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DIREITO TRIBUTÁRIO E

ADUANEIRO
Tributação do Consumo e do
Patrimônio

Professor Me. Henrique Azevedo


henriqueazevedo@sagadvogados.com.br
Tributação do
Patrimônio
ITR – Imposto Territorial
Rural
I. Definição Constitucional
“Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
VI - propriedade territorial rural;
(...)
§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a
desestimular a manutenção de propriedades improdutivas;
II - não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei,
quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel;
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem,
na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou
qualquer outra forma de renúncia fiscal.”
II. O Critério Material da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 A Constituição utiliza o termo PROPRIEDADE → Núcleo do
tributo: deter a propriedade territorial rural.
 Diferente do IPTU quanto à materialidade, não apenas no
tocante à classificação do imóvel (Urbano x Rural) → O ITR
somente incide sobre a propriedade territorial.
 Assim como no IPTU Código Tributário Nacional
prevê uma materialidade mais ampla em seu art. 29
→ PROPRIEDADE, POSSE ou DOMÍNIO ÚTIL:

“Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre


a propriedade territorial rural tem como fato
gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de
imóvel por natureza, como definido na lei civil,
localização fora da zona urbana do Município.”
(grifamos)
 A Lei Federal nº 9.393/96 – Lei do ITR dispõe no
mesmo sentido:

“Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial


Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato
gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de
imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana
do município, em 1º de janeiro de cada ano.”
(grifamos)
 Prevalecem as mesmas observações realizadas quando
do estudo da RMIT do IPTU:
a) Propriedade → é o mais amplo direito real que se pode
conceder a alguém, conferindo-lhe titularidade sobre
um bem → Fato gerador “clássico” do ITR.
b) Domínio Útil → O proprietário conserva seu título, mas
o foreiro (ou enfiteuta) possui o direito de uso e gozo do
bem → Constitui fato gerador do ITR.
c) Posse → Aquele que está em condições de efetivamente
utilizar o bem → Sendo mansa, pacifica e tendente a se
tornar propriedade → Constitui fato gerador do ITR.
OBS.: Posicionamento do STJ em sede de Recurso Repetitivo:
“PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE
CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO
FISCAL. ITR. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DO IMÓVEL
RURAL. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO POSSUIDOR DIRETO
(PROMITENTE COMPRADOR) E DO PROPRIETÁRIO/POSSUIDOR INDIRETO
(PROMITENTE VENDEDOR). DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. TAXA SELIC.
APLICAÇÃO. LEI 9.065/95.
1. A incidência tributária do imposto sobre a propriedade territorial rural - ITR (de
competência da União), sob o ângulo do aspecto material da regra matriz, é a
propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na
lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (artigos 29, do CTN, e 1º, da
Lei 9.393/96).
2. O proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil, ou o seu
possuidor a qualquer título, à luz dos artigos 31, do CTN, e 4º, da Lei 9.393/96,
são os contribuintes do ITR.” (grifamos)
(REsp 1073846/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009)
 Direito de Superfície → Observações semelhantes
ao IPTU → Não ocorre o fato gerador:

- Não se trata de posse com características de se


tornar propriedade (é direito real distinto).
- Ausência de materialidade na CF.
- Ausência de previsão no CTN e na Lei nº 9.393/96.
Imóvel Rural
 CTN e Lei do ITR parecem utilizar unicamente o critério
da localização → determinam o imóvel rural por exclusão
do que seria o imóvel urbano:
- Lei nº 9.393/96:
“Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de
apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou
a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do
município, em 1º de janeiro de cada ano.”
- CTN:
“Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade
territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a
posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora
da zona urbana do Município.”
 Jurisprudência considera insuficiente → Localização +
Utilização (destinação econômica) - art. 15 do DL nº
57/1966.
“PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 535 DO CPC. OMISSÃO.
INEXISTÊNCIA. IPTU. IMÓVEL SITUADO NA ZONA URBANA. CRITÉRIO DA
DESTINAÇÃO ECONÔMICA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. REEXAME DE
FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ.
(...)
2. O critério da localização do imóvel é insuficiente para que se decida sobre
a incidência do IPTU ou ITR, sendo necessário observar-se o critério da
destinação econômica. Entretanto é impossível, sem revolver as provas e
fatos dos autos, infirmar a premissa consignada pelo aresto recorrido de que o
imóvel não é utilizado para exploração agrícola e pecuária. Incidência da
Súmula 7/STJ.” (grifamos)
(REsp 1027775/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe
04/09/2008)
 Questão da Destinação Econômica – Recurso
Repetitivo no STJ – Tema nº 174:

“TRIBUTÁRIO. IMÓVEL NA ÁREA URBANA. DESTINAÇÃO RURAL. IPTU.


