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Direito

Civil II
(Terceiro Período)

Primeira Avaliação

2007

Professor Pedro Eustáquio Scapolatempore


Telefone: 32645202
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Direito das Obrigações


Primeira Avaliação: 18/09 (terça-feira)
Segunda Avaliação: 13/11 (terça-feira)
Doutrina: Caio Mário da Silva Pereira

• Art. 233 até o art. 420.

Noção Histórica das Obrigações

• Na Grécia antiga não havia, propriamente, uma definição de obrigação,


embora já houvesse uma certa noção dessa figura jurídica;
• No direito romano, por sua vez, também não se conhecia a expressão
obrigação, mas o seu equivalente histórico teria sido a figura do nexum,
espécie de empréstimo que conferia ao credor o poder de exigir do devedor o
cumprimento de determinada prestação, sob pena de responder com o seu
próprio corpo, podendo, inclusive, ser reduzido a condição de escravo, o que
se realizava por meio da actium manus iniectionem, ação pela qual o credor
podia vender o devedor como escravo, além do rio Tibre;
• Percebe-se, pois, que, no direito romano, no tocante a execução das
obrigações, a execução recaia sobre a pessoa do devedor;
• Somente no séc. IV a.C através da lei papiria poetilia, os romanos suprimiram
essa forma de execução, a qual, tudo indica já estava em desuso;
• Dessa forma, conclui-se que, do ponto de vista formal, o grande diferencial do
conceito moderno de obrigação para seus antecedentes históricos está no seu
conteúdo econômico, deslocando-se a sua garantia da pessoa do devedor para
o seu patrimônio;
• Tal modificação valorizou a dignidade humana, ao mesmo tempo em que
retirou a importância central da obrigação do indivíduo no pólo passivo;
• Código de Napoleão de 1804 consagrou expressamente tal conquista do direito
romano, prevendo em seu artigo 2093 que “os bens do devedor são a garantia
comum de seus credores”, regra fundamental para a construção teórica,
moderna do direito das obrigações.

• O direito não é estático, vai se desenvolvendo de acordo com a própria


sociedade. A sociedade exige sua alteração.
• No direito romano utilizava-se nexum quase como sinônimo de obrigação.
• Exceções hoje: depositário infiel e pensão alimentícia;

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• Conceito de Obrigação: é a relação jurídica, de caráter transitório, estabelecida


entre devedor e credor, cujo objeto consiste numa prestação pessoal
econômica, positiva ou negativa, devida pelo primeiro ao segundo, garantindo-
lhe o adimplemento através de seu patrimônio.
• Relação jurídica: dois pólos (A --- B) são pressupostos na relação jurídica, é
de caráter transitório, pois necessita ter início, meio e fim. Em alguns casos a
obrigação nasce e morre instantaneamente, como na compra de uma gravata;
• Via de regra, as obrigações são bilaterais, existe um pólo passivo e um pólo
ativo. Mas na compra da gravata, quem é o devedor e quem é o credor;
• Em toda e qualquer obrigação assumida, seja pelo devedor ou credor, ele
busca uma satisfação econômica e pessoal;
• Obrigações positivas: de dar, de fazer, ou negativas, de não fazer, de não dar;
• O devedor que não cumpre com a sua obrigação, vai ser suportado pelo
patrimônio;

Elementos:

1. Sujeito Ativo: a pessoa a quem deve ser fornecida ou que tem o direito de
exigir a prestação. Em resumo: o beneficiário da obrigação, ou seja, o credor;
2. Sujeito Passivo: nada mais é do que o devedor, isto é, aquele de quem o credor
pode exigir o cumprimento da obrigação;
3. Objeto: elemento material que o devedor tem de fornecer ao credor, e que este
pode exigir daquele;
4. Vínculo Jurídico: une os dois sujeitos por causa da prestação, compreende,
portanto, de um lado o dever da pessoa obrigada, e, de outro, a
responsabilidade em caso de inadimplemento. O devedor obriga-se, o
patrimônio responde.
• Sujeito Ativo = credor
• Sujeito Passivo = devedor
• Objeto = elemento material
• Vínculo Jurídico une o sujeito ativo ao sujeito passivo

• Alguns incluem a Causa como elemento, mas no direito brasileiro isso é


desnecessário, pois não importa o motivo do débito não tem relevância, o
devedor deve honrá-lo se preenche os requisitos da lei.

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07/08/07

Fontes das Obrigações

Fonte Imediata: Lei


Fonte: Doutrina moderna Fonte: Classificação Antiga
Contrato Contrato
Declaração unilateral de vontade Quase-contrato
Atos ilícitos Delito
Quase-delito

Classificação Antiga
• Contratos: acordos de vontade geradores de obrigações. Exemplo: compra em
loja, compra de passagem de ônibus, etc;
• Quase-contratos: são atos voluntários e lícitos que, embora sem o acordo da
outra parte, geram obrigações para esta. Exemplo: JR e Pedro possuem
fazendas vizinhas e JR abandona a fazenda, deixando o gado e tudo mais
abandonado. O Pedro, vizinho, com medo de ser afetado, vacina o gado, cuida
da propriedade, sem se apropriar. Passam dois anos, Pedro começa a usufruir e
utilizar a propriedade, mas então JR volta, e encontra a fazenda melhor do que
tinha deixado. Pedro, então, procura JR e faz a prestação de contas do que
gastou e do que recebeu, e pede que seja ressarcido, mas JR não quer pagar.
Pergunta: JR está certo ou errado. A propriedade tem função social, e
propriedade abandonada não é produtiva;
• Delito: é a ação intencional que prejudica a outrem, gerando, como
conseqüência, a obrigação de indenizar. Delito = dolo (vontade de alguém
prejudicar a outrem), gera direito de indenização correspondente ao dano
causado;
• Quase-delito: é a ação ou omissão não intencional que, pela negligência,
imprudência e imperícia causa prejuízo a outrem acarretando a obrigação de
indenizar. O quase-delito pressupõe a culpa, imprudência ou imperícia.
Exemplo: indivíduo manuseando arma de fogo, mas de forma imprudente
limpa a arma e atinge o indivíduo causando paraplegia. A exemplo do delito é
necessário indenização. No âmbito do direito penal, se existe culpa a pena é
reduzida, se existe dolo a pena é majorada. No DC, avalia-se o dano objetivo e
não o dolo ou a culpa;

Art. 861. Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio
alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando
responsável a este e às pessoas com que tratar.

