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Avaliação

Cipriano Luckesi
• O ato de avaliar é um ato de investigar. Porém, o
objeto da investigação em avaliação é diferente de
outras investigações cientificas. A Avaliação é uma
investigação que se caracteriza por trabalhar com a
qualidade do fenômeno que estuda, ou seja,
investigação sob a ótica de sua qualidade. Na prática
avaliativa, também poderemos operar com o olhar
unidirecional ou sistêmico (a depender dos
fundamentos epistemológicos com os quais
trabalhamos), mas tendo sempre como foco de
investigação a qualidade que emerge das
características da realidade e não, em primeiro lugar,
sua constituição e operação.
• Para investigar, necessitamos, sim, de coletar dados da realidade, para
proceder a uma descritiva do fenômeno que estamos estudando, como
base de nossas “leituras” dessa realidade. Exige ir um pouco além,
atribuindo qualidade à realidade, o que implica na comparação do
fenômeno descrito com um padrão ou critério de qualidade, tendo em
vista dar suporte ao juízo qualitativo que possamos atribuir a essa
realidade.
• A avaliação atribui uma qualidade à realidade, em
decorrência de seus dados, que podem e devem ser
identificados e descritos. A avaliação está
comprometida epistemologicamente com os juízos de
qualidade, diferentes dos juízos de realidade. Isso nos
remete ao campo da filosofia que estuda “juízos de
valor” e “juízos de realidade”, que, em última
instância, vai cair na configuração ontológica do que é
o ser e do que é o valor (fundamentos ontológicos do
valor ou axiologia = estudo dos valores).
Duas direções possíveis
• ela é formativa (processual, contínua…), ou seja, uma
prática de investigar a qualidade de resultados
decorrentes de um processo enquanto esse processo
está se realizando e, pois, produzindo resultados
intermediários (em construção)
• ela pode se apresentar como uma avaliação
certificativa, que tem por intenção atestar
(testemunhar) a qualidade de alguma coisa na sua
completude.
Avaliar x Verificar

• O ato de avaliar importa coleta, análise e síntese dos dados que são
objeto da avaliação acrescidos de um juízo de valor ou qualidade. A
avaliação, diferentemente da verificação, envolve decisão sobre o que
fazer ante ou com o objeto avaliado.
Atitude do professor
• Coletar, analisar e sintetizar, da forma mais objetiva possível, as
manifestações das condutas cognitivas, afetivas e psicomotoras
dos educandos, produzindo configuração do efetivamente
aprendido.
• Atribuir uma qualidade a esta configuração da aprendizagem a
partir de um padrão preestabelecido;
• Tomar decisão sobre condutas discentes e docentes a serem
seguidas, tendo em vista o que for necessário, como:
reorientação imediata da aprendizagem( caso sua qualidade se
mostre insatisfatório e o conteúdo seja de vital importância) ou
encaminhamento para passos subseqüentes de aprendizagem(
caso os educando atinjam um nível satisfatório de qualidade)
Provas
• As provas são recursos técnicos
vinculados aos exames e não à
avaliação. Importa ter-se claro que
os exames são pontuais,
classificatórios, seletivos, anti-
democráticos e autoritários;
• As provas (não confundir prova
com questionário, contendo
perguntas abertas e/ou fechadas;
este é um instrumento; provas são
para provar, ou seja, classificar e
selecionar) traduzem a idéia de
exame e não de avaliação.
A avaliação
• Não é pontual, é diagnóstica,
inclusiva, democrática e dialógica.
• Examinar e avaliar são práticas
completamente diferentes.
• Avaliar significa subsidiar a
construção do melhor resultado
possível e não pura e simplesmente
aprovar ou reprovar alguma coisa. Os
exames, através das provas,
engessam a aprendizagem; a
avaliação a constrói fluidamente.
• O ato de avaliar a aprendizagem
implica em acompanhamento e
reorientação permanente da
aprendizagem
Avaliação Processual
• Ela se realiza através de um ato rigoroso e diagnóstico e
reorientação da aprendizagem, tendo em vista a obtenção dos
melhores resultados possíveis, frente aos objetivos que se tenha
à frente.
• exige um ritual de procedimentos, que inclui desde o
estabelecimento de momentos no tempo, construção, aplicação e
contestação dos resultados expressos nos instrumentos;
devolução e reorientação das aprendizagens ainda não efetuadas.
Para tanto, podemos nos servir de todos os instrumentos técnicos
hoje disponíveis, contanto que a leitura e interpretação dos dados
sejam feitas sob a ótica da avaliação, que é de diagnóstico e não
de classificação.
• O que distingue o ato de examinar e o ato de avaliar não são os
instrumentos utilizados para a coleta de dados, mas sim o olhar
que se tenha sobre os dados obtidos: o exame classifica e
seleciona, a avaliação diagnostica e inclui.
Acompanhamento individualizado dos alunos

