDADE V

PSICOPEDAGOGIA CATEQUÉTICA

Antigamente se entendia a catequese como um processo automático.


Hoje se percebe que é necessário usar os conhecimentos da pedagogia, da
didática e da psicologia para se relacionar de modo adequado e eficiente com
os catequizandos. Além de conhecimentos básicos de Teologia. A seguir,
apresentamos as contribuições da psicologia na abordagem da catequese.

PSICOLOGIA DAS IDADES


Introdução:
Antes de prepararmos nossos encontros de catequese, é necessário
conhecermos as pessoas a quem vamos transmitir a mensagem. Para que
nossos catequizandos possam amadurecer na fé, precisamos levar o
conteúdo da mensagem cristã adaptado ao seu desenvolvimento psicológico.
Por isso, vamos caracterizar a situação psicológica e existencial dos nossos
interlocutores, para depois indicar algumas alternativas da ação catequética.
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A Catequese Renovada afirma a educação da fé como um processo


permanente, que acompanha o homem por toda a vida e se integra em seu
crescimento global (CR - 129). A formação espiritual do ser humano pertence
à essência de sua natureza e do processo educativo, iniciado na concepção e
prolongado até a morte.
Para ajudar o catequista em seu trabalho de elaboração do plano da
catequese, citaremos em sintese algumas características correspondentes às
diversas faixas etárias: 1ª- Infância (O a 6 anos); 2ª-Infância (7 a 9 anos);
Pré-adolescência (9 a 14 anos); adolescência (14 a 20 anos) e juventude
(após 21-29 anos). Adulto (30 -60 anso) Idoso (65 anos).

INFÂNCIA 0 a 6anos.
É a fase em que a criança acorda para o mundo, num ambiente de
família. Precisa de muita alegria, afeição e segurança. É a idade das
primeiras descobertas: de si mesma, do mundo familiar, do seu corpo e das
coisas. E uma fase de total dependência e aprende por imitação.

Características: a criança de 0 a 6 anos é:


• imensamente afetiva, precisa de proteção, amor, carinho, apoio,
confiança, atenção e segurança;
• bastante possessiva, quer tudo para si e não gosta de repartir;
• insegura, dependente e não faz muita diferença entre ela e o mundo que
a cerca;
• muito intuitiva e aprende mais vendo, tocando e fazendo.

Orientações para o catequista:


• a criança nunca deve ser reprimida. Reprimir a criança é impedir que
seja ela mesma, é impedir seu desenvolvimento;
• criar em torno da criança um ambiente de segurança, de afeição e de
alegria;
• a catequese não será sistemática, mas ocasional. A preocupação do
catequista será fundamentar a vida de fé do dia de amanhã, pelo culto
a Deus. Dar às crianças a certeza de que são amadas por Deus e levá-
las a corresponder a esse amor por uma vida de gratidão e bom
comportamento;
• acentuar a oração de louvor, gratidão e admiração.

Consagrar, todos os dias, algum tempo para a oração sem constran-


gimento e com alegria. Ex: Deus é grande, fiquemos de joelhos; Deus é
bom, vamos louvá-lo e agradecê-lo.

Atividades:
As atividades devem ser todas baseadas nos gestos, na expressao
corporal, no desenho espontâneo e na música.

SEGUNDA INFÂNCIA 7 a 9 anos


É a fase da curiosidade. É a idade em que a criança precisa ser
valorizada e começa a despertar a consciência moral. Vive no mundo da
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imaginação. A televisão exerce uma grande influência nesta idade.

Características: a criança de 7 a 9 anos gosta:


• de admirar as coisas, desenhar a natureza, as coisas de que ela gosta,
admira e contempla;
• de saber o porquê das coisas. Começa a desenvolver o uso da razão de
uma maneira mais acentuada. É a fase da curiosidade;
• de possuir um certo grau de consciência moral e já é capaz de distinguir
o bem do mal, o certo do errado;
• de chamar a atenção sobre si;
• de participar de jogos coletivos e de dar ordens;
• de viver no mundo da imaginação e da fantasia.