• Art. 861: refere-se à fonte de obrigação;

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Classificação Nova
• Contratos: acordos de vontade geradores de obrigações. Exemplo: compra em
loja, compra de passagem de ônibus, etc;
• Declaração unilateral de vontade: são atos voluntários e lícitos que, embora
sem a manifestação de vontade da outra parte, geram obrigações. Corresponde
ao quase-contrato;
• Atos ilícitos: surgem de uma ação ou omissão culposa ou dolosa do agente,
causando prejuízo à vítima, gerando, como conseqüência, obrigações.
Corresponde o delito e o quase-delito na classificação antiga;

Direitos Obrigacionais (pessoal) x Direitos Reais (coisa)


• Os direitos de obrigações e os direitos reais são duas categorias diferentes de
relações de direito que podem vir a formar o patrimônio das pessoas;
• Essas relações de direito se diferenciam por suas próprias características;
• Os direitos obrigacionais ligam pessoas entre si, sujeitando-se uma delas ao
cumprimento de determinada prestação em proveito da outra.
• Os direitos reais, por sua vez, ligam a pessoa diretamente a uma coisa.
Exemplo: a relação entre o apartamento e o proprietário, mas se ele é alugado,
a relação entre o inquilino e o locador é obrigacional. A relação entre o
inquilino e o apartamento é real, mesmo sendo sobre coisa alheia.
Independentemente se a pessoa é física ou jurídica;

Obrigações Civis, Naturais e Morais


• Civis: são aquelas no seu significado próprio, a cuja execução pode o devedor
ser constrangido. Indivíduo compra 100 cabeças de gado. O devedor vai ser
constrangido a pagar. Tem força coercitiva;
• Naturais: são aquelas cujas execuções não pode o devedor ser constrangido,
mas cujo cumprimento voluntário e espontâneo constitui pagamento
verdadeiro, isto é, acarreta a sua irrevogabilidade. Exemplo típico: dívida de
jogo, dívida prescrita. Obrigação natural não tem força coercitiva. Se o
devedor pagá-la, o pagamento é verdadeiro;
• Morais: são as que constituem meros deveres de consciência, cuja execução
do ponto de vista jurídico é uma liberalidade. Não possuem força coercitiva.
Exemplo: dar esmola, alguns dizem que a prescrição também é moral, porque
moralmente o indivíduo está obrigado a pagar;

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Modalidades de Obrigação

1. Dar: coisa certa, restituir, coisa incerta


2. Fazer
3. Não Fazer
4. Alternativas
5. Divisíveis
6. Indivisíveis
7. Solidárias

• A obrigação de dar é aquela que consiste na entrega de uma coisa, qualquer


que seja o título pelo qual o devedor a deva;
• A obrigação de dar é aquela que consiste n, qualquer que seja o título pelo
qual o devedor a deva;
Essa modalidade de obrigação comporta três espécies diferentes:

1) Obrigação de dar coisa certa:


• Consiste na entrega de um corpo, determinado, móvel ou imóvel, para a
constituição de um direito real, como, por exemplo, na venda de uma casa,
na doação de um terreno; ou para concessão do uso, como, na locação, no
empréstimo;

Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não
mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.

Art. 233: título = contrato


Exemplo de coisa certa: carro tal, placa X, ano Y, cor tal, ou seja, específico,
determinado, não pode ser qualquer carro. Acessórios: o macaco, pressupõe-se que
venha junto com o carro, mesmo que não conste do contrato, a menos que no contrato
esteja disposto que o macaco não está incluído na venda;

Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor,
antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para
ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente
e mais perdas e danos.

• Dia 09/08 assinatura de compromisso de compra e venda, mas escritura vai ser
passada em 12/12. Se cair um raio na casa e ela for queimada, a obrigação fica
resolvida. Se a perda ocorrer por culpa do devedor, ele responderá pela
obrigação.
O vocábulo culpa no DC é usado no sentido genérico, ou seja, incluindo também o
dolo;

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As perdas e danos abrangem o dano emergente e o lucro cessante


Perdas e Danos
Dano Emergente (material) Lucro Cessante (deixou de ganhar)
Motorista de táxi bate no carro de Pedro. Motorista de táxi bate no carro de Pedro.
O dano emergente é o dano causado ao O lucro cessante é aquilo que Pedro
carro. R$ 1.000,00 deixou de ganhar, decorrente da batida.
R$ 7.000,00

Perdas e Danos: 1.000,00 + 7.000 = 8.000,00.

09/08/07

Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a
obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a
coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso,
indenização das perdas e danos.

Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e
acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o
devedor resolver a obrigação.

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os


pendentes.

• Art. 237 – ver exemplo abaixo:


• A (devedor) ---åB (credor): negócio åfazenda no valor de R$ 5.000.000 de
500 hectares. Até a tradição a coisa pertence ao devedor. A mulher de A
entende que foi feito um péssimo negócio, e faz melhoramentos (benfeitorias
voluptuárias) na fazenda com o intuito de pedir valor maior pelo imóvel, e
pede R$ 7.000.000,00. No entanto, a situação não é assim tão simples. A
jurisprudência entende que ele pode exigir aumento de preço, mas se as
benfeitorias poderem ser retiradas, o devedor deve retirá-la. No caso as
benfeitorias não podem ser retiradas, observando, no entanto, que ocorreu má
fé por parte do devedor. Assim, se o negócio for desfeito, o credor pode
solicitar perdas e danos.
• Se as benfeitorias forem necessárias ou úteis, o devedor pode exigir aumento
de preço;
• O que a fazenda produzir, pertence ao devedor, e não ao credor;

2) Obrigação de Restituir Coisa Certa:


• É aquela que consiste de devolução de coisa certa, de outrem, que, por
qualquer título, se encontra em poder do devedor, como, por exemplo, no
depósito na locação, no empréstimo;

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• É fácil, portanto, distinguir a diferença entre a obrigação de dar coisa certa e


restituir coisa certa. Na primeira, a coisa não pertence ao credor, mas ao
devedor, o qual assume o compromisso de dá-la para que o credor se torne
dela proprietário, usuário, ou a tenha por qualquer outro título. Na segunda, a
coisa pertence ao credor, e o devedor, que tenha a sua posse ou detenção, por
qualquer título, terá que restituí-la ao seu dono;
• Exemplo de restituir coisa certa: A (devedor) deve para B (credor). A pode
dever por diversos títulos (no caso: contrato de locação), onde transfere a
posse do imóvel de 01/08/07 a 01/08/08 para B. No dia 01/08/08 o B passa a
ser o devedor de restituir o imóvel, pois o proprietário do imóvel é A.

