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DIREITO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO

PROFª JULIANA FREDERICO FONTES julianafredericofontes@gmail.com

"O professor pensa ensinar o que sabe, o que recolheu nos livros e da vida, mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar, mas aquilo que quer aprender."

Affonso Romano de SantAnna

SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL

O Sistema Tributário Nacional (STN) está amplamente regulamentado na Constituição Federal (CF) em seu

TÍTULO VI – Da Tributação e do Orçamento, CAPÍTULO I - DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL, conforme arts. 145 e 162. São normas fundamentais sobre a tributação no país, já que através delas está legitimado o poder de tributar (competência tributária) de todos os entes políticos (União, Estados, DF e Municípios). Além disso, o STN impõe limites ao poder de tributar que devem ser respeitados por todos os entes federativos, através de diversos princípios e do estabelecimento de imunidades tributárias. Por fim, o STN efetua, entre os arts. 157 e 162, a distribuição do produto da arrecadação da União (entre Estados, DF e Municípios) e dos Estados (entre seus Municípios), como forma de abrandar a centralização da competência da União e Estados.

Assim, para facilitar o estudo do STN iremos aprofundar de forma apartada os seus principais temas:

1 - Competência tributária

2 - Limitações ao Poder de Tributar

3 - Repartição de Receitas Tributárias.

1. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

A competência tributária, em síntese, é o poder de instituir tributos, outorgada diretamente pela CF aos entes federativos. Importante deixar claro que a CF não cria tributos, e sim outorga, isto é, delega, atribui, confere poder para União, Estados, Distrito Federal e Municípios o exercerem através de seu Poder Legislativo 1 .

Por isso, podemos afirmar que os entes federativos somente podem exercer a competência tributária por meio de lei, nos termos do art. 150, I, da CF, denominado “princípio da legalidade tributária” 2 , a ser estudado posteriormente com maior profundidade.

Em resumo, a competência tributária possui as seguintes características: indelegável, inalterável, irrenunciável, incaducável e facultativa.

A competência tributária é classificada em comum (taxa e contribuição de melhoria) ou privativa

(empréstimos compulsórios, impostos e contribuições especiais). A competência privativa, para determinados tributos, também pode apresentar as seguintes classificações específicas:

• Residual: competência da União para instituir impostos e contribuições de seguridade social não discriminados na Constituição Federal (art. 154, I, e art. 195, §4º, CF) 3 . • Extraordinária: competência da União para instituir impostos extraordinários de guerra (IEG), que podem ter mesma base de cálculo dos discriminados na Constituição (art. 154, II, CF). Por exemplo, em caso de guerra, além do imposto de renda (IR) que a União já instituiu, ela poderá instituir outro (IR-guerra), como também poderá instituir um imposto idêntico ao ICMS estadual (ICMS-guerra). Por isso a competência é extraordinária, já que poderá ser instituído pela União imposto idêntico ao da competência de outro ente federativo.

1 O STF admitiu medida provisória como norma instituidora de tributos, porque tem força de “lei” e será nesta convertida.

2 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos

Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”. 3 Não confundir com a competência LEGISLATIVA residual dos Estados em função do disposto no art. 25 da CF.

• Cumulativa: está descrita no art. 147 da CF e se refere à União e ao DF. A União, além de instituir os seus impostos (art. 153 da CF), poderá instituir impostos estaduais nos Territórios e, se este não for dividido em Município, também cumula os impostos municipais. Igualmente, a competência do DF também é denominada cumulativa, considerando que além dos impostos estaduais (art. 155 da CF), ele poderá instituir os impostos municipais (art. 156 da CF). Vale registrar que o DF não pode ser dividido em Municípios, consoante proíbe o art. 32 da CF.

A distribuição da competência tributária entre os entes pode ser assim resumida:

Ente

 

União

Taxa (145,II, CF)

Contribuição de melhoria (145,III, CF)

Empréstimos compulsórios (148, CF)

Impostos: II, IE, IR, IPI, IOF, ITR, IGF (153, CF) IEG, Impostos Residuais (154, CF)

Contribuições especiais:

 

sociais [subespécies: gerais, de seguridade social e do regime próprio de previdência dos seus servidores] (149 e 195, CF)

-

- interventivas [sigla CIDE] (149, CF)

- corporativas [Ex. órgãos de classe, sindicatos] (149, CF)

OBS: Nos Territórios Federais, além desses tributos, a União institui impostos estaduais. Se o Território não for dividido em Municípios, também cumula os impostos municipais (147, CF)

Estados

Taxa (145,II, CF)

Contribuição de melhoria (145,III, CF)

Impostos: ITCD, ICMS e IPVA (155, CF)

Contribuições especiais:

-

sociais - SOMENTE para o regime próprio de previdência dos seus

servidores (149, §1º, CF)

Municípios

Taxa (145,II, CF)

Contribuição de melhoria (145,III, CF)

Impostos: IPTU, ITBI e ISS (156, CF)

Contribuições especiais:

-

sociais - SOMENTE para o regime próprio de previdência dos seus

servidores (149, §1º, CF)

-

iluminação pública (siga CIP) (149-A, CF)

Distrito Federal (cumulativa dos E e M)

Taxa (145,II, CF)

Contribuição de melhoria (145,III, CF)

 

Impostos: ITCD, ICMS e IPVA (155, CF) IPTU, ITBI e ISS (147 e 156, CF)

Contribuições especiais:

-

sociais - SOMENTE para o regime próprio de previdência dos seus

servidores (149, §1º, CF)

-

iluminação pública (siga CIP) (149-A, CF)

2. LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR

As “Limitações ao Poder de Tributar” é a denominação dada pela CF aos seus arts. 150 ao 152. Contudo, também encontramos limitações em outros dispositivos constitucionais, conforme análise a seguir detalhada.