Orientações para o catequista:


• nunca dizer para uma criança que o trabalho dela está mal feito;
• o catequista deve responder a todas as perguntas que a criança faz,
mesmo se for preciso pesquisar e responder depois. Dizer sempre com
frases simples e curtas;
• a criança é capaz de permanecer muito tempo em admiração e
meditação diante de uma flor. O catequista poderá aproveitar-se disso
para levar a criança a admirar a criação de Deus.
• o catequista deve canalizar a agressividade para o bem, para o belo etc.
Aproveitar as energias da criança para as atividades e não castigá-la;
• o catequista deve ser um testemunho para a criança. Aproveitar-se da
interiorização da criança para levá-la a pensar, a falar com Cristo em
oração.

Atividades:
As atividades devem ser organizadas em equipes, brincadeiras certas
regras e que estimulam a liderança.

PRE-ADOLESCÊNCIA 9 a 14 anos

É a fase em que os interesses, energias e atenções estão voltados para o


mundo das coisas e das pessoas. É a descoberta do mundo e das pessoas. É
também a fase das experiências e atividades. Nesta faixa etária, tanto os
meninos quanto as meninas têm uma vontade imensa de se sentirem
importantes e uma grande facilidade de memorização.

Características: o pré-adolescente gosta de:

• viver em grupos homogêneos (grupos só de meninos ou só de meninas)


mas ainda sem uma liderança definida;
• viver no mundo dos sonhos, das fantasias;
• as meninas procuram fazer-se notar diante dos adultos e provocam os
meninos;
• o menino quer ser o “tal”, o “forte” e sente-se superior às meninas. É a
fase das brutalidades ou indiferença diante delas. Gosta de realizar
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“grandes inventos”;
• tanto os meninos como as meninas têm grande capacidade de
memorização;
• questionar o que aprendeu na catequese.

Orientações para o catequista:

• nos encontros de catequese, partir do que é concreto;


• o pré-adolescente nesta fase tem necessidade de exteriorizar sua fé; é
bom que participe de celebrações litúrgicas;
• e a melhor época para desenvolver o sentimento de comunidade e para
lhe dar a idéia de Igreja-Comunidade Unida;
• a oração para essa idade deve ser uma oração voltada para a realidade,
com fórmulas simples e espontâneas, partindo sempre do mundo que
a cerca.

Atividades:

Já que o pré-adolescente gosta de atividades, deve-se desenvolver o


trabalho em grupo, fazendo cartazes, debates, álbuns etc. Deve-se organizar
teatros, dramatizações, celebrações litúrgicas, jograis, interpretações de
fatos, encenações, expressão corporal etc.

ADOLESCÊNCIA - 14 a 19 anos

É a fase da busca de personalidade, da liberdade, do amor e da


realização pessoal. O adolescente gosta de viver em grupos e sente ne-
cessidade de se auto-afirmar, de amar e ser amado. É a idade das trans-
formações, das grandes mudanças. É inconstante nas atitudes e emoções.
Nessa fase (idade), muitos já entram no mundo do trabalho.

Características: o adolescente gosta:

• de seguir a moda, de curtir seus heróis e costuma criar ídolos; é muito


influenciado pelos meios de comunicação social;
• de ser independente dos adultos e de fazer novas experiências;
• de questionar e criticar as práticas religiosas;
• de viver em grupo onde pode se auto-afirmar;
• de conviver com pessoas do mesmo sexo. É a idade da amizade;
• de ouvir música;
• de ter emoções fortes, sentimentos diferentes. E a idade da grande
instabilidade emocional;
• de sonhar, de viver no mundo da fantasia como se fosse realidade. É a
chamada idade dos sonhos.

Orientações para o catequista:

• para o adolescente o catequista é aquele que vai ajudá-lo a resolver os


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seus conflitos, as suas dúvidas religiosas;


• o catequista deve inspirar-lhe confiança, coragem para que o
adolescente se sinta seguro e possa, espontaneamente, abrir-lhe o
coração;
• nao se pode ter receio de tratar todos os problemas da vida, numa
linguagem acessível e numa dimensão de fé;
• o desenvolvimento sexual marca um período de grandes dificuldades
para o adolescente. O catequista precisa estar atento e procurar
ajudá-lo em suas dificuldades.

Atividades:

As atividades devem ser em grupos, explorando a criatividade, com


músicas que apresentem mensagens e exercícios que utilizem a
memorização. Daí a facilidade que os adolescentes têm na apresentaçao de
encenações, teatros etc.