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se
perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados
os seus direitos até o dia da perda.

• No mesmo exemplo, se o imóvel for destruído, o credor sofrerá a perda;

Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente,
mais perdas e danos.

• A tem que restituir casa a B, portanto a casa pertence a B, mas se A causar


qualquer perda a casa tem que responder pelo dano;

Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor,
tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o
disposto no art. 239.

• A tem que restituir a casa para B, mas esta se deteriorou sem culpa de A, quem
deve responder pela perda é o credor;

Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem
despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.

• A alugou casa de B. A casa pertence a B, alugada por R$ 1000000,00. No


período da locação a prefeitura colocou asfalto e melhoramentos. Quem
lucrará será o credor;

Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou


dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas
pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé.

Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o


disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.

• Exemplo: o locador teve que consertar o telhado å precisa ser restituído;


• Se estiver de boa fé, ou seja, a melhoria foi feita com o contrato em vigor, o
locador pode reter o imóvel até ser indenizado (Ver art. 1219 e art. 1220);
• Frutos naturais: são aqueles que a coisa produz sem a intervenção humana;

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• Frutos industriais: são aqueles que a coisa produz com a intervenção humana
(exemplo: café);
• Frutos civis: são os decorrentes do rendimento da coisa (ex: aluguel, valor de
arrendamento);

14/08/07
3) Obrigação de Dar Coisa Incerta:
• A coisa incerta poderá constituir objeto da obrigação de dar, mas deverá
revestir-se de certas indicações que possibilitem a sua determinação;
• Uma coisa indeterminada e indeterminável, não pode ser exigida, haverá
impossibilidade jurídica na obrigação;
• Dessa forma, para que a coisa possa ser objeto da obrigação de dar, deverá ser
indicada ao menos, pelo gênero e quantidade.

Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.

• A deve para B um Vectra 2007, placa X, chassi número Y å obrigação de dar


coisa certa;
• A deve para B arroz å obrigação de dar coisa incerta, porque existe gênero,
mas não tem a quantidade, tampouco a espécie. O contrato foi mal feito, pois
não foi especificada a espécie e a quantidade do arroz;

Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence
ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa
pior, nem será obrigado a prestar a melhor.

• Art. 244 – A escolha pertence ao devedor. Existe o arroz de primeira e de


segunda. O devedor não está obrigado a dar o melhor e nem o credor de
receber o pior;

Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente.

• Se o credor aceita o arroz que A está oferecendo e se transforma em dar coisa


certa, passando a partir daí a vigorar as regras de dar coisa certa;

Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da
coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito.

• Se a escolha não foi feita, o devedor não pode alegar que não tem o arroz X, Y
ou Z. O gênero não perece, e, portanto não pode alegar que não tem o arroz de
segunda qualidade, ou seja, o meio termo. Se necessário for, precisa comprar o
arroz;

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4) Obrigação de Fazer:
• A obrigação de fazer é aquela, cuja prestação consiste em um ato do devedor,
seja um ato material ou imaterial, seja um ato jurídico;
• Assim, por exemplo, a construção de um muro, de uma casa; a confecção de
um quadro, de um projeto; a prestação de fiança;
• Dela resulta para o devedor a necessidade de realizar um trabalho, um serviço,
uma determinada ação em benefício do credor;
• O essencial na obrigação de fazer é que o fato prometido seja executado
fielmente como foi ajustado. Pouco importa, por isso, que a execução seja feita
pelo próprio devedor, em pessoa, ou por outrem em seu nome ou como seu
representante;
• Poderá acontecer, no entanto, que a pessoa do devedor seja tomada em
consideração especial, e de tal modo que o fiel cumprimento da obrigação só
se dará quando executado por ele próprio, o devedor nunca por outrem;
• Cláusula penal compensatória: A é dono de um famoso buffet, e B contrata o
buffet por 200.000 reais. A festa está marcada para daqui a 7 dias (dia 18). No
dia o buffet não comparece. Como será calculado o valor das perdas e danos?
Deve existir no contrato a cláusula penal compensatória å pré-fixação de
perdas e danos;
• Quando o contrato envolve algo pronto, é de dar coisa certa, quando a coisa
não está pronta ainda, é de fazer coisa certa. Assim, quando se contrata um
pintor, é de fazer o quadro, mesmo que ele já tenha feito e não entregue será
acionado por ter deixado de fazer e não de dar coisa certa;

Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a
prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível.

• Existem obrigações que podem ser cumpridas por várias pessoas, mas outras
são de execução específica a um determinado indivíduo (“intuito personae”),
estas obrigações somente podem ser cumpridas pelo indivíduo em pessoa
(obrigações infungíveis, personalíssimas). Por exemplo: contrato com o
Roberto Carlos para cantar no Minas Tênis Clube;
• Caso a obrigação não seja cumprida, cabe ao credor solicitar perdas e danos;
• A obrigação por força de contrato pode passar a ser personalíssima por força
de contrato, mas não será natural;

Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-
se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos.

• Seja a obrigação personalíssima ou não, a obrigação vai se transformar em


perdas e danos, caso haja culpa do devedor;

Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo
executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização
cabível.

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Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de


autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

• Mandar terceiro executar pelo outro somente com ordem judicial (exceto, em
urgência). No caso do buffet que não entregou, contrata-se outro e o buffet
devedor terá que pagar;

5) Das Obrigações de Não Fazer:


• A obrigação de não fazer, obrigação negativa, consiste em uma abstenção;
• O devedor a cumpre abstendo-se de praticar um ato determinado;
• O descumprimento da obrigação de não fazer consiste, pois, na realização do
ato, a cuja abstenção se obrigara o devedor;
• Infringida a convenção pelo devedor, surge para o credor o direito de fazer
desaparecer os efeitos da infração, repondo as coisas no seu estado primitivo;
• Exemplo: o Roberto Carlos tem um contrato com a Globo de se apresentar na
passagem do ano. Nesse contrato que contempla a obrigação de fazer, tem
uma cláusula de não fazer, ou seja, de não se apresentar em outra emissora.
Descumprirá a obrigação de não fazer, se se apresentar em outra emissora.
Como é difícil calcular perdas e danos, também deverá constar cláusula
compensatória de valor elevado;

Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se
lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar.

