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ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011

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editorial

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editorial 4 4 expediente ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 www.revistaideanews.com.br ANO 11
expediente ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 www.revistaideanews.com.br ANO 11 - NÚMERO 133

expediente

ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 www.revistaideanews.com.br
ANO 11 - NÚMERO 133 - NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011
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ANO 11 - NÚMERO 133

expediente

Ricardo Pinto “Exemplos movem mais do que as palavras.” Ditado latino “O sucesso tem muitos pais,

Ricardo Pinto

“Exemplos movem mais do que as palavras.” Ditado latino “O sucesso tem muitos pais, mas o
“Exemplos movem mais do que as palavras.”
Ditado latino
“O sucesso tem muitos pais, mas o fracasso
é órfão.”
John Fitzgerald Kennedy
“O estado
da sua vida
nada
mais é
do que
o reflexo do
estado da sua mente.”
Wayne Dyer
“Não tenha medo de dar o seu melhor naquilo
que parecem
ser pequenas tarefas. De cada vez que conquista
mais forte. Se faz os pequenos trabalhos bem,
uma, fica
os grandes
tendem a cuidar de si mesmos.”
Dale Carnegie
“O que se passa dentro, manifesta-se fora.”
Earl Nightingale

PROATIVIDADE

Um ventríloquo estava se apresentando na escola, rodeado de crianças , di zendo que

con ve r sav a c om os animais. N um c erto mom e nto , ao lado d a v a c a , o v entríloquo lhe pe rguntou:

  • - Com quem a s enhora faz amor?

Ele mesmo, com a v oz da vaca, r e spondeu:

NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011

  • - Muuuu, com o tour o, claro.

Depois e l e perguntou para a galinha:

ESPECIAL

  • - E a senhora, Dona galinha, com quem faz amor ? Do mesmo modo, com voz de galinha, ele respondeu:

Irrigação é sinônimo de cana hidratada e produtiva

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  • - Coc oricó, g ico que c om o galo.

FÓRUM

Em s e guida, che gou pe rto da cabra e tamb ém perguntou:

Quando o Brasil voltará a ser um grande

 
  • - E a s enhora, Dona cabra, com quem ...

exportador de etanol?

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Muit o rapidamente , o joão z inho, do fundo da turma , g ritou:

TECNOLOGIA INDUSTRIAL

t a

t e

  • - Sr. Ventríloquo , não acredite no que esta cabra diz , porque e la é muito mentirosa. De um a coisa não pod e mos acusar o esperto J o ã ozinho: de fa l - d e pr oa t ivida d e . El e pr ev iu o que pod i a lhe ac o nt e cer e rapidamen -

Construção e montagem de um campo energético chamado usina sucroalcooleira

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tomou a in i c i at i va, ant ec edendo-s e a uma s ituação que pod e ri a lhe

 
 

pr e judica r caso a cabra f a l a sse al go que não devia.

TECNOLOGIA AGRÍCOLA

Importância e funções dos micronutrientes

 

D e st a for ma , pod e mo s e ntender qu e proativid a de é a compet ê n -

da . Seu comportamento é fruto das deci es que toma e

não d a s condi ç õe s exter-

em cana

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c ia pessoal de saber agir ante c ipadamente para lidar c om uma espe r a - da dificuldade . Mas não significa somente t omar a in ic i a tiva, como mui -

 

Fardo a peso de ouro

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POR DENTRO DA USINA

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tos pensam. A fi nal, por si só , a iniciativa é uma reação e não uma ação. Quando adicionamos à iniciativa um questionam e nto positivo , al é m do plan e ja -

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GESTÃO

m e nto , aí s i m chegamos à proatividade.

Gestão de risco

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A pe s soa proativa assum e a responsabilidade que e la tem s obre su a própria v i -

DICAS E NOVIDADES

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nas. El a conse g ue subordinar seus sentimentos respon sa bilidade sufici e ntes p a ra faz e r c om q u e

aos se us v alor es, c om in ici at iva e a s co i s as ac o n teça m . Os proa tiv os

ATUALIDADES JURÍDICAS

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costumam ser determinados, ino v a d ores e ob s ti na do s , bus ca ndo a prender conti -

EXECUTIVO

nuamente com a vivência d ria e co m a troca de experiências com outras p e ssoas.

Vida marcada por pioneirismo e sonhos realizados

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No mundo corpor ati v o , muitos di z em que o funcionário proa - tivo constantement e pr oc u rad o pelas empresas , já que lhe s agre -

DROPES

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g a mui t o v alor - é aquel e qu e s emp r e “ se v ira ”, agindo rapidament e e c om in te l i ncia a pós t er iden ti f i c ado a ori gem de cada problem a . Assim , e l e semp r e

 

busca c ort a r

o mal pela raiz ”, mantendo - se ligado , s endo v e l oz e co lo ca ndo - se

d i sp onível. Co nt u d o , c ontrari a m e nte aos raros funcionários proativos, h á mui t os q ue s ã o reat ivos. Estes são complet a mente afe t ados pelo ambi e nte ao s eu re d o r. Levados por circunst â nc i as , sentim e ntos , estímulos e condiçõ es a mb i entais , sociais , físicas

e

psicológicas , eles costumam reagir co nsta nt e m e nte , f icando na defensiva.

a

É b o m s a b e r que a pro a tividade pod e ser desen v ol v ida. Basta que o can d i dato p roat i vo tre i n e s empre analisar o contex to das s itua ç õ e s qu e se a p rese nte m p ara

e l e , i dentifi ca ndo e seleci o nando alternativas p a ra elas , be m co m o i ma g inando

os

r e sultados de cada cenário v is l u m brado. O bv iam ent e, nunca há certeza de que os cenários im a gi na d os ocor r e r ão , mas co m o exercíci o constante do planejamento ,

as ch ances de suce sso v ã o c r esc endo .

 
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especial

especial Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a
especial Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a

Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a temperaturas variáveis. Em nós, humanos, promove sensação de relaxa - mento e bem estar, alívio de dores e até do estresse. Que a água é um líquido precioso todo mundo sabe. Imaginar o planeta sem água é tortura, algo angustiante. Se estamos com sede, ela é a única que resolve o problema. Plantas também têm sede e sua necessidade de água. A cana-de- -açúcar, por exemplo, adora uma aguinha fresca, ela é adepta da hidrocanaterapia! Neologismo à parte, quando a água não chega até a planta, é preciso levar a água até ela. Algo que a irrigação pode fazer, e muito bem. A cana-de-açúcar é uma planta semi-

-tropical perene e sensível as influências climáticas no decorrer do ano, ao contrá- rio de outras culturas. “Por este motivo, alcançamos uma melhor produção quan- do temos uma temperatura média anual em torno de 21°C, e como condições hí- dricas para o seu cultivo uma distribui - ção de água uniforme ao longo do ciclo vegetativo, e não com a precipitação total durante o ano”, explica Marcelo Pedrozo, engenheiro agrícola da IrrigaBrasil. Aderson Soares de Andrade Junior, en- genheiro agrônomo e pesquisador em Ir- rigação da Embrapa Meio-Norte, diz que a irrigação tem importância fundamental para o sucesso de qualquer cultura agrí- cola, em regiões onde a oferta hídrica, via precipitação, for insuficiente para atender as suas necessidades hídricas. “No caso

específico da cana-de-açúcar, faz-se mui- to mais importante ainda, por tratar-se de cultura interanual, mais sujeita e propensa a variabilidade climática, notadamente da precipitação pluviométrica, nas principais regiões produtoras do País. Logicamente, nas regiões onde o período chuvoso for insuficiente e/ou irregular, como no caso da região Nordeste, a adoção da irrigação é condição primordial para a obtenção de produtividades satisfatórias”, atesta. Cada vez mais as expansões, ou seja, as novas usinas se dão em áreas chamadas de fronteira, nas quais o déficit hídrico é bem maior do que nas tradicionais regiões de cana, principalmente as do Centro-Sul. De acordo com um estudo dos consul- tores da RPA Consultoria, Ricardo Pinto, Alexandre Elias e Egyno Trento, projeta- -se que as novas usinas e destilarias serão construídas, em sua grande maioria, nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Assim, as novas unidades deverão surgir principalmente em solos de Cerrado que, via de regra, são menos férteis do que on- de a maioria dos canaviais paulistas está instalada. “Nestas novas áreas, a irrigação é fun- damental para o desenvolvimento da cana- -de-açúcar. Em algumas regiões, caso não seja feito pelo menos a irrigação de salva- mento, não será possível a produção da cultura”, ressalta Sérgio Veronez de Sousa, consultor em irrigação e fertirrigação em cana-de-açúcar. Para Marcelo Ferrero, engenheiro agrô- nomo e diretor Comercial da Raesa Brasil, a irrigação de cana-de-açúcar passará a ser um assunto estratégico para as unidades sucroalcooleiras brasileiras em dois aspec- tos. Primeiro pela necessidade urgente de plantio nos próximos anos. “Os canaviais estão envelhecidos e isto resultou em pio - ras expressivas nas produtividades, o ex- cesso de chuvas nos meses tradicionais de plantio vem impedindo que as unidades cumpram seus cronogramas e a alternati- va seria plantar nos meses de seca e, nes- te caso, a irrigação é indispensável”, diz.

especial

Cana irrigada por pivô linear

especial Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a

Outro aspecto que deve ser considerado é a irrigação de cana soca, se a estratégia de alcançar os níveis de produção de ca - na-de-açúcar necessários para atender ao crescente mercado de álcool combustível, for a de insistir no plantio de variedades de sequeiro, a área necessária deveria ser incrementada em mais 4 ou 5 milhões de ha nos próximos nove anos. “Se as usinas passassem a irrigar suas canas socas, es- te incremento de área de plantio poderia ser reduzido para 1,5 a 2 milhões de ha. Ressaltando que aproximadamente apenas 2% dos canaviais brasileiros são irrigados atualmente e se subirmos este número pa- ra 15%, poderíamos deixar de plantar em cerca de 3 milhões de ha, obtendo a mes - ma produção. Existem outros benefícios de se introduzir a prática de irrigação na cultura da cana-de-açúcar, como aumen- to da longevidade dos canaviais, redução dos custos de plantio mecanizado , melhor conservação dos solos, pois plantando-se no período seco, o stand de plantas já es - tará formado na época das chuvas, prote- gendo assim os solos, entre muitas outras vantagens”, enumera. Marcelo Borges Lopes, diretor-presi - dente da Valmont, esclarece que, ao ana- lisar a cultura canavieira como um todo, a irrigação ainda é incipiente. “Porém em regiões como o Nordeste, a irrigação é fun- damental para o setor. Ela viabilizou a atividade naquela região. Além disso, a irrigação vem crescendo com a expansão das lavouras canavieiras para o Centro - -Oeste do País.” "Junto com a adoção de outras tecno -

logias, a irrigação tem demonstrado ser primordial ao crescimento vertical da pro - dutividade no canavial, reduzindo a ne - cessidade de incorporação de novas áreas de fronteira agrícola, contribuindo para a preservação ambiental e reduzindo os custos totais de produção", afirma Antonio Alfredo Teixeira Mendes, gerente geral da NaanDanJain Brasil. “Se considerarmos que estamos com uma demanda maior do que nossa capa- cidade atual de produção de cana e, con- sequentemente, de etanol e de açúcar, se considerarmos que esta situação deve se perdurar pelo próximos anos e também se considerarmos que as outras tecnologias para forte incremento de produção da ca- deia sucroenergética somente estarão em largo uso comercial no final desta década, como cana transgênica e etanol de bagaço, resta dizer que somente a irrigação pode- rá incrementar em muito a produção nos próximos anos, além de se plantar muita cana”, sintetiza Ricardo.