Dentre as limitações constitucionais encontramos regras denominadas de “princípios tributários” e regras conhecidas como “imunidades”. Os princípios tributários orientam o exercício da competência, isto é, ao instituir o tributo os entes federativos deverão observá-los, sob pena de a cobrança ser indevida. Um exemplo de princípio tributário está no art. 150, I, da CF: é vedado “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”,

conhecido como “princípio da legalidade tributária”. A limitação exercida por este princípio está evidente: não se pode criar tributo por norma diferente de lei.

Já as imunidades são regras constitucionais que proíbem a tributação em determinada circunstância. Um exemplo é o disposto no art. 150, VI, “a” da CF: é vedado instituir impostos “uns dos outros”, ou seja, não podem os entes federativos cobrar imposto entre si. Esta regra proibitória é conhecida como “imunidade recíproca”.

Percebe-se, pois, que tanto os princípios quanto as imunidades limitam a competência tributária. A diferença é que os princípios são limitações positivas, ou seja, orientam a instituição de tributos. Por outro lado, as imunidades são limitações negativas, isto é, vedam a instituição de tributos.

Passamos à análise dos principais princípios e imunidades tributárias.

2.1 - PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS

I – Princípio da Legalidade Tributária (Legalidade estrita, Tipicidade): art. 150, I, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Sabemos que em razão do disposto no art. 5º, II, da CF, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Trata-se do princípio constitucional da legalidade, determinando que a vida da sociedade seja regulada através das normas. O termo “lei” neste dispositivo é abrangente, pois significa “norma” (leis, decretos, etc). Assim, o referido art. 5º se refere à “Legalidade Ampla”.

Contudo, na área tributária, conforme visto no supracitado art. 150, I, a Constituição foi específica: o tributo não pode ser criado por qualquer norma, mas somente pela lei. Por isso, este princípio também é conhecido como “Legalidade estrita”, porque só a lei em sentido formal (aprovada pelo processo legislativo próprio), é capaz de criar tributo. Assim, tributo não pode ser criado por decreto, portaria, convênio, etc.

A instituição e majoração de tributo somente pode ser efetuada através do Poder Legislativo do ente que detém

a competência. Nesse sentido, o IPTU (art. 156, I, CF) será instituído por lei municipal ou distrital (Câmara de Vereadores/Câmara Legislativa), já o IPVA (art. 155, III, CF) será instituído por lei estadual ou distrital (Assembléia legislativa/Câmara Legislativa). Isto é: “cada um no seu quadrado” = cada ente federativo cria o seu tributo por sua respectiva lei.

O princípio da legalidade é denominado por alguns autores como sinônimo de “tipicidade”, apesar das severas

críticas efetuadas pela Profª Misabel Derzi, uma das maiores tributaristas do nosso país. Divergências a parte, o termo tipicidade é utilizado no Direito Penal para denominar a seguinte regra constitucional: “não há crime sem lei anterior que o defina” (art. 5º, XXXIX, CF). Considerando que a regra é semelhante para tributos, pois não há tributo sem lei anterior que o defina, alguns juristas denominam a legalidade tributária como tipicidade.

Registra-se que alguns tributos só podem ser criados por lei complementar, sendo, portanto, vedada lei ordinária, lei delegada e MP. As hipóteses estão expressamente previstas na CF e se referem a alguns tributos da União, a saber:

LEI COMPLEMENTAR

Previsão na CF

1) Empréstimos Compulsórios

art. 148

2) IGF - Imposto sobre Grandes Fortunas

art. 153, VII

3) Impostos Residuais

art. 154, I

4) Contribuições Sociais da Seguridade Social Residuais

art. 195, §4º

Os demais tributos podem ser instituídos por lei ordinária, lei complementar, lei delegada ou por medida provisória (MP). Na prática, os entes federativos utilizam a lei ordinária.

Apesar de nos parecer estranho permitir que tributo seja instituído por MP, tendo em vista que se trata de uma norma do Poder Executivo (art. 62, §2º, da CF), o STF já pacificou o entendimento de que a MP atende ao princípio da legalidade, porquanto passa sob o crivo do Poder Legislativo ao ser convertida em lei.

Vale registrar que o STF também pacificou o entendimento de que a MP pode ser utilizada pelo Poder Executivo de todos os entes (Presidente da República, Governadores e Prefeitos). A permissão para o Presidente da República editar MP está diretamente no art. 62 da CF. Para os Governadores está implicitamente no art. 25, §2º, da CF, mas há necessidade de que também esteja expressa na respectiva Constituição Estadual. Para os Prefeitos editarem MP é necessária previsão tanto na Constituição Estadual como na Lei Orgânica do Município. Em Minas Gerais, a Constituição Estadual não prevê Medida Provisória. Por este motivo, o Governador e Prefeitos mineiros não poderão editar MP em nenhuma hipótese.

Assim, todos os tributos somente podem ser instituídos por lei ou MP, sem exceção. Mas há exceções que permitem alterar ALÍQUOTA sem lei, valendo-se de um ato do Poder Executivo (um decreto, por exemplo). São as seguintes hipóteses:

Exceções à legalidade

Ato do Executivo

ALÍQUOTA

Previsão na CF

II,

IE, IOF e IPI

II e IE – Resolução CAMEX IOF e IPI - Decreto presidencial

Alterar (reduzir ou aumentar)

Art. 153, §1º

(impostos extrafiscais)

CIDE-combustíveis

Decreto presidencial

Reduzir e restabelecer (reduzir e aumentar até o máximo previsto em lei)

Art. 177, §4º, I, b

ICMS-monofásico

Convênio (deliberação de Governadores)

Definir (reduzir ou aumentar)

Art. 155, §4º, IV.

Frise-se: instituição de tributo, alteração de sua base de cálculo, contribuintes, etc somente por lei. As exceções acima enumeradas tratam apenas da interferência do Poder Executivo na ALÍQUOTA.

II – Princípio da Igualdade (Isonomia): art. 150, II, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;

O supracitado dispositivo está em consonância com o disposto no art. 5º, caput, CF, que determina “todos são iguais perante a lei”. De certo que os entes federados não podem estabelecer tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Também está expressamente proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função exercida pelo contribuinte. Por isso, não se pode permitir que a lei estabeleça um Imposto de Renda (IR) mais oneroso para os médicos do que para os dentistas. Seria uma distinção em razão da profissão, vedada pelo referido princípio. Todos, médicos ou dentistas, que auferirem renda no mesmo patamar, estarão sujeitos à mesma tributação do IR.