• O devedor não precisará pagar indenização se o descumprimento da obrigação


de não fazer não ocorreu por sua culpa;
• Exemplo: A não tem acesso a rua de sua casa, e B deu direito de A passar
pelo canto de seu terreno, mas A se comprometeu a não passar pelo meio do
terreno. No entanto, a ponte por onde A passava quebrou e, portanto ele
precisa descumprir a obrigação;
• Ninguém pode ser obrigar a não trabalhar, a não casar, pois é inconstitucional;

Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode
exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado
perdas e danos.

Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer,


independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.

• A se comprometeu a não construir qualquer edificação em local perto do muro


de arrimo por risco de desmoronamento no terreno de B, mas A construiu. B
pode exigir que ele se desfaça da edificação;

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16/08/07
6) Obrigações Alternativas:
• É aquela em que há mais de uma prestação a cumprir, e o devedor se exonera
satisfazendo uma delas;
• Duas são as características das obrigações alternativas:
1. A pluralidade de prestações não conjuntas;
2. Direito de o devedor liberar-se uma delas.

Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se
estipulou.
§ 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em
outra.
§ 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser
exercida em cada período.
§ 3o No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles,
decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a deliberação.
§ 4o Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la,
caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes.
• A (devedor) -----B (credor) – deve relógio ou caneta X;
• A (devedor) -----B (credor) – deve relógio X ou construir muro;
• A (devedor) -----B (credor) – deve 70 sacos de arroz ou 10 sacos de arroz
(§1º);
• A (devedor) -----B (credor) – deve 70 sacos de arroz ou 10 sacos de arroz
durante 5 anos(§2º);
• A, B, C (devedores) -----B (credor) – devem relógio ou caneta. O juiz vai dar
um prazo para eles escolherem (§3º);
• A (devedor) -----B (credor) – deve relógio ou caneta X, mas quem vai escolher
é um terceiro, que não escolhe. O juiz dá um prazo para o acordo, que se não
houver, o juiz decide;

Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada
inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra.

• A (devedor) -----B (credor) – deve relógio ou caneta X, o relógio foi roubado,


logo a obrigação passa ser de dar coisa certa, ou seja, a caneta;

Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não
competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se
impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar.

• Se a caneta foi a última que se possibilitou o devedor deve pagar o seu valor,
mais perdas e danos;

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Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se
impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o
valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se
tornarem inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da
indenização por perdas e danos.

• A escolha cabe ao credor, uma se impossibilitou por culpa do devedor. O


devedor pode exigir o valor desta, ou a segunda alternativa;

Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor,


extinguir-se-á a obrigação.

• Se não houver culpa do devedor, a obrigação se extingue;

7) Obrigações Divisíveis e Indivisíveis


• A obrigação é divisível quando a prestação, seu objeto, é susceptível de
execução parcelada.;
• A obrigação é indivisível quando a prestação não é susceptível de execução
parcelada, seja material, seja imaterial. Em resumo: obrigações que somente
por inteiro podem ser cumpridas;
• A indivisibilidade pode ser:
1. Material: quando o bem não se pode partir em porções reais e
distintas sem alteração na sua substância. Exemplo: um automóvel;
2. Imaterial (Intelectual): quando o bem embora materialmente
divisível, é considerado indivisível por lei ou por vontade das
partes. Exemplo: uma fazenda de 130 hectares é materialmente
divisível, mas no Norte de Minas essa fazenda não pode ser
dividida, por exemplo, em 26 partes de 5 hectares, não há como
passar escritura, pois uma propriedade não é viável com menos de
13 hectares no Norte de Minas (no entendimento do legislador);
• A, B e C devem um carro para Y e X. O X na condição de credor, pode exigir
a obrigação por inteiro de qualquer um dos devedores;
• Considerando as obrigações indivisíveis, na pluralidade, o devedor é
obrigado ao todo, mas somente deve a sua parte;

Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível,


esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou
devedores.

• A, B e C (devedores) ----------X(credor) – devem 90.000 reais. Cada um deve


30.000 reais;

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• A, B e C (credor) ----------X(devedor) – deve 90.000 reais. X deve a cada um


30.000 reais;

Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um
fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a
razão determinante do negócio jurídico.

• A, B e C devem um carro para X. O X na condição de credor, pode exigir a


obrigação por inteiro de qualquer um dos devedores;

Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um
será obrigado pela dívida toda.

Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em


relação aos outros coobrigados.

• Se A paga, a obrigação está extinta. A obrigação sub-roga, assim A assume o


lugar de X e portanto, B e C devem 30.000 cada um ao A.

Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida
inteira; mas o devedor ou devedores se desobrigarão, pagando:

I - a todos conjuntamente;

II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.

• X deve para A, B e C um carro. A, B e C somente tem direito a 1/3 do carro,


mas podem exigir o todo. O interessante para o X é reunir os três credores e
receberem o carro, mas nem sempre isso é possível. Supondo que A exigiu o
carro de X. Se o carro vale 90.000 reais, ele precisa dar 30.000 para B e C.
Supondo que A não pague B e C. Portanto, X pode exigir caução de
retificação (garantia real ou fidejussória) ao entregar o carro para A, pode ser
uma hipoteca, em garantia, porque se A não pagar a B e C, estes procurarão
por X;

Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros
assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.

• Se o A recebe, B e C podem exigir 1/3 cada um;

Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com
os outros; mas estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente.

Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação,


compensação ou confusão.

• Remitir (perdoar). X deve para A, B e C um carro. Se A perdoa a dívida, ele


perdoou 1/3, ou seja 30.000. B e C continuam com o direito de exigir o carro,
mas terão que devolver 30.000 reais. Se X der o carro para B, e este não tiver
os 30.000 para pagar, X pode reter o bem.

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Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e


danos.

§ 1o Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores,
responderão todos por partes iguais.

§ 2o Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas


perdas e danos.