IRRIGAÇÃO SUSTENTÁVEL

Ao contrário do que muita gente pen- sa, a irrigação pode sim ser sustentável. Andrade Júnior explica que para que isso ocorra, é necessário que a irrigação seja efetuada obedecendo aos critérios técni - cos, notadamente, os referentes ao adequa- do manejo da água de irrigação, de forma a fazer a aplicação da lâmina de irrigação que propicie o máximo retorno econômico, sem aplicação excessiva de água. “Dessa forma, os impactos ambientais decorrentes da irrigação são minimizados e/ou mes -

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especial Segundo a Wikipédia, hidroterapia é o tratamento pela água sob suas diversas formas e a

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especial

mo eliminados. Para tanto, estudos visan- do a definição da função de produção ou função de resposta da cultura à água nas diferentes regiões produtoras do Brasil é fundamental”, esclarece. Com a ajuda da irrigação, o País pode expandir a sua produção na medida em que precisa de mais etanol e açúcar. Para que o País consiga aumentar sua produção de açúcar e álcool faz-se necessário expan- dir as áreas de produção para regiões de expansão como a região dos Cerrados (Goi- ás, Mato Grosso e Minas Gerais), região Meio-Norte (Piauí e Maranhão) e Estado do Tocantins. “Nessas regiões, devido aos períodos de longa estiagem, a produção de cana-de-açúcar só é viabilizada com o uso da irrigação, quer seja ela em caráter suplementar (quando apenas fração da lâ - mina de irrigação necessária é aplicada) ou total (quando toda a lâmina requeri - da é aplicada)”, completa Andrade Júnior. Pedrozo afirma que a irrigação pode ser um fator determinante para a produção. Nos últimos anos a área plantada teve cres- cimento em torno de 20%, mas a produção avançou em apenas 12,5%. “Com a técnica da irrigação, podemos ter um melhor aproveitamento dos recursos hídricos para aumento da produção com a preservação do meio ambiente, alcançando um melhor rendimento dentro da mesma área cultivada, evitando assim maiores gastos com tratos culturais, arrendamentos e transporte. Na maioria das regiões produtoras, há abundância em chuvas, mas elas são mal distribuídas ao longo do ano. É comum também épocas de altas temperaturas e incidência de insolação com poucas chuvas. Com o uso da irrigação, temos um cenário totalmente favorável para ótimas produções”, defende.

SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO

É difícil quantificar quantos hectares de cana irrigados há no Brasil, pois não existem estatísticas e as informações são bastante limitadas. Inclusive esse é um dos objetivos do Projeto Cana Pede Água – le-

Sexto lugar Segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, a cana-de-açúcar estaria em sexto lugar
Sexto lugar
Segundo o Censo Agropecuário de
2006 do IBGE, a cana-de-açúcar
estaria em sexto lugar dentre as
culturas mais irrigadas do ponto de
vista da área ocupada no Brasil. As
cinco primeiras culturas são: arroz,
soja, milho, feijão e café.

vantar dados consistentes sobre a irrigação em cana-de-açúcar no Brasil. “Segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, a cana-de-açúcar estaria em sexto lugar dentre as culturas mais ir- rigadas do ponto de vista da área ocupada no Brasil. As cinco primeiras culturas são:

arroz, soja, milho, feijão e café”, informa Ricardo Pinto. Mendes confirma que também não há estatísticas oficiais precisas sobre os siste - mas mais empregados, porém sabe-se que todos eles apresentam clara tendência de crescimento, na medida em que se am - pliam os projetos de novas usinas no País. Sousa conta que tempos atrás, o que se fazia era a irrigação de salvamento, princi- palmente no Nordeste e também em algu- mas regiões do Centro-Oeste. “Neste caso o mais usado é o autopropelido. A irrigação no período crítico (usando pivôs rebocá- veis), ou a irrigação plena (pivô ou gote- jamento) na cana-de-açúcar é algo mais novo”, esclarece. Considerando que os principais méto - dos de irrigação utilizados na cultura da cana-de-açúcar hoje são a aspersão (alas móveis, carretel enrolador e pivots circu- lar e móvel) e a localizada (gotejamento), pode-se afirmar que cada um dos métodos citados tem a sua utilidade, tanto em nível agronômico, como financeiro. “Mas sem- pre devemos ter em mente que os critérios para a escolha de um ou outro sistema não são avaliados somente pelo que ocorre do solo para cima, ou seja, o investidor estará cometendo um erro grave se não analisar primeiro o que ocorre com a água depois

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especial mo eliminados. Para tanto, estudos visan- do a definição da função de produção ou função

de aplicada ao solo. Se a umidade desejada não permanecer disponível para o sistema radicular das plantas, significa que o sis- tema foi escolhido de maneira errônea”, observa Ferrero. Ele orienta que antes da escolha do equipamento, é preciso proceder a um es- tudo profundo das características dos solos e clima da região, conhecer a velocidade de infiltração de cada solo, colher amos- tras de solo para determinar a curva de retenção de água. Desta forma, é possível implantar baterias de tensiômetros para observar o teor de umidade nas diferentes profundidades de solo e o fazer o balan- ço hídrico entre outros levantamentos de informações extremamente importantes e úteis para definir a escolha do sistema de irrigação a ser implantado. “Isto significa que um determinado equipamento pode ser utilizado em uma área, mas não em ou- tra se as estruturas físicas dos solos forem diferentes. Portanto, não há uma receita de bolo”, desmitifica Ferrero. Lopes esclarece que o método de irriga- ção será definido em função do ambiente de produção e da disponibilidade de água, ou seja é uma decisão técnica. “O primeiro passo para implantar uma lavoura irrigada é fazer o projeto, analisar qual o método de irrigação mais adequado para cada si- tuação. Analisando o solo, relevo, áreas de preservação, sistema viário, rede elétrica, o regime de chuvas, a disponibilidade hí- drica e a condução da lavoura, os técnicos têm condições de indicar a melhor alterna- tiva para irrigar o campo”, diz. Feito isso, ainda é possível encontrar situações onde a decisão entre um ou outro método de ir- rigação é econômica e por vezes até subje- tiva, de acordo com a linha de pensamento da empresa e seus técnicos, mas a decisão não deve começar por critérios subjetivos ou comparações de custo/benefício entre os diversos sistemas de irrigação. “Via de regra não existe um único sistema de irri- gação capaz de atender a todas as deman- das e diferentes situações encontradas em culturas de larga escala como a cana. Uma

especial mo eliminados. Para tanto, estudos visan- do a definição da função de produção ou função
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especial

mistura de métodos de irrigação é a melhor resposta, cada um se adapta melhor a de- terminadas condições”, analisa. Sousa explica as principais tecnologias de irrigação aplicadas na cultura, de cana - -de-açúcar. “Há a irrigação de salvação, feita após o plantio da cana, somente com o objetivo de garantir a brotação da muda em condições de longo período sem chu- va. Pode ser feita também na soqueira para garantir boa brotação após o corte. Temos a irrigação suplementar, ou no período críti- co, feita com diferentes lâminas nas épo - cas mais críticas do desenvolvimento, para atenuar os déficits hídricos nas regiões nos quais os mesmos são acentuados; e a irri- gação plena feita ao longo de todo o ciclo, repondo total ou parcialmente a deficiên- cia hídrica proporcionada pela falta ou in- suficiência de chuva”, resume. Ricardo enumera os nove sistemas de irrigação de cana usados no Brasil: pivot fixo, pivot rebocável, sistema linear (pivot linear), aspersão com alas móveis, asper- são convencional com canhão, aspersão convencional com carretel enrolador (ro - lão), gotejamento superficial, gotejamento subterrâneo (enterrado) e sulco de infiltra - ção (inundação). “Como cada sistema de irrigação foi desenvolvido para situações específicas, eu não diria que há prós e con- tras de cada um, mas sim características específicas para a recomendação de cada um, como solo, clima, fase fenológica da cana etc”, avalia. Dentre as ações estabelecidas pelo Pro - jeto Cana pede Água está a de efetivamen - te conhecer como, quando e onde é feita a irrigação de cana no País. “Por isso que, há dois meses foi iniciada uma pesquisa junto a todas as usinas do Brasil sobre o assunto. Acreditamos que em mais dois meses teremos os resultados deste profun- do levantamento que vem contando com a preciosa colaboração das usinas, que rece- berão um detalhado relatório deste estu- do. Preliminarmente, posso adiantar que, pelos números obtidos até aqui, o sistema de irrigação por rolão (carretéis) vem se

Fronteiras com déficit hídrico Cada vez mais as expansões, ou seja, as novas usinas se dão
Fronteiras com
déficit hídrico
Cada vez mais as expansões,
ou seja, as novas usinas se dão
em áreas chamadas de fronteira,
nas quais o déficit hídrico é bem
maior do que nas tradicionais
regiões de cana, principalmente
as do Centro-Sul.

destacando dos demais”, afirma Ricardo.

SOLUÇÕES EM IRRIGAÇÃO

As várias empresas especializadas em irrigação oferecem soluções para acabar com a sede da cana. A Raesa desenvol - veu um sistema de irrigação denominado Alas Móveis de Aspersão Convencional. Este sistema apresenta um baixo investi- mento inicial e não necessita de mão de obra especializada, visto que a carência de pessoal especializado é o grande buraco negro da agricultura brasileira atualmen- te. O sistema também é móvel e pode ser deslocado para irrigação em áreas distintas durante uma única safra. Ferrero considera o sistema ideal para irrigação de plantios de cana, para áreas recortadas e com declividade, para solos com baixa velocidade de infiltração de água, pois o sistema de alas móveis possi- bilita a aplicação de lâminas de irrigação baixas (4 mm a 5 mm por hora), seme - lhante a uma chuva fina e persistente, que para muitos é considerada a ideal por não produzir encharcamentos ou erosões de solos. É indicada ainda para fornecedores de cana pela facilidade de manejo e baixo investimento inicial. Outro ponto positivo a ser destacado em é que como a intensida- de de aplicação é baixa, torna-se ideal para solos com textura arenosa, normalmente mais porosos. "O sistema de Alas Móveis foi apresentado ao mercado em 2010 e, apesar do pouco tempo, já foi utilizado em aproximadamente 20 mil ha de irrigação,

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especial mistura de métodos de irrigação é a melhor resposta, cada um se adapta melhor a

seja de plantio, como de cana soca e com resultados excelentes", descreve Ferrero. A Valmont oferece os Pivôs Centrais (fixos e rebocáveis) e Lineares. Lopes ex- plica que esses equipamentos são bastante eficientes e flexíveis, cobrindo necessida- des desde lâminas menores até a irrigação plena em áreas de grande déficit hídrico. “São sistemas que trabalham com pressões baixas e alta uniformidade de distribuição. Com isso o custo operacional é baixo e a qualidade da irrigação alta. Oferecemos ainda os sistemas de automação para esses equipamentos reduzindo a necessidade de mão de obra e disponibilizando uma forma de monitoramento da operação bastante simples e confiável. Associados a esses produtos oferecemos – em parceria com a Irriger – serviços de gestão e manejo da irrigação, auxiliando o produtor a definir quando e quanto irrigar. Com isso quere- mos garantir o bom uso dos nossos equi- pamentos.” A IrrigaBrasil fabrica vários modelos de Carretel Enrolador Turbomaq (comprimen- to de mangueira de 150 a 500 m), moto - bombas diesel e elétrica, tubos e acessórios em aço zincado ou alumínio, variada linha de aspersores, carreta para transporte de tubos e carretas de vivência. O sistema de aspersão por carretel en- rolador permite a irrigação e a fertirriga- ção com vinhaça ou outros resíduos in - dustriais, além do esterco suíno e bovino diluído, nas mais variadas culturas e fases de desenvolvimento. Segundo Pedrozo, as principais van - tagens são: mobilidade e versatilidade, facilidade de operação, menor quanti - dade de tubos e acessórios, n ão exige sistematização da área a ser irrigada,, me me-- nor perda de áreas com canais, menor quantidade de mudanças, transporte do equipamento e motobomba, vida útil do sistema e da mangueira PEMD (polietile- no de média densidade) e necessidade de apenas dois operadores e de um trator de média potência. “O sistema de carretel enrolador tem

especial

especial mistura de métodos de irrigação é a melhor resposta, cada um se adapta melhor a

De acordo com Lopes, a irrigação vem crescendo com a expansão das lavouras canavieiras para o Centro-Oeste do País

como principal limitação a maior sensibi- lidade ao vento, porém podemos amenizar este efeito com o uso de espaçamentos me- nores entre os hidrantes.” Ele frisa que o desempenho de cada sistema de irrigação está diretamente relacionado ao projeto es- pecífico para determinada área, ou ainda, com um Plano Diretor de Irrigação. A NaanDanJain dispõe de completa linha de tubogotejadores para utilização em projetos de gotejamento enterrado, in- cluindo tubogotejadores de parede delgada com gotejadores planos não-compensan - tes, autocompensantes, como dispositivos anti-sifão e anti-drenante; e vazões, espa- çamentos entre gotejadores e espessuras

de parede variáveis, conforme definido no projeto estratégico. "Também dispõe de cintas de gotejamento com emissor ti- po labirinto contínuo com vazões, espaça- mentos entre saídas d’água e espessuras de parede variáveis", salienta Mendes. No setor sucroalcooleiro, costuma-se empregar/avaliar o método de irrigação conforme a lâmina que se deseja aplicar na cultura, sempre levando em conside - ração a relação de custo benefício e efici- ência de cada sistema. Há inclusive uma

tabela para este caso :

  • - Irrigação de salvação: entre 40 a 120 mm/ ano;

  • - Complementar: 250 a 400 mm/ano;

  • - Irrigação Plena: 500 a 800 mm/ano. Além de empresas especializadas, em- presas de tubos também têm o seu espa- ço no mercado de irrigação. A Tigre, por exemplo, atende a todas as tecnologias co - mo pivô central, gotejamento, carretel e as - persão. “Somos um complemento de todos os sistemas. No caso de cana, onde se tem muita adução e distribuição, há muitos casos em que somos o principal insumo”, diz Ronaldo Chaquib Assef Filho, gerente Nacional de Irrigação e Indústria da Tigre. Ele salienta que na maioria dos casos é muito mais fácil realizar investimentos em irrigação do que fazer a compra ou am- pliar áreas e comprar maiores terrenos. “O

especial mistura de métodos de irrigação é a melhor resposta, cada um se adapta melhor a

Para Ferrero, a irrigação de cana-de-açúcar passará a ser um assunto estratégico para as

unidades sucroalcooleiras brasileiras

que percebo é que com a entrada de gru- pos profissionalizados, é perceptível que a irrigação já é levada em consideração.” Assef cita que o grande diferencial está no fato da Tigre ser uma empresa que ofe- rece todos os produtos: tubos e conexões de PVC, RPVC e tubos polietileno de mé- dia densidade, utilizados nos sistemas de irrigação das usinas.

