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SUTTAS GNÓSTICOS

SUTTAS GNÓSTICOS

Ensinamentos para os tempos finais da humanidade

Autor: Karl Bunn Presidente da Fundação Samael Aun Weor Curitiba – PR – Brasil – LVII Ano de Aquário

© Direitos autorais desta edição: Escola Gnóstica Fundasaw : http://www.gnose.org.br, mantida pela Igreja Gnóstica do Brasil

Cópias desta obra são permitidas desde que se mantenha a totalidade deste texto [da primeira a última linha] e seja expressamente mencionada a fonte (ESCOLA GNÓSTICA FUNDASAW) e nosso endereço na internet (http://www.gnose.org.br).

Os textos que compõe esta edição são cópia integral (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto) das conferência ditadas por Karl Bunn, presidente da Fundação Samael Aun Weor – http://www.gnose.org.br realizadas ao vivo no ano de 2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet.

Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo autor.

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2007: INÍCIO DA RETA FINAL - Mensagem Especial para 2007

09.01.2007

Queremos fazer aqui um alerta e uma exortação de que 2007 é o ano, cabalisticamente falando, do Peregrino, é o ano do Buscador, do Iniciado. Pelo que ouvimos, o tempo está muito curto, o que significa também que 2007 é praticamente o último ano que temos para começar um trabalho real e concreto sobre nós mesmos.

Aqueles que ficam ainda se debatendo nas dúvidas primárias, na questão elementar do “acredito/não acredito”, estão perdendo seu tempo. Sempre afirmamos que a Gnose não é para pessoas vacilantes, dúbias, que querem estar em muitas escolas e ao mesmo tempo não estão em nenhuma delas.

Esses vacilantes precisam definir-se. Não que alguém vai atrás com uma lança ou um tridente cobrando coisas. Temos que avisar aqui nesse momento que o tempo de vacilações já passou. Aqueles que, de fato, estão interessados em fazer alguma coisa em seu próprio favor, de seu trabalho espiritual, esse é o último ano, magicamente o ano que soma 9.

Este é um ano especial para aqueles que já se decidiram, já começaram a praticar inclusive, mas que ainda estavam levando suas práticas um tanto quanto relutantemente. Sabemos que todos passam por dificuldades e que os conflitos pessoais acentuariam-se na medida em que os anos fossem passando.

Tenho visto em nossas comunidades que há pessoas com sérios problemas e ninguém tem uma pílula mágica capaz de resolvê-los. Os conflitos internos, cada qual tem que resolver na sua intimidade, no silêncio, no encontro de si mesmo. E esse é o ultimo ano que temos para isso.

Ainda que as coisas sempre cheguem atrasadas ao Brasil, o que de certa maneira gera uma vantagem, pois certos acontecimentos finais também chegarão ao Brasil com uma sobrefolga de dois ou três anos

Em 2010, terá triplicado, praticamente. os acontecimentos que hoje assistimos e que já estarrecem a muitas pessoas. Lá pelo ano de 2012 em diante, nem temos como discorrer sobre isso, porque justamente no dia 22 de dezembro de 2012 termina o tempo do não-tempo. O que significa que se pode esperar de tudo, se não temos trabalhado sobre nós mesmos, trabalhado no sentido do desapego. É muito fácil afirmarmos “Ah! Eu não tenho apego. Ah! Para mim não tem problema!”. Mas, em contrapartida, quando perdemos um amigo, entramos em depressão, em desespero, mesmo com todo o discurso de desapego.

O que podemos esperar, então, quando as coisas acontecerem numa magnitude muito maior? Esta

preparação emocional, psicológica, já era para ser feita. Daí o tempo necessário para isso, para crescermos, amadurecermos, avançarmos em relação a estes mesmos desapegos.

Agora, se estávamos ou estamos vacilantes, se não conseguimos superar esses conflitos elementares, então podemos inferir que à medida que os anos forem passando, esses conflitos nos levarão ao desespero, à loucura.

Não estamos jogando palavras ao vento, nem queremos gerar um clima de pânico, como inadvertidamente acabamos fazendo. Não porque geramos isso, mas só ao falar dos acontecimentos finais, muitas pessoas ficam realmente apavoradas. O nosso objetivo não é gerar pânico e sim preparar os espíritos ou dar as indicações para que cada qual prepare o seu, uma vez que ninguém pode fazer o trabalho por outro.

É claro que nessa época atual, palavras, intenções e objetivos sempre são deturpados. Muitos que

ouvem isso, lêem essas coisas ou uma mensagem como a Gnose, tomam-na pelo lado negativo,

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como uma ameaça. Em nossa modesta visão, são tontos, pois estão desperdiçando um aviso que a Divindade deu em vez de trabalhar para superar suas limitações, estar com o espírito pronto, amadurecido para a vida difícil que se avizinha. Desdenham dessas coisas, riem, criticam, atacam Isso é a humanidade, isso somos nós, não há como mudar.

Por isso mesmo, somos aqui [no PALTALK] um pequeno grupo, que em certos dias congrega vinte e poucas pessoas, outro dia menos de vinte, houve um tempo em que eram mais de quarenta e assim cada qual vai levando sua própria vida como lhe parece melhor. Nosso dever é avisar sobre essas coisas, alertar que esse ano de 2007 é um ano muito significativo para quem quer construir algo dentro de si, espiritualmente falando. As ferramentas para construir isso foram dadas aqui mesmo por dezoito meses; há muito material disponível, já são mais de cem horas de gravação. Esse não é um canal noticioso, de novidades. Quem quiser ouvir novidades deve ler jornais, assistir televisão, ou ir à banca da esquina e comprar jornais e revistas para encontrar novidades.

Aqui trabalhamos sempre com os mesmos temas e, mesmo assim, já abrimos demasiado, devíamos ter focado mais vezes os mesmos temas. Mas sabemos que, para a mente ocidental, para a mente novidadeira, esta repetição acaba criando mecanismo de rejeição: mesmo ouvindo, passamos a não escutar.

Queríamos aproveitar para buscar essa conciliação, a sintonia em relação ao momento que estamos atravessando. E trabalhar em cima das práticas para esse ano de 2007. Repassar alguns elementos importantes para aqueles que querem levar adiante um trabalho consistente, concreto, eficiente nesse caminho espiritual. E, dentro deste contexto, estamos à disposição para comentários e questionamentos sobre esse trabalho ou sobre as dificuldades encontradas. Talvez nem tudo possa e deva ser comentado hoje dentro deste contexto aqui apresentado.

Alguém pergunta: “a partir de que momento do trabalho, desenvolvemos o centro de consciência permanente, e como ele se expressa na vida diária?”. Ele cristaliza-se depois de muito tempo de trabalho de auto-observação, de autolembrança de si mesmo; isso não é uma coisa para algumas poucas semanas, alguns poucos meses. O desenvolver e cristalizar do centro permanente de consciência é a mesma coisa que dizer, desenvolver a Bodhishita dentro de nós e isso é um trabalho de muitos anos. Devemos ter isso em vista, mas não fantasiarmos de que vai ser conseguido rapidamente.

Não nego a possibilidade de que possa ser conseguido rapidamente, pois há pessoas a quem nós atendemos nesses anos todos, e acompanhamos no seu trabalho espiritual diário, que desenvolveram seu centro permanente em dois anos. Mas isso é uma exceção, são pessoas que disciplinaram-se a trabalhar pesadamente, já vieram com trabalho espiritual feito em vidas anteriores. Tudo isso faz com que esse fator tempo aqui denominado reduza-se. Mas o normal da condição de 99% das pessoas que chegam à Gnose hoje é um trabalho de cinco a sete anos. Isso se trabalhar bem, do contrário serão quatorze, quinze anos, o normal é mais de vinte anos, pois a dura realidade da comunidade gnóstica internacional é que ninguém trabalha sobre si.

Foi uma grande surpresa nos anos noventa quando, aqui na Fundação, instituímos para oficiantes e para instrutores um mínimo de duas horas de prática, de meditação por dia. Mas isso se deu em função da constatação na época de que a média de prática dos chamados gnósticos no mundo, não chegava a trinta minutos diários. O normal é que cada um fizesse dez, vinte minutos de um rápido exercício de retrospecção do dia. Então como vai se formar um centro permanente de consciência fazendo-se zero de trabalho por dia?

Agora aqueles que se dispuserem a trabalhar, primeiro compreendam a natureza da Doutrina Gnóstica, a natureza desse trabalho, o que é o caminho iniciático. Depois de haver compreendido tudo isso, sabendo das dificuldades e das implicações, acima de tudo, de um trabalho como esse, expresse, em contrapartida, em termos de trabalho prático diário e interrupto.

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Não existe sábado e domingo para quem quer o caminho, existe apenas o dia. E o dia é feito de horas, aproveitem essas horas. Muitas pessoas alegam não ter tempo para fazer práticas, mas passam duas horas por dia na frente da televisão e ainda toda noite ou duas, três vezes na semana alugam filmes, DVDs na locadora e ali já se vão mais quantas horas?

Se, ao invés de pegarem esse tempo para ficar vendo filmes, novelas, noticiários, revistas, etc., usarem para fazer meditação, teriam o tempo necessário. A crua realidade dos fatos é que somos demasiadamente débeis. Entendemos a debilidade e nós mesmos fomos assim por muitíssimos anos. Perdemos um tempo muito grande, não entendíamos a natureza do trabalho, a natureza do caminho, suas implicações, até “cair a ficha” e vermos todo o cenário de uma maneira muito clara, muito concreta, de maneira palpável. Perdemos muito tempo ou foi o tempo necessário que, particularmente, gastamos para fazer isso com segurança.

Até porque aquilo que ensinávamos não podia ser feito irresponsavelmente, não podíamos ensinar algo que não tivéssemos experimentado antes, pois senão não teríamos segurança para dizer e afirmar certas coisas.Hoje é diferente, conhecemos mais, vimos as coisas mais claramente, temos uma consciência muito maior do que aquela que tínhamos então. Cada um vai passar por esse mesmo processo.

Sintetizando tudo isso, resume-se a trabalhar diariamente. Para nós aqui, na época, estabelecemos duas horas de prática por dia como mínimo para um instrutor da FUNDASAW, isso surpreendia muita gente. Pessoalmente, surpreendo-me como achávamos difícil fazer duas horas de prática e isso é nada absolutamente.

Devemos aumentar isso para três horas, quatro horas. Como podemos fazer isso? Depende da profissão ou da ocupação de cada um. Então, cada qual tem de buscar dentro dos seus compromissos normais e da sua sobrevivência diária, os seus horários para isso. Provavelmente vai implicar em levantar mais cedo, pois que levantemos às quatro, quatro e meia ou cinco horas. Cada qual define seu horário de despertar. Entretanto, dar-se-á um grande salto quando pudermos incluir em nossa rotina diária duas horas de prática pela manhã, mais uma hora pela noite antes de ir para a cama. Teremos três horas de prática: meditação, mantras, práticas devocionais.

E, durante o dia, trabalhar muito na autolembrança, na autorecordação, na auto-observação, justamente aquela hora de meditação noturna antes de ir para a cama seria destinada para fazer reflexões acerca de tudo aquilo que aconteceu durante o dia.

Fazer tudo isso sem pressa, sem tensão, sem estresse. Ter o sentido da responsabilidade de fazer esse trabalho, mas não fazer isso de má vontade, pois se o fizer é porque não entendeu nada. Então, primeiro precisa voltar e compreender a natureza desse trabalho, uma vez que não o compreendeu ainda e, se não o compreendeu, faz as coisas de forma errônea e aí não há resultados.

Não que devamos buscar resultados, assim como nos alimentamos três, quatro vezes ao dia, não para buscar resultados, mas por necessidade. Da mesma forma, devemos fazer práticas por necessidade, não para buscar resultados. Assim, a própria prática torna-se um exercício relaxante e eis que surge o que o Mestre Samael dizia: “amor ao trabalho”.

Se alguém quer fazer esse trabalho sem amor, e o amor não vem sem haver compreendido a natureza do trabalho e do caminho, começa mal, provavelmente até fazendo um trabalho inútil, seria melhor nem fazer se for para realizar dessa maneira.

Sobre construir um centro permanente de consciência, ele cristaliza-se em função de trabalhos realizados. Não adianta perseguir desesperadamente esse centro, não é uma meta a ser alcançada, é um resultado natural que ocorre em função de um trabalho feito, realizado com amor ao trabalho, é isso que precisa ser entendido. Tirar de nossa mente, nossa vida, essas fantasias todas.

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Não adianta alguém pegar um japamala, por exemplo, e começar a repetir mecanicamente mantras, invocações ou orações todos os dias. Isso de pouco serve, pois um papagaio pode fazer a mesma coisa. Temos de estar voltados para isso, voltados a fazer nossa prática, naquele local mais oculto de nossa casa física e também da interior. E ali onde ninguém nos veja, façamos nossas orações, nossos diálogos com nossa Divindade anterior.

Uma determinada pessoa comentava: “mas a quem eu devo rezar?”. Essa é a dura realidade: as pessoas quando chegam à Gnose, nem sabem a quem deve rezar. Chegam à Gnose oriundas de religiões cristãs e nelas ensinaram a elas a rezar para Jesus, pois ele é o filho de Deus. A Gnose afirma que existem os Mestres e que não existe Deus, mas existem Deuses, então a pessoa entra em

confusão: “mas

mesmo tempo, nosso grau de ignorância espiritual.

E agora? A quem eu devo rezar?”. A pergunta é pertinente, mas revela, ao

A partir dessa realidade de zero espiritual que temos para trabalhar, pode ser que alguns tenham

0,1% de esclarecimento espiritual, mas outros, além de zero, começam a caminhar para menos zero, à medida que querem fazer de seu próprio cérebro um liquidificador de doutrinas contraditórias, misturando ensinamentos pertinentes ao lado negro e ao lado branco, achando que tudo é a mesma coisa. Desde que tenha amor, tudo vale.

Uma coisa é o discurso do amor. E digo a vocês que os tenebrosos são mestres no discurso do amor, da paz, da justiça, e é por ai que eles enganam esses que têm seu centro emocional frágil, pois isso é um apelo ao emocionalismo, ao sentimentalismo. Essa é a realidade espiritual do mundo neste momento.

Nem quero aprofundar muito sobre determinadas características, porque a simples menção de determinadas práticas já seria chocante para muitas pessoas e, tomando esses cuidados, já somos acusados de muitas coisas, imaginem quando, às vezes, tornamo-nos mais enfáticos ao sugerir que nos afastemos de certas práticas muito aceitas, certos ambientes muito freqüentados. Essa é a dura realidade nossa e os tempos estão se fechando agora, se temos que tomar uma decisão, tomemos em favor de nosso próprio Pai que está dentro de nós mesmos.

Se não sabemos a quem rezar, o Mestre Samael diz que, em certa altura de sua vida, quando ainda estava na busca do caminho, cansado de tanta teoria, exausto de tanta informação desencontrada, decidiu afastar-se do mundo. Foi morar numa choupana de pescador no mar do Caribe e ali durante tempos, enquanto fazia uns biscates para ter o que comer durante o dia, entregou-se à meditação. A meditação dentro da Gnose é dita como sendo o alimento diário do sábio. Um capítulo do livro Psicologia Revolucionária está denominado de “O Pão Supersubstancial”. O Dalai Lama medita três horas por dia de manhã, os lamas, os sábios, os místicos do Tibet têm os traseiros chatos por passarem horas e horas sentados em padmasana a vida inteira, meditando com a finalidade de anular a mente e os processos mentais.

E nós, agora com mero dez minutos, cremos de fato que vamos conseguir alguma coisa palpável e

concreta neste caminho espiritual? Vamos tirar a ilusão, se queremos fazer um trabalho sério, vamos nos olhar na frente do espelho, olho no olho conosco mesmos, vamos assumir um compromisso, decidir realizar algo sério pelo menos a partir desse ano de 2007, cabalisticamente, nove, uma nova oitava. Essa nova oitava terminará no ano 2016 e até lá quem saberá que transformações o mundo terá passado e se nós ainda estaremos aqui?

Esse despertar da consciência, dar-se conta da gravidade do momento e da necessidade de fazer um trabalho concreto sobre nós para deixarmos de ser tão materialistas, tão voltados para as coisas do mundo exterior. Temos que nos voltarmos mais para o mundo interior.

Um bom começo, seria nesse ano de 2007, começar com três horas de meditação, duas horas pela manhã e uma hora à noite antes de ir para a cama. Porque muita gente deita na cama e diz que faz

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duas horas de prática, mas não é bem assim. É preferível fazer uma hora de prática sentados ao pé da cama em posição Zen, ou padmasana os que conseguem.

Tratar de estudar retrospectivamente o dia, tomar consciência de seus erros, tratar de ver suas mecanicidades, buscar encontrar dentro de si uma atitude positiva após uma autocrítica, mas sem culpa. Isso que nos ensinaram aqui no Ocidente de culpabilidade é um problema sério, pois o ego para se esconder faz-se de “coitadinho” e esse é um tremendo obstáculo. Não temos que nos fazer de “coitadinhos”, temos que, simplesmente, olhar-nos de frente, para dentro de nós, no espelho da autoreflexão interior profunda, evidente do Ser, como dizia o Mestre Samael.

Com paciência, fazendo isso dia após dia, gradativamente, vamos nos tornar mais profundos, mais exatos na autopercepção, na auto-análise, na contemplação de nós mesmos e de nossas próprias realidades interiores.

Comentou-se muito das bases fundamentais, das quatro nobres verdades, das paramitas, o óctuplo

Sendeiro de Buda, do Selo Hermético, Bhakti Yoga, Karma Yoga, dialética da consciência

essa base já foi dada ainda que com o auxílio, é claro, das obras que estão disponíveis. Sempre que

necessário devemos lançar mão disso para refrescar muitas vezes nossa memória ou para proporcionar uma chispa de compreensão ao rever um determinado ensinamento.

Toda

E assim sem pressa, sem tensão, mas seguramente avançando, realizando o trabalho naturalmente,

esse Centro de Consciência Permanente vai cristalizando-se dentro de nós, a consciência vai ancorando em nós. Temos uma consciência, mas está espalhada, dispersa, não está ativa, está adormecida, reage em função dos condicionamentos da própria mente, do próprio ego.

É esse mecanismo que temos de desarmar, esse jogo que devemos jogar na meditação. Ficar

observando a própria mente, observando os “macacos” pularem agitadamente de galho em galho, sem finalidade nenhuma. Mas eles pulam. Dominar a mente é um dos primeiros passos, não esquecer de nós, expressarmos a conduta reta, tantas vezes mencionada.

Com todo esse ferramental, esse conjunto de atividades, gradativamente nosso mundo interior vai modificando-se. Temos de fazer nossa parte primeiro, para que a mudança aconteça. Se alguém perseguir uma mudança ela foge, não se consegue nada perseguindo, mas sim permanecendo sereno, tranqüilo, em paz, centrado em si mesmo. Só assim as coisas consolidarão-se em torno de si mesmo. Enquanto estivermos agitados como pedras rolantes, é claro que nada vai aderir.

Alguém comenta ou pergunta aqui "Estas práticas meditativas costumam reduzir o tempo de sono de oito para três horas?". Acho muito difícil alguém reduzir para três horas, eu reduzi para quatro, cinco horas bons tempos na vida enquanto estava fazendo experiências comigo mesmo. Agora encontrei um outro ponto de equilíbrio que me parece mais adequado, mas é possível umas cinco horas sem se desgastar.

Um dos obstáculos que temos é exatamente esse, se levantamos cinco horas da manha e deitamos às dez, onze horas da noite, então ficamos um largo período acordados. A natureza mostra claramente em fatos que todo animal precisa, nesse meio tempo, de repouso.

Aqueles que puderem, na hora do almoço, tirar para si 15, 20, 30 minutos para repousar, para tirar uma soneca ou fazer alguma prática interna como sempre fazia o Mestre Samael, isso vai dar um alívio no sistema nervoso, no sistema parassimpático. É altamente aconselhável, mas sei que na cultura e no mundo desumano de hoje, poucas empresas oferecem essa possibilidade, esse repouso na hora do almoço.

Aqueles que moram em cidade menores podem desfrutar disso. Aproveitem! Façam isso! Agora quem mora em cidade grande realmente é difícil. A escolha que teriam de tomar é mudar de cidade, sair do caos infernal para uma outra condição ou mudar de emprego, mesmo que na mesma cidade.

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Sacrificar algumas coisas e trabalhar menos, para que se possa ter mais tempo para si e para este trabalho, isso realmente é importante. É claro que nenhum de nós vai poder abandonar tudo, aqueles que têm compromisso de família, são casados, têm família para sustentar, não podem ser levianos a ponto de largar tudo. Mas podem gradativamente mudar a sua condição, reduzir compromissos, reduzir gastos, trabalhar menos.

Buscar alternativas sem pressa, buscando o apoio da Lei, comprometendo-se com a Lei, fazendo isso, digo a vocês que as oportunidades abrem-se. Mas cada oportunidade que nos é aberta a partir desses meios aumenta mais nosso compromisso e responsabilidade. Melhor não negociar nada com a Lei Divina se não temos a certeza e a segurança de cumprir com o juramento.

O que realmente é a causa dos fracassos, é porque não criamos o hábito de fazer as práticas,

começamos a fazer essas práticas hoje, sustentamos essa rotina durante uns quantos dias e então surge um acontecimento qualquer, um convite para uma festa, uma reunião de amigos, um aniversário não sei de quem, uma oportunidade de ir à praia e no impulso vai-se. Ao voltarmos, já não é mais a mesma coisa, algo afetou, balançou e não temos a força necessária, o thelema, para retomarmos essa vida.

O que precisamos entender é que se alguém quer esse caminho, deve transformar-se num monge na

sua própria casa, na empresa, no trabalho em que está. Tem que encarnar esse princípio do monge, fazer seu trabalho, enquanto trabalha. Isso da conduta reta, do amor Ágape, isso da ética superior, abordada no tema das paramitas.

São ferramentas formidáveis que nos permitem trabalhar concretamente com fatos, não na teoria, filosofia da Gnose, mas nos fatos concretos. Cada qual tem que achar a sua maneira de resolver isso, todos nós sabemos que precisamos fazer trabalhos concretos, práticos, cumprir uma rotina de práticas esotéricas diárias, sem falhar nenhum dia.

Recentemente, alguém me consultou: "Ah! Estou pensando em “dar um tempo” nas minhas práticas, o que você acha disso?". Ele já sabia qual era o meu pensamento, mas mesmo assim escreveu. As pessoas sabem, mas duvidam daquilo que sabem, querem buscar em alguma palavra nossa um motivo para “dar um tempo”, só que esse “dar tempo” é igual a morrer, jogar fora o trabalho, uma vez que muito pouco resta.

Se viemos de uma rotina de trabalho de seis meses, duas horas por dia, é claro que isso gera um resultado interior, pode não ser muito, mas já tem alguma coisa dentro de si, percebe-se que houve mudanças dentro de si.

Então diz: "vou dar um tempo". Uma semana que passa ele volta ao zero, se algum dia retornar (e foi o que eu disse a essa pessoa) e se retornar vai ser muito mais difícil. O inimigo que está dentro de nós gerou resistências, defesas naturais muito mais poderosas que estarão esperando este pobre estudante para quando ele tentar voltar, se é que vai voltar. Estatisticamente, a maioria não volta.

O que a Gnose ensina como um conhecimento universal, o Budismo, o Cristianismo original

também ensina. Ela pode ser tomada e aplicada em muitas atividades humanas. Podemos levar esses princípios para nosso ambiente de trabalho. Tanto isso é verdade que um consultor empresarial escreveu um livro chamado O Monge e o Executivo e ganhou milhões de dólares e hoje cobra cinqüenta mil dólares para fazer uma palestra de um dia sobre esse tema. Esteve recentemente aqui no Brasil, em São Paulo e Curitiba também, e qual foi o pulo do gato dele?

Ele fez um estudo dos valores ensinados por Buda, por Cristo, por Krishna, por Pitágoras, todos os sábios da humanidade e fez os devidos paralelos com o ambiente corporativo. Parabéns para ele! Teve a inspiração, acreditou e correu atrás, teve a ousadia de lançar um trabalho e colheu os resultados, uma pessoa que é aplaudida em muitos lugares.

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Um dia desses, nas férias, estava falando com uma pessoa que estava em conflitos, não sabia o que fazer. A pessoa queria ir para o reveillon e me perguntou o que eu achava. Eu disse: “bom, o que você fez todos os anos anteriores?”. Ela disse: “sempre fui para o reveillon”. Eu respondi: “então faça alguma coisa diferente esse ano, não vá para reveillon nenhum”. Por circunstâncias, ela acabou perdendo a oportunidade. Sugeri para que fosse fazer um retiro num monastério budista, não conseguiu ir, pois tomou a decisão em cima da hora, mas com isso evitou repetir o padrão de todo ano, que era cair na gandaia, de certa maneira, ou ir para diversão com os amigos. Indiquei esse livro, o Karma Yoga e outras práticas mais, em vez de sair para se divertir. Quebrou a rotina e essa quebra de rotina pode ser o início,de um trabalho, de uma mudança profunda na vida das pessoas.

