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A GUERRA FRIA E O MUNDO BIPOLAR

3° Ano| Prof. Gustavo Luís


UM NOVO CAPITALISMO E A CRIAÇÃO DA ONU.

A segunda guerra mundial de 1939-1945 mudou a


economia e a geopolítica do mundo. Arrasados pela guerra, os
impérios coloniais desmoronaram e, no lugar deles, surgiram
duas superpotências: os Estados Unidos e a União das
Republicas Socialistas Soviéticas (URSS). Estabeleceu-se, então,
uma nova ordem mundial, tanto do ponto de vista político
quanto econômico.
UM NOVO CAPITALISMO E A CRIAÇÃO DA ONU.
A reordenação econômica teve inicio com a Conferencia de
Bretton Woods, em 1944, quando os Estados Unidos se reuniram com
44 países aliados e vencedores da Segunda Guerra, na cidade de
Bretton Woods, no estado de New Hampshire, para lançar um plano
de reconstrução e estabilidade da economia mundial.

Foram tomadas um conjunto de regras de gerenciamento


econômico internacional que deveria nortear as relações comerciais
e financeiras entre os países mais industrializados do mundo.
UM NOVO CAPITALISMO E A CRIAÇÃO DA ONU.
Nesta Conferencia foram criados o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Internacional de Reconstrução e
Desenvolvimento (Bird), que hoje faz parte do Grupo Banco Mundial.

A reordenação política começou com a Conferencia de São


Francisco, realizada em junho de 1945, quando foi criada a
Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de preservar
a paz e a segurança mundiais e de promover a cooperação
internacional para a resolução de problemas econômicos, sociais,
culturais e humanitários.
O MUNDO BIPOLAR
CAPITALISMO × SOCIALISMO
Durante quase meio século duas superpotências
dividiram o mundo em dois sistemas econômicos opostos.

Nesse longo tempo, a humanidade viveu um dos conflitos


mais preocupantes da historia da humanidade. Sem que
houvesse nenhum confronto militar direto entre as duas nações
oponentes, esse período de constante tensão ficou conhecido
como Guerra Fria.
CAPITALISMO × SOCIALISMO
O Capitalismo foi profundamente criticado, principalmente a
partir do século XIX, quando alguns pensadores propuseram um
modo de produção totalmente diferente do sistema capitalista.

O socialistas científicos por alguns autores e materialistas


históricos por outros, eles se opunham ao regime político e
econômico da sociedade capitalista e propunham um novo sistema,
que ficou conhecido como socialismo.
CAPITALISMO × SOCIALISMO
Entre esses pensadores, destacam-se Karl Marx (1818 -1883) e
Friedrich Engels (1820 -1895), que em 1848 publicaram sua primeira
obra: O manifesto comunista. Mais tarde, Marx fez uma abrangente e
profunda analise do capitalismo em sua obra mais importante: O
capital (1867).

Essas ideias inspiraram a primeira revolução socialista da historia: a


Revolução Russa de 1917. criando, em 1922, o primeiro pais socialista
do mundo, a União das Republicas Socialistas Soviéticas (URSS).
SOCIALISMO
Após a revolução, instalou-se na União Soviética um governo
totalitário (quando todos os aspectos da vida individual estão subordinados
à autoridade de um governo), administrado pelo único partido legalizado
no país, o Partido Comunista (PCUS), chamado por muitos autores socialismo
real e que acabou por tomar um rumo diferente dos ideais teóricos do
socialismo científico.

O Estado passou a ser o dono das terras, das minas de ouro e carvão,
e de todos os meios de produção. A propriedade privada deixou de existir,
assim como a livre concorrência de mercado e a lei da oferta e da procura.
A economia se tornou planificada.
A ECONOMIA PLANIFICADA
Nesse tipo de economia, a produção e o consumo eram planejados.

Não havia livre aplicação de capital nem busca de lucro. Tudo era
rigorosamente planejado pelos burocratas (nome dado aos dirigentes do
Partido Comunista, na antiga União Soviética.), que visavam controlar o
mercado.

Ao Estado cabia garantir os meios essenciais para uma sobrevivência


decente — educação, saúde, aposentadoria, emprego. Essas garantias
eram entendidas como uma forma de redistribuição da renda.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
O socialismo não ficou restrito à União Soviética. Outras nações
adotaram esse sistema.

A Europa foi o primeiro continente a sentir os duros efeitos da


Guerra Fria ao ser dividida em dois blocos distintos: Europa oriental e
Europa ocidental.