• a prática da avaliação funciona tanto com o ensino individualizado como


com o ensino coletivo.
• Avaliação não é sinônimo de ensino individualizado, mas sim de um
rigoroso acompanhamento e reorientação das atividades tendo em vista
resultados bem-sucedidos. É um equívoco pensar que avaliação e
individualização do ensino, obrigatoriamente, tem que andar juntas
A avaliação como uma espécie de "ameaça"

• A avaliação não é um instrumento de


disciplinamento do educando, mas sim
um recurso de construção dos
melhores resultados possíveis para
todos. A avaliação exige aliança entre
educador e educando; os exames
conduzem ao antagonismo entre esses
sujeitos, daí a possibilidade da ameaça
Avaliação X Resistência a Mudanças
• São três a principais razões da resistência dos professores com
relação às mudanças: & A Psicológica
(biográfica, pessoal) tem a ver com o fato de que os educadores
e as educadoras foram educados assim. Repete
automaticamente, em sua prática educativa, o que aconteceu
com eles.
& A Histórica, decorrente da própria história da educação. Os
exames escolares que praticamos hoje foram sistematizados no
século XVI pelas pedagogias jesuíticas e comeniana. Somos
herdeiros desses modelos pedagógicos, quase que de forma
linear.
& A Atual, uma vez que vivemos hoje num modelo de
sociedade excludente e os exames expressam e reproduzem
esse modelo de sociedade. Trabalhar com avaliação implica em
ter um olhar includente, mas a sociedade é excludente. Daí
uma das razões das dificuldades em mudar.
Mudar a concepção de avaliação para desenvolver uma
prática avaliativa mediadora

• Repetir conceitos de avaliação é uma atitude simples e banal; o difícil é


praticar a avaliação. Isso exige mudanças internas do educador e do
sistema de ensino.
Objetivo da avaliação

• Subsidiar a construção dos melhores resultados possíveis dentro de uma


determinada situação. O ato de avaliar está a serviço dessa busca.
Construção da cultura avaliativa mediadora

• Para desenvolver uma cultura da avaliação mediadora os


educadores e a escola necessitam de praticar essa forma
avaliativa e essa prática realimentará novos estudos e
aprofundamentos de tal modo que um novo entendimento e
um novo modo de ser vai emergindo dentro do espaço escolar.
O que vai dar suporte à mudança é a prática refletida,
investigada.
O futuro da prática da avaliação da aprendizagem no país é
aprendermos a praticá-la tanto do ponto de vista individual de
nós educadores, assim como do ponto de vista do sistema e
dos sistemas de ensino. Avaliação não virá por decreto,
emergirá solidamente da prática refletida diuturna dos
educadores.
• Medir: • Avaliar:
• Verificação QUANTITATIVA da • Verificação, tanto
extensão dos conteúdos QUANTITATIVA como
adquiridos pelo aluno; QUALITATIVA, ou apenas
• Verificação momentânea. QUALITATIVA do aluno como
um todo (aspectos
cognitivos, sócio-afetivos e
psicomotores);
• Medida + Juízo de valores;
• Tem caráter subjetivo;
• É contínua;
• Mais abrangente do que a
medida.
Comparação entre duas concepções de avaliação
Philippe PERRENOUD