Ela me comentava exatamente que, na empresa em que trabalha, realizaram um seminário com esses princípios contidos no livro O Monge e o Executivo, mas as pessoas não incorporaram esses valores, ouviram o conferencista e a vida segue, não houve mudança de atitude nos diretores da empresa, então o mundo segue girando.

Obras como esta, efetivamente contribuem para uma mudança e uma melhoria nas condições de trabalho. Caso apenas entrar por um ouvido e sair pelo outro, deixando um registro na memória sem que haja uma iniciativa concreta, é só papagaiar, não sair do lugar, nada muda.

A mesma coisa acontece com as doutrinas, se pegarmos os seus princípios e implementa-los, seja

numa instituição como a de recuperação de dependentes químicos, numa empresa ou nossa vida pessoal, é claro que as coisas começam a mudar. Mas para isso é preciso ter um poder de vontade. Porque toda vez que alguém começa a fazer um trabalho à frente de uma instituição, surge uma oposição tremenda, esta oposição que surge fora toda vez que alguém quer fazer um trabalho, surge pois está dentro de nós.

È só alguém querer implementar em sua vida pessoal uma disciplina de trabalhos espirituais, essa

resistência surge dentro dele, o que, em Gnose, damos o nome de o Demônio Caifás, da má vontade. Aquele que opõe resistência a tudo, o que condena e entrega o Cristo à crucificação.

Todos esses princípios de luz e de trevas estão dentro de nós, autoconhecimento é pesquisar. Não

se faz da noite ao dia, demora-se, sofre-se, cai-se muitas vezes, mas nenhum Mestre está ali com

uma maquininha de contar quedas, eles não olham isso, só olham se o discípulo continua na luta, mesmo tendo tombado novecentas e noventa e nove vezes. Olham o espírito de luta e darão quantas oportunidades forem necessárias para ele continuar na guerra. Agora se cai e aproveita e tira uma soneca no chão, é claro que oportunidade nenhuma merece.

Essas coisas elementares e simples é que temos de considerar nesse trabalho, não ficar com tantas teorias. Infelizmente, dentro da Gnose, conseguimos transformar uma doutrina num amontoado de fantasias, princípios rígidos ou leis incompreensíveis, quando o que o Mestre Samael e outros Mestres quiseram foi é passar um sistema prático de vida e não sistemas complexos que servem apenas para afiar o intelecto.

O conhecimento é dado, trazido ao mundo, mas cada qual utiliza como quer, não se tem, nem se

pode ter o controle sobre isso. Cada qual é livre para escolher o que quer fazer, ninguém é obrigado

a acreditar em Gnose, em Samael, em Avatares, em coisa nenhuma. Mas respeite aqueles que acreditem, deixe o outro acreditar, se alguém vem pedir ajuda, ofereça ajuda, se é que tem algo a oferecer.

No Sutra da Mente consta um ensinamento budista dado a um grupo super-reservado de Buda quando esteve entre nós no mundo. Nesse sutra é comentado o seguinte: quem teria maior mérito? Aquele que tivesse tesouros suficientes para encher três universos inteiros e doasse isso para caridade, teria um grande mérito, mas o mérito maior, ensinou Buda, é aquele que pegasse quatro linhas ou princípios de uma doutrina santa e ensinasse isso às pessoas para que elas pudessem

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livrar-se da dor, do sofrimento e do Samsara, esse teria maior mérito, e não aquele que doou o tesouro do tamanho de três universos, não de três malinhas. Comparativamente, valeria mais aos olhos da lei aquele que simplesmente ensinasse quatro linhas de um ensinamento redentor. Isso é motivo de reflexão.

È evidente que para ensinar quatro linhas de um conhecimento, primeiramente precisamos

compreender essa doutrina, porque do contrário, possivelmente, ainda vamos adulterar essas quatro linhas. Precisamos ensinar algo de uma doutrina legítima, doutrina brancas como denominamos aqui e ensinar isso a outras pessoas. Esse é o terceiro fator de revolução da consciência. Agora como ensinar se nem a compreendemos? Aí está um dos desafios. Queremos ensinar sessenta e três livros, trezentas conferências quando nem entendemos a primeira linha e só deveríamos ensinar a primeira linha desse ensinamento, assim estaríamos agindo corretamente.

Percebam como é sutil, delicada, toda essa questão do ensinar, compreender, do dar, movimentar-

se nesses desdobramentos dessas realidades cósmicas. Alguém que conhece uma doutrina

salvadora, que possa liberar do sofrimento do Samsara, começa a praticar e depois a abandona

porque não consegue superar as resistências de si mesmo e desiste, só por ele mesmo atrairá maiores sofrimentos.

O sofrimento dá-se em função da dor e do prazer, sofrer também gera mais sofrimento, prazer

também gera mais sofrimento. O sofrimento e o prazer são apenas duas faces de uma mesma moeda nesse mundo da forma, temos de ir para o Vazio, para o Nirvana, sair do mundo da forma e

diluir-se na não-forma que se chama Nirvana.

O Nirvana não é um lugar, é um estado de consciência e isso nos remete ao que a Gnose diz: ir

além da dualidade da mente. Enquanto estivermos sendo moídos, esmagados pela dualidade da mente, dor e prazer, sim e não, feio e bonito, esses princípios da forma só nos gerarão mais dor. Liberdade só haverá quando fugirmos da dualidade da mente, muitos sonham com liberdade, alimentando a dualidade mental, isso é um absurdo, não têm idéia do que estão fazendo.

Oxalá sejamos claros em expressar isso, colocando certos princípios dessa forma. Então, vence aquele que persevera. Os Mestres, os Deuses, eles não estão ali para contar nossas quedas, isso é normal, é parte do aprendizado. Não há como se fazer consciência e renunciar à dor ou ao prazer sem ter vivido a dor e o prazer.

Aceitação e rejeição, não temos que aceitar nem rejeitar, temos que achar a compreensão, o vazio, a consciência, romper os apegos, os lastros, e isso se dá pela compreensão. Gradativamente, vamos construindo nossa libertação e não precisamos acreditar ou não em Deus, pois isso é da dualidade

da mente, devemos ver o aspecto vazio que está entre os dois. Esse é o único desafio que nós

temos. Despertar a consciência é cair no vazio, viver na compreensão, não na dualidade dos

extremos.

Muitas pessoas, para fazerem o trabalho, querem uma motivação, mas a motivação que elas buscam é a motivação da cenoura na ponta da vara, de uma recompensa, um prêmio. Neste caminho esse tipo de motivação não serve. As empresas, como motivação, oferecem recompensas pecuniárias, dinheiro ou promoção e assim jogam o seu jogo de sedução, de tentação.

A única motivação nesse caminho é superar o Samsara, o mundo da forma, diluir-se no vazio,

encarnar o Cristo, o Buda. Isso são formas, palavras que usamos para dizer a mesma coisa, transmitir uma realidade que nos escapa aos cincos sentidos ordinários. Se tivéssemos pelo menos o sexto sentido aberto muitas dessas explicações tornariam-se ridículas e desnecessárias.

Aí estaria uma boa motivação, porém todo novato faz essa pergunta: "mas porque devo praticar isso?”. Quando nós, como instrutores, também éramos novatos ou simples estudantes, a gente

dizia: "ah

Para despertar seus poderes, alcançar a felicidade ou para você poder viajar em astral".

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Isso é tudo bobagem, cenoura na ponta da vara para motivar o burro a puxar a carroça, motivar a seguir com o Samsara, aprisionados neste mundo como escravos das ilusões.

Para mim, a maior motivação é liberar-se de todos esses mecanismos, realizar o vazio dentro de nós, não como algo a ser perseguido, mas como uma expressão que precisamos utilizar para transmitir que algo acontece, mas que, por nossa cegueira, surdez, nos afastamos e nos esquecemos dessas coisas.

Então, muitas vezes temos de dizer a um novato: "não para despertar seus poderes". Isso porque talvez ele queira poder no começo. Então precisamos esticar uma varinha e colocar uma cenoura na ponta, senão nem sequer ele motiva-se a estudar. Entretanto, se queremos avançar nesses ensinamentos, esqueçamos isso, agora é hora de sentar em padmasana e achatar nossos traseiros, entrar em meditações dia após dia, até algo acontecer, mudar, até havermos ultrapassado as trevas de Maya ou deste véu que nos prende ao mundo da forma.

Não tem outra maneira de explicar esses princípios ou realidades. O Mestre Samael falou que se não tivesse experimentado o vazio iluminador quando tinha dezoito anos de idade, não teria se lançado a esse caminho com tanto ardor, empenho, motivação. Mas para que ele experimentasse esse vazio iluminador aos dezoito anos, se vocês lerem o livro As três montanhas, verão que desde os quatorze anos ele se empenhou em fazer muitas práticas e foi na Fraternidade Rosa Cruz que aprendeu as práticas que, naquela época, lhe deram os melhores resultados e, como ele mesmo diz, na Teosofia ele aprendeu a fazer lindas e maravilhosas palestras, mas não aprendeu prática nenhuma.

Ele só aprendeu as práticas na Rosa Cruz Antiga, nos livros de Krumm Heller, de cujos livros, na época, ele retirou a fórmula, e depois a aperfeiçoou, da Alquimia Sexual. Cometeu erros no começo em relação a isso, mas corrigiu. Se alguém tiver a felicidade de experimentar esse vazio iluminador, que o Mestre Samael consegui experimentar, vocalizando uma hora diária os mantras por ele mesmo ensinados no livro As três montanhas, quem sabe alguém de nós seja abençoado com uma experiência dessa. A minha motivação não passa por ai, é outra, não serve praticamente pra ninguém.

Agora, aqui mesmo na Fundação, houve pessoas que tiveram experiências similares a essa e esse foi um fator definitivo nas suas vidas para se lançarem às práticas com mais intensidade e inclusive alargar o número de horas diárias. Aqui entre nós há pessoas que realmente praticam seis horas de meditação diária há muitos anos. O que falamos aqui não é bobagem, é constatação do trabalho coletivo desta instituição, parte da história da instituição que representamos. Não quer dizer que somos melhores, nem melhores nem piores, pois isso é da dualidade mental, estou apenas relatando fatos sem pretensões.

Alguém nos pergunta o que eu quero dizer quando o estudante alcançou algo de concreto. Uma experiência do Vazio Iluminador, um desdobramento consciente desde o momento que ele descola do seu corpo, sai do seu quarto, vai a algum lugar, faz o que tem de fazer, vê, examina, toca, dialoga, toma um suco e depois, sem nunca ter perdido a consciência, retorna a seu corpo físico, percebendo como se dá o encaixe, uma percepção clarividente de um elemental, um diálogo com algum Mestre da Loja Branca e trás a lembrança até o cérebro, despertar Kundalini, ativar os chakras, tudo isso é concreto.

Essas coisas, sim, dão motivação para a pessoa. Por outro lado, conhecemos pessoas aqui na Fundação e fora daqui, que foram instrutores e que tinham muita facilidade para sair em astral. Eles relatavam experiências fabulosas, até para a inveja de muitos irmãos que praticamente nunca saíam em astral. No entanto essas pessoas com tais habilidades afastaram-se da Gnose. Com isso quero dizer que o mundo astral e suas experiências são muito ilusórias e quando falamos no Vazio é ir além dessas dualidades mentais e dos fascínios dos paraísos moleculares. Devemos ir além de todo e qualquer fascínio e o mundo astral fascina a muitas pessoas.

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Dentro da Gnose fala-se muito em sair em astral. O Mestre Samael tinha um propósito quando ele começou a Gnose de ressaltar o desdobramento astral e falou isso de tal maneira em seus livros que quem lia achava que era só fazer aquilo que naquela noite ele saía em astral, e a partir daquele dia ele sairia em astral a hora que quisesse. Este é um engano, decepcionou muita gente, o próprio Mestre Rabolu, que sempre enfatizava muito a questão da viagem astral, de certa maneira, decepcionou-se ao ver os fatos concretos na sua escola. Raríssimos conseguiam sair em astral, apesar de todo empenho e motivação que ele tentava transmitir as pessoas.

Isso porque o desdobramento astral não depende da vontade de alguém. Desdobrar o ego é relativamente fácil, mas para desdobrar o corpo astral, como ensina o Mestre Samael, primeiro é preciso possuir um corpo astral e quantos de nós temos um corpo astral? Estou falando em termos de humanidade, pode ser que aqui nessa sala, grande parte de nós tenha um corpo astral porque um dia já forjou. Porém está tão doente, acabado pelos milênios de lama onde estamos rolando que praticamente perdemos todos esses poderes, então quem se empenhar a trabalhar com meditações, pranayamas, mantralizações, em dois anos, se trabalhar diariamente, passa a ter essas experiências.

Se cairmos em fascínio, isso se tornará nosso inimigo e provavelmente a causa de nosso fracasso na iniciação, até podemos sair em astral, mas aquele que se deixa fascinar se atirará ao mar pelo canto da sereia e vai morrer afogado. Ulisses, que não era bobo, pediu para ser amarrado ao mastro do seu navio, outros marinheiros que estavam com ele, deixaram-se atrair pelo canto da sereia e atiraram-se ao mar, morrendo afogados.

O mundo astral derrota a muitos incautos, esses que se fascinam pelas belezas, paraísos que se podem encontrar. Essa não é a finalidade da Gnose, o objetivo não é desdobrar o corpo astral ou o ego, isso serve para qualquer escolinha nas esquinas, para os espaços esotéricos pop. O objetivo da Gnose é autorealização, eliminar seus defeitos, tornar-se uma pessoa virtuosa, um santo, um casto, alguém que se estabelece no Vazio, encarna seu Buda íntimo e para alguns do seu Cristo intimo, de acordo com o caminho que eleger ao longo da iniciação. Isso é a Gnose, não é ensinar alguém a desdobrar, a ter poderes isso é decorrência natural de uma prática que se faz e que precisa ser feita.

Tudo precisa ser construído, essa construção faz-se da mesma maneira que um pedreiro constrói uma casa, tijolo por tijolo, são horas e horas de meditação todos os dias sem falhar, isso é um trabalho concreto, não é fantasia. Fantasia é você ler livros e é uma das maiores dentro da Gnose, pois não é carregando todos os livros de Gnose nas costas que alguém vai se iluminar.

Sair em astral com o ego consciente não é prova nenhuma, é algo concreto, isso é verdade, mas não é prova de avanço espiritual. Porque muitos percorrem as iniciações maiores sem se dar conta, de consciência adormecida, não porque são adormecidos, mas porque os adeptos vigiam muito zelosamente a liberação dos aprendizados que recebemos nos mundos superiores. Nem tudo que nos é ensinado nós trazemos ao cérebro físico, porque eles não deixam e às vezes são surpreendidos quando alguém consegue furar esses bloqueios que eles utilizam para a nossa própria proteção.

De alguma maneira, eles tentam evitar que acabemos nos fascinando com essas experiências e

esquecendo-se do verdadeiro trabalho, que é desenvolver o fogo interior, Kundalini, que é a base de todo trabalho iniciático. Não estou falando desse chamado desenvolvimento espiritual, porque hoje

em dia todo mundo fala: "ah

desenvolvimento espiritual é esse que as pessoas falam?

Porque isso é bom para meu desenvolvimento espiritual". Mas que

Acham que é ler livros, participar de alguns rituais debaixo de uma árvore, participar de uma cerimônia externamente realizada em algum templo Budista, Rosa Cruz, Teosófico, isso é o chamado desenvolvimento espiritual dessas pessoas? Então eles estão a milhões de anos-luz da realidade.

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Quando, em Gnose, se fala em desenvolvimento espiritual, ele é medido, esse metro é o fogo que cada um porta dentro de si, "com a vara que medirdes sereis medidos". Quando um adepto quer medir o avanço de um discípulo, por um processo, eles sacam o Kundalini da coluna de uma pessoa e medem, assim como nós, com uma fita métrica, medimos a altura de uma cerca, com os olhos

espirituais vê-se dessa forma. Não é vago, não é "ah

desenvolvimento espiritual", é capaz de morrer de inanição, conquistar alguma enfermidade de deficiência vitamínica antes de se desenvolver espiritualmente.

Ser vegetariano é muito bom pra meu

O único desenvolvimento reconhecido na Loja Branca é medido pelo fogo, todos nós começamos como simples alunos e eles sabem dessa condição de recém chegados ou então de lutadores antigos que, por razões kármicas, não conseguiram maiores avanços. Nesse caminho, primeiro paga-se o karma, ou o grosso do karma, para depois se ter direito aos tesouros do espírito. Imaginem por um momento que se Deus ou a Lei fossem imprudentes a tal ponto de liberar os tesouros espirituais a uma pessoa que não pagou suas dívidas ainda, vocês fariam isso? Emprestariam dinheiro para um conhecido enganador? Se nós aqui não fazemos isso, muito menos a Lei Divina que nos conhece por dentro e por fora.

Os princípios são idênticos, o que se faz aqui com aquilo que se faz lá, eles fazem tudo com perfeição, nós aqui o máximo que podemos buscar é a excelência no fazer, esforçar-mos muito para ter um bom resultado achando que aquilo é a perfeição, mas bem longe se está da perfeição. Agora os adeptos, diferentemente, só aceitam a perfeição. Nos iniciados até a terceira iniciação maior há muito tolerância. As coisas lá são muito precisas, adequadas ao raio, à natureza, ao caráter e ao grau de cada um de nós.

Se tivermos fantasias durante o dia, elas tornam-se sonhos à noite e não necessariamente isso é uma experiência concreta, parece concreta, mas porque estamos adormecidos não temos capacidade de saber se ela é concreta, podemos ter a impressão de que era algo real, mas é só uma impressão.

Muito cuidado com essas "experiências". Cada qual deve encontrar a sua motivação para fazer o seu trabalho, mas com a seguinte ressalva, não busque resultado, pois o resultado fugirá. Devemos fazer nosso trabalho da mesma forma que fazemos nosso alimento o qual comemos todos os dias para manter o corpo saudável, da mesma maneira tem que se alimentar o espírito para que tenha saúde, força e energia para trabalhar em seu mundo. Assim como o corpo trabalha aqui, o espírito trabalha lá, a alma trabalha lá, são três mundos distintos, corpo, alma e espírito.

Oxalá isso seja o suficiente para acordarmos, fazer práticas. Esse é o ultimo ano, o ano definitivo, o ano que representa o transpor do umbral dos nossos trabalhos.

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NAMORO, SEXO E KUNDALINI

13.01.2007

O tema de hoje denominamos de “namoro, sexo e Kundalini ”. Para começar vamos tecer algumas

considerações sobre o que diz o Mestre Samael acerca do namoro gnóstico. Muita gente nos escreve consultando sobre como é o namoro gnóstico. No mundo de hoje, aonde quer que agente vá e olhe, vemos casais jovens, dizem que namorando.

Quem nasce agora, cresce vendo isso e de certo modo encara como normal. Desde que alguém nasce, a televisão encarrega-se de sua deseducação sexual, pois desde os primeiros anos de vida já

se tem o incentivo sexual por meio da dança, de músicas maliciosas e tantos outros procedimentos. Quem nasce hoje, nasce numa era muito estranha e quando se torna adulto já está completamente deformado.

É natural que o jovem que chegue à Gnose hoje pergunte como é o namoro entre estudantes de

Gnose. Aí começa uma situação bem delicada, quando respondemos exatamente o que é, chocam- se, não estão preparados para ouvir o que ouvem, pois estão totalmente deformados pelos valores da televisão, pelas músicas com três, quatro, dez sentidos indiretos.

Falar de namoro ou noivado no ambiente gnóstico tornou-se uma situação muito delicada, muita gente nem toca nesse assunto, pois tem medo de perder as pessoas, prefere não falar as coisas claramente a "afugentar as pessoas".

Aqui não vemos nenhum inconveniente em dizer aquilo que dizia o Mestre Samael acerca disso, e

se quiser ir vá, e se vai é porque não tem nenhum interesse de entender a doutrina, conseqüentemente, não tem como avançar por este caminho.

A segunda situação é que muitos, mesmo ouvindo claramente aquilo que lhe é dito, não aceitam,

dizem que querem a Gnose, o caminho, querem avançar espiritualmente, mas também querem seguir fazendo o que todo mundo faz por aí, é evidente que são situações excludentes.

Esse tipo de pergunta já faziam as pessoas diretamente ao Mestre Samael quando ele vivia entre nós, eles perguntavam: "Mestre, como é o noivado gnóstico?". Um dos secretários, inclusive, que era noivo na época, perguntava-lhe: "Mestre, não é permitido fazer isso, nem aquilo?". A resposta o deixava surpreso. Por aí podemos avaliar uma situação de quase quarenta anos atrás e como o mundo mudou nesses anos.

Quando, hoje, temos de informar o que é o noivado gnóstico, é uma situação delicada, pois ninguém está pronto para isso, a maioria retira-se. Os poucos que ficam fazem de conta que nunca escutaram aquilo que lhes é dito e, assim, acreditam que estando dentro de um ambiente gnóstico a Gnose estará com ele, isso é um engano.

Em matéria de castidade, de pureza, o relacionamento entre o casal nunca mudou, a Loja Branca nunca revogou as suas normas de conduta que é esperada para as pessoas que querem este caminho.

Esse tema de namoro, noivado, casamento, Kundalini, alquimia, tantrismo é um universo muito amplo e delicado, pois exige muita maturidade espiritual de nós e nunca fomos tão despreparados espiritualmente falando.

Feitas essas considerações para fundamentar o tema, vamos começar. Como é o namoro de um casal gnóstico que de fato está interessado em seguir adiante neste caminho?

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O

Mestre Samael dizia: "o amor começa com uma faísca de simpatia, se desenvolve com o carinho

e

a convivência e se torna um que ama mais e outro que ama melhor, quando efetivamente podem

viver ou expressar aquilo de mais divino e sagrado tem entre um casal" e isso só é possível entre

duas pessoas casadas, que se aceitam mutuamente, amam-se, respeitam-se e que estão juntos para cumprir um propósito espiritual. Fora isso, nos parece uma vida de casal comum e corrente.

Para chegar a esses aspectos quase que ideais temos de compreender, superar dentro de nós muitas luxúrias, paixões, desejos, taras, impulsos bestiais, a parte grosseira, brutal, animal que todos nós carregamos, desenvolvidas e alimentadas por nós em vidas anteriores e é contra isso que qualquer um de nós, quando encontra esse caminho, depara-se: enfrentar a si mesmo, suas misérias, todas as suas paixões.

O namoro gnóstico não trás em si todo esse comportamento luciférico das pessoas comuns e,

quando o afirmamos, sabemos da resistência que se gera dentro de cada um de nós que ouve isso, sabemos da resistência das pessoas que ouvem isso dentro das salas de aula da Gnose, já que não querem ver-se num retrato de corpo inteiro tal qual todos nós somos.

Mencionar esses temas é botar o dedo na ferida, no que de mais sensível nós temos. Tudo isso exige muita reflexão, meditação, maturidade. O que é mais importante, o que queremos? Podemos.

a pretexto de praticar alquimia. Envolver-nos com uma pessoa do sexo oposto, especialmente se

aos nossos olhos é uma pessoa atraente. É muito fácil confundir aquela chispa de simpatia com paixão, desejo, luxúria. Mas vamos esquecer essa parte tenebrosa que todos nós temos e somos

doutores nessa matéria. Vamos falar daquilo que ignoramos.

O namoro de um casal gnóstico assemelhar-se-ia a um relacionamento puro como o de duas

crianças, há aquele encantamento recíproco, aquele clima extasiante, dar-se as mãos, o estar juntos, falar. Rir, fazer coisas juntos, porém nada se consuma, não envolve relação sexual efetiva.

Mesmo com o papel nefasto da televisão, é possível encontrar esse tipo de encantamento ou simpatia. Não há um de nós que na sua infância não tenha tido uma pessoa, criança também, que chamasse nossa atenção, por detalhes, sorriso, cor do cabelo, o jeito de ser. Era um tempo de sonhos. Assim é até hoje nos paraísos da quarta dimensão, onde os casais vivem dessa forma, convivem, estão juntos e respeitam-se nesse sentido. Não avançam as barreiras, tudo é feito passo a passo, ninguém tem pressa, ninguém quer consumar coisa nenhuma. Hoje se conhece, termina “ficando” e, no dia seguinte, conhece outra pessoa e acaba “ficando” e assim vai “ficando” dia após dia, cada semana “fica-se” com alguém.

Dentro da Gnose não é diferente, porque todo mundo sente aquela ânsia de realizar a grande obra, nove meses depois costuma plasmar-se a grande obra desses apressados que não sabem respeitar o tempo ou não levam esses ensinamentos a sério e aí já estragam sua vida ou colocam pedras a mais para arrastar e servir de lastro o resto dos seus dias.

É como se vivêssemos no mundo da fantasia, fôssemos um ET vindo de uma galáxia distante falar

dessas coisas aqui, porque é um completo não-senso para as pessoas deste mundo. Falar disso

nesses termos, para traduzir o namoro gnóstico começa assim.

O noivado seria um passo a mais, nas palavras do Mestre Samael, não dá direito a um casal a

apressar suas núpcias sexuais, é um comprometimento, um compromisso mais formal de que aquilo que os une não é uma coisa passageira. É algo concreto e com isso intensifica-se a convivência com

vistas a conhecer a natureza do outro.

