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CURSOS ON-LINE – CONTROLE EXTERNO EM EXERCÍCIOS – TCU PROFESSORES MÁRCIO ALBUQUERQUE E ESTEVÃO CUNHA

Caros alunos,

Foi com imensa satisfação que recebemos o convite da equipe do

Ponto On-Line para ministrarmos, pela quarta vez, o curso de exercícios

de Controle Externo. Para quem ainda não nos conhece, vale a pena

fazermos uma breve apresentação.

Ambos somos Analistas de Controle Externo do TCU, e já

ministramos quatro cursos regulares de teoria sobre a matéria.

Atualmente, trabalhamos em Gabinete de Ministros do TCU,

assessorando-os na elaboração e confecção dos Acórdãos que serão

submetidos à apreciação dos colegiados da Corte.

A experiência de trabalhar em Gabinete é muito rica, pois, a todo

momento, estamos nos deparando com questões intimamente ligadas à

processualística peculiar do TCU, isto é, a Lei Orgânica (Lei

n. 8.443/1992) e o Regimento Interno do TCU – RITCU.

Assim, nossa intenção nesse curso é passar um pouco desse

conhecimento a vocês, por meio dos comentários aos exercícios que

apresentaremos nas aulas.

Como o edital do concurso ainda não saiu, tomaremos por base o

programa requerido na prova de 2008, ou seja:

1) Entidades Fiscalizadoras Superiores (EFS) e Declaração de

Lima; 2) Sistemas de Controle na Administração Pública Brasileira (arts.

70 a 74 da Constituição Federal); 3) Tribunais de Contas: funções,

natureza jurídica e eficácia das decisões; 4) Tribunal de Contas da

União: natureza, competência e jurisdição; 5) Organização, julgamento

e fiscalização, Lei Orgânica do TCU – Lei nº 8443/1992; 6) Regimento

Interno do TCU, aprovado pela Resolução-TCU nº 155, de 4 de

dezembro de 2002.

Nosso curso está dividido em seis encontros virtuais (este e mais

cinco), e os exercícios, não necessariamente, serão dispostos de acordo

com a sequência especificada no programa acima apresentado. Como

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alguns temas são exaustivamente cobrados, tais como as regras

constitucionais sobre o controle externo, serão mais explorados.

De qualquer forma, apresentaremos questões que abarcarão todo

o conteúdo acima delineado.

No mais, o negócio é estudar com vontade que a aprovação é

apenas questão de tempo!

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O presidente do Tribunal de Contas da União, Humberto Souto, vai fazer um levantamento dos órgãos públicos que deixaram de publicar o relatório de gestão fiscal do ano passado até o dia 30 de janeiro. O relatório é exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. A pena para o administrador público que não publica o relatório, inclusive pela Internet, é uma multa equivalente a 30% de seu salário anual. O governo federal publicou o seu relatório no dia 31 e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ontem. Souto informou, por meio de sua assessoria, que tomará as providências previstas na legislação. A maior parte dos tribunais superiores publicou seus relatórios entre os dias 29 e 30 de janeiro. O Tribunal Superior Eleitoral publicou o seu no dia 31. Ontem, além do STJ, o Diário Oficial da União publicou os relatórios dos tribunais regionais eleitorais do Ceará e do Acre. A Câmara disponibilizou o seu relatório na Internet, mas o Senado não informou se cumpriu a determinação da lei. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, todos os tribunais regionais federais, além dos tribunais eleitorais, do trabalho, militares e tribunais estaduais, têm de publicar relatórios de gestão fiscal. A determinação também vale para os Poderes Executivo e Legislativo estaduais e municipais. Nesses casos, porém, a fiscalização é dos tribunais de contas regionais. Folha de S. Paulo, 3/2/2001 (com adaptações).

1) Acerca da situação acima descrita e das normas pertinentes, julgue

os itens seguintes (Consultor da Câmara dos Deputados do ano de 2002 – CESPE):

A) Constitui crime de responsabilidade deixar de divulgar ou de enviar

ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal.

R. A Lei n. 10.028, de 19/10/2000, conhecida com a Lei de Crimes Fiscais, acrescentou ao art. 10 da Lei n. 1.079, de 10/4/1950, os seguintes tipos: (vale consubstanciar que o referido art. 10 disciplina, justamente, o que é considerado crime de responsabilidade)

“5) deixar de ordenar a redução do montante da dívida consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do limite máximo fixado pelo Senado Federal;

6) ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição legal;

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7) deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite, condição ou montante estabelecido em lei;

8) deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício financeiro;

9) ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente;

10) captar recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido;

11) ordenar ou autorizar a destinação de recursos provenientes da emissão de títulos para finalidade diversa da prevista na lei que a autorizou;

12) realizar ou receber transferência voluntária em desacordo com limite ou condição estabelecida em lei.”.

Acerca da infração consistente na falta de divulgação ou de envio ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal, a Lei n. 10.028/2000, tratou do assunto em seu art. 5º, inciso I, o qual apresenta a seguinte redação:

“Art. 5º Constitui infração administrativa contra as leis de finanças públicas:

I – deixar de divulgar ou de enviar ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal, nos prazos e condições estabelecidos em lei;”.

Assim a referida falta foi tratada como infração administrativa, sendo apenada, pelo Tribunal de Contas competente com multa de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal. Item ERRADO.

B) Conforme as leis de finanças públicas, é admissível que, em algumas hipóteses, determinados órgãos públicos possam deixar de enviar ao Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal.

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R. O assunto é tratado pela LRF em duas oportunidades. No art. 55,

§ 3º, e 63, inciso II, alínea b, que, respectivamente, apresentam a seguinte redação:

“Art. 55. O relatório [de gestão fiscal] conterá:

) (

§

3 o O descumprimento do prazo a que se refere o § 2 o sujeita o ente à sanção prevista no § 2 o do art. 51.

) (

Art. 63. É facultado aos Municípios com população inferior a cinqüenta mil habitantes optar por:

(

)

II

- divulgar semestralmente:

(

)

b) o Relatório de Gestão Fiscal;”.

Dessa maneira, pode-se perceber que a LRF possibilita para alguns municípios a divulgação semestral, ou seja, permite a esses maior intervalo de tempo para a sua divulgação, uma vez que a regra geral é a divulgação quadrimestral. Não possibilitou, no entanto, que não haja a

divulgação.

Item ERRADO.

C) Na situação descrita no texto, se o Senado Federal tivesse confirmado o não-cumprimento da determinação legal, estaria caracterizada infração ao princípio da publicidade, cabendo punição com multa de 30% dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal.

R. Como descrito na resposta ao item A, a falta de divulgação ou de

envio ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas do relatório de gestão fiscal constitui infração administrativa contra as leis de finanças

públicas, sendo apenada, pelo Tribunal de Contas competente com multa de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa. Cabe observar que o pagamento da multa é de responsabilidade pessoal do gestor (art. 5º , §§ 1º e 2º , da Lei n. 10.028/2000). Item CORRETO.

D) O presidente do TCU, órgão auxiliar ao Poder Legislativo, não tem competência ou atribuição para exigir o relatório do administrador público, dependendo de autorização específica de lei.

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R. De acordo com o art. 5º , inciso I e § 2º, o Tribunal de Contas pode

aplicar sanção aos gestores que deixarem de divulgar ou de enviar ao

Poder Legislativo e ao próprio Tribunal de Contas o relatório de gestão

fiscal.

Assim, se a Lei facultou ao Tribunal de Contas a possibilidade de aplicar

multa ao administrador público pela ausência de envio do relatório de gestão fiscal aos órgãos competentes, é porque este órgão possui competência para exigir o relatório do gestor. Entendimento diverso levaria à conclusão, absurda, de que o Tribunal de Contas poderia apenar o administrador por não enviar o relatório, mas não poderia exigir do mesmo o envio, de tal peça aos respectivos órgãos. Tal exegese não deve prevalecer, pois como é sabido, aquele que pode o mais, pode o menos. Item ERRADO.

E) Na situação tratada no texto, incumbiria a Humberto Souto exigir relatório dos poderes Executivo e Legislativo estaduais e municipais.

R. Caso o Tribunal de Contas da União agisse dessa forma, estaria

infringindo a separação de poderes que rege a relação entre as três esferas (Federal, Estadual e Municipal). A intervenção de um ente nas competências de outro representa situação excepcionalíssima, prevista no art. 34 e 35 da Constituição Federal. No caso em comento, o TCU, por meio de seu Presidente,

somente poderia exigir o relatório de gestão fiscal dos poderes da esfera

federal.

Item ERRADO.

2) Julgue o item abaixo (Auditor do Tribunal de Contas do Distrito Federal – CESPE/2002):

As disposições da LRF obrigam a União, os estados, o DF e os municípios, e alcançam, nesses entes políticos, o Poder Executivo, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário e o Ministério Público, restando fora de sua abrangência apenas os tribunais de contas, pois são os entes responsáveis pelos controles estabelecidos.

R. Os parágrafos 2º e 3º do art. 1º da Lei de Responsabilidade Fiscal

tratam do assunto de forma bastante clara:

“Art. 1º Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas

voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição. ( )

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§ 2 º As disposições desta Lei Complementar obrigam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

§ 3º Nas referências:

I - à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, estão

compreendidos:

a) o Poder Executivo, o Poder Legislativo, neste abrangidos os Tribunais de Contas, o Poder Judiciário e o Ministério Público.” Dessa maneira, percebe-se que as disposições da LRF alcançam os Tribunais de Contas. Item ERRADO.

3) As decisões do TCU em processos de tomada ou prestação de contas

estão associadas ao tipo de julgamento das referidas contas. Com base na Lei Orgânica do TCU, julgue os itens a seguir. (Analista de Finanças e Controle Externo do TCU/1995 – CESPE)

R. Para os próximos cinco itens vamos nos valer da definição do art. 10

da Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União, a seguir reproduzida:

“Art. 10. A decisão em processo de tomada ou prestação de contas pode ser preliminar, definitiva ou terminativa.

§ 1° Preliminar é a decisão pela qual o Relator ou o Tribunal, antes de pronunciar-se quanto ao mérito das contas, resolve sobrestar o julgamento, ordenar a citação ou a audiência dos responsáveis ou, ainda, determinar outras diligências necessárias ao saneamento do

processo.

§ 2° Definitiva é a decisão pela qual o Tribunal julga as contas

regulares, regulares com ressalva, ou irregulares.

§ 3° Terminativa é a decisão pela qual o Tribunal ordena o trancamento

das contas que forem consideradas iliquidáveis, nos termos dos arts. 20

e 21 desta lei.”

A) A decisão é definitiva quando o Tribunal ordenar o trancamento das

contas, fato que corresponde ao arquivamento definitivo.

R. A definição apresentada refere-se à decisão terminativa.

Item ERRADO.

B) Decisão preliminar é a que ocorre quando se registram ressalvas, que

requerem a correção de impropriedades ou faltas identificadas.

R. A definição apresentada refere-se à decisão definitiva, que implicará

julgamento pela regularidade com ressalvas. Item ERRADO.