IRRIGAÇÃO MERECE ATENÇÃO E INVESTIMENTO

A irrigação é estratégica para o setor, segundo Sousa, visto que o ganho de pro - dutividade nas áreas já cultivadas e prin- cipalmente nas novas áreas de expansão

11
11

especial

será fundamental para o sucesso dos pro - jetos das usinas como um todo. “Cada vez mais, as usinas estão em busca de cana, e a irrigação pode suprir esta demanda, tan- to aumentando a produtividade dos cana- viais existentes e também possibilitando a exploração de áreas em que a instalação de usinas sem irrigação do canavial não é viável”, acrescenta. Lopes concorda. “Hoje irrigamos ape- nas 4,5 milhões de ha, mas temos um po - tencial irrigável de 30 milhões. Esses nú- meros mostram o potencial de crescimento da agricultura irrigada. Apesar de apenas 7% da área ser irrigada, a produção nessas áreas representa 20% do total e 43% do va- lor da produção. Fica claro com esses nú- meros o potencial de aumento da produ- tividade física e econômica com o uso da irrigação. De certa forma é isso que se pode esperar da irrigação na lavoura canavieira. J á temos casos de sucesso e experimentos apontando a grande elevação do ATR/ha nas áreas irrigadas. Além disso, existem benefícios indiretos como melhor uso da frota de máquinas e veículos e redução do custo de gestão das lavouras com menos área explorada”, pontua. Sousa diz que os investimentos são muito variáveis, pois vai depender do ti- po de irrigação (salvamento, período crí- tico ou plena) da forma e da distância da captação até o projeto. “Ou seja, para cada caso teremos um investimento, que pode variar de R$ 1 mil até R$ 8 mil por ha.” “Cada caso de canavial irrigado deman- dará um sistema específico de irrigação com seu investimento respectivo. Pode-se dizer que implantar um projeto de irriga- ção em cana varia entre R$ 800/ha a até R$ 6 mil por ha. Também o custo opera- cional da irrigação será variável conforme o sistema adotado e sua taxa e frequência de uso. Como estimativa, é possível con- siderar que o custo variará entre R$ 300 e R$ 900 por ha por ano, conforme a lâmina aplicada varie de 50 a 800 mm irrigados ao ano”, salienta Ricardo. Apesar de todas as vantagens, a irriga-

Irrigar é preciso Segundo o consultor e diretor da RPA Consultoria, Ricardo Pinto, ao considerar que
Irrigar é preciso
Segundo o consultor e diretor
da RPA Consultoria, Ricardo
Pinto, ao considerar que as
outras tecnologias para forte
incremento de produção da
cadeia sucroenergética somente
estarão em largo uso comercial
no final desta década, como cana
transgênica e etanol de bagaço,
resta dizer que somente a irrigação
poderá incrementar a produção nos
próximos anos, além de se plantar
muita cana.

ção ainda encontra entraves. Andrade Jú- nior enumera que os principais entraves dizem respeito à carência de estudos locais para subsidiar um sistema de produção de cana-de-açúcar sob irrigação, tais co - mo cultivares mais adaptadas e com po - tencial de produção sob irrigação e que também apresentem arquitetura adequa - da para colheita mecanizada, estudos de demanda hídrica (como forma de definir coeficientes de cultivo locais para a cul- tura), nos diferentes sistemas de irrigação em operação nas áreas de produção, estu- dos de definição de manejo de irrigação e fertirrigação (no caso de irrigação por go - tejamento subsuperficial), dentre outros. Ricardo, por sua vez, diz que é neces- sária a adequada conscientização de diver- sos públicos, como, por exemplo os téc- nicos que acreditam que cana irrigada é inviável economicamente; os leigos que pensam que se irrigarmos cana no Brasil faltará água para outros usos e os órgãos outorgantes que acham não haver neces- sidade de irrigação para se produzir cana no Brasil. Ele cita ainda os ambientalistas que creem que irrigar cana não seja sus- tentável, os executivos de usinas que ainda desconsideram a irrigação como alternati-

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especial será fundamental para o sucesso dos pro - jetos das usinas como um todo. “Cada

va de crescimento rápido da sua produção de cana, que está enfrentando forte quebra no Centro-Sul nesta safra e, as pessoas que acham que há produtos mais nobres para serem irrigados do que a cana. Sousa destaca que até hoje, no Brasil, não foi desenvolvida uma variedade de cana para irrigação. Todos os programas de melhoramento, trabalharam justamente o contrário, ou seja, a resistência a seca. “Na minha opinião, nas novas áreas de cana, onde a irrigação será fundamen- tal, seria interessante ter uma variedade desenvolvida para irrigação.O conceito é bem simples, se vamos ter que irrigar para produzir em certas regiões, o melhor seria irrigar uma variedade desenvolvida para ser irrigada do que uma que foi desenvol- vida para ser tolerante a seca”, afirma. Ferrero defende que a irrigação deve - ria ser tratada como tema prioritário pelos governantes brasileiros, principalmente porque as mudanças climáticas estão afe - tando de maneira significativa o manejo das culturas, sejam elas commodities (co - mo a cana-de-açúcar) ou alimentares. “Es- tá chovendo em demasia em certos meses e não chovendo nada nos outros e isto vem impactando sobre as produtividades. Os agricultores sabem que adquirindo um sistema de irrigação e, principalmente, obtendo licenças para o uso da água, po - dem diminuir de maneira expressiva o risco de plantios em épocas de seca, po - dendo, desta forma, sentirem-se mais se - guros em investir. Isto é questão de segu - rança alimentar e, não poderíamos deixar de dizer, de segurança econômica, pois o Brasil é exportador de commodities agrí - colas, sendo que as exportações de soja, café e açúcar são itens fundamentais no equilíbrio da balança comercial brasilei- ra.” Para ele, este tema, irrigação, deve - ria estar presente em praticamente todos os ministérios do governo brasileiro, sem dizer na mesa da presidente Dilma, “pois alimento barato impacta seriamente sobre a inflação.” O governo já deu sinais de que pensa

no assunto. Tanto que, com a reestrutura - ção do Ministério da Integração Nacional, foi anunciada a criação da Secretaria Na - cional de Irrigação - Senir, com políticas específicas para este setor. A Senir tem como principal objetivo configurar um sistema de gestão para a agricultura irrigada, articulando os vários órgãos que interagem no setor, apoian - do sobremaneira a iniciativa privada e otimizando as áreas públicas como ins - trumentos de desenvolvimento de regi - ões menos favorecidas. Além disso, visa promover a irrigação como instrumento de eficiência na produção agrícola e pa - ra erradicar a pobreza com a geração de emprego e renda. A ideia da nova Secretaria surgiu du - rante reunião com a presidente Dilma Rousseff, em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, res - saltou a necessidade de reforçar a agricul - tura irrigada no País. Ainda integram a Se -

especial

A irrigação pode in - crementar a produção de cana no País

especial será fundamental para o sucesso dos pro - jetos das usinas como um todo. “Cada

nir o Departamento de Irrigação Pública e o Departamento de Política de Irrigação. Ricardo comenta que o governo fede - ral está implantando o PAC 2 com investi- mentos voltados à irrigação do Semiárido, mas também prepara o PISAB – Programa Nacional de Irrigação Pública para o Se - miárido Brasileiro. “Ambos os programas almejam aplicar R$ 3,2 bilhões em diver- sos perímetros irrigados no Semiárido dos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Mi - nas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí e

Rio Grande do Norte. Como o governo, no passado, implantou 58.528 ha de perí - metros irrigados e, destes, hoje há 20.346 ha ociosos, houve a pressão por uma mu - dança no modelo de implantação destes perímetros. Até então, a sistemática era de desapropriar as terras, implantar a in - fraestrutura de irrigação de uso comum, alienar os lotes agrícolas para os produto - res e transferir a operação e manutenção do perímetro para o Distrito de Irrigação, gerenciado pelos produtores. Agora, com

Irrigação com eficiência e economia é o que oferecemos com as ALAS MÓVEIS RAESA.

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O Sistema de ALA MÓVEIS é um modelo de irrigação por aspersão móvel indicado para

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diversos cultivos. Pode ser operado com pouca mão-de-obra e também automatizado em

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algumas situações.

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ALAS MÓVEIS é versátil e modular, adaptando-se a diversos formatos e topografias de

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terrenos.

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Fabricado em alumínio de alta qualidade proporcionando longa durabilidade ao equi-

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pamento e alto valor residual.

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e-mail: vendas@raesabrasil.com.br

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13

especial

PROJETO CANA PEDE ÁGUA

Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica e internacional projetadas para até 2020 de etanol e açúcar, terá duas alternativas. “Ou continua produzindo cana de sequeiro e aumenta seus canaviais em cerca de mais 6 milhões de ha ou, se irrigar apenas 15% de sua cana, poderá diminuir em mais de 50% a incorporação de novas áreas para plantio de cana. Isso porque estima- se que o Brasil irrigue hoje menos de 2% de seus canaviais, ao passo que os demais países produtores de cana que formam com o Brasil o clube dos dez maiores do mundo irrigam em média 30% de seus canaviais”, observa. Ele completa dizendo que justamente devido a magnitude que a irrigação de cana passa a ter para o Brasil neste momento, um grupo de empresas fabricantes de equipamentos para irrigação resolveu montar o Cana pede Água, um projeto sem fins lucrativos com o objetivo único de difundir os benefícios da irrigação da cana no País dentre os agentes do setor sucroenergético e da cadeia produtiva da cana, mostrando aos tomadores de decisão que ela é uma importante alternativa tecnológica para incrementar a produção de cana-de-açúcar do Brasil de forma sustentável. Gerenciado pela Consultoria RPA e patrocinado pelas empresas IrrigaBrasil, NaanDanJain, Raesa, Tigre e Valmont, que formam seu comitê gestor, o Projeto Cana pede Água, atuará através de uma agenda positiva com múltiplas ações para fomentar o uso sustentável de irrigação de cana com água no Brasil.

14

especial PROJETO CANA PEDE ÁGUA Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica

o PISAB, pretende-se que haja a concessão

patrocinada ou administrativa (PPP) da

infraestrutura dos perímetros para o setor

privado por 25 anos, que será remunerado

pela tarifa de irrigação (ganhará a menor

em cada licitação de perímetro) e também

pela contraprestação pública”, explica.

Também deverá haver a Concessão do

Direito Real de Uso (CDRU) de 50 a 100

anos das terras do perímetro através de

licitação. Exige-se como contrapartida a

ocupação de toda a área produtiva do perí -

metro com, no mínimo, 25% do perímetro

sendo para pequenos produtores. Assim,

criou-se o conceito de uma empresa-ân -

cora que pode candidatar-se na licitação

a ocupar o perímetro.

Como ainda existem 20.346 ha a serem

ocupados nos perímetros já implantados

no Semi árido,

árido,, bem

bem

bem como

como 70.475

como

70.475 ha ha ha ememem pe-

70.475

pe- pe -

rímetros em fase de conclusão e 116.598

ha em perímetros a serem implantados, a

agroindústria canavieira é uma fortíssima

candidata para viabilizar este novo mode -

lo do governo federal. “A experiência de

sucesso da Agrovale, única usina brasilei -

ra com 100% de seus canaviais irrigados

de forma plena, que ocupa praticamente

95% do perímetro Tourão, em Juazeiro,

na Bahia, onde chove somente 400 mm

por ano, sugere esta estratégia. Penso que,

desta vez, o Brasil poderá colocar seu Se -

mi árido como uma das regiões de maior

produtividade de cana do mundo”, vis -

lumbra Ricardo.