Se respeitarmos essas etapas como deveriam ser respeitadas, então sim estaríamos dando um grande passo para um casamento de êxito espiritual. No entanto, se quisermos queimar etapas, já estamos cavando o nosso fracasso. Falo isso do alto de trinta e três anos de observação, de acompanhamentos, de confidências, de testemunhar ao vivo, sem esquecer dos próprios erros que

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cometi justamente porque não tínhamos uma orientação nesse sentido. A Gnose, na época, era muito nova no Brasil, praticamente só havia em São Paulo e recém chegada a Curitiba.

Esses são os fundamentos para começarmos certo, se quisermos começar certo. Cada um é livre para fazer o que quiser, para escolher o que é mais adequado a si. Não é porque falamos dessa forma que queremos restringir a liberdade de escolhas de cada um, ainda que sejam péssimas.

Quem quiser seguir esse caminho do matrimônio perfeito, precisa preparar-se para isso. Muita gente é solteira e tem medo de embarcar numa relação e entendemos este medo e estão certos, mas ao mesmo tempo essas pessoas sentem um vazio porque gostariam de ter a oportunidade de fazer esse trabalho, mas o medo de fazer e criar um relacionamento com a pessoa errada é grande.

Como evitar isso? Se você fizer a sua preparação interior com seriedade e profundidade, pode pedir à Lei e ela, cumprindo uma determinação da tua Mãe Divina, encaminhará até você a pessoa adequada para isso. Agora, se não há uma preparação interior iremos sempre atrair uma pessoa com as características que temos dentro. Se não fizemos uma preparação, é evidente que atrairemos uma pessoa com as mesmas características passionais, luxuriosas, egóicas que temos gritando dentro de nós.

Nas palavras nuas e cruas do Mestre Samael, simplesmente um diabo se casa com uma diaba, anjo se casa com anjo. Então, primeiros devemos purificar nossa mente e livrarmo-nos desses egos mais toscos, grosseiros, especialmente os da luxúria para que não tenhamos debaixo do mesmo teto um luxurioso, um adúltero, um traidor, uma pessoa que eventualmente até venha a nos bater, ser a causa de nosso infortúnio.

Se quiser começar direito, faça primeiro a sua preparação interior, siga uma disciplina esotérica, uma disciplina de conduta reta, crie para si uma rotina de práticas diárias, viva em sua casa como se fosse um monge, pratique o selo hermético. Estar no mundo, mas não viver segundo os mundanos. Tudo isso é preciso fazer, não adianta teoria, informação, filosofia.

Esses trabalhos são longos, delicados, isso não acontece em poucas semanas. Uma preparação adequada não dura menos que três, cinco, sete anos, dependendo da condição de cada qual. Se respeitarmos isso, vamos bem, certamente a Mãe Divina vai nos encaminhar alguém, o que não quer dizer que virá um Deus encarnado que nos tirará do abismo, virá alguém adequado para fazer nosso trabalho.

Nesse momento mesmo, conhecemos alguns casais que iniciaram uma vida comum já inspirada por essas orientações, nem assim a adaptação é fácil nos primeiros tempos porque cada um tem suas manias, hábitos, idiossincrasias. Mas como diz o Mestre Samael, se há amor, se alguém efetivamente ama, releva, tolera, compreende, esquece, apaga, deixa de lado as imperfeições da conduta do seu bem amado. Agora, se alguém alimenta rancores por pequenas coisas que acontecem no dia-a-dia é evidente que aí não há amor, essa relação pode tornar-se bastante complicada.

Esses são fundamentos. Começar-se-ia isso desde o namoro, respeitariam-se pelo tempo que fosse necessário, dois, três, cinco anos e não se faria o que todo mundo faz, pois isso não é conduta de um estudante de Gnose sério. E se um instrutor de Gnose tem esse tipo de conduta, minha sugestão é que se distancie, pois ali só há teoria, é a conduta que revela nosso grau e conduta não tem nada a ver com as morais de nossos tempos, tem a ver com a vivência prática, concreta daquilo que ele ensina, no caso a doutrina gnóstica. A doutrina diz para buscar a pureza, a castidade, o respeito, esperar o tempo, casar-se, então assim deveria ser feito.

Na prática, o que temos visto é mudança de parceira(o) muito freqüente, quantos por aí existem que estão no quarto ou no quinto casamento e dizem que estão indo bem no caminho e esperam um dia

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o fogo dentro de si. Porém, como o fogo vai despertar na coluna de adultero? Não há como, esses são sinceros equivocados, não só ignoram como ignoram que ignoram.

Sobre alquimia, Kundalini, esses temas todos há tão só cinqüenta anos atrás eram desconhecidos pela a humanidade. Foi o Mestre Samael que revelou isso publicamente em seu primeiro livro o Matrimonio Perfeito e isso escandalizou a todos os esoteristas de vanguarda que existiam nas distintas escolas da época. As escolas teosóficas, rosa-cruz, maçônicas eram a vanguarda do esoterismo na época e a publicação desse livro foi uma bomba que explodiu em todos os rincões.

Ninguém sabia desse tema, até então. Aqui na América do Sul a única escola que detinha esse segredo e era algo passado apenas internamente para algumas pessoas, era a Fraternidade Rosa Cruz Antiga, dirigida por Krumm Heller, o Mestre Huiracocha, e foi desta escola que, pela primeira vez, o jovem Mestre Aun Weor, ou ainda, um estudante que nem sabia que era um boddhisattwa e nem suspeitava que a ele caberia liderar um movimento espiritual dessa Era de Aquário, retirou a fórmula da alquimia. Ele apenas retirou a fórmula, havia inúmeros aspectos que descobriu depois. Assim. esses conhecimentos eles demoram a amadurecer e gerar resultados concretos. Hoje em dia é diferente, temos sessenta anos de experiência acumulados institucionalmente falando, não podemos dizer que estamos no começo, porque não estamos.

Aqueles instrutores novatos que receberam pouca formação até ainda podem dizer que desconhecem essas coisas, mas como experiência institucional, o movimento gnóstico tem quase sessenta anos e, mesmo assim, parece que pouco aprendemos, pois seguimos cometendo os mesmos e velhos erros. Uma coisa são os propósitos, os ideais filosóficos, outra coisa são os fatos concretos aqui e agora.

Nesses temas de Kundalini, alquimia, tantrismo que hoje atraem e encantam a juventude, que estão propagados nas revistas, o que aconteceu na vida prática e que o que por aí se diz em sua quase totalidade é magia negra, ensina-se a alquimia tenebrosa, a despertar a kundalini negativa ou kundartiguador. A Era de Aquário, nos seu começo, veio para isso, emergir todo conhecimento secreto da era anterior, então vem de tudo. Isso servirá de adubo para as flores que surgirão nesta Era

Muitos vão perecer e ingressarão no abismo por terem aderido às práticas tenebrosas da ciência alquímica, do kundalini porque nas livrarias encontra-se de tudo e por aí não faltam aqueles que ficam pregando essas doutrinas todas e os novatos, os jovens, como são atraídos pelas paixões e vícios sexuais é claro que o lado tenebroso dessas mesmas ciências os encantam mais que, por exemplo, aquilo que ensina a Gnose. É muito mais fácil seguir a corrente dos prazeres do que renunciar aos prazeres para que tenhamos fogo puro e não fumaça ou um fogo enfumaçado.

O primeiro mandamento alquímico diz: "aprenda a separar a fumaça do fogo". Esta frase merece ser analisada, pratica-se muito hoje uma alquimia enfumaçada e não há como, aparentemente, despertar essas pessoas. Somos informados disso, ensina-se por aí luxúria casta, é um vale tudo menos perder energia, vale tudo menos alcançar o espasmo sexual e dizem que estão praticando alquimia, que estão avançando, esperam galgar as iniciações maiores.

Não há como despertar graus de fogo com esse tipo de prática, ou aprendemos desde o começo a refinar o sacramento da igreja de ROMA, como o diz codificadamente o Mestre Samael, ou passaremos a vida inteira praticando uma suposta alquimia gnóstica, sem que tenhamos despertado ou alcançado nada.

Sentimos-nos na obrigação de falar, para que as pessoas saibam da profundidade e delicadeza dessas coisas, porque por aí se ensina muita deturpação. Fora do ambiente gnóstico é compreensível encontrarmos deturpações, afinal de contas é o caos, é o mundo com todas as suas tendências, idiossincrasias, isso é a Babel. O dolorido mesmo é ver que dentro da Gnose, por falta

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de luz, entendimento, compreensão e consciência, equivocadamente, ensina-se a Magia Sexual, fruto de um péssimo entendimento daquilo que nos legou o Mestre Samael.

Fizemos essas advertências com a esperança que cada qual possa realmente dar-se conta da santidade, da pureza, da profundidade, da delicadeza que é lidar com esses temas. Realmente comove-nos a situação daqueles boddhisattwas caídos que podem perder uma existência em função de uma orientação não correta, podem adiar por muito tempo seu retorno em função de uma

orientação incorreta. Temos que aprender desde o começo a distinguir claramente o que é castidade

e o que é pura e simples repressão, não podemos praticar alquimia se não temos o entendimento claro do que é esta ciência, arte sagrada e suas implicações.

Quando o Mestre Samael diz que devemos aprender a fazer da Magia Sexual uma forma de oração,

é porque assim é, mas na prática se torna difícil efetivamente fazermos isso, porque todos nós

estamos tomados de luxúria. Portanto, se não temos interesse em morrer em nós mesmos, em eliminar nossas paixões, de nada adianta o trabalho alquímico, mas para eliminar essas paixões temos que observá-las, estudá-las, analisá-las em meditações para que possamos ter a luz e o

entendimento para depois, sim, pedir sua eliminação.

Grande parte da irmandade gnóstica enfatiza a parte alquímica da doutrina, esquecendo que o fundamental é morrer e aquele que não trata de eliminar seus defeitos está correndo rapidamente para situação de hanasmussen, a chamada alquimia ou a luxúria casta desta forma vai reforçar seus próprios defeitos. Isso é delicado, devemos estar atentos a isso.

O trabalho gnóstico é um sistema completo, não é feito de coisas individualizadas sem conexão com os demais aspectos. Aqui sempre temos enfatizado muito, temos que trabalhar simultaneamente com os três fatores, cuidar da auto-observação, pois ela nos dá os elementos necessários à autopercepção e, conseqüentemente, a autoconsciência de nossos defeitos, paixões, vícios.

Se formos inconscientes de nossa conduta é claro que não faremos esforço para modificar essa mesma conduta, nem na vida social, nem na vida familiar e muito menos em nossa vida sexual íntima. Seguiremos com os mesmos pensamentos, as mesmas preferência, os mesmos gostos, as mesmas taras de sempre, das vidas anteriores.

Temos de observar a nós mesmos em nossa intimidade quando formos praticar realmente esse ato íntimo, secreto, precisamos ir com o “chicote na mão”, pois ali ou vamos fazer luz, ou vamos produzir mais trevas. É assim delicado, nessas horas ou alimentamos os elementais internos atômicos com luz ou com trevas.

Se alimentamos nossos chakras, nossas células durante vinte, trinta anos com luz, certamente que seremos iluminados, se alimentarmos com fogo puro, fogo crístico é evidente que crístificaremos todos os nossos átomos. Por outro lado, se durante a vida inteira alimentarmos nossos átomos, moléculas, células com trevas, chegaremos ao final de nossa existência como indivíduos trevosos, a um passo do abismo. Isso porque essas práticas reforçam, multiplicam mil vezes, ou mais, esta força, seja a força da luz ou das trevas. Cabe a nós decidir a quem servir no momento mesmo ali em que estamos em nossa intimidade, podemos ser assistidos nessas horas por nossa Mãe Divina ou podemos ser tocados pelas paixões, pelas trevas do antipolo do kundalini, que é a serpente negativa.

No mundo de hoje existe muita literatura falsa, muita pseudo-sabedoria que vem de antigos tempos, totalmente adulterada, tudo aquilo que ensina o oposto da luz, da castidade, da conduta reta, da iluminação, tudo aquilo que incentiva os vícios, as paixões, a luxúria, os prazeres, essa é uma palavra poderosa. Muitas situações delicadas enfrentamos esses anos quando manifestamos frontalmente a discordância pelo culto ao prazer, as pessoas sentem-se agredidas, insultadas, quando negamos a elas a possibilidade de prazer.

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Se falarmos em sexo sem prazer a essas pessoas é a mesma coisa que insultar, no entanto prazer é Satã, se queremos o prazer, a Gnose não é nossa casa. Não que a Gnose seja amante da dor e do sofrimento, esse é outro equivoco. A Gnose não cultua a dor, porque senão a Gnose seria uma escola masoquista de magia negra. Agora isso é um princípio inclusive, há certos elementos que não se misturam, luz e trevas não se mesclam, quando mescladas viram em alquimia o tantrismo cinzento que, em longo prazo, converte-se em tantrismo negro, temos de cuidar disso.

A serpente kundalini não desperta positivamente se não sabemos guardar o depósito, se não

sabemos preservar a energia dentro de nós. Por aí muita gente defende a idéia de que não precisa conservar para sempre o sêmen dentro do homem ou a energia vital na mulher e assim, sutilmente, pregam o orgasmo cósmico, múltiplos espasmos, orgasmos eternos e dizem que isso é despertar kundalini e ao culto a Deus, à Shakti. Imagine-se que insultos estão cometendo essas pessoas por sua própria ignorância.

Separemos claramente o que é ovelha do que é cabrito, por isso temos sido radicais em nossas expressões justamente para que não paire duvidas sobre qual é o propósito da Gnose e que ela não tem nada a ver com essas pseudodoutrinas tântricas. A Gnose não ensina um kundalini tenebroso disfarçado de santidade, temos de ser radicais na expressão e ainda sim há pessoas que fingem-se de desentendidas para continuar fazendo o que sempre fizeram. Este é o ego, astuto, diabólico, tremendamente inteligente e que engana para continuar vivendo e alimentando-se.

Mais do que nunca é chegado o tempo de definição. 2007, somado, é nove: a nona esfera, é o ano, por assim dizer, do tantrismo, é o ano da nona esfera, da Magia Sexual, podemos fazer de 2007 o ano da magia sexual positiva ou negativa, dependendo exclusivamente da polaridade, daquilo que fazemos.

Se optarmos por esse caminho, pelo caminho da redenção, é mais do que evidente que temos claro o que deve ser sacrificado. O automóvel para mover-se consome combustível, dentro de nós existem os egos que precisam ser sacrificados para que nos dêem a energia, o impulso em forma de consciência para seguirmos neste caminho. Não há como mantê-los dentro de nós.

Quando alguém dentro da Gnose dispõe-se efetivamente a praticar a alquimia casta, pura, santa, quando alguém trabalha seriamente sobre seus defeitos, praticando o Bhakti Yoga, o Karma Yoga, purificando sua mente, ele vai formando os méritos do coração e esses méritos são os que justamente despertam Kundalini. Muita gente acredita que kundalini vai despertar por acidente, ou que é uma força cega e mecânica que pode saltar para fora. Sãos mitos, as mentiras que foram propagadas nesses milênios todos para manter longe as pessoas dessa ciência e até hoje muitos abrem os ouvidos a isso.

Kundalini, em realidade, é uma das três forças do Universo. Os que estão a mais tempo na Gnose já ouviram falar das três forças primárias: o santo negar, o santo afirmar e o santo conciliar. Essas três forças são onipresentes, como um raio une e interliga tudo no universo, assim como nosso corpo com seus átomos e células interligadas, formando uma espécie de rede neural, assim também o Universo tem todas as suas células e átomos conectados como se fosse essa rede.

O que faz a conexão entre átomos, planetas e galáxias são essas três forças primárias, que no seu

conjunto, é aquele raio que nos une ao Sagrado Sol Absoluto. As três forças, quando estão separadas, e voltam a se unir em um determinado ponto, algo surge. Tomando como exemplo de referência o ser humano, essas três forças incipientemente, temos a força do santo afirmar em nosso cérebro, a força do Cristo em nosso coração e a força do Espírito Santo, no qual está Kundalini, em nosso sexo.

Quando, mediante a alquimia, começamos a trabalhar conectando essas três forças, unindo dois pólos, um homem e uma mulher, as três forças individualizadas que estão em cada um vão fundindo-se. Quando os três pólos, cérebro, coração e o da base da coluna, estabelecem uma

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conexão pela primeira vez, ali ocorre o despertar de Kundalini, então nos mundos internos nasce um Mestre de Mistérios Maiores. Assim explica o Mestre Samael, não com essas palavras, mas traduzindo e resumindo.

Na medida em que vamos sustentando esse trabalho, este poder de fogo vai subindo ao longo da coluna, despertando e alimentando os chakras, ao longo de uma vida. Podemos levantar sete serpentes com seus sete chakras, totalizando quarenta e nove templos principais e quando esse trabalho termina teremos concluído a primeira montanha esotérica, teremos nos transformados em Budas.

Por isso que kundalini não desperta por acidente, não é uma força cega que vai rompendo ossos, músculos e pele como muitos ignorantes letrados têm escrito, espalhado, repetido e insistido. O Mestre Samael diz que kundalini não desperta nos fornicários, nos adúlteros, nos promíscuos, nos bêbados, nos viciados, nos maus chefes de família, nos ambiciosos, invejosos, rancorosos, iracundos. Essas pessoas não têm os méritos necessários em seu coração.

Se quisermos tomar todo esse caminho a sério, tornemo-nos sérios primeiros, tratemos de morrer em nós mesmos, morrer nos vícios, vivendo a conduta reta, expressando o amor a tudo e a todos. Aí há uma caixa de Pandora que temos que abrir, porque as pessoas dizem que amam, mas não têm consciência de onde e de que maneira esse amor expressa-se.

Estive refletindo sobre isso, pois confesso a vocês que esse tema inquietou-me muito, porque eu reconhecia em mim a incapacidade de amar. Durante largo tempo, busquei compreender essas coisas e efetivamente o amor absoluto só um Buda consegue expressar ou ter, agora nós podemos experimentar essa mesma magia do amor de outra maneira. Toda vez que expressamos uma das virtudes, das centenas que existem no universo de nosso ser, demonstramos uma chispa desse amor.

Se nós, por compaixão, por delicadeza, por respeito, decidimos falar baixo ou não falar, falar suavemente, repetir, ter paciência, cada uma dessas virtudes é uma chispa disso que chamamos de amor. Precisamos despertar o amor aos poucos, pois é ele que nos dá os méritos do coração. Não é como muitos falam por aí, "ah o amor resolve tudo", mas de que amor você está falando? Você tem consciência do que é amar? Sabe como amar? Quanto você pratica todos os dias ou tem capacidade

de

praticar todos os dias? Desculpando fica mais fácil de assimilarmos e expressarmos.

O

amor é a chama, as virtudes são as pequenas chispas, só podemos, na condição de hoje, expressar

pequenas faíscas do amor. Como? Expressando as nossas virtudes ao invés dos defeitos. As virtudes são a luz e os defeitos são as trevas. Cabe a nós escolher a quem servir em cada momento de nossa vida. Ao tomarmos consciência de que podemos expressar uma virtude em vez de um defeito aí estamos expressando o amor. Todo mundo faz sermões e têm escrito toneladas de livros com discursos maravilhosos que encantam os emocionalistas sem que nada ou muito pouco se traduza em fatos concretos.

Em Gnose, devemos aprender a cultivar essas pequenas flores delicadas e é por isso que nós aqui,

na Fundação Samael Aun Weor, sempre temos insistido na conduta reta, que é a via da expressão

do amor em pequenas doses, que é a única coisa que temos capacidade de fazer nesse momento. Um dia, mais tarde, quando tivermos eclipsado toda a treva dentro de nosso interior, aí sim seremos uma chama viva andando pelas ruas de nossa cidade, mas até lá vamos cuidar dessas pequenas

chispas, pois é com elas que vamos acender a grande fogueira, se não cuidarmos delas fogueira alguma teremos, pois Kundalini não irá despertar por falta de méritos.

NOVA ERA, NOVA GNOSE, NOVA DIALÉTICA

23.01.2007

SUTTAS GNÓSTICOS

O tema presente tratará da nova dialética. Por que uma nova dialética? Porque, antes de tudo, já

estamos na Era de Aquário e, a cada nova Era, ocorrem mudanças de pensamento, culturais, espirituais, religiosas, cientificas e em todas as áreas do conhecimento humano, conseqüentemente,

nisso que chamamos de dialética também ocorre transformação.

Para compreendermos a nova dialética da Era de Aquário precisamos refrescar um pouco a memória e, pelo menos, colocarmo-nos de acordo sobre o que cada um de nós entende a respeito de dialética. Existem vários conceitos e idéias acerca de dialética.

Nós, aqui da Fundação Samael Aun Weor, preferimos o entendimento para essa expressão, que vem do Platonismo, no qual a dialética configura-se como um processo de diálogo, um debate positivo entre interlocutores comprometidos profundamente com a busca da verdade, por meio da qual a alma eleva-se gradativamente do mundo das aparências para as realidades inteligíveis, as idéias.

Hoje em dia, toda dialética está baseada na ciência ateísta-materialista, então é evidente que a dialética da Nova Era colide com a praticada e aceita em quase todos os lugares. Apenas para ter-se uma idéia, Aristóteles já tinha um outro conceito, em que a dialética é um raciocínio, configurado até hoje como um raciocínio lógico, mas o raciocínio vem da razão, vem do intelecto e o intelecto não pode elevar a alma, como propunha Platão.

Em Platão, esse diálogo dá-se geralmente entre Mestre e discípulo, com a finalidade de passar um conhecimento, uma doutrina, idéia na qual alguém é Mestre e supõe-se a presença de alguém que está no grau de aprendiz. Isso, em linhas gerais, vem a ser a idéia fundamental da dialética.

Colocado isso, percebemos que, mesmo agora, falando em termos de nova ou revolução da dialética, as idéias dessa nova dialética, em verdade, apóiam-se em idéias muito antigas, soam como novas porque a humanidade de hoje aprecia muito as novidades, acha que o novo está na novidade e, no entanto, o novo está no profundo de nós mesmos, no profundo da natureza, está na alma, no Ser.

Assim, essa nova dialética apóia-se em idéias muito antigas, especialmente para nós aqui do Ocidente, que ignoramos o pensamento oriental. Entretanto, quem tem alguma noção, estudou o pensamento oriental, sabe que lá, muitas dessas idéias que aqui temos como novas, já existiam. O próprio Mestre Samael já dizia ter essa Nova Gnose raízes que remontam a um período Netuniano Amentino, muito antigo. Quando falamos em período Netuniano, estamos falando algo que vai além dos dois milhões de anos atrás na História e a História atual não conhece praticamente nada além do ano quatro mil antes de Cristo.

Por aí já começam as divergências, os conflitos. Portanto, o intelecto não é a ferramenta mais adequada para criar, levar adiante uma nova dialética, ainda que toda dialética, pelo menos uma parte, lança mão do discernimento ou do próprio intelecto. O posicionamento gnóstico, de um modo geral, é absolutamente independente do que outros apresentam. Quando se fala em Gnose, não estamos falando de conhecimentos acadêmicos, estamos falando de doutrinas secretas desconhecidas para a comunidade acadêmica atual, para os historiadores atuais.

É nesse sentido que o posicionamento gnóstico é totalmente independente, porque tem como fonte

direta, suas raízes, nas doutrinas secretas que têm atravessado o tempo e a História desde um tempo Netuniano Amentino, ou seja, uma época muito antiga da humanidade, quando a mente humana

adquiriu pela primeira vez uma incipiente capacidade racional. Naquela época, havia muito do pensamento intuitivo e o pensamento racional estava começando a desenvolver-se.

Depois de tal exposição, acreditamos ser mais fácil entender certos fundamentos muito antigos dos pensamentos budistas, tibetanos, de certos ramos espirituais e religiosos do Oriente, em cujas

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doutrinas encontramos elementos que fogem ao racionalismo Aristotélico ou racionalismo ocidental.

Para entender profundamente essas doutrinas, precisamos mais de intuição ou mente iluminada do que propriamente um intelecto recheado de informação e teorias. Falando-se em matéria de religião, há algo que podemos colocar logo de inicio, como o movimento de fluxos e refluxos. Hoje, aqui no Ocidente, temos uma doutrina fundamentada no monoteísmo, o qual sempre conduz

a humanidade ao antropomorfismo e isso leva à idolatria, originando, por isso mesmo, um ateísmo materialista, caracterizador dessa época atual.

Por isso, a doutrina secreta, a Gnose, sempre se apresentou ao mundo na sua forma politeísta, Deus são Deuses, porque ninguém nunca viu Deus andando pelas ruas de sua cidade, nem falando na televisão, nem escrevendo livros, nem fazendo propagandas, mas figuras imaginadas por seres humanos utilizam determinadas imagens justamente para fazer toda essa comunicação, isso explica porque o monoteísmo gera o antropomorfismo e, conseqüentemente, resvalando para a idolatria que nos leva, por reação, ao ateísmo materialista.

O desafio nosso, nessa revolução dialética que se apresenta aos nossos olhos, é sair disso para um estado original que é o politeísmo e fazendo nossas as palavras do Mestre Samael podemos dizer o seguinte: não nos assusta falar dos princípios inteligentes dos fenômenos mecânicos da natureza, mesmo que nos qualifiquem como pagãos e admitir publicamente em alto e bom som que somos adeptos de um politeísmo moderno.

