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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

ACÓRDÃ O

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO ACÓRDÃO/DECISÃO MONOCRÁTICA REGISTRADO(A) SOB N°

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*03688584*

Vistos, relatados e discutidos estes autos de

Apelação n° 9197453-40.2006.8.26.0000, da Comarca de

São Paulo, em que são apelantes C A I C CENTRO DE

ATENDIMENTO INTEGRAL À CRIANÇA S/C LTDA e SOCIEDADE

HOSPITAL • SAMARITANO sendo apelado JOSÉ GERALDO

VIEITAS VERGUEIRO.

ACORDAM, em 14 a Câmara de Direito Privado do

Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte

decisão: "POR MAIORIA DE VOTOS, REJEITARAM A

PRELIMINAR, VENCIDA A DES. REVISORA QUE DECLARA VOTO

E, NO MÉRITO, POR VOTAÇÃO UNANIME, NEGARAM' PROVIMENTO

AOS RECURSOS.", de conformidade com o voto do (a)

Relator(a), que integra este acórdão.

dos

Desembargadores LIGIA ARAÚJO BISOGNI (Presidente) e

teve

O

julgamento

a

participação

PEDRO ABLAS.

São Paulo, 10 de agosto de 2011.

THIAGO DE SIQUEIRA RELATOR

\J

/^

1

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

VOTO N° 18.745 APELAÇÃO N° 9197453-40.2006.8.26.0000 COMARCA DE SÃO PAULO DECLARATÓRIA APTE.: CAIC CENTRO DE ATENDIMENTO INTEGRAL À CRIANÇA S/C LTDA e SOCIEDADE HOSPITAL SAMARITANO APDO.: JOSÉ GERALDO VIEITAS VERGUEIRO

Prestação de serviços médicos - Termo de Responsabilidade - Estado de perigo configurado - Art. 156 do novo Código Civil - Invalidade do negócio reconhecida - Nulidade do título - Ação declaratória procedente e improcedente a reconvenção - Sentença mantida e ratificada nos termos do art 252 do Regimento Interno desta Egrégia Corte de Justiça - Recursos improvidos.

Trata-se de ação declaratória c.c medida cautelar inominada ajuizada por José Geraldo Vieitas Vergueiro contra Sociedade Hospital Samaritano e CAIC Centro de Atendimento Integral à Criança e reconvenção oposta por esta última que, pela r. sentença (fls. 199/206), proferida pelo douto Magistrado Luiz Sérgio de Mello Pinto, cujo relatório se adota, foi julgada procedente a ação declaratória, declarando nulo o título em cobrança emitido por CAIC Centro de Atendimento Integral à Criança referente a honorários médicos, tornando definitiva a liminar e improcedente a reconvenção.

Irresignadas, apelam as vencidas.

CAIC Centro de Atendimento Integral à Criança

alegando que não há se falar em caracterização do estado de perigo, passível de causar a nulidade do termo; que não pode o apelado argumentar estado de perigo para se esquivar do pagamento pelos serviços prestados; que o Termo de Responsabilidade não é comparável a um contrato de adesão e é perfeitamente válido; que referido termo foi emitido pelo Hospital e, se este não destacou a

ser responsabilizada e não receber pelos

serviços prestados; que o valor dos serviços prestados não é excessivo, mas

compatível com aqueles cobrados pelo exercício de tal tipo de atividade no

cláusula 3 a , parágrafo único, não pode

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

mercado nacional e, ainda, que tendo prestado seus serviços, é inegável que merece receber a contraprestação que no caso é o pagamento da quantia de R$ 4.899,00.

Por sua vez, Sociedade Hospital Samaritano alega que a co-ré CAIC é a associação dos médicos que prestam serviços de pediatria no hospital, mencionada no Termo de Responsabilidade firmado pelo recorrido, tratando-se de pessoa jurídica totalmente distinta e que não se confunde com o Hospital Samaritano. Alega, ainda, que a conta hospitalar negociada e quitada pelo recorrido refere-se a serviços de internação hospitalar, mas não a honorários médicos.

Recursos recebidos e respondidos.

E o relatório.

Os recursos não merecem provimento.

A r. sentença deve ser confirmada pelos seus

próprios e bem deduzidos fundamentos, os quais ficam inteiramente adotados como razão de decidir pelo improvimento do recurso, nos termos do art. 252 do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça.

