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2.

Estatuto do conhecimento
científico
2.1. Conhecimento vulgar e
conhecimento científico

2. A Filosofia na cidade
2.1.1. A reflexão filosófica sobre a
ciência
CIÊNCIA TÉCNICA E TECNOLOGIA

Trouxe, ao longo dos tempos, inúmeras


vantagens, comodidades e confortos.

A ciência alcançou um estatuto superior ao


de outras formas de conhecimento.

A maioria das pessoas valoriza a ciência e o conhecimento científico


sob a crença de que são fiáveis e seguros,

Mas o desenvolvimento da investigação científica e da tecnologia


também trouxe a debate inúmeras questões que nos obrigam a refletir
sobre o valor, os riscos e os limites da própria ciência.
FILOSOFIA DA CIÊNCIA OU EPISTEMOLOGIA

Área da filosofia que se ocupa do estudo das questões relativas à


prática e ao conhecimento científicos.

«O estudo crítico dos


princípios, das hipóteses e «O estudo sistemático da
dos resultados das
«A investigação de natureza da ciência,
diversas ciências, problemas que surgem especialmente dos seus
destinado a determinar a da reflexão sobre a métodos, conceitos e
sua origem lógica (não ciência e a prática pressuposições.»
psicológica), o seu valor e científica.» (Simon (Dagobert D. Runes)
a sua importância Blackburn)
objetiva.»(André Lalande)

•O que é a ciência?
•O que distingue uma boa teoria científica de uma má teoria? Algumas questões
•Qual deve ser o método a adotar em ciência? epistemológicas
•Como progride a ciência?
•Será que o conhecimento científico é objetivo?
•O contexto cultural e social tem alguma influência sobre a atividade científica?
2.1.2. A especificidade do conhecimento
científico – distinção entre senso
comum e conhecimento científico
Realidade

Pode ser explorada e compreendida de


diferentes modos.

Existência de diferentes níveis de conhecimento


acerca da realidade.

Senso comum
ou Conhecimento
conhecimento científico
vulgar
SENSO COMUM
(CONHECIMENTO VULGAR)

Conhecimento essencialmente prático. Orienta a vida quotidiana.

Resulta da apreensão sensorial espontânea e imediata da realidade.

É não disciplinar e ametódico (ao invés do conhecimento científico).

É um tipo de conhecimento superficial e pouco ou nada aprofundado.

Conjunto de crenças e opiniões subjetivas, suposições, pressentimentos, preconceitos e ideias


feitas que se traduzem num conhecimento superficial e, por vezes, erróneo da realidade.

Serve de alavanca à construção de tipos de conhecimento mais elaborados, como é o científico.


DO SENSO COMUM AO
CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Karl Popper Gaston Bachelard

O senso comum é o ponto de


O senso comum é um
partida para qualquer
obstáculo epistemológico,
conhecimento mais
algo que impede a produção
aprofundado do real –
de conhecimento científico.
científico, filosófico ou outro.

É necessário e suficiente corrigi-lo, Não basta criticá-lo: é preciso romper


reformulá-lo e criticá-lo. totalmente com ele.
CONHECIMENTO CIENTÍFICO

Resulta de uma leitura dos fenómenos diferente da do conhecimento vulgar e de uma atitude
diferente face ao real

É um nível mais aprofundado do conhecimento da realidade.

Baseia-se em pesquisas e apoiadas em procedimentos (métodos) coerentes e consistentes


relativamente a um conjunto de pressupostos teóricos.

Faz-se acompanhar de instrumentos de medida.