Sabemos que Deus são Deuses e expressam-se em toda forma de vida, seguem um padrão de evolução escalonado, dando oportunidade para cada uma das essências, lançadas à existência, um dia alcançarem a condição de Devas ou Deuses. Isso é negado pelo monoteísmo, pelo antropomorfismo ou pelas religiões ateístas materialistas.

Sempre é preferível falar de princípios inteligentes que estão na natureza, em todas as partes e reinos, porque isso jamais nos levará ao materialismo, nem ao antropomorfismo, uma vez que nesses casos estamos falando de consciência pura em distintos graus hierárquicos. Quando, no passado, se abusou do politeísmo, a reação deste abuso foi jogar, levar a humanidade para as religiões monoteístas, pois o monoteísmo não é uma novidade, já no passado oscilaram culturas com religiões monoteístas e politeístas, como no Egito, por exemplo.

Essas alterações periódicas sempre se deram por causa do abuso. Abusou-se tanto do monoteísmo quanto do politeísmo e, quando se abusa de um, cai-se no materialismo e, quando se abusa do outro, cai-se no monoteísmo. Fala-se do Deus único esquecendo, com o tempo, que Ele é plural. Esse monoteísmo cristão vigente hoje, de haver um só Deus criador de todas as coisas, surgiu do abuso do politeísmo há dois mil anos atrás entre a cultura que serviu de berço para nós, o Império Romano, a cultura Grega ou a civilização Greco-Romana, como dizemos aqui. Eles eram politeístas e da degeneração desse politeísmo surgiu, como reação, o monoteísmo que perdurou durante a época Pisciana (a Era de Peixes). Agora, desde 1962, a Gnose gradativamente está semeando pelo mundo a idéia politeísta novamente, mas não somos os únicos neste caso.

Ainda dentro dessa nova dialética, certas palavras que são muito utilizadas não são empregadas por aqui, por exemplo, a religião monoteísta que temos hoje fala muito do bem e do mal, mas o que é bem e o que é o mal? Fala-se muito de Deus e do Diabo, muitas vezes não se entende isso. Há que se entender o que significa o bem. Uma virtude, que é tida como um bem, algo positivo, se estiver fora do lugar, torna-se um mal maior que a presença de um defeito. Por isso, pergunta-se: o que é o bem e o que é o mal?

É preciso compreensão dessas expressões para não utilizá-las mecanicamente ou encerrar-se nos

dois extremos do dualismo mental, esse é o grande problema. Quando falamos em bem e mal, evolução e involução, luz e trevas, estamos basicamente usando a dualidade mental, e a dualidade

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prende-nos num labirinto entre os dois extremos, o positivo e o negativo, o sim e o não, o bem e o mal. Temos o Vazio e é este Vazio, particularmente, que nos interessa.

Tudo isso, em realidade, significa o seguinte: chegou o tempo de mudar nossa forma de pensar, fazer uma revolução da dialética, precisamos introduzir um autodidatismo enquanto não se estabelece uma nova educação adequada para esses tempos novos, pois hoje, a rigor, estamos sendo pioneiros das mudanças que caracterizarão a Nova Era. A Gnose e outras formas de pensamento de vanguarda são como aqueles pingos de chuva que avisam que está vindo uma tempestade. Estamos adiantados no tempo, essa nova dialética, essa nova educação, essa nova religião da qual falamos aqui se tornará uma realidade dentro de alguns séculos. Hoje estamos antecipando, um e outro que intuitivamente capta este novo, este aspecto vazio, essa parte iluminada que se encontra entre os dois extremos da dualidade.

Entendendo isso, pode-se fazer a sua revolução interna, sair do pensamento caduco, ultrapassado, degenerado, da Era anterior e preparar-se para as grandes mudanças que se avizinham, mudanças essas que poderão acompanhá-lo em existências futuras.

O Mestre Samael ensina o seguinte: nessa era da revolução da dialética a arte de pensar deve sair

das mãos do ego e passar para as mãos do Ser, porque só assim essa arte de pensar se tornará metódica e justa, conseqüentemente, tornar-se-á objetiva. Hoje temos um pensamento subjetivo e buscamos um pensamento objetivo. Claro que para isso exige-se e envolve mudanças pedagógicas e uma nova ciência. Não uma ciência compartimentada, linear como temos hoje, mas sim uma visão holística, que é a forma do pensamento adequado para a Nova Era.

Porém, o intelecto não concebe o modelo holístico ou integral, porque ele é linear e opera dentro da dualidade mental, a mente sempre está comparando e escolhendo entre duas opções, entre zero e um, como é arquitetado em nossos computadores.

Todas as ações dentro dessa revolução, dessa dialética, devem ser o resultado de uma equação

exata e precisa das quais surgem ou que devem surgir não as possibilidades da mente, porque isso

já está esgotado. Esta atual humanidade atingiu o ápice do intelecto, da mente racional como a

concebemos.

Quando chegar a grande purificação do planeta ou a catástrofe que se avizinha, será marcado o fim desta forma de pensar e, quando a Nova Era e a nova civilização retornar sobre os influxos dessas energias, já ressurgirá com um novo pensamento que está além do intelecto, um pensamento intuitivo, sem necessidade de comparar ou escolher entre opções dentro da dualidade com a qual estamos acostumados hoje.

Para isso, nascerão seres já com essa habilidade e quem renascerá nesse planeta não serão as atuais criaturas humanas, somente algumas sementes selecionadas, ninguém fará a seleção, cada qual está selecionando-se neste momento ou desde que nasceu nessa atual existência.

Este pensamento da Nova Gnose trás a chave em si para criar uma mente emancipada, livre dos condicionamentos, dos pensamentos religiosos, filosóficos, espirituais dessa cultura. Serão pensamentos que nascem além das posições duais da mente, de uma categoria unitotal.

A revolução da dialética não trás um modelo ditatorial para a mente, se alguém pensar dessa forma,

está comportando-se como sempre fez. Uma das formas para romper-se com isso é praticar exercícios não racionais, por exemplo, a meditação, pois a função da meditação é emancipar a mente, dar à mente o seu antigo papel, receber o pensamento de esferas superiores.

Hoje em dia, a mente elabora o pensamento, não exatamente ela, mas aqueles que ocupam nosso espaço interior de uma polaridade distinta de nosso próprio Ser. A mente do homem moderno é ativa, agitada, quando deveria ser receptiva, passiva. A mente deveria ser como um aparelho de

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rádio, receber ondas das esferas superiores e fazer ressoar essas mensagens que chegam codificadas até ela em forma de consciência direta das realidades superiores do Cosmos, deveria reverberar isso em nosso ambiente. No entanto, sabemos que a mente tomou o papel ativo, inverteu sua natureza.

A revolução da dialética não busca atropelar a liberdade de pensamento, pelo contrário, agora é

claro que aqueles que seguirem vivendo com sua mente polarizada na atividade não poderão viver

de acordo com esses princípios. O novo pensamento exige uma nova mente para receber isso, precisamos esvaziar nossa mente cheia de agregados que não pertencem a ela mesma, mas que nós mesmos, por ignorância, permitimos que se formassem em nosso espaço mental. Agora temos de fazer o inverso, dissolver esses agregados psicológicos que surgiram devido a um mau funcionamento.

Quando a nova dialética propõe-se a ensinar algo, começa ensinando como se deve pensar e a melhor maneira de pensar é não pensar, não são raciocínios comparativos, são pensamentos isentos da dualidade. Não tem como mostrar através de discurso, cada qual tem que experimentar por si só. Assim, saberá do que estamos tratando. Por si só essa concepção não pode enjaular o pensamento.

Quando todos nós formos capazes de praticar o pensamento intuitivo, não precisaremos fazer tantos discursos como fazemos hoje, nem precisaremos perder tempo tentando convencer alguém acerca de uma realidade ou caminho, por si só ele perceberá, pois sua mente estará vazia da dualidade, ela verá objetivamente.

Uma mente dividida dentro da dualidade não vê objetivamente, chega a uma resposta por comparação, usando os chamados métodos lógicos Aristotélicos, o chamado criador da razão no Ocidente. Se por um fator qualquer não tivesse introduzido o pensamento Aristotélico aqui no Ocidente, teríamos uma cultura diferente da que temos hoje, fizemos essa escolha e agora estamos aqui dotados de uma mente racional que nos escraviza e torna nossa vida bastante complicada, sofrida, pois vivemos em conflito conosco mesmos.

Dentro da Gnose, aprendemos que somente a vida intensamente vivida nos dá uma sabedoria perdurável, mas como viver intensamente se a mente está ativa? Não há como, não se pode viver intensamente usando a mente. Somente vivendo em plena consciência podemos alcançar esse estado que muitos buscam, que é o estado de felicidade, iluminação permanente ou o estado de vazio mental.

Quem comete os erros e nos amarga a vida, é a mente, ela faz suas escolhas, sempre baseadas em subjetivismos, impressões mal traduzidas e, baseados nisso fazemos nossas escolhas e modelamos nosso comportamento.

Quando, no Oriente, o Budismo ou outras linhas ensinam o pensamento reto, não estão falando do pensamento racional, mas sim do intuitivo, livre da dualidade, o pensamento contemplativo. Não existe dualidade naquele que vive contemplativamente, ele percebe como a vida manifesta-se e vive de acordo com esses acontecimentos, não vive nem o passado, nem projeta o futuro, vive o presente, a vida profunda, real, intensa, plena. O passado é lembrança, o futuro é projeção, fantasia.

A realidade é o presente e somente sobre isso se apóia toda a fórmula do pensamento reto, viver a

vida intensamente no presente. Hoje, como todos nós estamos carregados de agregados psicológicos morando em distintos níveis de nossos sete corpos, cada um de nossos sete corpos tem sete subníveis mentais, totalizando quarenta e nove níveis de subconsciência. Nem a mente

consegue conhecer ou localizar os defeitos escondidos nesses níveis profundos, não temos como procurá-los, pois eles estão morando em distintas partes de nossos corpos.

Esse é o detalhe revolucionário da Nova Gnose pois, para fazer este trabalho, devemos apelar a uma força superior à mente, para que essa força desintegre mediante o fogo esses elementos formados de matéria mental. Esse poder superior é conhecido no Oriente como a Divina Mãe

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Kundalini, somente esse poder serpentino é que conhece todos os quarenta e nove níveis de nosso subconsciente. Os defeitos psicológicos, cujo estudo faz parte dessa nova dialética, não são partes integrais de nosso Ser, são agregados. Sugiram dentro de nós mesmos pelo processo de termos vivido tantas vidas, não são o Ser, foram aparecendo como formas de sobrevivência em nós. É isso que devemos atacar se quisermos iluminar nossa mente, alcançar uma outra forma de pensar, do contrário sempre estaremos vivendo na dualidade mental e, conseqüentemente, não poderemos atingir o estado de Iluminação, que é pensar sem raciocinar, viver a vida plenamente em comunhão com o próprio Ser.

Sobre como se vai trabalhando com essa força Kundalini já foi amplamente abordado em conferências anteriores, não há necessidade de repetirmos. Importante constatar que, por meio do intelecto, não podemos ver algum defeito em nossa mente, se quisermos mudar nossa forma de pensar, limitando ao raciocínio simplesmente, não avançaremos, ficaremos estagnados aí, por causa das batalhas racionais interiores.

Quem é que projeta os sonhos, tem medo, clama por vingança, grita, insulta dentro de nós? Não é o Ser, nem é nossa mente em si mesma, mas são esses elementos que vivem em nossa mente feitos de material mental, invisíveis aos nossos olhos, como os silfos também são invisíveis, pois seus corpos são feitos do mesmo elemento aéreo e não vemos o ar. Não vemos o ar porque o obtivemos nesse ambiente, assim como também as minhocas não vêem a terra e os peixes não vêem a água.

Devemos começar a tomar consciência desses princípios fundamentais. O simples trabalho de auto- observação nos dá a capacidade de reconhecermos essas coisas por nós mesmos. Somente esse poder denominado Kundalini pode limpar, purificar nossa mente interior e assim levarmos adiante essa revolução dialética, será necessária nos próximos séculos, quando a Era de Aquário estabelecer-se de forma definitiva em nosso mundo. Antes disso, teremos a grande purificação.

Sempre que estudamos a Gnose, ou as doutrinas antigas, todas elas sempre nos remetem ao pensamento básico que envolve a mente pura, termos os nossos cinco centros equilibrados, cumprindo suas funções de maneira natural. Cada corpo nosso deve trabalhar de acordo com sua natureza para cumprir os fins específicos pelos quais cada um foi criado pela Mãe Natureza. Cada um tem uma função especifica e deve realizar o trabalho que lhe cabe.

Hoje em dia, estamos tão enfermos que muitas vezes queremos sentir com a mente e pensar com o sentimento, o que é um absurdo, mas assim acontece. A melhor didática para limpar nossa mente, para dissolver o ego está na vida prática intensamente vivida, porque a convivência social é um espelho limpo, transparente, onde podemos observar-nos de corpo inteiro.

É nos relacionamentos com nossos semelhantes que os defeitos mais escondidos dentro de nós vêm

à superfície e expressam-se naturalmente. Se reprimirmos, é claro que não vão aflorar, não há porque nos reprimirmos. Temos de aprender a viver de forma relaxada, porém em auto-observação,

justamente para ver o que está acontecendo dentro e fora de nós em cada momento. Envolve um novo aprendizado, que é viver de momento a momento sem esquecermos de nós mesmos. Nessa condição, podemos ver como somos, isso é viver intensamente.

O Mestre Samael dizia que uma das maiores alegrias para o gnóstico é celebrar o descobrimento de

um novo defeito, porque ele poderá trabalhar sobre ele e ter a oportunidade, então, de eliminá-lo depois que compreende-lo com a ajuda desse poder superior à mente. Em exercício de meditação ou retrospecção profunda, toda vez que descobrimos um defeito, devemos vê-lo em cena como fazemos quando estamos vemos um filme, observar atentamente, sem julgar ou condenar. Quanto mais observamos, conheceremos mais detalhes. Se observarmos rapidamente e já nos esquecermos dele é evidente que desperdiçamos uma boa oportunidade de estudá-lo mais profundamente e compreender a razão dele existir dentro de nós e, conseqüentemente, não poderá ser eliminado esse defeito, temos que fazer nossa parte nesse aspecto.

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O Mestre Samael também nesses estudos menciona muito que um defeito deve ser compreendido

em todos os níveis da mente e aí ele coloca-nos numa situação desesperadora porque muitas pessoas acreditam que a compreensão de um defeito nos quarenta e nove níveis da mente dar-se-á

instantaneamente ou numa única meditação, isso não acontece, por isso mesmo devemos ter a paciência necessária para isso. Um defeito, só podemos compreender na esfera em que ele se expressa e um mesmo defeito aparece de forma distinta em cada um dos sete principais níveis.

Gradativamente é que vamos compreendendo nos quarenta e nove subníveis da mente, não precisamos esperar um compreensão instantânea nos quarenta e nove níveis mentais, porque isso não vai acontecer. Aqui entra a expressão usada pelo Mestre que diz o seguinte: "é dessa maneira que vamos morrendo de instante em instante", porque vamos morrendo de nível em nível à medida em que o tempo vai passando, à medida em que vamos analisando e vendo todas essas cenas em que estamos envolvidos ou um grupo desses elementos envolveu-se em determinado acontecimento.

Morrer de momento a momento é a mesma coisa que viver de momento a momento em plena observação e não ficando simplesmente a repetir um pedido de morte a cada momento sem que tenhamos estudado e compreendido nada. Nessa sutileza, muita gente tem perdido anos de trabalho, avançado pouco ou nada na sua revolução interior.

À medida que esses agregados vão morrendo de instante a instante, vamos liberando material

psíquico que é a consciência, a qual acumula-se dentro de nós e vai criando três, quatro, cinco, sete,

dez por cento e um dia chegaremos a cem por cento de consciência desperta.

Já falamos que só aquele que cumpre a Segunda Montanha chegará ao nível de cem por cento de

consciência desperta ou realizada dentro de si. Os Budas não têm cem por cento de consciência liberada, eles têm os quarenta e nove níveis da mente limpos porque encarnam seu próprio Ser, seu Atman Buddhi, porém, na parte invisível da sua Lua psicológica, existem outros elementos, mas aí

entra o caminho do Cristo, um caminho que vai além.

O

que temos de buscar, nesse momento, é desegoitificarmo-nos para individualizarmo-nos, sairmos

desta condição de pluralidade psicológica. O trabalho de dissolução do eu é algo muito sério, precisamos estudar a nós mesmos profundamente em todos os níveis ao longo deste trabalho, isso não se dá em duas ou três meditações, porque o ego, nas palavras do Mestre Samael, é livro de muitos volumes para estudarmos. Não é com leituras rápidas feitas de qualquer jeito, entre um momento de folga e outro que iremos descobrir e conhecer-nos. Dessa maneira, é impossível. Se ele, um Mestre, diz que é um trabalho muito sério, devemos dedicar-nos a isso, tomar a sério esse trabalho, afinal de contas esta seria a prioridade de nossa vida e não acumular riquezas e bens materiais.

Precisamos estudar nossa dialética, pensamentos, emoções e as nossas ações de cada instante sem tratar de justificar ou condenar, não devemos lavar as mãos, nem fazer acusações, nem repressões. Precisamos simplesmente observar para poder estudar, analisar e chegar à compreensão ao longo do trabalho que este não é de curta duração.

Assim, gradativamente, limpamos nossa mente, iluminando o subconsciente e haverá um dia em que não teremos mais subconsciente, já não projetaremos sonhos, não teremos fantasias, não teremos memória do passado, mas sim teremos consciência do passado, o que é diferente.

Em Gnose, diz-se que devemos buscar a Iluminação porque todo o resto virá por acréscimo. O pior inimigo da Iluminação é o ego, que é plural em nós e. conseqüentemente. deixa nossa mente opaca e faz com que ela seja ativa e não cumpra com sua finalidade que é a de ser um elemento receptor, captador das idéias provenientes das esferas superiores. É nisso que devemos concentrar-nos, o ego alimenta-se e sustenta-se nessa dualidade mental.

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O que vem ser a palavra Nirvana? Nirvana vem ser a ausência de egos, poderíamos dizer que

Nirvana não é um lugar, mas sim um estado de consciência. Agora de que estado de consciência

podemos falar se vivemos na dualidade mental? O Nirvana estabelece-se dentro de nós quando pudermos ter, sustentar a mente vazia, isenta de dualidades.

Todo raciocínio nosso fundamenta-se nessa luta de opostos e é isso que precisamos compreender, saber, ter a clara noção e essa clara noção equivale a dizer viver no vazio, não no raciocínio, mas na realidade, na luz, no vazio, não na dualidade.

Na revolução da dialética, quando vivemos aprisionados no dualismo menta,l é normal que façamos dos acontecimentos diários problemas porque não somos capazes de separar fatos de problemas. A mente transforma qualquer acontecimento natural do dia-a-dia em problema e, se identificamo-nos com esses problemas, além de perder muito material psíquico ou consciência, geramos também desequilíbrio do centro intelectual e aí faltará energia para o trabalho alquímico.

Devemos fugir, evitar os problemas, não se identificando com as representações, projeções, fantasias da mente, a qual subjetivamente projeta, a partir de fatos corriqueiros do dia, problemas. Fatos são fatos, problemas são criações da mente. Alegria e tristeza, prazer e dor, bem e mal, triunfo e derrota, sempre dentro dessa dualidade, isso se torna um problema, pois a mente vê, cria, percebe dessa maneira. No Universo não existe nem alegria, nem tristeza, não existe o prazer e a dor, existe somente um estado de Ser. Não quero dizer que um Iluminado não possa sentir dor, ele pode ou não sentir dor, se assim quiser.

O que é um triunfo ou derrota, o que é chegar em primeiro lugar ou segundo lugar, o que é sentir-se

triunfante ou derrotado? São meros estados subjetivos, psicológicos, quem dizem que um é vencedor e o outro é derrotado. Todos nós somos vencedores ou todos somos derrotados se vivermos de acordo com essa dualidade, porque ora somos triunfantes e ora somos derrotados e, no entanto, não existe nem uma e nem outra, existe uma realidade e cada qual vive essa realidade de acordo com suas particularidades, não egóicas, mas sim do seu raio, das características do próprio Ser, de como ele lida com a realidade da vida. Esses são os fatos, transformá-los em problemas é da nossa mente. Se tivermos a percepção direta disso, nenhum fato vai tornar-se um problema para nós de hoje em diante. Se hoje vivemos miseravelmente, sendo jogados de um oposto ao outro, entre o gosto e o desgosto, o fracasso e o êxito, isso é da mente, não tem nada a ver com a realidade da vida, com a consciência em si mesma, com aquilo que é e sempre foi.

Devemos aprender a viver de momento a momento sem nos distrairmos, sem escaparmos do momento, daquilo que está acontecendo e apresentando-se naquele momento diante de nós, sem fantasias. Isso é viver de momento a momento. Nisso se caracteriza o comer-comer, viver-viver, andar-andar. Se estamos comendo por que pensar em negócios, em contas a pagar, no que vai fazer amanhã, no que fez ontem? Coma, viva aquele evento de comer.

Se colocarmos mais consciência em cada ato do dia, silenciosamente estaremos fazendo uma grande revolução da dialética intima e particular, mas se seguirmos vivendo como sempre, distraídos, escapando, fantasiando, projetando, deixando o piloto automático ligado, então não poderemos fazer nenhuma revolução interna, isso é o que temos de mudar. É claro que exige de nós um esforço para não nos esquecermos de nós mesmos e estarmos presente no que estamos fazendo de momento a momento, isso muitas vezes chega a gerar uma tensão em nossa mente, porém essa disciplina de viver intensamente aquilo que se está fazendo a cada momento vai levar-nos, gradativamente, ao despertar da consciência. Só assim poderemos viver sem projetar, sem fantasiar, sem estarmos ausentes de nós mesmos.

Se estivermos comendo e pensando em outra coisa, é a mesma coisa que dizermos que um cadáver está alimentando-se sozinho, um cadáver saiu do cemitério, foi ao restaurante e está comendo sozinho. Quem é que trouxe esse cadáver até o restaurante? Perguntem-se e encontrarão a resposta

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dentro de si de forma surpreendente. Até aqui nossas palavras e ficamos a disposição para aprofundar eventuais elementos deste terma.

Perguntas:

P: Para que serve a dualidade, qual é sentido dela? Ela é uma ilusão da mente? Se eliminarmos os egos, elimina-se a dualidade? Então se vê a realidade?

R: Sem dúvida, a dualidade não deveria existir, não tem utilidade nenhuma, foi criada pela mente racional certa época na Grécia, poderíamos dizer que foi aproximadamente há dois mil anos antes de Cristo que começou a estabelecer-se entre os Gregos essa dualidade mental por intermédio de certos jogos ou brincadeiras, assim como no Brasil temos certas brincadeiras de mau gosto que, com o tempo, acabam sendo incorporadas pela coletividade brasileira, na época marinheiros que tinham contato com povos ou raças inferiores ou degeneradas do seu tempo, levaram para a Grécia ou às nações gregas certos jogos, costumes de mau gosto do seu tempo e a partir daí a mente, o pensamento grego se tornou dual e Aristóteles codificou isso e perdurou até agora nos nossos dias.

Não tem sentido isso, o grande desafio para nós hoje seria o seguinte: não temos a capacidade de nos imaginarmos hoje sem o intelecto, essa talvez seja a maior dificuldade, porque estamos apoiados firmemente em nosso intelecto, não conseguimos viver sem nosso amado intelecto, nossa amada mente e nossos queridos egos. Sem duvida é uma ilusão que a mente criou.

A mente permitiu o surgimento dos egos e os egos pulverizaram a mente, hoje não temos outra

alternativa que não a de eliminar os egos e uma vez que se elimine os egos acabará a dualidade mental, temos que fazer o caminho inverso. Qual a técnica para isso? Existe a técnica passiva, que é disciplinarmo-nos a fazer pelo menos duas horas diárias em estado passivo para observar, contemplar os “macacos doidos” que são a agitação de nossa mente. Com o tempo, sempre reeducando a mente, chamando-a para tornar-se focada no presente, então vamos eliminando esse vicio, essa tendência de estabelecer dentro de nós, projetar coisas, fantasiar, fugir, escapar daquilo que está ocorrendo neste preciso momento. Por isso, a necessidade deste tipo de meditação, claro que nas outras horas do dia trataremos de não nos esquecermos de nós mesmos. Todo aquele praticante que, na meditação, exercita segurar a mente ali no presente, durante o dia terá mais facilidade de não esquecer de si mesmo e o que não medita estará sempre longe de si, ou seja, um cadáver estará executando várias tarefas.

P: Quanto mais eliminamos egos mais nos iluminamos?

R: Verdade cristalina, quanto mais egos eliminados mais luz teremos dentro de nós, a qual nos dará, então, mais felicidade ou poderemos dar mais risadas como crianças que riem espontaneamente dos fenômenos que elas percebem.

P: Uma pessoa centrada em sua consciência livre das dualidades usará o intelecto para quê, já que a função deste é discernir, separar o bom do ruim?