NÃO-INCIDÊNCIA. ART. 15 DO DL 57/1966. RECURSO REPETITIVO. ART.
543-C DO CPC.
1. Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana
do Município, desde que comprovadamente utilizado em exploração
extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL
57/1966).
2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C
do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ.” (grifamos)
(REsp 1112646/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
26/08/2009, DJe 28/08/2009)
Imóvel Rural – Conclusão:

 Que não está inserido na competência do Município


(art. 32, do CTN) → imóvel urbano ou em área
urbanizável (área de expansão urbana); e

 Ainda que caracterizado como imóvel urbano ou em


área urbanizável, desde que sua destinação econômica
seja extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou
agroindustrial → Art. 15, DL nº 57/66.
III. O Critério Temporal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 1º de janeiro de cada exercício → Fixação por “presunção
jurídica”, pela legislação federal, nos termos possibilitados
pelo art. 144, § 2º, do CTN
- Lei nº 9.393/96:
“Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural -
ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a
propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por
natureza, localizado fora da zona urbana do município, em
1º de janeiro de cada ano.”
 Lançamento do ITR → Apesar de haver a obrigação da entrega da
Declaração de ITR (DITR ou DIAT) o lançamento do ITR se dá
por homologação.
 Data do fato gerador ≠ data de vencimento do tributo:
- Lei nº 9.393/96:
“Art. 12. O imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a
entrega do DIAT.”
- IN SRF Nº 256/02:
“Art. 50. O imposto deve ser pago até o último dia útil do mês fixado para a
entrega da DITR.”
Editada a cada ano
- IN RFB Nº 1820/2018:
“Art. 7º A DITR deve ser apresentada no período de 13 de agosto a 28 de
setembro de 2018, pela Internet, por meio do Programa ITR2018, disponível
no endereço informado no caput do art. 4º.”
IV. O Critério Espacial da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Aspecto Espacial → Município onde se localiza o bem imóvel
rural (registro).
 Delimitação → o fato gerador só ocorre quando o imóvel estiver
situado fora da zona urbana do município ou, se inserido na
zona urbana, tiver destinação econômica rural.
 Competência tributária da União: A definição do critério espacial
gera menos conflitos que no caso do IPTU → Problemas nos
casos em que há delegação da capacidade tributária ativa.
Lei nº 9.393/96:
“Art. 1º ................................
(…)
§ 2º Para os efeitos desta Lei, considera-se imóvel rural a área
contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras,
localizada na zona rural do município.
§ 3º O imóvel que pertencer a mais de um município deverá
ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e,
se esta não existir, será enquadrado no município onde se
localize a maior parte do imóvel.”
Norma a ser observada em caso de
delegação da capacidade tributária ativa
V. O Critério Pessoal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
a) Sujeito Ativo
 Competência Tributária X Capacidade Tributária Ativa:
- Competência tributária → instituir e disciplinar o tributo
(legislar).
- Capacidade tributária ativa → por delegação, fiscalizar e
arrecadar o tributo (não envolve o poder de legislar).
 Art. 153, § 4º, III da CF → Autorização para a delegação da
capacidade tributária aos municípios:
“Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput:
(...)
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na
forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer
outra forma de renúncia fiscal.”
- Lei nº 9.393/96:
“Art.1o - A União, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, para
fins do disposto no inciso III do § 4o do art. 153 da Constituição Federal,
poderá celebrar convênios com o Distrito Federal e os Municípios que
assim optarem, visando a delegar as atribuições de fiscalização, inclusive
a de lançamento dos créditos tributários, e de cobrança do Imposto
sobre a Propriedade Territorial Rural, de que trata o inciso VI do art. 153
da Constituição Federal, sem prejuízo da competência supletiva da
Secretaria da Receita Federal.
- IN RFB nº 1.640/2016:
“Art. 2º A RFB, em nome da União, poderá celebrar convênio com
o Distrito Federal e os municípios que assim optarem, para
delegar as atribuições de fiscalização, inclusive a de lançamento
de créditos tributários, e de cobrança relativas ao ITR.
§ 1º A celebração do convênio não prejudicará as competências
supletivas da RFB de fiscalização, inclusive a de lançamento de
créditos tributários, e de cobrança relativas ao ITR.
§ 2º A opção de que trata o caput não poderá implicar redução
do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
§ 3º O disposto no caput não abrange:
I - a competência da RFB para lançamento de multa por atraso na
entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial
Rural (DITR); e
II - o contencioso administrativo decorrente do exercício das
atribuições delegadas.”
- IN RFB nº 1.640/2016:
“Art. 16. O ente conveniado fará jus a 100% (cem por
cento) do produto da arrecadação do ITR, referente aos
imóveis rurais nele situados, a partir do cadastramento
dos seus servidores nos termos do art. 15.”
- Todo regramento permanece com a União Federal,
inclusive no tocante à benefícios fiscais, penalidades e
obrigações acessórias.
- Conclusão → Sujeitos Ativos do ITR:
(i) União Federal.
(ii) Município de situação do bem, desde que celebrado
convênio com a União Federal.
b) Sujeito Passivo
b.1) Contribuintes → aqueles que tenham relação pessoal e
direta com a situação que constitui fato gerador do tributo:
- Proprietário;
- Titular do domínio útil; ou
- Possuidor (com animus domini).
 CTN: “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do
imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a
qualquer título.”
 Lei nº 9.393/96: “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de
imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a
qualquer título.”
 Locatário, arrendatário e comodatário: da mesma
forma do ocorrido com o IPTU, NÃO podem figurar
como contribuintes, vez que detêm o imóvel de
maneira precária, transitória, permanecendo a
posse indireta com o locador ou comodante. Não
há animus domini.

- OBS.: Cabe reiterar → previsão contratual prevendo


responsabilidade do locatário, arrendatário e
comodatário não é oponível ao Fisco (art. 123 do
CTN).
 Sujeição Passiva Indireta (Responsabilidade
Tributária) - Lei no 9.393/96:

“Art. 5º É responsável pelo crédito tributário o


sucessor, a qualquer título, nos termos dos arts. 128
a 133 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.”
VI. O Critério Quantitativo da Regra Matriz
de Incidência Tributária
a) Base de Cálculo
 Valor da terra nua tributável (VTNt) – “valor
fundiário”.

