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Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

Giselle Moura Schnorr - 2005


giselleschnorr@yahoo.com.br

Introdução:
- A interpretação e inserção crítica da/na história.
- Olhar progressista, comprometido com as lutas populares, na
superação da exclusão social.
- Compreensão de que o marco da formação da sociedade
brasileira é a dominação política e econômica. O uso da
violência contra comunidades indígenas, africanos e
camponeses pobres, que gestou um Estado centralizador e
autoritário, comprometido com os interesses da elite.
- A história da educação é história de negação do povo e de sua
cultura. A Escola é elitista, excludente e seletiva. (Arroyo)
- Desafio é a efetivação de políticas de Educação que levem em
conta o povo e suas lutas, garantindo o direito a educação, a
escolarização, resignificando a escola pública.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos
Giselle Moura Schnorr - 2005
giselleschnorr@yahoo.com.br

- A História da Educação Brasileira e nesta a história da Educação de


Adultos, posteriormente Educação de Jovens e Adultos, estão
situadas nas contradições sociais de nosso país.
- Uma sociedade que exclui seu povo, em que o acesso aos bens
culturais e materiais são vistos como privilégio, exige dos
educadores posição política, enquanto intelectuais comprometidos
com a transformação social. (Paulo Freire).
- As práticas de Educação de Adultos nasceram no seio da sociedade
civil, das “lacunas” do Sistema Educacional Brasileiro.
- As principais características das ações governamentais em EJA no
século XX foram de políticas assistencialistas, populistas e
compensatórias.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

✔ A Educação de Adultos no Brasil começa com os


Jesuítas - Brasil colônia - através da
catequização das nações indígenas.
✔ No Brasil Império - 1876 - primeiros registros do
Ensino Noturno para Adultos - denominado
educação ou instrução popular.
✔ Com a Lei Saraiva - 1882 -, proibe o voto do
analfabeto. A escolarização é associada
ascensão social e o analfabetismo à
incapacidade e incompetência.
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✔ 1890 - Censo: 85,21% iletrados na população


total.
✔ Anos 10 - Século XX - surto de nacionalismo e
patriotismo - questão de desenvolvimento
nacional chama a atenção para o problema da
escolarização.
✔ 1920 - 75% população analfabeta.
✔ Entusiasmo pela Educação: Ligas contra o
analfabetismo - fundadas por intelectuais, médicos,
industriais imbuídos do fervor nacionalista, pregavam
patriotismo, moralismo, civismo e visam “erradicar o
analfabetismo.” Alfabetizar tem um caráter político:
aumentar o contingente eleitoral.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

✔ Anos 20 - início de mobilizações em torno da


educação como dever do Estado, período de
intenso de debates políticos e culturais, questão
da identidade nacional, sentido de nação, etc.:
✔ 1922- Semana da Arte Moderna em São Paulo, I
Conferência sobre Ensino Primário, fundação do
Partido Comunista, Revolta do Tenentes.
✔ Pedagogia Libertária, primeiras greves operárias,
imprensa operária, movimento operário de linha
anarquista e anarco-sindicalista.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

Entusiasmo pela Educação e Otimismo


Pedagógico:
Dois Movimentos Ideológicos da Elite Brasileira
✔ Entusiasmo - Educação é vista com redentora dos
problemas da Nação. Surgiu nos anos de transição
do Império - República (1887-1897); recuou em
1896, volta nos anos 10- 20.
✔ Caráter Quantitativo: expansão da rede escolar,
“ligas contra o analfabetismo” anos 1910; visava a
imediata eliminação do analfabetismo - questão do
voto do analfabeto.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

Expressão deste entusiasmo é o preconceito contra


o analfabeto como responsável pelo atraso do
país:
“Analfabetismo é o cancro que aniquila o nosso
organismo, com suas múltiplas metásteses, aqui a
ociosidade, ali o vício, além o crime. Exilado dentro
de si mesmo como em um mundo desabitado, quase
repelido para fora da sua espécie pela sua
inferioridade, o analfabeto é digno de pena e a nossa
desídia indigna de perdão enquanto não lhe
acudimos com o remédio do ensino
obrigatório.”(Miguel Couto: IN: PAIVA, Vanilda. )
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

✔ Otimismo Pedagógico - surgiu nos anos 1920,


apogeu a partir de 1930 - Movimento Escola Nova.
✔ Caráter Qualitativo – Otimização do Ensino -
✔ Melhoria das condições didáticas e pedagógicas da
rede escolar.
✔ Ciclo de Reformas Educacionais nos Estados.
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REDE ESCOLAR NA I REPÚBLICA