• Se A, B e C devem para X um carro, e essa obrigação não pode ser cumprida


por culpa dos três, a obrigação se resolverá em perdas e danos. Apurado
30.000 reais em perdas e danos, cada um deve 10.000 reais para X, mas X não
pode exigir 30.000 reais de apenas um.
• Se A, B e C devem para X um carro, e essa obrigação não pode ser cumprida
por culpa do A, somente ele responderá pelas perdas e danos, ou seja, A tem
que devolver o bem, além dos 30.000 reais, considerado como perdas e danos;

21/08/07
8) Obrigações Solidárias
• O CC define a solidariedade no artigo 264;
• Não se pode confundir a indivisibilidade com a solidariedade. Elas possuem
ponto de semelhança, mas destacam-se por vários diferenças.
• A semelhança é que, tanto nas obrigações indivisíveis, como nas solidárias o
credor tem o direito de exigir a dívida inteira;
• Diferem, contudo, uma da outra: a indivisibilidade resulta da natureza da
prestação; a solidariedade resulta do título da obrigação ou da lei;
• Daí as conseqüências que as tornam mais distantes uma da outra: a
solidariedade cessa pela morte do credor e, portanto, o crédito fraciona-se
entre seus herdeiros; a indivisibilidade, porém, em tal situação, não perde o
seu caráter de indivisível, em face da natureza da prestação;
• O devedor solidário deve o todo e é obrigado ao todo; o devedor da obrigação
indivisível é obrigado ao todo, mas só deve a sua parte;
• A obrigação solidária convertendo-se em perdas e danos, conserva a sua
qualidade de solidária; o mesmo não ocorre com a obrigação indivisível, que
se transforma em divisível;
• A solidariedade pode ser ativa e passiva. Ativa é aquela em que concorrendo
na mesma obrigação diversos credores, qualquer um deles terá o direito de
receber a dívida toda. Passiva é aquela em que concorrendo na mesma
obrigação, diversos devedores, qualquer um deles está obrigado a dívida toda,
como se fosse o único devedor;

Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor,


ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.

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Ativa (decorre das Pluralidade de credores


vontades das partes e de
Solidariedade testamento)
Passiva (decorre da lei e da Pluralidade dos devedores
vontade das partes)

Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.

Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-
devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.

• Exemplo de solidariedade passiva: A, B, C são devedores solidários e X o


credor, de 90.000 reais (empréstimo). A solidariedade é um benefício em favor
do credor. Vencida a obrigação, o X poderá cobrar de qualquer um dos três a
obrigação por inteiro, se quiser;
• A solidariedade se manifesta na sua relação externa: entre A, B e C e X, mas
possui também uma relação interna entre A, B e C;
• Art. 266: a dívida não precisa vencer no mesmo dia para cada um dos três, e
pode ter condições diferentes para cada um dos devedores.
• Art. 266: A unidade do vínculo obrigacional, essência da solidariedade, não
desaparece e nem se altera quando se apresenta, em relação a um dos sujeitos,
com certa modalidade acessória de condição ou de prazo, que não exista em
relação a outros. A obrigação nesses casos é uma só; a condição e o prazo são
cláusulas adicionais que não lhe atingem a essência;

Solidariedade Ativa (pouco freqüente no nosso meio)

Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o
cumprimento da prestação por inteiro.

• Na obrigação solidária o devedor deve o todo e é obrigado ao todo å


solidariedade passiva. O credor é credor do todo e pode exigir o todo å
solidariedade ativa;
• Exemplo de solidariedade ativa: X é devedor e A, B e C são credores.
Pluralidade de credores em solidariedade ativa. Exemplo: correntistas com
conta conjunta, aonde A, B e C são credores e X é o banco. Se A, se B ou se C
der um cheque de 300.000 reais, o X tem pagar o todo;

Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum,
a qualquer daqueles poderá este pagar.

• Art. 268: princípio da prevenção judicial. A, B e C são credores de 300.000


reais. Qualquer um dos três pode exigir, e o X tem que cumprir a obrigação.

José Roberto de Faria – Direito Civil II – Aula Digitada Não Revisada


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No entanto, se qualquer um deles entrar com demanda judicial contra o X, este


não pode mais pagar o B ou o C, pois se o A ganhar a ação, o X corre o risco
de ter de pagar de novo para o A;

Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o
montante do que foi pago.

• Considerando que o A emita um cheque de 120.000 reais, se o X pagou, resta


180.000 reais da dívida, que é o montante que B e C podem agora exigir do X;
• Considerando a indivisibilidade: A, B e C deve para X um carro, obrigação de
dar coisa certa indivisível å o credor pode exigir o todo, mas só é credor da
sua parte.

Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só
terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário,
salvo se a obrigação for indivisível.

• Quando uma pessoa falece, por exemplo, X falece, naquele exato momento
tudo o que X possui é transmitido aos seus herdeiros. Se X possuía 900.000
reais, vai 300.000 reais para cada um dos 3 herdeiros (X1, X2 e X3).
• X é o devedor, e A, B e C são os credores solidários. X deve para A, B e C
900.000 reais. Se A receber os 900.000 passa a dever 300.000 a B e C.
Considerando que o C faleceu, a herança é transmitida para seus 3 herdeiros
(C1, C2 e C3), ou seja, o quinhão hereditário de cada herdeiro é 100.000 reais,
cada um isoladamente não pode cobrar os 300.000 reais. Enquanto existir o
espólio, os três reunidos (C1, C2 e C3) podem representando o espólio cobrar
os 900.000 reais å isso somente não acontece se a obrigação for indivisível
(exceção do art. 270), pois se a dívida fosse um carro, não seria necessário
caução de justificação;

• Indivíduo de 60 anos tinha sido fiador (o fiador não é solidário, somente se


firmar a fiança de forma solidária, o aval é solidário) de um amigo de
4.000.000 reais. O indivíduo (João) estava para morrer e tinha sido fiador
solidário do José no valor de 4.000.000 reais, o credor era o Antônio. José não
pagou e sumiu do mapa. O advogado verificou o contrato, e percebeu que o
Antônio tinha duas garantias, uma garantia fidejussória e uma garantia real
hipotecária (25 lotes na região da Pampulha). A garantia real somente tem
validade se o contrato de financiamento está registrado na hipoteca, ou seja,
consta que os lotes estão hipotecados. O advogado percebeu que a hipoteca
não foi registrada å isso tira a garantia. No momento em que não registrou,
ele frustrou a garantia, ficou impossível a subrogação.
Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado:
I - se, sem consentimento seu, o credor conceder moratória ao devedor;
II - se, por fato do credor, for impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências;
III - se o credor, em pagamento da dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto
diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perdê-lo por evicção.

José Roberto de Faria – Direito Civil II – Aula Digitada Não Revisada


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Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os


efeitos, a solidariedade.

• A deve para B e C um carro (obrigação indivisível), mas se este transformar


em perdas e danos, tanto B como o C pode exigir o todo, o valor de 8000 reais
das perdas e danos (continua solidária), mas ficará devendo 4000 para outro;

Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos
outros pela parte que lhes caiba.

• X deve para A, B e C, 90.000 reais, a obrigação é solidária por força de


contrato, além de ser divisível. Se X paga 90.000 para o A, o A vai ter que dar
30.000 para B e C. Se a obrigação for indivisível, o A pode perdoar a dívida,
mas precisa dar 30.000 para B e C;

23/08/07

Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais
oponíveis aos outros.