- CTN:
“Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor
fundiário.”
VTNt = VTN X ÁREA TRIBUTÁVEL
ÁREA TOTAL IMÓVEL

Onde:
- VTNt → Valor da Terra Nua Tributável (BC do ITR).
- VTN → Valor da Terra Nua (valor de mercado das terras e
das riquezas naturais, sem a inclusão benfeitorias,
pastagens, culturas etc.).
- Área Tributável → Total do imóvel rural, excluídas as áreas
indicadas no art. 10, § 1º, II da Lei nº 9.393/96
(preservação permanente, reserva legal etc.).
 Área de RESERVA LEGAL - exclusão da base de cálculo do
ITR - Averbação disso no registro de imóveis?
Sim → STJ:
“TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ITR.
ISENÇÃO.
ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA
LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI
4.771/65.
1. A Primeira Seção firmou o entendimento de que a isenção do ITR
relativa à área de Reserva Legal está condicionada à prévia
averbação desse espaço no registro do imóvel. Precedentes: EREsp
1.310.871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, DJe 04/11/2013; EREsp
1.027.051/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013.”
(AgRg no REsp 1243685/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em
05/12/2013, DJe 16/12/2013)
 Área de PRESERVAÇÃO PERMANENTE - exclusão da base
de cálculo do ITR - Averbação disso no registro
de imóveis?
Não → STJ:
“(...) 1. Quando do julgamento do EREsp 1027051/SC (Rel. Min.
Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013), restou
pacificado que, "diferentemente do que ocorre com as áreas de
preservação permanente, as quais são instituídas por
disposição legal, a caracterização da área de reserva legal exige
seu prévio registro junto ao Poder Público".
(AgRg nos EDcl no REsp 1342161/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe 10/02/2014)
b) Alíquota
 Progressividade:
- CF:
“Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a
desestimular a manutenção de propriedades improdutivas;
- Lei nº 9.393/96:
“Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor
da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no
Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de
Utilização - GU.”
Área total do imóvel
GRAU DE UTILIZAÇÃO - GU ( EM %)
(em hectares)
Maior Maior Maior Maior
que que que que Até 30
80 65 até 80 50 até 65 30 até 50
Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00
Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00
Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30
Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70
Maior que 1.000 até
0,30 1,60 3,40 6,00 8,60
5.000
Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00

Lei nº 9.393/96 (Anexo)


 Art. 153, § 4º, I, da CF/88 → progressividade apenas
pelo critério da produtividade (não menciona a área do
imóvel) → Inconstitucionalidade da Lei nº 9.393/96?
Não → STF:
“É constitucional a progressividade das alíquotas do ITR previstas na Lei
nº 9.393/96 e que leva em consideração, de maneira conjugada, o grau de
utilização (GU) e a área do imóvel.
Essa progressividade é compatível com o art. 153, § 4º, I, da CF/88, seja
na sua redação atual, seja na redação originária, ou seja, antes da EC
42/2003.
Mesmo no período anterior à EC 42/2003, era possível a instituição da
progressividade em relação às alíquotas do ITR.”
(STF. 1ª Turma. RE 1038357 AgR/ SP, Rel. Min Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018)
 Imunidade das pequenas glebas rurais
- O art. 153, § 4º, II, da CF/88: imunidade tributária
específica → pequenas glebas rurais, definidas em lei,
quando as explore o proprietário que não possua outro
imóvel.
- Lei nº 9.393/96:
“Art. 2º - ...............................................
Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, pequenas glebas
rurais são os imóveis com área igual ou inferior a:
I - 100 ha, se localizado em município compreendido na Amazônia
Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense;
II - 50 ha, se localizado em município compreendido no Polígono
das Secas ou na Amazônia Oriental;
III - 30 ha, se localizado em qualquer outro município.”
ITCD – Imposto sobre
Transmissão Causa Mortis e
Doação
I. Definição Constitucional
“Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos
sobre:
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
(...)
§ 1º O imposto previsto no inciso I:
I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da
situação do bem, ou ao Distrito Federal;
II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se
processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao
Distrito Federal;
III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:
a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior;
b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu
inventário processado no exterior;
IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal;.”
II. O Critério Material da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Cerne da Hipótese de Incidência:
- Verbo → Transmitir
- Complementos → Quaisquer bens ou direitos:
(i) “Causa mortis”; ou Dupla
(ii) Doação. Materialidade