R: Ele não precisaria do intelecto, devolvo de outra maneira para você esta questão: acaso um Mestre destrói a mente? Nenhum Mestre destrói a mente, não seria bobo para fazer isso, é suficientemente sábio para deixar a mente no seu devido lugar, a pergunta que devemos fazer é, um Mestre, um iluminado usa sua mente? Não usa, ele usa tão só para receber as idéias, traduzir os fenômenos que percebe nas esferas superiores de consciência, em níveis profundos de consciência da qual neste momento não temos a mínima idéia para uma forma mais próxima ao mundo em que vivemos.

É disso que surgiu toda essa dialética antiga, intelectual, todo esse pensamento Aristotélico, a

lógica, o pensamento dedutivo, indutivo, comparativo, sintético. Tudo isso é utilizado porque tentamos traduzir aquilo que é simples, Os antigos, até uns quatro, cinco mil anos antes de Cristo,

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falavam-se pouco, pois o vocabulário era bastante limitado, o alfabeto até aquele tempo não era como o nosso que grafam sons, mas eram alfabetos que transmitiam idéias, ideogramas, símbolos para traduzir idéias e a compreensão dos encadeamentos dessas idéias ficaria por conta do nível de consciência de cada um. Hoje tudo é racional, binário, pobre, já nos distanciamos disso, não há necessidade do intelecto. Incipientemente, essa mente, o corpo mental livre de defeitos, seria usado por um Iluminado, por um Deus vivendo encarnado entre nós para alguma coisa. Mas estou bastante seguro que o ressurecto usa zero de mente e intelecto, simplesmente não precisa, sabe instantaneamente, vê, percebe, capta, sabe tudo instantaneamente nos sete planos, nas sete dimensões básicas da natureza, vê tudo desde o primeiro mundo, exceto o Absoluto, até o nosso nível e os mundos inferiores. Então para que precisa pensar para tomar uma decisão? Ele sabe e pronto, vê e compreende simultaneamente, agora como traduzir isso para alguém que nunca experimentou esse tipo de fenômeno, não tem como, estamos aqui malhando ferro frio. O dia que alguém tiver essa experiência saberá do que estamos falando, até lá nos limitamos a essas palavras, pois não há como ir além.

P: Meditação significa vazio mental? Ou existem níveis de meditação que devemos ir avançando?

R: Sem dúvida nenhuma, algumas pessoas poderão, num processo meditativo, alcançar o vazio mental ou absoluto por alguns segundos, então terá uma experiência do Vazio Iluminador, agora aqueles que não passam por essa experiência vão experimentando progressivamente níveis de consciência progressivos também, vão percebendo mais à medida que vão meditando ou firmando- se na arte de cavalgar o tigre ou dominar a mente. Tudo, nesse caso, acontece progressivamente, senão, no dia seguinte, estaria internado ou vagando nu, perdido sem lembrar seu nome pelas ruas da cidade por aí, isso ocorreria e seria alguém que escapou de um hospício e provavelmente nem seu nome saberia caso ficasse vazio. Porque todas as suas referências, tudo que tem da sua história é arquivo intelectual, se isso se apaga, se alguém deletasse ou formatasse o disco rígido que é seu intelecto, estaria perdido. Tudo neste caminho tem que ser feito progressivamente.

P: Com a meditação melhora a intuição? Com a intuição melhorada podemos ser mais firmes e retos nesse caminho?

R: Sem dúvida, melhoramos a intuição e ela melhorada proporciona-nos uma maior consonância, sintonia com as esferas superiores de consciência, e quando falamos esferas superiores de consciência não estamos repetindo palavras da Gnose, mas sim falando claramente que essas esferas são as partes elevadas de nosso Ser, estaríamos mais afins, mais sintonizados com o pensamento atímico diretamente de nosso Ser, esse é o sentido dessas palavras.

SUTTAS GNÓSTICOS

O SEGREDO (THE SECRET)

30.01.2007

O tema a ser tratado hoje é O Segredo. Existe circulando por aí um filme chamado O Segredo, que

tem atraído a atenção de muitas pessoas. Muitos consideram esse filme uma chave maravilhosa para melhorar ou mudar sua vida. Na realidade, fomos investigar ou pesquisar sobre esse filme e, de nossa parte, não encontramos nada que pudesse traduzir ou configurar-se como um segredo para nós. Mas, no mundo de hoje, qualquer coisa que possa aumentar as possibilidades de ganhar dinheiro, atrair mulheres ou namorados, boa sorte ou fortuna, sem dúvida acaba tornando-se muito importante e muito valorizado. Não é o caso aqui na Gnose, o segredo para nós é outro.

Podemos começar dizendo uma frase axiomática, “nosso nível de ser é o segredo”, não é o que pensamos, nem o que a mente diz, não é o que desejamos, mas sim o nosso nível de ser, este é o segredo. Em termos de Gnose, devemos focar e ficar atentos ao nível de ser, temos de fazer uma avaliação criteriosa e profunda agora mesmo. Qual é o nosso nível de ser?

Em outras ocasiões, abordamos com alguns exemplos, perguntando, deixando no ar a pergunta para que cada qual responda. Qual é o nível de ser do bêbado? Onde o bêbado sente-se feliz, à vontade? Qual é o paraíso do bêbado ou do viciado? Onde o viciado sente-se bem? Qual é o paraíso do devasso, do luxurioso? E assim sucessivamente.

O nível de ser de um cientista, seguramente, é diferente do nível de ser de um religioso, de um

pastor, de um padre

da Gnose encontraremos muitos níveis de ser e é por isso, também, que encontramos dentro do chamado Movimento Gnóstico muitas linhas e escolas. Cada uma dessas escolas representa um nível de ser e cada um sente-se bem na escola com que se harmoniza, que corresponde a seu grau, a seu entendimento, a sua compreensão, a sua inteligência ou a sua formação geral.

E qual é o nível de ser de um gnóstico? Se nos concentrarmos apenas dentro

Se quisermos levar adiante uma Gnose pura, certamente espantaremos a todos. Por enquanto, o nível de ser da humanidade é baixíssimo e gravita em torno de dinheiro, prazer, conta bancária, consumismo, então aí temos um choque, um conflito.

Seja como for, o tema que propomos desenvolver essa noite sobre essa expressão O Segredo gravita em torno do nível de ser. Devemos examinar em que nível de Ser estamos. O nosso nível de Ser praticamente revela o nosso traço psicológico, porque pode ser que o nosso nível de ser seja a

ira, o orgulho, a vaidade ou a ambição. Temos de tomar consciência disso, porque atrairemos a nós, segundo as vibrações correspondentes de nosso nível de ser. É o nosso nível de ser que determina

as cores e o brilho de nossa aura, revela o peso de nosso coração e mostra que nossos rins (a

balança do karma) estão em perfeito equilíbrio [ou desiquilíbrio]. Tudo gravita em torno do nosso nível de ser.

Portanto, meus amigos e interessados no caminho esotérico e espiritual, o segredo para nós é o nível de ser. Qual é o degrau que ocupamos especificamente na escalada do ser? Não falo do nível de ter. Por aí confundem o ser com o ter; em muitos paises do mundo você é aquilo que você tem;

se

você não tem nada, você não é nada. Mas, para a Gnose, o ser é mais importante que o ter.

O

ser é tudo e o ter é nada, são coisas emprestadas pela vida para usarmos enquanto aqui

estivermos fazendo nosso trabalho, aprendendo, cumprindo nossa função ou missão. O fundamento

do trabalho gnóstico repousa em nosso nível de ser, pois é ele que atrairá para nós isso chamado de sorte ou azar, só que sorte ou azar não existem, é uma lei de imantação universal, do magnetismo, atrair aquilo que nós vibramos. Lobo anda com lobo, ovelha com ovelha, leão com leão, se nosso nível de ser é baixíssimo como podemos atrair seres, pessoas, oportunidades de um nível mais elevado? Não há como; pobre casa com pobre, rico com rico. Porque pobre só conhece pobre e rico

só conhece e convive com rico; de vez em quando surge uma exceção e o resultado prático costuma

ser quase sempre um desastre.

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Meditemos sobre tudo isso, porque são exemplos práticos de vida, observados e retirados do cenário da existência; isso não está nos livros; a gente vê, olhando com olhos de ver, ao nosso redor no convívio social. Investiguemos através da técnica da meditação, da introspecção, da auto- análise, qual é nosso nível de ser. Como podemos reconhecer nosso nível de ser? Há muitas maneiras de reconhecer-se e investigar isso: se somos pessoas que falamos palavrão a toda hora, certamente nosso nível de ser é baixo, dos mais básicos e primitivos. Se nossa vida caracteriza-se por um modo de viver instintivo, brutal, é claro que nosso nível de ser é baixíssimo, instintivo, primata, animal ou bestial; nisso não há ser; falta consciência, porque somos puro instinto.

Se nossa mente ocupa-se apenas com fantasias, devaneios, ganhar na loteria ou chegar a alcançar riquezas, prestemos atenção a este tipo de fantasia, sonho e projeção, esse sonho acordado. Por que queremos e o que faríamos com a fortuna em nossas mãos? Uma grande parte das pessoas torraria toda essa fortuna em prazeres, em gratificações sensoriais, não teria um milímetro de acréscimo em seu nível de ser, isso configura-se como um mau uso da fortuna.

Muitas pessoas hoje nascem com dharma ou karma positivo e não sabem viver adequadamente.

Fazem desse dharma uma fonte de infortúnio em vez de alegria e felicidade porque seu nível de ser

é baixo, não conseguem harmonizar a circunstância interna com o ambiente externo, falta aprender

a relacionar-se com o ambiente, com o mundo, assim, em infinitos desdobramentos. Creio que, por

meio destes exemplos, seja suficiente para chamar a atenção de todos nesse sentido, que o segredo está no nível de ser de cada um.

Os solteiros escrevem muito para nós perguntando como proceder pra encontrar alguém que “me compreenda”, “me complemente”, “me siga pelo caminho”. É evidente que, se não mudarmos o nível de ser, não atrairemos um complemento adequado, porque pela Lei de Imantação Universal atrairemos para nós aquilo que vibramos. Se vibrarmos um nível de ser baixíssimo, é claro que atrairemos outro(a) troglodita. Devemos sair do estado primata para o estado humano, não podemos sonhar com anjos e Deuses, príncipes maravilhosos ou princesas de reinos desconhecidos como nossos companheiros ou companheiras de jornada, não há harmonia nisso, pois o nosso nível de ser é muito baixo.

Primeiramente, temos de construir ou elevar nosso nível de ser, assim podemos esperar que surja alguém do mesmo nível, pois esse é o principio da imantação ou magnetismo universal. A sabedoria popular diz o seguinte: “dinheiro chama dinheiro”, às vezes vale a pena meditar sobre isso. É claro que a sabedoria popular refere-se ao dinheiro material, mas se mudarmos isso para a moeda cósmica, perceberemos claramente que capital cósmico permite-nos negociar com o Tribunal da Lei e sairmo-nos bem nos negócios com a Justiça Divina e se não tivermos dinheiro cósmico, o que atrairemos para nós, já que não temos com o que pagar nossas dividas? O grande Mestre da Gnose já nos alertou sobre isso, quem não tem com o que pagar, paga com dor, sofrimento, amargura.

Se quisermos ser bem recebidos, tratados, honrados, celebrados, reconhecidos, tanto neste mundo como no outro precisamos ter dinheiro. Aqui manda a conta bancária, lá mandam os tesouros que a traça não corrói. São os tesouros do espírito, que nada mais são do que um elevado nível de ser, este é o segredo, investir na edificação de nível de ser superior a esse que temos hoje.

Como fazer isso? Aí começamos com menos teoria e mais prática, viver a Gnose nos fatos, não nas abstrações intelectuais, não nas tertúlias com os colegas da Gnose, é muito bonito, muito agradável para a personalidade reunirmo-nos nos seminários, em locais adequados para isso e conversarmos sobre nossos anelos, trocarmos idéias, nisso não há mal algum. Entretanto, se nos limitarmos somente a isso, a vida passa e um dia descobriremos que os dias passaram-se e só falamos acerca do caminho ou do crescimento espiritual e pouco realizamos. A Gnose é feita no dia-a-dia, nos fatos ela concretiza-se.

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Perguntaram a um Mestre do TAO: “o que é o TAO?”. E ele respondeu: “a vida comum”; “mas então o que deve se fazer para viver de acordo com ela?”. E o Mestre respondeu: “se você tratar de viver de acordo com ela, fugirá de ti”. Não se trata aqui de cantar essa mesma canção, mas deixar que ela toque sozinha, deixemos que a música flua e nós devemos adequar nossos passos e movimentos de acordo com as notas e os compassos da musica que flui, este é o segredo de viver. Agora, temos uma atitude equivocada, queremos criticar o maestro, o repertório.

A dualidade mental faz com que fujamos muitas vezes da música, ataquemos ou rejeitemos,

fazemos tudo, menos compreender porque naquele momento é aquela musica que está sendo executada. O que devemos fazer é voltar para nós mesmos e perguntar: qual é a relação desta música com minha vida? E tratar, então, de dançá-la segundo seu ritmo e de acordo com as melodias que fluem, porque não podemos mudar a vida, mudar o universo, a vida é, a realidade é, nós estamos aqui. Então, somos nós que temos de acompanhar a música, pois a música já estava aqui antes, o repertório é esse. Quando aqui chegamos, tudo isso já existia, podemos mudar isso, mas primeiro devemos tornarmo-nos donos dos processos da construção da música existencial. Antes disso, não adianta criticar, precisamos compreender.

Mencionamos em uma ocasião anterior que a compreensão é o vazio existente entre os dois extremos, do sim e do não ou da dualidade mental. Esse é o nosso problema, somos jogados para os dois extremos como um pêndulo de um relógio e o que devemos fazer é repousar no centro, compreender, a compreensão é a luz, é o vazio.

O segredo está em viver os fatos e não fazer dos fatos diários um problema. É fato que temos de

comer, vestir, cuidar de nossa saúde, higiene, é fato que também temos de cuidar um pouco da

nossa apresentação, não por vaidade, mas por respeito aos nossos semelhantes, porque senão estaríamos agredindo nossos semelhantes.

Não há como escapulir dos fatos, mas o segredo está em não fazer dos fatos um problema, e como resolvemos isso? Comemos quando precisamos comer, se não tiver o que comer, não coma, viva o fato e a realidade, mas nós reagimos diante do fato ou da evidência de, eventualmente, durante um dia ou alguns dias, não termos o que comer. Isso lembra-me muitos exemplos concretos da vida do Mestre Samael, fatos esses mencionados em oportunidades anteriores, mas que iremos repetir aqui e agora para efeito de gravação.

O Mestre Samael tinha tanta fé no seu Pai interior que vivia despreocupado dessas coisas, era um

homem prático, vivia o TAO, não fugia do TAO, não fugia da vida comum, se tinha o que comer ele comia e se não tinha o que comer, ele não comia e não fazia disso um problema. Quantas vezes discípulos chegavam a casa dele e vendo, percebendo, tentando adivinhar ou como que insinuar, por exemplo, um cafezinho ou algo assim. Ele não tinha o que oferecer e alguém com mais sensibilidade captava então a real situação e colaborava, então ele comia.

Por dharma, ele foi casado com um ser magnífico que o acompanhava e apoiava na boa e na má hora. Apoiado estava quando tinha o que comer e quando não tinha o que comer também e não

desistia, seja morando bem ou mal. Também era uma mulher prática, um Buda vivente que havia aprendido, com as reencarnações anteriores, a viver o presente, não projetar fantasias do futuro, não

sonhar: "ah

com isso? Compraria uma casa, um carro, iria viajar, me divertir, iria ao melhor restaurante, pedir

isso e aquilo", e isso é sonho, fantasia. Estes sãos problemas, as projeções da mente, sonhar acordado, fugir do TAO, da vida como ela é.

Que bom se eu tivesse agora um milhão de reais na minha conta, o que poderia fazer

Aprendamos a deixar que a música toque por si mesma e movamos nossos passos segundo os acordes e os ritmos, porque fazer disso problema tem sido um drama e um desastre nas fileiras gnósticas, pois justamente falta ao estudante a compreensão do mais básico e elementar de tudo. Ele ignora o segredo de bem viver, viver com inteligência, retamente, viver a vida como ela é, este

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é o segredo da felicidade. Não confundamos aqui felicidade com prazer, porque há diferença,

muitos confundem prazer com felicidade. A felicidade é do coração, o prazer é dos cincos sentidos.

Se alguém, por um processo qualquer, fosse desligado por um momento dos seus cincos sentidos, ele se coisificava instantaneamente e aquilo tudo que para ele era tão importante, como os prazeres sensoriais, sumiria, nem saberia de si mesmo mais, não teria mais lembranças do que é prazer, aniquilaria-se completamente. Um ateísta materialista poderia dizer que essa criatura simplesmente virou uma pedra, um pedaço de árvore cortada ou um tronco podre inerte sem nenhum meio de sensibilidade. Para a percepção ateísta materialista está correto isso, porém aquele que sabe que a única realidade é a consciência cósmica, que tudo em realidade é consciência e que todas as formas são um invólucro de expressão dessa mesma Consciência Universal, grande oceano da vida, ou como queiram denominar. Se a palavra Deus está desgastada, troquem, usem como Consciência Universal, ou grande oceano de vida que se expressa em todas as formas de vida, desde uma gigante galáxia até um micróbio desprezível numa poça de água suja, tudo é consciência e forma, a não forma é forma.

Então, o que é o TAO? O TAO é o vazio e a plenitude, a forma e a não forma. Por que fazer disso tudo um problema, motivo para conflitos, por que nos desgastarmos nesses extremos das engrenagens mecânicas da mente, como se fôssemos um relógio que depende de um pêndulo?

Quando, em Gnose, se diz que devemos tratar de despertar a consciência, na realidade a Gnose diz para deixar de sonhar. E o que é deixar de sonhar? Um gigantesco passo será dado se mediante uma disciplina no sentido de conter a mente como se fosse um cavalo selvagem, aplicação de vontade nossa, deixarmos de fazer projeções, fantasiar aqui e agora enquanto estamos nesse mal chamado estado de consciência de vigília. Se conseguimos conter essa mente rebelde, amedrontada, ali começa o nosso despertar, porque a mente não sabe nada da vida e nem pode saber, pois como age

e encontra-se hoje, perdeu seu verdadeiro papel, local, lugar.

A mente é receptora, não projetora. Isso é uma invenção que nós, por desconhecimento e ignorância, acabamos por mal educar nossa mente e, em decorrência, amargamos as conseqüências de tudo isso. Se nossa vida é triste, infeliz, se estamos em conflito fora é porque temos conflito dentro e não conseguimos parar essa guerra interior e essa luta de opostos, de extremos, de viver os fatos presentes e a projeção desses mesmos fatos segundo o entendimento viciado e torto de nossa mente. Condicionamos a mente a agir dessa maneira, então nossa tarefa agora é fazer o contrário, doma-la, tirar seus maus hábitos, retirar os vícios. Criar hábitos positivos, um deles é, em vez de raciocinar, passar a contemplar, este é o segredo.

Os conflitos e a guerra interior revelam uma grande falta de respeito para conosco mesmos. Se tivéssemos compreensão acerca da nossa realidade, da verdadeira natureza, certamente devotaríamos muito mais respeito a nós mesmos. Se não nos respeitamos, isso projeta-se para fora

e também faltaremos com respeito aos demais, se não sabemos conviver conosco mesmos, internamente falando, isso se projeta para a convivência exterior.

Temos de aprender a respeitar a nós mesmos e o segredo disso é conhecermo-nos, investigarmo- nos, levar a atenção para dentro de nós, saber o que ocorre e acontece, perceber, tomar ciência e consciência dos fenômenos psicológicos acontecidos em nosso interior. Para isso, possuímos uma faculdade chamada atenção. Hoje, nossa atenção está dispersa, espalhada, ela vaga pelo mundo, precisamos trazê-la e concentrá-la em nós, orientá-la e voltá-la para dentro de nós mesmos de maneira concentrada. Isso por si só faz com que nossa mente páre de projetar, divagar, sonhar, fantasiar.

Quando o Mestre Samael diz que o homem sonha, identifica-se e sonha, se algo nos chama atenção

a seguir, pois estamos inconscientes de nós mesmos ou com a atenção dispersa, passamos a projetar em cima daquilo que nos chamou a atenção, isso é sonhar. Despertar é trazer a atenção para nós, concentrar essa atenção numa direção e uma direção única, o farol que a princípio temos que

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apontar, olhar ou voltar é apenas o nosso Ser, esse é o segredo. A desgraça nossa é que olhamos tudo menos o nosso Ser, não temos capacidade de concentração, desenvolvemos em nós uma enorme capacidade de distração, agora toca-nos disciplinar o foco da atenção rumo ao nosso Ser, a realidade, a essa consciência interior, essa luz interior e não às projeções que nossa mente faz dessa luz ou de qualquer outra realidade, seja ela interna ou externa. Isso são as abstrações, não podemos viver a Gnose aqui no concreto se estamos vivendo em abstrações, isso não é a vida real, não é o TAO.

Quando passamos a investir na edificação de um novo nível de Ser, mais elevado, muitas coisas vão morrendo ou passam a tornar-se secundárias e terciárias e, conseqüentemente, morrem, pois vamos estudando, analisando e compreendendo naturalmente no tempo devido e isso torna-se, então, dispensável, porque indispensável é o Ser, a nossa realidade, a vida em si que palpita dentro de nós. Disso que temos de nos dar conta e não focar nas abstrações, projeções, fantasias que a mente faz a partir desses mesmos fenômenos. É difícil traduzir isso em simples palavras, gostaria que realmente houvesse o poder mágico de fazer com que cada um enxergasse isso diretamente, mas não é possível tal coisa, cada um terá que descobrir isso.

A nossa situação interior é tão calamitosa que, por uma mera questão de sobrevivência psicológica,

acabamos desenvolvendo de forma imperceptível ao longo não só desta vida, mas como em todas

as

vidas anteriores também, isso que podemos denominar como um processo de mentir a si mesmo.

E

o que vem a ser esse mentir para si mesmo?

Se estivermos andando por uma rua e encontramos um amigo e ele nos cumprimenta, geralmente pergunta-nos “como vai? Como tem passado?”. E sempre respondemos que estamos bem, formalmente respondemos isso, mas, em realidade, ao dizer isso temos consciência que estamos bem, se é que estamos bem mesmo ou é apenas um formalismo social, um verniz social de convivência que criamos? Não quero dizer que neste aspecto formal do relacionamento está contida uma mentira, mas não deixa de estar presente ali o principio da mentira, porque a mentira realmente ganha dimensões terríveis quando passamos a acreditar que estamos cada vez melhor, que nosso nível de Ser está cada vez mais elevado e perdemos a capacidade e as referências para podermos avaliar-nos adequadamente.

Como podemos dar conta desses processos de mentira para conosco mesmo? Hoje em dia é bem difícil, é parte do trabalho de Avatar, Profeta ou mensageiro trazer sempre um novo esquadro, uma

nova régua e um novo compasso. É sempre uma nova doutrina que vai servir de espelho para nós. Se, neste preciso momento, o próprio Cristo materializasse-se em nossa vida, sala, casa e falasse:

“meu amigo, você está indo cada vez pior, está mal do jeito que está indo hoje

seguro que rejeitaríamos de imediato e de forma mecânica tal revelação, porque vivemos uma mentira, uma fantasia, acreditamos que estamos indo cada vez melhor, quando estamos com um pé no abismo, se somos ricos em defeitos é evidente que somos pobres em virtudes, não há como ter

as duas riquezas e aqueles que as têm certamente vivem uma situação anômala na qual são conhecidos como abortos da natureza.

”? Estou bastante

Para acabar com o processo de mentira, devemos voltar a atenção para dentro de nós mesmos, sempre olhar para dentro de nós mesmos, não projetar, não fantasiar. É preciso estudar uma nova ciência, uma nova doutrina, seja ela qual for. Em diferentes épocas da humanidade, diferentes doutrinas foram trazidas ao mundo, mas todas delas têm em comum terem sido rejeitadas maciçamente e apenas aceitas por alguns poucos.

Romper com o processo de mentir é uma das coisas mais difíceis, porque a mentira é um recurso que o amor-próprio, que a autoconsideração utiliza para continuar existindo, um processo que o orgulho lança mão para continuar existindo, enfim, a mentira que todos os egos e defeitos utilizam para continuar existindo, fazendo das suas dentro de nós.

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Se queremos, realmente, mudar de nível de ser, esse é o segredo, acabar com a farsa, com a fantasia e projeção, acabar com o processo da mentira, construir uma capacidade de verdade, vermo-nos, avaliarmo-nos, percebemo-nos como somos, não como imaginamos ser.

Todos nós carregamos uma auto-imagem, sempre imaginamos que somos lindos e maravilhosos, bonitos, perfeitos, caridosos, amorosos. Porém, quando alguém ou alguma circunstância qualquer da vida, desnuda-nos, seja diante de nós mesmos, seja diante de outro, dizemos: "que vergonha! Que vergonha!". O que está escondido atrás disso? Qual é o segredo desses processos todos?