Recurso a uma linguagem específica e rigorosa,


Construção de conceitos e teorias.
geralmente de carácter matemático,

Procura descrever, explicar e prever os fenómenos e as suas relações, apontando as leis que
presidem a tais fenómenos.
Conhecimento vulgar Conhecimento científico

- Confia nos sentidos;


- Desconfia dos sentidos;
- É sensitivo;
- É problematizador e racional;
- Manifesta-se numa atitude
- Manifesta-se numa atitude crítica;
dogmática;
- É explicativo;
- É prático;
- É metódico e sistemático.
- É imetódico e assistemático.
Tipo de conhecimento superficial, Tipo de conhecimento aprofundado e
não especializado em qualquer especializado em diferentes
domínio, mas que apresenta domínios, construindo explicações
respostas imediatas e funcionais, dos fenómenos e tendo por base
visando a resolução dos problemas uma organização teórica e um
do dia a dia. método.
Conhecimento científico
Procura ser objetivo. Tem em atenção o facto, excluindo as apreciações subjetivas.

Resulta de um método Tal método apoia-se, no caso das ciências empíricas, na verificação e no controlo
específico. experimentais.
Resulta da formulação de
Elas procuram ordenar a diversidade empírica.
hipóteses.
É constituído por um As teorias são hipóteses já estabelecidas e comprovadas.
conjunto de teorias.
Procura leis. As leis exprimem a invariância e a repetibilidade dos factos; muitas vezes, este conhecimento
exprime os factos em termos estatísticos ou probabilísticos.

É preditivo. Prevê a ocorrência de novos fenómenos.

É revisível. Encontra-se sujeito a correções e a alterações.

É provisório. Mantém-se como aceitável até surgir outra teoria mais eficaz e mais próxima da
verdade.

A ciência sempre procurou constituir-se como um conjunto de conhecimentos e


procedimentos sistematizados e organizados, tendo em vista a produção de leis
e teorias capazes de descrever, explicar e prever os fenómenos.
Classificação das ciências

Formais (exatas) Empíricas

Naturais Sociais e humanas


Estudam conceitos,
estruturas e
processos puramente
Estudam factos e Estudam factos e
lógicos, abstratos e
acontecimentos acontecimentos
simbólicos.
característicos da característicos da
natureza. vida social e humana.

•biologia •sociologia
•química •psicologia
•lógica
•física •história
•matemática
•astronomia •economia
•… •…

Há muitas situações em que as diferentes ciências cooperam umas com as outras.


2.2. Ciência e construção – validade e
verificabilidade das hipóteses
Especificidade
metodológica da ciência
MÉTODO
Conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de regras, que estabelecem a
ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado.

A escolha de um método está dependente do objeto de estudo.

O método permite distinguir aquilo que é


Problema da
conhecimento científico do que não pode
demarcação
ser considerado como tal.

•Quais são os procedimentos (o método) que o cientista deve Procura do


adotar para obter resultados científicos? critério de
•Como podemos reconhecer uma teoria científica? cientificidade
•Qual o critério a adotar na validação das teorias científicas?
•Será que o método é suficiente para garantir a cientificidade do
conhecimento?
2.2.1. A conceção indutivista do método
científico
INDUTIVISMO

Perspetiva epistemológica que salienta a importância da indução para a ciência,


quer ao nível das descobertas científicas, quer ao nível da justificação das teorias.

Francis Bacon O conhecimento científico deve fundar-se na indução e na


(1561-1626) experimentação e não na metafísica e na especulação.

A atividade científica obedece à seguinte lógica de procedimentos:

Formulação de
Observação Experimentação Lei
hipóteses
Operações fundamentais do método indutivo

O cientista observa os factos ou fenómenos e Exemplo:


regista-os de forma sistematizada para procurar
1. Observação encontrar as suas causas. A observação, que Observo que o metal x conduz
dos fenómenos precede a teoria, é neutra, objetiva e imparcial. eletricidade.
A observação e o registo devem ser repetidos Observo que o metal y conduz
várias vezes, com rigor e método. eletricidade.

Por meio da comparação e classificação dos


2. Descoberta da casos observados, o investigador procura Exemplo:
aproximar os factos para descobrir a relação
relação entre os entre eles. Procede, assim, à formulação de Verifico a relação entre os
fenómenos hipóteses, explicações acerca dos fenómenos e metais x e y.
das suas relações.