• TRADICIONAL • NOVA
• Avaliar rapidamente, no estágio do • Analisar precisamente os objetivos de
planejamento das provas, sua um ano ou de um módulo de ensino;Ter
composição, sua correção, a consciência das noções trabalhadas,
determinação de gabaritos, a atribuição das aprendizagens priorizadas e do que
de notas. Conduzir claramente as foi deixado de lado – por falta de tempo
inevitáveis negociações com certos ou de interesse – e não pode, portanto,
alunos ou seus pais;Avaliar mantendo a ser convenientemente avaliado;Servir-
aparência da imparcialidade, da se da avaliação para diagnosticar as
seriedade, do rigor compreensivo (ser dificuldades individuais e remediá-las
severo, mas justo, às vezes rapidamente através de uma pedagogia
indulgente!);Servir-se do sistema de diferenciada ou do apelo a professores
avaliação para obter a cooperação dos de apoio ou de outros intervenientes
alunos e seu respeito ao contrato externos;
didático;
• ( tradicional) • (nova)
• Avaliar de modo a tranqüilizar ou • Fazer o balanço preciso dos
mobilizar os pais, mantendo-os conhecimentos essenciais, para
distantes da gestão da testar o nível dos alunos em fim de
classe;Conservar uma rotina de curso, quando estes pretendem um
avaliação para além das mudanças título ou o acesso à classe superior
de currículo e dos discursos ou, ainda, a uma outra
reformistas do sistema;Utilizar a escola.Permitir aos pais
avaliação para modular a compreenderem e acompanharem
progressão no programa de o progresso de seu filho, sem levá-
maneira a sair-se bem no fim do los a um excesso de
ano;Manter o nível dos alunos e as especialização;Dar aos alunos a
taxas de repetência, de evasão ou oportunidade de se auto-avaliarem
de reprovação nos limites ou de participarem em sua
“razoáveis”;Limitar as dúvidas ou a avaliação;
culpa que freqüentemente
acompanham a avaliação.
FUNÇÕES DA AVALIAÇÃO:

• Diagnosticar;
• Controlar;
• Classificar.
MODALIDADES DE AVALIAÇÃO:

• Diagnóstica – no início do processo, permite verificar se os alunos


possuem os pré-requisitos necessários para acompanhá-lo;
• Formativa – ocorre durante todo o processo, faz controle, verifica se os
objetivos estão sendo alcançados;
• Somativa – no final do processo faz a classificação dos alunos.
A PRÁTICA EDUCATIVA
PARA ZABALLA
• Avaliação formativa: inicial, reguladora; final, integradora.
• O conhecimento de como cada aluno aprende ao longo do
processo de ensino/aprendizagem, para se adaptar às novas
necessidades que se colocam, é o que podemos denominar
AVALIAÇÃO REGULADORA. O que Zaballa chama de
AVALIAÇÃO REGULADORA, outros autores chamam de
AVALIAÇÃO FORMATIVA.
• A finalidade da avaliação é ser um instrumento educativo que
informa e faz uma valoração do processo de aprendizagem
seguido pelo aluno, com o objetivo de lhe oportunizar, em
todo momento, as propostas educacionais mais adequadas.
• “Seguidamente o conhecimento dos resultados obtidos é
designado com o termo AVALIAÇÃO FINAL ou AVALIAÇÃO
SOMATIVA.
• Zaballa prefere utilizar o termo AVALIAÇÃO FINAL para se
referir aos resultados obtidos e aos conhecimentos adquiridos
e reservar o termo AVALIAÇÃO SOMATIVA ou INTEGRADORA
para o conhecimento e a avaliação de todo o percurso do
aluno. Assim, esta AVALIAÇÃO SOMATIVA ou INTEGRADORA é
entendida como um informe global do processo que, a partir
do conhecimento inicial (AVALIAÇÃO INICIAL), manifesta a
trajetória seguida pelo aluno, as medidas específicas que foram
tomadas, o resultado final de todo o processo e,
especialmente, a partir deste conhecimento, as previsões sobre
o que é necessário fazer de novo.”
Esquema de avaliação formativa