Ao avaliar os prós e contras do PAC

da Irrigação, Ricardo acredita que a ne -

cessidade de se ter 25% de terras para

pequenos produtores pode ser um em -

pecilho, afinal as áreas disponíveis em

cada projeto não são tão grandes quanto

demanda hoje a escala de uma nova usina.

“As novas usinas costumam ser projetadas

para processarem de 3 a 4 milhões de t

por ano. Se há perímetros irrigados que

totalizam 20mil ha para uma usina licitar

e se devemos separar 25% desta área para

pequenos produtores, que nem sempre são

comprometidos com as metas de produção

da usina, uma usina com 15 mil ha úteis

produziria ao ano por volta de 1,5 milhão

de t de cana por ano, inviabilizando sua

construção por falta de escala.” Ele tam -

bém acha que as usinas que se arrojarem

a se instalar nos perímetros irrigados de -

mandarão um padrão de financiamento

muito diferenciado dos atuais, haja vista

que farão um investimento em irrigação

em montante quase igual ao da aquisição

da indústria, fato que em outras regiões

do País inexiste.

Ferrero atenta que somente um aspec -

to deixa-o preocupado: quais critérios

que serão utilizados para a escolha dos

sistemas de irrigação a serem implanta -

dos e quem serão as empresas responsá -

veis pela elaboração dos projetos, sejam

eles hidráulicos, de solos ou de viabi -

lidade econômica. “Minha opinião é a

de que a partir do momento em que se

efetivamente decidir pelo plantio de ca -

na na região do semi árido

árido brasileiro,

brasileiro,

brasileiro, toto-

to--

das as obras de infraestrutura (irrigação

e energia elétrica, principalmente) deve -

rão estar devidamente instaladas, assim

como os estudos dos solos para defini -

ção dos sistemas de irrigação mais apro -

priados. É de fundamental importância

que os critérios a serem utilizados para

a escolha dos sistemas de irrigação se -

jam de conhecimento público para que

haja transparência e, com isso possa ser

devidamente discutido e analisado para

que o sucesso do empreendimento seja

garantido”, ressalta.

Segundo Lopes, o projeto deve ter co -

mo ponto principal o uso de áreas que

hoje estão paradas, com infraestrutura

hídrica instalada. “Isso

“Isso éé umum custo

custo mui

mui--

to grande para o Brasil, as obras foram

feitas e por diversos problemas de ges -

tão não conseguimos explorar economi -

camente as áreas que têm um enorme po -

tencial produtivo. O que se deve buscar

é um novo modelo de gestão desses pe -

rímetros públicos para que a sociedade

receba os benefícios dos investimentos

que foram feitos”, finaliza.

especial PROJETO CANA PEDE ÁGUA Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica
especial PROJETO CANA PEDE ÁGUA Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica
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especial PROJETO CANA PEDE ÁGUA Ricardo esclarece que caso o Brasil pretenda atender às demandas doméstica
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15

fórum

fórum EM MEADOS DE 2020 ração morosa, que demandará pelo me- “Dado o momento atual de
fórum EM MEADOS DE 2020 ração morosa, que demandará pelo me- “Dado o momento atual de
  • EM MEADOS DE 2020
    ração morosa, que demandará pelo me-

“Dado o momento atual de quebra de sa-

fra de cana do Centro-Sul e sua recupe-

Ricardo Pinto, diretor da RPA Consultoria

nos mais três anos, acredito que o Brasil

deverá atingir o patamar de 3 bilhões de

l anuais de exportação de etanol somente

entre 2015 e 2016, patamar este que já

tinha ultrapassado em 2006. Creio que

este volume crescerá consistentemente

até um patamar próximo a 9 bilhões de

l anuais em 2020, quando então o Pa-

ís terá consolidado seu domínio nesta

commodity. Vale lembrar que o recorde

de exportações brasileiras de etanol, de

5,1 bilhões de l, alcançado em 2008, pe-

las nossas projeções somente será batido

em 2018.”

  • FROTA FLEX É GRANDE CONSUMIDORA
    “Acredito que em 2020, quando estiver

Plínio Nastari,

consultor e

diretor da

Datagro

sobrando etanol. Acho que não sobra an-

tes porque a frota flex vai absorver boa

parte do etanol produzido no País.”

  • SEM EXCEDENTES SUFICIENTES
    ricano, seja no restante do mundo, infelizmente vai

“Grande exportador capaz de aproveitar todas as opor-

tunidades que estão surgindo seja no mercado ame -

Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA

demorar um pouco em função da forma como con-

seguimos expandir a produção. Vamos perder um

tempo recuperando nossas áreas agrícolas. Os in -

vestimentos em expansão de unidades existentes já

estão começando a acontecer, porém novos projetos

greenfield, que tem maturação longa, ainda carecem

de um cenário de longo prazo mais claro que dê mais

segurança aos empreendedores. Portanto , a oferta

deve continuar correndo atrás da demanda por vários

anos, não gerando excedentes suficientes para tornar

o Brasil novamente um grande exportador de etanol,

mas temos muita esperança que isto volte a acontecer

no longo prazo.“

  • FOCO NO MERCADO INTERNO
    um mercado interno muito mais importante. Devido

“A exportação de etanol do Brasil é residual. Temos

a falta total de transparência do governo, o setor não

Arnaldo

Correa, diretor

da Archer

Consulting

cresce e está tendo que importar etanol. Então, eu não

vejo a exportação como um objetivo agora, o foco é o

mercado interno.”

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fórum EM MEADOS DE 2020 ração morosa, que demandará pelo me- “Dado o momento atual de

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tec. industrial
tec. industrial

PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL.

tec. industrial PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL. Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável. Para

Plateau ® : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável.

tec. industrial PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL. Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável. Para

Para atender o mercado de açúcar e etanol nos

próximos anos serão necessárias novas usinas.

Uma usina sucroenergética apresenta grandes di-

mensões, e seu processo de montagem e estrutura

merece atenção como qualquer outra construção.

Que o diga o pessoal do Grupo Jalles Machado

que investiu na implantação de uma nova unida-

de. A Unidade Otávio Lage/Codora, inaugurada em

setembro deste ano, em Goianésia, GO, difere-se

das demais por possuir particularidades indus -

triais através da utilização de tecnologias de última

geração. Entre elas, a instalação de desfibrador de

cana vertical alimentado por esteira de borracha e

não metálica; sistema de descarregamento de cana

preparado para limpeza a seco sem mesa alimenta-

dora de 45 graus; fermentação contínua preparada

para limpeza sem interrupção do processo, além

de utilização de sistema inteligente de hibernar

fermento; pré-evaporação com multirreboilers a

placas e processo 100% automatizado.

A Unidade Otávio Lage tem capacidade de moa-

gem de 1,5 milhão de t de cana por safra na primeira

fase (357 tc/h), podendo chegar até 2,5 milhões na

segunda fase (600 tc/h). A capacidade de produção

de álcool hidratado instalada é de 125 mil m³/safra.

A Codora Energia conta com uma capacidade total

instalada de 48 MW e geração de energia na safra

de 147 mil MWh/safra na segunda fase.

O processo de implantação de um empreendi-

mento do porte de uma unidade sucroenergética,

segundo o consultor Tércio Dalla Vecchia, da Reu-

nion Engenharia, deve seguir os mesmos passos

de qualquer projeto de grande porte, como etapa

de pré-implantação, etapa de implantação, etapa

pré-operacional e operação.

A etapa de pré-implantação implica no projeto

conceitual e estudos de pré-viabilidade, definição

do local de implantação, licenças ambientais e

legais e projetos básicos e validação dos estudos

de viabilidade.

“Durante esta etapa, todas as dúvidas e alterna-

tivas de investimentos devem ser criteriosamente

avaliadas e os recursos necessários devem estar

bem estabelecidos e suas fontes garantidas. A ân-

sia de ser rápido nesta fase inicial levou ao insu-

cesso de muitas implantações no passado. Custos

estourados por terem sido mal estudados, fontes

de recursos duvidosos que não se concretizaram

ou definição incorreta do processo de produção

são as maiores causas do insucesso”, alerta.

A BASF apoia iniciativas voltadas à preservação do meio ambiente e da sustentabilidade, como:

tec. industrial PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL. Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável. Para

Mais de 650 mil mudas plantadas.

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www.agro.basf.com.br

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Aplique somente as doses recomendadas. Descarte corretamente as embalagens e restos de produtos. Incluir outros métodos de controle de doenças/pragas/plantas infestantes (ex.: controle cultural, biológico etc) dentro do programa do Manejo Integrado de Pragas (MIP) quando disponíveis e apropriados. Para maiores informações referentes às recomendações de uso do produto e ao descarte correto de embalagens, leia atentamente o rótulo, a bula e o receituário agronômico do produto. Restrição no Estado do Paraná:

uso temporariamente restrito para os alvos Indigofera hirsuta e Emilia sonchifolia. Produto registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sob nº 02298.

tec. industrial PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL. Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável. Para

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tec. industrial PLANTE CANA. COLHA COMBUSTÍVEL. Plateau : valoriza a cana-de-açúcar e um futuro sustentável. Para

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tecnologia industrial

Segundo Carvalho, o processo de montagem de uma usina inicia-se com o estudo do local para
Segundo Carvalho, o processo
de montagem de uma usina
inicia-se com o estudo do local
para aquisição da área a ser
construída e áreas próximas para
o plantio de canaviais.

Na etapa de implantação deve constar o projeto detalhado,

que envolve todas as disciplinas de engenharia, inicia-se na de-

cisão de levar o projeto em frente e corre durante praticamente

toda a implantação do empreendimento.

A aquisição de equipamentos é uma fase que precisa ser bem

planejada, pois o prazo de entrega e montagem de alguns equi-

pamentos é crítico. “O planejamento das aquisições deve seguir

um cronograma físico financeiro adequado para evitar gastos

excessivos antecipados e para não adiar aquisições que podem

estar no caminho crítico da implantação”, observa.

A etapa de implantação contempla o canteiro de obras, terra-

planagem e acessos, fundações, obras civis e de infraestrutura,

execução dos edifícios industriais, montagem das estruturas me-

tálicas, montagens mecânicas dos equipamentos, montagem das

interligações, montagens elétricas e de automação, construção

das edificações auxiliares (escritórios, refeitórios, ambulatório

etc), acabamentos e pavimentação e paisagismo.

A etapa pré-operacional engloba treinamentos, comissiona-

mento, testes pré-operacionais, sopragem de linhas e testes com

água ou em branco e testes com produtos. Já a operação posta

em marcha acusa a aceitação do projeto.

Todo projeto (no sentido de empreendimento) tem sempre

um começo, um meio e um fim. Depois de aceito, ou seja, após

cumprir os requisitos de desempenho, o projeto é considerado

terminado e inicia-se a atividade operacional.

Durante toda a implantação são necessárias numerosas ativi-

dades que envolvem logística, inspeções, armazenamento, segu-

rança pessoal, patrimonial, ambiental, acompanhamento finan-

ceiro e departamento de recursos humanos ágil e competente.

Marcelo de Carvalho, gerente de Projetos da MJG Engenha-

ria, lembra que o processo inicia-se com estudo do local para

aquisição da área a ser construída e áreas próximas de plantio

de canaviais. “Depois vem o projeto básico executivo que deve

ser apresentado aos órgãos federais e estaduais para que possa

ser concedida a licença ambiental para instalação da nova in-

dústria. Após a liberação dos órgãos competentes dá-se início

aos processos de engenharia e projeto nos âmbitos das constru-

ções civis, mecânica, elétrica e instrumentação necessária para

início das obras”, explica.

No entanto, é necessário dar atenção especial a apresentação

do projeto junto aos órgãos competentes de licença ambiental, e

também estudar sobre a viabilidade do local onde a usina será

tecnologia industrial Segundo Carvalho, o processo de montagem de uma usina inicia-se com o estudo do

Unidade Otávio Lage e Codora Energia apresentam particularidades industriais com tecnologias de última geração

implantada. “Esse é o primeiro passo a ser dado”, menciona.

Para Renê Fernando Surjus, diretor da Camoi, é imprescin-

dível ter um bom planejamento da montagem e construção de

uma usina para não ser pego de surpresa no decorrer da obra.

“Quando eu falo bom planejamento é fazer uma boa análise

de solo, para fazer as previsões adequadas de solicitação de

peso e de carga que vão exigir fundações mais fortes ou não.