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C) Quando as restrições não apresentarem o risco de voltar a ocorrer, o

Tribunal, por meio de decisão terminativa, dará quitação ao

responsável.

R. A definição de decisão terminativa não guarda qualquer semelhança

com o item apresentado. Item ERRADO.

D) Quando houver omissão de prestação de contas, serão as mesmas julgadas irregulares, por decisão definitiva.

R. As contas serão julgadas por meio de decisão definitiva. O art. 16,

inciso III, alínea a da LOTCU define que as contas serão julgadas irregulares quando houver omissão no dever de prestar contas. Item CORRETO.

E) Sendo o julgamento do mérito materialmente impossível, por falta

involuntária de documentação inutilizada por ocasião de um sinistro, o

processo será arquivado, mediante decisão terminativa.

R. Sobre o assunto, vejamos o que está disposto no art. 20 da LOTCU:

“Art. 20. As contas serão consideradas iliquidáveis quando caso fortuito ou de força maior, comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o julgamento de mérito a que se refere o art. 16 desta lei”. Assim, combinando o disposto no art. 20 com o art. 10, § 3º, da LOTCU, temos que o correto no presente caso é, realmente, arquivar o processo mediante decisão terminativa. Item CORRETO.

4) Julgue o item abaixo: (Auditor – TCU – CESPE/2002, com alterações)

Nos termos da sua Lei Orgânica (LO/TCU), o TCU tem competência para, em caso de urgência, de fundado receio de grave lesão ao erário ou a direito alheio ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, adotar medida cautelar e determinar a suspensão da concorrência, com ou sem a prévia oitiva das partes.

R. A presente questão pode ser considerada aquilo que chamamos de

“peguinha” do examinador, uma vez que a medida cautelar tratada não

apresenta guarida na Lei Orgânica, mas sim no Regimento Interno. Item ERRADO.

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5) Com relação às competências do Tribunal de Contas da União previstas em sua Lei Orgânica e em seu Regimento Interno, julgue o item abaixo: (ACE/1998 – CESPE)

Compete ao Tribunal de Contas da União apreciar para fins de registro a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reserva e pensão na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

R. O art. 1º, inciso V, da Lei n. 8.443/1992 trata da matéria da seguinte

forma:

“Art. 1° Ao Tribunal de Contas da União, órgão de controle externo, compete, nos termos da Constituição Federal e na forma estabelecida nesta lei:

( ) V - apreciar, para fins de registro, na forma estabelecida no regimento interno, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.” Pelo que se pode verificar a atuação da Corte de Contas se dá quando da reforma do militar e não quando de sua passagem para a reserva. A título de esclarecimento, cabe destacar que tanto a reserva quanto a reforma constituem-se formas do militar passar para a inatividade. Entretanto, as características de cada instituto (reserva e reforma) estão previstas nos arts. 97, 98 (reserva) e 105, 106 e 108 (reforma), da Lei n. 6.880/1980 (Estatuto dos Militares). Assim, para os objetivos do nosso curso, é suficiente sabermos que reserva e reforma não são a mesma coisa. Item ERRADO.

6) julgue os itens abaixo: (Autoria própria)

A) Conforme previsto em seu Regimento Interno, todas as faculdades processuais, no âmbito do Tribunal de Contas da União, podem ser executas diretamente pelas partes mesmo que não sejam advogados.

R. O Regimento Interno apresenta uma exceção à regra a qual informa

que as partes podem executar diretamente as faculdades processuais. Referimo-nos a possibilidade de retirada dos autos do Tribunal para a

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vista do processo. O art. 165, § 1º, do Regimento Interno, sobre o assunto dispõe que:

“Art. 165. O despacho que deferir o pedido de vista indicará o local onde os autos poderão ser examinados. § 1º As partes não poderão retirar processo das dependências do Tribunal, exceto por intermédio de advogado regularmente constituído, que poderá fazê-lo pelo prazo de cinco dias, sob a sua responsabilidade, na forma e nas condições definidas em ato normativo.” Assim, para que a parte possa retirar os autos do processo das dependências do Tribunal, deve, necessariamente, constituir advogado. Item ERRADO.

B) A resposta à Consulta, que pode ser realizada pelos Comandantes

das Forças Armadas, constitui prejulgamento da tese, mas não do fato

ou caso concreto.

R. O art. 1º, § 2º, da Lei n. 8.443/1992 assevera que a resposta à consulta constitui prejulgamento da tese, mas não do fato ou caso concreto. Já o art. 264, inciso VII, do Regimento Interno concede competência aos Comandantes das Forças Armadas para realizarem consulta ao Tribunal de Contas da União. Item CORRETO.

7) De acordo com as instruções normativas do TCU – ao qual compete

regulamentar a obrigatoriedade de prestar contas e a forma, a periodicidade e os prazos para fazê-lo -, julgue os itens a seguir:

(Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2002 – CESPE)

A) A abertura de tomada ou prestação de contas especial ocorre unicamente quando se verificar a ocorrência, no âmbito da Administração Pública – direta e indireta -, de desfalque, desvio de bens ou outra irregularidade de que resulte prejuízo à fazenda pública.

R. Vejamos o teor do art. 8º da Lei n. 8.443/1992:

“Art. 8° Diante da omissão no dever de prestar contas, da não comprovação da aplicação dos recursos repassados pela União, na forma prevista no inciso VII do art. 5° desta lei, da ocorrência de desfalque ou desvio de dinheiros, bens ou valores públicos, ou, ainda, da prática de qualquer ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico de que resulte dano ao erário, a autoridade administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária, deverá imediatamente adotar providências com vistas à instauração da tomada de contas especial

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para apuração dos fatos, identificação dos responsáveis e quantificação do dano.” Vê-se, portanto, que não é somente no caso de desfalque, desvio ou outra irregularidade que resulte em prejuízo para a Administração que será obrigatória a instauração de Tomada de Contas Especial. Também será necessário instaurá-la no caso de omissão no dever de prestar contas. Ademais, não existe prestação de contas especial, mesmo para as entidades da Administração Indireta o processo para apurar dano ao erário é a Tomada de Contas Especial (TCE). Item ERRADO.

B) A prestação de contas extraordinária deve ser formalizada quando ocorrer extinção, cisão, fusão, incorporação, transformação, liquidação ou privatização das entidades da Administração Indireta, inclusive das fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público.

R. Para esta questão é necessário entender que prestação de contas extraordinária, no caso dos entes da Administração Indireta, e tomada

de contas extraordinária para os órgãos da Administração Direta, deve

ocorrer quando, por determinados motivos, o órgão ou a entidade tiver

de interromper suas atividades. Os motivos que ensejam a interrupção

das atividades estão previstos no art. no art. 1º, inciso III, da Instrução

Normativa TCU n. 47/2004:

“Art. 1º As tomadas e prestações de contas dos administradores e demais responsáveis abrangidos pelos incisos I, III, IV, V e VI do art. 5º da Lei n. 8.443, de 1992, serão organizadas e apresentadas ao Tribunal

de Contas da União de acordo com as disposições desta Instrução

Normativa.

Parágrafo único. Para os fins do disposto nesta Instrução Normativa, considera-se:

( )

III

– processo de contas extraordinárias: processo de tomada ou de

prestação de contas organizado e apresentado quando da extinção, liquidação, dissolução, transformação, fusão ou incorporação de unidades jurisdicionadas cujos responsáveis estejam alcançados pela obrigação prevista no art. 70, parágrafo único, da Constituição Federal;”. Embora o pré citado dispositivo não aborde a privatização, como dito, quando esta ocorre, ensejará a passagem do ente para a iniciativa privada, devendo os gestores apresentarem as contas relativas ao período que antecede à desestatização, por serem os recursos ali geridos, públicos e de natureza federal. Item CORRETO.

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Sem embargo, cabe trazer à tona as seguintes definições:

i) fusão: operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações (art. 228 da Lei n. 6.404/1976).

ii) cisão: operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu

patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão (art. 229 da Lei n. 6.404/1976).

iii) incorporação: operação pela qual uma ou mais sociedades são

absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (art. 227 da Lei n. 6.404/1976).

iv) transformação: operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro (art. 220 da Lei n. 6.404/1976).

v) liquidação: representa fase posterior à dissolução da companhia,

que pode ocorrer pelos seguintes motivos: de pleno direito como término do prazo previsto ou por decisão judicial como falência – art. 206 da Lei n. 6.404/1976. Assim, uma vez dissolvida, a companhia

passa ao processo de liqüidação, para partilha dos direitos e obrigações envolvidas.

vi) privatização: transferência de ativos ou de ações de empresas

estatais para o setor privado.

C) A tomada de contas, processo formalizado pela contabilidade analítica, contém dados e informações pertinentes aos atos de gestão orçamentária, financeira, patrimonial e operacional e à guarda de bens e valores públicos.

R. Colhe-se da Instrução Normativa n. 47/2004 que processo de contas é o conjunto de documentos e informações, obtidos direta ou indiretamente, que permitam avaliar a conformidade e o desempenho da gestão dos responsáveis por políticas públicas, bens, valores e serviços públicos federais. Do mesmo diploma regulamentador, vem que processo de tomada de contas é aquele relativo à gestão dos responsáveis por unidades jurisdicionadas da administração federal direta. Com efeito, vê-se que a definição ofertada no item é consentânea com as disposições da referida instrução normativa. Os aspectos abordados no item (gestão orçamentária, financeira, patrimonial, operacional e guarda de bens e valores públicos) são avaliados pelo TCU quando da análise das tomadas de contas. Vale ressaltar que o controle interno se pronuncia previamente sobre tais aspectos no exercício de sua missão institucional.

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Item CORRETO.

D) A prestação de contas é o processo formalizado pelo titular da entidade da Administração Indireta, que compreende as autarquias, as fundações instituídas e mantidas pela União, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais empresas controladas – direta ou indiretamente – pela União, bem como as empresas encampadas ou sob intervenção federal, os órgãos e entidades que arrecadam ou gerenciam contribuições parafiscais, de investimentos e de outros fundos, e os órgãos ou entidades administrados sob contrato de gestão.

R. De acordo com o disposto no art. 1, parágrafo único, inciso V da

Instrução Normativa TCU n. 47/2004, prestação de contas é o processo relativo à gestão dos responsáveis por unidades jurisdicionadas da

administração federal indireta e daquelas não classificadas como integrantes da administração direta federal.

Item CORRETO.

E) As contas dos órgãos da Administração Direta e Indireta devem ser encaminhadas ao TCU acompanhadas, dentre outras peças básicas, de relatório e certificado de auditoria emitido pelo controle interno, bem como por parecer de auditoria emitido por auditores independentes.

R. O art. 14, incisos I a IX enumeram as peças que devem compor os

processos de contas. Vejamos:

“Art. 14. Os processos de contas serão compostos das seguintes peças:

I – rol de responsáveis, observado o disposto no capítulo III do título II desta instrução normativa; II – relatório de gestão, emitido pelos responsáveis;

III – demonstrativos contábeis, exigidos pela legislação aplicável e

necessários à gestão orçamentária, financeira e patrimonial;

IV – declaração expressa da respectiva unidade de pessoal de que os

responsáveis a que se refere o inciso I estão em dia com a exigência de

apresentação da declaração de bens e rendas de que trata a Lei

n.

