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Notas Entrevista Rumos Literatura e Crítica Capa Kiko Ferrite Na Ponta da Língua Memória em Revista

Notas

Entrevista

Rumos Literatura e Crítica

Capa

Kiko Ferrite

Notas Entrevista Rumos Literatura e Crítica Capa Kiko Ferrite Na Ponta da Língua Memória em Revista

Notas Entrevista Rumos Literatura e Crítica Capa Kiko Ferrite Na Ponta da Língua Memória em Revista

Na Ponta da Língua

Memória em Revista

Entre Livros

Criação

Turismo

Teoria Literária

Romance Gaveta de Guardados Poesia Dossiê Do Leitor outubro/99 - 1 Bernardo Ajzenberg/Folha Imagem
Romance
Gaveta de Guardados
Poesia
Dossiê
Do Leitor
outubro/99 -
1
Bernardo Ajzenberg/Folha Imagem
Diretor-presidente Diretora executiva Vice-presidente de negócios Diretor de marketing Editor e jornalista responsável Editor-assistente Diagramação e

Diretor-presidente

Diretora executiva

Vice-presidente de negócios

Diretor de marketing

Diretor-presidente Diretora executiva Vice-presidente de negócios Diretor de marketing Editor e jornalista responsável Editor-assistente Diagramação e

Editor e jornalista responsável

Editor-assistente

Diagramação e arte

Revisão

Colunistas

Colaboradores

Capa

Produção editorial

Produção gráfica

Fotolitos

Circulação e assinaturas

Departamento comercial

Distribuição em bancas

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Departamento financeiro

ISSN 1414-7076

Diretor-presidente Diretora executiva Vice-presidente de negócios Diretor de marketing Editor e jornalista responsável Editor-assistente Diagramação e

AO

LEITOR

AO LEITOR Manuel da Costa Pinto
   
 

Manuel da Costa Pinto

Reprodução
Reprodução

Miguel Ángel Asturias

Homenagem a Antonio Candido

Reprodução Miguel Ángel Asturias Homenagem a Antonio Candido Renato Chauí/Divulgação Maupassant no teatro Nabuco e

Renato Chauí/Divulgação
Renato Chauí/Divulgação

Maupassant no teatro

Nabuco e Rui Barbosa

Nau – Estudos da Linguagem

Prêmio Ignácio de Loyola Brandão

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março/99 -

Bernardo Ajzenberg/Folha Imagem
Bernardo Ajzenberg/Folha Imagem

4 - outubro/99
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outubro/99 - 5
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6 - outubro/99
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- outubro/99

Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Schwartz Schwartz editor-adjunto do caderno “Mais!”, da

Adriano Schwartz

Adriano

Adriano Schwartz

Adriano

Adriano

Schwartz

Schwartz

Schwartz

editor-adjunto do caderno “Mais!”, da Folha de S.Paulo

Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Schwartz Schwartz editor-adjunto do caderno “Mais!”, da

Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Adriano Adriano Schwartz Schwartz Schwartz editor-adjunto do caderno “Mais!”, da

outubro/99 - 7
outubro/99 -
7
Marcelo Coelho 8 - outubro/99

Marcelo Coelho

No quarto ensaio da série Rumos Literatura e Crítica, o sociólogo e colunista da Folha de
No quarto ensaio da série Rumos
Literatura e Crítica, o sociólogo e
colunista da Folha de S. Paulo
Marcelo Coelho reflete sobre a
atual dissociação entre notícia e
crítica nos cadernos culturais,
reflexo da crise de parâmetros de
avaliação estética, acarretada pelo
predomínio mundial do mercado
no âmbito da cultura
Evelson de Freitas/Folha Imagem

Reprodução

Reprodução 10 - outubro/99

Rumos Literatura e Crítica é constituído por uma série de conferências, oficinas e grupos de discussão, fazendo parte do projeto Rumos – um programa de ações permanentes do Itaú Cultural, com objetivo de promover a renovação da produção artística e estimular valores emergentes em diversas vertentes da atividade criativa. Rumos Literatura e Crítica é uma iniciativa voltada especificamente para a discussão do papel da crítica de arte e cultura no Brasil, com ênfase naquela veiculada pela imprensa, incentivando jovens para a iniciação à crítica. As con- ferências compõem os módulos O Estado da Crítica (com Jacques Leenhardt e Gerd Bornheim) e Visões Críticas (com Benedito Nunes, Marcelo Coelho, Eugênio Bucci e Lucia Santaella). Versão sintetizada de cada uma das seis conferências está sendo publicada mensalmente na CULT desde julho passado. Os textos na íntegra terão publi- cação especial do Itaú Cultural, que poderá ser solicitada pelo e-mail educar@itaucultural.org.br. Já as oficinas foram agrupadas no módulo Iniciação à Crítica e aconteceram no mês de julho, dando origem a grupos de discussão que vão se reunir até outubro. Rumos Literatura e Crítica tem consultoria da professora Maria Helena Martins. Informações no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149, São Paulo, CEP 01311-000, e-mail: instituto@itaucultural.org.br, site na Internet: www.itaucultural.org.br, tel. 011/238-1700, fax 238-1720).

Marcelo Coelho Marcelo Marcelo Marcelo Coelho Marcelo Coelho Coelho Coelho
Marcelo Coelho
Marcelo
Marcelo
Marcelo Coelho
Marcelo Coelho
Coelho
Coelho

membro do Conselho Editorial do jornal Folha de S. Paulo e professor de jornalismo cultural nas Faculdades Cásper Líbero, é formado em ciências sociais pela USP e mestre em sociologia; autor de Noturno (Iluminuras), Jantando com Melvin (Imago) e Trivial variado (Revan), entre outros

Plínio Marcos

O andarilho da corda bamba

capa 12 - outubro/99
capa
12
- outubro/99

José Paulo Lanyi

Fotos Kiko Ferrite

Um dos maiores dramaturgos brasileiros ao lado de Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, o enfant terrible da baixada santista, foi estivador, funileiro, jogador de futebol, palhaço de circo e ator. Leitor de Dostoiévski, Castañeda e Jorge Amado, identificado com Jack London e Ernest Hemingway, o autor de Navalha na carne lança o livro de contos O truque dos espelhos, autodenomina-se um escritor analfabeto e cultiva o “direito sagrado de coçar o saco”.

P

outubro/99 - 13
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14 - outubro/99
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outubro/99 - 15

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nem só de ilusão vive o circo

Contos de O truque dos espelhos, novo livro de Plínio Marcos, retratam os “pequenos artistas de circo” com quem o autor conviveu e compõem um microcosmo de relações humanas em desfile cinematográfico

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José José José José José Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Lanyi Lanyi Lanyi Lanyi Lanyi
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Lanyi
Lanyi
Lanyi
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O truque dos espelhos

Plínio Marcos Una Editoria págs. 114 – R$ 15,00

outubro/99 - 17

outubro/99 - 17
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Os
Os

Os espelhos

espelhos dede Plínio

Plínio Marcos

Marcos

Leia a seguir os trechos iniciais

dos três contos que compõem

o novo livro do escritor:

“O truque dos espelhos”,

“Os filhos do vento” e

“O homem do caminho”

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- setembro/99
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Principais obras de Plínio Marcos

As obras teatrais e em prosa de Plínio Marcos foram editadas e reeditadas por diversas editoras, em diferentes épocas. Por isso transcrevemos a seguir, sem indicação de data ou editora, os títulos de seus principais textos – a maioria deles disponíveis nas livrarias:

Teatro

• Barrela • Dois perdidos numa noite suja • Navalha na carne • O abajur lilás • Homens de papel

• Jornada de um imbecil até o entendimento • Quando as máquinas param • Jesus homem • Balada de um palhaço • Madame Blavatsky • O assassinato do anão do caralho grande (novela e peça teatral)