Desde os últimos anos da Segunda Guerra Mundial, a União


Soviética vinha ampliando sua influência sobre os países vizinhos.
Com o fim dos combates, impôs o regime socialista e sua supremacia
aos países do Leste Europeu (Polônia, Tchecoslováquia, Hungria,
Bulgária, Romênia e Albânia). A Iugoslávia foi uma exceção.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
Na Conferência de Potsdam, realizada em 1945, foi decidido o futuro da
Alemanha, que passou a ser dividida em quatro setores controlados pelos países
vencedores: Inglaterra, Franca, Estados Unidos e União Soviética. Em 1949, após
divergências entre norte -americanos e soviéticos, a Alemanha foi transformada em dois
países — um único povo, mas com sistemas econômicos completamente Diferentes.

Alemanha Ocidental: oficialmente Republica Federal da Alemanha, capital Bonn.


Capitalista, compreendia os setores de domínio inglês, Frances e norte -americano.

Alemanha Oriental: oficialmente Republica Democrática Alemã, capital Berlim — também


dividida, embora estivesse localizada no setor soviético.
ALEMANHA DIVIDIDA
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
Depois que o socialismo se instalou na China, com a
Revolução de 1949, os Estados Unidos preocuparam -se e passaram a
agir com mais rigor para deter sua expansão. Essa estratégia passou a
fazer parte do contexto da Guerra Fria. Consequentemente, houve
muitos conflitos, sempre com a participação das duas grandes
potencias, embora elas nunca tenham se enfrentado diretamente.

Entre esses conflitos, destacam-se a Guerra da Coreia


(1950 -1953) e a Guerra do Vietnã (1964 -1975), da qual os Estados
Unidos saíram derrotados.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
Com o fim dos impérios coloniais, novos países surgiram
no panorama mundial e foram alvo da disputa entre as duas
grandes potências. No contexto da Guerra Fria, esses novos
países, com as nações latino-americanas, passaram a ser
chamados Terceiro Mundo, já que os países capitalistas
desenvolvidos compunham o Primeiro Mundo e os socialistas
faziam parte do Segundo Mundo.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
Todos os continentes, exceto a Oceania, foram atingidos pela
disputa de poder entre capitalistas e socialistas. Moscou apoiava os
movimentos de independência nas colônias da África. E, para
impedir a expansão soviética no continente, os Estados Unidos
obrigaram seus aliados a conceder independência a essas colônias.

A demora de Portugal em conceder a independência a


Angola, Moçambique, Cabo Verde (1975) e Guine-Bissau (1974)
facilitou a influencia soviética sobre as novas nações.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
A America Latina continuava sob a influencia dos Estados
Unidos, apesar do duro golpe que os americanos sofreram com a
instauração do socialismo em Cuba, com a vitoria da Revolução
Cubana de 1959 e da aproximação do pais com a Uniao Soviética,
em 1961.

Nas décadas de 1960 e 1970, a CIA (Agencia Central de


Inteligência Americana) ajudou a estabelecer ditaduras militares em
países da America do Sul (Brasil, Argentina e Chile) para mante-los
“livres” da influencia da União Soviética.
O MUNDO SOCIALISTA E OS CONFLITOS DA
GUERRA FRIA
Durante a expansão do socialismo no mundo, houve apenas
um país socialista sul-americano: o Chile, que em 1970 elegeu, por
voto popular, o primeiro governo socialista da América do Sul.

Foi uma breve experiência. Três anos depois de eleito, o


presidente Salvador Allende foi deposto, uma junta militar, chefiada
por Augusto Pinochet e apoiada pelos Estados Unidos, iniciaria então
uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina, que teria fim
em 1989 com a eleição direta do presidente democrata -cristão
Patrício Aylwin.
O CONFLITO LESTE-OESTE: A ORDEM GEOPOLÍTICA
PÓS-GUERRA

A partir do momento em que a União Soviética passou a existir


como potencia mundial e outras nações adotaram o socialismo, o
capitalismo deixou de ser o único sistema econômico do mundo. Pela
primeira vez, o mundo estava dividido entre dois sistemas econômicos
opostos: o capitalismo, representado pelos Estados Unidos (Oeste),
versus o socialismo, representado pela URSS (Leste).

Durante esse longo período de disputas entre as duas


superpotências, foram criados arsenais bélicos e nucleares que a
qualquer momento poderiam destruir a humanidade.
O CONFLITO LESTE-OESTE: A ORDEM GEOPOLÍTICA
PÓS-GUERRA

As relações entre União Soviética e Estados Unidos, aliados durante a


guerra, não seriam cordiais em tempos de paz. A União Soviética
caberia expandir a área sob a influência socialista; e aos Estados
Unidos, impedir que essa influência se expandisse. Na ocasião, o
primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965) usou pela
primeira vez a expressão cortina de ferro, que seria citada
frequentemente durante a Guerra Fria para designar a separação
entre o mundo socialista e o mundo capitalista, numa alusão ao
regime extremamente fechado, adotado pelos soviéticos.
O CONFLITO LESTE-OESTE: A ORDEM GEOPOLÍTICA
PÓS-GUERRA

Os dois lados trataram de garantir alianças e formar organizações para


defender o seu modo de produção e, principalmente, sua ideologia.