• A, B e C são credores solidários de X de 90.000 reais. Se a obrigação estiver


prescrita, se A cobrar a dívida de X e o juiz acatar a prescrição, ele se estende
a B e C;
• Supondo agora que o A entrou no negócio fazendo ameaça a X, quando o A
cobrar, o X somente pode se negar a pagar somente o A (art. 273);

Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais; o
julgamento favorável aproveita-lhes, a menos que se funde em exceção pessoal ao credor
que o obteve.

• A entrou com ação para cobrar os 90.000 reais, e o juiz não aceitou pois estava
prescrito, mas se o prazo da prescrição era só para o A, isso não se estende ao
B e C;

Solidariedade Passiva

Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores,
parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais
devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.

Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo


credor contra um ou alguns dos devedores.

• A, B e C devem para X (credor), 90.000 reais. Se um paga a dívida, a


obrigação se extingue, mas se o pagamento foi parcial, os demais devedores
continuam obrigados;

José Roberto de Faria – Direito Civil II – Aula Digitada Não Revisada


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• Parágrafo único: se o X ajuizar ação contra o A, para receber o dinheiro, isso


não obsta que ele entre com ação contra B e C. O habitual é entrar com ação
contra os três;

Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes
será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se
a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor
solidário em relação aos demais devedores.

• Sucessão: primeiro no descendente å ascendente å colateral. No momento


em que a pessoa falece os bens se transferem automaticamente. Ninguém
herda dívida. X faleceu e deixou X1, X2 e X3 como herdeiros. O patrimônio
vai ser repartido em partes iguais. Se 900.000 reais, cada um herdará 300.000
reais, mas se X deixou uma dívida de 2.000.000 reais. O X1, X2, X3 não
receberão nada, mas também não terão que pagar os 1.100.000 reais;
• A, B, C são devedores solidários de X. A faleceu e deixou A1, A2, A3 como
herdeiros. Se A não deixou patrimônio, X não tem como receber dos herdeiros
de A. Mas, se o faleceu e deixou patrimônio de 1.500.000 reais e a dívida é de
900.000 reais. Em tese cada herdeiro receberia 500.000 reais, no entanto, mas
receberá na verdade 200.000 reais;
Depois da partilha, cada um deve 100.000 reais, mas até a partilha o A pode
acionar o espólio em 900.000 reais;

Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida
não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou
relevada.

• A, B, C devem para X 90.000 reais. Se A pagou 50.000, X somente pode


cobrar de B e C os 40.000 reais restantes;

Art. 278. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos
devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem
consentimento destes.

• Art. 278, referente ao art. 266, pode haver condições diferentes para cada um
dos devedores solidários;

Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários,


subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só
responde o culpado.

• A, B e C devem para X a restituição de uma casa, que lhes foi dada em


comodato (empréstimo de coisas não fungíveis) å ver art. 585. ;

Art. 585. Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa,
ficarão solidariamente responsáveis para com o comodante.

José Roberto de Faria – Direito Civil II – Aula Digitada Não Revisada


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• Mas, antes da casa ser devolvida, a casa pegou fogo. A, B e C fizeram uma
festa a luz de vela, e ocorreu o incêndio, os três são responsáveis pela casa e
pelas perdas e danos. Se só o A for responsável pelo incêndio, os três são
responsáveis pela casa, mas somente o A é responsável por perdas e danos.

28/08/07

Art. 280. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha
sido proposta somente contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação
acrescida.

• A, B e C devem 90000 reais a X (credor). A dívida venceu em 28/04/07 e foi


paga em 28/08/07, com juros a dívida foi para 93600 reais. O X pode cobrar
de qualquer um dos 3 os 93600 reais. Quem foi o responsável pela perdas e
danos assumirá internamente o prejuízo diante dos outros devedores;

Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem
pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-
devedor.

• Exceção = defesa. O credor (X) pode cobrar do A, mas supondo que X


renunciou a solidariedade de A, o A passa a dever apenas 30000 reais, mas B e
C continuam devendo 60000 reais de forma solidária;
• Qualquer um dos devedores solidários pode alegar exceções comuns como a
prescrição, por exemplo;

Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de


todos os devedores.

Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores,


subsistirá a dos demais.

• Discutido anteriormente. Não confundir renúncia a solidariedade com perdão


de dívida;

Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos
co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver,
presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores.

• Insolvente é aquele que não tem patrimônio para solver a dívida. A, B, C, D e


E devem 200000 reais para X. O X cobrou do A, o A pagou 200000 reais, e
portanto, a obrigação está extinta. O A na relação interna vai cobrar 40000 do
B, do C, do D e do E. O B pagou, o C pagou, o D pagou, quando foi cobrar do
E, este se mostrou insolvente. O A assume 10000 da dívida, e assim também
fará o B, C e o D;

Art. 284. No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados


da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente.

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• A, B, C, D e E devem para X, 200000 reais. O X exonerou da solidariedade o


E. o E passou a dever 40000 reais para o X. Neste caso o X somente pode
cobrar solidariamente 160000 reais. O A pagou 160000 reais. O A então
cobrou 40000 do B, C e do D. O D mostrou-se insolvente, então os 40000 do
D será dividido entre todos: A, B, C, D e E.

Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores,


responderá este por toda ela para com aquele que pagar.

• A foi ao banco e pegou 2000000 reais. O banco vai exigir garantia,


considerando no caso, uma garantia fidejussória. X e Y avalizaram o A. O aval
se usa para títulos de crédito. Vencida a obrigação se o A não pagar, o banco
pode escolher se vai pagar do X ou do Y (o aval é solidário). O avalista que
pagou vai direto no devedor, somente se não encontrar patrimônio no devedor
é que este avalista procurará aquele do qual o banco não cobrou;

Tipos Específicos de Obrigações

Obrigação Propter Rem (tipo de obrigação de dar coisa certa)


• É aquela em que o devedor, por ser titular de um direito sobre uma coisa, fica
sujeito a uma determinada prestação que não derivou da manifestação
expressa ou tácita de sua vontade;
• O que o faz devedor, é a circunstância de ser titular do direito real;
• Exemplo: A tem fazenda e na divisa da fazenda com B não tem cerca. A
constrói uma cerca de 1 km dividindo a fazenda. A não precisa autorização de
B para fazer a divisa. O B está obrigado a pagar metade do custo da cerca, pois
se torna devedor em razão de ser proprietário.