Egrégio

Tribunal de Justiça estabelece que "Nos recursos em geral, o relator poderá limitar-se a ratificar os fundamentos da decisão recorrida, quando,

suficientemente motivada, houver de mantê-la".

O art.

252 do Regimento

Interno

deste

Nesta Seção de Direito Privado, o dispositivo regimental tem sido largamente utilizado por suas Câmaras, seja para evitar inútil repetição, seja para cumprir o princípio constitucional da razoável duração dos processos. Anote-se, dentre tantos outros: Apelação 99406023739-8, Rei. Des. Elliot Akel, 1 a Câmara, São Paulo, em 17/06/2010; AI 990101539306, Rei. Des. Luiz Antônio de Godoy, I a Câmara, Jaú, em 17/06/2010; Apelação 99402069946- 8, Rei. Des. Paulo Eduardo Razuk, I a Câmara, São Paulo, em 08/06/2010; Apelação 99405106096-7, Rei. Des. Neves Amorim, 2 a Câmara, São José do Rio Preto, em 29/06/2010; Apelação 99404069012-1, Rei. Des. José Roberto Bedran, 2 a Câmara, São José dos Campos, em 22/06/2010; Apelação 99010031478-5, Rei. Des. Beretta da Silveira, 3 a Câmara, São Paulo, em 13/04/2010; Apelação 9940500973556, Rei. Des. James Siano, 5 a Câmara, Barretos, em 19/05/2010; Apelação 99401017050-8, Rei. Des. José Joaquim dos Santos, 6 a Câmara, São

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Paulo, em 27/05/2010; Apelação 99404073760-8, Rei. Des. Paulo Alcides, 6 a Câmara, Indaiatuba; em 01/07/2010; Apelação 99109079089-9, Rei. Des. Moura Ribeiro, 11 a Câmara, Lins; em 20/05/2010; Apelação n° 990.10.237099-2, 13 a Câmara, Rei. Des. Luiz Roberto Sabbato, em 30.06.2010; Agravo de Instrumento 99010032298-2, Rei. Des. Edgard Jorge Lauand, 15 a Câmara, Atibaia, em 13/04/2010; Apelação 991.09.0841779, Rei. Des. Simões de Vergueiro, 17 a Câmara, Araçatuba, em 09/06/2010; Apelação 991000213891, Rei. Des. Paulo Roberto de Santana, 23 a Câmara, São Paulo, em 09/06/2010; Apelação n° 992.07.038448-6, São Paulo, Rei. Des. César Lacerda, 28 a Câmara, em 27.07.2010.

O Colendo Superior Tribunal de Justiça tem prestigiado este entendimento quando predominantemente reconhece "a viabilidade de o órgão julgador adotar ou ratificar o juízo de valor firmado na sentença, inclusive transcrevendo-a no acórdão, sem que tal medida encerre omissão ou ausência de fundamentação no decisum" (REsp n° 662.272-RS, 2 a Turma, Rei. Min. João Otávio de Noronha, j . de 4.9.2007; REsp n° 641.963-ES, 2 a Turma, Rei. Min. Castro Meira, j . de 21.11.2005; REsp n° 592.092-AL, 2 a Turma, Rei. Min. Eliana Calmon, j . 17.12.2004 e REsp n° 265.534- DF, 4 a Turma, Rei. Min. Fernando Gonçalves, j de 1.12.2003).

sentença assentou:

Consigna-se,

apenas,

que,

corretamente,

a

r.

melhor sorte não cabe à preliminar de

ilegitimidade passiva (fls. 76), uma vez que se o contestante cobrou valores do autor (excluindo deles os honorários médicos -fls. 118), e tal exclusão é objeto de impugnação na exordial (se reconhecido for o estado de perigo, que anula tal

cláusula contratual - cláusulas 3" § único c/c cláusula 6 a ), há legítimo interesse

na manutenção do pólo passivo,

"(

)

daforma como foi feita na inicial.