 Conforme anteriormente ressaltado, o CTN foi editado


antes da CF/88, época em que não havia divisão entre
ITBI e ITCD → Intérprete tem que identificar.
 CTN:
“Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a
transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem
como fato gerador:
(...)
Parágrafo único. Nas transmissões causa mortis, ocorrem tantos fatos
geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou legatários.”
 Materialidade apenas para as transmissões Causa Mortis de bens
móveis?
- NÃO → STF entende que os Estados, DF e Municípios, na ausência
de lei complementar, podem editar as leis necessárias a instituição
do imposto em seu território - competência legislativa excepcional
→ artigo 24, § 3º, da CF/88 e do artigo 34, § 3º, do ADCT.
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A
PROPRIEDADE DE VEÍCULOS AUTOMOTORES. AUSÊNCIA DE LEI
COMPLEMENTAR NACIONAL QUE DISPONHA SOBRE O TRIBUTO
NOS TERMOS DO ART. 146, III, A, DA CONSTITUIÇÃO. EXERCÍCIO
DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA PLENA PELOS ESTADOS
MEMBROS COM AMPARO NO ART. 24, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO.
PRECEDENTES. PREVISÃO DE ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS EM
RAZÃO DO TIPO DE VEÍCULO. POSSIBILIDADE. AGRAVO
IMPROVIDO.
I. Ante a omissão do legislador federal em estabelecer as
normas gerais pertinentes ao imposto sobre a doação de bens
móveis, os Estados-membros podem fazer uso de sua
competência legislativa plena com fulcro no art. 24, § 3º, da
Constituição.”
(RE-AgR - AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, RICARDO LEWANDOWSKI, STF)
 Lei nº 14.941/03 – ITCD em Minas Gerais :
“Art. 1º O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de
Quaisquer Bens ou Direitos - ITCD - incide:
I - na transmissão da propriedade de bem ou direito, por ocorrência
do óbito;
II- no ato em que ocorrer a transmissão de propriedade de bem ou direito,
por meio de fideicomisso;
III- na doação a qualquer título, ainda que em adiantamento da legítima;
ITCD IV - na partilha de bens da sociedade conjugal e da união estável, sobre o
ou ITBI
montante que exceder à meação;
V- na desistência de herança ou legado com determinação do
beneficiário; Herança Translativa –
ITCD ou ITBI
VI - na instituição de usufruto não oneroso;
VII- no recebimento de quantia depositada em conta bancária de
poupança ou em conta corrente em nome do de cujus.”
 ITCD sobre Previdência Privada (PGBL e VGBL) → Não incidência →
Natureza jurídica de seguro.
- Código Civil: “Art. 794. No seguro de vida ou de acidentes pessoais
para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do
segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito.”
- STJ: Não tratou especificamente do ITCD, mas entendeu se tratar de
seguro:
“(...) 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que o contrato de previdência
privada com plano de pecúlio por morte assemelha-se ao seguro de vida,
estendendo-se às entidades abertas de previdência complementar as normas
aplicáveis às sociedades seguradoras, nos termos do art. 73 da LC 109/01.
4. Aplica-se ao contrato de previdência privada com plano de pecúlio a regra
do art. 794 do CC/02, segundo o qual o capital estipulado não está sujeito às
dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de
direito.”
(REsp 1713147/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, 3ª TURMA, DJe 13/12/2018)
 Lei nº 14.941/03 – ITCD em Minas Gerais :
“Art. 20-A. As entidades de previdência complementar, seguradoras
e instituições financeiras são responsáveis pela retenção e pelo
recolhimento do ITCD devido a este Estado, na hipótese de transmissão
causa mortis ou doação de bem ou direito sob sua administração ou
custódia, inclusive aquele relativo aos planos de previdência privada e
seguro de pessoas nas modalidades de Plano Gerador de Benefício Livre -
PGBL -, Vida Gerador de Benefício Livre - VGBL - ou semelhante, observados
a forma, os prazos e as condições previstos em regulamento.
§ 1º - A responsabilidade pelo cumprimento total ou parcial da obrigação de
que trata o caput fica atribuída ao contribuinte em caráter supletivo.
§ 2º - O responsável apresentará à Secretaria de Estado de Fazenda
declaração de bens e direitos contendo, ao menos, a discriminação dos
respectivos valores e a identificação dos participantes e dos beneficiários.
§ 3º - Sem prejuízo do disposto no § 2º, as entidades de previdência
complementar, seguradoras e instituições financeiras prestarão informações
sobre os planos de previdência privada e seguro de pessoas nas
modalidades de PGBL, VGBL ou semelhante sob sua administração.”
III. O Critério Temporal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Momento da Ocorrência do Fato Gerador → Quando
efetivada a transmissão dos bens ou direitos que
materializam o tributo.
- Bens Imóveis → Efetiva transmissão se dá com o registro.
- Causa mortis → Na abertura da sucessão, ou seja, com a
morte.
- Direitos Reais → Caso o ordenamento exija o registro, a
efetiva transmissão somente se dá com esse ato.
- Bens móveis → Transmissão se dá com a tradição (art. 1.267,
CC/02).
 Lei nº 14.941/03 – ITCD em Minas Gerais:
“Art. 13. O imposto será pago:
I- na transmissão causa mortis, no prazo de cento e oitenta dias contados
da data da abertura da sucessão;
II - na substituição de fideicomisso, no prazo de até quinze dias contados do fato
ou do ato jurídico determinante da substituição e:
a)antes da lavratura, se por escritura pública;
b)antes do cancelamento da averbação no ofício ou órgão competente, nos
demais casos;