E isso em todas as etapas. Um bom planejamento é essencial

e evita retrabalho, que é quando se começa a perder tempo e

a atrasar a obra e começa a perder dinheiro”, destaca.

Esse cuidado não deve ser ignorado, pois o mercado pro-

mete. Especificamente em usina de açúcar e álcool existe

uma demanda crescente muito grande, por conta da queda

da barreira comercial americana, no fato de que os EUA pro-

vavelmente são um comprador do etanol brasileiro no futuro,

o que indica que teremos que aumentar a produção de etanol

que hoje está voltada para o mercado interno. Sem falar no

açúcar que está com valor crescente no mercado. “Existem

alguns estudos, sem citar fontes, que até 2020 são necessá-

rias mais de 100 usinas, fora melhoria do processo produtivo

no campo e aumento de produtividade. Na parte de açúcar e

álcool, as perspectivas são muito grandes. O que a gente está

sentindo na Camoi é falta de recurso financeiro por parte das

empresas e dos empresários para fazer as ampliações, não só

em usinas, mas no geral. Parece que o dinheiro está escasso,

o juro está alto. O governo vai ter que dar algum plano de

auxílio para baixar juro e voltar a injetar dinheiro no merca-

do”, reitera Surjus.

Ele salienta ainda que os grandes players vão continuar

a vir para o Brasil. “Há seis anos, as usinas que estavam nas

mãos de grupos estrangeiros eram muito poucas. Acho que

hoje, em termos de moagem, cerca de 50% estão nas mãos de

estrangeiros e a tendência é continuar, as empresas se unindo,

vindo empresas estrangeiras e principalmente as empresas de

petróleo. Elas estão entrando forte, a BP (British Petroleum)

20

tecnologia industrial Segundo Carvalho, o processo de montagem de uma usina inicia-se com o estudo do

tecnologia industrial

Sem traumas O consultor Dalla Vecchia defende que é necessário, na etapa dos projetos conceituais e
Sem traumas
O consultor Dalla Vecchia defende que é
necessário, na etapa dos projetos conceituais e
básicos, esgotar todas as alternativas, usando-se
o tempo que for necessário para definir as Bases
do Projeto, na qual a alternativa definitiva será
eleita. Isso serve para que não ocorra mudanças
traumáticas no projeto.

entrou, a Petrobrás entrou, a Shell e outras.”

AMPLIAÇÕES

Em qualquer estágio pode-se modificar a estrutura de uma

usina, ampliando-a ou diminuindo-a, entrar com novos equi-

pamentos, mudar processos. “Normalmente isso ocorre, mas a

tendência é que ocorra cada vez mais quando o planejamento

não é bem feito. O que acontece é que muitas vezes você tem

que casar equipamentos fabricados por fornecedores diferentes

e não há uma boa sinergia entre essas empresas e existe dificul-

dade de montagem no campo, as ligações entre elas não são de

acordo. Aí começam os retrabalhos por falta de planejamento.

Geralmente quando se faz modificação na planta original, no

processo, é porque não houve um bom planejamento, um bom

acompanhamento”, lembra Surjus.

“Após o início das obras o projeto inicial pode sofrer várias

modificações para atender as necessidades da obra. Quando da

mesma em operação poderá sofrer modificação para aumento

de produtividade sendo realizados ampliações nos diversos se-

tores do processo”, pontua Carvalho.

No entanto, Dalla Vecchia defende que não deve haver mu-

danças. “Se for imprescindível fazê-las, o empreendimento,

com certeza, será prejudicado em custo, prazo e, eventualmen-

te, em qualidade. Por isso é necessário que, na etapa dos proje-

21
21

tecnologia industrial

tos conceituais e básicos, se esgotem todas

as alternativas, usando-se o tempo que for

necessário para definir as Bases do Projeto,

na qual a alternativa definitiva será eleita.

Daí para frente, as mudanças serão sempre

traumáticas”, argumenta.

De acordo com Surjus, o tempo de mon-

tagem de uma usina depende do recurso

financeiro. “É possível montar uma usina

no campo, com todos os equipamentos, em

um prazo de seis meses com bastante re-

curso financeiro. Mas um prazo seguro é

entre nove e 12 meses”, diz. Carvalho com-

plementa dizendo que pode levar de 12 a

  • 16 meses , dependendo do porte da usina.

O consultor da Reunion destaca que

existem alguns prazos essenciais em um

empreendimento deste porte. “As licenças

ambientais, sem as quais não se começa

nenhuma intervenção no terreno, podem

demorar mais de um ano, dependendo do

Estado, do local, das exigências do meio

ambiente e outros fatores. Depois das li-

cenças obtidas e dos recursos garantidos, o

prazo normal é de 24 meses. Considerando

apenas as obras, já tivemos casos de usinas

que concluíram todo o trabalho (da terra-

Escolha racional de equipamentos Os equipamentos principais devem ser definidos logo no início do projeto, pois,
Escolha racional de
equipamentos
Os equipamentos principais devem
ser definidos logo no início do
projeto, pois, do tipo escolhido,
dependerão todos os balanços
materiais e energéticos e, portanto,
todos os demais itens. Entretanto,
há muita paixão na escolha destes
itens. A escolha é influenciada pela
experiência anterior dos técnicos
envolvidos no projeto, incluindo
relacionamento com fornecedores
de equipamentos. O ideal é
que a escolha seja feita numa
comparação realista de custos, o
que muitas vezes não é fácil.

verticais e horizontais, na execução dos

trabalhos, na execução das soldas, das

inspeções dos serviços, nos alinhamen-

tos de todos os equipamentos. “Isso é um

grande somatório. Se para cada um você

tiver um pequeno erro, é complicado. Na

somatória não se pode ter um erro mui-

to grande.”

CRONOGRAMA

O cronograma, de acordo com Dalla

Vecchia, é peça fundamental no controle

de todas as atividades da implantação do

projeto. Para ele, os seguintes passos são

fundamentais:

  • - Elaboração de um cronograma realista e

exequível: é comum os cronogramas se-

rem apertados apenas para atenderem

uma demanda imposta, mesmo saben-

do que é inexequível;

  • - Comprometimento de todos os envolvi-

dos no cumprimento do cronograma: as

pessoas precisam acreditar, concordar e

se comprometer com as datas e eventos

assumidos;

  • - Ações antecipativas: é necessário

dispor de uma análise diária do crono-

plenagem ao primeiro litro de álcool produzido) em menos

grama com medições objetivas (metros instalados, quilos en-

de um ano”, esclarece.

Geralmente, a montagem de uma usina se dá fora do pe-

rímetro urbano da cidade. Sendo assim, a logística para a en-

tregues, etc.) do andamento das atividades e poder (recursos)

para adotar medidas para corrigir os rumos antes que se faça

tarde demais. Muitas vezes, a falha é detectada, mas a equipe

trega de materiais e equipamentos é um problema bastante

sério porque muitas usinas são instaladas em locais bastante

afastados dos centros produtores de equipamentos. Muitas

vezes os acessos são por estradas de terra de pouca quali-

dade. “O risco de um equipamento ser danificado durante o

transporte é alto e, às vezes, pode comprometer a implantação

quando se tratar de um equipamento chave, como um turbo

gerador. Apenas o seguro do frete não resolve, pois o atraso

causa um prejuízo muito maior do que o valor do equipamen-

to. Daí a importância de ter transportadoras absolutamente

confiáveis para os equipamentos mais caros e importantes.

Um bom almoxarifado bem organizado, seguro e protegido

de intempéries e um ótimo planejamento de suprimentos são

essenciais. Já vi várias vezes um avião decolar rumo a Pira-

cicaba ou Sertãozinho, em SP, para trazer peças que faltaram

em algum lugar crítico”, afirma Dalla Vecchia.

Surjus lembra que os equipamentos são muito caros e pe-

sados. As dificuldades, segundo ele, estão nas movimentações

não tem poder para tomar atitudes que possam recolocar a

obra nos prazos e, aí, não adianta nada;

- Evitar retrabalhos: fazer da primeira vez de forma correta

é a melhor maneira de evitar atrasos na implantação da

usina. Refazer é ineficiente, caro e normalmente o resul -

tado não é adequado.

Embora muito se fale sobre o aumento de canaviais, o

mercado de montagem e estrutura de usinas deve acom -

panhar o crescimento dos canaviais. Não há sentido inves -

tir no parque industrial se não há cana. “Desta forma, os

planejamentos - agrícola e industrial - devem correr jun -

tos, sendo que o industrial sempre deve ter um atraso em

relação ao agrícola. Hoje há uma busca pela recomposição

dos canaviais e assim espera-se um grande número de ins -

talações (implantações e ampliações que, na nossa lingua -

gem, são chamados de “ greenfields ” e “ revamps ”)”, afirma

Dalla Vecchia.

Vale salientar que o principal cuidado ao montar uma

22

tecnologia industrial tos conceituais e básicos, se esgotem todas as alternativas, usando-se o tempo que for

tecnologia industrial

usina é durante a fase de planejamento e projeto. Esta fase

deve ser levada a cabo por gente experiente e competente.

"Alguns investidores trazem empresas de projetos e planeja -

mento fora do setor, acreditando que, pelas suas dimensões,

elas darão conta do recado, o que não é verdade. Na prática,

se vê aumento desnecessário de custos e duvidosa credibi -

lidade nos resultados", lembra.

Carvalho acredita que é preciso levar em conta a sus -

tentabilidade do local, tais como área de plantio, local para

descarte de efluentes, transporte dos produtos instalando-se

perto de hidrovias, ferrovias e rodovias de fácil escoamento

do produto ao mercado.

Dalla Vecchia atenta que a seleção dos equipamentos

deve ser feita sempre em base econômica. “Os equipamen -

tos principais devem ser definidos logo no início do proje -

to, pois, do tipo escolhido, dependerão todos os balanços

materiais e energéticos e, portanto, todos os demais itens.

Entretanto, há muita paixão na escolha destes itens. A es -

colha é influenciada pela experiência anterior dos técnicos

envolvidos no projeto, incluindo relacionamento com for-

necedores de equipamentos. O ideal é que a escolha seja

feita numa comparação realista de custos, o que muitas ve -

zes não é fácil”, sugere.

Vários profissionais são envolvidos para a montagem

de uma usina. As equipes são multidisciplinares e alter -

nam-se ao longo da montagem da usina, como também

o contingente de pessoas segue uma curva que aumenta

aos poucos no começo da obra, chega a um pico, e depois

cai lentamente no decorrer dos últimos serviços. “Em

épocas de pico pode-se chegar a ter mais de mil pessoas

trabalhando na obra”, enfatiza Dalla Vecchia.

Operários da construção civil, montadores mecâni -

cos, soldadores, operadores de máquinas e guindastes,

topógrafos e engenheiros são encontrados na obra. As

equipes de apoio, que se encarregam da alimentação,

hospedagem, segurança patrimonial e pessoal, serviços

sociais e assistência médica, permanecem na obra des -

de o início até o final. O pessoal de recursos humanos,

administradores, facilitadores e outros também ficam

perto da obra.

“Equipes de engenharia de campo e de escritório estão

sempre presentes. Geólogos, biólogos, engenheiros de to -

das as modalidades, arquitetos e advogados são envolvidos

na implantação em alguma fase da mesma”, finaliza.

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GESTÃO DE FROTA
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Transferência dos registros operacionais do computador de bordo

tec. agrícola

tec. agrícola Otávio Zurk 24 Em razão dos baixos teores no solo de práticas culturais que

Otávio Zurk

24

tec. agrícola Otávio Zurk 24 Em razão dos baixos teores no solo de práticas culturais que

Em razão dos baixos teores no

solo de práticas culturais que di -

minuem a sua disponibilidade e

importância na nutrição da cana, o

fornecimento adequado de micro -

nutrientes tornou-se fundamental

para o aumento de produtividade.

As funções que os micronutrien -

tes desempenham justificam esse

aumento de produtividade. Isso

porque participam de funções vi -

tais no metabolismo das plantas,

principalmente como ativadores

enzimáticos de processos metabó -

licos e/ou fenológicos, indutores de

resistência a pragas e doenças e na

qualidade de matéria-prima.

FUNÇÕES

Boro (B): O boro é responsável pelo

desenvolvimento de raízes e trans -

porte de açúcares. A função fisio -

lógica do boro difere dos outros mi -

cronutrientes, pois este ânion não

foi identificado em nenhum com -

posto ou enzima específica. Entre

as principais funções atribuídas a

este micronutriente está o metabo -

lismo de carboidratos e transporte

de açúcares através de membranas;

síntese de ácidos nucléicos (DNA

e RNA) e de fitohormônios; forma -

ção de paredes celulares e divisão

celular.