JUVENTUDE - 20 - 29 anos
É a fase das primeiras experiências sexuais e a descoberta da vocação
profissional e pessoal. Gosta de viver em grupos heterogêneos e, embora viva
afastado da Igreja, sente necessidade de íntima relação com Deus. Seus
problemas pessoais muitas vezes levam-no a pensar em acabar com a vida.
Apesar de toda problemática que enfrenta, mantém a esperança de dias
melhores. Tem uma vida emotiva muito rica e é facilmente depressivo ou
expansivo. Procura sua identidade e por isso é facilmente influenciável pelos
outros e pelos Meios de Comunicação Social. Adquire uma grande
capacidade de discutir idéias e de se comunicar com os outros.

Características: o jovem gosta:


• de curtir a vida, de praticar esportes;
• de ouvir música e dançar;
• de ajudar as pessoas, de sentir-se útil;
• de ser alegre;
• de ser livre e independente;
• de ser romântico, sonhador;
• de ser crítico para com os adultos e de questionar o comportamento
deles;
• de apaixonar-se. A jovem gosta de sonhar com o “príncipe encantado”;
• de ter amigos e viver em grupos;
• de aparecer.

Orientações para o catequista:


• para o jovem, o catequista é aquele que vai estar ao seu lado para
ajudá-lo a enfrentar seus problemas e a entender as suas dúvidas
religiosas;
• o catequista deve valorizar o jovem nas suas aptidões;
• o catequista deve ouvir o jovem e orientá-lo sem fazer críticas ao seu
comportamento;
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• uma das dificuldades do catequista é de orientar os jovens quanto ao


desenvolvimento sexual. Quando o catequista tiver dificuldades nessa
parte, procure pessoas capacitadas para que falem aos jovens numa
linguagem aberta e acessível sobre o assunto;
• o catequista deve respeitar as idéias do jovem, mas sem ter medo de
expor suas próprias idéias.

Atividades:
Devem ser dadas em grupos, ajudando os jovens a sentirem-se bem,
úteis (através de visitas a asilos, a creches, onde com suas músicas e alegria
contagiantes, promovam momentos felizes);
É importante promover gincanas e os brindes arrecadados entregar
para alguma promoção social.
Abrir espaços para que o jovem possa atuar na vida da comunidade
ativamente. As celebrações litúrgicas são muito importante na vida os
jovens, principalmente quando preparadas por eles mesmos.

ADULTA 30 a 60 Anos

É um dos mais extensos estágios psicossociais e resume-se no conflito


entre educar, cuidar do futuro, criar e preocupar-se exclusivamente com os
seus interesses e necessidades. Usualmente dá-se desde os 30 aos 60 anos,
não havendo porém uma idade comum a todas as pessoas. (Luís Rodrigues,
2001:p.283) A questão – chave na nesta idade pode formular-se de várias
formas: «Serei bem sucedido na minha vida afetiva e profissional?»;
«Produzirei algo com verdadeiro valor?»; «Conseguirei contribuir para
melhorar a vida dos outros?».
Esta fase denota a possibilidade de se ser criativo e produtivo em
diversas áreas da vida. Bem mais do que educar e criar os filhos representa
uma preocupação com o contentamento das gerações seguintes, uma
descentração e expansão do Ego empenhado em converter o mundo num
lugar melhor para viver, como tal, a generatividade representa o desejo de
realizar algo que nos sobreviva. (Luís Rodrigues, 2001:p.280)
Se o desenvolvimento e descentração do Ego não ocorre, ou seja, se se
dá o fracasso na expansão da generatividade, o indivíduo pode estagnar,
preocupar-se quase unicamente com o seu bem-estar e a posse de bens
materiais. O egocentrismo é para Erikson, sinónimo de ineficácia e de
decadência vital precoce. O egocêntrico fecha-se nas suas ambições e pouco
ou nada dá de si aos outros.

Características:
• Potencial e maturidade para a paternidade/maternidade;
• Produção, ensino, cura, criatividade
• Escolha de valores ideais para a vida.
A virtude própria deste estágio é o cuidado, a inquietação com os
outros, o querer fazer algo por alguém.

