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Escape Gênico e

Pesquisa Impacto Ambiental Foto cedida pelos autores

O caso do milho no Brasil

transformação gêni- emprego de cultivares transgêni-


Aluízio Borém ca tem potencial para cos é o fluxo gênico, isto é, a passa-
Eng. Agrônomo, M.S., Ph.D., Professor da melhorar a produtivi-
Universidade Federal de Viçosa
gem do gene para outras cultivares
borem@ufv.br dade, resistência, qua- da mesma espécie ou para algum
lidade nutricional e parente silvestre e até mesmo para
Magno Antônio Patto Ramalho
Eng. Agrônomo, M.S., D.S., Professor da outras características espécies não aparentadas. A passa-
Universidade Federal de Lavras. das plantas cultivadas. As técnicas gem para parentes silvestres tem
magnoapr@ufla.br
moleculares utilizadas na transfor- recebido maior atenção, porque
mação gênica consistem basicamen- segundo alguns ambientalistas este
te na introdução e integração de fato poderia mudar as proprieda-
pequenos fragmentos de DNA iso- des genéticas das espécies nativas,
lados e clonados a partir de genes com reflexo na biodiversidade.
de outros organismos, no genoma É preciso desde logo, comentar
da espécie receptora. que o fluxo gênico nada mais é que
um processo migratório de
alelos que é encontrado
nos compêndios de genéti-
ca de populações. Como
se sabe, o efeito da migra-
ção entre populações da
mesma espécie depende da
proporção de indivíduos
migrantes e da diferença
nas freqüências do alelo
nas duas populações (Fal-
coner e Mackay, 1996). No
caso dos transgênicos,
como a população recep-
toras não possui ainda o
gene, não é como a transfe-
Apesar dos benefícios eviden- rência de alelos que normalmente
tes das cultivares geneticamente mo- ocorre entre populações. Contudo,
dificadas, a preocupação de que ela pode ser tratada do mesmo
estas possam apresentar algum im- modo. Deve ser salientado também
pacto negativo ao meio ambiente, que genes uma vez introduzidos no
como o escape dos transgenes, tem parente silvestre, poderá por meio
sido alvo de estudos por pesquisa- da recombinação, ser dissemina-
dores em diversas instituições. do. É evidente que a seleção natu-
Um dos argumentos contra o ral, irá atuar e, assim ele só perma-
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Tabela 1: Porcentagem de pólen acumulada provenientes de diferentes distâncias em sete campos de milho Bt em
Ontário.
Porcentagem de pólen acumulada nas distâncias
Campo 0m 1m 10 m 25 m 50 m 100 m