A auto-imagem é algo terrível, se estamos muito preocupados com a nossa questão de imagem

pessoal, ou de projetar uma imagem de bonzinho ou positiva, mas toda ela baseada em artifícios. Certamente, nem uma nem duas vezes seremos desnudados pela realidade dos fatos e isso se torna um obstáculo enorme para a mudança de nível de ser ou para ascender a níveis elevados de ser.

Observemos a natureza, qualquer pássaro, animal ou árvore, nenhum deles estão preocupados em projetar algo a mais do que eles são. Uma árvore é uma árvore, não quer ser mais do que uma árvore, não usa artifícios, enfeites, ela é o que é, assim é a vida toda, sem artifícios, um pássaro, um animal, ele é o que é, é só observamos o comportamento que sempre os veremos agir livremente, livre de artifícios. E não nos esqueçamos de qualquer artifício é isso que chamamos ego, artificial, agregado, não é a realidade, a realidade é o Ser, como diz o Mestre Samael; concentrarmo-nos em nosso Ser, não esquecermos de nós mesmos ou esquecer de nosso Ser isso é fundamental, este é o segredo.

Se esquecermos de nosso Ser, daquilo que somos, passamos a viver artificialmente, porque estaremos querendo projetar para os outros aquilo que não somos, se observamos uma ninhada de gatos no seu desenvolvimento, notamos que eles são o que são, não têm necessidade, preocupação ou insegurança de ocultar o que quer que seja e nem de projetar, são o que são. Esta é uma grande lição que precisamos aprender, despojarmo-nos dos artifícios, ser exatamente aquilo que somos. E podemos descobrir isso em nós com muita auto-observação, auto-exploração, se não desenvolvermos o hábito positivo e saudável de explorarmos, analisarmos, observamo-nos é evidente que não nos auto-descobriremos jamais.

Tudo isso, essa auto-descoberta e, conseqüentemente, a compreensão de nós mesmos ou uma auto- revelação, dá-se como desenrolar natural de um trabalho aplicado neste sentido dentro de nós, sem almejar um resultado, mas apenas pela ação desinteressada, sem artifícios, este é o segredo. Em poucas palavras, tudo resume-se a fazer algo, “botar a mão na massa”, realizar, trabalhar, ter uma atitude pró-ativa em relação a nós mesmos, darmo-nos conta de que não somos uma coisa, darmo- nos conta do artificialismo da mente, ou seja, temos cinco sentidos ainda, tínhamos mais, hoje restaram cinco sentidos, esses cinco sentidos jogam de forma ininterrupta para a nossa mente impressões, essas impressões movem-nos, levam-nos para uma ação ou para uma reação, depende da nossa atitude, podemos agir ou reagir, seguir reagindo.

O processo de despertar a consciência implica necessariamente numa ascensão de nível de Ser e vai

além da mente, da reação, projeção, artificialismo. Para isso, a técnica da meditação introspectiva, auto-exploração diária, gradativamente retirará as sucessivas camadas artificiais que acumulamos em nós e também nos dará a remoção dos distintos véus que encobrem a luz verdadeira, por isso hoje temos escassa a luz. Porque criamos ou colocamos muitos véus, temos de remover esses véus da subjetividade. O que vem a ser esses véus? É o que falamos há pouco, se em vez de ver, contemplar a realidade, projetamos idéias acerca dessa realidade isso é um véu que distorce essa mesma realidade.

Se pensarmos de uma forma não-livre, segundo condicionamentos de uma educação universalmente ou socialmente aceita, isso é um véu que impede a luz brilhar, se seguimos imitando velhos procedimentos, comportamentos, atitude ou reações, tudo isso é subjetivismo, só a auto-exploração vê diretamente todo esse conjunto de artifícios ou coisas que nós mesmos

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inventamos, alimentamos, conservarmos, tudo isso no fundo, em resumo, nada mais é do que uma ferramenta, um recurso que o nosso egoísmo lança mão para continuar existindo e o egoísmo é formado por amor-próprio, autoconsideração, auto-importância, a mentira é feita para proteger isso.

Tudo isso, no fundo, apenas forma a maquinaria que defende, protege, conseqüentemente, fortalece nosso próprio egoísmo. O segredo de romper com tudo isso é começar a, aqui e agora mesmo, atrelar o foco do atenção e projetá-lo para dentro de nós, para auto-explorar, não perder o foco da atenção, não esquecermos de mós mesmos, não deixarmos de meditar, não deixarmos de explorarmo-nos mais e mais profundamente a cada dia, a cada hora. Aos poucos, iremos conhecendo-nos. Porque iremos descobrindo-nos, fazendo consciência gradativa de tudo aquilo que está dentro de nós, conseqüentemente, poderemos fazer um balanço, uma análise daquilo que está sobrando, que são os artifícios e daquilo que está faltando, atrofiado, oculto ou o que é preciso ser construído, que são nossas virtudes.

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METODOLOGIA DO TRABALHO GNÓSTICO

06.02.2007

Este tema denominamos ou sintetizamos como “metodologia do trabalho esotérico gnóstico”. Tais textos são inspirados no conteúdo do livro do Mestre Samael chamado A revolução da dialética. Então, eventualmente, aqueles que quiserem acompanhar diretamente o livro, evidentemente que não vamos repetir o livro, poderão acompanhar esta obra, na qual fará reflexão, meditação, estudo, acompanhamento, pelo menos das idéias principais e assim focaremos ao longo deste ano, então daí a metodologia do trabalho esotérico gnóstico.

Partimos do princípio de que todos que lerem este texto neste momento e aqueles que lerem no futuro, são pessoas interessadas de verdade a trabalhar sobre si, essas palavras, essas aulas apenas têm propósito definido junto a estas pessoas. Não acreditamos que pessoas superficiais ou destituídas de um propósito sério, voltado ao trabalho sobre si, venham a se interessar por estes estudos e temas.

Aos novos ou aqueles que chegam agora ao mundo da Gnose, muitos trazem uma idéia de que a Gnose é mais uma destas escolas que existem por aí, as quais dispõem de uma série de livros para ler e acreditam, então, que lendo essas obras estão evoluindo espiritualmente. Honestamente, não temos nada contra nenhuma escola esotérica, até pelo contrário, todas as escolas esotéricas que nos precederam no tempo ou que se expressaram antes da Gnose, surgida no cenário internacional a partir do ano de 1950, continuam sendo úteis, pois servem de base para a expressão da própria Gnose. Não é perda de tempo aqueles que, em sua busca, trilharam antes essas outras escolas.

O que sempre temos dito: cada escola tem seu tempo, sua época, seus ciclos de manifestação, isso

tem ocorrido sempre. A Gnose obviamente também tem seu ciclo, e este ciclo da Gnose que hoje aqui estamos para abordar e fazemos parte, representando por meio da Fundação Samael Aun Weor em Curitiba, terminará com a transição planetária ou a grande catástrofe.

O ensinamento dado à humanidade de Aquário depois da catástrofe, lógico que não imediatamente,

mas daqui a três, quatro, cinco séculos será diferente deste aqui, diferente, mas com muitos elementos, pois esta Gnose hoje representada por nós já é a base, funciona como introdução, como fundamento da doutrina espiritual universal da Era de Aquário.

Para lembrar e não perder a consciência do papel da nova Gnose nesta Era de Aquário, esta Gnose representa o melhor do Cristianismo e o melhor do Budismo. Isso tem sido dito por aí em muitos lugares, porém não tem sido adequadamente compreendido. Muitos torcem o nariz para outras doutrinas, escolas, e não é assim. A Gnose é a fonte de todas essas doutrinas. Naturalmente, falo da Gnose Universal, não estou falando desse conhecimento especificamente introduzido em nosso mundo e tempo pelo Mestre Samael Aun Weor. Ele codificou, resumiu, deu uma nova forma, uma cara atual à mesma e velha doutrina secreta da humanidade, da qual se originaram todas as formas de conhecimento da História humana, das formas conhecidas e desconhecidas que já se perderam na noite dos tempos.

Seja como for, estejamos onde estejamos, se queremos fazer algo neste tempo que nos resta antes da transição, temos uma metodologia de trabalho. Por incrível que pareça, uma das causas genéricas do pouco avanço dos estudantes no trabalho espiritual repousa exatamente nisso, não valorizam um método de trabalho, nem têm metodologia na maior parte das vezes. Lêem os livros escritos pelo Mestre Samael e, diante de tanta informação, sugestão e práticas apresentadas nestas obras, o estudante perde-se, não sabe por onde começar e acaba comportando-se como uma criança dentro de uma loja de brinquedos, não sabe o que vai levar ou pedir à sua mamãe. Os estudantes, principalmente os novatos, não sabem por onde começar, o que queremos enfatizar neste estudo é justamente a metodologia de trabalho. Não é preciso ler dezenas de livros para começarmos a fazer um trabalho sério dentro de nós.

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Se queremos e buscamos esse trabalho, podemos colocar como sugestão ou ponto de partida, para este trabalho pessoal, íntimo e particular, uma frase muitas vezes dita, nem sempre compreendida e poucas vezes considerada: "buscai a iluminação e o resto se dará por acréscimo!" E assim é, se não sabemos por onde começar, indicamos objetivamente buscar a Iluminação antes de qualquer coisa

mais. Não perder o foco

tema muito abordado, tratado em outros estudos como esse, porém hoje repetiremos de uma outra maneira.

E o que significa buscar a Iluminação? Buscar a Iluminação tem sido um

A Iluminação interior consiste na realização de um trabalho permanente de psicanálise íntima e

profunda. A Iluminação advirá para aqueles que trabalharem diariamente, pacientemente, dedicadamente, com entrega e disciplina, ao longo dos dias, fazendo íntima psicanálise. A Iluminação não é um artigo que pode ser comprado, não é algo que pode ser encontrado em nenhuma esquina, espaço esotérico ou em alguma escola gnóstica ou não gnóstica. Ela vem, ocorre em função de um trabalho bem realizado sobre nós mesmos. Ocorre quando nossa mente estiver vazia ou vai se dando aos poucos como um amanhecer de um novo dia na medida em que as brumas, as névoas vão desfazendo-se diante da luz do sol. Assim também ocorrerá se nós trabalharmos mediante uma disciplina esotérica adequada, o que representa os raios de sol em nosso interior.

Ao longo do tempo, essa disciplina irá desfazendo os véus e as névoas de nossa mente e, quando estiver limpa, teremos um maravilhoso céu azul, nos dias de primavera ou outono quando o azul é mais azul, sem nuvens no espaço e nossa mente sem pensamentos.

A questão agora consiste em perguntar-se: “muito bem, o que eu devo fazer para alcançar a

iluminação, como devo trabalhar diariamente em minha vida?” Justamente para responder a essa pergunta o Mestre Samael dedicou-se à maioria dos seus livros. A maioria dos capítulos dos livros escritos por ele trata deste tema, como agir, operar para que se dê a Iluminação. Entretanto, mesmo assim, sentimo-nos perdidos e atordoados ou descrentes, é como se não acreditássemos que as

coisas realmente pudessem ser assim, porque vivemos um tempo, uma época, um período da humanidade em que tudo é rápido, instantâneo, como se fosse pedir uma pizza por telefone.Essa é a civilização do fast food, da alimentação rápida industrializada.

Entretanto, Iluminação não é feita dessa maneira, não existe serviço de entrega de Iluminação na casa de ninguém, essa continua sendo uma reserva ou uma área onde cada qual deve fazer seu trabalho e, como dizíamos há pouco, não existe um tempo certo para ocorrer, precisamos fazer a parte que nos cabe, trabalhar sobre nós.

Esse trabalho dentro da Gnose consiste em, inicialmente, dar-se conta do estado em que nos encontramos, é parte da psicanálise fazer uma tomada de consciência de como estamos no presente momento. Podemos estar deprimidos, enfermos, presos à cadeira de rodas, num nível cultural muito baixo ou podemos ocupar uma posição social de destaque. Tudo isso é parte da análise, do ponto de partida para situarmo-nos na vida. Quem somos? Onde estamos? O que estamos fazendo?

O que sou e o que eu faço hoje, me atende, me preenche? Se estou muito feliz com tudo que sou

hoje ou penso que sou, se sinto-me realizado com isso, evidentemente não farei nenhum esforço para mudar nada, pois estou feliz e contente com isso. Para esses, o trabalho termina aqui, jamais mobilizarão disciplina, energia, trabalho, dedicação e entrega para mudar nada. Quando muito. lerão uma quantidade de livros de auto-ajuda e assim preencherão essa necessidade superficial ou carência que sentem, assim calarão a voz da inquietude interior e por aí ficam e a morte os levará desta forma.

Porém, se mesmo ocupando um lugar de destaque ou não ocupando lugar algum, sentimos um vazio, uma cobrança, uma pressão interior, uma insatisfação com todas as coisas, com a vida, com aquilo que somos, com aquilo que sentimos e pensamos, então aí existe um sintoma claro de

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inquietude espiritual e o trabalho sobre si de psicanálise poderá revelar a natureza desta inquietude. Sem duvida sairá em busca.

Muitos tentam afogar essas inquietudes no álcool, na cachaça, na bebida, na farra, nas festas e reuniões sociais ou em uma entrega absurda ao trabalho profissional e com isso fugindo, não querendo ouvir a voz do Íntimo, da inquietação interna. A esses também se condenam por isso.

Aqueles poucos que prestam atenção a essas inquietudes e efetivamente saem à busca de respostas, com mais ou menos tempo. encontrarão um local, uma fonte, um canal que venha ou comece a responder e a corresponder a essas inquietudes e, nisso, resume-se a historia de todos aqueles que chegam a um centro ou uma escola gnóstica e acredito que isso resume a história pessoal de cada um que lê este texto neste momento. É a esses, principalmente, que dirigimos essas palavras.

Portanto, a metodologia do trabalho psicológico sobre si consiste em fazer uma permanente psicanálise, analise intima dos processos que ocorrem em seu psiquismo e sua mente. Podemos e iniciamos o conhecimento, a investigação ou pesquisa de nós mesmos por meio do processo que denominamos de auto-observação. Aquele que não sabe observar a si mesmo não poderá descobrir-

se e, por conseqüência, conhecer-se. Aprender a fazer auto-observação é o primeiro passo e talvez

o mais importante, porque é da auto-observação que se coletará o material para a conscientização daquilo que somos.

É o trabalho, a tarefa permanente de auto observação que nos permitirá estudar, analisar de forma

retrospectiva os acontecimentos, os eventos e os fenômenos de nossa vida. Fenômenos esses de natureza psicológica. Como é que alguém observa-se? Todos nós nascemos e temos uma capacidade nata e com todos os equívocos que já livramos até hoje, realizamos ou vivemos, ela ainda existe em cada ser humano. Essa faculdade chama-se atenção, cada um de nós possui a capacidade de direcionar a atenção.

Só que, na atual humanidade, a atenção está dispersa e, geralmente, para as coisas exteriores.

Aquele que quer aprender a auto-observar-se, primeiro deve tornar-se dono da capacidade de dirigir

a atenção, da mesma forma como alguém aprende a dirigir uma automóvel. Deve aprender a dirigir

sua atenção, governar e não reprimir sua atenção. Um motorista não reprime, nem violenta seu carro, simplesmente aprende a dirigir numa auto-escola.

Em nosso caso, os interessados em aprender a dirigir, direcionar, controlar ou coordenar esta faculdade chamada atenção, podem aprender isso através dos livros do Mestre Samael, em escolas que antecederam o surgimento da Gnose, por exemplo, nas escolas de quarto caminho e também aprender isso numa escola gnóstica onde lhe passarão o bê-á-bá dessa técnica de auto-observação ou de direcionar a atenção para dentro de si mesmo com um propósito muito definido, que é observar aquilo que acontece dentro de si, seu comportamento, sua mente, as reações e os fenômenos de sua mente, tudo aquilo que acontece psicologicamente, falando no seu mundo. Isso é auto-observar.

A auto-observação começa, portanto, com o aprendizado, o domínio, o controle, o direcionamento

da condução dessa faculdade chamada atenção. O Mestre Samael ensina claramente que essa atenção, quando vamos fazer esse trabalho de coordenar, conduzir, focar a atenção, devemos dividi-la em três partes. Uma direcionada a nós mesmos, outra para aquilo que está ocorrendo fora de nós em determinado momento, o evento em si, e outra para o local, lugar onde isso está ocorrendo. Muitas pessoas acham difícil fazer isso, mas eu lhes digo de maneira muito simples. Em muitas cidades, existe a chamada “corrida do garçom”. O que é isso? Alguém coloca uma garrafa e um copo com água em cima de uma bandeja e sai correndo por cem metros sem derramar nada. Como é que ele faz isso? Dirigindo a atenção para o que está fazendo e o movimento de mover os passos ou de correr na rua.

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Se alguém encher um copo de água até a borda e quiser subir correndo uma montanha sem derramar nada, obrigatoriamente, de maneira natural, divide a atenção: uma parte está no copo e a outra está no caminho. Nisso não há dificuldade e, por conseguinte, não precisamos complicar-nos aqui com tecnicalidades desnecessárias, porque tudo isso é natural dentro de nós, dividir a atenção é a coisa mais simples do mundo, é só fazer. Então, dividir a atenção consiste nisso, estar dirigidos para nós, para o evento e o local, com isso conseguimos fazer auto-observação.

A auto-observação permitir-nos-á fazer retrospecções ou estudos e análises retrospectivas de tudo

aquilo que aconteceu. Permitirá que vejamos, analisemos, reflitamos essas seções de gravação de fenômenos, eventos, acontecimentos em que estivemos envolvidos, isso também é muito fácil de

fazer.

O passo, o acontecimento, o degrau ou o fenômeno seguinte é compreender essas coisas. Já

mencionamos que a compreensão dá-se em função de um trabalho prévio, não cai do céu, especialmente num trabalho de psicanálise, ocorre por estudo e análise de tudo aquilo que registrou acerca de si mesmo. Haverá um momento em que compreende o que acontece com ele, vai

compreender que se comportou ridiculamente em determinada situação, que poderia ter comportado-se de uma outra maneira, que teria sido mais elegante ter utilizado uma outra palavra ou expressão. Agora, se está desatento ou adormecido, se é inconsciente, mecânico, não tem interesse em deixar de ser um autômato como um robô, computador, morrerá sem nunca dar-se conta dessas coisas, vai desencarnar sem nunca ter feito um trabalho de psicanálise íntima para conhecer a si e conhecer a estrutura dessa maquinaria interior, vai desconhecer os mecanismos mentais de si próprio e, conseqüentemente, não poderá ter uma real oportunidade de compreender, de estudar e analisar-se previamente.

Buscai a Iluminação e o resto se dará por acréscimo, chegaremos à Iluminação depois que tivermos tornado-nos hábeis, destros no trabalho da auto-observação, mas não é só isso. Só auto-analisar, observar e compreender o comportamento, a conduta é um passo muito importante, porém é preciso ir além. Aqueles que estão há mais tempo na Gnose sabem que existe um poder superior à mente dentro de nós, no Oriente denominado Devi Kundalini Shakti, que num entendimento mais simplificado, ao nosso nível, trata-se da Divina Mãe Kundalini, a mãe particular e individual de cada um de nós, isso não é uma fantasia, é uma realidade dentro do universo interior de cada um de nós.

A Mãe Divina é parte de nosso próprio Ser, é uma das partes autônomas e independentes de nosso

próprio Ser. Assim como nosso sistema solar, ainda que ele esteja dentro desta galáxia, é autônomo

no seu trabalho. O nosso ser é um microcosmo, conseqüentemente, possui parte autônomas dentro do cosmo completo, ainda que seja um microcosmo.

Devemos sempre apelar a esse poder superior, consagrar nossa vida e, oxalá, todos pudessem ter a sensibilidade de perceber o quanto isso é importante para todos os que buscam a Iluminação. Consagrar-se à sua Divina Mãe, dedicar seus dias, viver em sua função, segundo a vontade, os desígnios ou as decisões de sua Divina Mãe Kundalini. Assim nunca entraria “em fria”.

Sabemos, pelos estudos mais avançados da Gnose, que a Mãe Divina desdobra-se em cinco aspectos diferentes, mas isso não é o tema atual, já existem outras conferências que abordam isso. Um dos aspectos desse poder superior à nossa mente é a nossa Mãe Morte, Prosérpina, que se encarrega de eliminar esses agregados, artifícios, elementos, sujeiras que se depositaram no fundo de nossa mente e que, em Gnose, recebem o nome de eu psicológico. No Budismo, isso é conhecido como os venenos da mente. Não importa a denominação, importa saber a natureza desse material, dessa realidade, dessas criaturas, que no antigo Egito eram conhecidas como “demônios vermelhos do Seth” e personificam nossos defeitos.

Se compreendermos um determinado comportamento, uma determinada conduta, vamos descobrir muitas coisas e à medida que vamos compreendendo, podemos e devemos apelar a esse poder

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autônomo superior à mente para que retire de nossa mente tal realidade artificial, agregado ou veneno. Com o tempo, na persistência, no dia-a-dia, após anos e anos de dedicados trabalhos, notaremos que nossa mente já está transparente, tornou-se translúcida e já não temos essas vozes interiores gritando e cobrando coisas, passamos a viver de maneira relaxada, serena e tranqüila e assim, naturalmente, um dia perceberemos que alcançamos dez, quinze, vinte por cento de liberação de consciência.

Então teremos um primeiro grau de Iluminação que nos permitirá fazer nosso trabalho com menos esforço, acelerar o trabalho de estudo, análise e compreensão de nós mesmos. No começo, nos primeiros anos, eles costumam ser mais difíceis, pois nosso estado psicológico atual realmente é caótico, brutal, bestial, animal e essas palavras não são nenhum exagero de nossa parte.

O que carregamos dentro de nós são bestialidades milenares, nosso comportamento não é reto

devido a ação e a presença desses elementos no fundo profundo de nossa mente, o qual podemos denominar simplesmente de subconsciente, que é parte de nossa mente. Aos poucos, no trabalho de psicanálise, vamos aprofundando a investigação, pesquisa, percepção de nosso universo mental e

descobrindo novas criaturas nesses níveis mais profundos.

Obviamente, o intelecto não tem capacidade de aprofundar-se, a mente por si mesma também não tem capacidade de conhecer-se por completo. Por isso, somente um poder, uma realidade superior, que transcende nossa mente, onipresente, pode aprofundar nas profundezas obscuras de nossa mente e dali retirar aqueles venenos, elementos ou estas criaturas animalescas que ali têm a sua morada.

É assim que fazemos o trabalho psicológico sobre nós mesmos, é assim que fazemos a auto-análise

ou psicanálise. Isso nos dará a compreensão de nós mesmos com o tempo. Permitir-nos-á, um dia, dali a seis, sete anos chegarmos a perceber qual é o nosso traço ou rasgo psicológico, como menciona o Mestre Samael. Esse traço psicológico profundo é o que nos caracteriza, vem a ser como o motor egóico, é a força impulsora da maquinaria egóica que está dentro de nós. Muitos de nós somos movidos pelo orgulho, outros pela ira, pela luxúria, outros pela preguiça. Devemos descobrir qual é exatamente esse traço psicológico. O traço psicológico tem raízes profundas em vidas anteriores e não é fácil, num primeiro momento, descobrir esse traço, nem vale a pena que alguém, um instrutor ou um Mestre revelasse qual é o traço psicológico principal de um estudante. Não ajudaria em nada o seu trabalho, pois isso deve ser descoberto sozinho. Senão, muitas vezes, em vez de ajudar, só atrapalharia.

Precisamos perceber, evidenciar, buscar, encontrar esse traço psicológico. Mas seja ele qual for, o orgulho, a vaidade, a preguiça, a luxúria ou a ira, em realidade, esse traço psicológico nada mais é do que a principal defesa do cerne egoísta que jaz no fundo profundo de nós e que, sempre temos dito, é conformado pelo amor-próprio, pela auto-importância, pela autoconsideração. Só que esse amor-próprio, auto-importância e auto-consideração expressam-se e, ao mesmo tempo, ocultam atrás de uma característica especifica. Há pessoas que são tímidas, são inseguras e como é que elas lidam com essa insegurança, com essa timidez? Elas envolvem o seu orgulho e aí, então, o orgulho passa a ser o rasgo psicológico principal desta pessoa. Nesse caso, o seu trabalho de auto- observação deve ser suficientemente profundo para perceber qual é a causa, a raiz do seu orgulho e este se desmontará rapidamente quando ele perceber que, em realidade, o que o gerou foi a insegurança do cerne psicológico, amor-próprio.

Já mencionamos uma vez que tudo nos leva sempre à raiz do egoísmo humano e é verdade, esse é o

cerne do egoísmo humano. Agora, antes de chegar lá, cada um de nós tem uma fachada, esta fachada é o rasgo psicológico. Muitos são glutões, mas porque se tornaram glutões? Há algo atrás disso que precisa ser descoberto. Cada qual tem o seu traço psicológico, cada qual tem de levar esse trabalho de auto-observação e psicanálise o mais profundo que puder e, ainda sim, apelar ao poder superior a sua mente, a sua Divina Mãe particular para que mostre, revele, ilumine o seu entendimento para que possa captar exatamente o inimigo oculto, porque devemos atingir é o

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inimigo oculto, é aquele que alimenta esta fachada, aquele que se esconde nessa fachada ou aparência. Uma pessoa arrogante, agressiva, muitas vezes não é que seja agressiva, ela tem medo porque é insegura e quem é inseguro é aquele que está lá atrás, o amor-próprio.