III - na dissolução da sociedade conjugal, sobre o valor que exceder à meação,
transmitido de forma gratuita, no prazo de trinta dias contados da data em que
transitar em julgado a sentença;
IV- na partilha de bens, na dissolução de comunhão estável, sobre o valor que
exceder à meação, transmitido de forma gratuita, no prazo de até quinze dias
contados da data da assinatura do instrumento próprio ou do trânsito em
julgado da sentença, ou antes da lavratura da escritura pública; (...)”
 Lei nº 14.941/03 – ITCD em Minas Gerais (continuação):
“V- na doação de bem, título ou crédito que se formalizar por
escritura pública, antes de sua lavratura;
VI- na doação de bem, título ou crédito que se formalizar por escrito
particular, no prazo de até quinze dias contados da data da assinatura;
VII- na cessão de direitos hereditários de forma gratuita:
a) antes da lavratura da escritura pública, se tiver por objeto bem, título ou
crédito determinados;
b) no mesmo prazo previsto no inciso I deste artigo, quando a cessão se
formalizar nos autos do inventário, mediante termo de desistência ou de
renúncia com determinação de beneficiário;
VIII- nas transmissões por doação de bem, título ou crédito não referidas nos
incisos anteriores, no prazo de até quinze dias contados da ocorrência do
fato jurídico tributário.
§ 1º O ITCD será pago antes da lavratura da escritura pública e antes do
registro de qualquer instrumento, nas hipóteses previstas nesta Lei.”
 Lançamento do ITCD → Apesar de haver a obrigação da entrega da
Declaração de ITCD a legislação mineira sujeitou o tributo ao
lançamento por homologação:
- Lei nº 14.941/03:
“Art. 17. O contribuinte apresentará declaração de bens com discriminação
dos respectivos valores em repartição pública fazendária e efetuará o
pagamento do ITCD no prazo estabelecido no art. 13
(...)
§ 3º Apresentada a declaração a que se refere o "caput" deste artigo e
recolhido o ITCD, ainda que intempestivamente, o pagamento ficará sujeito
à homologação pela autoridade fiscal no prazo de cinco anos contados do
primeiro dia do exercício seguinte ao da entrega da declaração.
§ 4º Expirado o prazo a que se refere o § 3º sem que a Fazenda Pública se
tenha pronunciado, considera-se extinto o crédito tributário, salvo se
comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”
 Exigência do Tributo antes da ocorrência do FG:
- TIT/SP:
“ITCMD. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO NA
QUALIDADE DE DONATÁRIO RELATIVO ÀS DOAÇÕES DE
QUOTAS DE DIVERSAS SOCIEDADES LIMITADAS. NÃO
OCORRÊNCIA DO “FATO GERADOR” DO IMPOSTO ANTES
DO REGISTRO DA TRANSFERÊNCIA NA JUNTA COMERCIAL.
RECURSO ORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO”.
(DRT C I Número: 4064405-4, ano 2016, AIIM 4064405-4, Décima
Segunda Câmara Julgadora, publicado em 01.12.2016).”
 Exigência do Tributo antes da ocorrência do FG:
- STJ:
“PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITCMD –
IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO. INVENTÁRIO.
HOMOLOGAÇÃO DE PARTILHA AMIGÁVEL. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA
COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO ANTES DO
RECONHECIMENTO DOS DIREITOS DOS SUCESSORES. ACÓRDÃO RECORRIDO
EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO DO STJ.
1. O Superior Tribunal de Justiça firmou a compreensão de que não há como
exigir o ITCMD antes do reconhecimento judicial dos direitos dos
sucessores, seja no arrolamento sumário ou no comum, tendo em vista as
características peculiares da transmissão causa mortis. Precedentes: REsp
1.660.491/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.6.2017;
AgRg no AREsp 270.270/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma,
DJe 31.8.2015.”
(REsp 1771623/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 2ª TURMA, DJe 04/02/2019)
IV. O Critério Espacial da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Local da Ocorrência do Fato Gerador → Constituição estabelece de
forma bem detalhada (art. 155, § 1º, incisos I a III):
(i) Bens imóveis e respectivos direitos → Estado da situação do bem ou
ao Distrito Federal (registro).
(ii) Bens móveis, títulos e créditos → Estado onde se processar o
inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito
Federal.
(iii) Competência específica → Deve ser determinada mediante Lei
Complementar:
a. se o doador tiver domicilio ou residência no exterior; e
b. se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu
inventário processado no exterior.
 Transmitente ou bens no exterior → E na ausência de Lei
Complementar?
- Lei nº 14.941/03:
“Art. 1º ..................................
§ 2º O imposto incide sobre a transmissão de bens móveis,
inclusive semoventes, direitos, títulos e créditos, e direitos a
eles relativos, quando:
(...)
II- o doador não tiver residência ou domicílio no País, e o donatário for
domiciliado no Estado;
(...)
IV - o herdeiro ou legatário for domiciliado no Estado se o de cujus
possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário
processado no exterior.”
- TJSP:
“APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. Transmissão
sucessória de bens localizados no exterior. ITCMD. Incidência.
Impossibilidade. Exação que depende da edição de lei
complementar, conforme decidido pelo Órgão Especial em
incidente de inconstitucionalidade. Sentença que concedeu a
segurança mantida. Recurso e reexame necessários não providos.”
(TJ-SP. Apelação nº 1011738-52.2013.8.26.0053, Relator(a): Paulo Galizia, 10ª
Câmara de Direito Público, Data do julgamento: 29/09/2014, Data de registro:
01/10/2014)