Orientações para o catequista:


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A catequese com adultos tem como missão:


a) reforçar a opção pessoal por Jesus Cristo;
b) promover uma sólida formação dos leigos, levando em
consideração o amadurecimento da vida no Espírito do Cristo
Ressuscitado;
c) estimular e educar para a prática da caridade, na solidariedade e
na transformação da realidade, julgando com objetividade e à luz
da fé as mudanças sócio-culturais da sociedade;
d) ajudar a viver a vida da graça, alimentada pelos sacramentos;
e) formar cada pessoa para cumprir os deveres do próprio estado de
vida, buscando a santidade;
f) dar resposta às dúvidas religiosas e morais de hoje;
g) desenvolver os fundamentos da fé, que permitam dar razão da
esperança;
h) educar para viver em comunidade e assumir responsabilidades
na missão da Igreja, dando testemunho cristão na sociedade;
i) educar para o diálogo ecumênico e inter-religioso, como
instrumentos para a busca da unidade cristã e da paz entre os
filhos de Deus;
j) ajudar na animação missionária além fronteira. (DNC183)

Atividades:
a) levar em conta seus problemas e experiências, capacidades
espirituais e culturais;
b) motivá-los para a vivência da fé em comunidade, para que ela seja
lugar de acolhida e ajuda;
c) fazer um projeto orgânico de pastoral com os adultos que integre a
catequese, a liturgia e os serviços da caridade (cf DGC 174).

PESSOA IDOSA 65 ANOS


Esta fase da vida é marcada por um olhar retrospectivo, que faz com
que, ao aproximarmo-nos do final vida, sintamos a necessidade de aquilatar
o que dela fizemos, revendo escolhas, realizações, opções e fracassos.
Nesta etapa da vida a questão que se coloca é «Teve a minha vida
sentido ou falhei?». Esta última idade ocorre frequentemente a partir dos 60
- 65 anos.
Toma consciência que a vida teve sentido e que foi feito o melhor
possível dadas as circunstâncias e as suas capacidades. Reconcilia-se com a
mágoa e a angústia, e encara a existência como algo positivo. Segundo
Erikson, o possuidor de integridade está preparado para defender a
dignidade do seu próprio estilo de vida contra todas as ameaças físicas e
econômicas.
Se o avaliamento da existência é negativa, se sentimos que
desaproveitamos o nosso tempo e não concebemos quase nada, existe o
desejo de retroceder, de readquirir as oportunidades perdidas, de reformular
opções e escolhas. Pode instalar-se o desgosto, a angústia, o pânico da
morte.
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Características:
• Olhar retrospectivo para a vida;
• Da realização ou da angustia pela não realização;
• Processo de integridade consigo se vivido bem as experiências da vida,
ou também período de angustia pelo passado, sentimento de culpa;
• A sabedoria é a virtude resultante da última fase da vida, a percepção
de que não vivemos em vão, «A sabedoria, então, é a preocupação
desprendida com a vida em si.

Orientações para o catequista: (DNC 185-186)


a) Destacar o valor da pessoa idosa como um dom de Deus à Igreja e à
sociedade, pela sua grande experiência de vida.
b) Descobrir talentos e possibilidades nessa situação também é função
da catequese,
c)A catequese com pessoas idosas deve estar atenta aos aspectos
particulares de sua situação de fé.
d) A catequese valoriza e incentiva a redescobrir as ricas possibilidades
que têm dentro de si e assumir sua missão em relação com o mundo e
com as novas gerações.

Atividades:
De qualquer maneira, a condição de idoso exige uma catequese de
esperança, que os leve a viver bem esta fase da própria vida e a dar o
testemunho às novas gerações e assim se prepararem para o encontro
definitivo com Deus. Entre outras coisas, é necessária uma catequese que os
prepare para a Unção dos Enfermos.
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REFERÊNCIAS DOS TEXTOS:

UNIDADE I. Catequética. Disponível em:


padrealexandre.web.pt/catequeticafundamentalft.ppt . História da
catequese. Disponível em: http://mafaoli.blogs.sapo.pt/1090.html.

UNIDADE II. Bíblia e catequese. Disponível em:


http://www.tlcsaojoao.kit.net/catequese/biblia.htm. O uso da Bíblia na
catequese. Disponível em:
www.catequisar.com.br/texto/.../catequese.../02.htm.

UNIDADE III. Disponível em:


UNIDADE IV. Disponível em:
UNIDADE V. Disponível em: