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Dê uma atividade a seu filho

QUANDO ELE NÃO TIVER O QUE FAZER

601 sugestões de jogos e brinquedos para bebês e crianças de um a cinco anos Elaboradas e testadas pela equipe de The Boston Children's Medicai Center e Elizabeth M. Gregg Ilustrações de MARC SIMONT

Tradução de JANDYRA WATERS

1976

INTRODUÇÃO ESTE LIVRINHO é mais do que um manual de sugestões para distrair crian- ças. Revela também profunda compreensão do comportamento infantil e da ma- neira pela qual as crianças se desenvolvem e aprendem. A partir da primeira infância, os autores demarcam tanto os limites como

os potenciais de cada idade até os cinco anos. Interessam-se sempre pelos atos

e pelas idéias das crianças e encarecem o fato de que o aspecto mais importante do brinquedo não é encontrá-lo pronto, mas jazê-lo. Este livrinho não ensina a fazer coisas, embora muitos dos brinquedos su-

geridos incluam a maneira de jazê-los. Ê uma abordagem do ato de brincar, que se incorpora à dinâmica do desenvolvimento infantil. A necessidade que a criança sente de explorar o meio ambiente é compreendida, e sustenta-se o seu direito de testar, experimentar e indagar sem que sua liberdade seja tolhida por regras. O livro procura valorizar, no brinquedo, os elementos psicologicamente construtivos que o observador superficial tende às vezes a desprezar, tachando- os de caóticos ou irrelevantes. Os autores proporcionam aos pais a ajuda necessária para que disponham o ambiente de maneira que a criança que começa a andar, impelida a mover-se

e a descobrir seu próprio corpo em relação ao espaço que o cerca, possa testar

sua capacidade física e desenvolver a consciência de si mesma. Os pais encon- trarão aqui sugestões que lhes permitirão proporcionar a seus filho(a)s as ex-

periências sensoriais altamente necessárias ao desenvolvimento da consciência

e das reações da criança em relação ao mundo que a cerca. Ela pode não utili-

zar o material da maneira funcional ou prática por que o fará mais tarde, mas a

sua confusão tem um objetivo e pode ser um passo rumo a outros importantes aprendizados: construção de vocabulário, autoconfiança, alegria de conhecer. Há também jogos de imaginação com objetos em miniatura, brinquedos ou bonecas para as primeiras aventuras da criança no que virá a ser o seu mundo social. Ã medida que ela cresce e adquire habilidades, aprende a manejar o material e a criar reproduções de tudo o que vê o adulto manusear e jazer. Equiparar a atividade ao estágio de desenvolvimento constituiu a preocupação primordial dos autores.

O livro é, num certo sentido, um excelente compêndio sobre o desenvolvi- mento infantil, tanto quanto um manual de sugestões úteis aos pais que desejem enriquecer os brinquedos de seus filhinhos e a própria vida diária de seus lares. EVELYN GOODENOUGH PlTCHER Presidente. Departamento Eliol-Pearson de Estudos Infantis Universidade Tufts Medford, Massachuselts

Dê uma atividade a seu filho

quando ele não tiver o que fazer

CAPÍTULO I

Que fazer quando seu filho não tem o que fazer

QUAL A MÃE que nunca se defrontou com um rostinho infeliz (ou vários) voltado para ela a declarar-lhe em tom positivo: "Não temos nada para fazer, mamãe, não temos nada para fazer". Na maioria das vezes a queixa atinge o tom da mais alta pre-mência na- queles dias em que tudo o mais está atrapalhado. Chove a cântaros lá fora. Ma- mãe está com todo o seu trabalho atrasado, o jantar ainda por planejar e prepa- rar. Há o cansaço e a tensão pré-menstrual, e para onde quer que ela se volte, esbarra com uma criança entediada. Este livrinho foi feito tendo em mira justamente dias como esses. As crian- ças, especialmente as que ainda se encontram em idade pré-escolar, possuem uma espécie de radar emocional que lhes permite pressentir a indisposição da mãe, e irão a todos os extremos para se manterem no centro de sua atenção — até vê-la com toda a sua energia e todas as suas idéias esgotadas. Às vezes, entretanto, a queixa de que não há nada para fazer chega no mo- mento em que mamãe está cheia de disposição, em pleno apogeu de sua capaci- dade imaginativa e de sua inspiração inventiva. Por isso, à medida que este livro ia sendo feito, acrescentamos-lhe sugestões de brinquedos para dias mais alegres quando as mães dispõem de um pouco de tempo extra para fazer alguma coisa com seus filho(a)s. Em benefício das mães, escolhemos idéias práticas, de realização simples e que, em geral, não exigem ajuda ou atenção exclusiva. As mães não são profes- soras de jardins-de-infância e nem podem pretender sê-lo; têm mais que fazer além de brincar com os filhos. A maioria dos brinquedos descritos neste livro pode ser feita com material de uso diário geralmente disponível em qualquer casa e de custo mínimo ou nulo. Pois de que valeriam sugestões de brinquedos que obrigassem a mãe a largar tudo para ir comprar materiais especiais fora?

Tendo em mira, antes de mais nada, o desenvolvimento da criança, selecio- namos idéias o mais possível condizentes com o que se conhece sobre as neces- sidades e interesses particulares de diferentes idades. Especialistas em psicologia infantil parecem, hoje, estar concentrando suas pesquisas no início da primeira infância, especialmente no primeiro ano de vida, e dentro de pouco tempo vire- mos a conhecer muito mais do que hoje conhecemos sobre como as criancinhas aprendem, como se desenvolvem mentalmente e o que mais as interessa. Esta- remos, então, aptos a acrescentar novas sugestões lúdicas a este livro. Entre- mentes, de acordo com os nossos atuais conhecimentos do desenvolvimento in- fantil, ainda que longe de serem completos, basta que sejamos absolutamente específicos sobre certos pontos. Neste volume tentamos fornecer respostas concretas a várias questões im- portantes: Que é que acalma um bebê? Que é que o interessa? Quando é que ele começa a agarrar objetos e a deixá-los cair? Quando é que as crianças param de atirar ao chão os blocos dos brinquedos de armar e começam a construir com eles? Em que idade reinar com areia e barro lhes é proveitoso e por quê? Em que idade uma criança adquire coordenação suficiente para usar tesouras com pontas rombudas? Até bem pouco tempo, achava-se que os bebês não sabiam brincar. Supu- nha-se que o que fazia um bebê feliz era apenas receber alimento, afago e tran- qüilidade. Hoje, porém, estudos sobre a primeira infância demonstram que os bebês estão sempre ávidos por brincar e aprendem rapidamente através do tato, da vista e do ouvido. Essas atividades sensoriais são a sua maneira de brincar. Seus brinquedos são simples, porém nem por isso menos importantes. Pesquisas parecem confirmar a velha idéia de que a primeira infância é o período de maior aprendizado.

O reconhecimento de que o aprendizado começa no berço, todavia, não

exige que bombardeemos criancinhas de dois anos de idade com primeiras no- ções de ensino escolar ou procuremos verificar quanto dos nossos conhecimen- tos adultos poderemos incutir-lhes à força e o mais cedo possível. O modo pelo qual uma criancinha aprende e sobre o qual ainda temos muito a descobrir, é di- ferente. Sua lógica não é a lógica de um adulto, sua ordem não é a ordem de um adulto, e ela deve ter a liberdade de aprender à sua própria maneira. Para algu- mas pessoas, certas sugestões de brinquedos contidas neste livro talvez pareçam tolas: rasgar papel, espadanar água ou bater latas vazias ao chão. Fazer é a ma- neira das crianças realizarem experiências com o seu mundo. Não é importante

para elas produzir algo no sentido adulto. Elas precisam ter oportunidade de usar

o seu próprio e singular impulso de domínio e de criação.

A criança pequena, provavelmente, prefere brinquedos caseiros como ca-

necas e panelas, latas e embalagens plásticas vazias, de leite e outros alimentos,

a brinquedos comprados. Esses objetos fazem parte de sua vida diária e ela an-

seia por poder segurá-los e fazer experiências com eles. De mais a mais, vê ma-

mãe usá-los e quer usá-los também. "Nas experiências diárias da criança", diz Jean Piaget, o psicólogo suíço, "repousam as origens da curiosidade". Os movimentos sem rumo de um bebê e as atividades aparentemente sem objetivo de uma criança são os seus primeiros métodos de aprendizado. Um bebê que contempla um mobile está fazendo uma exploração visual. Uma crian- ça de dois anos que rasga papéis, além de estar desenvolvendo a sua coordena- ção manual, está testando seu domínio sobre o meio ambiente e satisfazendo a sua curiosidade a respeito de materiais. Que queremos significar quando dize- mos que um adulto é criativo? Apenas que o seu trabalho exibe a aplicação de uma inventividade incomum e uma incomum curiosidade. Há nisso um certo sentido lúdico. O significado de um quintal, dos bolinhos de barro, das toscas construções feitas com caixas vazias ou outros refugos domésticos não é muito diferente do significado do laboratório de um físico, do estúdio de um artista ou da mesa de desenho de um arquiteto. Quem quer que tenha observado de perto uma criança brincar, reconhece

logo estar presenciando um árduo trabalho. Brincar é o trabalho da criança, e ela

o faz com seriedade. O garotinho que mal sabe andar se põe a cavoucar a terra

dura com uma colher de metal, raspando e esburacando o chão até que a colher bata numa grande pedra. Ele pode levar uma hora cavando ao redor da pedra com a sua colherinha ou pode pegar a colher de pedreiro do jardim e resolver seu problema em cinco minutos. Basicamente, sua tarefa é a mesma com que os adultos se defrontam na solução de um problema. Eles têm que resolver seus problemas num mundo mais complexo, mas os fundamentos da abordagem e do domínio dos problemas muitas vezes repousam nos problemas da infância. A criança quando brinca aprende pouco a pouco o que é o mundo — o que

é molhado, o que é seco, o que machuca, o que pode ser erguido ou empurrado

para um lado, o que faz as coisas andar e parar, permanecer unidas ou separadas,

e quais as tarefas que exigem solicitação de ajuda externa. Ela experimenta tate-

ando, cheirando, provando, derrubando, chutando, fazendo desordens e obser- vando. Brincar é também uma excelente válvula de escape para sentimentos confusos e excesso de energia. Nos jogos com outros companheiros, a criança se defronta com a raiva e a agressão, mas também com o riso e o senso de integra- ção. Brincando, a criança enfrenta muitas das tarefas cruciantes da vida. Tanto quanto seu primeiro relacionamento com a família, suas primeiras experiências lúdicas, particularmente seu senso de divertimento, determinarão as suas atitu- des no decorrer da vida. Todas as sugestões de brinquedos contidas neste livro foram checadas para efeito de segurança pelos membros da equipe do Hospital Infantil de Boston. No hospital temos uma célebre coleção de objetos retirados de estômagos ou gar- gantas de criancinhas, alfinetes de gancho, botões, pregos, grampos de cabelos, amendoins, ganchos de pendurar xícaras, berloques — e uma série de distintivos de campanhas políticas desde Roosevelt até Johnson. Os nossos médicos, ao

checar a lista de materiais de brinquedo, tiveram sempre em mente a hipótese de acidentes. O lar mais seguro, entretanto, oferece riscos potenciais e não pode ser or- ganizado de maneira realmente segura por mais que isso fosse desejável. En- quanto as crianças crescem, devem aprender gradualmente a viver com os riscos da vida cotidiana. Um dos piores perigos do brinquedo é que as criancinhas le- vam coisas à boca. Se for uma esponja, está tudo bem. Mas se for uma tachinha ou um vidro de esmalte de unhas, cuidado! Nos capítulos destinados a crianças de três, quatro e cinco anos, usamos feijões, botões, macarrão cru e outros pe- quenos objetos perigosos para crianças que ainda mastigam tudo o que encon- tram. Mas a maioria das crianças de quatro anos não se interessa mais por levar coisas à boca e pode brincar com elas sem nenhum risco. Você saberá se seu fi- lho(a) tem ou não condições seguras de brincar com tais objetos. Se não se sentir segura, consulte seu médico.

QUANDO E COMO ESCOLHER O QUE FAZER

Se o dia do "não temos nada que fazer" chegar quando você estiver exausta e totalmente a zero em matéria de idéias (ou de paciência), considere, antes de mais nada, sua própria capacidade. Se empreender um projeto que pareça estar além de suas forças, é quase certo que seus filhos tampouco irão achá-lo muito divertido. Talvez você não esteja disposta a fazer coisa alguma; nesse caso po- deria preparar um sanduíche bem nutritivo para cada um deles e ligar a televi- são. Você se recostará, então, num sofá próximo e descansará com as pernas na altura do corpo. Esqueça o preparo do jantar (mas certifique-se de que seus fi- lho(a)s estão seguros e de que, de onde você está, poderá vigiá-los). Por mais útil que seja a televisão, especialmente perto da hora do jantar, não lhe recomendamos usá-la em demasia. A maioria dos programas infantis de televisão ainda não são suficientemente bons (alguns são realmente maus) e, ainda que o fossem, a televisão não ajuda a criança a dominar suas próprias ap- tidões. Há aqui muitas idéias e sugestões de brinquedos que permitirão a seus fi- lhos, uma vez que você os inicie, a divertirem-se felizes por longo tempo e sozi- nhos. Uma criança de três ou quatro anos pode brincar sem nenhum risco num cômodo próximo com um tabuleiro de cozinha cheio de fubá ou farinha de man- dioca, à guisa de areia, ou enfiando carreteis vazios num barbante. Não precisará vigiá-la muito de perto. No apêndice, sob o cabeçalho "Boas idéias para quando mamãe estiver indisposta", você encontrará uma relação de outras sugestões se- guras que não exigem supervisão direta. Ao escolher uma sugestão de brinquedo, leve em conta também o estado de espírito de seu filho. Ele está cansado? Está super-excitado? Está se sentindo desorientado, ou apenas entediado? No apêndice já citado você encontrará outra relação de "Boas idéias para uma criança indisposta". Encontrará aí algumas su-

gestões tanto para a criança doente ou cansada, como para aquela que está preci- sando extravasar o excesso de energia. É bom lembrar que quando uma criança (ou um adulto) está doente ou cansada, gosta de retroceder a brinquedos ou dis- trações mais simples, próprias de uma idade anterior. Não lhe dê nada que possa cansá-la. É útil, também, seguir a orientação das professoras das escolas maternais, alternando períodos de brinquedos calmos e ativos. Depois de um desenho a lá- pis de cor que exige grande concentração e controle dos músculos da mão e da vista, deixe seu filho(a) empenhar-se numa boa guerra de bolas de jornal amar- rotado. Uma partida de pegador seria ótima para seguir-se a algum trabalho de agulha sobre cartões perfurados. Muitas mães perguntam como impedir que seus filhos lutem ou façam es- tripulias durante aquela última hora tão difícil que precede o jantar, sem ter que recorrer constantemente à televisão. Jogos de cartas ou de tabuleiros conduzem quase que inevitavelmente a brigas nessa hora, quando as crianças já estão por demais cansadas para sujeitar-se a regras ou regulamentos. Algumas sugestões seriam: modelagem com barro ou massinha própria, colagem, alguns livros de gravuras previamente separados para esses momentos, um saco de pequenos blocos de papelão, bichinhos de plástico ou bonecas de material barato e inque- brável. Em qualquer caso, escolha alguma coisa tranqüila que a criança possa fazer sozinha sem a ajuda ou participação de seus irmãos. O convívio pacífico e amistoso entre irmãos raramente ocorre nesse período anterior ao jantar. Mas um pouco de distração nesse instante crítico do dia pode operar milagres. Embora tenhamos tentado, neste livro, relacionar idéias e sugestões de brinquedos de acordo com as diversas faixas de idade, isso se tornou difícil pelo fato de não haver duas crianças que se desenvolvam exatamente no mesmo ritmo. Algumas adquirem hábitos de higiene mais cedo, outras mais tarde. Al- gumas crianças de dois anos adquirem coordenação manual e visual bem cedo, outras são especialmente dotadas para música, umas param de levar objetos à boca aos dois anos, outras só o conseguem aos cinco. Você conhece seu filho e sabe de que é que ele gosta. Se encontrar um jogo ou brinquedo indicado para crianças de quatro anos que possa atrair o seu garotinho de dois anos ou se ele gostar de alguma atividade indicada na parte relativa aos bebês, deixe-o exercê- la à vontade — se não envolver nenhum risco. Mas, acima de tudo, não se preo- cupe se seu filho(a) de três anos se divertir mais com os brinquedos próprios de bebês que estão começando a andar. Ele tem muito tempo para aprender. Qual- quer pressão só poderá frustrá-lo ou desencorajá-lo. O segredo de uma brincadeira bem sucedida está na escolha da atividade que melhor se adapte às suas necessidades e às de seu filho no momento. Brin- car com água na pia da cozinha, por exemplo, é uma boa atividade quando, de qualquer forma, você tiver que ficar trabalhando na cozinha. Uma ida ao super- mercado ou à florista pode ser divertida num dia em que você quer sair de casa e esquecê-la.

Por outro lado, se estiver chovendo e seu filho(a) acabou de levar um tom- bo e arranhar o joelho e ainda por cima estiver resfriado e implicando com os irmãos, talvez não queira fazer coisa alguma. Talvez queira apenas sentar-se no seu colo para que você converse um pouquinho com ele. Às vezes uma canção também ajuda.

HORA DE COMEÇAR E HORA DE PARAR

Quase todas as crianças precisam de ajuda para começar uma brincadeira, mesmo que se trate de algo que já conheçam e possam brincar sozinhas. Depois que o material estiver selecionado, brinque com seu filho durante quatro ou cin- co minutos para ajudá-lo a ganhar interesse. Não fique debruçada por cima dele, mas bebês podem regurgitar um pouco se forem muito sacudidos depois da ma- mada, mas o valor da brincadeira ultrapassa de longe perda tão insignificante. Na realidade, o período próximo ao banho e às refeições pode ser especialmente bom para brincar. Nem é necessário levar o bebezinho a passear todos os dias. Se você estiver com disposição para sair e quiser levar o bebê consigo, não deixe de fazê-lo, mas ele não se prejudicará em nada ficando em casa. Nem todas as sugestões de brinquedos que se seguem são novas. Muitas têm sido transmitidas de mães a mães através dos séculos, mas todas elas são baseadas em pesquisas científicas no tocante ao que um bebê aprende. Escolha uma atividade que lhe pareça adaptar-se melhor a você e ao seu bebê em qual- quer momento particular. Se o seu bebê demonstrar claramente que não a apre- ciou, tente outra coisa; o mesmo critério vale para você tanto quanto possível — faça o que vocês dois gostam de fazer e quando ambos estiverem dispostos a fazê-lo.

ATÉ OS TRÊS MESES

Tato: O sentido do tato num bebê é altamente desenvolvido e ele pode aprender mais tocando as coisas e sendo tocado do que de qualquer outra forma. Se seu bebê gosta de ser carregado, não há nada como a cadeira de balanço. Movimento e contato aliam-se ao conforto, tanto para as mães como para os bebês. Se você apoiar o bebê ao seu ombro enquanto o balança, ele poderá gos- tar de explorar o seu rosto com os dedinhos quando crescer um pouco mais. Se o carregar nos braços ou o puser no colo, ele lhe agarrará o dedo que você colocar dentro da mãozinha dele. (Os bebês desde que nascem sabem agarrar. Trata-se de um reflexo inato e não de uma ação consciente da parte dele.) Quando ele estiver acordado, leve-o com você de cômodo em cômodo (veja Bebê-Conforto), de modo que ele a possa ver e ouvir enquanto você tra- balha. Existem hoje assentos reclináveis levíssimos, de plástico moldado, com cinto de segurança e um suporte metálico móvel posterior, que servem para car-

regar confortavelmente a criança desde os primeiros meses de vida, permitindo- lhe também ficar sentada em qualquer lugar da casa, sem risco de queda. Esse assento substitui o colo da mãe nas horas de trabalho, facilita a tomada da papi- nha e dá aos bebês uma perspectiva mais ampla das coisas que os cercam, coisas que não podiam ver deitados no fundo de um carrinho ou de um berço. Mantenha-se em contato com o seu bebê através de vários sentidos: vista, audição e tato. Para acalmar uma criança que chora, enrole-a (de modo bem firme) da cintura para baixo num cueiro ou cobertor. Deixe os bracinhos livres. O efeito calmante desse tipo de enrolamento é conhecidíssimo de povos de outras cultu- ras que mantêm seus bebês envoltos em mantas e cueiros grande parte do tempo. Eles sentem que isso dá à criança uma sensação de estar firmemente segura nos braços da mãe. Outro modo de acalmar uma criança que chora é uma variação do método de enrolamento: ponha a mão com muita firmeza sobre o estômago da criança ou segure delicadamente um dos seus bracinhos ou de suas perninhas. Isso parece ter um efeito tranqüilizador especialmente se a criança estiver assus- tada.

Ouvido: Desde que nascem, os bebês são sensíveis aos sons, especialmente aos de alta freqüência. Ao banhar, vestir ou alimentar seu filho(a), cante, canta- role ou assobie uma canção do seu agrado. Se desafinar algumas notas o bebê não notará. Você jamais encontrará ouvinte mais fácil de agradar! Para ele, ne- nhuma voz gravada saindo de uma máquina poderá jamais substituir o canto de sua mamãe. Os bebês parecem capazes de ouvir melhor sons agudos e, em geral, rea- gem mais rapidamente à voz feminina do que à masculina. Talvez por esse mo- tivo a gente use um tom de voz mais fino para conversar com bebês. Todavia, a voz masculina ou uma mistura de sons graves, tais como os de uma orquestra, parecem ser mais calmantes e mais eficazes para embalar o sono de uma criança. Quando você não estiver com seu filho(a), o leve tique-taque de um relógio próximo ao berço ou um rádio tocando música suave podem confortá-lo. Alguns sininhos pendurados junto à janela, onde a brisa os faça soar, podem produzir um efeito altamente tranqüilizador. Vista: Um bebezinho novo passa a maior parte do tempo deitado. Seus olhos focalizam constantemente o teto, as partes altas das paredes e os lados do bercinho. Você pode tornar essas áreas vazias mais interessantes pendurando posters e gravuras nas paredes, mobiles coloridos no teto e amarrando tiras de plástico colorido nas grades do berço. Cores vivas que contrastem com o fundo parecem ser melhores. Os vermelhos fortes e os amarelos vivos parecem ser es- pecialmente atraentes. Mobiles de berço: Não receie que seu filho(a) agarre algumas dessas coisas e as leve à boca. Só fará isso quando estiver próximo dos três meses. Mas colo- que os enfeites a uma altura em que não esbarrem no bebê se ele se virar. Ar- ranje uma varinha de bambu ou de qualquer outro material e fixe-a de través so-

bre as grades do berço. Com fita adesiva ou um barbante, amarre nela algumas destas coisas:

- Bijuterias velhas.

- Pedaços de papel de alumínio amarrotados.

- Colheres de plástico colorido.

- Pedaços de papel de cores vivas cortados em espirais, quadrados ou círculos.

- Tiras de panos coloridos. Um cabide de arame amarrado a um cordão e preso ao teto, se nele houver um ponto de fixação, também poderá servir como uma espécie de varal para pendurar alguns dos objetos acima indicados. Mais distrações: Os bebês, em geral, gostam de olhar para luzes. Se o seu filho(a) estiver irrequieto, coloque uma lâmpada acesa (com um abajur) num lugar em que ele possa vê-la sem prejudicar a vista. Ou ponha um pequeno vaso de vidro colorido ou um copo sobre o peitoril da janela de modo que o sol se reflita nele. Mudar uma criancinha agitada para outro quarto às vezes tranqüiliza, proporcionando-lhe coisas novas para olhar. Assentos reclináveis: Os bebês gostam de ver outras crianças brincar ou as mães trabalhar nas tarefas domésticas. Vale a pena gastar alguns cruzeiros na compra de um assento plástico (Bebê--Conforto) que permitirá ao bebê partici- par da atividade da família. Por ser muito leve, esse tipo de assento tornará muito fácil para você levar o bebê de um cômodo para outro, e ele também po- derá ver tudo sem forçar a espinha e a cabeça. (Certifique-se de que o cinto de segurança está bem afivelado para que ele não caia.) Se colocar o assento de plástico sobre a mesa da cozinha, a cama ou o sofá, verifique se ficou bem no centro para evitar o risco de, a um movimento do bebê, ele tombar. Isso rara- mente acontece, mesmo com uma criança muito ativa, mas nunca é demais to- mar cuidado. Os bebês geralmente gostam de estar no meio do movimento. Tente colocar seu filho(a) reclinado no assento de plástico, com o cinto bem afivelado, no centro de um cercado vazio. As outras crianças poderão brincar nas proximida- des do mesmo. O bebe ficará no mesmo nível que elas, observando-lhes os mo- vimentos e ouvindo suas algazarras. Ao mesmo tempo ficará protegido pelas grades do cercado. Mas, como as crianças mesmo assim podem atirar-lhe brin- quedos ou tentar entrar no cercado, mantenha-se vigilante. Nunca se afaste de seu filho(a) quando ele estiver perto de outras crianças. Hora do banho: Alguns bebês ficam contrariados com o banho. Parecem não aceitar o fato de estarem despidos e expostos, e ficam às vezes assustados com os movimentos de seus próprios braços e pernas. Se seu filho reagir dessa forma, experimente enrolá-lo numa fralda ou toalha no momento de pô-lo no banho. Normalmente, uma criança pára de chorar depois que já está na água; então, a coberta poderá ser removida. (As mamães indianas usam esse sistema para manter seus bebês alegres no banho.) Além disso, experimente segurar o

bracinho do bebê depois que estiver nu, a fim de restringir seus movimentos. Isso freqüentemente tranqüiliza a criança.

TRÊS A SEIS MESES Exercício no berço: Tão logo o bebê aprenda a alcançar e segurar os obje- tos (por volta de quatro a cinco meses de idade), os mobiles devem ser erguidos a uma altura que impossibilite o bebê de alcançar peças frágeis ou que possam machucá-lo. Em substituição a um mobile, improvise um brinquedo com objetos lisos e que não ofereçam perigo ao bebê. Amarre uma tira de elástico largo e forte atravessando o berço e prenda nele pequenas tiras de elástico mais fino. Depois amarre duas ou três unidades dos seguintes objetos:

-Carretei de linha vazio. -Colher de plástico.

- Pulseira lisa de plástico.

- Sino.

- Chocalho.

- Outros brinquedos de superfície lisa e grandes demais para ser engolidos.

Experimente aplicar essa diversão também no carrinho do bebê. Brinquedos de apertar: Pedaços de toalhas velhas, oleados ou matéria plástica podem ser costurados e enchidos com meias velhas de nylon ou com algodão em pasta. Os bebês nessa idade preferem tons vivos de vermelho, ama- relo, laranja e roxo ao azul e rosa pálido mais tradicionais. Brinquedos estofados não precisam ser ursinhos nem bonecas; um formato de rosca é mais fácil de ser agarrado por pequenas mãos. Cadeirinha adequada aos pulos do bebê: Nessa idade, a criança já pode usar a cadeirinha que acompanha o carrinho de passeio e, desde que tenha as- sento e espaldar inteiriço de lona ou de plástico, nela poderá movimentar-se e pular à vontade, sem prejuízo da parte inferior da coluna vertebral. Às vezes um bebê de cinco ou seis meses de idade pula e vira-se tanto que acaba ficando meio tonto. Se o bebê aparentar estar pouco firme nessa cadeiri- nha, experimente amarrar o espaldar à base de metal junto ao chão. Isso dará

maior estabilidade à cadeira e evitará que ele se incline demais para a frente. Proporciona um apoio semelhante ao da cadeirinha comum de criança. Brinquedos dentro do quadrado: Na idade de aproximadamente quatro me- ses, muitos bebês começam a passar algum tempo no quadrado. Alguns dos ob- jetos domésticos que apreciam segurar ou pôr na boca são:

- Pregadores de roupa sem molas.

- Esponjas.

- Carretilhas ou carreteis vazios - quatro ou cinco num pedaço de barbante.

- Pulseiras lisas de plástico.

- Chocalhos.

- Brinquedos com superfície lisa e grandes demais para ser engolidos.

Brincadeiras: Entre quatro e cinco meses a maioria dos bebês gosta de se olhar no espelho, onde também vê a mamãe ou o papai que o está carregando no colo. Se você perguntar "quem é aquele" ou "o que é aquilo", eles ficarão intri- gados e quase sempre muito encantados com a brincadeira. É também a idade em que os bebês aprendem a controlar certas partes do corpo, como a língua e a cabeça, com movimentos simples. Experimente movimentar sua cabeça para ver se ele imitará o seu gesto; ou dê um estalo de língua e verifique se ele responde com um próprio. Poderá querer imitar o som de uma simples vogai, como "o" ou "a".

Os bebês nessa idade também se divertem quando ouvem a mudança re- pentina de um tom de voz — do agudo ao grave e vice-versa. Experimente brin- car com o seu bebê usando esses simples sons e movimentos para estimular suas reações. Hora do banho: O bebê que já está mais desenvolvido tem, em geral, fasci- nação pela água. Quando ele começar a sentir prazer em ficar sentado no banho, apoie suas costinhas e deixe-o espadanar a água com as mãos e os pés por al- guns minutos. Provavelmente, nessa idade, não precisará mais ser enrolado para entrar no banho.

SEIS A NOVE MESES Quando um bebê começa a dormir menos está habilitado a brincar sozinho por um período de meia hora cada vez, aproximadamente. Mas ao mesmo tempo

quer observar a mãe enquanto brinca. É a idade de derrubar e atirar as coisas, pois está começando a aprender como soltar os objetos e gosta de pôr em prática seu novo conhecimento. Poupe o trabalho de curvar-se ou abaixar-se em demasia, amarrando os brinquedos à cadeirinha ou ao carrinho com fios de barbante curtos ou cordões de sapatos, pois desta forma o próprio bebê poderá reavê-los. Experimente atar:

- Uma caneca de alumínio, com asa.

- Forminhas para massas.

- Pratinhos de papelão, revestidos de papel de alumínio (faça um furo para passar o barbante).

- Tampas de panelas (amarre o cordão à alça).

- Fitas coloridas que não larguem tinta.

- Colher de pau (para bater).

- Latas vazias (de sucos de frutas ou outros alimentos; numa das extremi-

dades da lata, faça um furo que dê apenas para passar o barbante ou cordão, a fim de evitar que o bebê enfie um dos dedinhos no mesmo; certifique-se de que

não há rebarbas nas latas).

- Pequenas caixas de papelão, usadas para embalar presentes.

- Caixas vazias de band-aid.

- Carretilhas usadas para embalar fio de nylon ou fita adesiva.

Enquanto estiver no quadrado, o bebê irá passar esses objetos através das grades ou jogá-los por cima delas. Portanto, amarre-os ao quadrado usando pe- daços curtos de barbante. Cadeirinha adequada aos pulos do bebê: Se a cadeirinha estiver presa à sua base (veja pág. 18), experimente soltá-la para ver se o bebê aprecia um mo- vimento mais vigoroso, pois já está na idade de pular com maior liberdade de movimentos. Brinquedos de encaixe: Por volta de sete meses o bebê começa a descobrir como colocar um objeto dentro do outro do mesmo tipo, mas ainda não é capaz de brincar com uma série de brinquedos quadrados. Contudo, os brinquedos ci- líndricos o alegrarão. Comece com latas pequenas, cilíndricas e de vários tama- nhos, tendo o cuidado de não deixar rebarbas produzidas pelo abridor de latas. As pequenas vasilhas de plástico também são adequadas. Brincadeiras: O bebê nessa idade adora brincar com pessoas que já conhe- ce. Quando estiver comunicativo, experimente algumas das tradicionais brinca- deiras típicas de crianças. Em geral, o bebê de seis meses aprecia ser carregado e balançado suavemente para a frente e para trás. Usando ambas as mãos, segure-o firmemente pelas axilas. Ele também gostará de montar a cavalo nos joelhos de um dos seus familiares; igualmente, apreciará ser passado de um bem-amado colo para outro. Por volta dos nove meses, será capaz de relacionar as palavras aos atos. Gostará de ver alguém cantar e bater "Palminhas de São Tome" e se divertirá com brincadeiras do tipo de "Serra, serra, serrador". Também gostará do joguinho que consiste em esconder o rosto e depois descobri-lo, dizendo-se "Achou!". Normalmente, quando alguém lhe disser adeus, ele responderá com um aceno de mão. Diversão às rejeições: Nessa idade, a hora das refeições poderá tornar-se a hora de grande diversão. À medida que o bebê for demonstrando maior interesse pela colher, ou xícara, dê-lhe uma sobressalente, enquanto você o alimenta por meio de outra. Quando ele ficar mais independente e menos interessado no pro- cesso da alimentação, dê-lhe alguns pedaços macios de pão ou de banana para ir comendo. Enquanto estiver ocupado com esse trabalho, você poderá adminis- trar-lhe as papinhas que causam mais sujeira. Deste modo, estará estimulando sua habilidade de se alimentar sozinho e avivando seu interesse pela comida. Brincadeiras na água: Quando o bebê aprender a segurar e soltar as coisas, gostará de brincar na água do banho com a esponja ou o esfregão. Poderá es- premer ou chupar a esponja. Não importa que o faça, pois a água do banho não o prejudicará.

CAPÍTULO III

Crianças que estão começando a engatinhar e a andar

PELOS OITO MESES o bebê começará a engatinhar e, logo depois (entre dez e doze meses) a levantar-se com a ajuda do quadrado. Quando você menos esperar, ele estará ensaiando os primeiros passos e logo estará andando com

enorme rapidez. Alguns bebês engatinham por longo tempo e outros andam sem praticamente ter engatinhado. Não importa que o seu bebê seja do tipo que en- gatinha muito ou do que começa logo a andar. Ele não tardará a adquirir experi- ência e passará a andar com desenvoltura. Encorajado pelo seu novo senso de mobilidade, poderá tornar-se um intré- pido explorador, com todo o entusiasmo de um adulto, mas sem qualquer noção de perigo. Se não for vigiado atentamente, atravessará ruas movimentadas, subi- rá escadas ou experimentará produtos de limpeza guardados no armário da pia da cozinha.

ACIDENTES PODEM OCORRER NESSA IDADE

Pouco adianta recomendar, repreender ("Não! Não! Não toque nisso!") ou castigar a criança nessa idade, porque, freqüentemente, não entende o significa- do da palavra perigo e, mesmo que entendesse, sua memória é fraca e ele talvez não seja capaz de se lembrar, depois de meia hora, das suas recomendações. Para maior segurança e tranqüilidade, deve-se preparar um ambiente ade- quado à criança que está começando a andar. Transfira para lugares inacessíveis a ela todos os objetos perigosos ou de estimação. Cubra com tampas especiais de plástico, à venda nas lojas de material elétrico, todas as tomadas de força que não estiverem sendo utilizadas. Certifique-se de que todos os remédios (especi- almente os comprimidos com sabor de confeito), estão guardados fora do alcan- ce do bebê. Mesmo que ele consiga, por quaisquer meios, alcançar o lavatório (como muitas crianças o fazem), não deverá poder alcançar os vidros de remé- dios. Ponha em lugar seguro produtos de limpeza, como amoníaco, lustrador de móveis, removedores e inseticidas para uso doméstico. Crianças nessa idade normalmente adoram pôr na boca tudo que pegam e são capazes de ingerir qual- quer coisa suficientemente pequena. Tem havido casos de crianças que bebem, sem pestanejar, meia lata de querosene. Fora de casa, a não ser que exista uma área cercada, é preciso que se vigi- em atentamente os bebes que estão começando a engatinhar ou a andar. Muitas mães têm se surpreendido com a rapidez de corisco das crianças que, uma ou duas semanas atrás, ficavam placidamente sentadas, sacudindo os chocalhos. Ao mesmo tempo que necessitam de supervisão atenta, as crianças que es- tão começando a andar precisam ter oportunidade de tentar fazer as coisas por si mesmas. Elas adoram fazer alguma coisa e fazendo adquirem confiança e habi- lidade. A insaciável curiosidade que têm pelos brinquedos constitui uma verdadei- ra bênção. Embora não fiquem por muito tempo distraídas com um único brin- quedo (e nem se pode esperar que isso aconteça), contentam-se com qualquer novidade, seja um canudo de papel ou uma caixa vazia. Adoram brincar de "esconde-esconde" atrás de uma cadeira ou de uma porta e ali ficar até que alguém pergunte: "Onde está o bebê?" Gostam, também,

de receber um objeto para, em seguida, devolvê-lo. Adoram ser erguidas o mais alto possível pelos pais e desejam que as mamães as aconcheguem e cantem para elas ouvirem. Quando um bebê aprende a andar, depara subitamente um novo ângulo do mundo ao seu redor. Estava acostumado a olhar para as partes mais baixas de mesas e cadeiras. As pessoas lhe pareciam verdadeiros gigantes. Mas, agora já pode ver o assento das cadeiras e começa a enxergar as pessoas adultas a partir dos joelhos das mesmas. Da noite para o dia, sua nova perspectiva e sua vontade de explorar fazem com que o quadrado se torne restrito demais. Poderá reclamar (às vezes em altos brados!) por ter sido deixado ali para brincar. Entretanto, você poderá estar ocupada com outros afazeres e não dispor de tempo para andar atrás dele. Em tais ocasiões, experimente fazer um quadrado usando alguns móveis (veja explicação abaixo) e dê-lhe alguns dos utensílios domésticos descritos mais adiante, os quais não oferecem perigo, mesmo que o bebê esteja brincando desacompanhado. Entre, de vez em quando, no seu novo recinto para sugerir-lhe uma nova brincadeira. As crianças aprendem por imita- ção e, freqüentemente, torna-se necessário cooperar com elas para despertar seu interesse por uma nova atividade.

UM QUADRADO IMPROVISADO COM MÓVEIS E CONTENDO BRINQUEDOS

Para fazer tal quadrado, cerque com um sofá, cadeiras e umas duas malas, um espaço razoável num canto de sala (longe das tomadas de força). Se o seu bebê puder enxergá-la, ficará mais feliz nesse local do que no quadrado verda- deiro. Assim, você não precisará ficar atrás dele nem se preocupar com as artes que possa estar tramando. Observe se ele vai gostar de brincar nesse quadrado (ou em qualquer outro local) com os seguintes objetos:

- Colheres de pau .

- Latas encaixáveis

- Forminhas

- Brinquedos de apertar

Cesto para papéis: Seu bebê se distrairá por longo tempo tirando papéis de dentro de um cesto. Naturalmente, você terá que os repor! (cuidado com objetos danosos, como grampos ou cacos de vidro, que possam ter sido jogados no ces- to.)

Alinhe alguns pregadores de roupa, feitos de madeira e sem molas (o papai poderá improvisar alguns, usando cabos de vassoura e um serrote para cortar os vãos) nas bordas de uma assadeira. Depois, ensine seu filho(a) a tirá-los um por um e depositá-los na assadeira. Esse passatempo será mais apreciado se você o repetir, alinhando novamente os pregadores.

Panelas e tampas: Ocasionam muito barulho, mas também muita alegria! Para variar, esconda um objeto inofensivo como uma lata de suco de frutas, dentro de uma panela e deixe o bebê ter a surpresa de encontrá-la quando des- tampar a panela. Caixas de papelão para embalagens: Guarde todas as caixas vazias que te- nham iguais dimensões e logo terá uma coleção de blocos de papelão apropriada para uma criança de dezoito meses ou mais; ela se divertirá movimentando-as com ambas as mãos, mas raramente começará a empilhá-las ou arremessá-las até que atinja a idade de dois anos e meio, mais ou menos. Caixas de cereais e outros produtos: Boas para serem empurradas ou, se forem cilíndricas, para serem rodadas. Tiras largas de fita de seda em cores vivas, velado ou peladas sintéticas:

São agradáveis ao tato e à mastigação. Prenda uma boa porção ao quadrado e à cadeirinha de passeio. Verifique se não largam tinta. Caixas de presentes, tampas metálicas de vidros de conservas, de geléia, e embalagens de sabonetes: Intrigam o bebê de um ano muito mais do que brin- quedos comprados em lojas. Caixa de correio: Faça uma abertura grande e circular na tampa de uma caixa de sapatos ou de cereais. Demonstre ao seu filho(a) como postar carreteis vazios ou pequenos blocos de madeira ou de plástico na caixa de correio e de- pois retirá-los, removendo a tampa da mesma. Rabiscos: Dê-lhe uma folha grande de papel de embrulho ou jornal — ou mesmo um saco grande de papel aberto dos lados — prendendo as extremidades com fita adesiva ao chão ou à mesa, para imobilizá-la. Depois ofereça-lhe dois ou três lápis de cores e estimule-o a fazer rabiscos. Para esse passatempo, esco- lha uma superfície que não corra o risco de ficar estragada.

BRINQUEDOS DE PUXAR A criança que já começou a andar gosta de puxar praticamente qualquer coisa atada a um barbante ou corda. Escolha algo que não pese muito para não danificar a mobília. Não deve ser estiIhaçável ou quebrável, pois poderia ma- chucar a criança. O melhor brinquedo de puxar deve produzir som quando mo- vimentado. Portanto, procure pela casa objetos leves, inquebráveis e que não sejam demasiadamente barulhentos (para sua própria conveniência). Alguns bons brinquedos de puxar são:

- Canecas de alumínio ou de plástico.

- Pulseiras velhas (de madeira, de plástico ou de metal).

- Carreteis vazios

- Tubos de rolos de papel higiênico ou de toalhas de papel.

- Pinhas.

- Copos de plástico (de sorvete, iogurte, etc.).

- Pequenas caixas.

- Bobs para enrolar cabelo.

- Velhos bichos de tecido.

- Tampas metálicas de vidros de conserva (faça com um prego um peque-

no furo no centro da tampa). Poderá amarrar dois ou três desses objetos ao mesmo barbante, deixando alguns centímetros de distância entre cada um deles. Para improvisar um trem enfileire e ate vários copos de plástico e pequenas caixas. Alternando tampas metálicas e carreteis vazios poderá também fazer uma centopeia. Os bobs para enrolar cabelo, atados pelas extremidades, se trans- formam numa fabulosa minhoca. Embalagens cilíndricas de papelão ou de plástico (com tampa) : Primei- ramente faça um furo na base e outro na tampa, bem no meio. Depois passe um fio de barbante longo pelo interior da embalagem e dê um nó no mesmo para

que fique preso à base. Coloque na embalagem um punhado de macarrão cru e firme a tampa com fita adesiva. Esse brinquedo produz um som estridente quan- do é puxado ou sacudido pela criança. Caixas de sapatos: Atadas umas às outras com barbante grosso, simulam trens, carros e barcos.

BRINCADEIRAS NA COZINHA Depois do primeiro aniversário da criança, a cozinha torna-se um mundo cada vez mais fascinante, mas a criança precisa ser vigiada atentamente a fim de não vasculhar lugares proibidos. A cozinha pode ser a dependência mais perigo- sa da casa. Para maior segurança e entretenimento a longo prazo, você poderá pôr em prática, em caráter experimental, a seguinte sugestão:

Reserva de gaveta de cozinha: Reserve uma gaveta (ou prateleira), na parte mais baixa de um móvel, especialmente para o seu filho(a), e nela coloque pa- nelas velhas, assadeiras, tampas, latas vazias, colheres de chá, colheres de pau ou outros utensílios que não causem ferimentos. Se não puder dispor de uma gaveta (ou prateleira) use uma caixa grande de papelão. Enquanto estiver traba- lhando na cozinha, seu filho(a) ficará entretido em brincar de cozinhar usando os utensílios de sua própria gaveta, prateleira (ou caixa).

PARA SUBIR E ENGATINHAR Uma tábua de mesa elástica e caixas grandes de papelão: Apoie as extre- midades da tábua de uma mesa elástica ou as de uma tábua qualquer sobre duas caixas — ou duas listas telefônicas grossas — de maneira que fiquem situadas uns 20 cm acima do chão. A criança pequena gostará de engatinhar sobre sua ponte (naturalmente ajudada e vigiada pela mamãe.) Caixas grandes de papelão: Corte as extremidades de duas ou três caixas. Vire-as de lado e enfileire-as para formar um túnel. Ponha um cobertor sobre uma mesinha (mesa de jogo é ideal) e amarre-o com uma corda ao redor do tampo da mesa. As crianças terão, assim, uma casi-

nha maravilhosa e um bom lugar para brincar de esconde-esconde. Elas gostam de brincar embaixo de mesas e atrás de sofás e de poltronas.

BRINCADEIRAS COM ÁGUA DENTRO DE CASA E AO AR LIVRE Ao ar livre: Se você tiver a sorte de ter um quintal, mesmo que seja apenas uma estreita faixa de terra, poderá contar com os brinquedos mais apreciados pelas crianças: terra, areia e água. Um pneu velho serve para circundar uni monte de areia, mas, realmente, não há necessidade de limitá-lo, pois a maioria das crianças de um ano de idade ignora essa conveniência e amontoa e esparra- ma areia por todos os lados. Apenas um pequeno monte de areia (da mais grossa e mais barata), uma porção de seixos lisos e um montinho de terra serão suficientes para distrair o seu filho(a) por muito tempo. Ofereça-lhe um pedaço de pau ou uma colher para cavoucar e uma bacia ou um pequeno balde com água. As ferramentas de brin- quedo vendidas na praça não são tão satisfatórias quanto as colheres de metal ou de madeira. Vasilhames de plástico, desde que a parte superior dos mesmos seja cortada com faca ou tesoura, poderão ser usados para água, areia e terra. Arranje uma peneira velha, um coador de macarrão ou um lavador de arroz para o seu filho(a) brincar lambem de peneirar. As crianças passam tantas horas do dia sendo lavadas e trocadas que, ge- ralmente, adoram poder ir para um recanto onde possam sujar-se à vontade. Quando elas forem brincar no quintal, vista-as com roupas velhas que não façam falta, caso se estraguem. Poderão, assim, mexer com terra e brincar com água o quanto desejarem. Dentro de casa: A água é um dos brinquedos mais maravilhosos que exis- tem para as crianças. Todavia tem um grande inconveniente para as mamães:

molha tudo! A forma mais conveniente de organizar brincadeiras com água dentro de casa é a de colocar seu filho(a) vestido com roupas velhas (ou nu, se estiver fazendo calor) numa banheira vazia e dar-lhe uma bacia com água (ou, se for mais fácil, cobrir apenas o fundo da banheira com água). Dessa forma, o bebê poderá espirrar água à vontade enquanto você limpa o banheiro ou enrola o cabelo (não saia de perto dele). Dê-lhe alguns carreteis vazios e pequenos blocos de madeira. Mostre-lhe como fazer os carreteis andar de barco. Garrafas de plástico, se estiverem bem tampadas, flutuam e divertem. Bolhas de espuma de sabão em flocos também divertem. Garrafas de plástico mole com tampa de chuveirinho de plástico (do tipo usado para umedecer roupa a ser passada) são boas para a criança apertar e esguichar água.

MUSICA E DANÇA Há crianças que adoram ouvir música e outras que não se entusiasmam muito por ela. Para as primeiras, a música — suave ou movimentada — é deve- ras tonificante. Crianças excessivamente ativas ou nervosas, em geral, adorme-

cem com mais facilidade quando ouvem cantigas de ninar ou mesmo música mais ritmada como jazz e rock'n'roll. Não se deve, porém, descurar a música clássica. Há crianças que, quando ouvem uma música popular, começam a se reque- brar acompanhando o ritmo. Nessa idade muitas crianças se apaixonam por cer- tas canções destinadas à primeira infância e as continuarão amando por muitos anos.

QUADRINHAS RIMADAS E LEITURAS Mesmo sem música, os versos rimados e ritmados são muito apreciados pelos bebês nessa faixa de idade. Gostam de associar as palavras aos movimen- tos. Se for do seu agrado, experimente recitar quadrinhas do tipo de Batatinha quando nasce quando levar seu filho(a) para passear, quando for trocar fralda ou quando for colocá-lo no quadrado. Embora não saiba conversar, o bebê se deli- cia com o ritmo das palavras proferidas por outras pessoas. Um bom livro também pode ativar a imaginação das crianças por muito tempo — às vezes desde a primeira infância até os anos de ginásio. Isso aconte- ce porque elas se prendem muito às coisas com as quais estão familiarizadas. Assim sendo, o mesmo livro de estórias infantis pode ser usado de vários mo- dos. Enquanto uma criancinha de um ano talvez goste de ouvir o que você está lendo, outra de quinze meses, que já pode sentar-se confortavelmente no seu colo, talvez aprecia ler ao seu modo, dizendo os nomes das figuras do livro. Acha divertido apontar para as ilustrações dos objetos que conhece e dizer à mamãe o que representam: au-au, bola, flor, papai, casa, etc. Quando você for adquirir um livro para a criança que está começando a an- dar, escolha um que tenha cores fortes, mesmo que lhe pareçam berrantes, pois a visão da criança não está ainda aperfeiçoada para distinguir nuanças sutis ou tons pastéis, como rosas, azuis ou amarelos pálidos. Você mesma poderá fazer um lindo livro infantil. Mãos à obra:

Cartões ilustrados (sem palavras): Corte alguns cartões de papelão nas di- mensões de 12 por 20 cm e cole em cada um deles uma reprodução de bom ta- manho e fortemente colorida de algo que o bebê já conheça, como um cami- nhão, um gato ou cachorro. Quanto mais real e mais nítida for a reprodução, melhor. Esse tamanho de cartão é ideal para ser segurado e focalizado pela cri- ança que já está com dezoito meses. Ela talvez converse consigo mesma sobre cada estampa, repetindo inúmeras vezes a palavra que a denomina. Por outro lado, pode acontecer que a criança não goste nem de ouvir estóri- as nem de olhar figuras. Nesse caso, não se deve insistir, pois ela poderá ficar com aversão por esses passatempos. Acabará gostando de livros em tempo oportuno. Faça nova tentativa depois de decorridos alguns meses.

CAPÍTULO IV

Sacola de surpresas e de consolo

SURGEM SEMPRE OCASIÕES inevitáveis — de longas permanências nas salas de espera de dentistas ou de se ter que ficar na cama por motivo de doença —

em que a criança necessita de distração passiva. Esses períodos podem amuar tanto a mamãe quanto o filho(a). Uma sacola de surpresas e de consolo, conten- do novos brinquedos reservados para ocasiões especiais, poderá ser a tábua de salvação nesses dias. Será muito útil para:

- Visitas a médicos, dentistas ou hospital, que às vezes envolvem longos

períodos de espera numa sala onde não há materiais de distração.

- Visitas aos salões de beleza, aeroporto ou às estações ferroviárias, quan-

do há necessidade de levar a criança.

- Viagens de avião, de trem e de carro, quando longas.

- Visitas à vovó e a outras pessoas em cujas casas não haja crianças peque- nas nem muito divertimento infantil.

- Dias do ter que ficar de molho na cama, por motivo de doença. A sacola

de surpresas poderá ser pendurada na cabeceira do leito ou presa com alfinete de mola à parte lateral do lençol, para ficar mais acessível. Como jazer uma sacola de surpresas e de consolo: Para esta finalidade, uma sacola de papel usada para as compras é ideal. Escreva no lado externo o nome de sua criança usando uma caneta com ponta de feltro e envernize-a to- talmente para impermeabilizá-la e torná-la mais durável. Também poderá usar uma maleta de plástico, própria para viagens de avião, ou uma sacola de com- pras plastificada. Grampeie alguns envelopes pardos de diversos tamanhos na parte interna da sacola, para evitar que objetos pequenos se espalhem. Num de- les coloque alguns lenços de papel ou um pacote de lenços umedecidos, que são muito úteis para limpar rostos e dedos melados. Será muito melhor fazer uma sacola para cada criança. Como equipar a sacola: Conserve-a equipada e pronta para o uso. Poderá precisar dela repentinamente. Não será necessário comprar coisa alguma. Se fi- zer algum tempo que seu filho(a) não vê um determinado brinquedo, este lhe parecerá novo. Uma velha carteira de bolso, repleta de bugigangas, distrai, assim como de-calcomanias, etiquetas e selos para serem colados sobre uma folha de papel. Um rolinho de fita adesiva, pedaços de cartolina colorida e uma tesoura com ponta rombuda e pouco afiada proporcionam freqüentemente à criança lon- gos períodos de entretenimento. Um baralho velho para ser classificado por nai- pes também diverte. O equipamento da sacola depende, como é óbvio, da idade e do interesse específico de cada criança. Todavia, devem ser evitados brinque- dos barulhentos, objetos rolantes ou os que possam perturbar o próximo. Ali- mentos que não melam os dedos, como floquinhos ou passas, são recomenda- dos; chocolate lambuza e frutas delicadas ficam esmagadas. Quando estiver fa- zendo compras, procure pequenas surpresas para aumentar o estoque da sacola.

Eis aqui algumas boas pedidas para uma sacola de surpresas:

-

Baralho (para a criança arrumar por naipes e construir casinhas e trenzi-

nhos).

Saquinho costurado, contendo feijão cru.

Prancheta forrada com flanela e retalhos de flanela.

Embalagens de queijo que contenham objetos inofensivos.

Limpadores de cachimbo.

- Tinta mágica (lavável).

— Lápis de cor e bloco de papel.

— Tesoura com pouco fio e sem ponta.

— Fita adesiva.

— Imã.

— Família de bonecas em miniatura.

—• Uma velha carteira de bolso contendo chaves sobressalentes, bijuteria, lenços, etc.

Cartões perfurados, e cordões encerados para bordar

Lupa.

Pequenos animais e carros de plástico.

Jogo de varetas (não é indicado durante as viagens).

Etiquetas gomadas, selos e formas de estrelas, lua, etc., recortadas em

papel.

Cartolina colorida.

Pedra mágica (ardósia).

Livretos ilustrados para colorir.

-

Caixinha contendo material para a criança brincar de médico ou enfer-

meira. - Pequenas caixas de passas e outros comestíveis apropriados. Brinquedos de consolar: Se for sair, não se esqueça de pôr na sacola um ou dois brinquedos pelos quais seu filho(a) tem predileção. A cada idade, a criança se agarra a um determinado brinquedo e a ele dedica especial afeição — um ur- sinho, uma coberta velha, etc. Tais objetos de estimação, realmente consolam a criança em situações estranhas ou intranqüilas, pois estabelecem ligação direta com o ambiente caseiro. Por isso são denominados brinquedos de consolar. Sacola de surpresas para uso dentro de casa: Se o seu filho ficar amuado e sem ocupação, trate de lhe dar um brinquedo que pareça novo e especial. Essa providência, em geral, é tiro e queda nos dias de mau humor. Se você precisar sair e tiver que o deixar em companhia de uma pessoa estranha, faça seu filho(a) fechar os olhos e tirar uma surpresa da sacola. Se ele estiver acamado, prenda a sacola à cama, como já foi explicado, mas deixe apenas alguns brinquedos de cada vez. Poderá substituí-los no decorrer das horas, proporcionando, assim, no- vas surpresas o dia inteiro.

CAPÍTULO V

Crianças de dois e três anos

As CRIANÇAS nessa faixa de idade costumam afeiçoar-se a algum brinquedo velho e surrado. Em geral, carregam sempre consigo um pedaço de pano ou um velho brinquedo estofado. Ainda não brincam com outras crianças; talvez as abracem, toquem nelas com os dedinhos ou então as ignorem totalmente. Não emprestam brinquedos porque querem seus tesouros somente para si. Deixe sua criança à vontade, mas tenha disponível uma certa quantidade de brinquedos para oferecer às demais crianças. Ela será mais sociável a partir dos três anos. Todas as crianças mais novas diferem umas das outras no que diz respeito ao desenvolvimento da habilidade muscular e da sociabilidade. Algumas logo aprendem a usar as mãos; outras, ao invés das mãos, podem estar treinando o ouvido ou os olhos. Por este motivo, o presente capítulo se denomina "Crianças de dois e três anos", e o próximo "Crianças de três, quatro e cinco anos". A mai- oria das sugestões contidas na seção seguinte foi elaborada tendo em mente as crianças de quase quatro anos de idade, mas a sua pode ter desenvolvido, por exemplo, maior coordenação entre as mãos e a visão, e querer tentar fazer algu- mas das coisas que serão sugeridas mais adiante. Certifique-se de que realmente se aplicam a seu filho. Lembre-se, também, de que quando as crianças estão in- dispostas preferem as brincadeiras mais simples dos meses anteriores. "Não" é a palavra predileta de um grande número de crianças de dois anos. Estão começando a se auto-afirmar, o que significa que desejam testar a própria vontade e a das mães. Isso pode tornar-se exasperante mas, se não fos- sem de vez em quando obstinadas, não estariam se desenvolvendo. Em muitas ocasiões, se você não fizer disso um problema, poderá simples- mente ignorar os protestos de seu filho. Às vezes ele realmente teima em dizer "não". Nesse caso, a melhor coisa que você tem a fazer é distraí-lo. Felizmente, isso é fácil de conseguir se deixar a criança escolher por si. Se ela estiver num de seus momentos de dizer "não" a tudo, dará geralmente mais resultado mos- trar-lhe dois objetos e esperar que escolha o do próprio agrado. Assim que ela se decidir por um deles você esconderá o outro. Se você perguntar: "Quer o lápis azul ou o roxo?", poderá ficar completamente indecisa sobre a escolha. Nessa idade a criança tende a ter curiosidade pelas próprias excreções, e é por esse motivo que ela acha tão fascinantes as substâncias úmidas e pegajosas. Com outros brinquedos, a duração de seu interesse é muito curta, mas se você lhe der uma bacia com água, bem como areia ou barro, ela provavelmente brin- cará por longo tempo. Algumas das brincadeiras que a criança de dois anos ainda aprecia são su- geridas a seguir:

— Cartões ilustrados (sem palavras)

Brinquedos flutuantes para a hora do banho

Reserva de gaveta de cozinha

— Caixas de papelão para embalagens

— Brinquedos de apertar .

— Tábuas de mesa elástica e caixas de papelão

— Casinha embaixo da mesa

BRINCADEIRA COM ÁGUA Quando você estiver trabalhando na cozinha, deixe seu filho(a) subir numa cadeira firme para brincar de lavar louça na pia. Forre o chão com jornal para evitar muita molhação e proteja as roupas da criança com um avental plástico (faça um poncho abrindo um buraco no centro de um velho forro plástico de berço ou no de uma toalha de mesa descartada e vista-o na criança. Firme esse poncho improvisado à cintura de seu filho(a) com um cinto de barbante grosso).

Se esses cuidados de nada adiantarem, o remédio é deixar seu filho(a) em calção de banho, nos dias de calor, para brincar de lavar louça. As mamães nem sempre se entusiasmam com a idéia de seus filhos brinca- rem com água dentro de casa, a não ser na cozinha ou no banho. Mas, caso você precise ficar trabalhando em outro cômodo e seu filho(a) queira acompanhá-la, poderá forrar um pequeno espaço no chão com um pedaço de matéria plástica e cobri-la com uma camada grossa de jornais, colocando sobre os mesmos uma bacia com um pouco de água morna. Tome nota de uma boa coleção de brinquedos para ser usada na pia da co- zinha e, na bacia com água, em outra dependência da casa:

- Funil.

- Pequenas colheres e xícaras de plástico.

- Lenços ou roupas de bonecas (para lavar).

- Forminhas.

- Latas vazias de sucos de frutas.

- Peneira.

- Pequeno jarro de plástico.

- Garrafa de plástico com tampa de chuveirinho de plástico.

- Bisnagas de plástico mole.

- Pequenos objetos que flutuem.

- Esponja.

- Embalagens de sorvete, iogurte e outras.

Para ficar mais convidativa, acrescente à água algumas gotas de corante comestível e um pouco de detergente, e deixe seu filho(a) agitá-las. Bolhas de sabão: Arranje um canudo de plástico e uma caneca (ou latinha vazia) contendo sabão em flocos e água. As crianças que já estão com mais de dois anos e meio de idade conseguem aprender a soprar, sem sugar, se as ma- mães as ensinarem. Já que não se pode impedir que a espuma transborde, é aconselhável pôr a caneca sobre uma bandeja de plástico. Para conseguir bolhas mais firmes e que se conservem no ar por algum tempo, acrescente algumas go-

tas de óleo de cozinha à mistura de água e sabão. A banheira, o jardim ou o quintal são os lugares mais indicados para as crianças soprarem bolhas de sabão.

BRINCADEIRA COM BARRO As crianças nessa idade apreciam brincar com coisas que possam sovar, es- premer, quebrar e rejuntar. Quando rasgam ou sovam alguma coisa, as crianças têm oportunidade de exprimir sentimentos que ainda não conseguem manifestar por meio de palavras. Muitas vezes uma criança agitada torna-se mais calma e satisfeita depois de ter sovado barro por algum tempo. Todos os ingredientes necessários à feitura de massinha para modelagem são encontrados na sua própria cozinha:

Massinha para modelagem:

— l xícara de sal.

— l xícara de farinha de trigo.

— 1/2 xícara de água.

— 2 colheres de sopa de óleo.

- Algumas gotas de corante comestível (facultativo). Essa massa dura por algumas semanas se for guardada em geladeira dentro de um recipiente tampado ou num saco de plástico bem fechado. Pode ser puxa- da e sovada pelas crianças e depois recolhida e guardada para um outro dia; ou então as crianças poderão usá-la para fazer coisas que serão postas ao ar livre para endurecerem. (Crianças pequenas talvez levem a massinha à boca; não é saborosa, mas não as prejudicará). Deixe seu filho sentar-se à mesa da cozinha ou no chão e trabalhar sobre uma folha de papel impermeável. Polvilhe as mãos dela com um pouco de farinha de trigo para evitar que a massa grude nos dedos.

Ela poderá desejar apenas sovar e espremer a massa. Poderá, igualmente, se dis- trair com:

Um rolo de abrir massa.

Cortadores de massa.

— Facas sem fio, garfos e colheres.

COLAGEM As crianças, via de regra, não sabem colar muito bem enquanto não atin- gem a idade de três anos ou mais, mas adoram mexer com cola. Algumas mães dão aos seus filho(a)s de dois anos um pouco de vaselina ou creme facial para eles lambuzarem uma folha de papel impermeável; eles se divertem a valer, fa- zendo desenhos espiralados. Essa sugestão pode lhe parecer estranha mas, na realidade, tanto a vaselina como o creme são mais fáceis de serem removidos do que o barro; também aju- da certas crianças pequenas, que sentem grande vontade de se sujar, a se torna- rem mais compreensivas. Se puserem uma pequena quantidade desses produtos na boca, não se preocupe. (Naturalmente, terá que vigiar seu filho(a) para ele não lambuzar as paredes e mobílias!)

Como alternativa, experimente a seguinte receita de cola que não vai ao

fogo:

- Um punhado de farinha de trigo. Adicione água (aos poucos) até a cola fi- car pegajosa (deve ter consistência grossa para não escorrer sobre o papel). Uma pitada de sal. Essa cola crua não é tão eficaz quanto a cola cozida, mas serve para colar pedaços de papel se você não dispuser de tempo nem de facilidades para cozi- nhar. Embora não tenha sabor agradável, ela não prejudicará a criança que tentar experimentá-la. Pode ser que seu filho(a) se divirta apenas lambuzando uma fo- lha de papel impermeável com este tipo de cola. Ou talvez prefira tentar colar pedaços de papel. Neste caso, quaisquer retalhos podem ser aproveitados. De- vem ter o tamanho de um cartão de Natal.

PINTURA O chão é o lugar ideal para um pintorzinho de dois anos de idade trabalhar, pois nele as cores não escorrem e não respingam tanto quanto num cavalete ou em cima de uma mesa. Providencie, para começar, um bom sortimento de folhas grandes de papel e um pincel que tenha pelo menos dois centímetros de largura.

Um pincel comum dura mais e custa menos do que um destinado a uso profissi- onal. Use fôrmas de bolo ou tigelas de plástico rasas como recipientes de tinta e água. Nessa idade, a criança se ajeita melhor com uma única cor. O papel poderá ser de qualquer cor ou tipo. Faça experiência com:

—• Jornal (uma criança de dois anos de idade pinta sobre papel já impresso sem dar pela coisa).

— Sacos grandes de papel, devidamente abertos dos lados.

— Papel branco (que serviu para embrulhar pão).

— Papel de presentes (usado).

— Papel de embrulho ou de forrar prateleira.

— Cartolina.

Forneça à criança guache ou tempera. A tinta em pó custa menos e dura mais. Além disso, você poderá misturá-la aos poucos, de acordo com as necessi- dades do momento. As pinturas da criança nessa idade consistem de algumas linhas onduladas ou pontos, ou ainda num único borrão de cor. Sua tendência é usar folhas após folhas de papel para fazer apenas um ou dois rabiscos em cada uma; por isso, dê-lhe o papel mais ordinário que houver. Não pergunte à criança o que a sua pintura representa, pois isso é o que menos deve interessar. Está apenas apren- dendo a deixar sua marca e já basta. Você poderá querer guardar algumas das produções de seu filho. Mas para ele nada significam. O que importa é a execu- ção da obra.

OUTROS BRINQUEDOS MANUAIS Quebra-cabeças, desde que sejam elementares, de tamanho grande e forte- mente coloridos, representam um ótimo divertimento para as crianças de dois anos de idade. Você poderá fazê-los em casa com muita facilidade. Experimente executar um dos seguintes:

Quebra-cabeça circular: Arranje um pedaço de papelão grosso, como a parte lateral de uma caixa e, com o auxílio da circunferência de uma forma de pizza ou de um prato, trace um círculo e recorte-o; usando lápis e régua, divida- o em quatro partes, colorindo-as a lápis de cores diversas. Quebra-cabeça com formato de lua: Faça um círculo grande e desenhe a lua em quarto-crescente. Corte o círculo em duas ou três partes em forma de arco e pinte-as, usando tantas cores quanto for o número de peças. Quebra-cabeça triangular: Faça um triângulo equilátero com dez centíme- tros de cada lado, da seguinte forma: trace uma linha horizontal com dez centí- metros de comprimento. Na metade da mesa trace urna linha vertical. Depois trace, com régua, linhas de dez centímetros de comprimento de cada lado da li- nha horizontal, até o ponto extremo da linha vertical (devem encontrar-se). Re- corte o triângulo e corte-o ao meio bem na linha vertical. Pinte as duas partes com cores diferentes usando lápis de cor ou guache. Quebra-cabeça com figura de casa ou de avião: Recorte de uma revista uma ilustração grande e bastante colorida de um avião, casa ou de um barco. Cole-a a um pedaço de papelão e recorte este último para que fique do tamanho da ilustração (fundos ou tampas de caixas de cartolina, bem como as capas pos- teriores de blocos grandes de papel poderão ser usados para este trabalho). Fi- nalmente, corte as figuras em dois ou três pedaços desiguais. Prancheta de feltro: Cole um pedaço de feltro de cor viva sobre um pape- lão grosso. Recorte algumas formas, usando retalhos de feltro, flanela ou veludo. Com um pouco de imaginação, você poderá recortar figuras de animais ou de gente (se não souber desenhar, poderá traçar o contorno de um desenho por meio de papel de seda), mas formas indefinidas são também muito apropriadas. Ensi- ne seu filho(a) a dispor e colar essas formas sobre o feltro. Esse passatempo é ótimo para os momentos em que a mamãe não pode supervisionar a criança. Além disso, não produz sujeira. Caixa de cereais: À guisa de um monte de areia, você poderá ter em sua cozinha um tabuleiro grande com aveia, fubá e outros cereais crus. Se a criança os puser na boca não se prejudicará. Coloque o tabuleiro em cima de uma mesa, ou sobre jornais no chão, ou mesmo no quintal. Entre outros brinquedos, as cri- anças poderão usar os seguintes, para brincar no monte de areia:

— Funil.

— Forminhas.

Peneira.

--- Colher de sopa.

— Pequenas xícaras e colherinhas de plástico.

— Carrinhos e caminhões.

— Latas de conservas (sem rebarbas).

— Caixinhas de papelão ou de plástico.

Fiada de carreteis: Uma criança de, aproximadamente, três anos já tem co- ordenação motora suficiente para tentar passar um fio de barbante pelos orifícios de carreteis vazios. Esses objetos pintados com cores vivas distraem tanto quanto contas de colar e são mais fáceis de serem enfiados. Dê a seu filho um pedaço de barbante longo, com as extremidades cortadas em ponta e endurecidas com fita adesiva ou com fita plástica isolante. Um cordão bem longo de sapatos seria ideal para esse brinquedo. Cada carretei enfiado no cordão exigirá grande esforço de concentração; por isso, não force a criança, se ela ainda não estiver capacitada para esse tipo de trabalho manual que exige muita precisão.

SUBIR E ENGATINHAR O ato de subir nas coisas ajuda a criança de dois anos a desenvolver os músculos maiores dos braços, das pernas e do tórax — e ela tem plena confiança nos seus passos. Caso você resida longe do centro da cidade, poderá conseguir, com maior facilidade, uma escadinha velha de madeira; mande alguém serrá-la de maneira que fique reduzida a três ou quatro degraus apenas (altura máxima). Encoste-a a uma parede interior ou exterior, para ser usada dentro e fora de casa. Você também poderá improvisar uma ponte satisfatória, usando uma tábua grande sobre dois blocos grandes de madeira (a ponte deverá ficar a alguns centímetros apenas acima do chão). Ó ato de engatinhar sobre essa ponte ajuda a desenvolver o senso de equilíbrio da criança. Pranchetas: Arranje numa carpintaria alguns retalhos de tábuas, pois serão usados constantemente, se forem leves e de tamanhos que facilitem à criança a remoção dos mesmos de um lugar para outro. Devem ser lixados para se elimi- narem possíveis lascas.

PASSEIOS Aos dois anos, a criança aproveita mais um passeio se estiver acompanhada de todos os seus familiares. A excursão deve ser curta e simples, já que a resis- tência da criança é limitada. Um passeio a pé para ir alimentar os pombos, para ouvir os pássaros cantarem no arvoredo, ou para visitar uma loja de aves e fi- lhotes de animais é o suficiente. Se fizer com o seu filho(a) uma visita ao Jardim Zoológico, leve a cadeirinha de passeio e não permaneça lá por muito tempo.

LEITURA EM VOZ ALTA As crianças entre as idades de dois e três anos ficam, via de regra, fascina- das por um determinado livro, ou disco, e querem usufruí-lo repetidamente. Há dias em que poderão ouvir estórias até esgotarem a paciência. Tome cuidado para não trocar nenhuma palavra e nem pular linhas! Em outras ocasiões, talvez

possam não demonstrar nenhum interesse pela leitura ou pela música. As es- tórias mais indicadas para as crianças nessa faixa de idade deverão ser simples — como O patinho feio, e Dona Baratinha — e ter muitas repetições de pala- vras que rimem com outras. Devem versar sobre bichinhos e coisas com as quais as crianças já estejam familiarizadas.

MUSICA E DANÇA Nessa idade, a criança aprecia música com ritmo bem marcado que, em ge- ral, acompanha com movimentos do corpo. Se seu filho for daqueles que demo- ram para pegar no sono à noite, você poderá tocar um disco da seleção de músi- cas apropriadas para adormecer crianças sugerida no apêndice II Você também poderá cantar uma canção de ninar. Geralmente, a criança insiste em ouvir uma determinada música repetidamente, como o faz com um livro de sua predileção. Nas lojas especializadas, você com certeza encontrará música e letra de canções infantis para serem cantadas ou tocadas ao violão ou ao piano. Lembre- se de que você continua sendo a artista favorita de seu filho(a).

CAPÍTULO VI

Crianças de três, quatro e cinco anos de idade

A CRIANÇA, quando atinge a idade de três anos, torna-se sociável. Adora brincar ou trabalhar com a mamãe e o papai e com eles aprender a fazer coisas. Tem uma curiosidade insaciável pelo mundo que a rodeia e gosta de experi- mentar fazer coisas novas. À medida que for ficando mais velha, ao redor dos quatro ou cinco anos, começará a preferir brincar com seus amiguinhos, em geral crianças maiores do que ela, que a ensinaram novas reinações. Sente-se orgulhosa quando consegue pregar um prego num pedaço de madeira ou enfiar contas num cordão de sapato. Você também deve orgulhar-se, pois constituem verdadeiras realizações. Se seu filho(a) ainda não desenvolveu a necessária destreza manual ou interesse, não o force, mas sempre o elogie pelo que é capaz de fazer. Entre as idades de três e seis anos, existem tremendos desníveis no com- portamento das crianças. Elas ora lutam para parecerem adultas, ora desejam retornar à vida mais confortável dos tempos de bebês. Num dado dia, a criança pode sentir disposição para conquistar até o mundo (e realmente acredita poder fazê-lo!), mas no dia seguinte poderá tornar-se manhosa e só querer aconchego e carinho. Fica dividida entre a sua forte imaginação (e desejo), que a faz pensar que já é uma pessoa adulta, e a realidade esmagadora de que ainda é pequenina e precisa muito de seus progenitores. Apoie os esforços de seu filho(a) em tentar progredir, auxiliando-o a realizar coisas ao seu alcance. Distraia, com meiguice, a atenção dele quando pretender realizar projetos que estiverem além de sua ca- pacidade e que poderiam redundar em sentimentos de frustração e derrota.

Quando ele se tornar muito apegado a você e impertinente, deixe-o brincar de maneira simples como o fazem as criancinhas de dois anos. Um dia depois, ou na semana seguinte, ele recomeçará suas conquistas. As realizações de uma criança de três anos são, obviamente, mais elemen- tares e primitivas do que as de uma criança de quatro ou cinco anos. Entretanto, essa diferença não diminui em nada o prazer que ela sente em fazer coisas. Além disso, uma criança de três anos necessitará de maior auxílio na preparação e consecução do que irá realizar do que uma criança de mais idade. Desde que você goste de participar e cooperar, muitas atividades — especialmente pintura, modelagem e colagem — podem tornar-se mais fáceis para a criança nessa ida- de.

Algumas das atividades sugeridas neste capítulo são arriscadas para as cri-

anças mais novas. Portanto, se você tiver também filhos de menos idade, assegu- re-se de que não participem desses brinquedos destinados aos mais velhos. Certas brincadeiras favoritas, aprendidas nos anos anteriores, ainda conti- nuam populares:

— Brincadeira com água. A criança de quatro ou cinco anos adora bater

com batedor de ovos uma certa porção de sabão em flocos e água para formar

bastante espuma.

— Caixa de cereais

Reserva de gaveta de cozinha

Tábua e caixas

— Prancheta de feltro

Fiada de carreteis

ESTRUTURAS Os blocos de madeira estão incluídos no rol dos melhores brinquedos para as crianças que atingiram as idades entre três e seis anos. São de fácil consecu- ção, bastando, para tanto, que se serre um longo pedaço de madeira em bruto com cinco centímetros de espessura por dez centímetros de largura em pedaços de oito, quinze, trinta e sessenta centímetros de comprimento e depois que sejam lixados para eliminar as lascas. Poderá, também, usar:

Lataria e caixas intactas: Você poderá pensar que esses materiais devem ficar guardados nas prateleiras; constituem, porém, excelentes brinquedos. De fato, servem melhor como blocos para construir do que os vendidos nas lojas de brinquedos. Escolha latas de conservas fechadas que não sejam demasiadamente grandes ou pesadas. Aos primeiros sinais de desgaste, poderá salvar as caixas de produtos alimentícios, substituindo-as por outras. Embalagens de papelão: Guarde-as e logo terá uma coleção de blocos para seu filho construir fortalezas e casinhas de bonecas, garagens e até mesmo uma casinha de brinquedo. As embalagens de papelão, para leite ou cereais, são le- ves, fáceis de serem amassadas e proporcionam às crianças uma distração que não ocasiona muito barulho.

Caixas de sapatos e de charutos: Se você prender as tampas das caixas com fita adesiva, elas poderão ser convertidas em ótimos blocos. Pregadores de roupa: São ótimos materiais de construção para as crianças de três anos em diante. Dê a seu filho(a) uma certa quantidade de pregadores com molas e ensine-o a uni-los. Ficará surpresa com o resultado das constru- ções.

ATOS DE RASGAR, DESPEDAÇAR E ESMURRAR As crianças, antes de aprenderem a fazer coisas (e depois disso, também), gostam apenas de despedaçar e rasgar. Reserve uma pilha de revistas e de jor- nais velhos para essa finalidade. Sente-se ao lado da pilha e mostre ao seu fi- lho(a) como rasgar as folhas. Depois ensine-o a fazer furos nas mesmas com o cabo de uma colher de pau. Ele se divertirá como nunca esparramando a pape- lada que você catará, num instante, depois da brincadeira. Rasgar e espetar as coisas são bons exercícios para a criança aprender a usar os pequenos músculos das mãos, e também funcionam como válvulas de escape para a agressividade. Lençóis velhos: Deixe as crianças rasgarem lençóis velhos. Elas sentem enorme prazer em reduzir o pano a farrapos! Meninos, especialmente, sentem-se másculos quando conseguem estraçalhar um pano de bom tamanho. As tiras po- derão simular ataduras quando as crianças forem brincar de médico. Guarde numa caixa ou gaveta algumas roupas velhas de cama exclusivamente para se- rem rasgadas (não se preocupe com a idéia de poder estar incutindo maus há- bitos. Se der ao seu filho(a) um determinado lençol ou fronha velha para rasgar, ele não irá procurar outras coisas para destruir. Permitindo-lhe descarregar suas energias e forças nesse tipo de ação inofensiva, ele sentir-se-á menos inclinado a promover destruição em outros lugares.) Furador de papéis: Eis um aparelho que fascina a criança. Dê-lhe permis- são para perfurar uma folha de jornal. Se lhe fornecer papel parafinado, guarde os pequenos discos provenientes da perfuração. Poderão ser colocados num vi- dro com água que, depois de bem tampado, seu filho(a) poderá sacudir para formar uma tempestade de neve. Como fazer um mural diferente: Arranje para o seu filho(a) uma porção de papel de diversas texturas (liso e rugoso, grosso e fino) em cores variadas (pa- pel-cartão, cartolina, papel com ilustrações, etc.). Então, pergunte-lhe: "Você consegue rasgar uma forma bem pequenina” E prosseguindo: "E agora, uma forma bem grande” Ou ainda: "Que tal uma forma bem largai". Depois deixe-o colar todas essas interessantes formas sobre uma tira de papel bem longa, para construir um grande mural colorido. Quando estiver pronto e se houver uma pa- rede vazia em sua casa, cole-o ou pregue-o à mesma para que seja olhado e ad- mirado por toda a família.

ATOS DE PINTAR, DESENHAR E COLORIR As crianças ficam radiantes quando estão desenhando, mesmo que sejam apenas alguns rabiscos sobre um saco grande de papel ou uma folha de jornal. Livros para colorir são úteis às vezes, mas as crianças em geral preferem dese- nhar e colorir seus próprios rabiscos. Não se deve encorajá-las a pensar que sua pintura tem que significar alguma coisa para os adultos, pois para elas é real- mente uma coisa e sua imaginação está sendo ativada. Uma criança de três anos é capaz de desenhar formas simples, como círcu- los ou cruzes, e também tentar fazer traços diferentes. Ela está começando a no- tar os resultados dos seus esforços e, nesse momento, o elogio e o estímulo são importantes. Ela transfere para o papel seus pensamentos e sensações, mas não o que realmente existe. Você deve elogiar o seu trabalho e demonstrar-lhe que aprova-a tanto quanto a sua singular perspectiva da vida. Se você lhe perguntar "O que é isso?" e ela não souber responder, não insista. Seria melhor não dizer "Vou te ajudar", porque ela prefere realizar o trabalho sozinha. Na idade de três anos, a criança precisa de um pincel grande para cada pote de tinta e pode aprender a usar um pincel para cada cor. Também será capaz de lavá-los e guardá-los quando não quiser mais pintar, desde que você ensine isto. Ela fica satisfeita em fazer suas pinturas sentada a uma mesa ou no chão. Em geral, as crianças, enquanto não completam quatro anos de idade, não fazem desenhos que os adultos possam identificar. Depois dos quatro anos, elas já têm mais consciência do que estão tentando desenhar. Se algumas das propor- ções ou cores do trabalho de seu filho(a) parecerem-lhe estranhas dissimule seu espanto para ele nada perceber. Se disser "Gosto das orelhas cor de laranja do cachorrinho que você pintou", ele ficará mais contente. O dizer "Nunca vi ca- chorro com orelhas cor de laranja", enche a criança de dúvidas e a inibirá nas próximas tentativas. Você estimulará a criança entre três e seis anos de idade se pendurar muitas das pinturas que ela fizer. Poderão ser afixadas às paredes ou presas com prega- dores de roupa a um varal de fio de nylon estendido no alto de um patamar de escada ou de uma dependência da casa. Ficarão altamente decorativas.

O papel a ser usado poderá constar de:

- Sobras de papel de impressão (papel em geral de ótima qualidade, com

texturas interessantes e que, talvez, seja fácil de conseguir numa oficina gráfica

qualquer).

- Papel de jornal (o maior e o mais barato papel existente na praça).

- Sacos grandes de papel, abertos para formarem superfícies planas (em quaisquer cores; se forem ilustrados ou impressos, aproveite os lados interiores).

- Papel branco de embrulhar carne ou pão (excelente para pintura feita com

os dedos. Aproveite as folhas mais limpas, ou arranje algumas folhas com co-

merciantes desses produtos).

- Retalhos de papel de parede (aproveite o lado do avesso para pinturas e desenhos e o lado direito para colagens).

- Papel de embrulho.

- Papel de forrar prateleiras.

- Cartolina.

- Pratos de papelão.

- Papel parafinado (este versátil material de arte é excelente para cópias de

desenhos. As crianças mais velhas poderão desenhar sobre ele com um palito. Também poderão sobrepô-lo às ilustrações de estórias em quadrinhos e esfregar a superfície com uma colher. As cores serão transferidas para o papel e formarão as figuras em reverso). — Papel carbono (grampeie um papel carbono entre duas folhas de papel e deixe seu filho(a) desenhar sobre uma delas a lápis preto ou de cor; quando terminar, mostre-lhe a réplica do desenho na segunda folha. Ele fi- cará encantado com a mágica).

PINTURAS Com tinta de farinha de trigo e água: As crianças adoram pintar com os dedos, sendo que, de vez em quando, vale a pena proporcionar-lhes essa distra- ção, apesar da grande sujeira que acarreta (deveras, bastante sujeira!). Misture uma porção suficiente de farinha de trigo com sal e um pouco de água até for- mar uma pasta de consistência cremosa. Adicione um pouco de corante comestí- vel. Proteja a roupa da criança com um avental ou camisa velha e deixe-a pintar com os dedos o tampo da mesa da cozinha. Ponha colheradas dessa tinta sobre a mesa e deixe a criança deslizar as mãos sobre ela. Conforme ela for trabalhando, adicione mais corante à tinta para obter tons diferentes. Se você desejar tirar uma cópia do trabalho como lembrança, comprima contra ele uma folha de pa- pel de forrar prateleira, de modo que a tinta passe para o papel. Deixe à mão uma esponja para limpar a sujeira. A criança poderá também pintar sobre o piso da cozinha, desde que seja de material fácil de limpar. A tinta não tem nenhum sabor, mas se, mesmo assim, for levada à boca não prejudicará a criança. Os co- rantes comestíveis não produzem manchas e são removidos com facilidade. Com tinta de creme de barbear: Compre um tubo de creme de barbear sem mentol e deixe seu filho(a) brincar de desenhar com ele sobre a mesa da cozi- nha. A textura cremosa o deliciará. Um pouco de tinta em pó (solúvel em água) polvilhada em alguns trechos da mesa, manterá vivo o interesse da criança. Quando o creme começar a secar, respingue um pouco de água ou adicione mais creme. Nesse tipo de pintura, o processo é mais importante do que o resultado. Quando a brincadeira chegar ao fim, o creme poderá ser facilmente removido com um pano seco. Ela produz muito menos sujeira do que a pintura feita com farinha de trigo e água. É indicada também para as crianças de dois anos, e não as prejudicará se for levada à boca. Com goma líquida de amido e pincel: (Esse material não é indicado para as crianças que ainda levam coisas à boca.) A pintura feita com esse produto é mais delicada. Ponha uma caneca com goma sobre a mesa; deixe à disposição de seu filho um pincel de pincelar tortas, ou melhor ainda, um dos pincéis do estoque

do papai, bem como uma folha de papel pardo (um saco de papel também pode- rá servir, mas a folha de papel é melhor). A tinta de goma de amido seca no pa- pel tão bem quanto o guache. Se preferir fornecer a seu filho papel branco, adi- cione à goma líquida um pouco de corante. Se não tiver goma de amido em casa, experimente valer-se da seguinte alternativa:

Tinta de sabão em flocos: Apenas misture um pouco de água com sabão em flocos para formar uma pasta e, se quiser, adicione corante comestível. E uma tinta válida, mas não tão eficiente quanto a goma de amido. Se não quiser ter o trabalho de fazer tinta, compre guache em qualquer loja especializada em material de pintura. Compre tinta em pó, que é mais barata e pode ser preparada, na hora de ser usada, em potinhos vazios de sopa de bebe. Não precisa comprar mais do que duas ou três cores. Acondicione os potinhos de tinta numa caixa de papelão, para que a criança possa carregá-los com facilidade e também para evitar derramamento; poderá também colocá-los dentro de uma fôrma de bolo. Para secar as pinturas acabadas, ponha-as sobre um secador de roupas ou penduradas com pregadores de roupa num varal ao ar livre.

CANETAS, LÁPIS DE COR E GIZ Caneta esferográfica: As crianças gostam de desenhar com a caneta esfe- rográfica da mamãe ou do papai; sentem-se realmente adultas. Caneta com ponta de feltro: Trata-se de um instrumento ideal para uma criança usar quando estiver desenhando. Forre o chão com jornais e dê ao seu filho(a) uma caneta desse tipo, bem como uma caixa grande de papelão, à guisa de papel de desenho. Não se afaste do local onde ele estiver trabalhando, pois, sem vigilância, poderia começar a decorar a mobília e as paredes! Uma certa mãe permitiu que suas crianças fizessem riscos, imitando pêlos, em seus tórax, quando brincavam de Tarzan. Esses riscos desapareceram so- mente após duas semanas de banhos diários. Seria melhor comprar uma caneta cuja tinta fosse lavável, para lhe poupar trabalho. Lápis de cor: Mais do que qualquer outro brinquedo, pode ser a melhor arma das mamães. Como os blocos de madeira (e outros materiais), ele pode ser usado em várias idades, mas tem a vantagem sobre os blocos de poderem ser acondicionados em uma pequena sacola, para uso em salas de espera de consul- tórios médicos, durante as viagens de carro, ou por ocasião de visitas à vovó. Quando for comprar lápis de cor para uma criança mais nova escolha os mais grossos, que não se quebram sob a forte pressão de seus pequenos dedos. Ape- nas quatro ou cinco unidades, em cores diferentes, são suficientes. Giz: Pedaços grandes e grossos de giz em cores vibrantes possibilitam a re- alização de pinturas mais fluentes. As cores se misturam com facilidade, propi- ciando lindos matizes. (Se o seu fiIho(a) insistir em sobrepor as cores até obter uma tonalidade global cinza-sujo, não interfira, pois a experiência servirá de li-

ção.) Experimente umedecer os sacos de papel que ele usará para desenhar com giz. Isso tornará as cores fluorescentes.

ESTAMPAGEM* * As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em exercitar esse tipo de trabalho.

Despeje um pouco de guache ou tinta feita em casa num recipiente raso, colocando no fundo algumas toalhas de papel, para formar uma almofada de ca- rimbo. Forneça à criança algumas folhas grandes de papel branco ou um pano (lençóis velhos são excelentes para esse fim). Corte uma batata, um pimentão, ou um pepino ao meio e mostre ao seu filho(a) o modo de esfregar os pedaços de legumes sobre as toalhas empapadas de tinta, estampando-os, depois, sobre o papel ou lençol. (É provável que seu filho ao invés de pressionar o pedaço de legume sobre o papel, comece a esfregá-lo. Esse trabalho requer prática e ela só aprenderá com o tempo; entrementes, estará se divertindo com o mesmo grau de intensidade.)

Os seguintes objetos também possibilitam ótimas estampagens:

Chaves (mantenha-se vigilante, no caso de seu filho(a) ainda levar coi- sas à boca). Bobs para enrolar cabelo.

— Esponjas.

— Lápis.

— Folhas. Metade de uma laranja ou de um limão.

— Espumadeira.

— Colherinha de pau.

Qualquer objeto que possibilite um contorno interessante, e que não se es- trague com a tinta, poderá ser usado. Se você perceber que seu filho está realmente se divertindo, poderá deixá- lo decorar um rolo inteiro de papel branco ou um rolo de toalhas de papel.

COLAGEM As crianças gostam muito de fazer trabalhos em relevo, para tateá-los. For- neça a seu filho a cola que não vai ao fogo. Se usar bastante sal, ela se cristaliza- rá e cintilará quando endurecer. Poderá também fazer a seguinte cola cozida:

- 1/2 xícara de farinha de trigo.

- Adicione água fria até ficar com consistência cremosa.

- Cozinhe-a em fogo lento, mexendo sempre, por cinco minutos.

- Adicione algumas gotas de um óleo aromático qualquer, para ficar com aroma agradável.

- Adicione algumas gotas de corante comestível, para ficar com bonita aparência.

- Quando não estiver sendo usada, conserve-a em geladeira, dentro de um

pote bem tampado. _ (A cola cozida é mais durável e mais eficiente do que a que não vai ao

fogo. Não prejudicará a criança que não resista à tentação de levá-la à boca.) Colagem: É uma expressão francesa que dá nome ao trabalho de arte feito com vários materiais colados sobre um suporte. Forneça ao seu filho(a) um saco de papel transformado em superfície plana, onde ele poderá colar:

—• Biscoitos.

— Uvas passas.

— Cereais secos.

— Retalhos de papel colorido.

— Flocos de algodão.

— Retalhos de panos coloridos.

Estimule a criança a traçar linhas e pintar trechos a lápis de cor, tinta mági- ca ou giz. (Todos esses materiais são inofensivos às crianças de três anos que ainda levam coisas à boca; nenhum deles aderirá à garganta.) As crianças que já completaram quatro ou cinco anos de idade gostarão, talvez, de fazer colagens mais elaboradas. Nesse caso, terão que usar colas à base de P.V.A. A compra desse produto em embalagem maior é mais vantajosa. Despeje uma pequena quantidade num copinho de plástico e ensine a criança a colar com o auxílio de um pincel. (Este deverá ser lavado após cada uso, para não endurecer.) Cascas de ovos, madeira, conchas e botões prestam-se bem aos trabalhos de colagem. Aos quatro anos, as crianças já estão aptas a manejar tesouras com pontas rombudas e já perderam o hábito de pôr coisas na boca. (Se você não estiver bem certa disso, não deixe a criança usar os materiais abaixo discriminados.) Alguns dos materiais de colagem são:

— Flores secas.

— Macarrão cru.

— Botões grandes.

— Conchinhas.

— Folhas. -- Feijão cru.

— Sementes.

- Retalhos de madeira.

— Cascas de ovos.

Você poderá usar os materiais que julgar convenientes. Corrente de argolas de papel: Recorte uma ilustração de uma revista colo- rida em tiras de dois e meio centímetros de largura. Ensine seu filho a formar uma argola de uma das tiras, juntando as extremidades com cola ou fita adesiva. Ensine-o depois a passar uma segunda tira através da primeira e colar as extre-

midades para formar outra argola, assim procedendo até completar a corrente. Ela será tão grande quanto o for a paciência do seu filho(a). Para a confecção de correntes destinadas a enfeitar árvores de Natal, use papel lustroso de embrulhar presentes. Fita adesiva ou fita de papel adesivo: As crianças divertem-se muito ras- gando pedaços de fita adesiva e colando-os uns aos outros, ou sobre quaisquer superfícies. Caso elas encontrem dificuldade em manejar esse material pegajoso, experimente cortar uma corta quantidade de pedaços pequenos e fixá-los às bor- das de uma "icsa para serem usados aos poucos. Pratos de papelão: As crianças poderão decorá-los (a lápis de cor ou gua- che) e usá-los quando houver uma festinha ou então convertê-los em chapéus grotescos, com colagens de enfeites, atados ao queixo com fio de barbante ou elástico. Uma criança de cinco anos talvez se divirta recortando números de um velho calendário para fazer um relógio sobre um prato de papelão.

MODELAGEM Em geral, a criança, ao completar quatro anos de idade, não deseja apenas apertar, esticar ou sovar uma bolota de barro. Ela ainda se diverte com isso, mas também quer fazer qualquer coisa, como um objeto real, que ela possa conser- var. Por isso, modela boa quantidade de cobras, bolinhas, bonecos, bolos e tige- linhas. Também gosta de pintar os objetos de sua própria criação. Quando a cri- ança completa cinco anos, seus objetos tornam-se ainda mais reais. Com fre- qüência ela faz os braços, as pernas e a cabeça separadamente e junta-os depois para formar um bicho ou gente. As crianças de quatro e de cinco anos talvez modelem figuras humanas com enormes seios e enormes órgãos genitais, ou então com certas partes mutiladas ou ausentes. Nessa idade, elas ficam fascina- das pelas diferenças físicas existentes entre meninos e meninas. É perfeitamente natural imaginarem que, talvez, partes de seus corpos possam ser destacadas, cortadas ou quebradas. Essas preocupações silenciosas são aliviadas quando transpostas para o barro. Não se preocupe com certas criações aberrantes, pois lhe darão oportunidade de entabular uma pequena conversa com a criança sobre sexo.

A seguir, você encontrará uma boa receita de massa para modelagem feita em casa:

— l xícara de farinha de trigo.

— l xícara de sal.

— Água suficiente para dar consistência.

Esta massa feita em casa endurece e pode ser pintada. Todavia, é extrema- mente quebradiça quando seca. Caso seu filho reclame contra esse inconveni- ente, você ganhará sua gratidão se comprar-lhe um material de modelagem mais resistente. É o caso do barro que pode ser adquirido em fábricas de cerâmicas. Dura por tempo indeterminado, desde que fique dentro de um recipiente bem tampado, ou dentro de um saquinho de matéria plástica bem amarrado. Para

conservar o barro úmido, faça um furo bem no centro dele e encha-o de água. Algumas espécies de barro, para cerâmica precisam ser queimados em fornos especiais e outras endurecem como pedra sem exigir esse tratamento.

COSTURA, TRANCAS E TRICÔ Roupas sem costuras para bonecas: (As crianças de três anos talvez en- contrem dificuldade em executar esse tipo de trabalho.) Uma menininha é capaz de fazer roupas para sua boneca, usando retângulos de pano e abrindo, bem no centro dos mesmos, com tesoura de ponta rombuda, buracos por onde passará a cabeça. Depois será apenas uma questão de ajustá-la com uma faixa ao corpo da boneca. Uma blusa poderá ser feita de um retângulo de fazenda mais curto; um vestido, de um comprido, e uma saia, de uma altura de pano que envolverá a cintura da boneca. Pedaços de fita darão o toque elegante. Costura verdadeira: (As crianças de três anos talvez encontrem dificulda- des em executar esse tipo de trabalho.) O melhor caminho para iniciar as crian- ças na costura (os meninos também gostam de coser!) é o de fornecer-lhes car- tões perfurados. Corte pedaços de papelão com quinze centímetros de cada lado (forre-os, se o desejar, com papel de cor bem viva) e perfure as margens, obser- vando um espaço de dois e meio centímetros entre cada furo. Mostre à criança como passar um cordão de sapatos ou um fio de barbante através dos furos. (En- dureça as extremidades do barbante, enrolando-as com fita adesiva.) Se ela estiver realmente interessada, forneça-lhe uma agulha grossa e sem ponta (as crianças sentem dificuldade em costurar com agulha fina; aliás, esse tipo de agulha é responsável por muitos acidentes), bem como linha de bordar. Dê-lhe também um quadrado de vinte centímetros de cada lado de um tecido de trama larga, para facilitar a passagem da agulha. Uma criança de quatro a cinco anos gosta de costurar apenas por diverti- mento. Não está interessada em fazer uma coisa identificável. Para ela, todavia, o trabalho que fizer será uma coisa. Algumas meninas de cinco anos entusias- mam-se muito por costura e aprendem a fazer ponchos simples, panos de segu- rar panelas, saias e capinhas de bonecas (com orientação e ajuda). Conseguem, também, costurar armações em saiotes de bailarinas. Trancas: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em exe- cutar esse tipo de trabalho.) Corte longos fios de lã grossa ou longas e estreitas tiras de meias velhas de nylon. Amarre-os à maçaneta de uma porta e ensine a criança a fazer trancas. Trata-se de um bom entretenimento que poderá ser inter- rompido e recomeçado, e você não precisará guardá-lo nos intervalos. Agulhas de tricô e barbante'. Em geral, meninos e meninas que estão pres- tes a completar seis anos são capazes de aprender a tricotar, usando agulhas grossas de madeira e barbante (que, ao contrário da lã, não desfia). Possivel- mente a vovó pegará todas as malhas que eles deixarem escapar!

SUGESTÕES PARA AS MÃES QUE GOSTAM DE COSTURAR Livro jeito de tecido: Corte quatro ou cinco pedaços de pano de uma única cor (quanto mais firme for o pano, melhor, sendo que brim grosso ou lonita são muito adequados) nas dimensões de trinta por quarenta centímetros. Empilhe-os com exatidão e una-os passando uma costura no centro, de alto a baixo. Seu fi- Ihinho poderá, então, decorar página por página a lápis-cera. Quando ele houver terminado sua obra de arte, pressione os pedaços de pano com um ferro de pas- sar roupa não muito quente. (Proteja o ferro e a tábua de passar roupa colocando uma folha de mata-borrão sobre a tábua e duas sobre a página de pano a ser pas- sada.) As cores ficarão fundidas ao tecido e se tornarão indeléveis. Boneca de pano: Desenhe um contorno de boneca sobre um pedaço de te- cido; recorte, depois, dois modelos idênticos e una-os por meio de uma costura, deixando apenas uma pequena abertura. Vire a peça para o lado direito e encha-a com espuma de plástico, algodão em pasta ou meias velhas, de nylon. Feche a abertura e passe costuras nas partes superiores das pernas e dos braços para de- marcá-los e torná-los articulados. Finalmente, desenhe com tinta mágica um co- ração no peito da boneca e escreva uma mensagem carinhosa: "gosto muito da (escreva o nome de sua filha)".

CLASSIFICAÇÃO DE OBJETOS A criança que já completou três anos adora classificar objetos. Trata-se de um bom passatempo para as ocasiões em que os amiguinhos de uma criança aparecem para brincar, pois conserva duas ou três crianças ocupadas e satisfeitas por um período de vinte minutos ou mais. Ele ajuda a ensiná-las a diferenciar os diversos tamanhos e desenvolve a coordenação dos olhos com as mãos. Um modo fácil de aprender a classificar objetos é deixar o seu filho(a) ajudá-la a classificar a roupa a ser lavada. Não se surpreenda se, de início, ele achar o tra- balho muito intrincado, pois, de fato, não é dos mais simples para uma criança de três anos. Botões: (Brincadeiras com botões não são indicadas para as crianças que ainda levam coisas à boca.) Se você tiver uma boa coleção de botões de vários formatos e tamanhos terá em mãos muitas possibilidades de proporcionar diver- sões às crianças. Ofereça uma embalagem de ovos a cada uma delas e sugira- lhes fazerem a classificação dos botões por tamanho. Também poderão jogá-los dentro de um pote ou de uma vasilha de plástico. Com igual finalidade, faça fendas de diversos tamanhos em tampas de caixas vazias. Ensine-as a construir (as crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em executar esse tipo de trabalho), sobre o tapete da sala, estradas sinuosas e cheias de cruzamentos. Tal brincadeira, entretanto, demandará "bilhões de botões!" Baralhos: Alguns maços de baralhos velhos também divertirão um peque- no grupo de crianças por bastante tempo. As mais novas poderão classificar os maços por naipes e as maiores talvez preferirão classificá-los por números e fi- guras do mesmo tipo.

Outros objetos para serem classificados (se você tiver certeza de que a cri- ança não os levará à boca) são: uma mistura de lentilhas, grãos de feijão e cra- vos-da-índia, macarrão miúdo de vários formatos, conchas, moedas e contas de bijuteria velha.

FIADA DE VÁRIOS MATERIAIS Macarrão seco: (Inadequado para as crianças que ainda levam coisas à

boca.) Dê à criança alguns canudos curtos de macarrão cru para ela fazer colares

e pulseiras, enfiando-os como contas. O melhor barbante para a criança pequena

é o cordão de sapato (se não tiver cordão de reserva, tire um do sapatinho da

própria criança). Se usar barbante, enrole fita adesiva nas pontas do mesmo, a fim de endurecê-las. Para que os ornamentos fiquem mais vistosos, deixe o seu filho(a) pintar os canudos com corante comestível. Depois que a tinta estiver seca, ele poderá passar o cordão pelos canudos. Limpadores de cachimbo: Constituem ótimos brinquedos para quase todas as idades, de três até oitenta e três. Um simples envergar das varetas, para lhes dar uma certa forma, e a união das mesmas, pode resultar numa coleção de criaturas que vai de elefantes a bonecas. Os limpadores de cachimbo comuns são apropriados, mas pode ser que você encontre à venda limpadores coloridos e de várias grossuras. Canudinhos para refresco e limpadores de cachimbo: Corte os limpadores de cachimbo em pedaços de cinco centímetros. Ensine o seu filho(a) a introduzir as extremidades de um desses pedaços nos orifícios de dois canudinhos para re- fresco. Os limpadores funcionarão como juntas que podem ser flexionadas de todas as maneiras. Deixe a criança continuar adicionando mais canudinhos (cortados nos tamanhos que achar melhor) e limpadores de cachimbo até termi- nar a coisa que ela estiver pretendendo fazer. Para variar, ela poderá furar peda- ços de papel colorido e enfiá-los nos limpadores de cachimbo antes de uni-los aos canudinhos.

LIVRE CRIAÇÃO A maioria das crianças de quatro a cinco anos adora fazer coisas de imagi- nação, desde que tenha à sua disposição um sortimento de materiais e que receba incentivo. Experimente dar a seu filho um pouco de cola, fita adesiva e uma co- leção heterogênea de pinhas, palitos, pequenas embalagens de plástico, cascas de nozes, pedaços de papel colorido e retalhos de pano, pedaços de rolhas ou batata, bolotinhas de massa para modelagem, canudos para refresco, fitas, etc. (Você descobrirá coisas até melhores.) Às vezes a criança tem vontade de fazer coisas de imaginação e outras vezes poderá preferir fazer um objeto específico, como uma boneca feita com pregadores de roupa, ou um barco de casca de no- zes.

Animais feitos com embalagens de plástico: (As crianças de três anos tal- vez encontrem dificuldade em executar esse tipo de trabalho.) As carcaças de

animais poderão ser feitas com cestinhas de plástico que servem de embalagem para frutas. Para fazer um leão, por exemplo, você poderá desenhar uma cara de leão num pedaço de cartolina, pintá-la e colá-la a um dos lados da cestinha de plástico. Faça as pernas com limpadores de cachimbos e a juba com fios de lã. Não haverá necessidade de se revestir a embalagem. Ela poderá também ser re- cortada, com tesoura grande, em diversos formatos que, pendurados por fios de nylon num cabide, se converterão em mobile. Bonecas feitas com pregadores de roupa: O pregador de roupa sem molas (veja ilustração), feito de madeira, é apropriado para a confecção de bonecas. A criança poderá vestir uma boneca feita com pregador de roupa, envolvendo seu corpo em um pedaço de pano, à guisa de vestido, ou suas perninhas com algum retalho de tecido, à guisa de calça. O cinto poderá ser de fita ou barbante. Os cabelos poderão ser feitos com fios de lã, massinha para modelagem, papel, etc., e os braços com canudinhos ou com limpadores de cachimbo. Depois disso, en- sine a criança a desenhar a lápis de cor ou caneta esferográfica, os olhos, nariz e boca na cabeça do pregador de roupa. Barcos de cascas de nozes: (Brinquedo inadequado para as crianças que ainda levam coisas à boca.) Belos barquinhos poderão ser feitos com cascas de nozes partidas ao meio e esvaziadas. Ponha mastros de palitos de fósforo usados, firmando-os com massinha para modelagem e velas de pedaços de pano branco ou de tiras de papel. Uma criança diverte-se muito quando navega esses barquinhos numa bacia ou banhei- ra com água. Esses barquinhos também adornam muito um mobile ou um está- bile.

Animais e torres feitos com rolhas e batatas cruas: (Brincadeiras desse tipo não são indicadas para crianças que ainda levam coisas à boca.) Valendo-se de rolhas de vários tamanhos e de uma porção de palitos, mostre à criança como espetar quatro palitos numa rolha grande para fazer as pernas de um bicho; use outro palito para fazer o pescoço e junte a este uma rolha menor para fazer a ca- beça. Deixe o seu filho(a) tentar fazer, sem nenhuma ajuda, bichos selvagens e outros que sua imaginação criar. Na falta de rolhas, use batatas cruas inteiras ou cortadas em vários tamanhos. Com estes materiais ele também poderá fazer tor- res.

Passarinhos jeitos com pinhas: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade na execução desse trabalho.) Ajude a criança a unir com cola uma pinha grande a uma pequena para obter um corpo e cabeça de ave, respectiva- mente. Cole às pinhas penas verdadeiras ou feitas com papel colorido picado. Mobile ou Estábile: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade na execução desse tipo de trabalho.) Arranje uma pequena caixa de papelão va- zia, cujo fundo deverá servir de base a um objeto estático. Introduza a ponta do gancho de um cabide na base da caixa; trabalhando pelo lado de dentro da caixa, dobre o gancho e firme-o bem com fita adesiva (ou faça uma base para o mesmo com uma bolota grande de massinha para modelagem. Deixe a criança amarrar

vários fios de lã ou de nylon, de diversos comprimentos, ao cabide, e pendurar nas extremidades dos fios vários tipos de enfeites, como:

Pinhas (brinquedo inadequado às crianças que ainda levam coisas à

boca).

— Colheres de plástico.

— Pedaços de papel colorido.

— Pedaços de papel de alumínio.

— Cortadores de massa.

Conchas (não são indicadas para as crianças que ainda levam coisas à boca).

SIMULAÇÃO As crianças entre as idades de três e seis anos gostam muito de fingir que são bichos e coisas de todos os tipos, escolhendo, para tanto, toda uma linha que vai de tigres a aviões. Mas apreciam, particularmente, simular que já são adultas - - motoristas de caminhões, maquinistas de trem, bombeiros, empregados de es- critório, a mamãe e o papai. Por isso, quando você fizer faxina nas gavetas e nos armários embutidos, não jogue fora as roupas e coisas velhas suas e de seu marido. Seu filho achará, por exemplo, divertido fingir que está se barbeando com um velho aparelho de fazer barba (sem lâmina), pincel e creme de barbear. Se o papai tiver por hábito levar consigo para o trabalho uma lancheira ou pasta, o menino também gostará de ter objetos semelhantes para, com eles, se exibir pela casa toda. Os meninos gostam também de usar peças de fardamento — distintivos policiais, insígnias do exército, capacetes de bombeiros — assim como botas e chapéus de vaqueiro. As meninas também os apreciam. As crianças de ambos os sexos gostam de vestir as saias da mamãe. Esse procedimento é absolutamente normal nessas idades. Não se impressione se o seu garotinho lambuzar a boca com batom — a menos que você queira resgatar o de sua predileção — pois isso não é prova de que ele tenha tendências a tor- nar-se afeminado. O simulacro não começa nem termina com as vestimentas, pois está incul- cado nas crianças dessa faixa de idade; ele manifesta-se em todas as suas ativi- dades, que vão do devaneio até o brinquedo com tintas e barro. Os fantoches são considerados excelentes meios da criança simular e representar; também o são os livros de estórias. As crianças de três, quatro e cinco anos de idade, têm a im- portante tarefa de tentar separar o mundo real do mundo fingido, sendo que dela se ocupam o tempo todo. Reis, Rainhas e Vaqueiros: Para brincarem de rei, rainha e vaqueiro tanto os meninos quanto as meninas adorarão possuir, entre outras, as seguintes peças de vestuário velho:

Vestidos

Sapatos

Saias Qualquer uniforme Blusas Casacos Aventais Carteiras Flores artificiais Bijuteria Echarpes Saiotes armados Véus Fitas Chapéus Sapatos Camisas Calças Chapéus Macacões Calças de trabalho Cachecóis Carteira Insígnias das forças armadas Emblemas Bonés Qualquer uniforme (de policial, médico, carteiro ou militar). Guarde essas peças de vestuário numa caixa grande para o momento em que uma das crianças perguntar: "O que vamos fazer agora, mamãe?"

OUTROS MATERIAIS PARA FANTASIA Papel de alumínio: Se a ocasião for especial e você estiver disposta a usar esse material mais caro, dará muita alegria à criança. Para uma menina, ajeite um pedaço circular de papel de alumínio em forma de coroa de princesa ou de fada. Cubra uma colher de pau ou uma vareta com esse mesmo material para fazer uma varinha de condão ou cetro. Para um menino, cubra um chapéu com papel de alumínio; depois corte dois pedaços grandes do mesmo papel e coloque como se fossem placas um no tórax e outro nas costas da criança. Junte a parte da frente à das costas amassando o papel na altura dos ombros e firmando-o bem com fita adesiva. O menino ficará parecendo um cavaleiro com armadura bri- lhante! Se quiser, cubra a parte superior de uma caixa de sabão para fazer um escudo. Sacos grandes de papel: Estes podem ser transformados em máscaras ma- ravilhosas; se as crianças desejarem máscaras enfeitadas, poderão colorir o lado de fora dos sacos de papel e colar fios de lã ou de barbante, à guisa de cabelos, e papel, à guisa de orelhas, etc. Castelos, grutas e aviões: Uma cadeira talvez seja, para você, apenas uma cadeira com ou sem manchas de chocolate no assento. Porém, para as crianci- nhas, cadeiras, mesas e camas podem tornar-se barcos, trens ou uma casa com- pleta. Bastará apenas uma pequena sugestão sua para dar rédeas à imaginação das crianças.

Uma cama poderá ficar sendo um barco no qual elas estão viajando. Caso elas desçam da cama, lembre-as de que estão na água e que deverão nadar para chegar ao barco. Uma fileira de cadeiras é usada como trem ou avião. Arrume um lanche (frutas ou doce) para as crianças comerem na viagem. Uma mesinha sobressa- lente fará as vezes do restaurante desses meios de transporte. Na hora da partida, dê-lhes alguns livros para lerem no trem ou no avião. Uma mesa de jogo ou de cozinha, com ou sem colcha ou cobertor, trans- forma-se, facilmente, em uma casinha ou gruta. Uma pequena lixeira, feita com material resistente, poderá converter-se num bom cavalo, para montaria de lado. Tubos de papelão (de rolos de papel higiênico ou de toalhas de papel) po- dem ser transformados em reais cometas, megafones e telescópios, principal- mente se você envolvê-los com fita adesiva colorida. Forneça um exemplar ao seu filho(a) e sugira-lhe brincar de músico da banda, marinheiro a bordo ou de astronauta observando outros planetas. Caixas grandes de papelão, três ou quatro enfileiradas, simularão um trem.

O

condutor poderá valer-se de uma embalagem de ovos para receber o dinheiro

e

fornecer as passagens feitas de pedaços de papel picado. O vendedor do trem

se incumbirá de vender revistas e sanduíches. Pequenas lancheiras verdadeiras, contendo docinhos e uvas-passas, poderão acompanhar os passageiros na via- gem.

Um prato de papelão fará as vezes de um volante. Essa mesma fileira de caixas de papelão poderá representar um carro ou um barco. Para variar, faça uma laçada de tamanho adequado num pedaço de corda de varal e amarre a ou- tra extremidade a uma caixa. As crianças poderão, em turnos, conduzir e serem conduzidas. Enquanto se divertem, estarão queimando o excesso de energias. Latas e caixas vazias de conservas podem simular um ótimo armazém de brinquedo. Guarde uma boa coleção para o armazém dos dias chuvosos. Enxá- güe as latas sem estragar as etiquetas. Com pedaços de papel de alumínio ou de papel colorido faça papel--moeda e forneça botões para representarem moedas.

Uma embalagem de ovos será uma ótima caixa. As crianças passarão momentos divertidos representando o papel de donos de armazéns. Segue uma lista de latas

e caixas que poderão ser guardadas para esse fim:

de doces de sal de frutas de fermento de bolachas de sucos de sopas de chocolate em pó de chá de leite em pó de legumes de sabão Um pé de meia curta poderá ser colocado na ponta de um cabo de vassoura, para simular a cabeça de um cavalinho de pau. Encha a meia com trapos e amar-

re-a, firmemente, ao pescoço do cavalo em volta do cabo. Se quiser — e se a criança não tiver o hábito de levar coisas à boca — acrescente olhos de botões e língua de pano vermelho.

FANTOCHES Pequenos sacos de papel podem ser convertidos em fantoches manuais, desde que você ensine a criança a desenhar as caras dos mesmos. Um saco bran- co será usado para fazer um fantasminha; um saco lustroso, para fazer um cava- leiro. Se você fizer um pequeno orifício, à guisa de boca, a criança poderá intro- duzir nele um de seus dedinhos, para fazer as vezes de uma língua. Dois dedi- nhos substituirão as orelhas. Meias curtas e mitenes velhas também poderão, com bons resultados, ser convertidas em fantoches manuais. A criança poderá enfiar a mão até a ponta da meia (ou mitene) e fazer o fantoche falar por meio de movimentos do polegar da criança contra os demais dedos. Pregue, se quiser, na parte da meia ou mitene destinada aos dedos, dois botões à guisa de olhos e um à guisa de nariz; faça a boca costurando uma tirinha de pano vermelho. Fantoches de batata e de maçã: Com a ponta de uma faca ou de um ins- trumento apropriado, faça uma cavidade, do tamanho de um dedinho de criança, no meio de uma maçã ou batata grande. Depois prenda (com pedaços de palito) duas fatias de azeitonas recheadas, à guisa de olhos. Poderá, também, entalhá- los ou fazê-los com cravos-da-índia. Um lenço amarrado à mão da criança com- pletará o corpo do fantoche. Para movimentá-lo, a criança agitará o dedinho dentro da cavidade. A própria mão poderá ser um fantoche: Com tinta mágica, la-vável, dese- nhe olhos, nariz e boca nos vincos da palma da mão de seu filho(a). Movimen- tando os dedos, ele poderá criar uma porção de expressões cômicas. Se duas cri- anças tiverem ambas as mãos desenhadas, terão quatro tipos de fantoches para entabu-larem conversas. Casas de bonecas: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em executar esse trabalho.) As casas de bonecas vendidas nas lojas de brinque- dos raramente têm espaço suficiente para as crianças brincarem com a sua famí- lia em miniatura. As feitas em casa são muito fáceis de serem executadas e são melhores do que as compradas. Poderão ser abertas na parte de cima ou de um dos lados e, neste último caso, cada compartimento ficará semelhante a um pe- queno palco. Você poderá fazer uma dessas casas, usando várias caixas de pa- pelão duro e ondulado. (As caixas de papelão para embalar bebidas são as mais resistentes, mas as embalagens de latarias pesadas que são distribuídas nos su- permercados também servem.) Usando uma pequena faca de cozinha, faça, nos lados, aberturas para portas

e janelas. Uma casinha térrea, sem teto, facilita a colocação dos objetos mas, se

a criança o exigir, faça um teto removível, usando uma folha grande de papelão grosso ou, empilhando duas ou três caixas, poderá fazer uma casa de maior nú-

mero de andares. Nesse caso é melhor usar a modalidade de casa que tem aber- tura lateral. Se a caixa for comprida e bem larga, poderá dividi-la, com papelão, em dois compartimentos. Seu filho(a) poderá pintar a guache as paredes interiores da casa, ou reves- ti-las com retalhos de papel de parede ou pano. Papel contact é também muito adequado. Use pequenos retalhos de tecido grosso, à guisa de tapetes. Caixas de charutos, embalagens circulares de queijo e caixas de fósforo formam mesinhas e caminhas. Cole palitos de fósforo ou pinos de madeira para formar as pernas dos móveis. Caixinhas para embalar presentes podem, igual- mente, ser transformadas em banheiras, camas e mesas. Não importa que não se pareçam com a coisa verdadeira. Um simples pedaço de pano ou um pedaço de sabonete ou esponja, transformarão uma caixinha em cama ou banheira, respec- tivamente. Uma família de bonecas pode ser formada com limpadores de cachimbo e com barro ou com pregadores de madeira sem molas. Todavia, as bonecas mi- núsculas de borracha flexível ou de plástico, com membros articuláveis, vendi- das em lojas de brinquedo são, sem dúvida, mais satisfatórias porque podem fi- car sentadas e são vestidas e trocadas com mais facilidade. Casinhas de brinquedo: Caixas de papelão ondulado de grandes dimen- sões, usadas para protegerem fogões, geladeiras e outros artigos durante o trans- porte, podem, em geral, ser aproveitadas para a construção de maravilhosas ca- sinhas de brinquedo. Embora você ou os seus vizinhos talvez não estejam em vias de comprar um desses artigos, quem sabe você, não obstante, conseguirá arranjar uma caixa em alguma loja especializada na venda de aparelhos de uso doméstico. Às vezes, o gerente da loja poderá ceder uma embalagem de um dos artigos em exposição. Em caso negativo, a única solução será comprar uma cai- xa; consulte as Páginas Amarelas para obter endereços de fabricantes de papelão ondulado. Para fazer uma casinha, abra, primeiramente, uma porta e uma janela. Seu filho(a) fará a pintura da mesma, usando guache e um pincel grande. A mobília e a decoração da casa ficarão também a cargo dele. Retalhos de tecido serão usa- dos à guisa de cortinas (ajude-o a pregá-las com fita adesiva larga). Uma ou du- as almofadinhas velhas farão as vezes de cadeira ou de cama, e algumas paneli- nhas e tigelinhas comporão uma cozinha. Se a casa for utilizada ao ar livre, ela se conservará por mais tempo se você tiver o cuidado de pintá-la e arrastá-la à noite para um local abrigado. Use tinta a jato, que é mais simples de ser usada. Faça esse trabalho quando seu filho(a) estiver dormindo, senão ele ficará com vontade de ajudá-la e as crianças pequenas não devem entrar em contato com tinta a jato. O bode expiatório um boneco especial As crianças na idade aproximada de três anos entram numa fase relativa- mente calma e, por isso, poucos são os membros da família que recebem socos, pontapés ou arranhões. Entretanto, ocorre-lhes uma outra idéia — uma ótima

idéia — a de que bater em alguma coisa é quase tão bom quanto bater em al- guém, com a vantagem de não passarem por tantos apuros. Dar socos num ur- sinho de pelúcia ou atirá-lo ao chão, parece-lhes mais seguro do que atacar a ir- mãzinha menor ou a mamãe. Às vezes, as crianças pequenas reservam, esponta- neamente, um de seus próprios bichinhos ou bonecas para que sirvam de bode expiatório das suas cóleras e frustrações. Elas o sovam, repreendem e dão-lhe pontapés. Às vezes, um boneco feito especialmente para esse fim, poderá ajudar muito uma criança. Por que tais agressões são necessárias? Por que as crianças não podem aprender a não ficar com raiva e a não esmurrar o próximo? Aprender novas coi- sas — como jogar bola, comer com colher, sentar-se à mesa — é tarefa difícil e que acarreta, freqüentemente, frustrações. As crianças aprendem principalmente porque os pais assim o desejam. Elas querem agradá-los, mas o trabalho é árduo. Precisam controlar os músculos das mãos e dos pés, os olhos, os ouvidos e os intestinos. A frustração e a raiva são inevitáveis quando as crianças estão se des- envolvendo. Ao contrário dos adultos, que podem arremessar com raqueta uma bola de tênis, jogar boliche ou desabafar seus sentimentos com um amigo com- placente, as crianças pequenas não dispõem de muitos recursos para extravasar suas frustrações. Poderão, porém, aprender a se desabafar agredindo coisas ao invés de pessoas, o que já constitui um grande passo à frente. Você deverá aju- dá-las a adotar esse procedimento. Inúmeras mães e professoras de escolas maternais afirmam que o boneco bode expiatório dá ótimos resultados. Em certos casos, vale a pena fazer uma quantidade de bonecos para representar a família inteira - - mãe, pai, o bebê (este boneco será realmente muito importante se houver em casa uma criança recém-nascida), e a irmãzinha ou irmãozinho mais velho. Uma maneira fácil de fazer um bode expiatório é a seguinte: Recorte num pedaço de lonita ou brim grosso o contorno de uma cabeça de boneco. Encha-o com meias velhas de nylon (ou com espuma de plástico) e costure-o. Borde as feições do boneco com linha de bordar colorida. O cabelo é feito com fios de lã grossa costurados no próprio tecido. Os fios devem ficar bem seguros para pode- rem agüentar os puxões. Esse boneco não precisa ter corpo. Simplesmente pre- gue ao tecido que termina no pescoço uma blusa de mulher, camisa de homem ou um casaquinho velho de bebê. Para melhor identificação por parte da criança, use roupas pertencentes à pessoa que será transformada em bode expiatório. Com ele as crianças poderão desabafar, sem causar danos, sentimentos que pre- cisam e devem ser externados. Sentimentos recalcados poderão causar futuras perturbações. Você ficará surpresa com os ótimos resultados que esses bonecos proporcionarão.

PREPARAÇÃO DE COMIDA E LIMPEZA DE CASA As crianças querem ajudar a mamãe: Muitas tarefas domésticas constituem divertimentos para as crianças. Sentem-se felizes e, ao mesmo tempo, ficam

ocupadas enquanto você estiver trabalhando; gostam de sentir que estão traba- lhando ao seu lado. A criança de cinco anos gosta muito de ser útil e ajudar a mamãe. A criança de três anos pode não lhe prestar reais serviços, mas tem, fre- qüentemente, muita vontade de ajudar. Não a esmoreça. Escolha um trabalho simples que não exija precisão ou atenção meticulosa e que possa ser feito de maneira superficial. Ela logo aprenderá a fazer as coisas com perfeição.

A lavagem de louças, de vez em quando, proporciona à maioria das crian-

ças um verdadeiro prazer. Deixe as crianças menores começarem com recipien-

tes de alumínio, de plástico ou com talheres. As que já estão com cinco anos, em geral, são capazes de manusear objetos quebráveis sem danificá-los.

A arrumação da mesa: As crianças de três anos conseguem aprender a dis-

tinguir o lado direito do lado esquerdo, colocando, nos respectivos lugares da mesa, as esteiras, guardanapos e talheres. As mais velhas podem acrescentar os copos.

A lavagem de madeiramento, geladeira, fogão, cadeiras e bancos é um tra-

balho que causa satisfação à criança. Dê-lhe uma bacia com um pouco de água e sabão. Ensine-a a espremer a esponja para tirar o excesso de água; ela, então,

poderá entregar-se ao trabalho. Este dará bons resultados, pois muitas superfí- cies ficarão brilhando depois de persistentes esfregas.

E divertido tirar o pó dos móveis e usar o aspirador: Enquanto você se in-

cumbe de tirar o pó dos móveis, consinta que seu filho use o aspirador. Quando

você precisar deste último, ele poderá lustrar os móveis com um pedaço de fla- nela. Uma criança de três anos pode aprender a fazer revezamento. Classificação de talheres: A criança que já completou quatro anos tem ca- pacidade de pôr em ordem uma gaveta de talheres, separando e fazendo peque- nos lotes de colheres, de garfos e de facas. Lavagem de legumes: Deixe o seu filho(a) lavar batatas, cenouras e beter- rabas. Dê-lhe uma escovinha apropriada para esse trabalho.

O preparo de legumes: Todas as crianças gostam de debulhar milho e er-

vilhas, rasgar folhas de alface e cortar vagens. Dê a seu filho uma faca sem corte

e deixe-o picar uma batata. Você poderá cozinhá-la ou jogá-la fora (a criança ficará mais contente se você cozinhar a batata).

PREPARAÇÃO DE ALIMENTOS QUE NÃO PRECISAM IR AO FOGO*

* As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em executar este tipo de trabalho. Glacê: Quando estiver fazendo bolinhos, faça a seguinte receita básica de glacê branco:

— 1/4 de xícara de manteiga derretida.

3 xícaras de açúcar de confeiteiro.

— 3 a 4 colheres de sopa, de leite.

— l colher de chá de essência de baunilha.

Dê a cada criança um copo de plástico contendo pequena quantidade de glacê, ao qual ela mesma adicionará corante comestível. Também incumbir-se-á de pôr o glacê numa forminha e decorá-lo com chocolate granulado, uva-passa, nozes picadas ou com pequenas porções de geléia. (Quando você estiver cobrin- do um bolo, dê às crianças as sobras de glacê para elas pingarem sobre biscoitos simples e adicionarem chocolate granulado ou uva-passa.)

Sobremesas de preparo instantâneo: (Uma criança de três anos talvez en- contre dificuldade em realizar esse trabalho.) As crianças gostam de abrir paco-

tes de gelatina em pó e outras sobremesas

colocar os conteúdos em tigelas e adicionar leite frio ou água previamente medi- dos por você. (Adicione, você mesma, água fervendo à gelatina.) Deixe as crian- ças ficarem em pé nas cadeiras junto à mesa da cozinha para despejarem o pó e mexerem a sobremesa com mais facilidade. Elas deverão também colorir suas próprias porções de cereais em flocos, farinhas lácteas e outros mingaus de pre- paro instantâneo com corantes comestíveis e decorá-los com pedacinhos de no- zes, uva-.passa, geléia ou creme de chantilly. Limonada e laranjada: É bom saber que as crianças adoram extrair o caldo de laranjas e limões. Ofereça-lhes um espremedor manual, açúcar e água e dei- xe-as fazer um delicioso refresco. Com um pouco de ajuda, poderão encher com esse refresco um recipiente para gelo e levá-lo à geladeira para transformar o líquido em cubos de gelo. Saladas à hora do jantar: Enquanto você estiver preparando o jantar, as crianças poderão enfeitar metades de peras ou pêssegos com caras feitas de ce- rejas, uvas-passas, tiras de maçã ou rodelinhas de cenouras. As peras cortadas ao meio são adequadas à formação de coelhinhos. Ensine as crianças a fincar ore- lhas de fatias de amêndoas e a colocar rabinhos de requeijão. Pratos quentes: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em realizar esse trabalho.) Uma criança de cinco anos considera uma grande honra ter permissão para virar panquecas. Desde que você a supervisione de perto, ela poderá mexer ovos, fazer torradas e cozinhar cachorros-quentes. Também apre- ciará moldar e fritar seus próprios hamburgers. É aconselhável que você não ponha outra comida no fogo enquanto estiver observando o trabalho da criança. Deixe-a cozinhar numa hora em que você não tenha de cuidar de crianças mais novas. Pão de minuto: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em realizar esse trabalho.) Compre massa pronta para ser misturada com água e dei- xe as crianças sovarem e enrolarem os pãezinhos. Não importa quais sejam os seus formatos, mas sim o fato de as crianças estarem aprendendo, também, a contar, alinhar as unidades no tabuleiro e a utilizar uma ampulheta para marcar o tempo de cozimento. Mais do que qualquer outra coisa, as crianças gostarão de observar você comer algo feito por elas.

o requerem cozimento —

que

JOGOS Boliche: (As crianças de três anos talvez encontrem dificuldade em jogar este tipo de jogo.) Para improvisar um jogo de boliche, ajunte dez garrafas de plástico (vasilhame de água mineral é ideal) e uma lata de conservas, cilíndrica e fechada, que as crianças possam rolar no chão da cozinha. (Talvez seja melhor colocar um travesseiro atrás das garrafas, para proteger a parede mais próxima.) Guerrinha de jornais; Permita que a crianças façam pelotas de jornal amar- rotado, à guisa de munição, e construam trincheiras de caixas de papelão para brincarem de guerrínha. Ninguém se machucará e muita agressividade será ali- viada. Jogo de cabo de vassoura com chapéu: Amarre o cabo de uma vassoura ao espaldar de uma cadeira e pendure nele um chapéu velho que as crianças tenta- rão derrubar por meio de arremesso de uma esponja de plástico seca ou de um saquinho de pano contendo feijão cru. Arremessos circenses: Faça uma abertura circular de bom tamanho num lençol velho; drapeje-o numa cadeira ou mesa. Deixe as crianças brincarem de arremessar uma esponja para tentar em-bocá-la na abertura. Quando você orga- nizar uma festinha para as crianças, pinte uma cara grande no lençol e deixe a abertura servir de boca. Jogo de arremesso: Forneça às crianças uma porção de botões grandes ou cartas de baralho e um chapéu velho (ou caixa de sapatos), para elas tentarem embocar o maior número possível de peças. Quebra-cabeças: Pode-se manter uma criança (ou um grupo de crianças) entretida por bastante tempo com quebra-cabeças feitos de ilustrações de revis- tas. Escolha para cada criança uma ilustração grande e colorida e cole-a sobre uma folha de papelão de igual tamanho. Depois, corte-a em quatro ou cinco partes para serem rejuntadas pela criança. Faça troca de quebra-cabeças quando elas conseguirem armar os próprios com facilidade. Depois de algum tempo, corte-os em pedacinhos para torná-los mais difíceis de serem armados.

BRINCADEIRAS MUSICADAS Canto e dança: As crianças de três anos são capazes de cantar trechos de músicas e se divertem em dar pulos pela sala acompanhando o ritmo. Quando completam quatro anos, elas, geralmente, reconhecem melodias e são capazes de cantar músicas inteiras. Como as crianças nessa idade sentem fascinação por si- mulacros e estão sempre prontas a tomar parte em brincadeiras em grupos, estão na fase ideal de conhecer as maravilhosas antigas brincadeiras cantadas como "Ciranda, Cirandinha", "Marcha Soldado", "Carneirinho, Carneirão" e "Vamos passear na floresta". Se você souber tocar piano — ainda que seja só um pouco — e seus fi- lho(a)s tenham entre três a seis anos de idade, eles constituirão uma audiência que realmente saberá aplaudi-la. Aos cinco anos, muitas crianças aprendem a tocar com um só dedo melodias simples — desde que você as ensine. Podem,

também, começar a produzir movimentos primitivos de corpo, acompanhando os ritmos das músicas.

A dança passa a ser uma coisa importante para as crianças de cinco anos,

embora não estejam ainda preparadas para receber quaisquer modalidades de aulas de dança. Bastará uma pequena sugestão de sua parte ("faça de conta que

você é um índio" ou "faça de conta que você é uma árvore ao vento" ou "um ele- fante") para a criança nessa idade agachar-se, dobrar-se, bambolear o corpo, an- dar nas pontas dos pés e criar passos bastante elaborados ao ritmo da música. As crianças gostam mais de dançar descalças. Uma seção de dança um pouco antes da hora de dormir, estando as crianças em folgados pijamas e de pés descalços, diverte e ajuda a prepará-las para o sono.

O uso de um chapéu e de algo para segurar na mão, elimina, com freqüên-

cia, o acanhamento e liberta os movimentos e a imaginação da criança enquanto estiver dançando. Dê a seu filho echarpes de seda (ou de papel crepom), uma pena grande ou uma folha. Qualquer chapéu serve, ou então experimente dar-lhe uma máscara de papel .

SONS MUSICAIS Quase todas as crianças entre as idades de oito meses até seis anos (e tam- bém as de sete, oito, nove e dez anos) divertem-se imensamente com os seguin- tes objetos transformados em instrumentos musicais:

Tampas de panelas: Duas tampas com superfícies planas simulam um cím-

balo.

Misturador de bebidas: Ponha uma certa quantidade de macarrãozinho cru em um misturador de metal, ou num recipiente de alumínio, e firme bem a tam- pa para fazer um reco-reco. Latas grandes vazias: São fáceis de serem manejadas e batidas. Certifique- se de que não têm rebarbas. Conserve ou elimine as etiquetas. O efeito será o mesmo. Colher de pau: Este objeto é ótimo para fazer soar latas e tampas. Tubos de papelão de toalhas de papel: Quando o papel terminar, converta os tubos em pífaros e chocalhos. Para fazer um pífaro, faça cinco furinhos enfi- leirados nas proximidades de um dos extremos do tubo. Depois, vede a outra extremidade com papel parafinado. Quando a criança sussurrar uma melodia dentro do tubo, o som se ampliará. Se ela tapar, com os dedinhos, alguns dos furos, poderá produzir sons musicais diferentes. Interessantes chocalhos ou maracás poderão ser improvisados colocando- se punhados de feijão, arroz ou seixos em embalagens cilíndricas vazias e fir- mando-se as tampas com fita adesiva. Embalagens de produtos diversos poderão ser aproveitadas para a confec- ção de tambores e tamborins. Firme a tampa da embalagem por meio de fita adesiva, para transformá-la em tambor, ou então dê à criança apenas a tampa, à guisa de um tamborim.