Atenção: referido princípio não significa que o tratamento tributário deve ser idêntico para todos. Devemos interpretar através da denominada igualdade aristotélica, em tratar “igualmente os iguais e desigualmente os desiguais” 4 . Por essa razão, não fere o princípio da igualdade a concessão de incentivos regionais para desenvolvimento de áreas menos favorecidas ou, por exemplo, a concessão de isenções a pessoas portadoras de deficiência.

III – Princípio da Não surpresa (Irretroatividade e Anterioriedade): art. 150, III, CF

Para propiciar segurança jurídica, a Constituição determina que a lei não pode instituir tributos novos ou exigir aumento sobre fatos já ocorridos, como também não pode cobra-los imediatamente à instituição ou aumento

4 Para Aristóteles, a igualdade consistia em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. Esse pensamento não pretendeu disseminar o preconceito entre as diferenças, mas considera que já que essas diferenças existem que sejam tratadas como tais, com a finalidade de integrar a sociedade.

(art. 150, III, alíneas “a”, “b” e “c”, CF). Assim, para que o contribuinte possa efetuar um planejamento para arcar com maior carga tributária a que está sujeito, a CF assegura os princípios da irretroatividade e da anterioridade, conforme se passa a expor:

III.1 – Princípio da Irretroatividade Tributária: art. 150, III, “a”, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver

instituído ou aumentado;

Nos termos do art. 5º, XXXVI, CF, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa

julgada”. Por isso, a regra é a irretroatividade da lei. A CF determina, sem exceção, que a cobrança de tributos novos ou seu aumento deve ser feita com fundamento em lei prévia, ou seja, já existente (vigente). Não pode uma lei nova retroagir para albergar fatos já ocorridos, onerando o contribuinte sobre situações ocorridas no passado.

Para instituir ou aumentar tributos, a lei nunca retroage. Vale registrar que a lei somente retroagirá na área tributária no caso de ser meramente interpretativa, ou na hipótese de prever uma MULTA tributária menor (retroatividade benigna), conforme determina o art. 106 do CTN. Perceba que em ambas as hipóteses excepcionais o CTN não está tratando de instituição ou majoração do tributo. Por isso, referido art. 106 não excetua o art. 150, III, a, CF, mas soma-se a ele. No caso de redução ou extinção de tributo, não há vedação para a retroatividade.

Vale registrar que, quanto ao Imposto de Renda, o STF entendeu que a lei aplicável é aquela vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração, conforme súmula 584 a seguir transcrita:

Sumula 584 (STF) “Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.”

Resumidamente, temos a seguinte situação sobre a irretroatividade da lei tributária:

Tributo (instituição ou aumento)

Proibido retroagir [princípio da irretroatividade – art. 150, III, CF]

Tributo (extinção ou redução)

Pode retroagir (facultativo) [se a lei for expressa, pois se trata de benefício fiscal – art. 150, §5º, CF]

Multa (instituição ou aumento)

Proibido retroagir [art. 5º, XXXVI, CF]

Multa (extinção ou redução)

Deve retroagir (obrigatório) [retroatividade benigna – art. 106, CTN]

Lei interpretativa

Deve retroagir (obrigatório) [não instituiu ou aumenta tributo e multa]

III.2 – Princípio da Anterioridade do Exercício Seguinte: art. 150, III, “b”, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

Para assegurar que o contribuinte se prepare para o pagamento de novo tributo ou aumento, a CF determina que, em regra, a lei tenha efeitos (eficácia) somente no exercício financeiro seguinte ao que foi publicada. No Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil, ou seja, cada exercício financeiro inicia no dia 1º de

janeiro e termina em 31 de dezembro do mesmo ano. Há exceções à aplicação deste princípio para alguns tributos, conforme o quadro resumido colado no final do próximo tópico.

III.3 – Princípio da Anterioridade Nonagesimal: art. 150, III, “c”, CF e art. 195, § 6º, CF

Referido princípio também admite as seguintes denominações pela doutrina, além da expressão “Anterioridade Nonagesimal”: Garantia Nonagesimal, Espera Nonagesimal, Anterioridade Mínima, Noventena, Nonintídeo etc.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de

Até o ano de 2003 não existia a supracitada regra no art. 150, III, da CF. Bastava, portanto, a “virada” do ano (art. 150, III, b, CF) para que o tributo novo ou aumento pudesse ser cobrado. A espera de 90 (dias) somente era aplicada às contribuições da Seguridade Social, que não precisavam aguardar a “virada” do ano (art. 195, §6, CF):

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

§ 6º - As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após

) (

decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b".

Contudo, muitos tributos vinham sendo aumentados no final do mês de dezembro. Assim, bastava virar o ano para que pudessem ser cobrados. De certo que essa situação surpreendia os contribuintes com uma repentina carga tributária maior. Para evitar esta situação, a CF foi emendada (EC 42/2003) para garantir que a cobrança não fosse feita antes de decorrer no mínimo 90 dias da publicação da lei, fazendo incluir no art. 150, III, a supracitada alínea “c”.

Entretanto, o princípio da anterioridade, tanto do exercício seguinte, quanto da espera nonagesimal, sofrem diversas exceções pela CF. Abaixo, o resumo no quadro explicativo, conforme a interpretação da CF nos arts. 150, §1º (II, IE, IOF, IEG, IPI, IR, base do IPVA e do IPTU); 148, I (Empréstimo Compulsório para Despesa de Guerra/Calamidade); art. 155, §4º, IV, c (ICMS-monofásico) e art. 177, §4º, I, b (CIDE-combustíveis).