1 46 75 91 97 99 100

2 43 70 88 94 96 100

3 46 73 88 95 96 100

4 47 81 92 96 98 100

5 35 69 88 93 98 100

6 41 76 90 97 98 100

7 38 72 84 96 98 100

Média 43 74 89 95 98 100
Fonte: Eastham e Sweet, 2002

necerá na população se conferir populações de mesma espécie (flu- ção cruzada é inferior a 5%. Como
alguma vantagem seletiva. Em rea- xo gênico vertical). alógamas tem-se o milho, girassol,
lidade o fluxo gênico entre espéci- Considerando o conceito de es- cebola e eucalipto, entre outras, a
es relacionadas, que sobrevivem pécie (Ramalho et al., 2001) não é fecundação cruzada é alta, normal-
em um mesmo ambiente por milha- esperado que ocorram hibridações. mente acima de 90%. Já nas espéci-
res de anos, deve ocorrer com fre- Contudo, em casos esporádicos, es intermediárias como o algodão,
qüência e mesmo assim podem com a interferência do homem ou a taxa de autofecundação é superi-
permanecer com suas proprieda- não, ela pode ocorrer. Foi esse or a 5% das alógamas, mas inferior
des genéticas particulares. Como fenômeno que deu origem a um aos 95% das autógamas.
esse assunto tem sido muito co- grande número de novas espécies,
mentado na atualidade, é impor- entre elas o trigo cultivado Triti- Diferença entre cultivares da
tante que alguns aspectos do fluxo cum aestivum L., o algodão Gosy- mesma espécie. Há diferença en-
gênico sejam discutidos e quando pium hirsutum e várias outras. É tre os cultivares com relação à cor e
necessário adotar medidas para importante salientar, que esses ca- tamanho das flores, atraindo mais
atenuar o seu efeito. O fluxo gênico sos ocorreram a milhares de anos e ou menos polinizadores, e a pro-
pode ocorrer por meio de semente em realidade o fluxo gênico envol- dução de pólen, os quais afetam a
ou por dispersão de pólen. Nessa veu o genoma inteiro, e não apenas taxa de fecundação cruzada. No
publicação a ênfase será a discus- alelos ou genes. milho, por exemplo, há grande di-
são do pólen como veículo do flu- ferença no tamanho do pendão
xo gênico. É também necessário Fatores que Afetam a Dispersão entre cultivares e por conseqüente
salientar que o fluxo gênico pode de Pólen e Conseqüentemente a na produção de pólen.
ser vertical, quando envolve culti- Taxa de Fluxo Gênico A taxa de fecundação cruzada
vares e/ou populações da mesma entre espécies ou entre cultivares
espécie, ou horizontal, quando Tipos de espécie. As espécies da mesma espécie depende da pro-
envolve a hibridação entre espéci- cultivadas diferem na taxa de fe- dução e dispersão de pólen (Ray-
es diferentes, aparentadas ou não. cundação cruzada. Inclusive são bould e Gray 1993). Modelos mate-
Nesse aspecto é preciso ressaltar classificadas em autógamas–quan- máticos têm sido utilizados para
que embora o termo híbrido seja do há predominância de autofe- simular os padrões de dispersão de
utilizado em diferentes conotações, cundação e, alógamas, quando há pólen em milho e outras espécies.
sob ponto de vista, de genética de predominância de fecundação cru-
populações, ele é utilizado quando zada, além das intermediárias. O Caso do Milho
envolve o cruzamento entre espéci- Como espécies autógamas típicas
es. Já a expressão recombinação é pode-se citar, a soja, trigo, feijão, Para se entender o fluxo gênico
restrita para os cruzamentos entre alface cuja freqüência de fecunda- é necessário conhecer informações