Prosa

• Querô, uma reportagem maldita • Na Barra do Catimbó • Prisioneiro de uma canção • Histórias das quebradas do mundaréu • Figurinha difícil – Pornografando e subvertendo • Inútil pranto pelos anjos caídos (textos poéticos)

Principais obras de Plínio Marcos As obras teatrais e em prosa de Plínio Marcos foram editadas
José José José José José Paulo Paulo Paulo Paulo Paulo Lanyi Lanyi Lanyi Lanyi Lanyi jornalista
José
José
José
José
José Paulo
Paulo
Paulo
Paulo
Paulo Lanyi
Lanyi
Lanyi
Lanyi
Lanyi
jornalista e escritor
outubro/99 - 19

Sangue na

20 - outubro/99
20
- outubro/99

embaixada

Marcos Cesana

embaixada Marcos Cesana Marcos Cesana Marcos Cesana Marcos Cesana Marcos Marcos Cesana Cesana jornalista, roteirista e

Marcos Cesana

Marcos Cesana

Marcos Cesana

Marcos

Marcos

Cesana

Cesana

jornalista, roteirista e dramaturgo

Trecho

outubro/99 - outubro/99 - 21 21
outubro/99 -
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o sentido da leitura joão alexandre barbosa In praise of antiheroes , livro do crítico Victor

o sentido

o sentido da leitura joão alexandre barbosa In praise of antiheroes , livro do crítico Victor

da leitura

o sentido da leitura joão alexandre barbosa In praise of antiheroes , livro do crítico Victor

joão alexandre barbosa

In praise of antiheroes, livro do crítico Victor Brombert recém-lançado nos EUA, investiga a tradição de personagens anti-heróicos criados por autores como Büchner, Gogol, Dostoiévski, Camus e Primo Levi, que incorporam à estrutura de suas obras uma anti-retórica contraposta às figurações do herói clássico

A

26 - outubro/99
26
- outubro/99

João Leite
João Leite

outubro/99 - 27
outubro/99 - 27

João Alexandre Barbosa é um dos maiores críticos literários do país, autor de A metáfora
João Alexandre Barbosa é um dos maiores críticos literários do país, autor de A metáfora crítica
João Alexandre Barbosa é um dos maiores críticos
literários do país, autor de A metáfora crítica e As ilusões
da modernidade (pela editora Perspectiva), A imitação
da forma e Opus 60 (Livraria Duas Cidades), A leitura do
intervalo (Iluminuras) e A biblioteca imaginária (Ateliê
Editorial). Professor de teoria literária e literatura compara-
da, foi presidente da Edusp, diretor da Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas e Pró-reitor de Cultura
da USP. João Alexandre Barbosa assina mensalmente esta
seção da CULT, cujo título foi extraído de sua mais recente
antologia de ensaios, publicada pela Ateliê Editorial.
Juan Esteves
28 - outubro/99
28
- outubro/99