EXCEÇÕES À ANTERIORIDADE

 

Imediatamente (exceção ao Exercício seguinte e Nonagesimal)

Só 90 dias (exceção ao Exercício seguinte)

Só exercício seguinte (exceção à Nonagesimal)

II, IE, IOF

IPI Contr. Seguridade Social

IR

IEG

Emp. Comp. Guerra/ Calamidade

Restabelecer alíquota ICMS-monofásico Restabelecer alíquota CIDE-combustíveis

Base de cálculo IPVA Base de cálculo IPTU

Para os demais tributos não há exceção, ou seja, deve-se observar tanto a “virada do ano” (Anterioridade do Exercício seguinte) quanto o mínimo de 90 dias (anterioridade Nonagesimal). É o caso das taxas, contribuições de melhoria, Emp. Comp. Investimento, ITR, IGF, IResiduais, ITCD, ITBI, ISS, Contribuições Sociais gerais, Contribuições Específicas do Regime Próprio de Previdência (dos servidores públicos), Contribuições Corporativas, etc.

Registra-se que se o tributo for criado ou aumentado por MP, a anterioridade do exercício seguinte e noventena contam da publicação daquela. Se for especificamente IMPOSTO, a noventena conta da publicação, mas o exercício seguinte conta da conversão da MP em lei, conforme determina o art. 62, §2º da CF:

§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)

Exemplos:

MP publicada em 19/12/2005, aumentando o IR, convertida em lei em 30/12/2005, o aumento já poderá valer em 01/01/2006, já que a noventena não se aplicado ao IR. Mas se a conversão for em 03/01/2006, o aumento só valerá em 2007.

MP publicada em 19/12/2005, aumentando o ITR, convertida em lei em 30/12/2005, o aumento já poderá ser em 2006, mas deverá ser a partir de 19/03/2006, em razão da noventena (que é sempre contada da publicação). Mas se a conversão for em 03/01/2006, o aumento só valerá em 2007.

MP publicada em 19/12/2005 aumentando o IPI, basta aguardar 90 dias

seja, pode ser cobrado a

partir de 19/03/2006. Não importa se a conversão ocorra em 2005 ou em 2006, já que ao IPI não se aplica a anterioridade do exercício seguinte.

ou

Importante registrar que a revogação de isenção não equivale à criação de tributo novo e, por isso, não há que se falar em aplicação da anterioridade. A propósito, já decidiu o STF:

STF: “Revogada a isenção, o tributo torna-se imediatamente exigível. Em caso assim, não há que se observar o princípio da anterioridade, dado que o tributo já é existente." (RE 204.062, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 27-9-96, DJ de 19-12-96)

Por fim, também não está submetido à legalidade, nem à anterioridade, a fixação do vencimento (data) para pagar o tributo. Assim, basta uma norma do Executivo (um decreto, por exemplo), que tem aplicação imediata, conforme já decidido pelo STF:

STF: “ICMS. Minas Gerais. Decretos n.s 30.087/89 e 32.535/91, que anteciparam o dia de recolhimento do tributo e determinaram a incidência de correção monetária a partir de então. Alegada ofensa aos princípios da legalidade, da anterioridade e da não-cumulatividade. Improcedência da alegação, tendo em vista não se encontrar sob o princípio da legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária.” (RE 195.218, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 28-5-02, DJ de 2-8-02)

IV - Princípio do Não confisco (Vedação de tributo confiscatório): art. 150, IV, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

Referido princípio é categórico ao garantir que o tributo, ao ser instituído, não poderá ser excessivamente oneroso, a ponto de destruir a sua própria fonte ou para absorver (expropriar), total ou quase totalmente, o patrimônio do contribuinte. Assim, a tributação deve ter um limite “razoável”. De certo que é muito difícil delinear até que ponto o tributo não seria confiscatório. Por isso, somente em cada caso concreto é possível avaliar referido efeito. Há duas formas de se verificar o não confisco: em cada tributo em si ou na carga tributária globalmente considerada (conjunto de tributos incidentes sobre determinado contribuinte). Esta última forma foi efetuada pelo STF no reconhecimento da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária dos servidores públicos federais no absurdo patamar de 25%.

STF: “A proibição constitucional do confisco em matéria tributária nada mais representa senão a interdição, pela Carta Política, de qualquer pretensão governamental que possa conduzir, no campo da fiscalidade, à injusta apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrimônio ou dos rendimentos dos contribuintes, comprometendo- lhes, pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a uma existência digna, ou a prática de atividade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais (educação, saúde e habitação, por exemplo). A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade de que dispõe o contribuinte — considerado o montante de

sua riqueza (renda e capital) — para suportar e sofrer a incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à mesma pessoa política que os houver instituído (a União Federal, no caso), condicionando-se, ainda, a aferição do grau de insuportabilidade econômico-financeira, à observância, pelo

legislador, de padrões de razoabilidade destinados a neutralizar excessos de ordem fiscal eventualmente praticados

pelo Poder Público ( (ADC 8-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13-10-99, DJ de 4-4-03)

).”

Demais disso, importante ressaltar que segundo a letra da CF o referido princípio aplica-se somente aos tributos. Mas para o STF, também aplica o não-confisco às multas tributárias, para que as mesmas não sejam desproporcionais à infração.

V - Princípio da Liberdade de Tráfego: art. 150, V, CF

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

Pelo referido princípio conclui-se que o tributo não pode obstaculizar o direito de livre circulação (tráfego) de pessoas e bens. Mas há uma exceção: o pedágio-taxa, que pode limitar o tráfego. Sobre o tema, decidiu o STF:

Súmula 323 (STF): é inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”

STF: Tributário. Pedágio. Lei n. 7.712, de 22/12/88. Pedágio: natureza jurídica: taxa: CF, art. 145, II, art. 150, V. Legitimidade constitucional do pedágio instituído pela Lei n. 7.712, de 1988.” (RE 181.475, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 4-5-99, DJ de 25-6-99)

VI – Princípio da Uniformidade Geográfica: art. 151, I, CF

Art. 151. É vedado à União:

I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

Pelo referido princípio, pode-se concluir que a União deverá criar seus tributos uniformemente, sem favorecimento a Estado, DF ou Município, em desfavor de outro. Tal regra decorre do Princípio Federativo, assegurando equilíbrio entre os entes federativos. E é exatamente em função deste equilíbrio que se admite a concessão de incentivos fiscais visando o desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do país.