 Impossibilidade da utilização da competência legislativa excepcional (art.


24, § 3º, da CF/88 c/c art. 34, § 3º, do ADCT):
- CF expressamente requer lei complementar; e
- Necessidade dispor sobre conflito de competência → Art. 146, I da CF/88
e não 146, III da CF/88 (normas gerais em matéria tributária).
- Discussão recepcionada pelo STF em sede de Repercussão Geral
(ainda não decidida) → Tema nº 825:

“RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. ITCMD. BENS


LOCALIZADOS NO EXTERIOR. ARTIGO 155, § 1 º, III, LETRAS “A” E “B”,
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI COMPLEMENTAR. NORMAS GERAIS.
COMPETÊNCIA PARA INSTITUIÇÃO.
É de se definir, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, letras “a”
e “b”, da Constituição, se, ante a omissão do legislador nacional em
estabelecer as normas gerais pertinentes à competência para
instituir imposto sobre transmissão causa mortis ou doação de
quaisquer bens ou direitos (ITCMD), os Estados-Membros podem
fazer uso de sua competência legislativa plena com fulcro no art.
24, § 3º, da Constituição e no art. 34, § 3º, do ADCT.”
(RE 851.108/SP)
V. O Critério Pessoal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
a) Sujeito Ativo
 Competência estadual (e DF) → Observa o Critério Espacial:
(i) Bens imóveis e respectivos direitos → Estado da situação do bem ou ao
Distrito Federal (registro).
(ii) Bens móveis, títulos e créditos → Estado onde se processar o inventário ou
arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal.
(iii) Transmitente ou bens no exterior → Questionamento sobre a possibilidade
de exigência pelos Estados (e DF) sem lei complementar federal.
 O ITCD também pode ser exigido pela União Federal → Territórios Federais
(art. 147, CF/88).
b) Sujeito Passivo
 Art. 42 do CTN – Recepcionado com status de LC:
“Art. 42. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação
tributa da, como dispuser a lei.”

 Lei nº 14.941/03 – ITCD em Minas Gerais:


“Art. 12. O contribuinte do imposto é:
I - o sucessor ou o beneficiário, na transmissão por ocorrência do óbito;
II- o donatário, na aquisição por doação;
III- o cessionário, na cessão a título gratuito;
IV- o usufrutuário.
Parágrafo único. Em caso de doação de bem móvel, título ou crédito,
bem como dos direitos a eles relativos, se o donatário não residir nem
for domiciliado no Estado, o contribuinte é o doador.”
 Sujeição Passiva Indireta (responsabilidade tributária) – Lei
nº 14.941/03:
“Art. 21. São solidariamente responsáveis pelo imposto devido pelo
contribuinte:
I- a empresa, a instituição financeira ou bancária e todo aquele a quem
caiba a responsabilidade pelo registro ou pela prática de ato que resulte
em transmissão de bem móvel ou imóvel e respectivos direitos e ações;
II- a autoridade judicial, o serventuário da Justiça, o tabelião, o oficial de
registro e o escrivão, pelos tributos devidos sobre atos praticados por eles
ou perante eles em razão de seu ofício, ou pelas omissões a que derem
causa;
III- o doador;
IV- a pessoa física ou jurídica que detenha a posse do bem transmitido;
V- o despachante, em razão de ato por ele praticado que resulte em não-
pagamento ou pagamento a menor do imposto.”
VI. O Critério Quantitativo da Regra Matriz
de Incidência Tributária
a) Base de Cálculo
 Valor venal dos bens ou direitos transmitidos.
- CTN:
“Art. 38. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos
transmitidos.”
- Lei Estadual nº 14.941/03:
“Art. 4º A base de cálculo do imposto é o valor venal do bem ou direito recebido em
virtude da abertura da sucessão ou de doação, expresso em moeda corrente nacional e
em seu equivalente em Ufemg.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se valor venal o valor de mercado do bem ou
direito na data da abertura da sucessão ou da avaliação ou da realização do ato ou
contrato de doação, na forma estabelecida em regulamento.”
 Lei Estadual nº 14.941/03:
“Art. 4º - .............................
(…)
§ 2º A base de cálculo do imposto é nos seguintes casos:
(...)
III - 1/3 (um terço) do valor do bem, na instituição do usufruto, por ato não
oneroso;
VI - na hipótese de excedente de meação em que a universalidade do
patrimônio da sociedade conjugal ou da união estável for composta de
bens e direitos situados em mais de uma unidade da Federação,
proporcional ao valor:
a) dos bens móveis, em relação ao valor da universalidade do patrimônio
comum, se o doador for domiciliado neste Estado; e
b) dos bens imóveis situados neste Estado, em relação ao valor da
universalidade do patrimônio comum.”
 Decreto nº 43.981/2005 (Regulamento ITCD/MG):

i. Ações Negociadas em Bolsa


“Art. 13. Em se tratando de ações representativas do
capital de sociedade, a base de cálculo é determinada por
sua cotação média na Bolsa de Valores na data da
transmissão, ou na imediatamente anterior quando não
houver pregão ou quando essas não tiverem sido
negociadas naquele dia, regredindo-se, se for o caso, até o
máximo de 180 (cento e oitenta) dias.”
ii. Ação, quota ou participação não negociada em bolsa
- Valor patrimonial na data da transmissão (art. 13, § 1º, 2º e
4º, RITCD).
- Apuração mediante balanço patrimonial e declaração de IR.
- Fisco pode efetuar levantamento de bens direitos e
obrigações.
- Na hipótese em que o capital da sociedade tiver sido
integralizado em prazo inferior a cinco anos, a base de
cálculo do imposto não será inferior ao valor venal
atualizado dos referidos bens ou direitos.
 Decreto nº 43.981/2005 (Regulamento ITCD/MG):
“Art. 14. A base de cálculo do ITCD não será inferior ao valor:
I - fixado para o lançamento do Imposto sobre a Propriedade
Predial e Territorial Urbana (IPTU), em se tratando de imóvel
urbano ou de direito a ele relativo;
II - declarado pelo contribuinte para efeito de lançamento do
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), em se
tratando de imóvel rural ou de direito a ele relativo.
§ 1º Constatado que o valor utilizado para lançamento do IPTU
ou do ITR é notoriamente inferior ao de mercado, admitir-se-á
a utilização de coeficiente técnico de correção para apuração
do valor venal do imóvel.”
 Regulamento ITCD/MG → Avaliação e Contraditório (arts.
15 a 21):