Devemos fazer esta cadeia, redesenhar ou desenhar os elos ocultos dessa cadeia psicológica até nos levar ao centro de nosso próprio egoísmo. Porque é sempre o egoísmo nosso que quer sobreviver, mas, se agora sabemos disso, podemos acelerar esse processo todo. É trabalhando sobre esses fenômenos, essa disciplina psicológica, chegaremos à Iluminação e, a partir daí, o resto dar-se-á por acréscimo.

Evidentemente que, na realização desse trabalho, depararemo-nos com o funcionamento da mente, com a dinâmica mental. Precisaremos perceber, observar, ver, analisar como funciona e porque funciona, porque age e reage a nossa mente frente a determinados impactos, a determinadas representações, a determinadas impressões que são jogadas para ela através de nossos cinco sentidos, as janelas para o mundo. Tudo isso é parte natural ou integral desse trabalho psicológico, de auto-análise, de psicanálise, isso que é denominado nesse livro A Revolução da Dialética de dinâmica mental.

Saber como e por que funciona a mente, estudar e analisar os funcionalismos, os mecanismos de ação e reação da mente, e sempre temos mencionado que a mente é de natureza receptiva, hoje ela é pró-ativa e isso significa uma inversão total e radical da sua natureza, conseqüentemente, transformamos nossa vida num verdadeiro inferno, numa maldição. Nossa mente tornou-se tagarela, reacionária, não somos capazes de viver passivamente ou serenamente, pois nossa mente agita-se constantemente pelos impactos recebidos, os quais até ela através de impressões, representações ou através dos cinco sentidos, que sempre são em forma de impressão. Gera-se uma impressão visual, sonora ou auditiva, tátil. Reagimos diante de um perfume, diante de uma palavra amável ou uma palavra dura, reagimos ao escutar uma determinada música, reagimos ao perceber roupas ou bens que nosso semelhante tem e assim reagimos a tudo. Reagimos ante a um copo de bebida, a uma insinuação de uma pessoa do sexo oposto e identificamo-nos com essas coisas e acabamos perdendo o controle de nós mesmos, identificamo-nos totalmente como evento, o acontecimento e acabamos distanciando-nos do centro de nós mesmos e assim nossa vida vai esvaziando, perdendo-se, transcorrendo e seguimos na obscuridade.

É por isso que, na Gnose, é enfatizado sempre a questão da dissolução do ego, da eliminação desses

venenos, da luta sem tréguas contra os demônios vermelhos, porque obscureceram nossa visão, nossa percepção, dominaram esse território chamado mundo mental, ocuparam os cinco cilindros da máquina orgânica e é por isso que levamos uma vida desequilibrada, curta, sofrida, repleta de enfermidades, como sabe todo e qualquer estudante mais antigo de Gnose.

Por outro lado, em contraposição a essas reações psicológicas, temos a ação lacônica do Ser, que vem a ser a expressão, manifestação concisa, precisa, exata, perfeita, simples, sem artifícios, que faz nosso Ser em nós mesmos. Só que nosso Ser não está aqui agora dentro de nós, temos um percentual mínimo dele, nossa consciência, que são aqueles três por cento de essência livre que todos nós temos ao nascer.

A ação lacônica do Ser caracteriza-se por uma ação sem propósito de obter vantagem, sem

intenções de obter algum proveito ou lucro. É uma ação livre e desinteressada, isso é que sempre temos enfatizado como sendo a conduta reta. A ação lacônica do Ser expressa-se em nós por meio de conduta reta, cumprimento do dever sagrado, a ação pela ação sem objetivar os frutos da ação, isso é o que se diz ser conduta reta. Porque a conduta reta não leva a nenhum interesse, não carrega em si mesmo nenhum propósito velado, expresso ou oculto de obter algo em troca, mas é a ação pela ação.

A

conduta reta está ao nosso alcance, talvez se nos prendermos demasiadamente a essa expressão,

"a

ação lacônica do Ser", vamos cair na filosofia disso sem entender concretamente como se vive

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aqui e agora em nosso mundo essa ação. Aqueles que efetivamente compreenderam o que é a conduta reta e aqueles que efetivamente começaram a viver a sua vida de acordo com os critérios,

as pautas, os princípios da conduta reta como falamos em inúmeras aulas e conferências que estão em nossos arquivos, sabem que é muito mais fácil viver a Gnose nos fatos valendo-se desse instrumento, dessa metodologia, do que quem sabe filosofar ou teorizar demais.

A Gnose precisa ser vivida em fatos concretos, não na filosofia ou nas abstrações da mente ou do

intelecto. Por conseguinte, a conduta reta é a grande chave para experimentarmos, vivermos ou expressarmos essa ação lacônica do Ser aqui e agora em nosso mundo. Claro que primeiro necessitamos entender o que vem a ser a conduta reta, o que vem ser uma ação livre de interesses,

de recompensas ou expectativas de recompensas. É muito fácil, num discurso, cada um de nós

expressar isso, porém no dia-a-dia é diferente.

Afirmo a vocês que darão um grande passo, caminharão a passos largos rumo à Iluminação se passarem a viver de acordo com essa metodologia da conduta reta. Mencionamos aqui em outra oportunidade que o amor total está fora do nosso alcance, porém cada gesto de bondade, cada palavra suave, cada ato de serenidade são manifestações do amor divino, manifestações lacônicas do nosso próprio Ser. É isso que queremos passar e oxalá todos possam captar isso de uma forma concreta ou direta, simples e possam colocar em prática já, agora, aqui.

A conduta reta sempre começa em nossa própria vida e em nossa própria casa. Se não conseguimos

ser um bom chefe de família, um bom filho, um bom pai, evidentemente estamos longe da conduta reta. Se não conseguimos cumprir com os deveres mínimos que temos em nossa casa com nosso companheiro(a), filho ou pai, enfim, dependendo da situação particular de cada um, obviamente não entendemos ainda a base fundamental do que a Gnose ensina como filosofia, sistema prático e concreto de vida.

Não é a quantidade de livros de Gnose que vai nos dar a Iluminação, mas sim aquilo que conseguimos expressar aqui e agora de boa vontade. Porque podemos condicionar, programar ou reprimir-nos, sorrir por fora e amaldiçoar por dentro. Aí falta boa vontade, falta uma ação livre, fluir natural, simples, livre da vontade dos valores de nosso Ser. Isso é o que precisa ser estudado, investigado, compreendido e, conseqüentemente, colocado em prática.

No Oriente, na Índia, tomamos conhecimento e aprendemos pela história, que Gandhi conseguiu a libertação da Índia praticando uma filosofia aplicada até nossos dias. A filosofia da não-violência e que podemos também entender como a filosofia da não-reação, mas da ação concreta e reta. Porque Gandhi ensinava a não reagir violentamente contra o dominador inglês de seu país. Mas ele não ensinava que deveriam ser passivos, ausentes, subservientes ou algo do gênero. Era uma ação positiva, reta ou uma conduta reta diante do agressor. O agressor podia bater, como de fato batia e golpeava e até matava, mas isso não dava o direito, na conduta reta, de reagir da mesma forma e desta maneira conseguiu dobrar, vencer o dominador no seu país. Em nosso caso, se nossa mente continua reagindo e muitas vezes reage com violência, estamos falando na filosofia do ahimsa que não se caracteriza pela não-ação, mas sim por uma ação reta. Isso, talvez, é que nunca tenha sido devidamente compreendido sobre essa filosofia.

Aqueles que buscam a Iluminação têm uma outra característica a ser considerada e que se trata da conduta gregária, queremos dizer com isso que se efetivamente quisermos dissolver o ego e também a personalidade, sair da condição de autômatos, de robôs e alcançar a Iluminação não podemos fazer o que todo mundo faz, nem agir como todo mundo age, nem viver mecanicamente, isso que se diz conduta gregária, uma conduta pautada por um comportamento de manada.

Aquele que busca a Iluminação deve apartar-se, permanecer no mundo sem fazer parte do mundo. Ele deve ter critérios de observação, pautar sua conduta, seus hábitos, seus atos, mesmo esses sociais, de forma a não seguir os padrões coletivos ou isso que denominamos de comportamento de manada, de grupo, isso é a conduta gregária, esse é um comportamento que age ou reage sem

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controle de nenhuma espécie, é fazer o que todo mundo faz, repetir os mesmos chavões, fazer o que todo mundo faz no fim de semana ou consumir como todo mundo consome.

Precisamos segregar, isolar nosso próprio comportamento desse comportamento universal, programado, mecânico, repetitivo, inconsciente. Sempre que se fala no trabalho psicológico também há algo que nos vem à memória e que trata da palavra. Alguém já disse com grande acerto, que o verbo é medida da nossa realidade interior. Se usamos uma linguagem vulgar, palavrões, falamos como todo mundo fala dentro da conduta gregária, tudo isso implica no fenômeno que podemos denominar e, no livro A Revolução da Dialética está expresso, como "a deformação da palavra".

Quando prestamos atenção na palavra ou no verbo de outro e no de nós mesmos, podemos medir como estamos internamente. Muitas vezes acreditamos que o silêncio é ouro, mas a Gnose afirma que é tão mau falar quando se deve calar, quanto calar quando se deve falar. Existem silêncios que são delitos, como também palavras infames. Temos de medir, calcular, considerar a forma de usar nosso verbo. Porque nenhuma palavra é vã no Universo, no Cosmos.

O reto agir, a conduta reta passa pela reta palavra, o reto falar, o reto expressar-se. Porque,

certamente, quando caluniamos alguém ou temos a maledicência, a fofoca ou a intriga não estamos

semeando boas coisas ao nosso redor e não estamos respeitando as pessoas envolvidas nisso, especialmente quando mencionamos nomes, mais ainda se torna amarga a experiência.

Naqueles que trabalham com alquimia, o abuso do verbo, a deformação da palavra, costuma gerar resultados desastrosos na sua vida, sua vida pode tornar-se um desastre só porque simplesmente não aprendeu, não se deu conta, não observou ou está inconsciente do seu próprio verbo, palavra. Devemos tomar muita atenção com isso, eu vejo pessoas que por aí se expressam como qualquer pessoa comum e corrente do mundo. Continuam usando aqueles palavrões, aquele vocabulário que não é nobre nem para uma pessoa comum quanto menos é nobre em alguém que diz que está buscando o caminho ou está desesperadamente atrás da Iluminação.

É nas pequenas coisas que vamos definindo nossa vida, traduzimos o nosso nível de Ser e,

conseqüentemente, por lei de imantação universal atrairemos para nós luz ou trevas e o verbo é uma faculdade de geração, tal qual a função sexual. Os Deuses criam pelo verbo, os homens pelo sexo e os humanos são os que abusam tanto do verbo quanto do sexo, por aí calculem cada um:

nossa vida, nossa sorte, nosso ambiente, nossa aura e aquilo que podemos atrair com uma conduta desta forma.

É integrando esses elementos todos, não deixando que esses agregados tenham uma liberdade

interna de expressarem-se da forma como querem é que vamos, aos poucos, tomando posse dos processos psíquicos, dominando, economizando nossas energias psíquicas tão necessárias para a Iluminação. Não se pode e não se alcança a Iluminação se não aprendermos a economizar nosso material psíquico, a energia psíquica que não é só sexual, existe essa energia psicológica, mental, como aqui estamos dizendo.

O abuso e o mau uso do verbo é a porta de saída, o canal emissor da energia psíquica, assim

também a fornicação é o canal emissor das nossas energias sexuais. Isso deve ser anotado, registrado, analisado criteriosamente e compreendido para que efetivamente todos nós nos demos conta da importância que é governar nosso verbo e nossa função sexual, economizar matéria

psíquica e sexual para que tenhamos energia para construir nossa Iluminação, nos códigos interiores.

Se formos descuidados na administração, na condução dessa tarefa, desse trabalho, obviamente estaremos sendo negligentes. A negligência caracteriza-se por uma opção de não escolher aquilo que queremos ser ou fazer, é como que nos abandonarmos nas correntes do rio da vida, deixar que a vida leve, trague, derrote, arraste-nos para as suas turbulências. Caracteriza-se por um estado de

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não governo de si mesmo, isso é muito grave.Temos, efetivamente, de dar-nos conta disso, assumir o controle, o governo, a posse dessa matéria prima, dessas energias mais valiosas que todos temos dentro de nós. mediante as quais construiremos uma nova realidade existencial.

Até aqui nossas palavras, colocamo-nos à disposição para os normais e naturais aprofundamentos sobre o tema, que julgarem necessários serem feitos mediante as perguntas a serem colocadas aqui.

Perguntas:

P: Economizamos material psíquico não assistindo televisão?

R: Economizamos material psíquico não nos identificando com as coisas da televisão ou do cinema; de qualquer maneira, assistir televisão é uma perda de tempo, melhor dedicar esse tempo a meditações ou práticas esotéricas.

P: Devemos entender simbolicamente a maldição que o Mestre Jesus lança sobre a figueira que não produz ou ele realmente usou o verbo para secá-la?

R: A figueira é um símbolo sexual, conseqüentemente, se a energia sexual não dá os frutos divinos sobre a produção da realidade ontológica ou da criação de corpos solares melhor que seque, a pessoa torna-se estéril espiritualmente falando.

P: A negligência não tem a ver com o ser indiferente?

R: Não deixa de ter essa conexão de ser indiferente. Se você é indiferente significa que não fez escolha, quando você não escolhe, a vida escolhe por você. Porque não escolher na vida é fazer uma escolha.

Essa coisinha muito simples e sutil que nos enterra, porque a gente acha que, quando não escolhe, nada acontece. Não escolher é uma escolha. Negligência vem a ser não eleger, o radical latino fala disso. Nex legere, ou seja, não escolher, não eleger e, se não escolhemos, a vida escolhe por nós e a vida escolhe o que interessa a ela e de forma nenhuma a auto-realização de uma pessoa é do interesse da natureza. Medite sobre isso.

P: A pessoa que age retamente, desapegada dos frutos de sua ação precisa estar totalmente consciente que a ação em questão é a certa, a melhor? Essa certeza, essa consciência é em si mesma a recompensa por essa ação? Ou a própria idéia de recompensa não cabe aqui?

R: Se você tem uma idéia de recompensa é porque já está buscando uma recompensa de certa maneira. Quando agimos livremente, sem dúvida não nos preocupamos se é certo ou errado. Por que o que vem a ser certo e errado? Quem pode nos dizer com certeza e acuidade sobre isso é nossa intuição, não a nossa mente.

Nossa mente é ignorante do certo e errado como você coloca aqui, mas a intuição, que é uma faculdade da consciência, sem dúvida nos dá o discernimento, a luz necessária para agirmos com isenção. Fazer o que deve ser feito.

P: De acordo com que foi explanado, a auto-observação é ponto inicial do trabalho esotérico, a duvida é se auto-observamos e, no final do dia, não fazemos nenhuma prática em relação a essa auto-observação perdemos esse tempo?

R: Sem dúvida. Se você não aprofunda aquilo que você percebe durante o dia, pouca coisa vai mudar, porque continuará boiando na superfície, não fará uma conscientização, não aprofundará a percepção. Esse é o risco e na verdade é isso que ocorre, o trabalho de fazer o exercício retrospectivo nem precisa esperar a noite, pode ser realizado durante o dia mesmo ou em algum

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momento que você tenha essa oportunidade, volte a rever o acontecimento, conseqüentemente, poderá aprofundar nisso.

Essa conscientização vai dando-se aos poucos. Por isso dissemos que o trabalho é lento, não se deve buscar ou esperar um resultado imediato. Devemos fazer o trabalho sobre nós mesmos pelo trabalho em si, não esperando uma recompensa. Muita gente, milhares de pessoas hoje, vivem frustradas na Gnose, porque trabalharam para buscar um resultado e ele não veio. Não veio da forma que esperavam, não veio e até, talvez, tivesse vindo em partes, mas como estavam adormecidos não perceberam e nem podiam perceber um retorno, mas fundamentalmente o resultado se dá naturalmente. Se você joga uma semente num local qualquer, se a semente germinar, dali a meses, anos, vai nascer uma árvore que poderá dar frutos. Agora você jogou fora, não fez isso com um objetivo definido, agora aconteceu.

Nosso trabalho, se for feito sem nenhum objetivo, é claro que fracassa e se for feito com o objetivo

de ter resultado, esse resultado não virá da forma como você projeta, fantasia, espera, acredita,

porque tudo isso é projeção e fantasia da mente.

Se trabalharmos sobre nós mesmos, de acordo com os cânones, o esquadro e o compasso dos ensinamentos que são trazidos do alto, o resultado virá. Porque qualquer coisa que se planta nasce,

cresce, desenvolve-se, frutifica e morre. Por que correr atrás dos resultados se a lei da vida é dar

frutos?

P: Como ou qual postura correta em conviver com as pessoas, principalmente os colegas de trabalho? É melhor se isolar ou essa é uma conduta equivocada?

R: Há dois aspectos importantes a considerar, se você trabalha num local há muito tempo, certamente essas pessoas te conheceram de um jeito e de repente você entra numa seita perigosa e torna-se esquisito aos olhos deles, vai despertar muita preocupação e vai gerar muito mal estar, então nessa hipótese às vezes é melhor mudar de emprego, de empresa, de local.

A alternativa é você, gradativamente, ser franco e honesto com as pessoas, você mesmo pode criar

seus limites, sem tornar ou comportar-se de uma maneira inconveniente, agressiva aos olhos dos

outros. Assuma o que você é, toda vez que tiver uma oportunidade expresse um ponto de vista

filosófico diferente daquilo que as pessoas estão acostumadas a ver dentro da sua conduta gregária

e,

gradativamente, com isso vai estabelecendo os contornos novos da convivência.

O

isolamento em si creio que é prejudicial a você e não geraria uma boa convivência, só iria

complicar mais ainda a situação, a atmosfera tornar-se-ia pesada. Em todos os lugares, a honestidade ou a transparência sempre é bem vinda, desde que colocada de uma maneira adequada. Diria desta forma, por outro lado observando e lembrando eventos, acontecimentos da minha própria vida, especialmente na convivência com estrangeiros, notei que, por exemplo, se alguém contava uma piada que eles não gostavam ficavam olhando pra você sem rir e não se incomodavam com isso, na prática o contador da piada é que ficava sem graça, é uma outra atitude. Resumindo, é você quem determina o espaço e a liberdade do outro.

Tenho certeza que, se Buda estivesse trabalhando onde você trabalha, ouviria a todos com serenidade e ao final daria um sorriso e ia cuidar de sua vida, pois foi assim que ele fez quando surgiu um insultador na figueira onde ele estava meditando: sequer abriu os olhos ou, se abriu os olhos, não respondeu às provocações, no final ele só disse: "Meu amigo, se alguém lhe traz ou oferece um presente e esta pessoa não aceita, o que você faria com o presente?" E o insultador disse: "eu ficaria para mim", "pois é, eu não quero seu presente pode ficar para você" e fechou os olhos e continuou meditando. Cada um estabelece seu limite, você pauta sua vida, a menos que queira seguir vivendo gregariamente, comportamento de manada como se diz por aí.

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ESCRAVIDÃO E DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA

13.02.2007

O tema desta noite denominamos de Dependência e Escravidão Psicológica. Queremos dizer que a

dependência e a escravidão psicológica envolvem a constatação de um estado interior real, concreto; revela um estado interno característico desta humanidade; por conseguinte obviamente só poderemos sair desse estado se desenvolvermos a condição de auto crítica, que seja positiva e construtiva.

Muitas vezes buscando exercitar a auto crítica acabamos simplesmente arrasando a nós mesmos sem nenhuma construção e isso é grave. Por isso mesmo a Gnose ensina que toda mudança interior deve ser lenta. Nada deve ser impositivo, tudo deve ser feito à base de compreensão; qualquer passo, decisão, prática, disciplina deve ser realizada ou posta em prática, em andamento, mediante compreensão prévia. Se não temos essa compreensão vamos acabar cometendo erros que se voltarão contra nós mesmos, e aí muitas vezes achamos mais fácil transferir essa responsabilidade para outros, para a Gnose, para o Mestre Samael, para Buda ou qualquer outra igreja e religião.

Em realidade o problema é nosso, não entendemos adequadamente a natureza do trabalho a ser realizado; com isso em vez de ter um avanço positivo, concreto, acabamos complicando mais ainda nossa existência. Dentro desta obra que tomamos como base, "A Revolução da Dialética", a auto crítica é o começo do trabalho gnóstico, mas ela só pode ser colocada em prática após termos iniciado o trabalho de auto observação, porque a auto observação é que nos dará os elementos, os eventos, os fenômenos, os acontecimentos, as constatações, as fotografias, as imagens, as percepções das quais devemos fazer a auto crítica.

Para isso temos que desenvolver ou nos tornamos sinceros conosco mesmos; é preciso fazer a dissecação desses quadros, figuras, fotografia psicológicas. O Mestre Samael compara a auto critica com um bisturi, um instrumento para abrir, penetrar, possibilitando ver por dentro todos esses quadros, fenômenos, acontecimentos ou constatações. Por conseguinte, estamos aqui falando de descobrir nossos próprios erros, equívocos, conduta não reta; tratar de investigar e conhecer os fenômenos psicológicos; conhecer os ressortes secretos ou os mecanismos e engrenagens das reações psicológica, mental, intelectual, frente aos acontecimentos diários que se apresentam em nossa vida.

A

auto crítica só pode e deve ser exercitada sobre nossos próprios erros; é um método para estudar

e

analisar os defeitos descobertos. Essa auto crítica deve ser feita sem ânimo de criar outros estados

negativos dentro de nós; pelo contrario, uma auto critica deve ser saudável, para melhorar nossa atitude, conduta ou comportamento, para construir uma nova forma de viver. É fundamental descobrir esses erros, e essa análise, esse estudo é o que nos permite compreender isso.

Como toda mudança psicológica profunda só se faz a base de compreensão que se dá mediante trabalho prévio de estudo e análise que pode ser resumida em auto crítica saudável e construtiva, só depois disso o poder superior à mente pode e deve ser invocado para que pulverize os autores dos acontecimentos interiores negativos.

Muitas vezes dissemos aqui que sem compreensão prévia a Mãe Divina não pode eliminar nenhum defeito, porque o processo de compreensão equivale a abrir a garrafa, o invólucro em cujo interior existe um átomo de consciência aprisionado e esse átomo de consciência serve de alma para esse mesmo defeito; esse átomo age e reage segundo os condicionamentos do seu próprio invólucro.

Esse é um trabalho de persistência, paciência, é um trabalho de auto crítica permanente e constante. Nunca se contentar com o pouco, com resultados rápidos e superficiais. É preciso mergulhar fundo dentro de nós, e nisso os sonhos, chamadas experiências astrais, contribuem muito. Platão dizia que

o homem se conhece pelos seus sonhos.

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Sabemos, mediante testemunho de varias pessoas com quem cruzamos nesses anos todos, que esses que se lançam neste caminho, tem sonhos a noite, recebem informação a noite e esses sonhos também devem ser estudados. Pois eles revelam nossa condição interna ou dos nossos cinco centros. É no âmbito desses cinco centros psicofisiológicos que existe, atua e funciona todo o nosso mundo interno, nossos próprios egos. Todos eles tem ramificações que se estendem alcançando um, dois, três, quatro ou todos os centros.

Nem todos os defeitos tem ramificações nos cinco centros, isso tudo deve ser descoberto mediante a auto percepção, a auto observação; deve ser analisado, estudado, compreendido mediante os processos da auto crítica.

As mudanças psicológicas devem ser lentas ainda que tenhamos falado muitas vezes que os tempos finais estão se cumprindo e estão em cima; nada disso deve gerar um clima de pânico ou estresse. Pois não é o pânico, a ameaça, o estresse ou a idéia de ameaça que irá acelerar alguma coisa ou tornar nosso trabalho mais produtivo. Não é isso que está em jogo, não é disso que se trata.

Temos que aprender a manter a calma, a serenidade em meio ao fogo da batalha. Isso é um aprendizado; essa é um a característica muito apreciada por aqueles que acompanham nossos processos internos; valorizam muito aquele que sabe se manter calmo mediante o fogo cerrado da vida, da batalha, da luta - o que nos revela o quanto eventualmente tenhamos que aprender caso tenhamos um comportamento reacionário violento ou irado. Isso nos remete à constatação que o trabalho psicológico gnóstico não é impositivo.

A Gnose não impõe nada, mostra o caminho, dá o mapa; ninguém é obrigado a seguir o mapa.

Cada qual pode explorar o terreno como achar melhor, com ou sem mapa. O bom senso diz que quem tem o mapa na mão, desenhado por quem nos antecipou nessa jornada, faz com que nossa marcha seja mais tranqüila, eficiente. Se desprezarmos o mapa, ninguém vai cobrar nem perguntar nada, apenas saiba que vai demorar muito mais cumprir a jornada.

O próprio Mestre Samael alerta que estes sistemas, que ele denomina "o sistema da revolução da

dialética", parecem muito longos para as pessoas que são impacientes. Mas ele avisa e antecipa:

"não existe outro caminho". Só para vocês terem uma idéia, o Buda chegou a ser Buda quarenta e cinco anos depois. Atingiu sua plenitude quarenta e cinco anos depois de haver se lançado neste caminho e mesmo assim ao final de sua jornada chamou seus discípulos e ainda perguntou, apanhando com sua mão algumas folhas espargidas pelo chão: "discípulos onde existem mais folhas? Na floresta ou em minha mão?"