outubro/99 - 29 agosto/99 - 29
outubro/99 - 29 agosto/99 - 29
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outubro/99 - 29
agosto/99 -
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No fim de sua vida, o imperador foi tomado por uma grande tristeza. A imperatriz tinha
No fim de sua vida, o imperador foi tomado por
uma grande tristeza. A imperatriz tinha morrido há
muito e não lhe tinha dado filhos. Com a idade,
suas tentativas galantes se tornaram esforços tão
esgotantes que deles desistiu. Assim foi ficando sem
herdeiros. Até aí, sempre tinha se consolado pois
acreditava que os espelhos e a paternidade são
abomináveis porque multiplicam e divulgam nossa
lassante inexatidão. Porém, agora que a morte
estava próxima, uma outra narrativa lhe voltava.
Devia tê-la lido na juventude, quando ainda
hesitava entre as viagens aleatórias e as obrigações
do poder. Era a história de um príncipe valente que
poderia ter chegado feliz à velhice, cercado de
filhos e netos robustos, mas que preferiu morrer
jovem, nos tumultos da guerra, para que um velho
poeta cego escrevesse à glória do seu nome (do
qual o imperador não se lembrava).
Tomado de vertigem pela idéia que não deixaria
nada depois dele e que seu reino desértico e
superpovoado lhe sobreviveria com indiferença, o
imperador desejou salvar sua memória. Ordenou
aos cortesãos que partissem em busca de um poeta.
Decerto, sabia que não tinha escolhido a velhice
contra a morte gloriosa e, também, que o jovem
príncipe tinha engendrado um filho (segundo o que
deduzem os filólogos de um outro poema talvez
de outro poeta). Mas, quando chegou do Sul o
poeta com olhos mortos, o imperador esperou que
Às vezes, à noite, antes da aurora sem pássaros que
precede um novo incêndio, quando a intolerável
lucidez da insônia aguça o ouvido, ainda se ouve
o eco de seu galope.
E ninguém sabe se o imperador enfim morreu nem
se o poeta ainda escreve. A biblioteca de Ale-
xandria foi a primeira a queimar. Um detetive
italiano do nosso século pretende que a segunda
foi incendiada seguindo as ordens do poeta que,
com a idade, se tornou intransigente e colérico. Um
adolescente estudioso (ou atrasado?), que
adormeceu em cima de suas anotações, derrubou
sua lâmpada sobre os livros e botou fogo aos
tesouros da terceira; pereceu, assim, o colégio onde
se formaram vários notáveis mineiros e em cujas
ruínas irmãos salesianos – que ainda executam o
rito do Segredo mesmo que não o saibam –
instalaram uma pousada familiar. As quatro
bibliotecas restantes também estão em ruínas. Mas
a narrativa de sua grandiosa calcinação não chegou
até nós. Talvez um dos mensageiros, providen-
cialmente, tenha se perdido e retome, agora, sua
corrida? E certamente você logo ouvirá a esplên-
dida batida dos seus punhos na porta. E a criança
que escrevia as palavras do poeta? Hoje, quem
sabe, ela caminha na areia, a boca cheia de pedras,
e recita versos em farrapos. O mar apaga o rastro
de seus pés ágeis.
a coisa produzida por sugestão, o objeto eduzido
pela esperança prevaleceria sobre a realidade que,
aliás, só desejava ceder.
Ninguém sabe o que contou ao poeta nem o que
este ditava, à noite, à criança que o guiava. Cada
manhã, os cortesãos buscavam respeitosamente o
pergaminho coberto de tinta fresca; sete escribas,
famosos por sua caligrafia luminosa, recopiavam
durante o dia os versos da noite; e, ao anoitecer, sete
mensageiros, com o símbolo do sol no peito,
tomavam as folhas sagradas, montavam seus corcéis
cor de lua e as levavam aos confins do império, ali
onde se erguem as ruínas das sete bibliotecas.
PS.: Não sou o primeiro autor da narrativa O“
imperador moribundo e as sete bibliotecas”. Um
jornalista, que conhecia uma outra versão, me
pediu a minha. Sairá num jornal que você folheia
no café. Mais tarde, o moço japonês embrulhará
os mamões nas folhas impressas. E tu, menina,
minha flor, minha alegria e minha morte, vai à feira,
compra a fruta, corta o mamão em suas metades
sensuais; não esqueça de tirar as sementes: são
amargas. Come a carne cor de poente, joga a casca
e o jornal no lixo: assim não restará Nada, nem
mesmo a lembrança do teu riso.
30 30 - agosto/99 - outubro/99
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Sem título, objeto de Joseph Cornell Caetano Waldrigues Galindo outubro/99 - outubro/99 - 31 31

Sem título, objeto de Joseph Cornell

Sem título, objeto de Joseph Cornell Caetano Waldrigues Galindo outubro/99 - outubro/99 - 31 31