Declaração do Contribuinte

Avaliação do Fisco
Contribuinte pode requerer a
Avaliação Contraditória (10 dias)

Parecer da Fiscalização

Decisão pelo Delegado Fiscal


b) Alíquota
 Definida em lei estadual, incidindo em porcentagem
única sobre o valor do imóvel ou direito transmitido.
 Lei Estadual nº 14.941/03:
“Art. 10. O imposto será calculado aplicando-se a
Ofício
alíquota de 5% (cinco por cento) sobre o valor total Consefaz n°
fixado para a base de cálculo dos bens e direitos 11/15 →
Proposta de
recebidos em doação ou em face de transmissão Resolução do
causa mortis. Senado
aumentando
 Alíquota máxima → 8% (Resolução do Senado para 20%

Federal nº 09/1992)
 Progressividade → STF já reconheceu, em sede de
Repercussão Geral, a possibilidade – Tema nº 21:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO.
LEI ESTADUAL: PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTA DE IMPOSTO
SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO DE BENS E
DIREITOS. CONSTITUCIONALIDADE. ART. 145, § 1º, DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRINCÍPIO DA IGUALDADE
MATERIAL TRIBUTÁRIA. OBSERVÂNCIA DA CAPACIDADE
CONTRIBUTIVA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO.
(RE 562045, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min.
CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 06/02/2013, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO
DJe-DIVULG 26-11-2013)
IPVA – Imposto Sobre a
Propriedade de Veículos
Automotores
I. Definição Constitucional
“Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal
instituir impostos sobre:
(...)
III - propriedade de veículos automotores.
(...)
§ 6º O imposto previsto no inciso III:
I - terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal;
II - poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo
e utilização.”
 Histórico
i. Taxa Rodoviária Federal
- Dec. 397/68.
- 0,5% - genuíno “imposto” → Incidia sobre a propriedade (e não
atuação estatal).
ii. Taxa Rodoviária Única – TRU
- Dec. 999/69.
- 40% DNER; 60% rateio entre Estados e Municípios → Garantir a
conservação das rodovias.
iii. Imposto sobre propriedade de veículos automotores – IPVA
- EC nº. 27/85
- CR/88: art. 155, III
II. O Critério Material da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 A Constituição utiliza o termo PROPRIEDADE → Núcleo do
tributo: deter a propriedade de veículos automotores.
 Veículo Automotor:
- Objeto dotado da capacidade de efetuar o transporte de
pessoas ou coisas.
- Movido por força própria.
Impossibilidade → p. ex. veículos de tração
animal ou movidos por força da natureza
(vento).
 Veículos como “mercadorias” → Não incidência (Ex.:
Estoque de uma revendedora de veículos).
 Roubados e sinistrados → Não incidência – Ainda que
mantida a propriedade, impossibilidade de uso e gozo.
 Empilhadeiras, colheitadeiras, máquinas da construção
civil etc. → Não incidência – Não se destinam ao
transporte de pessoas ou bens.
- OBS.: Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG) trata
equivocadamente esses casos como isenção.
 Incorporados ao Ativo Permanente → Incidência –
patrimônio da PJ.
 Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG):

“Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade de Veículos


Automotores - IPVA - incide, anualmente, sobre a
propriedade de veículo automotor de qualquer
espécie, sujeito a registro, matrícula ou licenciamento
no Estado.
Parágrafo único. O IPVA incide também sobre a
propriedade de veículo automotor dispensado de
registro, matrícula ou licenciamento no órgão próprio,
desde que seu proprietário seja domiciliado no
Estado.
 E as embarcações, aeronaves e locomotivas?
- Locomotivas, embarcações destinadas a pesca profissional
e aeronaves de transporte devidamente autorizadas → Lei
nº 14.937/2003 (IPVA/MG), art. 3º, trata como isenção.
- Demais embarcações e aeronaves → Incidência.

STF:
“IPVA - Imposto sobre Propriedade de Veículos
Automotores (CF, art. 155, III; CF 69, art. 23, III e § 13, cf. EC
27/85): campo de incidência que não inclui embarcações e
aeronaves.”
(RE 134509, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. SEPÚLVEDA
PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 29/05/2002, DJ 13-09-2002 PP-00064 EMENT VOL-
02082-02 PP-00364)
III. O Critério Temporal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Configuração da situação “ser proprietário” de veículo
automotor:
a) Incidência originária → Recolhimento do IPVA será
proporcional ao número de dias restantes para o fim do
exercício (art. 2º, § 2º , Lei nº 14.937/2003).
a.1) Veículos nacionais
- Aquisição do veículo pelo consumidor (veículo novo).

a.2) Veículos Importados


- Desembaraço aduaneiro.
b) Incidência Anual → presunção (art. 144, § 2º,
CTN).
- Veículo usado → 1º de janeiro de cada exercício.
- OBS.: Lei nº 14.937/2003 – art. 2º:
“§ 3º Tratando-se de veículo usado que não se
encontrava anteriormente sujeito a tributação,
considera-se ocorrido o fato gerador na data em que
se der o fato ensejador da perda da imunidade ou
da isenção.”
IV. O Critério Espacial da Regra Matriz de
Incidência Tributária
 Aspecto Espacial: Problemas → Ausência de Lei
Complementar:
- Não há normas destinadas a dirimir conflitos de
competência entre os Estados (art. 146, I, CF/88).
- Não há normas gerais sobre a definição do fato
gerador - aspecto espacial (art. 146, III, “a”, CF/88).