8.730, de 10 de novembro de 1993;

V

– relatórios e pareceres de órgãos e entidades que devam se

pronunciar sobre as contas ou sobre a gestão da unidade jurisdicionada, consoante previsto em lei ou em seus atos constitutivos;

VI – relatório de auditoria de gestão, emitido pelo órgão de controle

interno competente;

VII – certificado de auditoria, emitido pelo órgão de controle interno

competente;.

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VIII – parecer conclusivo do dirigente do órgão de controle interno competente; e IX – pronunciamento expresso do Ministro de Estado supervisor da unidade jurisdicionada ou da autoridade de nível hierárquico equivalente sobre as contas e o parecer do dirigente do órgão de controle interno competente, atestando haver tomado conhecimento das conclusões nele contidas.” Vê-se, portanto, que não há exigência de parecer de auditores independentes. Item ERRADO.

8) Julgue o item abaixo: (Procurador Federal-AGU/2004 – CESPE, com adaptações)

Uma autarquia federal contratou sem licitação, porque assim lhe pareceu conveniente, um advogado de notória especialização para representá-la judicialmente, com exclusividade, em quaisquer processos pelo prazo de cinco anos. O valor dos serviços foi pactuado segundo os preços de mercado. O TCU, entendendo ilegal a contratação, sustou, tão logo dela teve conhecimento, a execução do contrato. Nesse caso, foi correta a atitude do Tribunal de Contas da União.

R. O Tribunal de Contas da União não detém competência para sustar, de imediato, o contrato. Dessa forma, caso se depare com ilegalidade ocorrida no âmbito de contrato administrativo, deve comunicar a ilegalidade ao Congresso Nacional, que adotará as providências necessárias para a sua sustação. Vejamos o que dispõe o § 1° do art. 71 da CF/1988:

“Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

( ) § 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.”.

Embora o dispositivo informe que o Congresso Nacional solicitará, de imediato, ao Poder Executivo a adoção das medidas cabíveis, nem sempre é o Poder Executivo o responsável pelo contrato. Assim, se o contrato ilegal for de responsabilidade do Poder Judiciário a comunicação deve ser dirigida a este Poder, pois, somente o responsável pelo contrato – ou o próprio Poder Judiciário, no uso de sua função judicante – terá competência para anular o contrato ilegal.

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Perceba que neste exemplo, o Poder Judiciário irá anular o ato, mas não o fará utilizando-se de sua função judicante, mas sim estará cumprindo uma determinação do Congresso Nacional no uso de uma competência que deriva do próprio texto constitucional. Noutro giro, o § 2° do art. 71 da CF/1988 apresenta a seguinte redação:

“§ 2º - Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito.”.

a

Cabe indagar, portanto, qual o significado da expressão “

respeito”. A resposta vem do art. 251, §§ 2º, 3° e 4°, do Regimento Interno/TCU:

“Art. 251. Verificada a ilegalidade de ato ou contrato em execução, o

Tribunal assinará prazo de até quinze dias para que o responsável adote

as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, com indicação

expressa dos dispositivos a serem observados, sem prejuízo do disposto

no inciso IV do caput e nos §§ 1º e 2º do artigo anterior. ( )

§ 2º No caso de contrato, o Tribunal, se não atendido, adotará a

providência prevista no inciso III do parágrafo anterior e comunicará o fato ao Congresso Nacional, a quem compete adotar o ato de sustação e solicitar, de imediato, ao Poder Executivo, as medidas cabíveis.

§ 3º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de

noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito da sustação do contrato.

§ 4º Verificada a hipótese do parágrafo anterior, e se decidir sustar o contrato, o Tribunal:

I – determinará ao responsável que, no prazo de quinze dias, adote as medidas necessárias ao cumprimento da decisão;

II – comunicará o decidido ao Congresso Nacional e à autoridade de

nível ministerial competente.”.

decidirá

De tudo que foi exposto, podemos constatar que, se o TCU verificar a ocorrência de ilegalidade em contrato administrativo, o Tribunal somente poderá sustar sua execução se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de 90 dias, não adotar as providências pertinentes. Item ERRADO. Cabem, ainda, as seguintes observações:

a) O Mandado de Segurança n. 23.550/DF foi impetrado perante o Supremo Tribunal Federal contra decisão do TCU que havia determinado ao responsável por órgão público que adotasse os procedimentos necessários para a anulação de certo contrato administrativo. Considerando que havia sido lesado em seu direito, o contratado impetrou o referido mandado de segurança.

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A decisão do Pretório Excelso foi no sentido de que o TCU possuía competência para determinar a anulação do contrato. A Suprema Corte assim entendeu por que a Constituição concedeu competência para a Corte de Contas “assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade” (Inciso IX do art. 71). Assim, quando a Corte de Contas entender que a única forma de conseguir sanar a ilegalidade é por meio da anulação do contrato, pode assinar prazo para que o órgão adote essa providência. Nesse mesmo julgado, o STF entendeu que o TCU só pode determinar que algum órgão adote as medidas necessárias no sentido de anular certo contrato administrativo após conceder ao contratado a oportunidade de ampla defesa e contraditório, pois, uma vez que o contrato pode vir a ser anulado, isto pode redundar em situação desfavorável ao contratado, devendo, portanto, ser-lhe concedido direito de se pronunciar a respeito. Resumindo, o TCU não possui competência para sustar, de imediato, um contrato, somente podendo fazê-lo, se o Congresso Nacional, no prazo de 90 dias não se pronunciar a respeito da sustação. Entretanto, de acordo com o entendimento do STF, o TCU pode, de imediato, desde que concedida ampla defesa e contraditório ao contratado, determinar que a autoridade competente anule o contrato. b) O TCU determinou, cautelarmente, à Companhia das Docas do Estado da Bahia S.A. (CODEBA) que adotasse providências para suspender todos os atos tendentes a culminar na execução de determinado contrato. Irresignado, o Diretor Presidente da CODEBA ingressou com Mandado de Segurança (26.547-DF) no STF para tornar sem efeito a decisão da Corte de Contas. Ao apreciar o caso, o STF decidiu pela validade do provimento cautelar do TCU em julgado assim ementado:

“RELATOR: MIN. CELSO DE MELLO EMENTA: TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. PODER GERAL DE CAUTELA. LEGITIMIDADE. DOUTRINA DOS PODERES IMPLÍCITOS. PRECEDENTE (STF). CONSEQÜENTE POSSIBILIDADE DE O TRIBUNAL DE CONTAS EXPEDIR PROVIMENTOS CAUTELARES, MESMO SEM AUDIÊNCIA DA PARTE CONTRÁRIA, DESDE QUE MEDIANTE DECISÃO FUNDAMENTADA. DELIBERAÇÃO DO TCU, QUE, AO DEFERIR A MEDIDA CAUTELAR, JUSTIFICOU, EXTENSAMENTE, A OUTORGA DESSE PROVIMENTO DE URGÊNCIA. PREOCUPAÇÃO DA CORTE DE CONTAS EM ATENDER, COM TAL CONDUTA, A EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL PERTINENTE À NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES ESTATAIS. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO EM CUJO ÂMBITO TERIAM SIDO OBSERVADAS AS GARANTIAS INERENTES À CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DO “DUE PROCESS OF LAW”. DELIBERAÇÃO FINAL

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DO TCU QUE SE LIMITOU A DETERMINAR, AO DIRETOR-PRESIDENTE DA CODEBA (SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA), A INVALIDAÇÃO DO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO E DO CONTRATO CELEBRADO COM A EMPRESA A QUEM SE ADJUDICOU O OBJETO DA LICITAÇÃO. INTELIGÊNCIA DA NORMA INSCRITA NO ART. 71, INCISO IX, DA CONSTITUIÇÃO. APARENTE OBSERVÂNCIA, PELO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, NO CASO EM EXAME, DO PRECEDENTE QUE O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FIRMOU A RESPEITO DO SENTIDO E DO ALCANCE DESSE PRECEITO CONSTITUCIONAL (MS 23.550/DF, REL. P/ ACÓRDÃO O MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE). INVIABILIDADE DA CONCESSÃO, NO CASO, DA MEDIDA LIMINAR PRETENDIDA, EIS QUE NÃO ATENDIDOS, CUMULATIVAMENTE, OS PRESSUPOSTOS LEGITIMADORES DE SEU DEFERIMENTO. MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA.”. Mediante tal julgado ficou assente a possibilidade de o TCU expedir medida cautelar para impedir a execução de um contrato, sem que tal fato caracterize-se em abuso de poder da Corte de Contas.

9) Julgue os itens abaixo: (ACE TCU/2005 – CESPE)

A) Nos termos da Constituição Federal de 1988, o TCU pode apreciar

contas de governo de autarquia territorial e emitir parecer prévio.

R. O Controle Externo das Autarquias Territoriais será, conforme disposto no art. 33, § 2°, feito com auxílio do Tribunal de Contas da União, o qual competirá emitir parecer prévio sobre as contas do Governo do Território, as quais serão julgadas pelo Congresso Nacional. Veja como a CF/1988 apresenta o assunto:

“Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.

( )

As contas do Governo do Território serão submetidas ao

§

- Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União.”

Item CORRETO.

B) Considere que, instaurada tomada de contas especial em razão de

irregularidades verificadas em obra pública federal, na qual se detectou

a existência de dano ao erário, o TCU constatou que toda a documentação comprobatória da despesa fora destruída por violenta e inevitável inundação provocada por eventos naturais. Diante disso, o Tribunal pode, em decisão terminativa, ordenar o trancamento das contas, considerando-as iliquidáveis. Pode, também, julgar o mérito das

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contas, alguns anos depois, caso estejam presentes os requisitos legais aplicáveis.

R. Decisão Terminativa é a aquela pela qual o TCU ordena o trancamento das contas que forem consideradas iliquidáveis, ou determina o seu arquivamento pela ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo ou por racionalização administrativa e economia processual, nos termos dos arts. 211 a 213 (art. 10, § 3°, da Lei n. 8.443/1992 ou 201, § 1°, do Regimento Interno do TCU). Vejamos o teor do art. 211 do RITCU (art. 20 da LOTCU):

“Art. 211. As contas serão consideradas iliquidáveis quando caso fortuito ou de força maior, comprovadamente alheio à vontade do responsável, tornar materialmente impossível o julgamento de mérito. § 1º Na hipótese prevista neste artigo, o Tribunal ordenará o trancamento das contas e o conseqüente arquivamento do processo.

§ 2º Dentro do prazo de cinco anos contados da publicação, no Diário

Oficial da União, da decisão terminativa a que se refere o § 3º do art.

201, o Tribunal poderá, à vista de novos elementos considerados suficientes, autorizar o desarquivamento do processo e determinar que se ultime a respectiva tomada ou prestação de contas.