VII – Princípio da Vedação de Isenção Heterônoma (Heterotópica): art. 151, III, CF

Art. 151. É vedado à União:

III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

A isenção é conceituada pelo STF como dispensa de pagamento de tributo. Pela autonomia dos entes federativos (Princípio Federativo), conclui-se que a isenção somente poderá ser concedida por aquele que detém a respectiva competência tributária de instituir. Assim, a isenção deve ser “homônima”, ou seja, o mesmo ente que cria o tributo é o competente para isentá-lo. Não se permite isenção “heterônoma” ou também denominada “heterotópica”, porque um ente diferente do competente para instituir tributo não pode isentá-lo.

determinam os arts. 155, §2º, XII, “e” (ICMS) e art. 156, §3º, II (ISS), ambos da CF. A primeira hipótese (isenção pela União de ICMS na exportação) perdeu completamente o sentido com a edição da EC 42/2003, porquanto por meio desta Emenda todas as exportações estão IMUNES ao ICMS, na atual redação do art. 155, §2º, X, “a” da CF. E imunidade não se confunde com isenção, considerando que, dentre outras diferenças, aquela decorre diretamente da CF e esta decorre da lei.

Por fim, registra-se a possibilidade de Tratados Internacionais concederem isenção de tributo estadual (ICMS). O STF entendeu que nesta hipótese o Presidente está agindo em nome do país (República Federativa), e não em nome da União, já que está vedada a isenção heterônoma. Confira-se:

STF: “(

Isenção de tributo estadual prevista em tratado internacional firmado pela República Federativa do

Brasil. Artigo 151, inciso III, da Constituição da República. Artigo 98 do Código Tributário Nacional. Não

A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de

Tarifas e Comércio para as mercadorias importadas dos países signatários quando o similar nacional

tiver o mesmo benefício foi recepcionada pela Constituição da República de 1988. O artigo 98 do Código Tributário Nacional ‘possui caráter nacional, com eficácia para a União, os Estados e os

Municípios’ (voto do eminente Ministro Ilmar Galvão). No direito internacional apenas a República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da Constituição da República), dela não dispondo a União, os Estados-membros ou os Municípios. O Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a

existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, inc. III, da Constituição.( (RE

229.096, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 14-12-08, DJE de 11-4-08.)

caracterização de isenção heterônoma. (

)

Recepção pela Constituição da República de 1988 do acordo geral de tarifas e comércio.

)

)”

VIII – Princípio da Não discriminação: art. 152, CF

Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

Referido princípio decorre do Princípio da Igualdade, já que expressamente veda a discriminação de bens e serviços, em razão da origem (procedência) ou destino, pelos Estados, DF e Municípios. Assim, não poderia o Estado de Minas Gerais instituir por lei uma alíquota de 18% para o café de procedência de Manhuaçu e de 20% para o mesmo produto de procedência de Ervália 5 . Se o produto é o mesmo, a tributação deverá ser a mesma dentro do Estado. Isso seria uma discriminação em razão da origem, vedada pela CF pelo princípio em epígrafe. Abaixo, algumas decisões do STF sobre indigitado princípio.

STF: "A concessão de benefício fiscal às operações com farinha de trigo e mistura pré-preparada de farinha de trigo, nos termos do art. 422, § 3º, do Capítulo LIV da Parte 1 do Anexo IX do RICMS/MG, introduzido pelo Decreto 43.891/2004, não viola a proibição de outorga de tratamento diferenciado a bens e mercadorias, em função da origem ou destino, à medida que for aplicado indistintamente às operações com mercadorias provenientes do Estado de Minas Gerais e às mercadorias provenientes dos demais Estados." (ADI 3.410, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 22-11-06, DJ de 8-6-07)

STF: "No mérito, a vedação constitucional de tratamento desigual a contribuintes que estão em situação equivalente não foi observada pelo legislador estadual, ao editar a lei ora atacada. Um exame mais aprofundado, após o deferimento da medida liminar, revela não ser possível, no universo dos proprietários de veículos destinados ao transporte escolar, que somente os filiados a determinada cooperativa alcancem a isenção do IPVA. Acerca do princípio da isonomia a que se refere o artigo 152, da Constituição Federal, e da observância a ele devida, bem resumiu os termos de sua abrangência Sacha Calmon Navarro, ao explicitar que 'o princípio da igualdade da tributação impõe ao legislador 'não discriminar entre os iguais, que devem ser tratados igualmente'." (ADI 1.655, voto do Min. Maurício Corrêa, julgamento em 3-3-04, DJ de 2-4-04)

IX – Princípio da Capacidade contributiva (econômica): art. 145, §1º, CF

§ 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

Pela letra expressa da CF, referido princípio só é aplicável aos impostos, não sendo para demais tributos. Contudo, o STF, em diversos julgamentos, aplica referido princípio a outras espécies tributárias.

A regra deste princípio é simples e deriva da Igualdade: quem tem mais pode contribuir mais. Por isso, os

impostos, que são tributos de fato gerador não vinculado à atuação estatal, ou seja, incidem sobre situações do

contribuinte, deverão ser instituídos na proporção de sua capacidade. Esta capacidade econômica do contribuinte é aferida principalmente nos impostos pessoais, como é o caso do IR. Exemplo disso é o IR devido pela pessoa física (IRPF), cujas alíquotas são 15% e 27,5%, na proporção da renda percebida.

X – Princípio da Progressividade

A progressividade significa que o imposto poderá apresentar uma maior onerosidade, ou seja, poderá ter

alíquotas que se elevam em função de determinada circunstância. Referido princípio decorre do anterior (Capacidade Contributiva) e é evidentemente aplicável nos impostos pessoais, como é o caso do IR (art. 145, §1º e art. 153, §2º, I, ambos da CF). Para os impostos reais, o STF tem atualmente entendido que somente pode haver progressividade se expressamente autorizado pela CF. É o caso do ITR (art. 153, § 4º, I, CF) e do IPTU (art. 156, §1º, I e art. 182, §4º, II, ambos da CF).