Zinco (Zn): O zinco potencializa a

produção do hormônio de cresci -

mento (auxina) devido à sua fun -

ção na ativação das enzimas sin -

tetase do triptofano e metabolismo

de triptamina. É constituinte da ál -

cooldesidrogenase, desidrogenase

glutâmica, anidrase carbônica etc.

Se concentra nas zonas de cresci -

mento devido à maior concentração

auxínica.

Cobre (Cu): O cobre é elemento im -

portante na fotossíntese, atuando

no transporte eletrônico via plas -

tocianina. Na respiração, atua na

oxidação terminal pela oxidase do

citrocromo. Também aumenta a re -

sistência às doenças e age na sín -

tese protéica. Na distribuição do

cobre nos diversos órgãos da cana -

tecnologia agrícola

-de-açúcar, observa-se acúmulo

no palmito em quantidades mui -

to maiores que nos demais órgãos.

Evans, 1916, citado por Malavolta

(1980) mostrou que naquele tecido

existe atividade muito alta de poli -

fenoloxidase, uma enzima ativada

pelo Cobre.

Manganês (Mn): O manganês tem

grande importância na fotossínte -

se, por estar envolvido na estrutu -

ra, funcionamento e multiplicação

de cloroplastos, além de realizar

o transporte eletrônico. Realiza

também a ativação enzimática de

algumas desidrogenases, descar -

boxilases, quinases, oxidases e pe -

roxidases. Nota-se grande quanti -

dade de manganês nas zonas de

crescimento da planta, principal -

tec. agrícola Otávio Zurk 24 Em razão dos baixos teores no solo de práticas culturais que

mente no palmito. Este elemento concen -

tra-se principalmente nos tecidos meris -

temáticos.

Molibdênio (Mo): responsável por au -

mentar a eficiência da nutrição ni -

trogenada e a produção de sacarose.

É essencial para o metabolismo do

nitrogênio em plantas que utilizam

como fonte deste nutriente o nitrato

do solo e/ou nitrogênio atmosférico

proveniente da chamada fixação bio -

lógica por bactérias dizotróficas asso -

ciadas à planta. A cana-de-açúcar, de -

vido à possibilidade de recebimento

das duas fontes de N, conclui-se que o

Mo é fator de produção desta cultura,

pois o seu fornecimento adequado é

necessário para que a elevada deman -

da de N seja atendida.

DEFICIÊNCIAS

Boro (B): os sintomas leves de defici -

ência deste micronutriente mostram

pequenas estrias cloróticas e aquo -

sas no espaço internerval das folhas

25
25
26
26

tecnologia agrícola

jovens. As áreas cloróticas podem

evoluir para a necrose e o cresci -

mento irregular do limbo foliar ten -

de a causar enrugamento em algu -

mas bandas.

Nos casos mais severos, os sintomas

evoluem para a necrose das folhas,

encurtamento do limbo foliar e ne -

crose do tecido meristemático in -

tercalar, causando os sintomas de

necrose interna de espiral no caule,

próximo ao meristema apical.

Têm-se também folhas torcidas;

lesões translúcidas; plantas novas

com muitos perfilhos; folhas tendem

a ficar quebradiças; folhas do car -

tucho podem ficar cloróticas e mais

tarde necróticas; sintoma da defici -

ência semelhante ao dano causado

por herbicidas; clorose nas pontas e

margens das folhas novas progredin-

26 tecnologia agrícola jovens. As áreas cloróticas podem evoluir para a necrose e o cresci -

do da base para a ponta da lâmina foliar;

por fim, a clorose estende-se às folhas

mais velhas, e torna-se necrose; pontas

das folhas podem ficar severamente quei -

madas.

Zinco (Zn): Em solos deficientes em zin -

co, as plantas de cana-de-açúcar ao ger-

minarem apresentam pequeno alonga -

mento do palmito, com tendência das

folhas saírem todas do vértice foliar na

mesma altura, formando o sintoma de “le-

que”. Em plantas com mais de seis me -

ses, observa-se ligeiro encurtamento nos

entrenós, clorose internerval e amarele -

cimento mais acentuado da margem pa -

ra a nervura central, quando junto a ela

normalmente a lâmina se mantém verde.

Formam-se estrias cloróticas na lâmina

foliar, e uma faixa larga de tecido cloró -

tico de cada lado da nervura central, mas

não se estendendo à margem da folha,

exceto em casos severos de deficiência.

Cobre (Cu): Pequeno desenvolvimento

da planta, encurtamento dos entrenós,

folhas cloróticas e difícil aparecimento

de folhas novas; folhas se curvam para o

solo “topo-caído”, pois colmos e meriste -

mas perdem a turgidez, e em casos mais

agudos ocorre clorose foliar dividida em

pequenos retângulos (não confundir com

26 tecnologia agrícola jovens. As áreas cloróticas podem evoluir para a necrose e o cresci -

27

tecnologia agrícola

tecnologia agrícola sintoma de mosaico da cana). Nas áreas deficientes, com frequência formam-se reboleiras de área

sintoma de mosaico da cana).

Nas áreas deficientes, com frequência

formam-se reboleiras de área variável,

com folhas verticiladas, formando o sin -

toma de leque e a presença de manchas

verdes nas folhas. Quando a deficiência

é severa, as folhas descoloridas se tornam

mais finas e enroladas.

para as pontas.

FATORES ASSOCIADOS À DEFICIÊNCIA

Tem-se verificado aumento na ocor -

rência de deficiência de micronutrientes

pelos seguintes motivos principais:

  • - baixo teor original destes nos solos; em

destaque, solos derivados de arenitos

FORNECIMENTO ADEQUADO DE MICRONUTRIENTES

Os micronutrientes podem ser forne -

cidos de maneiras diversas, mas a aplica -

ção via solo na formulação sólida N - P 2 O 5

- K 2 O tem vantagem por ter maior efeito

residual dos micronutrientes, com exce -

ção do B, o qual deve ser aplicado anual -

mente, em função de seus teores no solo.

Manganês (Mn): as plantas deficientes

desse elemento apresentam clorose in -

ternerval convergente com a nervura cen -

tral. As áreas cloróticas podem evoluir

para estrias necróticas. A clorose tende

a atingir apenas parte do limbo foliar, lo -

calizando-se no ápice ou base da folha, e

a lâmina foliar tende a ser mais estreita.

Molibdênio (Mo): ocorrem pequenas es -

trias cloróticas longitudinais, começando

e também com baixos teores de maté -

ria orgânica.

  • - práticas corretivas: Calagem e adubação

CANA PLANTA

A - Via Solo

fosfatada diminuem a disponibilida -

de dos micro metálicos, já gessagem

a1 - Adubação Sólida

É importante ressaltar que os micro -

de MoO 4

  • 2- nutrientes devem estar agregados à fonte

.

  • - aumento da colheita de cana crua, au -

de P 2 O 5 , ou revestindo todos os grânulos

mentando a palhada, e consequente -

N - P 2 O5 - K 2 O. Isso garante maior unifor-

mente a matéria orgânica, a qual for-

midade na aplicação dos micronutrien -

ma complexos estáveis com o cobre.

  • - uso de novas variedades com alto poten-

tes, e maior solubilidade dos mesmos.

Na tabela 2 é possível perceber os re -

no terço apical da folha. As folhas mais

velhas secam prematuramente do meio

cial de produtividade e maior extração

de micronutrientes.

28
28

sultados da aplicação de zinco na cana -

-de-açúcar.

As quantidades fornecidas de Zn e Cu

são suficientes para cerca de cinco cor-

tes, não sendo necessário a sua aplicação

em cana soca, pois esses nutrientes têm

contato com a raiz por difusão (fixação).

Quanto ao B, o mesmo deve ser aplicado

em todo o corte, uma vez que o mecanis -

mo é por fluxo de massa (alta absorção

e lixiviação), principalmente quando o

solo estiver com teores menores do que

0,6 mg/ dm 3 .

a2 - Via solo - adubação fluída

No caso de unidades que produzem

tecnologia agrícola sintoma de mosaico da cana). Nas áreas deficientes, com frequência formam-se reboleiras de área

29

tecnologia agrícola

tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -

adubos fluidos, os micronutrientes po -

dem ser adicionados às formas de ma -

cronutrientes. Utilizando para B, de -

ve-se usar ácido bórico, e para micros

metálicos sais de sulfato, produtos que -

latizados, fosfitos, ácidos húmicos e fúl -

vicos.

te o boro, devido ao seu mecanismo

de contato com a raiz ser por fluxo de

massa (altamente móvel no solo), sen -

do uma das opções conjuntamente com

o herbicida na dosagem de 0,75 kg/ha

de B, equivalente a 4,5 kg/ha de ácido

bórico.

PARÂMETROS PARA RECOMENDAÇÃO DE MICRONUTRIENTES

Os principais parâmetros para reco -

mendação de micronutrientes na cana -

-de-açúcar são diagnose visual (sinto -

ma de deficiência), diagnose foliar (teor

de nutrientes na folha), análise de solo

tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -

Segundo Zurk, os micronutrientes participam de funções vitais no metabolismo das plantas

APLICAÇÃO DE MICRONUTRIEN-TES EM USINAS

  • B) Via folha

Quando for aplicado N via foliar, o

Mo deve acompanhá-lo em virtude da

participação de dois sistemas enzimá -

ticos (nitrogenase e redutase do nitra -

to), diretamente ligados ao metabolis -

mo do N.

A dosagem de N é na faixa de 15 a 20

kg/ha e a de Mo na faixa de 150 a 200 g/

ha, podendo-se sugerir, por exemplo, a

formulação 26-00-00 + 0,26% Mo. Ge -

ralmente essas aplicações são realizadas

na produção de mudas ou quando o ca -

navial possui alto potencial produtivo,

em seu fechamento (meses de novem -

bro/dezembro).

(estoque de nutrientes no solo) e po -

tencial de produtividade (necessidades

da planta).

A adubação começa com as análi -

ses de solo e de folha, continua com as

práticas corretivas (calagem, gessagem,

fosfatagem), práticas conservacionis -

tas (adubação verde, manejo do mato),

utilização de co-produtos de indústria,

quando disponíveis, e termina com a

aplicação do fertilizante mineral, sendo

a aplicação de micronutrientes a última

etapa do processo produtivo. Assim, o

uso adequado de micronutrientes po -

tencializa a produtividade, a qualidade

e resistência à pragas e doenças.

O Laboratório do IAC (Instituto

Agronômico de Campinas), após anali -

sar um grande número de solos de áreas

produtoras de cana-de-açúcar, concluiu

que esses canaviais possuíam teores ex -

tremamente baixos de micronutrientes.

Associado à baixa produtividade do ca -

navial, esse fato motivou o início de

um projeto o qual recebeu o nome de

“Micronutrientes em Cana-de-Açúcar”.

O projeto foi coordenado pelos pes -

quisadores José A. Quaggio e Estevão V.

Mellis, do Centro de Solos e Recursos

Ambientes do IAC, com apoio finan -

ceiro da Fapesp (Fundação de Ampa -

ro a Pesquisa do Estado de São Paulo),

  • C) Via muda (tolete)

É possível realizar a aplicação con -

junta com defensivos (desde que haja a

compatibilidade destes, com as fontes

de micronutrientes na operação de co -

brição da muda. As dosagens e fontes

normalmente utilizadas são de 300 a 350

g/ha de B (ácido bórico), 750 g/ha de Zn

e 400 g/ha de Cu (sais, quelatos, ácidos

húmicos e fúlvicos ou fosfitos).

  • D) Via Herbicida Em cana soca aplicar principalmen -

tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -

junto com 13 unidades produtoras de

açúcar e álcool do Estado de São Pau -

lo: Usina Branco Peres, Usina Moema,

Usina Batatais, Usina São João, Usina

da Pedra, Usina Nova América, Usina

Cocal, Usina Guaíra, Usina Colorado,

Grupo Virgolino Oliveira (Unidades Jo -

sé Bonifácio e Itapira), Usina Guarani,

Usina Vista Alegre e Grupo Cosan (Uni -

dade Costa Pinto).

O objetivo do projeto foi avaliar a

resposta da cana-de-açúcar à aduba -

ção com micronutrientes em solos de

baixa fertilidade. Foram instalados 15

30

tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -

ensaios entre os anos de 2006 e 2008,

utilizando doses mais elevadas, que

seriam suficientes para três a quatro

anos, aplicando fontes solúveis dos

micronutrientes. Os ensaios foram

montados em diferentes ambientes

de produção das regiões canavieiras

do Estado de São Paulo.

