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Micróbio misterioso muda teoria sobre ciclos de

nitrogênio e carbono
Redação do Site Inovação Tecnológica
18/11/2008

Aglomerados de cianobactérias coletadas no Oceano Pacífico.


[Imagem: Rachel Foster, UCSC]

Um microorganismo incomum e misterioso, descoberto no mar aberto,


poderá forçar os cientistas a repensarem o atual entendimento sobre o
ciclo do carbono e do nitrogênio nos ecossistemas marinhos.

Os cientistas ainda não conseguiram fazer com que esse micróbio


misterioso se reproduzisse em laboratório, mas foi possível caracterizá-lo
analisando seu material genético.

Microorganismo atípico

Segundo Jonathan Zehr, um dos autores da pesquisa, o microorganismo


parece ser um "membro atípico" da família das cianobactérias, um
grupo de bactérias capazes de fazer fotossíntese e que antigamente
eram conhecidas como algas azuis-verdes.

Ao contrário das outras cianobactérias de vida livre, esta recém-


descoberta não possui os genes necessários para fazer a fotossíntese, o
processo pelo qual as plantas usam a energia da luz do Sol para fabricar
açúcares a partir do dióxido de carbono e da água.

Fixação de nitrogênio
O micróbio misterioso, contudo, é capaz de desempenhar outro papel
muito importante: ele fornece um fertilizante natural para os oceanos
fixando o nitrogênio da atmosfera em uma forma utilizável por outros
organismos.

[ ... 80% da atmosfera da Terra seja nitrogênio ]

Embora 80% da atmosfera da Terra seja nitrogênio, a maioria dos


organismos não consegue utilizá-lo a menos que ele seja "fixado" a
outros elementos para formar moléculas como amônia ou nitratos.

Como o nitrogênio é essencial a todas as formas de vida, sua fixação é


um fator essencial no controle de toda a produtividade biológica também
nos oceanos, onde o micróbio misterioso não apenas está presente, mas
como é um dos mais abundantes fixadores de nitrogênio em muitas
partes dos vários oceanos da Terra.

Aplicações em biotecnologia

O que mais está intrigando os pesquisadores é a "falta" de material


genético comum às outras cianobactérias. "Nós estamos tentando
entender como algo como isso pode viver e crescer com tantas partes
ausentes," diz Zehr.

"Há múltiplas implicações. Ele deve ter um estilo de vida que é muito
diferente das outras cianobactérias. Ecologicamente, é importante
entender seu papel no ecossistema e como ele afeta o equilíbrio do
carbono e do nitrogênio no oceano," diz Zehr.

Outro interesse dos cientistas na cultura em laboratório do novo


microorganismo é descobrir se ele pode ter suas características
utilizadas em aplicações biotecnológicas e industriais. A sintetização da
amônia, fixando o nitrogênio atmosférico, é um dos mais importantes
processos industriais da atualidade (veja 100 anos de síntese da amônia,
a descoberta que mudou o mundo).

Bibliografia:
Globally Distributed Uncultivated Oceanic N2-Fixing Cyanobacteria Lack
Oxygenic Photosystem II
Jonathan P. Zehr, Shellie R. Bench, Brandon J. Carter, Ian Hewson, Faheem
Niazi, Tuo Shi, H. James Tripp, Jason P. Affourtit
Science
14 November 2008
Vol.: 322. no. 5904, pp. 1110 - 1112
DOI: 10.1126/science.1165340
Links desta notícia
University of California -
Santa Cruz

Science

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=micro
bio-misterioso-muda-teoria-sobre-ciclos-de-nitrogenio-e-carbono-nos-
oceanos&id=010125081118

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100 anos de síntese da


amônia, a descoberta que
mudou o mundo
Redação do Site Inovação Tecnológica
14/10/2008

Em 1908, o químico alemão Fritz


Haber publicou o primeiro trabalho
sugerindo a possibilidade técnica da
síntese da amônia a partir do
nitrogênio e do hidrogênio Fritz Haber e Carl
atmosféricos. Dez anos depois ele Bosch.[Imagem: Wikipedia]
ganharia o Prêmio Nobel de Química
por esta descoberta.

