Sie sind auf Seite 1von 4

A UNIDADE DA IGREJA – UMA QUESTÃO ABSOLUTA E IMPERATIVA

“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” Jo 17:21.

A Igreja ao longo de sua história intercala momentos de frieza espiritual e grandes

avivamentos, boa parte destes avivamentos precedidos por um intenso arrependimento seguido de grandes conversões que mudaram a realidade de comunidades inteiras e até mesmo países, sendo que um dos melhores exemplos atuais pode ser observado no avivamento das Ilhas Fiji, onde vemos II Cr 7:14 em sua plenitude.

A igreja primitiva recebeu as primeiras chuvas do derramamento do Espírito e neste fervor

e unidade viveram (At 2:44; 4:32). Quando se atemorizavam pela perseguição que se levantava, mantinham mais ainda a unidade e buscavam o Senhor para serem novamente cheios e voltarem a proclamar com toda intrepidez (At 4:23-32). Se tivermos convicção de estarmos vivendo o momento que antecede a volta do Senhor, devemos esperar também um derramamento sobrenatural do Espírito, a chuva serôdia, com a concretização das profecias; em especial a de Pedro, que fala do tempo da restauração de todas as coisas (At 3:21) e entre elas se encontra a unidade que a igreja viveu no início e tudo o que isto representou para aquele período. Estes elementos serão a base da expansão do evangelho aguardada antes da volta do Senhor (Mt 24:14).

Infelizmente a unidade tem sido deixada em segundo plano, pois ela muitas vezes conflita com

os projetos pessoais de alguns. Quando Deus retirou a Israel do Egito, eles eram uma grande

nação com pessoas de todas as idades e com um objetivo comum: entrar em Canaã. Todos desejavam chegar o mais rápido possível na Terra Prometida, mas o tamanho e diversidade do povo não permitia um avanço muito rápido. Quem determinava o ritmo da viagem? Seriam os jovens? Os homens de guerra? Os mais fortes? Não. O ritmo era ditado pelos fracos, pelos

velhos, pelos doentes. Os fortes tinham que literalmente carregar os fracos, não entrariam em Canaã sem eles. Diferente de Israel, a igreja (ou setores da igreja), preferiu em determinado momento abrir mão da unidade com a intenção de avançar mais rápido em direção ao alvo de Deus. Aparentemente, conquistar o mundo para Cristo era incompatível com andarmos juntos

ou esperarmos pelos outros para alcançarmos o que Deus deseja. Foi dentro desta lógica que

a reforma se abriu ao sectarismo na igreja que até os dias atuais continua intenso, pois isto

ficou impregnado em nosso “DNA”. No início, a divisão era justificada pela restauração de verdades absolutas, mas com o passar do tempo, questões relativas foram sendo usadas como pretexto para novas divisões. Desta forma, os protestantes históricos não apenas se separaram

da igreja católica, mas também se separaram entre si: luteranos contra calvinistas, anglicanos contra presbiterianos, todos contra os anabatistas e hoje com milhares de pequenas divisões, sempre justificadas em razão da “obra de Deus” ou de alguma pureza doutrinária. A gravidade do sectarismo (ou falta de unidade) é que se trata de um fruto da carne mencionado em Gálatas 5:20. Nesta passagem “dissensão” (grego = eritheia) é aplicado no sentido de “um desejo de colocar-se acima, um espírito partidário e faccioso”. A arrogância era no passado e ainda é o combustível das divisões e o ódio crescia entre os irmãos. Sempre existirá alguém que acredita que pode fazer melhor ou mais rápida a obra de Deus. João já nos alertava que “aquele que odeia (perseguir com ódio) seu irmão é assassino” (I Jo 3:15). Podemos imaginar este tipo de sentimento em nossas vidas? Pois João deixou esta advertência para os cristãos daquela época e para nós, já que experimentou pessoalmente o estrago que Diótrefes estava fazendo na igreja, agindo de maneira arrogante, individualista e sectária, não permitindo que os irmãos se relacionassem (3 Jo 9,10), privando eles de comunhão e unidade. O partidarismo, ainda sem uma divisão clara, também já estava se instalando na igreja em Corinto e foi motivo de advertência de Paulo.