Latas vazias de tinta: Estas latas, sem tampas e sem fundo, poderão ser transformadas em ótimos tambores. Arranje uma câmara-de-ar estragada, recorte dois discos do tamanho da circunferência da lata a ser usada e faça perfurações nas bordas dos discos com um furador de papel, ou com uma tesoura. Depois, prenda-os à lata por meio de barbante ou de cordão de sapato alternadamente passado entre os furos de ambos os discos pela parte externa da lata. Cordões de plástico ou de couro são os mais indicados. Pentes, cobertos com papel de seda, transformam-se em gaitas que produ- zem um bonito som metálico. Mostre à criança como segurar o pente junto aos lábios e cantar ou sussurrar com a boca entreaberta. Essa brincadeira também produz cócegas. Uma caixa de sapatos, sem a tampa, com oito ou dez anéis de elástico de vários tamanhos, esticados à volta da caixa, converte-se em harpa ou guitarra para ser dedilhada. Blocos de madeira: Pregue ou cole lixas de papel num dos lados de dois blocos de madeira. Quando atritados, de forma a acompanhar o compasso de uma música, as lixas produzirão um som arrastado semelhante ao dos conjuntos musicais. Sacos de papel pardo (ou de qualquer outra cor) poderão ser convertidos em chapéus cômicos para uso dos músicos da banda. Enrole as bordas em diver- sos formatos para fazer as abas. Você poderá comandar o desfile até o quintal para atrair maior número de recrutas. Discos: Ao escolher discos para crianças de três a seis anos, não se esqueça de incluir alguns destinados aos adultos e que contenham música folclórica, clássica, de jazz e de dança. Música de Mozart não é ouvida em silêncio pela criança pequena (a não ser que seja um músico inato), mas constitui agradável música de fundo nas horas de pintura feita com os dedos; ela também auxilia uma criança agitada a pegar no sono. Seja qual for a música de seu agrado — de dança, folclore, ópera ou canção — ela poderá também agradar a seu filho(a). O importante é a participação conjunta. Isso aplica-se, também, com referência a certas modinhas que sugerem de- terminados gestos e movimentos de corpo -- como a do "Pirolito que bate, bate". A primeira vez que o seu filho(a) ouvir uma delas ficará radiante se você cantar e fizer os movimentos junto com ele. Os discos de estórias infantis serão interessantes para as horas de sossego compulsório em que você estiver ocupada e não puder ler para a criança. Tam- bém serão úteis quando uma criança convalescente tiver que permanecer em re- pouso. Todavia, um disco nunca poderá proporcionar o mesmo clima de intimi- dade e aconchego que você oferece quando lê estórias para seu filho.

PLANTAS E ANIMAIS Uma criança pode aprender coisas sobre a natureza até num pequeno apar- tamento de cidade. Procure uma aranha, algumas formigas ou minhocas e colo- que-as dentro de um recipiente de vidro. (Se você for demasiadamente escrupu- losa, peça a cooperação de alguém!) Perfure a tampa do vidro para que os bichi- nhos possam respirar, e acrescente um punhado de terra, grama e folhas. A cri- ança observará as formigas e as minhocas fazerem túneis e a aranha tecer uma teia. Uma pequena lupa torna a observação mais absorvente ainda. Decorridos alguns dias, solte os bichinhos num gramado ou num trecho de terra para vive- rem em liberdade.

PLANTAS As plantas também consomem água: Encha um copo com água e adicione algumas gotas de corante comestível de cor vermelha. Corte, então, a parte infe- rior de um talo de aipo, ou de uma cenoura, e sugira à criança colocá-lo dentro da água colorida. Depois de várias horas, deixe-a cortar o legume com uma faca desafiada. Se o legume usado for aipo, ele apresentará listras vermelhas 'e bran- cas; se for cenoura, ela ficará vivamente vermelha por dentro. Essa surpresa mostrará à criança que as plantas também precisam de água. Outras necessidades das plantas: Deixe o seu filho(a) molhar uma esponja de plástico e salpicá-la com sementes de grama (ou de alpiste). Coloque-a sobre um prato e cubra-a com um utensílio de vidro transparente. Deixe-a, assim co- berta, no parapeito de uma janela ensolarada e permita que o seu filho(a) a regue diariamente. Quando surgirem os primeiros brotos, destampe o prato e, depois de algum tempo, coloque uma vasilha opaca sobre a grama brotada. Após alguns dias, destampe-a para que seu filho(a) observe o resultado. Formule a pergunta:

"O que uma planta necessita além de água?" Batata com cara cômica: Retire um pouco da polpa de uma batata grande e introduza nessa cavidade um chumaço de algodão umedecido. Depois corte a extremidade oposta, para que a batata assente em posição vertical e coloque-a numa pequena vasilha com água. Deixe seu filho(a) salpicar sementes de grama (ou de alpiste) sobre o algodão umedecido. Em poucos dias, desde que ele as umedeça assiduamente, a batata produzirá uma linda cabe-:ira verde. Então, ele poderá fazer os olhos, nariz e a boca da batata, espetando na mesma, com pali- tos, pequenos dentes de alho. As raízes são uma boa distração: Pegue alguns grãos de milho (ou de fei- jão) e ponha-os de molho pelo espaço de uma noite. Ensine, então, a criança a umedecer um chumaço de algodão e colocá-lo no fundo de um copo, adicionan- do alguns grãos de milho. Depois de algum tempo, ela poderá notar os pequenos fios de raízes espalharem-se e, logo depois, os caules crescerem à procura de ar e luz. (Verifique se a criança está umedecendo o algodão. ) Arvores provenientes de sementes: Sementes de goiaba, laranja e limão, deixadas de molho de um dia para o outro, podem ser plantadas em vasos con-

tendo terra vegetal. Com boas regas e sol suficiente, surgirão brotos escuros e lustrosos que se desenvolverão até formarem pequenas árvores. Flores de cebola: Espete três palitos numa cebola grande, para formar uma base, e depois coloque-a sobre um pequeno copo com água, de maneira que a sua parte inferior fique submersa. Deixe-a sobre o parapeito de uma janela en- solarada. Soltará, dentro de algum tempo, graciosas folhas verdes e, eventual- mente, produzirá uma flor. Pequenos canteiros de cascas de ovos: Toda vez que você fizer algum prato que leve muitos ovos, guarde as cascas para o canteiro das crianças. Elas poderão encher as metades das cascas com terra, aninhá-las em embalagens de ovos e plantar em cada uma delas uma semente grande, como de zínia, malme- quer, grão de ervilha seca ou de feijão (depois que tenham ficado a noite inteira de molho). Conserve o canteiro umedecido. Nem todas as sementes brotarão, mas pelo menos a metade deverá vingar. Quando atingirem a altura de quatro centímetros, poderão ser mudadas para pequenos vasos e, mais tarde, plantadas no jardim ou quintal. Trepadeira de batata-doce: Ponha a ponta mais estreita de uma batata-doce dentro de um copo com água e deixe-a num ambiente interno com pouca luz. Dentro de dez dias ela poderá ser levada para um lugar mais claro. Se não faltar água no copo, crescerão inúmeros ramos e folhas que formarão uma bonita tre- padeira para enfeitar a janela da sua cozinha. Consinta que seu filho(a) lhe ajude a pôr água no copo diariamente. Abacaxi: Mostre à criança como tirar uma fatia de cinco centímetros de grossura da extremidade superior de um abacaxi, deixando-a secar sobre um pi- res por dez dias. Então, ambos poderão plantá-la num pequeno vaso com terra arenosa umedecida. Conserve-a sempre úmida e, dentro de um mês, depois que começar a soltar raízes, mude-a para um vaso maior contendo terra vegetal e areia. Ela tornar-se-á uma planta exótica para enfeitar a casa e, quem sabe, pro- duzirá até um abacaxi. Caroço de abacate: O período de espera (geralmente de seis a sete sema- nas) é longo, mas, uma vez que o caroço germine e a planta comece a crescer, as transformações se processam rapidamente. Escolha um caroço de fruta bem ma- dura. Em primeiro lugar, lave-o com água morna. Introduza, então, no mesmo, vários palitos para apoiá-lo sobre um copo, de maneira que um terço do seu ta- manho fique imerso. Ponha-o num lugar quente e com pouca luz por um espaço de quatro a sete semanas. Seu filho(a) se incumbirá de ir adicionando a água ne- cessária. Diga-lhe que o caroço deverá rachar e soltar uma haste e raízes. Quan- do isso acontecer, ele ficará radiante de ser o primeiro a transmitir-lhe a boa nova. Então, é chegado o momento de transferir a planta para um local mais iluminado. Quando ela atingir a altura de treze centímetros, deverá ser mudada para um vaso grande com terra (que tenha pelo menos vinte e três centímetros de di- âmetro). Desde que a planta esteja num local ensolarado e seja regada uma ou

duas vezes por semana, ficará logo do tamanho do seu filho(a). Essa experiência é mais indicada para crianças maiores, pois as menores não têm paciência de esperar por muito tempo. Até mesmo as maiores tendem a esquecer de pôr água no copo durante o longo tempo que o caroço leva para germinar. Fica mais di- vertido depois que surge o primeiro broto.

ANIMAIS

A maioria das crianças, mesmo as de pouca idade, gosta de animais. Mas

não se pode esperar que as crianças cuidem deles enquanto não completem seis ou sete anos. A não ser que você tenha crianças de mais idade, cairá em suas mãos o trabalho de tratar e alimentar gatos, peixinhos dourados ou quaisquer outros bichinhos de estimação que possa lhes oferecer. Além disso, as crianças pequenas não têm noção de suas próprias forças nem dos danos que poderão causar. Muitas criancinhas ferem ou matam filhotes de gatos e de outros animais porque os apertam com demasiada força. Antes de a criança completar cinco ou seis anos de idade, não se pode esperar que ela compreenda a diferença entre apertar e segurar com delicadeza. Assim sendo, você precisará ficar perto da cri- ança, quando ela estiver brincando com um bichinho de estimação, para mos- trar-lhe como deverá segurá-lo. Por outro lado, não há nada tão instrutivo como cuidar de animais. Observar um gatinho, um coelhinho ou um peixinho dourado brincar e crescer é uma experiência maravilhosa que diverte e ensina. A criança que já completou cinco anos tem capacidade para observar e fazer perguntas objetivas: "O que um porquinho-da-índia come?", "Como o coelho faz a sua toca?", "A tartaruga gosta mais daquele canto do jardim do que do outro?", "Um ratinho branco é tímido?" ou "Com que se parecem os gatinhos recém- nascidos?" Para as crianças bem pequenas, é mais divertido observar os bichi- nhos do que segurá-los. Comedouro jeito em casa: Caso você resida em um lugar mais afastado do centro da cidade, a criança poderá observar a passarada voar e pousar. Até mes- mo as crianças de apenas dois anos de idade gostam de olhar pela janela e en- contrar um pássaro no comedouro. As maiores notarão os diversos tamanhos das

aves e apreciarão ficar à procura de exemplares das raças que já conhecem atra- vés de ilustrações. Infelizmente, as crianças que moram em áreas urbanas têm poucas oportunidades de observar outras aves além de tico-ticos, pardais e pom- bos.

A criança que já completou quatro anos é capaz de fazer um comedouro

para pássaros, usando uma caixa de papelão parafinado. Ajude-a a recortar, com tesoura de ponta rombuda, a partir de dois e meio centímetros da parte inferior da caixa, duas janelas de cinco a sete e meio centímetros de largura por dois e meio centímetros de altura. (Se forem mais altas, as sementes poderão se disper-

sar.) É difícil pintar papelão

cobri-lo com papel contact ou com uma folha grossa e papel de alumínio, que

parafinado, mas seu filho(a) poderá decorá-lo ou

também é adequado. (Papel comum, naturalmente, ficaria estragado no primeiro dia de chuva.) Passe um pedaço de barbante, corda ou linha de nylon grossa, a parte superior da caixa, a fim de pendurá-la num galho próximo de numa pér- gola. Ponha um punhado de alpiste ou um pedaço de sebo no chão do comedou- ro.

Alguns dos bichinhos de estimação que não exigem muitos cuidados, e que são particularmente indicados para as crianças pequenas são:

Os gatos, que estão sempre em disponibilidade. É divertido vê-los brincar, principalmente quando- são filhotes; são muito afetuosos — é claro que apenas quando estão dispostos. Por não necessitarem de muito exercício, podem viver bem, dentro de apartamentos. Quando você for viajar, poderá deixá-lo com ami- gos ou vizinho, sem temer complicações. A maioria dos gatos agüenta muita coisa das crianças, mas há alguns que se enfurecem e as arranham, quando as brincadeiras passam dos limites (como a de puxá-los pela cauda). Esse ataque repentino poderá assustar uma criança pequena. (Não se esqueça de mandar va- cinar o gato — e o cão, principalmente — contra hidrofobia e certifique-se de que a criança está vacinada contra tétano, em caso de arranhões ou mordidas.) Os cães são animais cuja aquisição exige concordância prévia da mãe, do pai e de todas as crianças. A família inteira precisa ser consultada antes de se tomar qualquer iniciativa. Os cães necessitam da nossa companhia e das nossas brincadeiras. São mais receptivos do que a maioria dos outros animais de esti- mação. Em pouco tempo um filhote passa a fazer parte da família, mas exigirá muita atenção, carinho e treino. Uma família não deve adquirir um cachorro a não ser que disponha de tempo para dispensar-lhe os cuidados necessários. Certas raças são menos sensíveis do que outras e toleram as importunações e as brincadeiras das crianças pequenas. Se você estiver cogitando na aquisição de um cachorro, pergunte a um veterinário qual a raça mais indicada para convi- ver com seus filhos e que mais se adapte à sua específica condição de vida. Al- guns cães contentam-se com um pequeno passeio, presos à co-leira, enquanto outros sentem necessidade de perambular pelos espaços abertos. A maioria dos criadores de cachorros afirma que, ao se adquirir um animal para conviver com crianças pequenas, deve-se escolher um filhote, pois ele deve ser criado em companhia delas e se habituar desde cedo às suas brincadeiras. Peixes dourados e tartarugas requerem poucos cuidados. O maior proble- ma é conservá-los vivos. Por isso, supervisione a alimentação desses seres. Muitos peixes ornamentais perecem devido à superalimentação. As crianças de idade inferior a seis anos, têm pouca noção de tempo e não compreendem que a última refeição dos peixes foi dada há apenas algumas horas, ou que eles não comem tanto quanto elas! Guarde o alimento dos peixes numa prateleira alta e só o use uma vez por dia. Mostre às crianças a quantidade (uma pitada) que deve ser salpicada no aquário. As tartaruguinhas verdes, vendidas na praça, não agüentam serem manuseadas em demasia; por isso, é melhor que sejam apenas observadas. Elas gostam de subir e de descer por obstáculos de superfície lisa.

Uma pedra achatada é ideal para se colocar na casa das tartarugas — que poderá ser um recipiente de qualquer largura e com sete centímetros e meio de fundo.

(A pedra deverá ficar um pouco fora da água, para que a tartaruga possa descan- sar na sua superfície.)

A água do recipiente que abriga a tartaruga contém bactérias que podem

causar nas crianças uma infecção conhecida por Sallonelose. Depois de haverem manuseado as tartarugas, as crianças deverão lavar as mãos; obviamente, não se deve permitir que - nem tampouco bichos de estimação — bebam essa água. Alimente as tartarugas cada dois ou três dias. Além de moscas mortas — sua alimentação principal — gostam de minhocas e outras larvas, carne crua moída, frango cru, fígado cru e qualquer tipo de peixe cru. Alguns exemplares foram vistos beliscando nacos de tomate, banana, morango e até espinafre. Po-

dem comer a quantidade que desejarem. Em geral seu apetite se satisfaz com uma colher de sopa de alimento. Uma vez por semana misture à comida da tarta- ruga um pouco de alimentação especial — talvez à venda nas lojas do ramo — para ajudar a conservar o casco duro, sinal de boa saúde. O formigueiro é algo de fascinante para as crianças entre cinco e seis anos de idade. Podem observar o que acontece ali dentro e acompanhar as transfor-

mações por que passa a colônia de formigas no decorrer dos meses. Seria muito interessante se você pudesse conseguir um formigueiro que fosse colocado den- tro de um recipiente de vidro hermeticamente fechado, a fim de as formigas não invadirem a sua casa!

A morte de um animalzinho de estimação causa tristeza, mas também po-

derá constituir uma valiosa experiência para uma criança, até mesmo para uma criancinha de dois ou três anos. Por se tratar, talvez, da primeira experiência da

criança nesse campo, você poderá explicar-lhe os fatos em termos simples e dei- xá-la extravasar seus sentimentos e fazer perguntas, mesmo que lhe pareçam ex- cessivamente tolas. A morte de um filhote ou de um peixinho dourado talvez não afete muito a você, mas poderá constituir um acontecimento marcante na vida da criança; ela, para o compreender, necessita de ajuda. Não deixe de tratar a morte de um bichinho de estimação — seja ele um cachorro, um gato, um coelhinho ou uma tartaruga — com o respeito devido a um ser humano. Não jogue um peixinho na latrina, para se livrar do corpo, ou uma tartaruga morta, dentro da lata de lixo. As crianças poderiam se preocupar, pensando que elas também serão descartadas dessa maneira. Ajude a criança a depositar o bichinho morto numa caixa de papelão e enterrá-lo no quintal ou num terreno baldio. Mesmo que a criança seja pequenina, deverá presenciar esse ato.

Você, talvez, ache que tal providência seja uma sobrecarga num dia atare- fado, mas é necessária para fazer a criança conhecer a realidade da vida e da morte.

TRABALHO COM FERRAMENTAS Por volta dos três ou quatro anos, as crianças anseiam fazer um trabalho verdadeiro, usando as ferramentas do papai — ou as agulhas da mamãe. Em ge- ral, tanto os meninos quanto as meninas apreciam trabalhar com madeira, por- que, com ela, podem produzir coisas mais sólidas. A idade para começarem esse tipo de trabalho depende da disponibilidade de supervisão. Inúmeras escolas maternais consentem que as crianças de três anos usem martelos e serrotes. Mas, no caso de uma família ocupada, que não pode supervisionar as crianças a todo instante, é melhor esperar que completem quatro ou cinco anos. De qualquer forma, você ou o seu marido terão de colaborar muito no começo e, depois, ficar vigiando a criança no seu trabalho. Você precisará arranjar os seguintes materiais:

- Pequeno serrote (traçador).

- Martelinho.

- Pregos com cabeça grande.

- Lixa.

- Cola para madeira.

- Pedaços de isopor.

- Retalhos de madeira (que poderão ser catados em qualquer carpintaria.

Escolha pedaços pequenos, retos e sem nós, com os veios dispostos em sentido longitudinal, como os de tábuas de assoalho, para evitar que os pregos rachem a madeira).

Banco de carp