É bem verdade que em relação ao Hospital Samaritano, os valores por ele cobrados foram renegociados, parcelados e integralmente quitados pelo autor. Todavia, se vem agora a co-ré cobrar do autor honorários médicos, certamente é com base no documento de fls. 118 cuja validade o autor vem questionar, afim de reconhecer o vício na sua declaração de vontade, por força de estado de perigo, considerada a peculiaridade dos fatos e a necessidade de urgente intervenção. Logo, o co-réu Samaritano é parte legítima para figurar no pólo passivo, embora a cobrança questionada em juízo seja feita

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

pela

co-ré

CAIC,

uma

vez

que

a fonte

desta

cobrança

é

o

termo

de

responsabilidade emitido pelo Hospital Samaritano.

No mérito, depreende-se dos autos que a presente lide é o típico caso de estado de perigo, pois, acreditava o autor que sua filha corria perigo de morte e sabiam os réus que o pai se encontrava em delicadíssima situação, ou seja, necessitava de atendimento médico urgente.

Estando nesse estado, o autor não tinha condições psicológicas, nem mesmo tempo de analisar os pormenores do termo de responsabilidade que lhe foi apresentado para assinatura, o que dirá da ciência prévia da Tabela de Preços (cláusula 6 a do contrato, fls. 118); seu desejo era unicamente que o atendimento ocorresse de imediato, trazendo o estado de saúde de sua filha à normalidade, fato que o levou a assinar tudo que lhefoi apresentado sem a prévia análise.

A vida é muito mais relevante do que uma série de papéis, que impõem uma responsabilidade muitas vezes difícil de ser cumprida em sua integralidade, por força da abusividade de cláusulas que, perante o ordenamento jurídico, são leoninas e, portanto, nulas de pleno direito.

de

anulação do negocio jurídico (ou de parte dele, preservando-se as demais

adequação

dos valores cobrados aos serviços prestados, sendo esta última a que julgo mais

cláusulas que não foram atingidas pelo vício de consentimento) ou de

Configurado o estado de perigo,

a hipótese

é

apropriada para o caso subjudice

Em relação ao co-réu Hospital, tal adequação já foi feita, tanto que houvefornecimento de quitação pelo interessado (fls. 123).

de

consentimento, o autor, por outro lado, após a alta de sua filha, gozando plenamente de suas faculdades mentais, renegociou seu débito junto ao hospital. Desta forma, o negócio jurídico mostra-se isento de vícios, sendo assim válido na forma em quefoi firmado.

Voltando,

portanto,

à

questão

do

vício

Já em relação à co-ré CAIC, isso não ocorreu, tanto que ela ingressou com reconvenção para cobrar do autor os honorários médicos decorrentes da intervenção hospitalar.

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

de

Código

em

branco, o qual pode ser preenchido posteriormente

unilateralmente pelo credor; considero ainda que tal termo equipara-se a um

como redigido com destaque, consoante artigo 54, parágrafo

hospital,

uma

vez que limita os direitos do consumidor aos serviços prestados pelo

excluindo destes serviços os honorários médicos. Desta forma,

único e 6 a (fls. 118) devem ser consideradas

contrato de adesão e

de Defesa do Consumidor, pois

arbitrado

responsabilidade

Considero que o hospital,

ao autor, ofendeu o artigo 51, parágrafo

tal termo

eqüivale

tal deveria

ter sua

ao

impor

o

termo

I o , inciso III, do

a um cheque

com

assinado

valor

cláusula

3 a , parágrafo

único,

3 a , são

§

4 o , do mesmo código,

nulas,

as cláusulas

uma

vez

que

flagrantemente

leoninas, o que reconheço de plano no presente

julgamento.

hospital

que, ao meu

ver, é o mais importante dos serviços hospitalares. Exemplificativamente, tal fato se dá como se fossemos a um restaurante, pagássemos a conta e ainda recebêssemos posteriormente uma cobrança do cozinheiro que preparou o prato.

No

mais,

causa-me

estranheza

que

um

preste

serviços

de saúde e não inclua nestes os honorários

médicos,

da

constituição do direito alegado pelo credor, nos termos do artigo 333, inciso I, da lei adjetiva, a hipótese é de procedência da ação.

Portanto,

existente

a

prova

documental

 

Quanto à reconvenção,

por

lógica jurídica,

não há

elementos

de convicção

que autorizem

a cobrança dos honorários

médicos,

pelas

razões

explicitadas

acima,

de

sorte

que

a

hipótese

é

de

sua

total

improcedência.