§ 3º Transcorrido o prazo referido no parágrafo anterior sem que tenha

havido nova decisão, as contas serão consideradas encerradas, com baixa na responsabilidade do administrador.”. Assim, temos que as contas serão consideradas iliquidáveis quando ocorrer qualquer evento que impeça o Tribunal de chegar a uma conclusão acerca da gestão do responsável. Por exemplo, a inundação de um prédio, em que todos os documentos relacionados à determinada gestão sejam perdidos, é caso de contas iliquidáveis. Entretanto, as contas somente serão consideradas iliquidáveis se os fatos forem alheios à vontade do gestor. Assim, se o próprio gestor colocar fogo em sua repartição, com o objetivo de se livrar de possível julgamento irregular de suas contas, seu ato implicará presunção de má-fé, o que ensejará a sua condenação. Ainda conforme o disposto no § 2º acima, o TCU pode desarquivar os

autos se, no período de cinco anos, forem obtidos elementos que possibilitem o julgamento das contas. Item CORRETO.

C) Nos termos da Lei n. 8.443/1992 (Lei Orgânica do TCU), o TCU tem jurisdição própria e privativa, em todo o território nacional, sobre as pessoas e matérias sujeitas à sua competência e, somente por decisão do TCU, as pessoas abrangidas pela jurisdição do Tribunal podem ser liberadas da responsabilidade de prestar-lhe contas.

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R. De acordo com o art. 6º c/c art. 5º (incisos I a VI) da Lei

n. 8.443/1992, o TCU pode dispensar da obrigação de prestar contas:

a) qualquer pessoa física, órgão ou entidade que utilize, arrecade,

guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou

pelos quais a União responda, ou que, em nome desta assuma obrigações de natureza pecuniária;

b) aqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de

que resulte dano ao erário;

c) os dirigentes ou liquidantes das empresas encampadas ou sob

intervenção ou que de qualquer modo venham a integrar, provisória ou permanentemente, o patrimônio da União ou de outra entidade pública

federal;

d)

os responsáveis pelas contas nacionais das empresas supranacionais

de

cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos

termos do tratado constitutivo;

e) os responsáveis por entidades dotadas de personalidade jurídica de

direito privado que recebam contribuições parafiscais e prestem serviço

de

interesse público ou social; e

f)

todos aqueles que lhe devam prestar contas ou cujos atos estejam

sujeitos à sua fiscalização por expressa disposição de lei. Entretanto, não podem ser dispensados da obrigação de prestar as

devidas contas:

a) os responsáveis pela aplicação de quaisquer recursos repassados pela

União, mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

b) os sucessores dos administradores e responsáveis a que se refere

este artigo, até o limite do valor do patrimônio transferido, nos termos

do

inciso XLV do art. 5º da Constituição Federal; e

c)

os representantes da União ou do Poder Público na assembléia geral

das empresas estatais e sociedades anônimas de cujo capital a União ou

o Poder Público participem, solidariamente, com os membros dos

conselhos fiscal e de administração, pela prática de atos de gestão ruinosa ou liberalidade à custa das respectivas sociedades. Como o item informa que o TCU pode dispensar da obrigação de prestar contas todas as pessoas abrangidas pela sua jurisdição, é falso. Item ERRADO.

D) Considere a seguinte situação hipotética: Assegurada a ampla defesa, o TCU julgou irregulares as contas de Bento, imputou-lhe débito no valor de R$ 100 mil e aplicou-lhe multa proporcional ao débito no valor de R$ 10 mil. Pouco tempo depois, Bento, único responsável, faleceu.

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Nessa situação, os valores correspondentes à multa não mais deverão ser cobrados, embora a quantia relativa ao débito ainda possa ser cobrada, de modo a se promover o ressarcimento integral do dano.

R. Diz o art. 5º, inciso XLV da CF/1988:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer

natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no

País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à

segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

( )

XLV

- nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a

obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser,

nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;”.

A multa aplicada aos gestores públicos federais, por atos ilegais de que

resultam dano ao erário possui caráter de penalidade, sendo personalíssima, não podendo a obrigação de satisfazê-la ser transferida aos herdeiros ou sucessores, nos termos da Constituição

Federal.

Diferente posicionamento tem-se para o dano ao erário. No caso do dano, não há penalidade, mas sim obrigação de ressarcimento de um

débito ocasionado à Administração Pública, fato pelo qual, nos termos do inciso pré citado da CF/1988, haverão os sucessores de reparar o dano, no limite do patrimônio que estes por ventura tenham recebido.

Item CORRETO.

E) Nos termos da lei, caso determinado responsável não acate decisão do TCU que lhe imputou débito, é possível que o Tribunal promova o ressarcimento do erário por outro meio legítimo, além da cobrança judicial da dívida promovida com o auxílio inicial do Ministério Público junto ao Tribunal.

R.

A teor dos arts. 28, 25 e 19, todos da Lei n. 8.443/1992, no caso de

o

responsável ser condenado em débito e não recolher a dívida, pode o

TCU determinar o desconto da mesma nos vencimentos, salários, ou

ainda, nos proventos do respectivo responsável.

Cabe asseverar, que o TCU somente determina o referido desconto caso se trate de servidor público federal.

Item CORRETO.

10) Acerca das disposições da Lei Complementar n. 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) —, julgue o item a seguir: (ACE TCU/2004 – CESPE)

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Os tribunais de contas devem emitir parecer prévio, separadamente, sobre as contas prestadas pelos chefes do Poder Executivo, pelos presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e pelo chefe do Ministério Público. Já sobre as contas dos tribunais de contas, o parecer deve ser proferido pela comissão mista de orçamento ou equivalente das casas legislativas estaduais e municipais.

R. A matéria é tratada no art. 56 da LRF, cujo teor reproduzimos abaixo:

“Art. 56. As contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo incluirão, além das suas próprias, as dos Presidentes dos órgãos dos Poderes

Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, referidos no art. 20, as quais receberão parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas. ( )

§ 2º O parecer sobre as contas dos Tribunais de Contas será proferido

no prazo previsto no art. 57 pela comissão mista permanente referida no § 1o do art. 166 da Constituição ou equivalente das Casas Legislativas estaduais e municipais.” Vê-se, portanto, que o item está CORRETO. Nada obstante, é pertinente mencionar que o STF deferiu medida cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) ajuizada pelo

Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido Socialista Brasileiro (PSB)

e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), suspendendo a eficácia, dentre

outros, dos artigos 56 e 57 daquele diploma legal. Da leitura dos fundamentos utilizados pelo Supremo para deferir a cautelar em questão é possível aduzir que, no entendimento do STF, as contas referidas nos dispositivos contestados (arts. 56 e 57) dizem respeito às contas de gestão dos administradores públicos, que não estariam, assim, sujeitas, apenas à emissão de parecer prévio, mas sim ao julgamento por parte do TCU. Sem adentrar ao mérito da decisão do STF, entendemos que, de forma clara, os arts. 56 e 57 da LRF referem-se, de forma indubitável, às contas de governo, que estão sujeitas apenas à emissão de parecer prévio pelo TCU. Todavia, como a questão em apreço foi cobrada em 2004, antes, portanto, da decisão do STF, que ocorreu em 8/8/2007, o gabarito é

CORRETO.

Para o próximo concurso, basta termos ciência que o TCU, por meio do Acórdão n. 2.248/2007 – Plenário, fixou o entendimento de que, face à medida cautelar exarada pelo STF, para o ano de 2007, as contas de governo somente englobarão as contas do Presidente da República.

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11) Quanto às disposições sobre a fiscalização de atos e contratos, nos termos da Lei Orgânica do TCU, julgue o item a seguir: (ACE TCU/2004 – CESPE) O contrato considerado ilegal só poderá ser sustado pelo TCU se houver permissão expressa do Congresso Nacional ou do Poder Executivo no prazo de noventa dias, contados da comunicação do fato.

R. O ato de sustação de contrato é de competência exclusiva do Congresso Nacional, nos termos do art. 71, § 1º da CF/1988:

“Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

( ) § 1º - No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.” Vê-se, portanto, que ao Poder Executivo não é dado sustar o contrato. Sua participação se resume a adotar as providências com vistas a respectiva sustação, que é de competência do Congresso Nacional. Item ERRADO.

12) Com relação ao nível de acesso do TCU a documentos e informações concernentes à atuação da administração pública e dos responsáveis por valores públicos, julgue o item seguinte: (ACE TCU/2004 – CESPE) Nenhum documento ou informação poderá ser negado ao analista de controle externo em suas atribuições precípuas sob a justificativa de resguardo à segurança nacional ou de ter sido a aplicação de recursos públicos feita por entidades privadas beneficiárias de transferências governamentais.

R. Combinando-se o disposto nos arts. 86 e 87 da Lei n. 8.443/1992, temos que o Analista de Controle Externo, no exercício de suas funções específicas, possui acesso a todos os documentos e informações necessários à realização de seu trabalho. Ainda o art. 42 daquele mesmo diploma legal estabelece que nenhum processo, documento ou informação poderá ser sonegado ao Tribunal em suas inspeções ou auditorias, sob qualquer pretexto. Item CORRETO.

13) Sobre o controle de constitucionalidade exercido pelo Tribunal de Contas da União, pode-se afirmar que: (ACE TCU/2006 – ESAF)

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a) o Tribunal de Contas da União tem legitimidade para entrar com uma

ADIn – Ação Direta de Inconstitucionalidade – no Supremo Tribunal

Federal.

b) o Tribunal de Contas da União, no âmbito de suas atribuições, pode

examinar a constitucionalidade de lei e declará-la inconstitucional, com

o fito de afastá-la de aplicação em um caso concreto.

c) o TCU não pode realizar controle difuso da constitucionalidade de leis.

d) o controle abstrato de constitucionalidade realizado pelo TCU gera

efeitos ex tunc.

e) não cabe controle incidental de constitucionalidade pelo TCU, mesmo

quando examinando aplicação de lei por órgão jurisdicionado.

R. Letra b. O Supremo Tribunal Federal, por meio da súmula 347, entendeu que o Tribunal de Contas da União, no âmbito de sua competência, pode apreciar a constitucionalidade de lei ou de ato do poder público. Essa apreciação ocorre sempre de modo difuso ou incidental. Assim, o TCU, ao deliberar acerca de um processo qualquer, caso esbarre em normativo que possa estar afrontando a Constituição, pode afastar a aplicabilidade daquele dispositivo, a fim de resolver o caso concreto.

Análise dos demais itens:

- Item a: os legitimados a ingressarem com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) no STF são: (art. 103 da Cf/1988)

I - o Presidente da República;

II - a Mesa do Senado Federal;

III - a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do

Distrito Federal;

V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;

VI - o Procurador-Geral da República;

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; e

IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Não há, portanto, legitimidade para que o TCU ingresse com ADIn no

STF. - Item c: como visto, o TCU, ao exercer a competência de analisar a constitucionalidade das leis, o faz em sentido de controle difuso, concreto ou incider tantum, o que torna o item falso.

- Item d: quem realiza controle de constitucionalidade abstrato no

Brasil, no que tange à Constituição Federal, é, exclusivamente, o

Supremo Tribunal Federal.

- Item e: já vimos que o TCU pode realizar controle de

constitucionalidade incidental, o que torna o item falso.