Dois anos após o artigo inicial, em 1910, a empresa Basf comprou


sua patente. Carl Bosch, engenheiro metalúrgico da empresa,
transformou a possibilidade teórica prevista por Haber em uma
realidade prática. Os aperfeiçoamentos renderiam a Bosch o mesmo
Prêmio Nobel de Química em 1931.

Processo Harber-Bosch

O que passaria para história como o Processo Harber-Bosch daria


início a uma nova fase não apenas da agricultura e da indústria
mundiais, mas também da própria forma de vida de nossa civilização.

Hoje, um século mais tarde, bilhões de pessoas são alimentadas


graças a essa descoberta. Foi a síntese da amônia que permitiu o
desenvolvimento dos fertilizantes químicos nitrogenados
sintéticos que hoje garantem a produtividade de quase metade de
toda a agricultura mundial.

Mas também foi esse mesmo processo que colocou em movimento


uma série de alterações ambientais que hoje nos afetam mais
do que nunca, e que viabilizou muitas das armas que fomentaram
os conflitos armados nesse seu primeiro século de história.

A invenção mais importante do século

"A crescente demanda por alimentos e biocombustíveis torna o uso


eficiente dos fertilizantes nitrogenados e formas mais sustentáveis
de energia, um desafio para muitos. O processo Haber-Bosch é
provavelmente a invenção mais importante do século XX, ainda que
ela tenha tido muitos efeitos colaterais. Agora nós precisamos de uma
nova invenção que altere o mundo na mesma magnitude, mas sem o
impacto ambiental," comenta o professor Jan Willem Erisman, um dos
autores de um artigo que analisa o impacto da descoberta da
sintetização da amônia.

Dependência do nitrogênio

Segundo o artigo, nós agora vivemos em um mundo que foi


transformado pelo processo Haber-Bosch e que se tornou altamente
dependente do seu nitrogênio. Esse nitrogênio extra tem permitido a
produção de explosivos em larga escala, que já resultaram em
milhões de mortes.

Por outro lado, ele criou uma gigantesca indústria química que produz
a maioria dos produtos que trazem conforto para o nosso dia-a-dia. E
permitiu a produção em larga escala de fertilizantes que mantêm a
produtividade da agricultura que hoje é responsável por alimentar
quase metade da população da Terra.

[ Mal uso dos fertilizantes e meio ambiente ]

O mal uso dos fertilizantes, contudo, também tem trazido sérios


danos ao meio ambiente, entre os quais a redução da biodiversidade
e a formação das marés vermelhas. Os compostos de nitrogênio
também ameaçam a qualidade da água potável e afetam a saúde de
todas as pessoas que consomem essa água.

E os cenários futuros sugerem que esses problemas poderão se


ampliar, caso o mundo caminhe no sentido de utilizar em larga escala
biocombustíveis feitos a partir de plantas que consumam grandes
quantidades de fertilizantes nitrogenados.

Necessidade de uma nova tecnologia


É por isso que os autores do artigo afirmam que o mundo está
precisando de outra inovação tão disruptiva quanto o processo Haber-
Bosch - mas sem seus efeitos colaterais.

Os autores do artigo, infelizmente, não possuem a solução. Segundo


eles, o único caminho, antes que uma nova tecnologia emerja, é
discutir com a sociedade o que ela deseja para si e quais são os tipos
de confortos e desafios com que ela pretende se deparar nos
próximos 100 anos.

A ciência, contudo, não está parada. Vários progressos têm sido


feitos nos anos recentes para o desenvolvimento de novas formas de
se fixar o nitrogênio e novas formas de produzir amônia.

Bibliografia:
How a century of ammonia synthesis changed the world
Jan Willem Erisman, Mark A. Sutton, James Galloway, Zbigniew
Klimont, Wilfried Winiwarter
Nature Geoscience
October 2008
Vol.: 1, 636 - 639
DOI: 10.1038/ngeo325

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=100-
anos-de-sintese-da-amonia--a-descoberta-que-mudou-o-
mundo&id=010160081014

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