A progressividade pode ser:

FISCAL: alíquota varia em razão do aumento da base de cálculo: IR (art. 153, §2º, I, CF) e IPTU (art. 156, §1º, I). Assim, maior renda, maior alíquota do IR. Na propriedade urbana mais valiosa, maior alíquota do IPTU. Quem tem mais, paga mais.

EXTRAFISCAL: alíquota em razão do princípio da função social da propriedade (art. 5º, XXIII, CF). Isto significa que a CF tem por objetivo não a mera arrecadação, mas a regulação da propriedade, de forma a desestimular que ela seja improdutiva (rural) ou que ela não seja suficientemente utilizada (urbana), independentemente do valor do imóvel. Isto ocorre no ITR (art. 153, § 4º, I, CF) e no IPTU (art. 156, §1º, I, CF). Assim, uma propriedade rural produtiva, ainda que mais valiosa, pagará proporcionalmente menos ITR que uma propriedade rural improdutiva menor avaliada.

Assim, atualmente, o IPTU apresenta duas progressividades, podendo sua alíquota aumentar na proporção do valor do imóvel, bem como no grau de sua utilização. Contudo, até o ano de 2000, o IPTU não poderia ter alíquota progressiva em função do valor do imóvel, pois esta permissão só veio com a EC 29/2000, que alterou o referido art. 156, §1º, I, CF. Por esse motivo, o STF editou a seguinte Súmula:

Súmula 668 do STF: "É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido, antes da Emenda Constitucional nº 29/2000, alíquotas progressivas para o IPTU, salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana."

Lado outro, a progressividade extrafiscal, apesar de prevista na redação original da CF/88, o STF entende que a lei municipal somente poderia estabelece-la após 2001, com o advento do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001). Confira-se o resumo (ementa) da decisão do STF:

STF: “A cobrança do IPTU progressivo para fins extrafiscais, hipótese prevista no artigo 182, § 4º, inciso II, da CB/88, somente se tornou possível a partir da edição da Lei n. 10.257/01 [Estatuto da Cidade]. (RE-AgR 338589/ES, Rel. Min. Eros Grau, DJ 24/06/2008).

Também é importante relembrar que, conforme já explicitado anteriormente, os demais impostos reais (ITBI, ITCD etc) não podem ser progressivos, porque não há autorização constitucional para tanto. Assim, o STF editou a seguinte Súmula, cujo fundamento também é aplicável ao ITCD

Súmula 656 do STF: “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o imposto de transmissão inter vivos de bens imóveis - ITBI com base no valor venal do imóvel.” 6 :

Atenção redobrada para não confundir alíquotas progressivas com alíquotas diferenciadas. Alíquotas diferenciadas não são alíquotas onerosas, não impõe uma tributação maior, mas apenas variam em razão do objeto tributável, independentemente de seu valor. No IPVA, a diferenciação ocorre tanto em razão do tipo de veículo (2% moto e 4% automóveis) quanto em função de sua utilização (1% moto para aluguel e 2% automóvel para transporte escolar), conforme expresso no art. 155, §6º, II, CF. A propósito, já decidiu o STF:

STF: “IPVA. Lei estadual. Alíquotas diferenciadas em razão do tipo do veículo. Os Estados-membros estão legitimados a editar normas gerais referentes ao IPVA, no exercício da competência concorrente prevista no artigo 24, § 3º, da Constituição do Brasil. Não há tributo progressivo quando as alíquotas são diferenciadas segundo critérios que não levam em consideração a capacidade contributiva.” (RE 414.259-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 24-6-08, DJE de 15-8-08)

XI – Princípio da Seletividade

Determina que a tributação seja menos onerosa para produtos essenciais (alimentação, vestuário, medicamentos, etc) e mais onerosa para produtos supérfluos ou prejudiciais (perfume, cigarros, etc). A seletividade ocorre de forma obrigatória no IPI, que “será seletivo” (art. 153, §3º, I, CF) e facultativa (indicativa) no ICMS, que “poder ser seletivo” (art. 155, §2º, III, CF).

XII – Princípio da Não-cumulatividade

Os denominados tributos indiretos que incidem em etapas sucessivas, nos quais há transferência do ônus financeiro da carga tributária para o preço do produto ou serviço, temos uma onerosidade que se acumula a cada operação. Essa cumulatividade também é conhecida como “efeito cascata”. A CF, visando evitar essa cumulação, determinou expressamente que no IPI (art. 153, §3º, II, CF) e no ICMS (art. 155, §2º, I, CF) o imposto devido na etapa anterior seja compensado (abatido) do imposto a ser pago na etapa seguinte. Mesma regra é encontrada nos Impostos Residuais e Contribuições da Seguridade Social Residuais, que se forem instituídos pela União também deverão ser não-cumulativos (art. 154, I, e art. 195, §4º, CF). Assim, a não- cumulatividade é obrigatória para IPI, ICMS, Impostos Residuais, C.S.Seguridade Social Residuais.

Por outro lado, nas Contribuições Sociais de Seguridade Social sobre receitas (PIS e COFINS) e do importador (PIS e COFINS/IMPORTAÇÃO), a CF determina no art. 195, §12, que a lei determinará quais atividades econômicas elas serão não-cumulativas.

Exemplo prático da não-cumulatividade: um comerciante que adquire uma geladeira por R$ 1.000,00, na alíquota de 18%, receberá na nota fiscal o valor de R$ 180,00 discriminado como ICMS devido pelo fabricante. Ao vender referida geladeira por R$1.500,00, também com a alíquota de 18%, deverá pagar R$ 270,00 de ICMS. Contudo, pelo princípio da não-cumulatividade, o comerciante pagará somente R$ 90,00 aos cofres públicos do Estado, referente à diferença entre o imposto devido e o crédito compensado (R$ 270,00 – R$ 180,00 = R$ 90,00).