“As poucas escolas públicas existentes nas cidades eram
freqüentadas pelos filhos das famílias de classe média. Os ricos
contratavam preceptores, geralmente estrangeiros, que
ministravam aos filhos o ensino em casa, ou os mandavam a
alguns poucos colégios particulares, leigos ou religiosos,
funcionando nas principais capitais, em regime de internato ou
semi-internato. Em todo vasto interior do país havia precárias
escolinhas rurais, em cuja maioria trabalhavam professores
sem qualquer formação profissional, que atendiam as
populações dispersas em imensas áreas: eram as substitutas
das antigas aulas régias, instituídas pelas reformas pombalinas,
após a expulsão dos jesuítas, em 1763.” (Prof. Paschoal
Lemme - rep. Mov. Escola Nova).
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✔ Educação Adultos é presença marcante nos


governos populistas, o contigente eleitoral
ampliou-se devido a urbanização, aos possíveis
efeitos das campanhas de alfabetização e
interesse da população pela participação na vida
política do país.
✔ Anos 30 – Criação do Ministério dos Negócios da
Educação e da Saúde Pública, inicia-se a
caracterização do Sistema Público de Ensino no
Brasil- caráter autoritário e centralizador.
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✔ Estado Novo (1937- 1945): ideário nacionalista,


autoritário e populista.
✔ Anos 40 - educação é uma questão de segurança
nacional, pois o atraso do país é associado a
falta de instrução de seu povo.
✔ 1942 - Criação do SENAI atrelamento da Ed.
Adultos à Ed. Profissional.
✔ Pós- Guerra: criação da UNESCO que solicita
esforços no combate ao analfabetismo.
✔ EJA surge no debate nacional na forma de
campanhas de alfabetização:
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

۷1946-58: Campanha Educação de


Adolescentes e Adultos – CEAA.
۷1952-63: Campanha Nacional de Educação
Rural - CNER.
۷ 1947- I Congresso Nacional de Educação de
Adultos: “ ser brasileiro é ser alfabetizado”.
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✔ 1949- Seminário Internacional de Educação de


Adultos, patrocinado pela UNESCO e pela OEA.
✔ 1949- I Conferência Internacional sobre Educação
de Adultos (Dinamarca) tendo como eixo central a
educação de adultos para “ o respeito aos direitos
humanos e para a construção de uma paz
duradoura, que seria uma educação continuada,
mesmo depois da escola.” (Gadotti, 2001)
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✔ 1958 até 1961- Campanha Nacional do


Analfabetismo (CNEA) .
✔ 1958 - II Congresso Nacional de Educação de
Adultos - Paulo Freire é uma expressão do campo
progressista da educação neste evento.
✔ 1961- Movimento de Educação de Base (MEB),
movimento de cultura popular vinculado à
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
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✔ 1960- 1964 - Movimentos de Cultura Popular de


Recife, Centros Populares de Cultura (UNE),
Comissão Nacional de Cultura Popular e Plano
Nacional da Alfabetização.
✔ 1961- 1963 - Mobilização Nacional contra o
Analfabetismo. Período de efervescência política
e cultural pelo clima de reformas de base
preconizadas pelo governo e pela organização e
mobilização popular na vida política nacional.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

✔ 1963- II Conferência Internacional sobre


Educação de Adultos, em Montreal: entendida
como educação formal ou permanente e de base
ou comunitária.
✔ Período pós-1964 - Regime Militar: Políticas
educacionais marcadas pelo tecnicismo,
reformas advindas de acordos com agências
internacionais.
✔ Na EJA destacam-se: Cruzada da Ação Básica
Cristã de 64- 71 - financiada pelo governo federal,
tenta contestar os movimentos educativos do
nordeste inspirados em PauloFreire e nos MCPs.
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✔ 1966 - Governo cria Plano Complementar ao


Plano Nacional de Educação e a Comissão
Nacional de Alfabetização e Educação
Assistemática (CNAED), com objetivo central de
“subsidiar” financeiramente ações na EJA e de
fazer o controle ideológico.
✔ 1967 - criação do MOBRAL - Lei 5.370 -
concebido como sistema de controle da
população, referência de EJA no regime militar.
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Anos 70- duas correntes de Educação de Adultos:


✔ - Educação não-formal, alternativa à escola;

✔ - Educação como suplência da educação formal,

entre elas o MOBRAL.


✔ Esta última referenda-se após a III Conferência

Internacional sobre Educação de Adultos, Tókio,


em 1972, tendo por objetivo reintroduzir jovens e
adultos ao sistema formal de educação.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

Anos 80 - processo de democratização do país;


diretas, constituinte, perspectiva de ampliação dos
direitos sociais, muitos movimentos sociais
populares buscando um nova e crítica leitura da
realidade brasileira: Sem Teto, MST, CMP, Mov.
Contra a fome e a miséria e pela vida, MNMMR,
Mov. de Mulheres, Homossexuais, Mov. Sindical,
CUT, pastorais sociais, etc.
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Constituição de 1988, garantia no artigo 208 -


inciso I “ ensino fundamental, obrigatório e
gratuito, inclusive para os que não tiveram
acesso na idade própria” e no artigo 60 do
Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, havia o compromisso do Poder
Público de em dez anos desenvolver
esforços para eliminar o analfabetismo e
universalizar o ensino fundamental, com
recursos previstos para esse fim.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos


Mobilização Internacional – 1990 Ano
Internacional da Alfabetização – ONU,
Jonthien na Tailândia.