Art. 1.297. O proprietário tem direito a cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o
seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu confinante a proceder com ele à
demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a renovar marcos
destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as
respectivas despesas.

• Exemplo: pagar condomínio. É obrigatório, pois decorre do direito real, sobre


a coisa (apartamento)

Obrigações Condicionais (tipo de obrigação de dar coisa certa)


• São aquelas condicionadas a evento futuro e incerto, como ocorre quando
alguém se obriga a dar a outrem um carro, quando este se casar;

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Obrigação a termo (tipo de obrigação de dar coisa certa)


• Se a obrigação subordinar a sua exigibilidade ou a sua resolução a evento
futuro e certo, estaremos diante de uma obrigação a termo;
• Todo obrigação com prazo fixado é obrigação a termo
• Exemplo: Pedro deve a Antônio 10000 reais que deverá ser pago em
10/12/2007;

Obrigações Modais (tipo de obrigação de fazer)


• São aquelas oneradas por um encargo, imposto a uma das partes, que
experimentará um benefício maior;
• Exemplo: obrigação imposta ao donatário pelo doador de construir uma escola
na fazenda que lhe foi doada;

Obrigação de Meio (tipo de obrigação de fazer)


• É aquela em que o devedor se obriga a empreender sua atividade, sem garantir,
todavia, o resultado esperado;
• Exemplo: a obrigação do médico é em princípio de cuidar do paciente, não de
curar o paciente;

Obrigação de Resultado (tipo de obrigação de fazer ou dar coisa certa)


• O devedor se obriga não apenas a empreender a sua atividade, mas,
principalmente a produzir o resultado esperado pelo credor;
• Exemplo: cirurgia plástica estética;

Obrigação de Garantia (tipo de obrigação de fazer ou dar coisa certa)


• Tem por conteúdo eliminar riscos que pesem sobre o credor, reparando suas
conseqüências;
• Exemplo: contrato de seguro. Indivíduo faz o seguro do carro, o proprietário é
o credor;

Obrigações Líquidas (tipo de obrigação de dar coisa certa)


• É a obrigação certa quanto a sua existência e determinada quanto ao seu objeto
• A prestação, nesses casos, é certa individualizada, a exemplo do que ocorre
quando alguém se obriga a entregar ao credor a quantia de 1000 reais;
• Exemplo: Pedro deve para João 10000 reais para pagar em 10/12/07;

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Obrigações Ilíquidas (tipo de obrigação de indenizar)


• Carece de especificação de seu quantum, para que possa ser cumprida;
• Exemplo: Pedro deve a João uma indenização pelo dano que causou em razão
de um atropelamento;
• É obrigação certa quanto a existência, determinada quanto ao objeto, mas
indeterminada quanto ao valor.

30/08/07
Obrigações Conexas
• Há vários devedores, cada um deles com a obrigação de satisfazer ao credor
prestação distinta, porém, conectada a dos demais, e delas dependente pela
mesma origem e pelo menos objetivo;
• O credor só pode acionar um deles, se antes acionar os demais;
• Exemplo: A tem uma casa e contrata um pintor e um pedreiro para reformar a
casa. A obrigação que o pintor assume é conexa com a do pedreiro. Somente
pode-se solicitar a obrigação do pintor, depois da obrigação do pedreiro;

Obrigações Cumulativas
• São as que comportam diversas prestações somadas;
• Exemplo: o devedor se obriga a entregar seu carro, seu telefone, e determinada
soma em dinheiro por 200 bois;

Obrigações Disjuntivas
• Há vários devedores que se obrigam, cada um deles, por toda a obrigação;
• O credor pode escolher qual deles fará a obrigação. Uma vez escolhido o
devedor, os outros ficam liberados da obrigação;
• Exemplo: contratos administrativos para compra de quadros-negros. O Estado
tem que fazer licitação. Compareceram as empresas A, B, C, D, E e F, que
apresentam envelopes fechados. Por cada quadro, A (50), B(52), C(50,5)
D(49), E(47), F(55). A empresa E passa a ser devedora e as outras estão
liberadas;

Distinções entre Obrigações Principais e Acessórias


• A noção de acessório e principal está contemplada no art. 92 do CC;

Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório,
aquele cuja existência supõe a do principal.

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• Transportando o princípio para as obrigações, temos que há obrigações que


nascem e existem por si mesmas, independentes. Há outras que surgem
unicamente para se agregar a outras, isto é, são obrigações acessórias;
• Sua existência está na razão de ser da obrigação principal e em torno dela
gravitam. O caráter de acessório e principal pode emanar da vontade das partes
ou da lei. Pode, também a obrigação acessória surgir concomitantemente com
a principal ou posteriormente;
• Podem estar presentes no mesmo instrumento ou em instrumentos diversos.
Assim, são exemplos típicos de obrigações acessórias, a fiança, o penhor, a
hipoteca, posto que não possuem razão de ser sem a existência da principal;
• Constituem, na verdade, um reforço para o adimplemento da principal;
• Às vezes, a acessoriedade decorre da própria lei, como é o caso da evicção,
pela qual o devedor, além da obrigação inerente a compra e venda de entregar
a coisa vendida, é obrigado a resguardar o comprador contra os riscos do
negócio (art. 447);

Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta
garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.

• Os juros configuram também uma obrigação acessória, posto que a sua


existência depende da obrigação principal, pois são os juros frutos civis;
• A principal conseqüência da distinção é que a obrigação acessória segue a
sorte da obrigação principal;
• Desaparecendo a principal, desaparece a acessória, via de regra;
• Por exemplo: A vai ao banco e pede 2 milhões de reais, mas vai exigir uma
garantia. A dá a fazenda em garantia. No momento em que pagar o principal, a
acessória desaparece;
• Se A deve 10000 reais mais 500 reais de juros de mora. A pessoa pode pagar o
principal e restar o acessório que são os 500 reais, mas isso é exceção;

Cessão de Crédito

• É o ato pelo qual o credor transmite o seu crédito a outrem, gratuita ou


onerosamente;
• No tocante a fórmula, a cessão de crédito é convencional quando decorrente de
acordo de vontades entre cedente e cessionário; legal quando surge em virtude
da vontade da lei, e judicial, quando se apresentar como conseqüência
necessária de uma sentença, por exemplo, homologatória de uma partilha,
atribuindo a herdeiro ou legatário determinado crédito deixado pelo falecido;

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Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da
obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá
ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

• Exemplo: via de regra a cessão é onerosa. A (devedor) deve 1 milhão de reais


para B (credor) e pode ceder esse crédito para uma terceira pessoa, no caso C
(cessionário, ou novo credor), B passa então a ser chamado de cedente. A
dívida vence em 12/02/08, mas B está apertado e então cede o crédito de para
C (este dá 800000 reais para B e no vencimento cobra 1 milhão de A);
• Art. 286: certos créditos não são passivos de cessão, como os alimentos. A lei
às vezes impede

Art. 520. O direito de preferência não se pode ceder nem passa aos herdeiros.