2.2 – IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS

As imunidades tributárias são regras de não incidência expressas no texto da CF, proibindo a tributação em determinada situação. As principais imunidades estão relacionadas no art. 150, VI, ‘a’, ‘b’, ‘c’, e ‘d’, CF e são denominadas imunidades GENÉRICAS de impostos.

6 Esta interpretação do STF pela não progressividade do ITBI e do ITCD começou a ser drasticamente alterada no julgamento do Recurso

Extraordinário (RE) 562045. Em 17/09/2008, quatro Ministros haviam admitido a progressividade e, portanto, se pronunciaram pelo provimento do RE, enquanto um, o ministro Ricardo Lewandowski, apresentou voto pelo não-provimento. O julgamento foi interrompido pelo pedido de “vista” do Ministro Carlos Ayres Britto. Apesar disso, ainda faltam os votos dos demais Ministros, e, por isso, vale a orientação da referida Súmula enquanto este julgamento não for finalizado em sentido oposto.

Mas também temos outras imunidades dispersas no texto constitucional, inclusive em Capítulo diverso do Sistema Tributário Nacional, conforme se passa a expor. Abaixo, um quadro ilustrativo com as referidas imunidades:

IMUNIDADES GENÉRICAS – todas no art. 150, VI

Espécie

Norma na CF

Nome

Situação

Impostos

art. 150, VI, a

Recíproca

U, E, DF, M Autarquias e fundações

(subjetiva)

Imunes em relação a impostos sobre Patrimônio (IPTU, ITR, IPVA), Renda (IR) e Serviço (ICMS e ISS) vinculados às finalidades essenciais (§2º)

STF: também imunes a impostos indiretos sobre Patrimônio, Renda e Serviços (IPI, ICMS, II, IE, IOF, etc).

STF: também estão imunes as Sociedades de Economia Mista e Empresa Pública prestadoras de serviço público (§3º)

STF: mesmo que alugado o imóvel, permanece imune

Impostos

art. 150, VI, b

Religiosa

Templos de qualquer culto, sem discriminação,

(subjetiva)

Imunes em relação a impostos sobre Patrimônio (IPTU, ITR, IPVA), Renda (IR) e Serviços (ICMS e ISS) relacionados às finalidades essenciais (§4º)

STF: também imunes a impostos indiretos sobre Patrimônio, Renda e Serviços (IPI, ICMS, II, IE, IOF, etc).

STF: mesmo que alugado o imóvel, permanece imune.

STF: a casa paroquial também está imune.

Impostos

art. 150, VI, c

Entidades

Partidos Políticos e suas fundações Sindicados de Trabalhadores Entidades de Assistência Social Entidades de Educação

Imunes em relação a impostos sobre Patrimônio (IPTU, ITR, IPVA), Renda (IR) e Serviços (ICMS e ISS) relacionados às finalidades essenciais (§4º)

(subjetiva)

Mas esta imunidade está subordinada ao cumprimento de requisitos em lei complementar 7 (art. 14 do CTN).

STF: também imunes a impostos indiretos sobre Patrimônio, Renda e Serviços (IPI, ICMS, II, IE, IOF, etc).

STF: mesmo que alugado o imóvel, permanece imune.

7 A CF, no art. 150, VI, c, exige apenas “lei”. Mas os requisitos devem ser estabelecidos por lei complementar, tendo em vista que as imunidades são limitações ao poder de tributar e, por isso, são reguladas por lei complementar, nos termos do art. 146, II, CF. São, portanto, inconstitucionais eventuais requisitos estabelecidos por lei ordinária, dada a reserva da matéria pela CF.

Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem
Súmula 730 do STF “ A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem

Súmula 730 do STF “A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver

contribuição dos beneficiários. (26/11/03)

não houver contribuição dos beneficiários . (26/11/03) Súmula 724 do STF “ Ainda quando alugado a

Súmula 724 do STF “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. (26/11/00)

Impostos

art. 150, VI, d

Cultural

Livros, jornais e periódicos (e papel destinado à impressão)

(objetiva)

Imune de ICMS, IPI, II, IE, etc.

Esta imunidade é do “objeto”, por isso a pessoa do editor (Física ou Jurídica) não está imune de IR, IPTU, etc.

STF: também imunes álbum de figurinhas, lista telefônica, etc (vedada a discriminação do conteúdo).

STF: a tinta utilizada na confecção de livros, etc, não está imune.

Súmula 657 do STF “A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. (24/09/03)

IMUNIDADES ESPECÍFICAS

Espécie

Taxa

Taxa

Taxa

Taxa

Taxa

Contribuição Social e CIDE

Contribuição Social para a Seguridade

Norma na CF

Art. 5º, XXXIV

Art. 5º, LXXIII,

LXXVII

Art. 5º, LXXIV

Art. 5º, LXXVI

Art. 206, IV

Art. 149, § 2º, I

Art. 195, II

Situação

Exercício do direito de petição e obtenção de certidões junto ao Poder Público

Relativa à ação popular, habeas corpus e habeas data

Relativa aos serviços de defensoria pública e jurisdicional às pessoas sem suficientes recursos para custear advogado ou despesas do processo.

Registro de nascimento e certidão de óbito para pobres.

Ensino público em estabelecimentos oficiais, inclusive ensino superior

Súmula Vinculante nº 12 do STF: “a cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal”.

Receitas decorrentes de exportação

Aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social (RGPS). Aos aposentados e pensionistas do serviço público (Regime Próprio), esta imunidade apresenta o mesmo teto estabelecido pelo RGPS (art. 40, § 18, ADIn 3105 e 3128). Acima deste limite poderá incidir a contribuição. Aos portadores de doença incapacitante, a imunidade será até o dobro do limite máximo estabelecido para o RGPS (art. 40, § 21, abaixo

Contribuição Social para a Seguridade CPMF ITR IPI IPI ICMS e IPI II e IE

Contribuição Social para a Seguridade

CPMF

ITR

IPI

IPI

ICMS e IPI II e IE

ICMS

ICMS

ICMS

ITBI

ITBI

ISS

Tributos (Exemplo: ITBI, IR sobre eventual ganho, IOF sobre resgate de título)

ITBI, IR sobre eventual ganho, IOF sobre resgate de título) descrito). § 21. A contribuição prevista

descrito).