Nos acostumamos de tal maneira com a divisão que nos especializamos em criar desculpas bem “teológicas” para que a unidade concreta, real e visível, capaz de impactar o mundo não aconteça; mas que na verdade servem apenas para camuflar duas possíveis realidades:

rebeldia contra a vontade expressa de Cristo ou falta de fé (principalmente quando olhamos ao nosso redor e para nós mesmos), o que considero mais provável. Para ambas situações existe solução. Para a primeira: arrependimento, para a segunda: olhar firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus, pois foi exatamente quando Pedro tirou os olhos de Cristo, olhando as circunstâncias ao seu redor, que começou a afundar.

Por que a unidade é tão importante? Ela é a essência da Trindade. Na Trindade cada pessoa age para glorificar a outra e não a si mesmo. A unidade é uma verdade absoluta e como tal deveria permear nossas vidas interferindo em nossa forma de pensar e agir.

Isto é o que Jesus revelou em sua oração em João 17. Paulo tendo compreendido bem esta verdade nos deixa uma advertência em Efésios (4:1-6): “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.

No versículo 13 deste mesmo capítulo ele fala “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”, claramente separando estes dois tipos de unidade, uma que já foi alcançada por Cristo e que deve ser preservada e outra que ainda será alcançada. Lembrando que a humildade, mansidão e longanimidade precedem a preservação da unidade, pois sem estas características do caráter de Cristo em nós não há como ter unidade, pois sempre teremos a tendência de entrar em conflito na tentativa de fazer o outro mudar de opinião, desta forma estabelecemos a condição para a unidade, que é a “minha forma de pensar”, tenho que estabelecer minha primazia mesmo que camuflada na forma de dogmas bíblicos. Meditando na passagem de Efésios, concluímos que se fracassamos na unidade é porque os frutos de Espírito não estão presentes em nossas vidas. Não é uma questão de “eventos de unidade”, pois após os eventos voltamos para a esfera de nossa influência onde pouco ou nunca somos questionados.

A verdadeira unidade ocorrerá por que Cristo assim deseja, não será resultado de obra ou

métodos humanos, será um milagre do Senhor. Da mesma forma como ele transforma os

corações de pedra, Ele transformará os nossos corações para que aprendamos definitivamente

a discernir o Corpo de Cristo, a preferir-nos em honra, a agirmos como corpo e não individualmente.

O empenho de nossa parte em preservar a unidade terá um preço em nossas vidas, ele nos

levará a uma maior dependência do corpo como jamais experimentamos e estaremos de fato apressando a volta do Senhor. Estamos dispostos a abrir mão de posições relativas para preservar a unidade do Espírito? Estamos dispostos a andar com irmãos com posições claramente diferentes das nossas e ter uma comunhão real no Senhor, não por afinidades, mas fundamentada na obra que Ele fez na cruz? Estamos dispostos a humilhar-nos sob a sua poderosa mão? O Senhor espera apenas uma resposta nossa para estas questões para que Ele possa manifestar seu poder e glória através da sua igreja, somente assim toda a glória será dEle. Não devemos nos preocupar se a unidade caminha ou não na velocidade ou direção que desejamos, até isto pode ser arrogância de nossa parte, o que nos cabe é termos a mesma atitude que houve em Cristo; devemos aprender a sermos servos uns dos outros, a respeitar- nos uns aos outros, a suportar-nos uns aos outros, a não nos considerarmos superiores aos “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” Fp 2:3.

No primeiro século o mundo foi impactado por homens que desejavam apenas glorificar o Senhor e não seus “feudos” ou “seus” ministérios. Quando encontrarmos oposição ou vermos coisas que achamos erradas que poderíamos fazer diferente, devemos fazer como Moisés, que por diversas vezes em que foi confrontado com atitudes rebeldes, não impôs sua autoridade, antes se entregou a Deus e deixou ele agir e convencer seus opositores, que eram seus próprios irmãos. Chegou a hora da igreja resgatar sua vocação de corpo e novamente impactar o mundo nestes últimos dias como foi no início e estarmos prontos para sua volta.

“E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”.

“E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem

Assim, porque és morno, e não és frio nem

quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;

Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo

quente; quem dera foras frio ou quente!

Para maior compreensão do tema, recomendo a leitura do livro: DIVISÃO: A IGREJA A CAMINHO DA DESTRUIÇÃO de Francis Frangipane.

Carlos Augusto

Março/2010