• Art. 520 - exemplo: preferência de compra da casa

Art. 1.749. Ainda com a autorização judicial, não pode o tutor, sob pena de nulidade:

III - constituir-se cessionário de crédito ou de direito, contra o menor.

• Exemplo: o tutelado deve para B, 1 milhão de reais e C é o tutor de A. A lei


veda ao B ceder o crédito ao C;
• Art. 286: constou do contrato que B não pode ceder o crédito (vontade das
partes) å convenção com o devedor. Para proibir a cessão tem que ter
cláusula específica proibindo;
• Hipoteca: direito real sobre coisa alheia que incide sobre bens imóveis;
• Penhor: direito real sobre coisa alheia que incide sobre bens móveis;

Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os


seus acessórios.

• Hipoteca: direito real sobre coisa alheia que incide sobre bens imóveis;
• Penhor: direito real sobre coisa alheia que incide sobre bens móveis;
• Penhora: ato de apreensão judicial, determinado pelo juiz no processo de
execução.
• O credor que tem como garantia um bem imóvel é chamado de credor
hipotecário. Quando alguém dá bem imóvel em garantia, o indivíduo não
perde a posse, mas se for vender vai verificar a margem do registro, a
averbação da hipoteca;
• O credor hipotecário tem o direito de seqüela, ou seja, de perseguir o bem,
aonde quer que ele esteja;
• O credor que tem como garantia um bem móvel é chamado de credor
pignoratício (exemplo: jóia penhorada na CEF);
• A deve para B, 1 milhão de reais e deu como garantia uma fazenda;
• Salvo disposição em contrário a cessão abrange todos os acessórios, pois o
acessório segue o principal;

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Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não


celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das
solenidades do § 1o do art. 654.

• A deve para B 2 milhões e a dívida vence em 02/08. Esta cessão não pode ser
verbal, tem que ser expressa por instrumento público ou particular. Terceiro
neste artigo significa credor do credor cedente. B (cedente) cede para C
(cessionário) o seu crédito. A lei diz que ineficaz em relação a terceiro.
Supondo que em outra relação B deva para X, 2 milhões que está vencendo
hoje (30/08). X tem conhecimento do crédito que B tem, o juiz pode emitir
mandado de penhora do crédito com A. A é comunicado para não pagar B, e B
diz que isso não pode ser feito, pois o crédito já foi cedido para C. Para valer
para terceiro (o credor do credor, ou seja, X) é necessário que as observações
do art. 288;

Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante
instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante.

§ 1o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a


qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação
e a extensão dos poderes conferidos.

Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no
registro do imóvel.

• A deve para B (credor hipotecário), 100 mil reais. A deu como garantia uma
fazenda. O B cede o crédito para o C por 80 mil reais. O acessório segue o
principal. A hipoteca é acessória. O cessionário C, vai se tornar o novo credor
hipotecário. C pode fazer o registro da hipoteca para o seu nome;

Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a
este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se
declarou ciente da cessão feita.

• A deve para o B, 500 mil reais. B cedeu o crédito para C. Uma coisa é a
eficácia da notificação em relação ao devedor. Diferenciar eficácia de
concordância. B não precisa da autorização do A, para ceder o crédito, mas a
cessão somente terá eficácia se o devedor A for notificado;

Art. 291. Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar
com a tradição do título do crédito cedido.

• A deve para B, 1 milhão de reais. B cede para C o crédito, mas também cedeu
o mesmo crédito para D. Qual das duas cessões é a válida? O instrumento da
cessão pode ser público ou particular. Supondo que o título da obrigação é a
promissória. Quem estiver com a promissória é o credor, além do instrumento
de cessão. O outro tem que se entender com B.

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Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga
ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário
que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar
de escritura pública, prevalecerá a prioridade da notificação.

• A deve para B que cede para C. A não foi comunicado e paga para B å o
pagamento é válido. No exemplo anterior suponde que D e C notifiquem A. A
deve pagar aquele que tiver o título de crédito e o instrumento de cessão. Se o
título for uma escritura pública, prevalece aquele que notificar primeiro, pois
nesse caso o título está no cartório;

Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o


cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido.

• A deve para B, 1 milhão de reais, que cede para C. A validade da cessão


independente da autorização de A, ele tem apenas que tomar conhecimento,
mas supondo que o A ainda não foi comunicado da cessão. Supondo que B
deve para X, 900 mil reais. X entrou com ação de execução contra o B, e foi
citado a pagar em 24 horas, sob o risco de penhora. C tomando conhecimento
do fato, pode impedir que seja penhorado o seu crédito;

Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem
como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o
cedente.

• A (devedor) deve para o B (credor), 1 milhão de reais, mas o B (devedor) deve


para o A (credor), 300 mil reais. B cedeu o crédito para C, mas A pode exercer
o direito de compensação com C o que ele compensaria com B. Quando A for
pagar C deverá pagar 700 mil reais;

Art. 295. Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica
responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma
responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé.

• A deve para B, 1 milhão de reais. B (cedente) cedeu 800 mil reais para C
(cessionário). Uma coisa é a existência do crédito, ou seja, 1 milhão de reais,
outra coisa é a solvência de A. Em princípio B só é responsável pela solvência
de A quando estiver explicitado essa responsabilidade;

Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do
devedor.

• Cessão “Pro Soluto”: o cedente responde pela existência do crédito, mas não
responde pela solvência do devedor. C assume o prejuízo;

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Art. 297. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não


responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-
lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.

• Cessão “Pro Solvendo”: quando o cedente no contrato de cessão assume a


responsabilidade da solvência do devedor. B tem que pagar 800 mil reais a C;

Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que
tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica
exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro.

• A deve 1 milhão de reais para B. B em outra obrigação deve 1 milhão de reais


para X. Esta obrigação venceu primeiro, o juiz determina a penhora, a partir
desse momento B não pode ceder o crédito na obrigação com A. O terceiro é o
X. Se A pagar B, sem ter sido comunicado da penhora, subsiste o direito de X
sobre B.

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