Uma das primeiras medidas dos Estados Unidos, dentro do espírito dessa
política, foi o plano de recuperação econômica dos países da Europa
ocidental, destruídos pelos anos de operação de guerra em seus territórios.
Essa ajuda, que afastaria a provável influencia soviética nessa parte do
continente, ficou conhecida como Plano Marshall, uma referencia a seu
idealizador, o general George Marshall (1880 -1959).
O CONFLITO LESTE-OESTE: A ORDEM GEOPOLÍTICA
PÓS-GUERRA

Em 1949, foi criada a Organização do Tratado do Atlântico


Norte (OTAN) — aliança militar que pretendia garantir a
segurança mutua contra uma expansão maior do socialismo na
Europa. Os países fundadores dessa organização foram Estados
Unidos, Canadá, Rei no Unido, Franca, Itália, Países Baixos,
Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Islândia, Noruega e Portugal.
O CONFLITO LESTE-OESTE: A ORDEM GEOPOLÍTICA
PÓS-GUERRA

A resposta da União Soviética a criação da OTAN foi o Pacto


de Varsóvia (1955) — aliança militar entre a potencia soviética
e os países socialistas do Leste Europeu. Extinto em 1991, esse
Pacto, na realidade, funcionou mais como um instrumento de
manutenção do regime nos países satélites do que como um
meio de defesa contra o capitalismo.
A DISPUTA PELO PODER: A CORRIDA ARMAMENTISTA

No mundo bipolar, o padrão de poder não era a supremacia econômica,


mas a supremacia bélica, representada pelo desenvolvimento de armas. Daí
falarmos em corrida armamentista e corrida espacial.

As potencias disputavam passo a passo qual delas conseguia produzir a


bomba mais potente ou ir mais longe na exploração do espaço. Para não
ficar para trás, era preciso saber todos os segredos e todos os passos do
inimigo. Nessa missão ficaram famosas a CIA e a KGB (os serviços secretos
dos Estados Unidos e da União Soviética, respectivamente).
A DISPUTA PELO PODER: A CORRIDA ARMAMENTISTA

A corrida armamentista foi a questão central do período da


Guerra Fria, que envolveu diretamente os Estados Unidos e a
União Soviética na corrida atômica e na conquista espacial.
Estava implícito que a nação que aprimorasse a tecnologia
nuclear e conquistasse o espaço seria considerada a mais
avançada cientificamente. As duas potências produziram
metralhadoras, fuzis, tanques, aviões e submarinos, mas os
grandes destaques eram as chamadas armas nucleares.
A DISPUTA PELO PODER: A CORRIDA ARMAMENTISTA
Na década de 1960, os Estados Unidos e a União Soviética anunciavam que possuíam
arsenais atômicos para explodir o mundo e, assim, criavam uma tensão mundial em torno
de uma possível guerra nuclear.

Essa situação deu a Guerra Fria sua característica mais peculiar: segundo o sociólogo
Frances Raymond Aron (1905-1983), “guerra improvável, paz impossível”. A paz seria
impossível por diferenças irreconciliáveis; a guerra improvável, porque um só ataque
poderia acabar com a vida na Terra.

A corrida armamentista entre as duas superpotências da Guerra Fria termina de fato com
a assinatura dos Tratados de Redução de Armas Estratégicas (Start), na década de 1990.
A CORRIDA ESPACIAL

Os soviéticos saíram na frente na corrida espacial com o lançamento do


Sputnik I, o primeiro satélite artificial a ser posto em orbita, em 4 de outubro
de 1957.

Em 12 de abril de 1961, foi a vez do astronauta Yuri Gagarin comandar a


nave Vostok. Entretanto, a vitoria foi dos Estados Unidos. O dia 20 de julho de
1969 marcou a chegada do homem a Lua. Os norte-americanos Neil
Armstrong, Edwin Aldrin Jr. e Michael Collins, a bordo da Apollo 11, foram os
primeiros a conquistar esse feito e a colocar os Estados Unidos na dianteira
da corrida espacial.
O FIM DA GUERRA FRIA
O mundo bipolar começou a ruir com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e
desmoronou totalmente com o fim da União Soviética, em 1991. Com o
desmantelamento dos velhos rivais, os Estados Unidos não tinham mais com quem
combater. Estava desmontada uma ordem mundial que durou quase cinquenta
anos.

O mundo pós-guerra Fria e uma consequência desse período: os arsenais atômicos e


militares da época não foram desativados totalmente, e as tensões geopolíticas do
momento atual estão relacionadas a existência de armas atômicas em mãos de
países como Paquistão, Israel e Coreia do Norte. O Oriente Médio, um dos focos da
Guerra Fria, continua a ser, no século XXI, um desafio geopolítico.