Sie sind auf Seite 1von 5
Texto 08: Sociologia Contemporânea
Texto 08: Sociologia Contemporânea

Texto 08:

Sociologia Contemporânea

Norbert Elias SOCIOLOGIA 2 [1897-1990] Alemanha Elias é daqueles autores que não são fáceis de

Norbert Elias

SOCIOLOGIA

2

[1897-1990]

Alemanha

Elias é daqueles autores que não são fáceis de enquadrar dentro de uma ou outra perspectiva mais abrangente no campo das Ciências Sociais, visto que seus trabalhos se abrem às outras disciplinas das Ciências Humanas. Elias elaborou uma análise social por ele mesmo denominada de sociologia figuracional, com a qual analisou o surgimento de configurações sociais no âmbito da vida social. Sua abordagem delimita um modelo que evita a perspectiva estrutural, contemplando eminentemente a mudança social, tendo em vista que a vida social não se funda nem no agente individual isolado, nem nos sistemas sociais. Para Elias a vida em sociedade consiste em padrões emergentes nas relações recíprocas entre os indivíduos. Neste sentido, Elias substitui a noção segundo a qual os indivíduos e as sociedades seriam duas formas de realidade substancialmente distintas, por uma análise configuracional, que ao evitar a polarização, toma os dois termos como indissociáveis. Essa separação entre indivíduo e sociedade, presente nas dicotomias individualismo versus coletivismo, ação versus estrutura, etc, é apenas uma construção mental, portanto, dependente da perspectiva do observador. Assim, Elias defende a concepção de que os objetos de nossa cultura são constituídos de significações que só podem ser captadas através de uma concepção relacional em face das configurações. Ele, portanto, introduziu a historicização de tais noções tidas como substantivas, concebendo o universo social como um processo cumulativo de símbolos que, criados socialmente, constituem o patrimônio de saber estruturado numa sociedade.

Um exemplo dessa sociologia figuracional de Elias é a sua obra sobre o processo civilizador. A questão fundamental que orienta o processo civilizador indicado pelo autor refere-se à interiorização de restrições e ao autocontrole dos impulsos, condicionados por transições históricas provocadas pela formação do Estado e pela curialização das elites na Europa. Este processo de gradativo controle das manifestações emocionais e afetivas que se difundiu, aos poucos, da corte para o conjunto da sociedade foi notado pelo autor, no período que se inicia no feudalismo do século XI, atingindo seu apogeu no Século das Luzes, passando pela Renascença. Tal dinâmica é explicada através de uma investigação de suas condições históricas, considerando suas origens e ramificações em níveis coletivos [sociogênese] e individuais [psicogênese], ou seja, o processo de civilização que a sociedade ocidental percorreu em seu conjunto, também se reflete na história interna de cada indivíduo 1 .

1 HEINICH, Nathalie. A sociologia de Norbert Elias. Bauru, SP: EDUSC, 2001, p. 12-13.

Texto 8

SOCIOLOGIA

3

Por meio do que ele denominou sociogênese do Estado - reinterpretação da origem histórica do processo de civilização - Elias reconstituirá uma configuração social que apesar de não obedecer a um plano orquestrado, é conduzido por uma coerência, modelada pela troca entre os indivíduos: Foi o entrelaçamento de inúmeros interesses, projetos e iniciativas de pessoas isoladas que convergiu numa divisão de funções colocada a serviço da cooperação entre indivíduos interdependentes, desse modo criando uma configuração relativamente estável em que os resultados não foram planejados por nenhum de seus protagonistas. Assim, conforme Elias, a experiência humana se transforma por meio de uma história que é a tensão permanente entre os planos estruturado e contigente. Os eventos se originam de uma direção conferida pelos homens, como projeção dos interesses e valores destes, mas encontram as contingências que podem dar a estas projeções um sentido não previsto.

que podem dar a estas projeções um sentido não previsto. Anthony Giddens [1938] Inglaterra Giddens analisa

Anthony Giddens

[1938]

Inglaterra

Giddens analisa as diversas configurações e diretrizes da mudança social, observando-as em relação ao processo de diferenciação das práticas sociais de um determinado contexto histórico para outro. Os princípios da organização da vida social podem ser percebidos pela consideração das práticas humanas em função de sua rotinização e de sua regularização no tempo e no espaço. Ele explica isso quando analisa o processo de modernização das sociedades ocidentais. Para Giddens a globalização é uma continuação de tendências postas em movimento pelo processo de modernização que teve início na Europa do século XVIII. A modernização substituiu as formas de sociedades tradicionais que eram baseadas na agricultura. Giddens sugere que o processo de modernização influiu em 4 grandes grupos de complexos institucionais da modernidade. Eles são: Poder administrativo, capitalismo, industrialização e militarismo.