"

A esse respeito a jurisprudência deste E. Tribunal de

Justiça:

''NEGÓCIO JURÍDICO - Defeito - Prestação de serviços médicos-hospitalares - Assunção de responsabilidade excessivamente onerosa premida pela necessidade de resguardar a vida de pessoa da família - Estado de perigo configurado (art 156, do Código Civil) - Invalidade do negócio reconhecida - Sentença mantida - Recursos não providos. HONORÁRIOS DE ADVOGADO - Fixação - Pretensão de majoração - Hipótese em que o valor foi arbitrado corretamente, nos termos do art 20, § 4", do CPC - Valor que remunera condignamente o trabalho da patrona - Recursos não providos" (Apelação n. 990.09.345821-7, rei. Des. Melo Colombi, 14 a Câmara de Direito Privado, DJ 17.03.2010).

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

É se verificar, portanto, que as razões constantes dos apelos interpostos pelas rés são insuficientes para abalar os sólidos fundamentos da r. sentença recorrida, impondo-se, assim, a sua integral confirmação.

E outros fundamentos são dispensáveis diante da adoção integral dos que foram deduzidos na r. sentença, e aqui expressamente adotados para evitar inútil e desnecessária repetição, nos termos do artigo 252 do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal de Justiça.

Ante o exposto, nega-se provimento aos recursos.

Thiago qe Siqueira Relator

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

DECLARAÇÃO DE VOTO VENCIDO, EM PARTE

APELAÇÃO N° 9197453-40.2006.8.26.0000 VOTO N° 10586 - COMARCA DE SÃO PAULO

Conforme se infere dos autos, a ação tem por objeto a cobrança

de honorários referentes a serviços médicos prestados à filha do autor, razão pela

qual a competência para o julgamento do presente recurso é aquela prevista no

artigo 2 o , III, "c", da Resolução 194/2004, do Órgão Especial deste Egrégio

Tribunal de Justiça, que determina ser de uma das Câmaras da Seção de Direito

Privado, compreendidas entre a 25 a e a 36 a , a competência para o julgamento

matérias do extinto Segundo Tribunal de Alçada Civil, dentre as quais as "ações e

execuções relativas a honorários de profissionais liberais".

No mesmo sentido já se decidiu: "COMPETÊNCIA RECURSAL -

Cobrança de honorários referentes a serviços médico-hospitalares - Ação relativa

a honorários de profissionais liberais - Matéria que se insere na competência da

25 a a 36 a Câmaras da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça (item V do

CG n° 07/2007 e artigo 2 o , 'c', da Resolução n° 194/04) - Recurso não conhecido,

determinada a redistribuição" (TJSP - Ap. 7.149.255- 2 - Rei. Des. FRANCISCO

GIAQUINTO - 20 a Câm. Dir. Priv. - j . 23/06/2008 - v.u.).

Ainda: "COMPETÊNCIA RECURSAL - Cobrança - Honorários

profissionais - Competência preferencial das Câmaras numeradas de 25 a 36 da

Seção de Direito Privado desta Corte - Art 2 o , III, "c", da Resolução n° 194/2004

com redação dada pela Resolução 281/2006, e Anexo I, do Provimento n° 63/2004

- Redistribuição determinada - Recurso não conhecido." (cf. Ap. 169.992-4/4-00,

Rei. Des. LUIZ ANTÔNIO DE GODOY).

No mesmo sentido já decidiu esta E. 14 a Câmara de D. Privado,

quando do julgamento da Ap. n° 0161070-71.2010.8.26.0100, em que fui Relatora.

Pelo exposto, data venia do entendimento da douta Maioria, não

conheço do recurso e determino a redistribuição do feito a uma das Câmaras

ARTES GRÁFICAS-TJ

41.0035

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA ÇO ESTADO DE SÃO PAULO

compreendidas entre a 25 a e 36 a de Direito Privado. Todavia, vencida na questão

de ordem, no mérito estou de acordo com o d. Relator, que mantém a r. sentença

de primeiro grau, por seus jurídicos fundamentos.

LIGIA ARAÚJO BISOGNI Revisora

Apelação n° 9197453-40.2006.8.26.0000 - Comarca de São Paulo

ARTES GRÁFICAS - TJ

41.0035