Caetano Waldrigues Galindo

outubro/99 - outubro/99 - 31 31
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A revista CULT publica mensalmente a seção CRIAÇÃO – um espaço destinado a poemas, contos e textos literários inéditos. Os originais – contendo no máximo 150 linhas de 70 caracteres – serão avaliados e selecionados pela equipe da revista CULT. Os trabalhos e os dados biográficos do autor (incluindo endereço e telefone para contato) podem ser enviados via e-mail ou pelo correio (neste caso, os originais impressos devem obrigatoriamente ser acompanhados pelo texto em disquete, gravado no formato Word). O endereço da revista CULT é Rua Rui Barbosa, 70, São Paulo, SP, CEP 01326-010, e-mail: lemospl@netpoint.com.br

32 - outubro/99
32
- outubro/99

Caetano Waldrigues Galindo

nasceu em Curitiba (PR) em 1973; professor auxiliar do Departamento de Lingüística da Universidade Federal do Paraná (UFPR), desenvolve tese de mestrado em línguas românicas na mesma universidade

outubro/99 - 33
outubro/99 - 33

maquinações florentinas

A cidade de Florença está marcada pela convivência entre Leonardo Da Vinci e Nicolau Maquiavel, que resultou em um projeto fracassado de retificação do curso do rio Arno, cujo objetivo era evitar as sucessivas enchentes e criar uma estratégia de defesa militar para a cidade toscana

José Guilherme Rodrigues Ferreira

José Guilherme Rodrigues Ferreira

Na foto maior, Santa Maria del Fiore, a catedral de Florença. Acima, o rio Arno com a Ponte Vecchio ao centro

maquinações florentinas A cidade de Florença está marcada pela convivência entre Leonardo Da Vinci e Nicolau

outubro/99 - 35
outubro/99 - 35
Nicolau Maquiavel Esboço de máquina escavadeira idealizada por Leonardo Leonardo Da Vinci Mapa da cidade de
Nicolau
Maquiavel
Esboço de máquina escavadeira idealizada por Leonardo
Leonardo Da Vinci
Mapa da cidade de Ímola, feito por Leonardo

36 - outubro/99
36
- outubro/99

Cenas da enchente de 1966: a água toma conta da Galleria dell ’ Academia (com o

Cenas da enchente de 1966: a água toma conta da Galleria dellAcademia (com o David, de Michelangelo); restauradores recuperam manuscritos iluminados; a estátua de S. João Batista recebe um banho de talco; os arredores da igreja Santa Croce (com a estátua de Dante) dominados pela lama.

Cenas da enchente de 1966: a água toma conta da Galleria dell ’ Academia (com o

José Guilherme Rodrigues Ferreira

José Guilherme

José Guilherme

José

José

Guilherme Rodrigues

Guilherme

Rodrigues

Rodrigues Ferreira

Rodrigues Ferreira

Ferreira

Ferreira

é jornalista, subeditor de “Geral” no Jornal da Tarde

Da Vinci e Maquiavel,

um sonho renascentista

Roger Masters

tradução de Maria Luiza

X. de A. Borges

Jorge Zahar Editor

262 págs. – R$ 27,00 outubro/99 - 37
262 págs. – R$ 27,00
outubro/99 - 37

MODERNIDADE E BARBÁRIE

Fabio Weintraub

Em Altas literaturas, Leyla Perrone-Moisés afirma que o projeto da modernidade não se esgotou e utiliza a obra de “autores-críticos” como Pound, Eliot, Borges, Butor, Calvino e Haroldo de Campos para combater os reducionismos ideológicos dos estudos culturais e a indigência criativa da indústria cultural

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Éric B./Divulgação

Altas literaturas

Leyla Perrone-Moisés

Companhia das Letras

240 págs. – R$ 23,50

outubro/99 - 41
outubro/99 - 41

Haroldo de

Campos

Juan Esteves
Juan Esteves

Ezra Pound

Reprodução
Reprodução

Octavio

Paz

Rafael Doniz/Divulgação
Rafael Doniz/Divulgação

Michel Butor

Reprodução
Reprodução

Octavio Paz Rafael Doniz/Divulgação Michel Butor Reprodução Fabio Weintraub Fabio Weintraub Fabio Weintraub Fabio Fabio Weintraub