Para os micronutrientes cobre,

manganês e zinco foram utilizados

como fonte sulfatos, para o boro foi

utilizado bórax e para o molibdênio,

molibdato de amônio. Os ganhos mais

expressivos de produtividade em cana-

-planta foram para o zinco, molibdênio

e manganês. Para o zinco, proporcio -

nou ganho de produtividade de 17%

em média em relação ao tratamento que

não houve aplicação dos micronutrien-

tes, e para o molibdênio e manganês,

proporcionaram ganhos médios de 14%

tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -
tecnologia agrícola adubos fluidos, os micronutrientes po - dem ser adicionados às formas de ma -

tecnologia agrícola

e 12%, respectivamente.

A aplicação de zinco no sulco de

plantio proporcionou, em média, lu -

cro de R$ 567 por ha na primeira safra.

Com a agregação do processo indus -

trial, o incremento de receita foi de R$

2455 em açúcar ou de R$ 953 em etanol

por ha de cana plantada. Considerando

os ganhos nos próximos cortes, o retor-

no econômico será ainda mais elevado.

Em relação aos tratamentos de co -

bre e molibdênio, o aumento de pro -

dutividade de cana-planta não apre -

sentou grande lucratividade. Quando o

incremento é estimando a produção de

açúcar e etanol, mostra-se mais vanta -

joso em relação à testemunha. O estudo

afirma a necessidade de mais estudos

com os micronutrientes em cana-de -

-açúcar que possibilitem estabelecer

recomendações de adubação mais pre -

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31
31

tecnologia agrícola

tecnologia agrícola cisas para esses nutrientes. O ganho de produtividade proporcio - nado pela aplicação dos

cisas para esses nutrientes.

O ganho de produtividade proporcio -

nado pela aplicação dos micronutrientes

é de importância maior do que a rentabi-

lidade da cultura, pois a demanda eleva-

da por etanol leva ao aumento das áreas

ocupadas pela cana-de-açúcar. O uso dos

micronutrientes elevando a produtividade

da cana-de-açúcar pode ser uma alterna-

tiva para diminuir a expansão na busca

de suprir a demanda de etanol. A aplica-

ção dessa tecnologia também proporciona

maior eficiência logística de transporte

por unidade de produção.

tecnologia agrícola cisas para esses nutrientes. O ganho de produtividade proporcio - nado pela aplicação dos

* Graduando de Engenharia Agronômica na Esalq/USP (Escola Superior de Agricul - tura Luiz de Queiróz da Universidade de São Paulo) e estagiário do Gape (Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão).

32

tecnologia agrícola cisas para esses nutrientes. O ganho de produtividade proporcio - nado pela aplicação dos

33

tec. agrícola
tec. agrícola

O mercado já oferece ao setor sucroenergético novas tecnologias para enfardamento da palha da cana-de-açúcar, uma das melhores biomassas para cogeração de energia. As máquinas trazem o conceito de tornar o processo muito mais eficiente e produtivo, garantindo aumento da capacidade energética das usinas

tec. agrícola O mercado já oferece ao setor sucroenergético novas tecnologias para enfardamento da palha da

tecnologia agrícola

O que significa mais palha nos canaviais.

No entanto, ela sai da posição de resí-

duo incômodo para a posição de resíduo

ouro e traz a possibilidade de aumento de

capacidade e eficiência energética nas usi-

nas.

Hoje, de toda biomassa produzida por

um canavial, a palha representa 39%. De

acordo com o professor titular da Esalq/

USP (Escola Superior de Agricultura Luis

de Queiroz, da Universidade de São Pau-

lo), Tomaz Caetano Cannavam Ripoli, em

média, 1 ha de cana fornece de 18 a 32 t/

ha de palhiço (base peso úmido) ou de 6

a 11 t/ha com base em peso seco (cerca de

dez dias após colheita mecânica).

“Uma tonelada de palhiço (peso seco)

tem um equivalente energético da ordem

de 1,2 a 2,1 barris de petróleo. Então seria

um absurdo não aproveitar tal potencial.

Há mais de 15 anos preconizo o uso da

palha da cana como agregação de valor. O

palhiço é uma das melhores biomassas pa-

ra cogeração, se comparado com outros re-

síduos de colheita de outras culturas (pa-

lhas de grãos em geral). Sem dúvida, será

um enorme fator de agregação de valor. E

não apenas para cogeração. Com a chega-

da do etanol de segunda geração, será uma

matéria-prima importantíssima, se não for

a principal”, enfatiza.

José Guilherme Perticarrari, coordena-

dor de Engenharia Agrícola do CTC (Cen-

tro de Tecnologia Canavieira) e Marcelo

Almeida Pierossi, especialista em Tecno -

logia Agroindustrial da Coordenadoria de

Engenharia Agrícola do CTC, explicam

que a quantidade de energia em um col-

mo de cana-de-açúcar está disponibiliza-

da da seguinte maneira: aproximadamente

1/3 encontra-se no caldo (convertido em

açúcar ou etanol), 1/3 encontra-se no baga -

ço (convertido em energia térmica para o

processo e/ou geração de energia elétrica)

e 1/3 encontra-se nas folhas que são dei-

xadas no campo após a colheita ou quei-

madas para a colheita manual.

“Por isso ao utilizarmos a palha esta-

remos disponibilizando uma energia adi-

cional que poderá ser convertida em ener-

gia elétrica sem necessidade de alterações

nas caldeiras atuais de bagaço, necessi -

tando somente de um processamento pa-

ra a adequação do tamanho da partícula”,

afirmam.

PALHA X BAGAÇO

Muito ainda se discute a respeito da co -

geração através do palhiço. Alguns ainda

acreditam que acertos deverão ser feitos

a fim de que esta matéria-prima tenha a

mesma eficiência que o bagaço da cana.

Perticarrari e Pierossi explicam que o

O avanço da colheita mecanizada, pro -

piciada pela proibição da queima da cana,

causou mudanças não só no cenário social,

com o fim do corte manual, como também

nos canaviais, com o aumento da quantida-

de de palha disponível no solo. Isso poderia

ser um grande problema ao contribuir com

o aumento de algumas espécies de pragas,

se não fosse a sua utilização para a cogera-

ção de energia.

A atividade de recuperação do palhiço

da cana não é algo novo. Vem crescendo

nos últimos anos e deve continuar com um

crescimento exponencial, segundo alguns

especialistas. Em outros estados brasileiros,

onde projetos de expansão no setor estão

se intensificando, as secretarias ambientais

passaram a exigir, como um dos requisitos

para aprovação dos mesmos, que as plantas

contemplem 100% de colheita mecanizada.

34

tec. agrícola O mercado já oferece ao setor sucroenergético novas tecnologias para enfardamento da palha da

35

tecnologia agrícola

bagaço queimado atualmente nas caldei-

ras chega a custo zero para as usinas e

por isso não pode ser comparado à palha.

Entretanto, caso a usina necessite de ba-

gaço adicional, que às vezes precisa ser

buscado no mercado, é necessário um es-

tudo individual para verificar qual opção

é a mais viável economicamente. “Neste

estudo deve ser considerado o custo do

bagaço, o seu frete e o poder calorífico da

palha que, por ser seca em condições de

campo, possui uma umidade em torno de

15%, conferindo um poder calorífico de

3.100 kcal/kg contra 1.700 kcal/kg do ba -

gaço com 50% de umidade”, salientam.

Ripoli diz que tem visto nas usinas que

o palhiço é misturado ao bagaço (meio a

meio), a fim de ocorrer melhor eficiência

de queima e evitar contrafogo na caldeira.

“Tanto no bagaço como no palhiço, pre -

domina a celulose, assim, quimicamente

eles são muito parecidos. O importante é

compatibilizar a caldeira para receber tais

materiais.”

Falando em números, o engenheiro

agrônomo e responsável por Produtos da

Kuhn, Jean-Sébastien Salaud, diz que o

custo do bagaço na entrada da caldeira se

torna teoricamente mais barato que o pa-

lhiço, passando pelo recolhimento a cam-

po e o transporte até a usina. “Porém, o

palhiço possui um teor de umidade bai -

superior. Além disso, a retirada da palha

traz uma série de vantagens.”

Samir Fagundes, especialista em Ma -

rketing da New Holland, acredita que as

fontes são diferentes, mas uma não anula

a outra. Dentro do estudo feito pela New

Holland em parceria com o CTC, o custo

para produzir um MW/h com a palha da

cana-de-açúcar é de R$ 45 a R$ 60, varian -

do de acordo com a distância entre o ca-

navial e a usina. “Queremos abaixar para

um valor em torno de R$ 42. De acordo

com a Aneel (Agência Nacional de Energia

Elétrica), o processo de geração de bioele-

tricidade, por exemplo, é R$16,65/MW/h.

Mais barato do que a produção de energia

hidrelétrica.”

Hoje a quantidade de palha restante no

solo por conta da colheita mecânica é, em

média, de 15 t por ha, um grande potencial

que pode ser utilizado pelas usinas.

Mas quanto poderia ser retirado de pa-

lha para cogerar? Ripoli recomenda que se

retire 50%, para que o restante fique sobre

o solo a fim de:

  • - Melhorar a relação C:N do solo;

-Diminuir a amplitude térmica do solo

(noite e dia);

  • - Diminuir a evaporação de água;

  • - Controlar parcialmente ervas daninhas (menor uso de herbicidas);

  • - Servir de alimento a biota do solo (ma-

cultura”, explica.

Perticarrari e Pierossi acreditam que ao

se determinar a quantidade de palha a ser

recolhida ou deixada no campo, devem -

-se levar em conta os aspectos de clima

e solo presentes em cada região. “O CTC

vem desenvolvendo estudos agronômicos

e fitossanitários nesta área desde a déca-

da de 90. Atualmente temos refinado mais

estas pesquisas, uma vez que o interesse

econômico para o aproveitamento energé-

tico da palha pressiona bastante a retirada

da palha do solo”, salientam.

De acordo com Fagundes é indicado re -

colher entre 25% e 50% do total da palha

gerada. A quantidade varia em função das

condições climáticas e do solo, visto que

a palha da cana é de suma importância

para a cultura. “Locais mais secos preci-

sam de mais palha no solo, para manter a

umidade da terra. Solos com menos ma-

téria orgânica também. Em outros casos,

no inverno, muita palha pode atrapalhar

o crescimento da cana.”

Salaud diz que, de acordo com as con-

dições climáticas e o tipo de solo, pode se

retirar de 50% até 80% do palhiço disponí-

vel após a colheita mecanizada. “As usinas

retiram o máximo visando uma operação

de cultivo após o enfardamento entre ruas,

porém quanto maior a quantidade de palha

recolhida, maior será o teor de impurezas

xo, o que lhe confere um poder calorífico

cro e micro);

minerais, as quais poderão gerar proble -

  • - Controlar parcialmente o ataque de ci-

mas interiores na caldeira. Recolher uma

garrinhas.

quantidade entre 60% e 70% beneficia não

36

tecnologia agrícola bagaço queimado atualmente nas caldei- ras chega a custo zero para as usinas e

“Basta ver o resultado da figura 1. O

gr á fico mostra a diferença de atividade

microbiológica em solo de mata natural e

em solo com cana. Com cana, observamos

que há pelo menos quatro vezes menos ati-

vidade. A baixa atividade microbiológica

dificulta a absorção do fertilizante pela

Pierossi acredita que o aumento da utilização da palha de cana-de-açúcar na cogeração de energia depende exclusivamente das condições do mercado de energia elétrica, visto que a solução proposta tem viabilidade técnica e econômica

só a cogeração, como também preserva as

vantagens do palhiço no campo (garante

umidade do solo, diminui o crescimento

das plantas daninhas etc).”

DE OLHO NA PRODUÇÃO DE ENERGIA

As fabricantes de máquinas e equipa-

mentos não estiveram somente focadas na

mecanização do plantio e corte de cana.

Também têm se mostrado preocupadas em

oferecer ao mercado, soluções para tornar

tecnologia agrícola

o processo de produção de energia através

da palha mais eficiente e rentável.

A New Holland, empresa especializada

em tratores e colhedoras para grãos desen-

volveu seu primeiro projeto de biomassa

em parceira com o CTC. Segundo Fagun-

des, as pesquisas estão sendo realizadas

há mais de um ano e meio. “Com o CTC,

estamos desenvolvendo um conceito, que

passa pela parte agrícola de transporte e

de geração de energia. A New Holland par-

ticipa do projeto no desenvolvimento do

processo de enfardamento da palha e o

CTC desenvolve, em parceria com outras

empresas, um caminhão para transportar

os fardos de palha e ainda um sistema de

processamento nas caldeiras produtoras

de energia elétrica de biomassa nas usi -

nas”, explica.