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14) De acordo com a Constituição de 1988, o Tribunal de Contas da União (TCU) teve a sua jurisdição e a sua competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional, exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade e economicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Assim, ao TCU compete, nos termos da Constituição da República e na forma estabelecida na legislação vigente: (Consultor de Orçamentos/2002 – CESPE)

A) proceder por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso Nacional, de suas casas ou de partido político com representação nas duas casas, à fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos poderes da União e de outras entidades da administração direta.

R. O art. 71, inciso IV, da CF/1988 prevê que, ao TCU compete realizar,

por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Não há, portanto, previsão de que partido político, com ou sem representação no Congresso Nacional solicite a realização de fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos poderes da União. Item ERRADO.

B) apreciar para fins de registro, na forma estabelecida no Regimento Interno do TCU, a legalidade de todos os atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, incluídas as melhorias posteriores que alterem o fundamento legal do ato concessório.

R. Não são todos os atos de admissão de pessoal que são apreciados,

para fins de legalidade, pelo TCU. De acordo com o art. 71, inciso III,

excluem-se dessa apreciação os atos que dizem respeito às nomeações para os cargos de provimento em comissão. Item ERRADO.

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C) emitir parecer prévio sobre as contas do governo de território

federal, no prazo de 60 dias, a contar de seu recebimento, na forma

estabelecida no regimento interno.

R. tal competência está estabelecida no art. 1º , inciso VII, da Lei n. 8.443/1992, cujo teor é o que se segue:

“Art. 1° Ao Tribunal de Contas da União, órgão de controle externo, compete, nos termos da Constituição Federal e na forma estabelecida nesta lei:

( ) VII - emitir, nos termos do § 2º do art. 33 da Constituição Federal, parecer prévio sobre as contas do Governo de Território Federal, no prazo de sessenta dias, a contar de seu recebimento, na forma estabelecida no regimento interno;” Vê-se, assim, que o item está CORRETO.

D) decidir sobre denúncia que lhe seja encaminhada por qualquer

cidadão, partido político, ou pessoa jurídica regularmente constituída.

R. A Lei n. 8.443/1992, no art. 53, caput, dispôs que podem apresentar

denúncia ao TCU:

i) qualquer cidadão; ii) partido político; e iii) associação ou sindicato. Não existe, assim, possibilidade de empresa jurídica apresentar denúncia ao TCU. Item ERRADO.

E) regulamentar, no âmbito de sua competência e jurisdição, mediante a expedição de atos e instruções normativas sobre matéria de suas atribuições e sobre a organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade.

R. O art. 3° da LOTCU estabelece que:

“Art. 3° Ao Tribunal de Contas da União, no âmbito de sua competência e jurisdição, assiste o poder regulamentar, podendo, em conseqüência,

expedir atos e instruções normativas sobre matéria de suas atribuições

e sobre a organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade.”.

A Lei Orgânica concedeu ao Tribunal de Contas da União o poder de

regulamentar as matérias que estejam no âmbito de sua competência. Um exemplo da utilização dessa competência foi a expedição da

Instrução Normativa (IN) n. 27/1998, que foi editada para

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regulamentar, no âmbito do TCU, a forma de fiscalização do processos de desestatização. Outro exemplo é a utilização do poder regulamentador, pelo TCU, para informar aos jurisdicionados a maneira como as contas devem ser por eles prestadas. A constituição concede ao TCU a competência para julgar as contas dos administradores, mas em nenhum momento menciona a forma como essas contas devem ser encaminhadas para o Tribunal. Essa normatização cabe ao Tribunal, por meio do poder regulamentador. Importante notar que a parte final do art. 3° da LOTCU estabelece que o poder regulamentador do TCU deve ser respeitado sob pena de responsabilidade. Assim, o gestor que não prestar suas contas na forma disciplinada pelo Tribunal pode vir a ser punido por conta desse fato. Item CORRETO.

15) Julgue o item abaixo: (Analista de Controle Externo TCU 2007 – Cespe):

A) O Tribunal de Contas da União (TCU) aprecia a legalidade do ato concessivo de aposentadoria e, encontrando-se este em conformidade com a lei, procede a seu registro. Essa apreciação é competência exclusiva do TCU e visa ordenar o registro do ato, o que torna definitiva a aposentadoria, nos termos da lei. Entretanto, se, na apreciação do ato, detectar-se ilegalidade, não compete ao TCU cancelar o pagamento da aposentadoria, inclusive para respeitar o princípio da segregação.

R. De acordo com o art. 1 º , inciso V, da Lei n. 8.443/1992, compete ao TCU, apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

Com efeito, cabe ao TCU, tão somente apreciar se o ato é legal, não havendo previsão de, naquela função (de apreciação do ato), mandar cancelar um pagamento, porventura, ilegal.

Caso detecte a ilegalidade, o TCU negará registro ao ato e determinará ao órgão competente que adote as providências para o cancelamento do pagamento da verba considerada ilegal.

Item Correto.

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LISTA DE QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

(Consultor da Câmara dos Deputados do ano de 2002 – CESPE):

O presidente do Tribunal de Contas da União, Humberto Souto, vai fazer um levantamento dos órgãos públicos que deixaram de publicar o relatório de gestão fiscal do ano passado até o dia 30 de janeiro. O relatório é exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. A pena para o administrador público que não publica o relatório, inclusive pela Internet, é uma multa equivalente a 30% de seu salário anual. O governo federal publicou o seu relatório no dia 31 e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ontem. Souto informou, por meio de sua assessoria, que tomará as providências previstas na legislação. A maior parte dos tribunais superiores publicou seus relatórios entre os dias 29 e 30 de janeiro. O Tribunal Superior Eleitoral publicou o seu no dia 31. Ontem, além do STJ, o Diário Oficial da União publicou os relatórios dos tribunais regionais eleitorais do Ceará e do Acre. A Câmara disponibilizou o seu relatório na Internet, mas o Senado não informou se cumpriu a determinação da lei. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, todos os tribunais regionais federais, além dos tribunais eleitorais, do trabalho, militares e tribunais estaduais, têm de publicar relatórios de gestão fiscal. A determinação também vale para os Poderes Executivo e Legislativo estaduais e municipais. Nesses casos, porém, a fiscalização é dos tribunais de contas regionais. Folha de S. Paulo, 3/2/2001 (com adaptações).

1) Acerca da situação acima descrita e das normas pertinentes, julgue

os itens seguintes.

A) Constitui crime de responsabilidade deixar de divulgar ou de enviar

ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal.

B) Conforme as leis de finanças públicas, é admissível que, em algumas

hipóteses, determinados órgãos públicos possam deixar de enviar ao

Tribunal de Contas o relatório de gestão fiscal. C) Na situação descrita no texto, se o Senado Federal tivesse confirmado o não-cumprimento da determinação legal, estaria

caracterizada infração ao princípio da publicidade, cabendo punição com multa de 30% dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal.

D) O presidente do TCU, órgão auxiliar ao Poder Legislativo, não tem

competência ou atribuição para exigir o relatório do administrador público, dependendo de autorização específica de lei.

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E) Na situação tratada no texto, incumbiria a Humberto Souto exigir

relatório dos poderes Executivo e Legislativo estaduais e municipais.

2) Julgue o item abaixo (Auditor do Tribunal de Contas do Distrito

Federal – CESPE/2002):

As disposições da LRF obrigam a União, os estados, o DF e os municípios, e alcançam, nesses entes políticos, o Poder Executivo, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário e o Ministério Público, restando fora de sua abrangência apenas os tribunais de contas, pois são os entes responsáveis pelos controles estabelecidos.

3) As decisões do TCU em processos de tomada ou prestação de contas

estão associadas ao tipo de julgamento das referidas contas. Com base na Lei Orgânica do TCU, julgue os itens a seguir. (Analista de Finanças e

Controle Externo do TCU/1995 – CESPE)

A) A decisão é definitiva quando o Tribunal ordenar o trancamento das

contas, fato que corresponde ao arquivamento definitivo.

B) Decisão preliminar é a que ocorre quando se registram ressalvas, que

requerem a correção de impropriedades ou faltas identificadas.

C) Quando as restrições não apresentarem o risco de voltar a ocorrer, o

Tribunal, por meio de decisão terminativa, dará quitação ao responsável.

D) Quando houver omissão de prestação de contas, serão as mesmas

julgadas irregulares, por decisão definitiva.

E) Sendo o julgamento do mérito materialmente impossível, por falta

involuntária de documentação inutilizada por ocasião de um sinistro, o processo será arquivado, mediante decisão terminativa.

4) Julgue o item abaixo: (Auditor – TCU – CESPE/2002, com alterações)

Nos termos da sua Lei Orgânica (LO/TCU), o TCU tem competência para, em caso de urgência, de fundado receio de grave lesão ao erário ou a direito alheio ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, adotar medida cautelar e determinar a suspensão da concorrência, com ou sem a prévia oitiva das partes.

5) Com relação às competências do Tribunal de Contas da União

previstas em sua Lei Orgânica e em seu Regimento Interno, julgue o

item abaixo: (ACE/1998 – CESPE)

A) Compete ao Tribunal de Contas da União apreciar para fins de

registro a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria, reserva e

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pensão na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

6) julgue os itens abaixo: (Autoria própria)

A) Conforme previsto em seu Regimento Interno, todas as faculdades

processuais, no âmbito do Tribunal de Contas da União, podem ser

executas diretamente pelas partes mesmo que não sejam advogados.

B) A resposta à Consulta, que pode ser realizada pelos Comandantes

das Forças Armadas, constitui prejulgamento da tese, mas não do fato

ou caso concreto.

7) De acordo com as instruções normativas do TCU – ao qual compete

regulamentar a obrigatoriedade de prestar contas e a forma, a periodicidade e os prazos para fazê-lo -, julgue os itens a seguir:

(Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2002 – CESPE)

A) A abertura de tomada ou prestação de contas especial ocorre

unicamente quando se verificar a ocorrência, no âmbito da Administração Pública – direta e indireta -, de desfalque, desvio de bens

ou outra irregularidade de que resulte prejuízo à fazenda pública.

B) A prestação de contas extraordinária deve ser formalizada quando

ocorrer extinção, cisão, fusão, incorporação, transformação, liquidação

ou privatização das entidades da Administração Indireta, inclusive das fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público.

C) A tomada de contas, processo formalizado pela contabilidade

analítica, contém dados e informações pertinentes aos atos de gestão

orçamentária, financeira, patrimonial e operacional e à guarda de bens e valores públicos.

D) A prestação de contas é o processo formalizado pelo titular da

entidade da Administração Indireta, que compreende as autarquias, as fundações instituídas e mantidas pela União, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais empresas controladas – direta

ou indiretamente – pela União, bem como as empresas encampadas ou sob intervenção federal, os órgãos e entidades que arrecadam ou gerenciam contribuições parafiscais, de investimentos e de outros

fundos, e os órgãos ou entidades administrados sob contrato de gestão.

E) As contas dos órgãos da Administração Direta e Indireta devem ser

encaminhadas ao TCU acompanhadas, dentre outras peças básicas, de relatório e certificado de auditoria emitido pelo controle interno, bem como por parecer de auditoria emitido por auditores independentes.