• Avaliação inicial, planejamento, adequação do plano (avaliação


reguladora), avaliação final, avaliação integradora.
A AVALIAÇÃO ESCOLAR PARA LUCKESI

• “A avaliação é uma tarefa didática necessária e


permanente do trabalho docente, que deve
acompanhar passo a passo o processo de ensino e
aprendizagem”.
• “A avaliação é uma apreciação qualitativa sobre
dados relevantes do processo de ensino e
aprendizagem que auxilia o professor a tomar
decisões sobre o seu trabalho”.(Cipriano Luckesi)
TAREFAS DE AVALIAÇÃO:

• Verificação – coleta de dados sobre o aproveitamento


dos alunos, através de provas, exercícios e tarefas ou
de meios auxiliares, como observação de
desempenho, entrevistas, etc;
• Qualificação – comprovação dos resultados
alcançados em relação aos objetivos e, conforme o
caso, atribuição de notas ou conceitos;
• Apreciação qualitativa – avaliação propriamente dita
dos resultados, referindo-os a padrões de
desempenho esperados.
FUNÇÕES:

• Função pedagógico-didática – refere-se ao papel da avaliação


no cumprimento dos objetivos gerais e específicos da educação
escolar. Comprova sistematicamente os resultados do processo
de ensino, inclusive o atendimento das finalidades sociais do
ensino. Contribui para a assimilação e fixação, a partir da
correção dos erros.
• Função de diagnóstico – Para o autor é a mais importante das
funções porque possibilita a avaliação do cumprimento da
função pedagógico didática e dá sentido pedagógico a função
de controle. Ocorre no início, durante e no final do
desenvolvimento das aulas ou unidades didáticas.
• Função de controle – Refere-se aos meios e à freqüência das
verificações e de qualificações dos resultados escolares,
possibilitando o diagnóstico das situações
• “Essas funções atuam de forma interdependente, não
podendo ser consideradas isoladamente. A função
pedagógico-didática está referida aos próprios
objetivos do processo de ensino e diretamente
vinculada às funções de diagnóstico e de controle. A
função diagnóstica se torna esvaziada se não estiver
referida à função pedagógico-didática e se não for
suprida de dados e alimentada pelo acompanhamento
do processo de ensino que ocorre na função de
controle. A função de controle, sem a função de
diagnóstico e sem seu significado pedagógico didático,
fica restrita à simples tarefa de atribuição de notas e
classificação.”

AS CARACTERÍSTICAS DA AVALIAÇÃO ESCOLAR

• Reflete a unidade objetivos-conteúdos-métodos – é


parte integrante do processo de ensino e
aprendizagem, e não uma etapa isolada;
• Possibilita a revisão do plano de ensino;
• Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades;
• Voltar-se para a atividade dos alunos;
• Ser objetiva;
• Ajudar na autopercepção do professor;
• Reflete valores e expectativas do professor em relação
aos alunos.
ATRIBUIÇÃO DE NOTAS OU CONCEITOS
• A avaliação escolar tem também a função de controle, expressando os
resultados em notas ou conceitos que comprovam a quantidade e a
qualidade dos conhecimentos adquiridos em relação aos objetivos.
• O sistema de notas situa o aproveitamento do aluno numa escala
numérica de 1 a 10. o sistema de conceitos usa menções (excelente,
bom, satisfatório, insatisfatório) ou letras ( A, B, C, D).
AUTO-AVALIAÇÃO
• situação de aprendizagem em que o
aluno desenvolve estratégias de
análise e interpretação de suas
produções e dos diferentes
procedimentos para se avaliar.
• É central para a construção da
autonomia dos alunos, cumpre o papel
de contribuir com a objetividade
desejada na avaliação, uma vez que
esta só poderá ser construída com a
coordenação dos diferentes pontos de
vista tanto do aluno quanto do
professor.