1990 – governo Collor extingue Fundação
Educar criada na década 80.

Década 90- encontros latino-americanos,
nacionais (ENEJA) em 2005 tivemos o VII
em Brasília. Organização de Fóruns de EJA
nos Estados.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

1996- Emenda constitucional 14 (FHC): suprimiu a


obrigatoriedade do Poder Público em oferecer o
Ensino Fundamental aos Jovens e Adultos que não
tiveram acesso e suprimiu o artigo 60 que
determinava acabar com o analfabetismo em dez
anos.
Esta emenda cria o FUNDEF e não inclui a EJA na
distribuição dos recursos.
LDB 9394/96- nomenclatura Ensino Supletivo passa
para EJA, não trata da questão do analfabetismo,
reduz idade para realização dos exames em relação
a Lei 5692/71.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

- Governo FHC e Lerner centram-se na Gestão


por resultados, na perspectiva neoliberal,
Estado Mínimo, atrelado aos acordos
bilaterais - FMI e Banco Mundial.
- O PR pautou-se rigorosamente nestas políticas
nos 8 anos do governo Lerner. A EJA foi
utilizada como estratégia de aceleração da
“aprendizagem”, contribuindo para o
esvaziamento do ensino regular.
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- As ações na área educacional no PR geraram uma


perversa exclusão, “a exclusão por dentro”, o
esvaziamento do conhecimento no interior da escola.
- Características deste período são Centralização e
Descentralização:
- Descentralização financeira – estados, municípios e
sociedade civil assumem responsabilidade com o
financiamento da Educação - através de parcerias.
- Centralização das decisões - equipe de técnicos/ MEC/
SEED definem as ações sem a participação da sociedade
(vista como executora).
-
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-Parecer CEB/CNE 11/2000 que baseou a Resolução do CNE


de Diretrizes Curriculares p/ a EJA:

Muda a nomenclatura de ensino supletivo para EJA.

Enfatiza o direito público subjetivo dos cidadãos à educação.

Estabelece as funções: reparadora; equalizadora e
qualificadora.

Distingue a EJA da aceleração de estudos.

Assinala a necessidade de contextualização do currículo e das
metodologias.

Recomenda a formação específica dos educadores.
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A Lei n. 10.172/2001 PNE-MEC estabelece as seguintes
metas p/ EJA:
✔ Alfabetizar em 5 anos dois terços do contigente total de
analfabetos, de modo a acabar c/ o analfabetismo em
uma década.
✔ Assegurar, em 5 anos, a oferta de EJA primeiro
segmento do ensino fundamental p/ 50% da população
de 15 anos e mais, que não tiveram acesso a esse nível
de escolaridade.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos


Assegurar, até o ano de 2010, a oferta de curso no
segundo segmento do ensino fundamental, para toda a
população de 15 anos e mais que concluiu as 4 séries
iniciais.

Dobrar em 5 anos e quadruplicar em dez anos a
capacidade de atendimento nos curso de EJA de Nível
Médio.

Estas metas devem ser traduzidas p/ os contextos locais
nos PEE's e PME's e implicam numa expansão
quantitativa da oferta em EJA.
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Desafio é a retomada da responsabilidade do Estado
para com a Educação e a construção da Gestão
Democrática do Sistema Educacional.

Construção de políticas públicas com participação
popular, participação nas decisões, de controle e
acompanhamento.

Construção da identidade da EJA no PR enquanto
educação emancipadora, com qualidade social.
Histórico e Políticas de Educação de Jovens e Adultos

Fontes de consulta:
- GOHN, Maria da Glória. História dos Movimentos e Lutas Sociais: a construção
da Cidadania dos Brasileiros. São Paulo: Edições Loyola, 2ª ed., 2001.
- Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública. Lei de Diretrizes e Bases
Educação Nacional. Curitiba: APP, 1997.
- PAIVA, V. P. Educação popular e educação de adultos. 2.ed. São Paulo :
Loyola, 1983.
- DI PIERRO, Maria Clara. Descentralização, focalização e parceria: uma análise
da tendências nas políticas públicas de educação de jovens e adultos.
Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 321-337, jul/dez. 2001.
- ZANETTI, Maria Aparecida. As políticas educacionais recentes para a
educação de jovens e adultos. Caderno Pedagógico n. 2 .APP-Sindicato.
Março de 1999.
- FIORELLI, Ileizi Luciana. O Impacto das Políticas Educacionais do Paraná nas
duas gestões de Governo de Jaime Lerner (1995- 2001): uma avaliação
preliminar a partir de alguns dados do Censo Escolar. Revista da III
Conferência Estadual da APP-Sindicato, 2002.