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8) Julgue o item abaixo: (Procurador Federal-AGU/2004 – CESPE, com

adaptações)

Uma autarquia federal contratou sem licitação, porque assim lhe pareceu conveniente, um advogado de notória especialização para representá-la judicialmente, com exclusividade, em quaisquer processos pelo prazo de cinco anos. O valor dos serviços foi pactuado segundo os preços de mercado. O TCU, entendendo ilegal a contratação, sustou, tão logo dela teve conhecimento, a execução do contrato. Nesse caso, foi correta a atitude do Tribunal de Contas da União.

9) Julgue os itens abaixo: (ACE TCU/2005 – CESPE)

A) Nos termos da Constituição Federal de 1988, o TCU pode apreciar

contas de governo de autarquia territorial e emitir parecer prévio.

B) Considere que, instaurada tomada de contas especial em razão de

irregularidades verificadas em obra pública federal, na qual se detectou

a existência de dano ao erário, o TCU constatou que toda a

documentação comprobatória da despesa fora destruída por violenta e inevitável inundação provocada por eventos naturais. Diante disso, o Tribunal pode, em decisão terminativa, ordenar o trancamento das

contas, considerando-as iliquidáveis. Pode, também, julgar o mérito das contas, alguns anos depois, caso estejam presentes os requisitos legais aplicáveis.

C) Nos termos da Lei n. 8.443/1992 (Lei Orgânica do TCU), o TCU tem

jurisdição própria e privativa, em todo o território nacional, sobre as pessoas e matérias sujeitas à sua competência e, somente por decisão

do TCU, as pessoas abrangidas pela jurisdição do Tribunal podem ser

liberadas da responsabilidade de prestar-lhe contas. D) Considere a seguinte situação hipotética: Assegurada a ampla defesa, o TCU julgou irregulares as contas de Bento, imputou-lhe débito

no valor de R$ 100 mil e aplicou-lhe multa proporcional ao débito no

valor de R$ 10 mil. Pouco tempo depois, Bento, único responsável, faleceu. Nessa situação, os valores correspondentes à multa não mais deverão

ser cobrados, embora a quantia relativa ao débito ainda possa ser cobrada, de modo a se promover o ressarcimento integral do dano.

E)

Nos termos da lei, caso determinado responsável não acate decisão

do

TCU que lhe imputou débito, é possível que o Tribunal promova o

ressarcimento do erário por outro meio legítimo, além da cobrança judicial da dívida promovida com o auxílio inicial do Ministério Público

junto ao

Tribunal.

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10) Acerca das disposições da Lei Complementar n. 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) —, julgue o item a seguir: (ACE TCU/2004

– CESPE)

Os tribunais de contas devem emitir parecer prévio, separadamente, sobre as contas prestadas pelos chefes do Poder Executivo, pelos presidentes dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e pelo chefe do Ministério Público. Já sobre as contas dos tribunais de contas, o parecer deve ser proferido pela comissão mista de orçamento ou equivalente das casas legislativas estaduais e municipais.

11) Quanto às disposições sobre a fiscalização de atos e contratos, nos termos da Lei Orgânica do TCU, julgue o item a seguir: (ACE TCU/2004

– CESPE)

O contrato considerado ilegal só poderá ser sustado pelo TCU se houver permissão expressa do Congresso Nacional ou do Poder Executivo no prazo de noventa dias, contados da comunicação do fato.

12) Com relação ao nível de acesso do TCU a documentos e informações concernentes à atuação da administração pública e dos responsáveis por valores públicos, julgue o item seguinte: (ACE TCU/2004 – CESPE) Nenhum documento ou informação poderá ser negado ao analista de controle externo em suas atribuições precípuas sob a justificativa de resguardo à segurança nacional ou de ter sido a aplicação de recursos públicos feita por entidades privadas beneficiárias de transferências governamentais.

13) Sobre o controle de constitucionalidade exercido pelo Tribunal de Contas da União, pode-se afirmar que: (ACE TCU/2006 – ESAF)

a) o Tribunal de Contas da União tem legitimidade para entrar com uma

ADIn – Ação Direta de Inconstitucionalidade – no Supremo Tribunal

Federal.

b) o Tribunal de Contas da União, no âmbito de suas atribuições, pode

examinar a constitucionalidade de lei e declará-la inconstitucional, com

o fito de afastá-la de aplicação em um caso concreto.

c) o TCU não pode realizar controle difuso da constitucionalidade de leis.

d) o controle abstrato de constitucionalidade realizado pelo TCU gera

efeitos ex tunc.

e) não cabe controle incidental de constitucionalidade pelo TCU, mesmo

quando examinando aplicação de lei por órgão jurisdicionado.

14) De acordo com a Constituição de 1988, o Tribunal de Contas da União (TCU) teve a sua jurisdição e a sua competência substancialmente ampliadas. Recebeu poderes para, no auxílio ao Congresso Nacional,

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exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade e economicidade e a fiscalização da aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Assim, ao TCU compete, nos termos da Constituição da República e na forma estabelecida na legislação vigente: (Consultor de Orçamentos/2002 –

CESPE)

A) proceder por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso

Nacional, de suas casas ou de partido político com representação nas duas casas, à fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional

e patrimonial das unidades dos poderes da União e de outras entidades da administração direta.

B) apreciar para fins de registro, na forma estabelecida no Regimento

Interno do TCU, a legalidade de todos os atos de admissão de pessoal, a

qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, incluídas as melhorias posteriores que alterem o fundamento legal do ato concessório.

C) emitir parecer prévio sobre as contas do governo de território

federal, no prazo de 60 dias, a contar de seu recebimento, na forma estabelecida no regimento interno.

D) decidir sobre denúncia que lhe seja encaminhada por qualquer

cidadão, partido político, ou pessoa jurídica regularmente constituída.

E) regulamentar, no âmbito de sua competência e jurisdição, mediante

a expedição de atos e instruções normativas sobre matéria de suas atribuições e sobre a organização dos processos que lhe devam ser submetidos, obrigando ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade.

15) Julgue o item abaixo: (Analista de Controle Externo TCU 2007 –

Cespe):

A) O Tribunal de Contas da União (TCU) aprecia a legalidade do ato

concessivo de aposentadoria e, encontrando-se este em conformidade com a lei, procede a seu registro. Essa apreciação é competência exclusiva do TCU e visa ordenar o registro do ato, o que torna definitiva

a aposentadoria, nos termos da lei. Entretanto, se, na apreciação do

ato, detectar-se ilegalidade, não compete ao TCU cancelar o pagamento da aposentadoria, inclusive para respeitar o princípio da segregação.

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GABARITO

1. a) E

b)

c)

d) E

C

E

2.

3.

4.

5.

6.

7.

e)

E

E

a) E

b)

c)

d)

e)

E

E

E

C

C

E

a)

b)

E

C

a)

b) C

c) C

d) C

e) E

E

8. E

9. a) C

b) C

10.

11.

12.

13.

14.

15.

c)

d)

e)

C

E

C

E

C

C

Letra b

a) E

b)

c) C

d)

E

E

e) C

C

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AULA 01

Olá caros alunos e amigos!

Tudo bem? Espero que sim! Estamos de volta para o nosso segundo encontro – Aula 1. Antes disso, um comentário. Mencionei na aula inicial que meu papel motivacional seria cumprido mediante exposição dos benefícios de se trabalhar no Tribunal. Pois bem! O mais famoso deles é o recesso. Além do gozo das férias anuais (30 dias a serem marcados em qualquer época do ano), todo servidor da Casa tem direito ao recesso, que acontece de 17 de dezembro a 16 de janeiro, anualmente. Na prática, são 60 dias de descanso anuais! Excelente, não? Agora me diga: você conhece outro cargo que ofereça isso? Antes de qualquer comentário, alerto aos curiosos que nos Poderes Judiciário e Legislativo também há recesso, mas não são de 30 dias por ano! Portanto, dediquemo-nos aos estudos, pois o Tribunal está selecionando as melhores cabeças!

Após destinarmos a Aula 0 ao estudo do conceito de controle (parte 0.1) e suas classificações (parte 0.2), retomaremos a linha expositiva com três tópicos do Capítulo 0, que tratam do dever de prestar contas, do controle externo no Brasil e da história do TCU. Em seguida, iniciaremos o Capítulo 1 (Tribunal de Contas da União: natureza, competência e jurisdição), correspondente ao item 2 do conteúdo programático de nossa disciplina.

Preparados? Ao trabalho!

CAPÍTULO 0 – INTRODUÇÃO (CONTINUAÇÃO)

0.3 O DEVER DE PRESTAR CONTAS

Praticamente todos nós já passamos pela situação de administrar recursos de terceiros. Isso pode ocorrer em nossa família, quando somos encarregados de guardar ou zelar por um objeto de algum parente. Pode acontecer também no âmbito profissional, quando somos responsáveis por gerir recursos institucionais (financeiros, humanos, materiais) para, com eles, viabilizar determinado resultado da organização em que trabalhamos.

Ao final da jornada, aquele que delegou a responsabilidade nos chama para prestarmos contas da gestão dos instrumentos que nos foram confiados. Existe a obrigação de apresentar os resultados e comprovar o que fizemos com os recursos alheios. Quando se trata de valores financeiros ou patrimoniais, a coisa toma proporções ainda mais sérias. Precisamos cuidar para que eles não sejam subtraídos, e para que tudo fique bem documentado.

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de

responsabilidade por aquilo que não nos pertence, isto é, por recursos de terceiros.

Dessa

forma,

o

dever

de

prestar

contas

decorre

da

assunção

Em matéria de recursos públicos não é diferente. Sendo coletivos, os valores arrecadados pelo Estado precisam ser gastos na forma (segundo as leis e atos normativos aprovados) e para as finalidades que o povo indicar (consubstanciadas nos programas de governo).

Para demonstrar o bom uso dos recursos públicos perante a sociedade, do mesmo modo que quaisquer recursos de terceiros, deve-se obediência ao instituto da prestação de contas.

Chaves 1 explica o tema no âmbito da gestão pública:

A prestação de contas do administrador público (lato sensu) é a demonstração, perante o Estado e a sociedade, de como foi a aplicação dos recursos públicos que teve sob sua responsabilidade. Espera-se que a aplicação seja boa e regular. O termo “boa” diz respeito aos resultados plenamente satisfatórios alcançados pela gestão e “regular” trata da conformidade entre os meios empregados na aplicação dos recursos e a lei.

E o autor prossegue:

A noção de prestação de contas é amplamente difundida e reconhecida como regra universal. Todo aquele que gerir dinheiro público ou administrar bens ou interesses da comunidade deve prestar contas ao órgão competente para a fiscalização. A obrigação de prestar contas decorre, inexoravelmente, da função de administrar bens e valores públicos, alcançando não somente gestores públicos, mas qualquer pessoa que esteja responsável por esses bens e valores.