Perticarrari e Pierossi contam que a

parceria surgiu após o CTC realizar tes -

tes preliminares que mostraram resulta -

dos promissores que poderiam ser obtidos,

desde que fosse desenvolvido um siste -

ma para o recolhimento da palha de cana

através do enfardamento. Entretanto, este

desenvolvimento deveria ser realizado em

parceria com uma empresa que dominasse

as operações de campo de fenação e forra-

gem, diminuindo assim os custos e tempo

tecnologia agrícola bagaço queimado atualmente nas caldei- ras chega a custo zero para as usinas e

Figura 1

de desenvolvimento.

“Esta parceria conta com forte siner-

gia, visto que o CTC possui domínio da

tecnologia canavieira e a New Holland o

domínio de tecnologia de fenação e for-

ragem. Coube ao CTC os ensaios de cam-

po e desenvolvimento de soluções para o

transporte e processamento de fardos e à

New Holland o desenvolvimento dos equi-

pamentos agrícolas presentes na operação

(aleiradora, enfardadora de fardos retan -

gulares e carreta recolhedora de fardos).”

Fagundes diz que além da perspecti -

va contínua do aumento da produção de

alimentos no Brasil, gerada pela crescen-

te demanda no planeta, o País desponta

no quesito geração de energia. “Com uma

nova marca, a “Clean Energy Leader ”, de -

senvolvemos este conceito visando a uti-

lização da BB9080 no processo de enfar-

damento da palha da cana. O projeto tem

um viés de grande importância econômi-

37
37

tecnologia agrícola

tecnologia agrícola ca dentro das usinas, pois se trata de uma matriz com menor custo por

ca dentro das usinas, pois se trata de uma

matriz com menor custo por geração de

MWh. O usineiro completa o ciclo produ-

tivo da cadeia, pois tem aproveitamento

de resíduos, podendo inclusive tornar-se

autossuficiente em energia elétrica e até

mesmo lucrar com o excedente”, destaca.

O Grupo Kuhn lançou, em 2006, o pro -

jeto Kuhn Bioenergy visando oferecer uma

linha de equipamentos voltados ao setor

energético mundial. O Grupo atende as

unidades de produção de biogás e bioe -

lectricidade. Segundo Salaud, a Kuhn do

Brasil passou a oferecer, em 2010, a linha

de enfardadoras para o recolhimento da

biomassa como o palhiço de cana.

Guilherme Bellardo, gerente de Pro -

dutos Forrageiros para a América Latina

da AGCO, grupo fabricante dos produtos

Massey Ferguson e Valtra, diz que a busca

pela sustentabilidade e o aproveitamento

integral de todos os produtos e subprodu-

tos nas lavouras pressupõe que o mercado

esteja atento para a tendência da cogeração

de energia como forma de aumentar seus

rendimentos. “Estes motivos somados ao

nosso know-how para soluções no campo

e experiências positivas em outros países

onde a marca atua, nos inspiram a proje-

tar uma grande procura pela enfardadora.”

TECNOLOGIAS PARA O ENFARDAMENTO

Para que se consiga alcançar maior efici-

ência deste processo, todos os equipamen-

tos envolvidos devem trabalhar juntos.

Cerca de sete a dez dias após a colheita

da cana-de-açúcar a palha já se encontra

com a umidade adequada para o enfarda-

mento (entre 10% a 15%). Pierossi explica

que a primeira operação realizada para re-

tirada de palha é o aleiramento, que con-

siste na formação de leiras que serão re-

colhidas pela enfardadora. “Nas condições

dos nossos canaviais, a largura do aleira-

mento utilizado é de 7,5 m, que possibili-

ta uma quantidade adequada de biomas-

sa para o processamento da enfardadora.”

Para Salaud, o aleiramento é a chave do

sucesso do enfardamento. “De fato, a qua-

lidade de trabalho deste equipamento deve

responder a dois parâmetros essenciais:

respeitar a quantidade de material a ser

recolhido e juntar o mínimo de impureza

mineral possível.” Ele diz que a empresa

tem trabalhado em diversos projetos vol-

tados ao recolhimento do palhiço e que,

até o momento, oferece três grandes tipos

de aleiradores.

A AGCO também oferece ao mercado

seu modelo de enleirador, o MF5130 He -

avy Duty para palha de cana.

Com a leira pronta, a enfardadora entra

para recolher a biomassa transformando-a

em fardos retangulares.

Fagundes explica que a enfardadora

New Holland é equipada com o sistema

de recolhimento Super Sweep, o que ga -

rante boa remoção do material. “A eficiên-

cia é garantida pelos dedos recolhedores

curvos com pequenos espaçamentos que,

combinados com as rodas limitadoras, aju-

dam a limpar o campo mesmo em altas

velocidades. A enfardadora produz fardos

de 120 cm de largura, 90 cm de altura e

até 250 cm de comprimento, que chegam

a 480 kg de palha.”

A máquina possui ainda, sistema de

amarração dupla, que possibilita uma

maior densidade de fardo, menor esfor-

ço sobre o sistema de amarração e maior

confiabilidade nos nós. “Além dos nós du -

plos, seis fios mantêm a integridade do

fardo, mesmo ao produzir fardos de alta

densidade. São equipadas com o monitor

colorido IntelliView III TM, que possibi -

lita visualizar informações completas da

máquina, bem como controlar o sistema

de lubrificação automática de dentro da

cabine, fornecendo informações detalha-

das das condições da colheita, evitando o

processamento de material que ainda não

está pronto”, explica Fagundes.

Os modelos oferecidos pela Kuhn, de

acordo com Salaud, apresentam o exclu-

sivo sistema de Rotor Integral para gran-

des capacidades de recolhimento. “O Ro -

tor Integral garante que a alimentação da

enfardadora seja constante com todos os

tipos de produtos. O sistema possui um

rotor agressivo com grades sem fins de alta

resistência no mesmo eixo, diminuindo os

riscos de embuchamento e reduzindo os

custos com a manutenção.”

O design da câmara de pré-compac -

38

tecnologia agrícola ca dentro das usinas, pois se trata de uma matriz com menor custo por
informe publicitário Grupo DASA/PR: retomando o crescimento Como muitas outras empresas, em 2007, 2008 e 2009,
informe publicitário
Grupo DASA/PR: retomando o crescimento
Como muitas outras empresas, em 2007, 2008
e 2009, a DASA - Destilaria Americana S.A. - de Nova
América da Colina, PR, pelo volume de investimentos
realizados visando produzir em escala de mercado,
sofreu os impactos da baixa dos preços do etanol e da
crise mundial de crédito, que reduziu a capacidade de
plano de recuperação judicial, largamente elogiado
por todos os credores, nas negociações realizadas
e, principalmente, pela credibilidade que emprestou à
DASA e à ANA, garantindo a seriedade e veracidade
das informações com que estávamos trabalhando este
processo”.
financiamento do setor.
Hoje a empresa possui sistemas informatizados
No entanto, para sair da crise, a DASA buscou
aprimorar ainda mais sua organização. Assessorada por
empresas de destaque no setor, passou a analisar ainda
melhor sua atividade agroindustrial, planejando suas
para os controles Administrativos e Áreas Agrícola
e Industrial desenvolvidos com o apoio da MBF
Agribusiness, o que os aprimora e permite maior
agilidade e confiabilidade das operações da Cia.
ações de maneira mais eficaz e adotando correções,
Com
capacidade
para
moer
1
milhão
de
t
visando antecipar-se aos problemas.
de cana, a empresa deve processar nessa safra de
Investiu no aprimoramento da Área de
Controladoria, implementando indicadores de avaliação
de performance e qualidade diários e, em alguns casos
até on line, nas áreas operacionais e administrativas, o
que gera números consistentes para reuniões semanais
entre os gestores das áreas e a diretoria, para análise e
correção do planejamento da safra.
aproximadamente 800 mil t até 22 de dezembro,
quando a safra deve ser encerrada.
Situada
em
uma
região
com
solo
que
é
considerado um
dos
mais
férteis
do
País
e
com
condições edafoclimáticas ideais para o cultivo da
cana-de-açúcar, a DASA atinge uma produtividade
média
de
95
t
de
cana
por
ha
em
canaviais com
Essas
reuniões
passaram a
ter
o suporte
de
longevidade muito acima da média nacional.
informações muito mais detalhadas e aprofundadas
para cada um dos segmentos envolvidos.
Uma das empresas que assessorou a DASA
neste processo foi a MBF Agribusiness, de Sertãozinho,
SP. O papel da consultoria foi introduzir uma política de
governança corporativa, preparando os profissionais
A empresa fabrica etanol e xarope, com uma
produção de 59.564 mil m³ e 17.290 t, respectivamente.
Mas a DASA está de olho no futuro e, para isso, estuda
a construção de uma fábrica de açúcar, bem como
iniciar o processo de cogeração de energia, tornado-a
uma empresa ainda mais competitiva.
da DASA para produzirem e criticarem os resultados
projetados e auferidos. Além disso, a consultoria
implantou a política orçamentária e de custos, gestão
contábil e planejamento financeiro.
O resultado do trabalho foi tão positivo que,
quando a DASA entrou em recuperação judicial no início
do ano, os principais credores indicaram a MBF para
acompanhar o Grupo durante a aplicação e execução
do plano de recuperação judicial, aprovado em outubro,
com alto índice de aceitação, durante assembleia.
O diretor da DASA, Wilson Baggio Jr. explica que
a consultoria “atuou no aperfeiçoamento das operações
de gestão, na preparação e acompanhamento do
Controles administrativos, agrícolas e industriais desenvolvidos com o apoio da MBF.
39

tecnologia agrícola

tação Power Density garante a formação

de leiras compactas, de alta densidade e

uniformes produzindo sistematicamente

fardos de formato uniforme em todas as

condições. Isto atende a necessidade de

colocar o máximo de palhiço no menor

volume possível, visando uma redução do

custo de logística. “Os fardos compacta -

dos serão atados através do simples, mas

confiável, sistema Twin-Step. A concepção

simples e resistente das máquina máquinasss propor propor- propor--

ciona um menor número de peças em mo -

vimento, um incomparável fluxo de pro -

duto, bom desempenho e confiabilidade”,

salienta Salaud.

“Os primeiros trabalhos e o dia-dia,

mostraram que a enfardadora LSB Power

Density da empresa produz fardos de 420

kg a 450 kg por minuto com umidade entre

12% a 15%, ou seja, uma densidade mé-

dia de 175-180 kg/m 3 (dimensões do fardo

quadrado 1,2 x 0,9 x 2,20 m). A potência

do trator que pode ser utilizado é de 150

cv, uma das menores potências

ncias do

do merca

merca--

do, a qual autoriza um custo de óleo diesel

reduzido”, conta.

A Massey Ferguson também lançou em

2011, a enfardadora MF 2170, que atua em

forragem, feno e palha de cana e milho.

De acordo com Bellardo, um dos grandes

diferenciais está na capacidade de alimen-

tação de palha de forma homogênea, ge-

rando um produto final uniforme. Outro

ponto forte e diferencial da máquina é a

alta capacidade de processamento e en -

fardamento, aumentando a eficiência de

campo e trazendo ganhos de ordem ope-

racionais e econômicos.

“O sistema de amarração dos fardos de

tecnologia agrícola tação Power Density garante a formação de leiras compactas, de alta densidade e uniformes

desgaste e, por consequência, menos pa-

radas para manutenção do equipamento.

Dependendo da quantidade de palha, che -

gamos a produzir um fardo entre 700 kg e

750 kg por minuto com tratores entre 180

cv e 200 cv para palha de cana.”

Com a bandeira Valtra, o Grupo AGCO

também lançou outra opção de enfarda -

dora, que atua tanto em palha de cana,

quanto em feno e forragem.

Bellardo, que também responde pela

Valtra, diz que a máquina tem um sistema

de nós duplos, que faz dois nós - um que

termina o fardo anterior e outro que inicia

o próximo fardo, alcançando índices de

densidade que ultrapassam os 400 kg por

fardo. Outros diferenciais estão também

no sistema de gerenciamento que mede

a carga nos sensores dos pistões e ajus -

ta automaticamente a pressão hidráulica

nas paredes laterais e no trilho superior,

proporcionando fardos homogêneos e si-

métricos.

“Além disso, a LB34B possui um siste-

ma de ventilação para a limpeza do me -

canismo de nós que garante menor des -

gaste e menos paradas para manutenção

empilhando-se em pilhas de 2 x 6 fardos

que são transportadas até o carreador on-

de são descarregadas. “Utilizando-se um

sistema de carregamento frontal montado

em um trator, os fardos são transferidos ao