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sobre a biologia floral da espécie. Em função de resultados como este, agriculture: relevance for
O milho é uma gramínea monóica, tem sido proposto o isolamento em transgenic crops. Proceedings of
isto é, tem órgão masculino (pen- campos de produção de sementes a symposium held at Keele, UK
dão) e feminino (espiga) separa- de 200 m para se ter 99,9% de 13-21pp. BCPC Symposium
dos, porém na mesma planta. A pureza (Ingram, 2000 e Luna et al., Proceedings No.72. British Crop
inflorescência masculina (pendão) 2001). Protection Council; Farnham;
se localiza na parte terminal do Associando o isolamento espa- UK.
colmo, enquanto as inflorecências cial de 200 a 300 m, com o temporal, Carvalho, N.F.; Frendo, P. Montagu,
femininas (espigas) se localizam isto é, intervalo na semeadura su- M.; e Cornelissen, M.1995. Post-
nas axilas foliares. A quantidade perior a 30 dias, a chance de ocor- transcriptional cosuppression of
de pólen produzida é muito acima rer fluxo gênico vertical, por meio β-1, 3-glucanase genes does not
da necessidade da planta. Há esti- do pólen é nula. affect accumulation of transgene
mativas que para cada óvulo que se nuclear mRNA. The Plant Cell 7:
desenvolve em um grão, a planta Fluxo gênico horizontal 347-358.
produza de 9.000 a 50.000 grãos de para parentes silvestres Department of the Environment.
pólen (Weatherwax, 1955). Depre- por meio do pólen 1994. Genetically modified crops
ende-se então que se for considera- and their wild relatives - A UK
do uma espiga que tenha em média Os parentes silvestres mais pró- perspective. Research Report No.
500 grãos, tem-se cerca de 4,5 a 25 ximos do gênero Zea, pertencem 1.
milhões de grãos de pólen por plan- ao gênero Tripsacum, os quais não Doebley, J.; Stec, A. ; Wendel, J. e
ta (Eastham e Sweet, 2002). se cruzam com o milho. As espécies Edwards, M. 1990. Genetic and
A duração da antese varia entre sexualmente compatíveis com o morphological analysis of a
as cultivares, porém de um modo milho possuem distribuição geo- maize-teosinto F2 population:
geral ela ocorre, em geral, durante gráfica restrita ao México e implications for the origin of
5 a 8 dias. A longevidade do pólen Guatemala e não há relatos de ou- maize. Proc. Natl. Acad. Sci. USA
é variável com as condições ambi- tros parentes sexualmente compa- 87: 9888-9892.
entais, dependendo especialmente tíveis com o milho no Brasil. Por- Eastham, K e Sweet, J. 2002.
da temperatura e umidade relativa tanto, por meios convencionais não Genetically modified organisms
do ar. Há relatos de viabilidade é esperado a ocorrência do fluxo (GMOs): The significance of
após24 horas até alguns dias (Em- gênico horizontal envolvendo o gene flow through pollen
berlin, 1999). Contudo, Luna et al. milho no Brasil. transfer. European Environment
(2001) obtiveram dados que nas Agency. Copenhagen, Germany.
condições de San Jose Del Valle, no Literatura Consultada Emberlin, J., Adams-Groom, B. e
México, não ultrapassou duas ho- Tidmarsh, J. 1999. The dispersal
ras. O conhecimento da longevida- Bateman, A. J. 1947. Contamination of maize (Zea mays) pollen. A
de do pólen é fundamental para se in seed crops - I. Insect report commissioned by the Soil
acessar o fluxo gênico. pollination. J. Genet. 48: 257- Association: National Pollen
O grão de pólen de milho é, 275. Research Unit, University
relativamente, muito grande, em Borém, A. Escape gênico e College Woecester, UK.
média com 90 a 125 µm, e o princi- transgênicos. Rio Branco: Edito- Falconer, D. S., Mackay, T. F. C.
pal veículo de polinização é o ven- ra Suprema. 204 p. 1998. Introduction to quantitative
to. Estudos teóricos apontam que Borém, A. Melhoramento de plan- genetics. 4 ed. Edinburgh:
pelo vento ele pode ser levado até tas. Viçosa: Editora UFV. 3ª edi- Longman Group. 464 p.
alguns kilometros. Contudo, há inú- ção 500 p. Gabriel, W. 1993. Technologically
meros relatos que apontam que a Brubaker, C.L; Brown, A.H.D; modified genes in natural
dispersão do pólen se concentra a Stewart, J.M; Kilby, M.J; e Grace, populations: some sckeptical
poucos metros da fonte. A tabela 9, J.P. 1999. Production of fertile remarks on risk assessment from
mostra a dispersão do pólen em hybrid germplasm with diploid the view of population genetics.
experimentos conduzidos em On- Australian Gossypium species for In: Wohrmann, K. e Tomiuk, J.
tário, utilizando como marcador ge- cotton improvement. Euphytica (eds): Transgenic Organisms:
nético o gene Bt, em sete campos 108: 199-213. Risk Assessment of Deliberate
diferentes (Sears e Stanley-Horn, Burrows, P. 1999. Deliberate release Release. Basel: Birkhause
2000). Observa-se que mais de 96% of genetically modified Verlag. pp. 109-116.
do pólen em todos os campos, si- organisms: the UK regulatory Gliddon, C.; Boudry, P.; e Walker,
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