No caso da coisa pública, todos os cidadãos são responsáveis por fiscalizá- la. Em tese, qualquer indivíduo pode pedir contas aos agentes públicos. No entanto, o exercício dessa fiscalização por uma sociedade inteira seria complicado, por dois motivos: primeiro, a população é muito grande, o que torna um eventual processo coletivo de controle impraticável; segundo, a máquina administrativa é tão complexa que um cidadão médio não é capaz de entender seu funcionamento.

Apenas para exemplificar, perceba que o estudo para concurso público serve para aprendermos o funcionamento da Administração Pública em linhas gerais. Depois de aprovados, ainda continuamos aprendendo e não conseguimos absorver tudo! Imagine um cidadão típico! Ele teria condições de fiscalizar, com todo o rigor técnico, o funcionamento dos órgãos e entidades do Estado? Obviamente que não!

Para resolver essa questão, a solução política encontrada foi eleger representantes do povo para o exercício do controle. Com isso, a função

1 CHAVES, Francisco Eduardo C. Controle Externo da Gestão Pública. 1ª edição. Niterói: Ed. Impetus. 2007. p. 6.

2

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fisc alizatória

funç ão legisla tiva.

foi confi ada ao Po der Legisl ativo, que também se incumb e da

Funç ões do P o der Legi s lativo Segu ndo a do utrina, o

Funç ões do Po der Legis lativo

Segu ndo a do utrina, o

típica s: a funç ão norma tiva ou l egislativa

norm ativas) e a função fis calizatóri a (fiscaliza ção de ato s praticado s por outro s Poderes, especialm ente os do Executivo) .

(elaboraç ão de esp écies

duas fu nções

Poder Leg islativo d esempenha

conhecime ntos

a Admini stração. D esse mod o, a

incumbid o de

veri ficar a ge stão públi ca e anal isar as pr estações de contas s dos ges tores resp onsáveis, em auxíli o à ativid ade parla mentar de fiscalizaç ão.

saíd a foi cria r um órg ão técnico

Poré m, nem técn icos para

mesmo n ossos pa rlamentar es eleitos

fiscalizar

satisfato riamente

especiali zado em

detêm

controle,

No c aso, é co mo se o P arlament o tivesse

cont role de c unho pol ítico (ex.

Rep ública), e

técn ico-financ eiro, q ue dem andam

mantido c onsigo as atribuiçõe s de

President e da

“delegad o” as fun ções esp ecializada s ao órgã o de con trole

da

julgamen to das c ontas do

conhecim ento

e specífico

Adm inistração

Pública

(ex. jul gamento

das

tom adas e

prestaçõe s de

cont as).

funciona . O povo elege o C hefe do P oder

Em

para

dive rsos agen tes públic os da Ad ministraçã o realizar em os peq uenos ato s de

gest ão. Ao fin al, esses administr adores de vem cont as ao Leg islativo, ti tular

da

soci edade). O

das

Que m exami na as p restações

espe cializado.

órgão té cnico

mecanism o equival e, em últ ima análi se, a

uma prestaçã o de conta s do Esta do à socie dade com o um tod o.

termos a mplos, vej amos com

Exe cutivo par a admini strar a m áquina pú blica. Es se delega

poderes

função fis calizatória , uma v ez que li daram co m recurso s alheios

prestaçõe s de con tas a um

Assim, t odo esse

(da

Parlame nto, poré m, por te r “delega do” a fun ção de an álise

órgão téc nico de c ontrole, n ão as an alisa.

de cont as

é

o

referido

Nes sa linha d e raciocín io, é para garantir a legalida de na ges tão públic a* e

seus

consectá rios lógic os (legiti midade, e conomicid ade, efici ência, efi cácia

etc.)

que ex iste o co ntrole ex terno téc nico-finan ceiro. A

Administr ação

Públ ica arreca da os rec ursos da

sociedade e os ger encia, na

forma de bens

e se rviços pú blicos, par a atingir o interess e coletivo . Como e sse proce sso é

mar cado por normas co mplexas,

tem os que o c ontrole d eve ser in depende nte e aut ônomo.

entraves administr ativos e v ieses polít icos,

*Ge stão Públi ca administra ção da co isa do po v o, envol v

*Ge stão Públi ca

administra ção da co isa do po vo, envolv endo arre cadar, gua rdar, cons ervar e apl icar recurs os, bens e valores pú blicos.

É

a

Para

represent á-la, a CF /88 utiliza,

no parág rafo único

do art. 7 0, os

verb os utiliza r, arreca dar, gua rdar, ge renciar

e

admini strar

(mne mônico: “ GAGAU”).

3

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No c aso brasi leiro, o co ntrole téc nico-finan ceiro está estabele cido no ar t. 70 da C onstituiçã o Federal , enquant o a obriga toriedade de presta ção de co ntas

rest ou insculp ida logo a baixo, no parágrafo

único. V eja:

Art.

patrimoni al da Uni ão e das

quanto à legalidade,

renúncia

controle e xterno, e

70.

A fiscaliz ação cont ábil, finan ceira, orç amentária,

entidades

de receit as, será

operacion al e

da admini stração di reta e ind ireta,

legitimida de, econo micidade, a plicação da s subvenç ões e

exercida p elo Congr esso Naci onal, med iante

pelo sistem a de contr ole interno de cada P oder.

Parágrafo único. Pre stará cont as qualque r pessoa fí sica ou jurí dica, públi ca ou

privada,

e valores públicos o u pelos qu ais a Uniã o responda , ou que, e m nome d esta, assuma o brigações de naturez a pecuniári a.

bens

que utilize,

arrecade,

guarde, ge rencie ou administre dinheiros,

prestação

orde namento jurídico

fisca lizatórias e judican tes do TC U, estabel ecidas no s arts. 71 Mag na, para a lcançar s ua plenitu de.

É n esse artig o que re side o fu ndamento

para a

brasileiro.

Esse dis positivo s e une às

de conta s no competê ncias

e 72 da

Carta

Enc ontramos também

da r esponsabi lidade de prestar co ntas:

no Decret o-Lei n o 2 00/1967

outra dis posição a cerca

Art. 93. Q uem quer que utilize dinheiros públicos te rá de justi ficar seu b om e regular e mprego na conformid ade das lei s, regulam entos e no rmas eman adas das autor idades adm inistrativa s compete ntes.

Além

resp onsabilida de do

adm inistrador o ônus d a prova q uanto à u tilização

que

dev e comprov ar que o responsáv el agiu d e forma il egal, ilegí tima. O g estor

é qu e tem qu e comprov ar que su a gestão foi proba

dinh eiros e v alores a e le confiad os. Assim , não é o

de refo rçar o de ver de pr estar con tas, a nor ma acima

gestor

e m

fazê-l o.

Em

o utras

estabele ce a

pa lavras,

boa e reg ular dos b ens,

do

é

órgão d e controle

e correta.

Pres tação de C ontas: p r incípio s e nsível O de ver de

Pres tação de

Contas: pr incípio se nsível

O de ver de pre star contas é instituto tão impor tante que a Constitui ção o

ofensa jus tifica (CF/88, ar t. 34,

VII, “d”, medi ante repr esentação

nos Muni cípios

(CF/ 88, art. 35,

pera nte o Sup remo Trib unal Fede ral), e do s Estados

do Procu rador-Gera l da Rep ública

a int ervenção d a União no s Estados e no Distri to Federal

inclu i no rol do s princípio s constituci onais sens íveis, cuja

II).

Poré m, cuidado ! Conform e texto c onstitucion al, bem co mo decisã o do

a

STF 2 ,

inter venção nes sas hipóte ses.

os Trib unais de

Contas n ão são le gitimado s a reque rer

Ente ndido o c onceito d e prestaç ão de con tas e sua

técn ico-financ eiro, vam os passa r à análi se do si stema co ntrole ext erno bras ileiro.

relação c om o con trole

2 Adin n o 614 e n o

2.631.

4

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0.4 CONTROLE EXTERNO NO BRASIL

Cada país possui o seu sistema de controle externo. No Brasil, ele encontra previsão constitucional. Os principais trechos da Constituição Federal de 1988 que precisamos conhecer são: arts. 31; 33; 34, VII, d; 35, II; 49, V, IX, X e XIII; 50; 51, II; 52, III, b; 57; 58, §3º; 84, XV e XXIV; 85, V; 102, I, d e q; 105, I, a; 70 a 75, 161, parágrafo único; e art. 235, III, do ADCT .

Vamos explorar os principais dispositivos a partir desse momento. Isso, porém, não afasta a necessidade de estudo, por parte do candidato, da literalidade de todos os dispositivos acima, ok?

O CONTROLE EXTERNO DOS RECURSOS FEDERAIS

Lá na seção de nosso curso que tratou dos conceitos e classificações, aprendemos que controle externo em sentido estrito é aquele que se realiza por agente estranho ao Poder responsável pelo ato controlado e visa a comprovar a probidade da Administração e a regularidade da guarda e do emprego dos bens, valores e dinheiros públicos, bem como a fiel execução do orçamento.

Essa tarefa é conferida pela Constituição Federal a um conjunto de órgãos especializados. Conforme Valdecir Pascoal 3 :

A necessidade de um órgão de controle dos atos de índole administrativo- financeira surge com o próprio desenvolvimento do Estado, sobretudo no Estado em que os bens administrados pertencem à coletividade, ao povo, como é o caso do Estado Republicano. O princípio do controle é, pois, corolário do princípio republicano.

Não obstante todos os mecanismos de controle que possam existir na estrutura de cada Poder e órgãos públicos (controle interno, controle hierárquico, controle supervisional, controle finalístico, autocontrole etc.), faz- se necessário que exista uma instituição autônoma e independente com o objetivo de fiscalizar a atividade financeira do Estado, de fiscalizar a forma como os recursos da coletividade foram e estão sendo aplicados.

Essa instituição, em nível federal, é o Tribunal de Contas da União, órgão de controle externo técnico-financeiro. A CF/88 denomina esse controle externo (estrito senso) de fiscalização contábil, financeira e orçamentária. E destina uma parte exclusiva de seu texto ao tema: Seção IX, inserida no Capítulo I (Do Poder Legislativo) do Título IV (Da organização dos Poderes). O nosso constituinte originário seguiu a idéia de que o controle externo é intrínseco à divisão dos Poderes, pois posicionou o assunto exatamente na parte que trata da organização deles.

Pois bem, na esfera federal, a função de controle externo é de titularidade do Congresso Nacional:

3 PASCOAL, Valdecir. Direito Financeiro e Controle Externo. 5ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier. 2006. p.

117

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Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

O Parlamento exerce o controle externo com o auxílio de uma instituição

especializada, o Tribunal de Contas da União, órgão de fiscalização técnico- financeira, que extrai suas competências diretamente da Constituição Federal de 1988:

Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido

com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: (

)

Preste atenção às palavras do caput do art. 71. Primeiramente, ele nos diz que o controle externo está a cargo do Congresso Nacional – esse órgão é, portanto, o titular da função controle externo. Depois, que essa atividade será exercida com o auxílio do TCU, que possui as competências previstas nos incisos subseqüentes.