Diversos Estabelecimentos → Guerra Fiscal


Duas correntes:
i. Local da matrícula, licenciamento ou registro do veículo
(art. 158, III, da CF/88 fala em repartição de receitas para
o município de licenciamento); ou
ii. Domicílio ou residência do proprietário (art. 120 do Código de
Trânsito Brasileiro exige que o registro seja feito no município de
domicílio ou residência do proprietário).
- Lei nº 14.937/2003:
“Art. 1º - O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores - IPVA - incide,
anualmente, sobre a propriedade de veículo automotor de qualquer espécie,
sujeito a registro, matrícula ou licenciamento no Estado.
Parágrafo único. O IPVA incide também sobre a propriedade de veículo automotor
dispensado de registro, matrícula ou licenciamento no órgão próprio, desde que
seu proprietário seja domiciliado no Estado.”
Lei do IPVA/SP - Lei nº 13.296/2008:
“Artigo 4º - O imposto será devido no local do domicílio ou da
residência do proprietário do veículo neste Estado.
§ 1º - Para os efeitos desta lei, considerar-se-á domicílio:
(…)
2 - se o proprietário for pessoa jurídica de direito privado:
(...)
b) o estabelecimento onde o veículo estiver disponível para
entrega ao locatário na data da ocorrência do fato gerador, na
hipótese de contrato de locação avulsa;
c) o local do domicílio do locatário ao qual estiver vinculado o
veículo na data da ocorrência do fato gerador, na hipótese de
locação de veículo para integrar sua frota;”
STF irá analisar a questão sob a sistemática da Repercussão
Geral – Tema nº 708:
“REPERCUSSÃO GERAL – IPVA – LOCAL DE RECOLHIMENTO –
ARTIGOS 146, INCISOS I E III, E 155, INCISO III, DA CARTA DA
REPÚBLICA.
Possui repercussão geral a controvérsia acerca do local a ser
pago o Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores – IPVA, se em favor do estado no qual se
encontra sediado ou domiciliado o contribuinte ou onde
registrado e licenciado o veículo automotor cuja propriedade
constitui fato gerador do tributo.
(ARE 784682 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 20/03/2014, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-078 DIVULG 24-04-2014 PUBLIC 25-04-2014)”
V. O Critério Pessoal da Regra Matriz de
Incidência Tributária
a) Sujeito Ativo
 Competência → Estados e DF.
 Definição do sujeito ativo recai na mesma discussão do
Critério Espacial:
- Estado em que está situado o município de domicílio do
proprietário; ou
- Estado em que está licenciado o veículo.
 Nosso Posicionamento:
i. Estado de domicílio ou residência do proprietário →
Art. 120 do CTB determina que o registro
(licenciamento) deve ser feito no município de domicílio;
bem como o art. 158, III, da CF/88 fala em repartição de
receitas para o município de licenciamento.
ii. Múltiplos estabelecimentos → Domicílio tributário de
eleição do contribuinte ou, em sua falta, em sua sede
(art. 127, CTN).
- OBS.: Liberdade de escolha do contribuinte, desde que
não se trate de fraude → Escolha de domicílio onde
sequer há estabelecimento.
- Ultima palavra → STF – Repercussão Geral.
b) Sujeito Passivo
b.1) Contribuinte → Proprietário do veículo automotor.
 Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG):
“Art. 4º Contribuinte do IPVA é o proprietário de veículo automotor.”

b.2) Responsáveis:
 Devedor fiduciante
 Arrendatário
 Comprador, em relação ao veículo objeto de reserva de domínio
 Alienante que não comunicar ao órgão de registro a venda do
veículo
 Seguradora ou instituição financeira que deixar de prestar as
informações de que trata o art. 16-A, em relação à embarcação ou
aeronave não informada
VI. O Critério Quantitativo da Regra Matriz
de Incidência Tributária
a) Base de Cálculo
 Valor venal do veículo automotor.

- Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG):


“Art. 7º A base de cálculo do IPVA é o valor venal do
veículo.”
- Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG) – art. 6º:
i. Veículo novo → valor da nota fiscal.
ii. Veículo usado:
• Rodoviário ou ferroviário → valor divulgado pela SEF/MG.
• Embarcações e aeronaves → valor venal declarado pelo
proprietário, desde que não inferior ao contrato de seguro.
iii. Veículo importado → valor aduaneiro acrescido de todos
os tributos e encargos.
b) Alíquota
 Fixada por Lei ordinária estadual ou do DF.
 Alíquotas mínimas: Possibilidade de fixação por Resolução
do Senado → Combater a guerra fiscal.
 Diferenciação de alíquotas → tipo e utilização do veículo:
4,0% Automóveis, veículos de uso misto e utilitários, caminhonetes cabine estendida e dupla.
3,0% Caminhonetes de carga (pick-ups) e furgão.
Automóveis, veículos de uso misto e utilitários com autorização para transporte público
2,0% (ex: táxi, escolar) comprovada mediante registro no órgão de trânsito na categoria
aluguel.
2,0% Motocicletas e similares.
1,0% Veículos de locadoras (pessoa jurídica).
1,0% Ônibus, micro ônibus, caminhão, caminhão trator.
Lei nº 14.937/2003 (IPVA/MG)
 Progressividade → Possível?
 Concepção tradicional → Não:
- Imposto Real x Pessoal
- Ausência de autorização expressa na CF.
 Fato relevante → Decisão do STF no caso do ITCD
(RE nº 562.045/RS).