A pergunta pode parecer um pouco estúpida hoje em dia, porém antes ele já havia dito que tinha

ensinado tudo que sabia, e ao pegar um punhado de folhas em sua mão, quis comparar com a floresta para ver como os discípulos iam perceber o ensinamento. Demonstrou claramente que ainda que ele tenha ensinado tudo que sabia, esse “tudo” era “nada” comparado com que há ou havia ainda a ser estudado ou descoberto.

Obviamente que cada um de nós pode, quem sabe, colher mais folhas que o próprio Buda; pode ir além; ninguém impede isso; nem Deus, nem a lei. Depende de nossa disposição e decisão. Se temos uma atitude negativa é evidente que não sairemos do lugar ou nos contentaremos com algumas quantas folhas colhidas em nossa peregrinação por este caminho, esta vida.

Se Buda levou quarenta e cinco anos para recolher como que umas quantas folhas, muitos de nós hoje, envenenados pela civilização atual, pelos usos e costumes que se implantaram nesse processo de transformação de seres humanos em robôs e máquinas de consumo e produção, buscam, esperam, querem mudanças rápidas e imediatas - e isso não existe.

Socialmente, antropologicamente falando, historicamente examinando percebemos claramente que toda vez que uma determinada cultura, civilização, país, império quis fazer grandes e rápidas

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mudanças adotou o caminho das ditaduras, das imposições e da tirania; caíram todos neste engodo, achando que impondo à força as coisas, o mundo, o seu país, as pessoas, os cidadãos mudariam, mas não é assim que as coisas funcionam.

Muita gente tem uma percepção errada e equivocada da proposta gnóstica; não entenderam ainda.

A Gnose não é um sistema que impõe um modelo de pensamento. A Gnose é um mapa, um sistema

que objetiva ensinar, dar as pautas sobre como pensar para que cada qual faça as suas conquistas, recolha as suas folhas da floresta existencial.

O mais importante é ensinar o “como” pensar, em lugar de “em que” pensar. Porém é interessante

que à medida que buscamos exatamente passar os fundamentos do “como pensar”, há uma deturpação ou entendimento equivocado, interpretação ou decodificação equivocada de parte das pessoas; mas sobre isso não tem como interferir, nem impedir; isso é parte do processo de aprendizado de cada um; acabam confundindo a metodologia do “como pensar” com o que pensar ou o objeto do pensamento - não sei se me faço entender.

A Gnose não é um sistema de normas rígidas; bem verdade que a Gnose ensina certos princípios de

forma enfática, como o caminho da castidade; mas as pessoas nunca entenderam e nem se deram ao trabalho de estudar, analisar e compreender o que é castidade e porque ela é necessária, e então ligeiramente tomam essa idéia como dogma ou à força. E aí, primeiro tentam aplicar em si; logo vêem que são derrotados e dizem que o sistema não funciona. É como construir sua casa iniciando pelo telhado, e ainda amaldiçoam o arquiteto, sendo que o arquiteto entregou uma planta completa, com todos os fundamentos e detalhamentos dessas mesmas bases.

Há que se entender que o processo de se caminhar, o processo de auto realização é um processo que começa de baixo pra cima com os fundamentos. Como dar um passo se não compreendemos a natureza da missão, do trabalho ou da tarefa que queremos fazer? Todos nós que temos inquietude, sentimos esse chamado de que devemos erguer ou reerguer, reconstruir o templo que nós mesmos destruímos no passado, o templo interior. Porém muitos mesmo vendo as estruturas comprometidas querem edificar o templo encima dessas estruturas carcomidas ou contaminadas pelo cupim do tempo, os agregados; é um péssimo negócio; vai desmoronar; não agüenta.

Ainda bem que do outro lado [da vida] temos consultores, assessores que simplesmente fazem com que a obra não progrida, que nada disso é mecânico, que nada disso atende aos nossos desejos ditatoriais ou egoístas. Porque senão ergueríamos ou tentaríamos reerguer o templo interior em bases e estruturas carcomidas, ameaçadas, deterioradas pelo tempo. É por isso que o Mestre Samael nessa obra diz que toda mudança brusca altera o seu próprio objetivo e o homem se torna uma vítima daquilo contra o qual lutou, tentou ou começou a lutar.

Quando falamos aqui em auto crítica, se entenda bem o que significa isso, porque senão em vez de auto crítica vamos cair na auto comiseração, na auto destruição. A auto crítica deve passar por assumir a responsabilidade sobre atos passados e conseqüências desses mesmos atos, porque ninguém vai atravessar o rio sem que primeiro tenha pago sua dívidas. Isso é claro, consta nos mapas, primeiro temos que acertar as contas com os arcontes da lei, acertar nossos débitos, ter moeda para pagar o barqueiro ou o pedágio da ponte.

A Mãe Divina luta por nós eliminando nossos defeitos, faz isso por amor e misericórdia, pois

somos seu único filho, porém mesmo ela em determinados aspectos depende da aprovação da lei, especialmente em relação aos chamados “eus causa” dos quais muitas vezes falamos em reuniões anteriores. Auto crítica é muito importante, temos que aprender a fazer auto crítica, porque ela está voltada as constatações prévias daquilo que identificamos, levantamos e percebemos que existe dentro de nós mediante a observação direta de nós.

Tudo isso significa ou implica obrigatoriamente na necessidade de passarmos todos sem exceção por um processo de reeducação, que significa obter uma reta visão de si mesmo. Não podemos ter

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uma reta visão de nós mesmos se não percebemos os fundamentos desse viés, desse desvio de auto percepção.

Diz o Mestre que todos os seres humanos são no fundo narcisistas, enamorados de si mesmos. O que é isso? Porque somos narcisistas, enamorados de nós mesmos? Aqui em outra ocasiões falamos muito de amor próprio, auto importância e auto consideração. O narcisismo é o produto direto do amor próprio, da auto importância ou da auto consideração.

O

ego é apaixonado por si mesmo, quanto mais egoístas, mais apaixonado somos por nós mesmos,

está a chave. Portanto voltamos novamente a questão do amor próprio. Se nos amamos, nos

queremos demasiadamente, nos valorizamos equivocadamente, é claro que esse narcisismo nos impedirá de avançar. Por isso na reta visão e na reta percepção de nós mesmos iremos nos deparar com nossas íntimas contradições.

Quem não se descobre não pode se conhecer e sem isso não pode trabalhar exitosamente na dissolução do seu eu pluralizado. É preciso realmente pela auto crítica fazer a investigação de nossas contradições, termos percepção disso. Lamentavelmente hoje todos aqui no ocidente fomos educados ou super educados numa formação de desenvolvimento intelectual.

Porém na revolução da dialética nos é dito claramente que informação intelectual baseada em idéias alheias não é vivência; erudição não é experimentação e mesmo o ensaio de laboratório, a prova científica, a demonstração empírica, não é unitotal; fica faltando ainda o lado interior, o interior da forma a ser percebido, descoberto, analisado e vivenciado. O que nos remete a constatação de que opiniões, conceitos, teorias, hipóteses, não significam verificação, experimentação, consciência plena sobre tal ou qual fenômeno.

Temos que experimentar, vivenciar, passar pelos processos íntimos de constatação e aí que entra a faculdade superior da mente, uma faculdade que funciona independentemente do intelecto, que seja capaz de nos dar o conhecimento e a experiência direta sobre qualquer evento, acontecimento, fenômeno ou realidade.

Todos nós aqui ou pelo menos os mais antigos em Gnose sabem que essa faculdade superior à mente é a consciência. Emancipar-se da mente equivale a despertar a consciência que noutras palavras equivale a dizer para nos livrarmos da mente, desta mente que nos encarcera, aprisiona, que é contraditória, que amargura nossa vida, serve de guarida ao desejo.

Lembrando os ensinamentos do grande, sábio e iluminado Buda sabemos que o desejo é a raiz da existência, nos remete sempre ao Sansara, sempre faz com que nos aprisionemos nos fenômenos, nas coisas, nos bens deste mundo e para livramo-nos do desejo temos que aplicar a força contrária, encarnar os princípios libertadores que se assentam e se apóiam na renúncia que é sacrifício voluntário; oferecer-se na pira sagrada, no fogo; compreender esses processos íntimos da mente; emancipar-se; livrar-se desses grilhões da mente; despertar a consciência.

Todos nós sabemos que despertar a consciência não é uma tarefa de dias, horas, semanas. É uma disciplina de entrega, dedicação; começa pelo domínio da atenção como enfatizamos aqui em outras ocasiões. Cada um desses elementos pede, exige, trabalho, dedicação - ou alguém recebe o salário no final do mês sem trabalhar? Existem os marajás, os funcionários fantasmas, todos nós sabemos que isso é corrupção, não é uma maneira reta de ganhar a vida, consequentemente se queremos ganhar o salário no final do mês, devemos fazer jus ao salário.

Como poderemos despertar a consciência se não fazemos jus a esse pagamento? Tudo custa efetivamente, depende de nosso esforço, trabalho. Não existe Mestre que faça isso; quer dizer, em tese existe; qualquer Mestre poderia despertar a consciência; porém qual o mérito de ter uma lâmpada que é alimentada pela eletricidade alheia, que não nos pertence? qual o mérito disso? Qual o valor disso?

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O homem está convidado a se tornar um sol, um astro de luz própria; é isso que temos que

entender; isso é o que temos que cristalizar dentro de nós. Esta questão da liberação, da reeducação,

como vamos despertar a consciência se temos uma visão equivocada de nós mesmos ou se estamos felizes com essa visão equivocada, com essa percepção que não corresponde a realidade da consciência? O que é a vida? A existência? O mundo? O que é Deus? O que é a lei? O que é o

TAO?

Podemos dizer aqui e agora que é consciência, mas isso não nos dá consciência do que seja consciência. Cada qual terá que descobrir isso, vivenciar diretamente, então saberá que tudo é consciência e que a forma é apenas o veículo da consciência. Nós, seres humanos, somos uma forma que serve de veiculo para a expressão dessa consciência. Todos as consciências individuais, todos as consciências dos seres sencientes, desde um minúsculo átomo até o senhor de todas as galáxias são formas da consciência única. Quando chegar a noite cósmica a grande noite de Brahama, tudo se dissolve e tudo volta a ser matéria negra. O espaço e os átomos são eternos e depois tudo pode voltar a renascer, pode voltar a assumir outras formas; a consciência não se perde. Enfim, isso já é parte de um estudo muito mais profundo e que não é o tema desta noite.

Se esse é o pagamento que queremos, buscamos ou esperamos, temos que trabalhar e ter méritos pra isso; do contrário isso não vem pelo correio, reembolso postal ou sedex. Quando se faz uma comprinha no mercado livre você tem que dar o numero do seu cartão de crédito e se ele não tem ou estourou o limite é claro que você não vai comprar nem receber nada.

Nos negócios cósmicos não existe o comércio como entendemos aqui, mas existem transações. Isso pode chocar e surpreender a muitos: existem as transações não só internamente dentro do microcosmo, como também existem as transações conscientivas, de consciência a consciência que ocupam distintas formas e isso pode ser percebido claramente se olharmos, se tivermos olhos de ver, todos os fenômenos biológicos e ontológicos que acontecem aqui e agora em nosso corpo.

Estudemos nosso corpo; percebamos a vida em movimento, em construção, em atividade dentro de nós - e poderemos compreender esses fenômenos do grande cosmo. A grande vida depende de nós

e

nós dependemos dela, isso é uma síntese conceitual.

O

que mais contribui para essas descobertas, para esses avanços internos, interiores, não são as

facilidades da vida. Uma pessoa que tem a vida mansa, que não tem desafios, não tem problemas, também não tem o ginásio adequado para fazer essas auto descobertas; quanto maiores as

dificuldades melhores as oportunidades.

O próprio senhor Buda, criado em palácio, percebeu isso e voluntariamente saiu do palácio,

impondo a si mesmo dificuldades. Renunciou a comodidades e buscou viver em situações difíceis, para que pudesse explorar-se, medir e avaliar suas reações; pudesse se conhecer sob a pressão da luta da vida.

É nas situações mais difíceis que temos oportunidade de estudar a nós mesmos, nossos impulsos

mais internos e também os impulsos externos. Aí podemos ver claramente nossos pensamentos, sentimentos, reações; a convivência com outras pessoas nos mostra, nos revela exatamente como estamos indo em nosso trabalho.

Não é só a convivência com outras pessoas; a convivência com as circunstâncias da vida também nos revelam isso - e aí podemos ver, analisar e até mesmo medir nossa revolta, nossa raiva, ira,

frustração; e se há frustração é porque há desejos contrariados. Temos um ginásio perfeito para nos livrarmos desses elementos que amarguram nossa vida e que no fundo sempre nos trazem de volta

a essa vida, ao Sansara, aos renascimentos.

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Quanto mais desejo ou quanto mais forte é o desejo em nós, mais vidas futuras estamos programando para nós mesmos. Renunciar a muita coisa por compreensão aqui e agora é uma medida saudável e bastante inteligente.

O Mestre diz, explica, resume, que existem dois tipos ou gêneros de conduta. O primeiro tipo é aquele que vem de fora para dentro e o segundo é aquele que vem de dentro para fora. O primeiro desse gênero de conduta é o resultado da escravidão psicológica e sempre acontece por reação; se nos batem batemos; se nos insultam insultamos; se gritam gritamos; se nos fecham no trânsito buzinamos; se nos agridem agredimos. Esse é o resultado ou característica do comportamento nosso que vem de fora para dentro, pelas ações do mundo.

Agora, a conduta reta é o segundo tipo de conduta; é uma conduta que caracteriza aquele que não é mais escravo dos outros, não é mais dependente psicologicamente de outros. É aquele que não tem mais nada a ver com o que pensam, sentem ou fazem os demais. Essa é uma conduta independente, reta, justa.

Nesses casos, se nos batem bendizemos; não precisamos fazer bendições, venerações ou gestos aqui no mundo físico, mas internamente podemos dirigir palavras de bendição e não maldição; se nos insultam, nos provocam, nos desafiam ficamos em silêncio. Se querem nos embebedar no boteco, nem vamos ao boteco. Se querem nos levar para a balada dizemos “não! muito obrigado; tenho que estudar para uma prova esta noite” ou “não gosto muito desses ambientes, divirtam-se!”

Porque se alguém nos convida para fazer um programa desses e diante de nossa recusa se incomoda ou reage e até nos despreza, de que amizade estamos falando? Temos mais é que nos livrar dessa escravidão - ou quanto tempo vamos demorar a perceber que estamos sendo manipulados por terceiros?

Temos que desenvolver em nós uma maneira própria de pensar, e quando falamos de uma maneira própria de pensar, cada qual saca, esgrime o seu claviculário de chaves próprias, mas o pensamento livre e independente só ocorre e se dá na ausência da mente ou aquilo que é muitas vezes dito em Gnose: a melhor maneira de pensar é não pensar; isso precisa sem entendido.

Se dependemos psicologicamente de alguém, de que nos elogiem, de que nos aplaudam, nos incentivem ou se mudamos nossos estados de humores por uma crítica ou porque eventualmente

não respondemos a um cumprimento andando pela rua

incomoda é porque é dependente disso; é duro, triste dizer isso, mas somos dependentes do que os

outros dizem, pensam, agem; dependemos do comportamento alheio.

Se alguém reage desta forma e se

Temos conduta gregária como falamos na aula anterior; temos uma conduta gregária; somos e temos comportamento de manada, coletivo; não somos individuais, autênticos, independentes; não pautamos nossa vida segundo nossas próprias prioridades.

Muitas pessoas querem fazer seu trabalho interno, despertar sua consciência, mas querem primeiro que a mulher deixe de infernizar sua vida, que os filhos não lhes cobrem tanta coisa, que o vizinho não azucrine tanto sua existência, que os colegas de trabalho sejam melhores, que o chefe não encha tanto a paciência, enfim, colocam mil condições para começar seu trabalho, não percebendo que justamente isso é a maior contribuição para seu trabalho, porque revela suas próprias deficiências.

Buscar o caminho do desenvolvimento interno, do despertar da consciência mediante a fuga, o escapismo da vida ou da convivência, realmente é desprezar o que de melhor a vida nos oferece. Temos que nos liberar, nos emancipar da mente, nos tornarmos livres, liberarmo-nos dessas coisas, e pautar nossa vida mediante compreensão daquilo que queremos para nós amanhã.

Vamos agora a algumas colocações, comentários que fizeram aqui na tela.

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Perguntas

P: A dependência psicológica manifesta-se também em caso de relacionamentos doentios?

R: Exatamente, a dependência psicológica as vezes se torna exacerbada nos comportamentos ou relacionamentos doentios; até podemos ser induzidos a crer que amamos uma pessoa, quando em realidade somos dependentes dessa pessoa; isso também é uma dependência e existem as dependências reversas.

Um casal briga, alguém dá parte na policia; isso cria um rolo judicial, na justiça dos homens; na prática se traduz como aumentar o número de leis; se a vida antes já era horrível, com isso então se tornou pior. É evidente que esse tipo de comportamento vai reforçar os atos ou os laços recorrentes e voltarão a se encontrar senão nessa será em outra vida.

Se matamos nos matam, se mentimos mentem, se roubamos somos roubados, nesta ou numa

próxima vida - ou em alguma futura vida quando a roda completar o seu giro, isso é relativo. Não

se sabe quanto tempo demora para a roda completar o giro, mas quando a roda completar o giro

pagamos, quer sabendo disso ou não. Pode ser que aqui a mente, personalidade, ego não se lembre, mas a consciência lembra; ela é quem vai ao tribunal para ser julgada e aí a consciência, seqüestrada pelos egos, responde por isso e entra no processo obrigatório de purificação cósmica, que é descer aos mundos inferiores ou tratar de encarar a morte segunda.

O processo de reeducação, auto descoberta, acho que todos nós sabemos que é um trabalho

delicado, fino, que exige delicadeza na forma de fazer, de conduzir; voltamos com isso na questão do TAO mencionada numa aula anterior; se saímos por aí em busca do TAO ou da vida em si, ela vai fugir de nós; a melhor maneira de viver a vida como ela é, é vivendo o que está aqui agora; não fugir disso, mas colocando consciência nisso. Percebendo o aspecto vazio, interior desses mesmos fenômenos interior, psicológicos ou conscientivos. Isso é a quarta vertical, o aspecto oculto dos mesmos fenômenos. Se estivermos com fome, andando ou comendo, façamos apenas isso; se

estamos de pé fiquemos de pé, tenhamos a percepção que estamos de pé. Na vida prática fazemos tudo, menos isso.

P: Poderíamos ser um dependente gnóstico?

R: Sim, pode, em Gnose; no entanto ensina-se a se tornar independente de mestres, instrutores e escolas. Aqui na Fundasaw não queremos dependentes, escravos; não nos move a idéia de criar uma rede mundial de franquias; não nos interessa o dinheiro que está no bolso de cada um, nem o aplauso, o reconhecimento, nem estátuas públicas, bajulação; nada dessas coisas nos interessa ou nos motiva.

Estamos aqui para ajudar aqueles que precisam de ajuda, para entregar cópias do mapa e uma vez

entregue a cópia desses mapas cada qual é livre para fazer o que quiser, seguir ou não, usá-lo para

se guiar no caminho ou eventualmente para iniciar um fogo na floresta ou qualquer outro uso que queiram fazer.

Os mestres do interno também ensinam, no começo; nas primeiras iniciações maiores somos dependentes, como crianças - e seria conduta não reta deixar de apoiar aqueles que necessitam de ajuda e de apoio. Uma criança é dependente do pai e da mãe normalmente até os dezoito, vinte, vinte e um anos, depois está livre para seguir o mundo, conquistar sua vida. É só observar o reino animal e vemos isso. A grande tarefa da mãe é ensinar o seu filhote a sair do ninho e buscar seu alimento, a se defender dos predadores e a constituir futuramente sua família perpetuando assim o ciclo da vida ou da grande lei.

Seria doentio de fato, uma escola gnóstica criar um sistema de dependência de seus estudantes, como também internamente os Budas e instrutores que nos assistem nas primeiras iniciações

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maiores, a partir da quarta iniciação maior nos deixam; você tem que caminhar com suas pernas. Mas aqui nesta vida infelizmente, de uma parte ou outra, seja do instrutor ou aluno, acaba se alimentando um processo de dependência, mas isso é grave. Nós honestamente não temos essa visão e somos bastante criticados por aí por não termos essa visão, porque muitos queriam que tivéssemos essa visão de alimentar dependências e dependentes.

P: Quando nos apaixonamos obsessivamente ou terminamos um relacionamento, poderíamos confundir amor com dependência?

R: Exatamente, é muito freqüente acontecer isso, especialmente entre pessoas apaixonadas. Porque essa paixão cria uma dependência, um relacionamento na base geralmente de troca de prazeres ou de complementos sensoriais. Nos processos anímicos não ocorre isso. A maior prova para distinguir paixão de amor, é a seguinte: quando a outra parte de repente por um motivo qualquer nos deixa e segue com outra pessoa, aí devemos observar nossa reação. Se choramos, amarguramos, criticamos, desesperamos, corremos atrás, não havia amor; só paixão. Porque se amássemos efetivamente o outro ficaríamos felizes pela felicidade dele, mas seria utópico, irreal, imaginarmos que duas criaturas humanas no atual estado da humanidade conhecessem esse tipo de amor, esse amor renúncia, em que aquele que ama efetivamente se sacrifica para que o ser amado encontre e tenha aquilo que ele precisa ou quer. Esta é a prova suprema do amor e a partir daí acredito que é bastante fácil examinar-se.

Numa relação a dois, quando o ciúme se faz presente já não há amor; já existe posse, propriedade; nos sentimos donos do outro; então que liberdade é essa? Que amor é esse? Que relacionamento é esse?

A base de todo e qualquer relacionamento é a confiança; se temos ciúme não temos confiança; temos tudo menos confiança; e aí cada qual pode se examinar intimamente; se surpreenderá com aquilo que vai descobrir nos seus arquivos subconscientes.

P: Mas o processo de independência pode nos levar ao isolamento e se não estamos preparados podemos cair na depressão? Como se comportar nesse caso?

R: Qual é o problema se viver isoladamente? Onde está escrito em alguma lei divina e humana que você não pode viver isoladamente? Na loja branca existem Deuses de altíssima hierarquia que vivem isolados; para nós aqui nessa humanidade parece ser um sintoma de comportamento aberrante; no entanto estar consigo mesmo, que chamamos isolamento, não tem nada de errado. A depressão vem por outro fatores, pode vir, por exemplo, por carência, pelo vazio espiritual, de alma, anímico ou pelo excesso de ego, falta da presença divina dentro de si. Isso nos leva à depressão.

Muitas pessoas sentindo isso, vivem de festa em festa, balada em balada; nunca querem ficar sozinhas, porque se ficarem sozinhas começam a ouvir a voz do íntimo e a voz da consciência; do Íntimo em nós que se expressa através da consciência pode ser que começa a perguntar: que fazes aí? Que vida é essa? É isso que queria para você? Nasceu para isso?

As inquietudes interiores se manifestam e muitas pessoas fazem questão de anestesiar, isolar, amordaçar; aí vem à depressão. Eu vivi esses processos todos de certa maneira; eu sabia que tinha um trabalho a fazer nesta área espiritual que se caracteriza por isso que faço hoje e ao mesmo tempo tinha uma carreira executiva numa multinacional e estava indo bem. Aí um dia o conflito se tornou tão grande entre servir ao Pai e a Mamon que entrei em depressão com todas as conseqüências, úlcera, gastrite, perdi peso, então podem imaginar o quadro. Sair desse inferno, não foi fácil; essas gastrites e problemas de estômago gerados por isso me custaram quatorze anos para sair do inferno, da cova aonde eu mesmo cavei. Já alguém dizia que o paraíso é ter Deus dentro de si. Não é a quantidade de pessoas a sua volta que te fará feliz.

SUTTAS GNÓSTICOS

P: Podemos entender que a auto critica é o mesmo que analisar um comportamento nosso mediante uma situação boa ou ruim, como posso criticar a mim mesmo se acho que não prejudiquei ninguém?

R: Nesse caso para fazermos essa auto crítica, precisamos da ajuda do mapa e quem nos dá o mapa? A divindade, o alto, a lei, a vida, a consciência, a vida livre em seu movimento sempre mandou formas de consciência aqui para ensinar isso e aí você pode tomar o Buda, o Cristo, Samael, todos os grandes mestres, avatares, profetas e enviados de todos os tempos. Porque em maior ou menor grau eles ensinaram conduta reta, ética, respeito, veneração, castidade, pureza. Se você quiser ter um espelho que te seja fiel, primeiro estude os valores, por exemplo, contido nas paramitas e sobre tudo isso já existem conferências nos arquivos de nosso site, pois todas essas ferramentas já tomamos a iniciativa de adiantar, colocar disponíveis para vocês, para aqueles que chegam aqui agora. Procure lá as quatro nobres verdades, o sendeiro óctuplo de Buda, conduta reta, Karma Yoga, Bhakti Yoga, aspectos fundamenta