O Tribunal detém um leque de competências privativas tão amplo que o

exercício do controle externo da gestão resta muito mais ligado a ele do que ao próprio Parlamento. Dessa forma, não é de se estranhar que a Corte de Contas assuma papel-chave no desenrolar do controle. Isso ocorre em razão de o órgão ocupar-se apenas dessa atividade, enquanto o Legislativo é mais conhecido pela produção de leis, e menos pela atividade fiscalizatória (embora as CPIs tenham bastante repercussão na imprensa nacional).

Essa visão corresponde à realidade, porém, tecnicamente, precisa ser bem clareada. Não devemos jamais confundir quem é o titular da função fiscalizadora, em razão da idéia de separação dos Poderes de Montesquieu, com o órgão especializado que presta apoio ao titular. Assim, o desenho jurídico que temos é:

Titular do Controle Externo federal: Congresso Nacional (CF art. 70);

Órgão técnico (auxiliar especializado): Tribunal de Contas da União (CF art. 71);

Cada órgão possui competências próprias de controle e as exerce na exata medida do previsto na CF. Todavia, há também prerrogativas conjuntas. Ou seja, o controle externo federal prevê:

Funções exercidas isoladamente pelo Congresso Nacional;

Funções exercidas isoladamente pelo Tribunal de Contas da União;

Funções exercidas em conjunto pelo CN e pelo TCU.

Como são muitas as atribuições, as estudaremos em capítulo específico, mais à frente.

O CONTROLE EXTERNO DOS RECURSOS ESTADUAIS, DISTRITAIS E MUNICIPAIS

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Conhecemos como funciona o modelo federal de controle externo. Fica muito mais simples, agora, estudarmos a sistemática aplicável aos níveis estadual, distrital e municipal. Basta aplicarmos a regra da simetria, prevista no art. 75 da CF/88:

Art. 75. As normas estabelecidas nesta seção aplicam-se, no que couber, à organização, composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal, bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.

Parágrafo único. As Constituições estaduais disporão sobre os Tribunais de Contas respectivos, que serão integrados por sete Conselheiros.

A seção em que se insere o art. 75 é a referente à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, ou seja, a que cuida do controle externo técnico financeiro, ou controle externo da gestão pública, como estudamos.

Dessa maneira, se na estrutura da União temos o TCU, no âmbito de um estado-membro teremos o TCE (Tribunal ou Conselho de Contas do Estado 4 ), obrigatoriamente integrado por sete conselheiros. Aqui, uma observação: trata-se de regra diferente da estabelecida para o TCU, cuja composição é de nove Ministros (art. 73).

No mais, as competências dos TCEs devem ser as mesmas estabelecidas pela CF/88 ao TCU, por força do art. 75. Veremos em capítulo próprio que atribuições são essas.

No caso dos municípios, há um artigo específico da CF/88:

Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.

§ 1º - O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.

§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.

§ 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à

disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá

questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.

§ 4º - É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

Repare que o modelo do art. 31 é semelhante ao do art. 70 da CF/88, adequando a estrutura de controle, contudo, à esfera municipal. A única

4 “Tribunais” ou “Conselhos” de Contas são expressões sinônimas.

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distinção reside na previsão do controle interno municipal apenas para o Poder Executivo, enquanto que em âmbito federal a Constituição o prevê para os três Poderes (art. 74).

Esse artigo estabelece um modelo cogente, ou seja, de cumprimento obrigatório por parte das Constituições Estaduais e Leis Orgânicas Municipais.

Também é de se notar que órgão auxiliar de controle técnico-financeiro no âmbito municipal pode ser de três tipos: Tribunal de Contas do Estado, Tribunal de Contas dos Municípios ou Tribunal de Contas do Município.

Tribunal de Contas do Estado (TCE):

É órgão estadual de controle externo, via de regra detendo a competência de fiscalização dos recursos públicos estaduais e municipais. Esse TC fiscaliza as contas do estado e de todos os municípios em seu território. Todos os estados da federação possuem o seu TCE.

Porém, no mesmo estado pode haver um Tribunal de Contas do Estado e um Tribunal de Contas dos Municípios. Nesse caso, a jurisdição é dividida. O TCE fica com o poder de fiscalizar os recursos estaduais tão-somente. E o TC dos Municípios se encarrega de exercer a fiscalização sobre os recursos municipais – de todos os municípios do estado em que se situa.

Tribunal de Contas dos Municípios (TC dos M):

É órgão estadual de controle externo, possuindo a jurisdição sobre a fiscalização dos recursos públicos de todos os municípios de seu estado. A existência de TC dos M não é obrigatória, mas uma faculdade que cada estado tem de criá-lo.

Apenas quatro estados da federação possuem o seu TC dos M: Bahia, Pará, Ceará e Goiás. Em todos os outros, a fiscalização municipal é realizada por órgão estadual (TCE), esse com competência de controle sobre as administrações estaduais e municipais.

Quando existe TCE e TC dos M no mesmo estado, a jurisdição fica dividida entre TCE (Administração estadual) e TC dos M (Administrações municipais).

Tribunal de Contas do Município (TCM):

Algumas municipalidades possuem seus próprios Conselhos de Contas, órgãos da estrutura municipal, com competência para fiscalizar os recursos públicos do seu próprio município. Existem apenas dois no Brasil: TCM de São Paulo-SP e TCM do Rio de Janeiro-RJ.

Esses TCMs foram criados antes da Constituição de 1988, já que a atual Carta Magna vedou a criação de novos Conselhos de Contas Municipais:

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Art. 31 § - É ved ada a criaç ão de Tribu nais, Cons elhos ou ó rgãos de C ontas

Municipai s.

Des se modo,

anti gos ficara m preserv ados, ist o é, os do is criados antes de

nenhum

outro m unicípio p ode criar

seu pró prio TCM . Os

1988. Re pare

que a vedaçã o do § 4º é para a c riação de TCM, e nã o TC dos Ms 5 .

Qua ndo não

existe TC

do própr io municí pio, o co ntrole ext erno pode

ser

leva do a efei to pelo T ribunal d e Contas

do Estad o

ou

pel o

Tribuna l

de

Con tas dos M unicípios.

controle ex terno bra s ileiro é co nseqüênci a dos prin cípios que agri

controle ex terno bras ileiro é co nseqüênci a dos prin cípios

que agri de o prin cípio

fede rativo, po is a previs ão de órg ão estadua l com juri sdição sob re os recur sos munic ipais (TC d os M) imp lica interfe rência esta dual no â mbito muni cipal, em a fronta à a utonomia d a municipa lidade. Ess e assunto já foi

objet o de quest ão de conc urso!

O sis tema de dem ocrático e

republican o. Porém,

percebe-se

(CES PE/TCE-E S2004/C ontrolado r de Recu rsos Públi cos) O sis tema

Constituiç ão Federa l, nas es feras

de c ontrole e xterno, ad otado na

feder al, estadu al e munici pal, é uma

das

uma

unida des federa das.

Gaba rito: ERRA DO

decorrên cia do prin cípio feder ativo,

respeito à

autonomia

vez que g uarda est reita relaç ão com o

Em resumo, n o nível es tadual te mos:

Titular do control e externo estadual : Assemb léia Legisl ativa;

Órgão

auxiliar e specializa do: Tribu nal ou C onselho

de

Conta s do

No

E stado;

Distrito Fe deral:

F ederal;

Titular do contro le extern o distrita l: Câmar a Legislat iva do Di strito

Órgão a uxiliar es pecializad o: Tribuna l de Cont as do Dist rito Feder al;

No n ível muni cipal:

M unicípios ou do Est ado (confo rme o ca so);

Titular do control e externo municip al: Câmar a Municip al;

Órgão

auxiliar e specializa do: Tribu nal de Co ntas do

Município,

dos

Para fins de si mplificaçã o, adotar emos as s eguintes siglas:

Tribuna l de Con tas dos M unicípios

Tribuna l de Cont as do Esta do: TCE;

(órgão e stadual

com juris dição

sobre o s recurso s municipa is): TC d os M;

5 Vid e decisão

Const ituição Feder al só impede a criação de órgão, Tribu nal ou Conse lho de Conta s, pelos muni cípios,

inseri do na estrutu ra destes. N ão proíbe a i nstituição de

com j urisdição so bre as contas flumin ense de 198 9.”

Carta

da

do

STF

na Adi n n o 154/19 91: “A veda ção contida

municipais.

no parágrafo

4 o

do

art.

31

órgão, Tribu nal ou Conse lho, pelos Es tados,

art. 358 da

Constitucion alidade dos p arágrafos do

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Tribunal de Contas do Município (órgão municipal com jurisdição sobre os recursos municipais): TCM.

Em continuidade ao estudo do art. 31, vamos ver os detalhes do § 2º:

§ 2º - O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas

que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.

Assim como na

municípios as contas do Prefeito são submetidas a parecer prévio do órgão competente.

relação ao Presidente da República, nos

União

em

Essa opinião técnica subsidiará o julgamento da prestação de contas do Prefeito pela Câmara Municipal. O órgão competente para emissão do parecer prévio será o:

TCE (se não houver TCM ou TC dos M);

TC dos M (se não houver TCM);

TCM (quando existe TCM: é o caso dos municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo).

Na esferas federal e estadual, o parecer prévio emitido pelo TCU e pelos TCEs não vincula o julgamento das contas pelo Congresso Nacional e Assembléia Legislativa, respectivamente.

Na esfera municipal, todavia, o parecer prévio é considerado quase- vinculante 6 , pois a CF/88 estabelece que ele condicionará o julgamento pela Câmara Municipal, salvo por decisão de maioria qualificada (dois terços) de seus membros.

Assim, suponha que o Tribunal de Contas do Paraná tenha expedido parecer prévio a respeito das contas do Prefeito do município de Londrina 7 , com opinião pela regularidade. Nessa situação, a Câmara Municipal estará condicionada a julgar a prestação de contas do Prefeito regular. Os membros do Legislativo Municipal só conseguirão julgar as contas de modo diverso (regulares com ressalva ou irregulares) caso haja votação, nesse sentido, de dois terços dos vereadores.

Por

estudarmos apenas o § 3º do mesmo art. 31 da CF/88:

fim,

como

o

§

4º (vedação à

criação de TCMs) já foi visto, faltou

§ 3º - As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.

Esse dispositivo consigna um importante mecanismo de controle social da população local sobre a gestão do município. Durante sessenta dias do ano, as contas de cada municipalidade ficarão à disposição de qualquer

6 Ou “semivinculante”.

7 No caso de Estados que não possuem TC dos M, o parecer prévio sobre as contas dos Prefeitos dos municípios integrantes de seu território será emitido pelo Tribunal de Contas do Estado.

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con tribuinte , para ex ame e a preciação, legit imidade.

sujeitas

a questi onamento s de

Lei d e Respon sabilidad e Fiscal Esse Fisca l – LRF ( Lei Compl

Lei d e Respon sabilidade

Fiscal

Esse

Fisca l – LRF ( Lei Compl ementar n o 101/200 0) que, e m seu art . 49,

apresent adas pelo

estab elece que

preceito f oi posterio rmente ala rgado pel a Lei de R esponsabil idade

as contas

chefe do

Poder Exec utivo

ficarã o disponí veis duran te todo

o exercíc io, no re spectivo

Poder