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ORDEM DAS PALAVRAS E ORAÇÕES NO ENUNCIADO 1 PROFº: JOANA VIEIRA Frente: 03 Aula: 20
ORDEM DAS PALAVRAS E ORAÇÕES NO ENUNCIADO 1
PROFº: JOANA VIEIRA
Frente: 03
Aula: 20
GE170807
(AC/ CN)

A Estrutura da língua: Ordem e Efeitos de Sentido

(AC/ CN) A Estrutura da língua: Ordem e Efeitos de Sentido A famosa expressão ‘Não se

A famosa expressão ‘Não se deve pôr a carroça na frente dos bois” pode ser bem aproveitável se inserida no estudo das relações entre palavras. A ordem do enunciado e a organização que damos a ela é fundamental para o que se pode inferir a seu respeito. Lembram do famoso e inesquecível Brás Cubas, de Machado de Assis?

“(

)

é que não sou propriamente um autor defunto, mas um

defunto autor.”

Pois é, quanta diferença!

A sintaxe é a parte da língua portuguesa que estuda a relação

entre as palavras.Estudar a sintaxe de uma língua significa identificar as

maneiras como se associam as palavras para formar frases.Isso ocorre porque os enunciados da língua constituem unidades lingüísticas que possuem uma estrutura.

É por isso que não podemos formar enunciados simplesmente

juntando palavras de maneira totalmente aleatória, é necessário considerar, além da ordem, o espaço na morfologia, a pontuação e outros fatores gráficos. Vamos, através de alguns exemplos, compreender melhor o que quere dizer tais afirmações. Considere,

inicialmente, o enunciado seguinte:

Ontem, Eduardo comeu um doce de goiaba muito gostoso na casa de sua namorada.

Veja que é possível fazer algumas alterações na ordem dos termos constituintes desse enunciado.

na ordem dos termos constituintes desse enunciado. Podemos dizer, por exemplo: Essas modificações não

Podemos dizer, por exemplo:

constituintes desse enunciado. Podemos dizer, por exemplo: Essas modificações não esgotam as possibilidades de

Essas modificações não esgotam as possibilidades de modificações aceitáveis na ordem dos termos do enunciado. Podemos explorar outras ordens possíveis. Mas o que queremos que você perceba, agora, é que há modificações que são impossíveis e outras, alteram consideravelmente o sentido do enunciado. "De tudo ao meu amor serei atento/ Antes e com tal zelo e sempre e tanto/ Que mesmo em face do maior encanto/ Dele se encante mais meu pensamento." Você já deve ter lido essa estrofe de famoso poema de Vinícius de Moraes. Note o efeito de estilo que o poeta consegue ao inverter a ordem usual das palavras (em ordem direta, teríamos: Serei atento ao meu amor antes de tudo). No dia-a-dia, usando a linguagem apenas para a comunicação, tendemos a seguir a ordem direta de colocação, em que o sujeito antecede o verbo, e este, os complementos. Os substantivos costumam antepor-se aos adjetivos, uma vez que a estes cabe apenas caracterizá-los. Ao descrevermos alguém, podemos dizer que tem olhos verdes, dificilmente diremos que tem "verdes olhos". Se o fizermos, chamaremos a atenção do ouvinte para a forma, não apenas para o conteúdo do que dissemos. A expressão "verdes olhos" diz mais que a cor dos olhos de alguém; manifesta afeto, envolvimento, a impressão subjetiva causada pelo verde dos olhos. Será que você conhece esta frase: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? É claro que sim. Trata-se do começo do Hino Nacional Brasileiro. São treze palavras dispostas em ordem que não é a ordem natural em língua portuguesa. Temos aqui a figura do hipérbato. Na ordem direta, a frase ficaria assim:

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.

A inversão da ordem dos termos numa oração altera diretamente seu conteúdo semântico. Em fases como, De você eu gosto ou Eu gosto de você, as palavras são as mesmas, só a ordem se altera. Será que a primeira frase tem exatamente o mesmo sentido da segunda? Podemos convir que o sentido seja o mesmo, mas sabemos que ninguém coloca as palavras numa certa ordem por acaso.