Texto 8

SOCIOLOGIA

4

O poder administrativo se refere ao crescimento e ao desenvolvimento da nação-Estado secular. Esta nova forma de Estado é baseada em formas burocráticas e racionais de administração de sua população, lei e ordem. O capitalismo e a industrialização representam as novas formas de produção baseadas e centradas na produção fabrico-industrial. Igualmente às novas formas de cálculo econômico como o lucro, a industrialização se tornou dominante na economia moderna, substituindo as formas tradicionais de produção baseadas primariamente na agricultura. Finalmente, teríamos o militarismo baseado na tecnologia e exércitos profissionais das sociedades modernas. Esta industrialização bélica permitiu aos estados modernos a encontrar e conquistar as sociedades tribais e impérios absolutistas.

O conceito de desencaixe do espaço-tempo” é a categoria central utilizada por Giddens para explicar o movimento histórico das sociedades tradicionais para as modernas e o papel exercido pela globalização na aceleração do movimento iniciado com o processo de modernização. As sociedades tradicionais ou pré-modernas são tidas como baseadas sobre relações sociais encaixadas no tempo e espaço. Isto acontece pela proximidade que o trabalhador tem da natureza, por causa da sua confiança na agricultura como meio de subsistência. Então por isso o senso temporal do trabalhador geralmente é baseado em estações. O tempo para este trabalhador é cíclico e local. Além disso, os tempos pré-modernos são marcados pela maioridade da população vivendo em pequenas vilas. Para a maioria da população, o senso de espaço seja geográfico ou mais importante, social, era estreito. Neste sentido nós devemos sugerir que, para tais populações, as idéias de espaço eram fixas. Giddens sugere que nós deveríamos descrever tais trabalhadores como encaixados em suas comunidades locais.

Giddens aponta para a invenção do relógio como um marco importante para a transição das sociedades tradicionais para as modernas. O relógio não é baseado no tempo sazonal, mas num tempo social e artificial. Esta noção de tempo é linear e não cíclica e portanto pode ser usada para previsões. Igualmente, o relógio permite uma medida de tempo universal e não, como era o caso, de noções tradicionais de tempo. Tal noção moderna de tempo ajuda a produzir um sentimento entre os indivíduos de que o mundo está encolhendo. As distâncias passaram a diminuir a partir do momento que as comunidades começaram a calibrar seu senso de tempo com o de outra comunidade do outro lado do globo. O processo de modernização “distanciou” os indivíduos e as comunidades das sociedades tradicionais das noções estreitas de tempo e espaço. A modernização desencaixou o indivíduo de sua identidade fixa no tempo e no espaço.

Na sociedade moderna nos encontramos permanentemente vinculados a sistemas abstratos, isto é, sistemas com os quais interagimos cotidianamente e que não se dependem diretamente de um conhecimento aprofundado da nossa parte sobre o seu funcionamento (o sistema bancário, a informática, os recursos que envolvem uma viagem de avião são exemplos). Nestes e noutros casos, confiamos em peritos, especialistas. Giddens define-os como sistemas de

Texto 8

SOCIOLOGIA

5

excelência técnica ou competência profissional que organizam grandes áreas dos ambientes material e social em que vivemos hoje.

A modernidade reflexiva rompe com o ideal iluminista de um saber fundado na Razão e capaz

de superar a superstição e os dogmas da tradição, resultando num controle igualmente crescente sobre os mundos natural e social. Para a modernidade reflexiva, essa pretensão de certeza e de ingerência integral é uma ilusão. O conhecimento reflexivo da modernidade solapa a certeza inerente ao ethos iluminista. Isto significa que na modernidade a ciência é posta constantemente sob dúvida, sempre sujeita à revisão.

A modernidade moldou o mundo natural e social à imagem humana, mas produziu um mundo

fora de controle, muito diferente daquele que o iluminismo antecipou. As características da modernidade, suas fontes de dinamismo produzem efeitos observáveis nas experiências do cotidiano, expressas na sensação de insegurança, ansiedade, perigos e incertezas. Anthony Giddens compara a modernidade a um veículo desgovernado o qual não podemos controlar, mas também do qual não podemos pular fora.

Há uma interdependência cada vez maior entre o espaço global e o local. O global tem influência sobre as vidas individuais nos espaços locais; mas também as decisões dos indivíduos em seu cotidiano podem influenciar sobre os resultados globais. Esta inter- influência incide sobre as coletividades e grupos de todos os tipos, incluindo o Estado. Todos têm que levar em consideração essa realidade, o que pressupõe repensar os papéis, sua reorganização e reformulação. A experiência da modernidade em tempos globais colocou por terra as certezas: as surpresas e os riscos estão sempre à espreita e o futuro parece uma impossibilidade se pensado enquanto construção histórica a partir do passado e do presente.

A modernidade solapa a confiança fundada nos valores tradicionais e pressupõe um novo ambiente em que possa se desenvolver a “segurança ontológica”, isto é, o “ser no mundo”. A segurança ontológica “se refere à crença que a maioria das pessoas têm na continuidade de sua auto-identidade e na constância dos ambientes de ação social e material circundantes. Ela diz respeito ao sentimento que temos sobre a continuidade das coisas e das pessoas; um sentimento inculcado desde a infância e que se vincula à rotina e à influência do hábito.

Texto 8