§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença incapacitante. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)

 

Entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (para o STF esses requisitos devem estar em lei complementar)

Art. 195, §7º

Súmula 730 do STF “A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. (26/11/03)

Art. 85 ADCT

Diversas operações financeiras ligadas a operações no mercado de capitais

 

Pequenas glebas rurais:

1)

Dimensões previstas em lei (Lei nº 9.393/96):

100 ha, se Amazônia Ocidental e Pantanal

Art. 153, §4º, II

50 ha, se Amazônia Oriental e Polígono das Secas

30 ha, se outra localidade. Exploração do imóvel pelo proprietário Proprietário não possua outro imóvel

2)

3)

Art. 153, §3º, III

Produtos industrializados destinados ao exterior

Art. 155, §3º

Operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (incide somente:

ICMS, II e IE)

Art. 153, §5º.

Ouro como ativo financeiro ou instrumento cambial (incide só o IOF)

Art. 155, §2º, X, a

Art. 155, §2º, X, b

Art. 155, §2º, X, d

Art. 156, II

Art. 156, §2º

Art. 156, §3º, II

Art. 184, §5o.

Operações que destinem mercadorias ao exterior e serviços prestados a destinatário no exterior.

Operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica

Serviços de comunicação gratuita (radiodifusão sonora e se sons e imagens de recepção livre).

Transmissão de direitos reais de garantia (penhor, hipoteca e anticrese)

Transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica (mas incide ITBI se pessoa jurídica adquirente tiver atividade imobiliária)

Exportação de serviços para o exterior (polêmica se seria uma “isenção

heterônoma”).

Operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária

3 - REPARTIÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS

A repartição de receitas entre os entes federados não interfere ou altera a competência tributária. Está

regulamentada entre os arts. 157 e 162 da CF, bem como no art. 153, §5º, da CF. Trata-se de mera participação dos Municípios na arrecadação dos Estados com o ICMS e IPVA, bem como dos Municípios, Estados

e DF na arrecadação de alguns tributos da União (IR, IPI, IOF, ITR, IResiduais, e CIDE-combustível). Diante disso, podemos concluir:

* Não sofrem repartição do produto da arrecadação:

a) todos os impostos municipais (IPTU, ITBI e ISS) = a repartição somente é efetivada dos entes federados

maiores para os menores.

b) todos os impostos instituídos e arrecadados pelo DF, já que ele não pode ser dividido em Municípios.

c) o imposto estadual sobre transmissão causa mortis e doações (ITCD).

d) os impostos federais de importação, exportação, sobre grandes fortunas e extraordinários de guerra (II, IE,

IGF, IEG).

* Participações diretas:

a) aos Estados e DF pertencem:

a1) O IR incidente na fonte sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas fundações públicas e autarquias; a2) impostos residuais (20%). a3) IOF sobre o ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial (30%) – art. 153, §5º, I. a4) CIDE- combustíveis (29%).

b) aos Municípios pertencem:

b1) O IR incidente na fonte sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas fundações públicas e autarquias; b2) ITR (50%, caso fiscalizado e cobrado pela União; 100%, caso o Município opte por fiscalizar e cobrar). b3) IOF sobre o ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial (70%), – art. 153, §5º, I. b4) IPVA (50%) b5) ICMS (25%) b6) CIDE-combustíveis (25% do que a União entregar ao Estado em que se situe o Município.

*Participações Indiretas (efetivadas por meio fundos).

* 48% do IR (excluída a parcela pertencente a Estados, DF e Municípios pelo IR-fonte) e IPI:

-

21,5% para Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal;

-

22,5% para Fundo de Participação dos Municípios;

-

1% para Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano (incluída alínea “d” no inciso I do art. 159 da CF/88 pela EC 55/2007);

-

3% para programas de financiamento do setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro- Oeste;

-

* 10% do IPI:

- Fundo compensatório de exportações de produtos industrializados, a ser repassado aos Estados e DF, devendo cada Estado repassar 25% do recebido a seus Municípios.

Regras Específicas:

a) A participação dos Municípios na arrecadação do ITR refere-se aos imóveis rurais neles situados.

b) A participação dos Municípios na arrecadação do IPVA refere-se aos veículos automotores licenciados em seu território.

c) A participação dos Municípios na arrecadação do ICMS é assim dividida:

- ¾ no mínimo, proporcionalmente ao valor agregado no território do município.

- Restante (máximo de ¼) conforme o que dispuser a lei do Estado-membro.

d) Dos recursos para os programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que forem destinados à Região Nordeste, 50 % devem ser assegurados ao seu semi- árido.

e) A arrecadação da CIDE-combustíveis deve ser destinada ao pagamento de subsídios, financiamento de projetos ambientais e de programas de infra-estrutura de transportes (art. 177, § 4º, II da CF/88). Do total que cada Estado receber da CIDE-combustíveis, 25% cabem aos Municípios localizados em seu território.

Atenção:

A União e Estados poderão reter recursos quando o ente federado que os deveria receber possuir débitos para com eles ou para com suas autarquias (não inclui as fundações públicas), condicionando, pois, a entrega ao pagamento desses débitos.

O condicionamento do repasse à aplicação de recursos mínimos no financiamento da saúde pública.

A EC 44/2004 somente alterou o percentual de participação dos Estados e DF no produto da arrecadação da CIDE-combustíveis (DE 25% para 29%). Não alterou o percentual que cada Estado deverá repassar aos respectivos Municípios (continua 25%) 8

8 Nota ao aluno: dever cumprido: parabéns por ter conseguido chegar até o final!