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Os Paradoxos da Reforma Agrária no Estado de São Paulo.

GT – Políticas públicas e poder local.


Os beneficiários da Reforma Agrária, no momento em que buscam conseguir o lote,
no processo de seleção, têm que demonstrarem ter força de trabalho, ou seja, ter dependentes
que dêem conta do trabalho no lote. Depois que conseguem o lote, esses dependentes ficam
completamente desamparados. Hoje vivenciamos a situação absurda, de um assentado viver
30 anos no lote e o filho não ter direito ao título da terra, quando da morte dos pais.
A solução para tal paradoxo é a titulação pura e simples, no caso dos assentamentos
em terras federais, cumprir o que reza a Lei 8.629/93. Em relação aos assentamentos em terras
estaduais cabe a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo suprir urgentemente essa
lacuna e elaborar uma legislação que dê conta dessa questão da titulação dos assentados em
terras do Governo do Estado que estão prestes a completar bodas de ouro sem o seu justo
título. Cumpre esclarecer que o que se quer é o mesmo da legislação federal, ou seja, o
assentado recebe o título, após avaliação de desenvolvimento do seu lote e, após, dois anos de
carência, estes tem mais 18 anos para saldá-lo junto à Fazenda do Estado.
A Reforma Agrária no Brasil de hoje, tem começo e meio, mas, infelizmente, não tem
fim. A Superintendência Regional 08 do INCRA-SP, não dá o título para o beneficiário,
diferentemente do acontece nas outras Unidades da Federação, mas sim, faz o Contrato de
Concessão de Uso – CCU. A Fundação ITESP, sequer tem uma lei para dar o título para o
beneficiário da Reforma Agrária Estadual, o máximo que este consegue, é um Termo de
Permissão de Uso – TPU, que cessa quando o casal beneficiário falece. A sucessão para os
filhos não é automática.
A persistir o atual ritmo da Reforma Agrária no Estado de São Paulo, puxados por
estes dois órgãos paquidermes, um federal e outro estadual, Cuba, país comunista da América
Central, que vivencia um processo de reformas em curso, fará a Reforma Agrária capitalista
mais rápido do que o Estado mais rico do Brasil.
Os órgãos responsáveis pela promoção da Reforma Agrária, no caso INCRA e a
Fundação ITESP, são os que mais possuem domínio da terra, portanto, são os maiores
latifundiários, não dão o título, isso gera uma tutela ad eterna. No caso do INCRA-SP, trata-se
de uma política regional, a não titulação em descumprimento flagrante da legislação vigente.
Já a Fundação ITESP não tem nem sequer uma lei que lhe ampare na titulação das terras do
Estado ao beneficiário da Reforma Agrária. Isto faz com que assentamentos como o XV de
Novembro, em Primavera e o Pirituba, em Itapeva, com mais de 20 anos de existência,
permaneçam na dependência doentia da Fundação ITESP. Quando se dará a autonomia dessas
comunidades? Existem políticas de avaliação qualitativa que encaminhem para essa
autonomia?
De todas as Fundações vinculadas à Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da
Cidadania, a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo “José Gomes da Silva” é a
que tem o menor orçamento e, contraditoriamente, a que possui o maior patrimônio, 10.000
lotes de terra. Se os avaliarmos num valor médio de R$50.000,00 o lote, chegamos a um
montante de R$ 500.000.000,00 – meio bilhão de reais – isto sem considerarmos as
benfeitorias investidas e os equipamentos sociais pela Fundação ITESP, nos projetos
assentamentos. A Fundação ITESP parece mais uma nobreza decadente, sem recursos, mas
dona de um imenso patrimônio imobilizado. Trata-se, urgentemente, de desmobilizá-lo, ou
seja, transformá-lo em ativos, através da titulação, ou seja, transferência onerosa do lote ao
assentado a exemplo do que já está previsto na legislação federal.
O Governo Lula fez a lição de casa, os recursos anuais destinados ao Plano Safra, dos
quais estão inclusos os recursos do PRONAF, saltaram de 4 bilhões, em 2002, para 12
bilhões, em 2010. O Banco do Brasil, que é quem deve operacionalizar os créditos da
Reforma Agrária, através das várias linhas de crédito do PRONAF, procura travar, de todas as
formas possíveis, o acesso dos assentados a esses mesmos créditos, quando tais envolvem
parcela de recursos do Banco, ao exigir as mesmas garantias do agronegócio, para os
agricultores familiares, com a nítida intenção de não correr qualquer risco de inadimplência, o
conhecido risco do Banco. Isso transforma um Banco que é essencialmente de fomento, num
banco cuja característica básica é a clássica competição de mercado. Em outras palavras, o
Banco do Brasil, hoje, é um banco para ricos e não um banco para a economia solidária, cuja
principal marca é o trabalho com os excluídos dos mercados.
Na esfera estadual, o Governo do Estado alega não existir mais estoque de terras para
a Reforma Agrária, no entanto, existem várias áreas extensas de terras públicas, que estão
abandonadas ou sendo apropriadas indevidamente por terceiros, sem nenhuma destinação
social, como ocorre em vários municípios do Estado. É muito mais ágil o processo de
desapropriação de terras privadas do que das terras públicas improdutivas, devido ao
corporativismo, ao lobby político e ao desinteresse do gestor público.
No processo da Reforma Agrária, o poder público sempre realizou desde a
arrecadação da terra, a seleção das famílias beneficiárias, o planejamento e ou parcelamento
dos lotes nos assentamentos, a infraestrutura básica, como estradas, luz, água etc. Neste
momento, o assentado recebe o TPU, se estadual, ou o CCU, se federal, portanto, ele está no
Sistema de Informação dos Projetos de Reforma Agrária – SIPRA e está apto a receber os
recursos da União, tais como os de fomento, de habitação, do PRONAF A e PRONAF A/C
tendo que, para tanto, ser vinculado à Assistência Técnica e Extensão Rural de quatro anos.
Acontece que o INCRA, com o orçamento próprio revigorado pelo Governo Lula, optou por
terceirizar a ATER. Recentemente contratou, através de uma Chamada Pública, a empresa BK
Consultoria, sem nenhuma expertise na área, com um contrato de um ano, podendo ser
prorrogado por mais meio ano, contrariando flagrantemente as normas do PRONAF A que
vincula a ATER por um período de quatro anos. Pelo visto, a referida empresa estará
impedida de elaborar os projetos do PRONAF A, uma vez que a prestará por um período de
no máximo 18 meses, penalizando ainda mais, os assentados. A pergunta que não quer calar
é, quem os elaborarão?
Benedito Antônio Gomes, Engenheiro Agrônomo e Analista de Desenvolvimento
Agrário e Responsável Técnico no Grupo Técnico de Campo - GTC de Taubaté - Regional
Sudeste da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" -
ITESP. Responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER no Projeto de
Assentamento - PA Horto Tremembé - SP.
Otávio Cândido da Silva Júnior, 45 anos, Professor de Filosofia e Analista de
Desenvolvimento Agrário na área de Formação e Capacitação Profissional no Grupo Técnico
de Campo - GTC de Taubaté - Regional Sudeste da Fundação Instituto de Terras do Estado de
São Paulo "José Gomes da Silva" - ITESP. É o atual presidente da Associação dos
Funcionários da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo "José Gomes da Silva" -
AFITESP.