Fabio Weintraub

Fabio Weintraub

Fabio Weintraub

Fabio

Fabio

Weintraub

Weintraub

poeta e editor,

autor de Sistema de Erros

(Arte Pau Brasil)

44 - outubro/99
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outubro/99 - 45
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48 - outubro/99 Priscila Figueiredo Priscila Priscila Priscila Priscila Figueiredo Figueiredo Figueiredo Figueiredo graduada em
48 - outubro/99 Priscila Figueiredo Priscila Priscila Priscila Priscila Figueiredo Figueiredo Figueiredo Figueiredo graduada em

48 - outubro/99
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48 - outubro/99 Priscila Figueiredo Priscila Priscila Priscila Priscila Figueiredo Figueiredo Figueiredo Figueiredo graduada em

Priscila Figueiredo

Priscila

Priscila

Priscila

Priscila

Figueiredo

Figueiredo

Figueiredo

Figueiredo

graduada em língua e literatura alemã e mestranda em

literatura brasileira na USP

* Para facilitar a exposição, traduzi alguns

versos e o poema “Die Gauner- und Gano-

verweise”. A tradução de Claudia Cavalcanti

me pareceu “eufemística” sob vários aspectos,

tornando a expressão mais abstrata, pulve-

rizando as obsessões de Celan e atenuando a

violência de algumas metáforas. Um verso

como “Wenn die Schweigsame kommt und die

Tulpen köpft” (“Quando vem a silenciosa e

degola as tulipas”) ganha interpretação mais

amena: “Quando vem a taciturna e poda as

tulipas”. O verbo “podar” tem acepção negativa

quando se aplica aos homens, mas, no reino

vegetal, significa apenas a possibilidade de mais

crescimento. A imagem da árvore decapitada

é um Leitmotiv em Celan. Do mesmo modo,

um verso como “…ich stell die Aschenblume/

ins Glas voll reifer Schwärze…” (“…ponho a flor

de cinzas/ no copo cheio de preto maduro”),

de “Estou sozinho”, perde em concretude

quando traduzido para “arrumo a flor de cinzas/

no vaso cheio de maduro negrume”, em que

desaparece a privação de um humilde copo

combinada à fertilidade e à materialidade de

um “preto maduro”. A cor também se torna

menos palpável num verso de “Fuga sobre a

morte”: “Schwarze Milch der Frühe” (“Leite preto

da madrugada”) se transforma em “Leite-breu

d’aurora”, numa dicção inopinadamente parna-

siana. Decisões como essas se multiplicam na

coletânea.

POESIA

E

PROSA

 
Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos

Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos

Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos
Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos
Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos
Luz teimosa , fotografia de Fernando Lemos

de Portugal

vias

e
e

Roupa lisboeta, imagem do fotógrafo Fernando Lemos

Antologia da poesia portuguesa

contemporânea

– Um panorama

Org. de Alberto da Costa e Silva

e Alexei Bueno

Lacerda Editores

468 págs. – R$ 40,00

52 - outubro/99
52
- outubro/99

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i

o

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Jorge Henrique Bastos

Jorge Henrique Bastos

A Antologia da poesia portuguesa contemporânea,

organizada por Alberto da Costa e Silva e por Alexei Bueno,

permite compreender a trajetória da poética lusitana na

segunda metade deste século.

Leia ainda neste “Dossiê” um panorama da

prosa portuguesa contemporânea, textos inéditos do poeta

Herberto Helder, uma entrevista com Helder Macedo e

perfis de Luisa Costa Gomes e Nuno Júdice.