Quando alguém diz "De você eu gosto", a ênfase recai no sintagma "de você". Essa inversão da ordem gera mudança de foco, mudança de luz. Note que "de você eu gosto" é diferente de "eu gosto de você" no que diz respeito àquilo que está sendo destacado: de você eu gosto, dela não.

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No português a ordem das palavras numa frase é relativamente flexível. A alteração da ordem tem normalmente algum efeito estilístico. Observe que, nas orações a seguir, os falantes empregam as mesmas palavras, porém combinadas de forma diferente:

A blusa azul é minha. Minha blusa é azul.

Ocorre que, a primeira frase pode ser utilizada em uma situação em que há várias blusas de cores diferentes e o falante quer

indicar ou destacar a sua. A segunda frase, provavelmente, é empregada para responder a uma pergunta (Que cor é sua blusa?).

E ainda:

- O homem nervoso chegou hoje.

- O homem chegou nervoso hoje.

Observe o termo destacado nas frases abaixo.

- O policial irritado deu uma advertência ao motorista.

- Irritado, o policial deu uma advertência ao motorista.

- O policial, irritado, deu uma advertência ao motorista.

Na primeira frase, o adjetivo individualiza ou aponta uma qualidade constante do sujeito: sugere-se que, dentre vários policiais, foi o policial irritado que deu a advertência. Nas duas outras frases, o adjetivo sugere o estado em que o policial estava no momento da ocorrência do fato. Perceba que não só o sentido sofre alterações como também a função sintética do termo: na primeira frase, irritado exerce a função de adjunto adnominal — exprime uma característica constante — nas duas outras é predicativo do sujeito — expressa uma característica casual, aparente, nova. Leia:

O

detetive observava, do escritório, todo o movimento dos funcionários

O

detetive do escritório observava todo o movimento dos funcionários.

Observe como muda a função sintática também no caso abaixo:

O funcionário da fábrica saiu (Adjunto adnominal)

O funcionário saiu da fábrica (adjunto adverbial)

Na primeira frase o termo refere-se a um funcionário que trabalha na fábrica. Na segunda, refere-se a um funcionário que saiu e que pode ou não ser trabalhador da fábrica.

Sintaxe: linearidade da fala; não linearidade da língua

Toda língua possui normas para estruturar os enunciados: as palavras organizam-se para formar frases, orações, períodos. A essa organização chama-se sintaxe. Embora, ao falar e escrever, uma palavra siga a outra, a estruturação dos enunciados não respeita necessariamente essa ordem.

Exemplo:

“Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso lhe contar uma importante.” José J. Veiga Observe alguns detalhes da sintaxe da frase:

• Embora o advérbio sempre esteja ao lado do pronome você, ele relaciona-se ao verbo perguntar, ao qual acrescenta uma

circunstância;

• Embora não estejam lado a lado, o pronome você relaciona-se ao verbo perguntar, do qual é o sujeito;

• O pronome lhe retoma o destinatário, designado pelo pronome de tratamento você, da primeira oração;

• A expressão uma importante não apresenta o substantivo novidade, que já fora expresso na primeira oração e está subentendido na segunda.

Ordem dos termos da oração (ordem inversa; “mobilidade” de alguns termos da oração)

As orações em português têm uma ordem considerada “normal”, que seria a ordem direta dos termos; e outra, que rompe com a seqüência dos termos, e é chamada de ordem inversa. São características da ordem direta:

• Seqüencia: sujeito – verbo – complementos verbais – adjuntos adverbiais

• Adjuntos e complementos nominais ao lado do nome a que se referem

• Predicativo do sujeito no fim da frase

• Aposto ao lado do termo a que se refere

As relações sintáticas são responsáveis por certa “mobilidade” das expressões dentro das frases. Assim, um adjunto adverbial (uma circunstância que se relaciona ao verbo da oração) pode ser colocado no início da frase, no interior da frase (e não no fim). Deve-se sempre ter o cuidado, no entanto, de não inverter os termos de tal modo que a frase se torne ambígua. Exemplo: em “Matou o marido Maria.“ não se sabe exatamente a quem atribuir a ação de matar.