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Maria Sylvia de Carvalho Franco (1964)

Crítica à ideia de sociedade feudal e


ao “etapismo” economicista
 Unidade contraditória- a produção direta dos
meios de vida e produção para a produção para o
mercado.
 Dois princípios: violência e favor; que aqui não
aparecem como princípios opostos à organização
racional do capitalismo.
Capitalismo e escravidão
 Diferente do que ocorreu na escravidão romana,
um afrouxamento das relações comerciais e a
formação de artigos de luxo, na América a
escravidão foi orientada para a formação de uma
economia capitalista, formando uma corrente de
comércio aqui, e estimulando a economia monetária
europeia.
 O Brasil surge capitalista, um empreendimento
econômico europeu.
Quem eram os homens livres?
 Formação de uma população sui generes, nem
proprietários nem trabalhadores, são
 “destituídos da propriedade dos meios de
produção, mas não de sua posse, dada a extensão
de terras.
 Formou-se uma ralé. Nem proprietários nem
escravos.
Cap. 1
O código do sertão
 O caipira não é um personagem idílico de um mundo rural
perdido, ele vive entre a solidariedade e a violência.
 Vínculos comunitários: família, ajuda mútua, solidariedade e
religiosidade mágica junto à VIOLÊNCIA.
 Comunidade foi pensada sociologicamente como
contraposição radical de luta. P 24
 No caso estudado a violência irrompe em uma ordem de
pessoas com vínculos amistosos.
 Tensões que vão se agravando dentro do próprio vínculo
comunitário, situações banais dentro do próprio cotidiano
derivadas da proximidade espacial (vizinhança), nas
relações de cooperação e no ser comum (parentesco).
1 Vizinhança: a violência costumeira

 A mesma cultura rústica de mínimo vitais que se funda nas relações


de vizinhança, conduz também a uma expansão das áreas de atrito
e um agravamento das pendências daí resultantes.
 Pobreza da técnicas de exploração da natureza, limites das
possibilidades de aproveitamento do trabalho e consequentemente
escassez dos recursos de sobrevivência levam a sobreposição de
interesses.
 Processos competitivos sem alternativas de resolução pacífica dada
a rigidez dos valores daquela comunidade levam a soluções
radicais sem conciliação.
 Ações irracionais pautadas pelos sentimentos ou pela tradição,
pouco afeitas às relações racionais impessoais necessárias em
economias monetárias de mercado.
2 Trabalho e lazer: A violência
institucionalizada
 Multirão: instituição integradora formada por laços de
solidariedade e mutua prestação.
 Forma cooperativa de trabalho e benfeitorias de interesse coletivo,
força coletiva que aumenta a produtividade do trabalho.
 Se opõe à
 Diferente da cooperação do trabalho moderno que traz implícito o
controle e disciplina moderna.
 O multirão se baseia em formas tradicionais de organização com
caráter obrigatório e regular.
 Entretanto, dada a frouxidão dos laços pessoais do homem do
campo os multirões acabam por não serem definidos por uma
tradição mas por ajustamentos pessoais suscitados por situações
imediatas demandadas pelo grupo.
Pequena inserção no mercado e lazer

 A cultura dos mínimos vitais somada a alta extensão de


terras leva a uma “desnecessidade de trabalho”,
entretanto havia tarefas que não podendo ser feita
por mão de obra escrava sobrava ao homem do
campo. Criação de gado, tropeiros e pequenos
serviços;
 O desafio era mais comum que a cooperação P. 36
 As festas propiciavam as afirmações de honra e
supremacia, eram oportunidades para realização de
façanhas perante audiência numerosa.
 A linha entre diversão e agressão é tênue
Parentesco: A violência necessária
 Modelo de família patriarcal, formava uma família extensa
onde os casamentos eram na maioria das vezes ditados por
acordos de interesses familiares.
 Nas camadas dominantes, a família moldou-se para
realizar um função ordenadora das relações sociais não
para relações emocionais ou sexuais. Antes a empresa do
que o lar.
 Nas camadas livres a marginalização em relação à
sociedade global deu outra função à família. O modelo
patriarcal neste grupo é mais uma transferência do modelo
oferecidos pelas classes altas.
 Dada às fragilidades materiais os pequenos interesses
econômicos passam por cima das relações de parentescos.
Pobreza e individuação: A violência
como moralidade
 Código baseado na coragem pessoal.
 Enfrentamento de situações de risco, verbalizações
em momentos de perigo;
 Reconhecimento da obrigatoriedade da violência.
 A afirmação como pessoa se dá conjugada em um
conjunto de valores perpassados pela bravura e
ousadia, uma violência imperativa.

As formas irracionais de organização x
formas pré-modernas
 Na vizinhança a violência se instaura dada a situação de penúria,
radicaliza a disputa em torno dos mínimos vitais de vida.
 No multirão não havia colaboração nem coordenação do trabalho,
tampouco orientação de interesses, não formulava tradição.
 Tradição não apenas como transmissão de valor, mas principalmente
como consenso e criação de julgamentos valorativos que
regulamenta e cristaliza códigos de comportamento.p61/62
 A família extensa aparece como um reflexo das classes dominantes,
mais do que uma funcionalidade de manutenção de interesses
econômicos.
 A honra aparece como fortalecimento da moral individualizada, os
conflitos viram luta de extermínio. Valentia como valor maior de sua
vida.
Questão
 Como estes valores “pré-modernos” adentram na
fundação da sociedade brasileira?
 São arcaísmos superados ou possuem uma
funcionalidade no desenvolvimento da sociedade
de mercado?
“Unidade contraditória”
 “desenvolvimento desigual e combinado”

 “modernização autoritária”.
Cap. 2 A dominação pessoal
 Tropeiro- possuía maior autonômia, sua relação
com o fazendeiro era uma relação restrita à
relações mercantis, portanto, sem obrigações de
ordem pessoal.
 Comerciantes - tanto participavam do polo
dominado quanto do dominante; O vendeiro é
agente do dinheiro, que naquela sociedade era
artigo escasso, por isso é o elo de ligação entre a
sociedade de mercado e a economia de
subsistência.
O Sitiante
 Relação de compadrio e dominação pessoal
 Dominação entre semelhantes, o compadrio
pressupõe certo grau de indeterminação na
estratificação social.
A política
 O sitiante tinha lealdade política natural ao
fazendeiro.
 O voto não encontrava condições para transformar
em mercadoria, tampouco era resultado de
autodeterminação enraizada na consciência de
interesses autônomos.
 A política parecia distanciada dos interesses
cotidianos dos homens pobres
 Consciência de indiferenciação da camada dominante, não
há uma igualdade efetiva entre indivíduos, mas uma
consciência de desigualdade inata.
 O sitiante era pessoa não indivíduo, ou seja, era
reconhecido pelos seus atributos pessoais, suas relações e
sujeitamento pessoal.
 No escravo, a violência fazia com que surgisse uma
consciência e desejo de liberdade. Para os que se
encontram submetido ao domínio pessoal, seu mundo é
formalmente livre, não é possível a descoberta que sua
vontade esta atrelada ao superior, já que o processo de
sujeição aparece como natural e espontâneo. 95