Última Hora

Última Hora Última Hora Da esquerda para a direita, Miguel Torga e Adolfo Casais Monteiro 54

Última Hora

Da esquerda para a direita, Miguel Torga e Adolfo Casais Monteiro
Da esquerda
para a direita,
Miguel Torga e
Adolfo Casais Monteiro

54 - outubro/99
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Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen fotografados por Fernando Lemos
Jorge de Sena
e Sophia de Mello Breyner
Andresen fotografados por
Fernando Lemos
Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen fotografados por Fernando Lemos Jorge Henrique Jorge

Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen fotografados por Fernando Lemos Jorge Henrique Jorge

Jorge Henrique

Jorge Henrique

Jorge

Jorge

Jorge

Henrique Bastos

Henrique Bastos

Henrique

Bastos

Bastos

Bastos

poeta e jornalista brasileiro radicado em Portugal,

é autor de A idade do sol (Fenda Edições, Lisboa) e colaborador do semanário Expresso outubro/99
é autor de A idade do sol
(Fenda Edições, Lisboa)
e colaborador do semanário Expresso
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A GRAMÁTICA CRUEL DE Assírio & Alvim
A GRAMÁTICA CRUEL DE
Assírio & Alvim

HERBERTO HELDER

Jorge Henrique Bastos

56 - outubro/99
56
- outubro/99

O poeta nascido na Ilha da Madeira

realizou uma desarticulação de toda

a tradição da poesia portuguesa, substituindo

a dispersão da escrita surrealista por uma

voz encantatória que ocupa hoje um lugar

central na literatura de seu país

O poeta nascido na Ilha da Madeira realizou uma desarticulação de toda a tradição da poesia
outubro/99 - 57
outubro/99 - 57
Leia a seguir dois textos inéditos do poeta português Herberto Helder, autor dos livros As magias
Leia a seguir dois textos inéditos do poeta
português Herberto Helder, autor dos
livros As magias e Do mundo , entre outros
“A ordem ininterrupta das
Assírio & Alvim

58
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Herberto Helder

“A soberana escrita das coisas”

magias”

Herberto Helder “A soberana escrita das coisas” magias” Os originais dos textos de Herberto Helder acima

Os originais dos textos de Herberto Helder acima

publicados não têm título; os títulos entre aspas foram

extraídos do corpo dos textos pela equipe da revista CULT.

outubro/99 - 59
outubro/99 - 59

A poesia culta de

NUNO

JÚDICE

O escritor nascido no Algarve tem

uma produção poética que oscila entre

uma dicção reflexiva e afinidades com

o universo do barroco

Armindo Trevisan

60 - outubro/99
60
- outubro/99
Revista Ler
Revista Ler

Revista Ler Armindo TTTTTrevisan Armindo Armindo Armindo Armindo revisan revisan revisan revisan escritor, autor de Canto

Armindo TTTTTrevisan

Armindo

Armindo

Armindo

Armindo

revisan

revisan

revisan

revisan

escritor, autor de Canto das criaturas e

Os olhos da noite, e ensaísta, autor de

Reflexões sobre a poesia e Como apreciar a arte

(todos pela editora Uniprom), entre outros outubro/99 - 61
(todos pela editora Uniprom), entre outros
outubro/99 - 61

O surto da ficção

O surto da ficção

e a capitulação

e a capitulação

da crítica

da crítica

Retrato realizado pelo fotógrafo português Fernando Lemos 62 62 - outubro/99 - outubro/99
Retrato realizado
pelo fotógrafo português
Fernando Lemos
62
62
- outubro/99
- outubro/99

Abel Barros Baptista

Na década de 80, a ficção portuguesa viu surgir

uma constelação de autores que deram continuidade

à vocação experimental e à exploração dos limites da

escrita romanesca, mas acabou por gerar um clima

de euforia e complacência contrário ao caráter

autocrítico desse gênero literário, que assim foi diluído

na proliferação indiscriminada de romances

outubro/99 - outubro/99 - 63 63
outubro/99 -
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Revista Ler
Revista Ler

Lídia

Jorge

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José Cardoso

Pires

Revista Ler
Revista Ler

outubro/99 - outubro/99 - 65 65
outubro/99 -
outubro/99 - 65
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Eder Chiodetto/Folha Imagem
Eder Chiodetto/Folha Imagem

Agustina

Bessa-Luís

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66
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- outubro/99