Recorrendo ao raciocínio indutivo, o cientista


generaliza a relação encontrada entre os factos
Exemplo:
semelhantes, traduzindo-a em leis que
3. Generalização
expressam as relações constantes entre esses
da relação Todos os metais conduzem
factos. Testada por experimentação, e
eletricidade.
confirmando-se o que ela propõe, a hipótese
pode passar a lei científica.
EXPERIMENTAÇÃO

É fundamental para que se possa verificar e confirmar se as


relações estabelecidas são aplicáveis a fenómenos semelhantes.

Enunciados do indutivismo

Princípio da Princípio de
Princípio da indução
acumulação confirmação

O conhecimento
Articula a plausibilidade
científico é o resultado
Há uma forma de, a das leis com o número
de factos bem
partir da acumulação de de instâncias a que o
estabelecidos, a que
factos singulares, inferir fenómeno a que se
progressivamente se
enunciados universais. refere a lei foi
acrescentaram outros
submetido.
sem alteração daqueles.
2.2.2. O critério da verificabilidade
Verificação da hipótese

Passo necessário para assegurar os resultados da investigação.

Mas será que isto é suficiente para garantir que determinada


hipótese é de facto de uma (boa) hipótese ou teoria científica?

Problema da Qual o critério que permite demarcar o conhecimento


demarcação científico de outros tipos de conhecimento?

Filósofos A verificação (empírica) é o critério para distinguir o


neopositivistas que é científico do que não o é.

Uma teoria é científica se for possível verificar


Critério da
empiricamente, isto é, através da experiência, aquilo
verificabilidade que ela propõe.
Proposição

É empiricamente verificável se for possível determinar,


através da observação, o seu valor de verdade.

“Há cisnes negros.” “Há anjos negros.”

Não é científica, porque não se


É científica, porque pode ser
pode verificar empiricamente o
verificada pela observação.
que ela afirma.
Mas será que as teorias e as leis propostas pelos
cientistas podem ser realmente verificadas?

“Há corvos negros.” “Todos os corvos são negros.”

Aquilo que nesta proposição se


Esta proposição é verificável: afirma não pode ser estritamente
podemos verificar aquilo que ela verificado de forma universal, pois
afirma de cada vez que se vê um é impossível saber a cor de todos
corvo. Se o corvo for negro, a os corvos que existiram no
proposição é verdadeira.. passado, que existem e que
existirão no futuro.

Problema da indução

Se todos e cada um dos corvos observados até ao momento Alguns filósofos neopositivistas
forem negros, o enunciado «Todos os corvos são negros» traduz afirmam, porém, que basta que os
uma proposição verdadeira. Assim, o enunciado confirma-se, o enunciados sejam empiricamente
que é suficiente para que seja reconhecido como científico.. confirmáveis.
2.2.3. Críticas ao indutivismo
Críticas ao indutivismo

A observação não é ponto


de partida do método O raciocínio indutivo não
científico e, ainda que o confere o rigor lógico
cientista recorra à necessário às teorias
observação, ela não é científicas.
totalmente neutra e isenta.

A observação dos fenómenos


ocorre num determinado A indução constitui, em termos
contexto. A observação do lógicos, uma operação que
cientista é afetada por obriga a um salto do conhecido
pressupostos teóricos, teorias, (de proposições particulares)
conceitos e expectativas para o desconhecido (para
desenvolvidas face à proposições gerais).
investigação.
Como podemos justificar a indução?

Problema da indução
(levantado por David Hume)

Segundo Hume, para conhecermos os fenómenos que


encontramos na natureza recorremos à indução.

Existe uma regularidade no modo como os fenómenos ocorrem,


como se obedecessem a um

princípio de uniformidade

não constitui uma verdade não pode ser provado


necessária (a priori), pois
empiricamente: ele
não pode ser justificado pelo
decorre do hábito
pensamento

A generalização é uma mera crença ou expectativa de


que os factos se repitam daquele modo.
Princípio da uniformidade da natureza

Decorre do hábito.

Nenhum raciocínio que se baseie em tal princípio pode


garantir rigorosamente a verdade da sua conclusão.

Exemplo

A couve portuguesa é rica em cálcio.


Os brócolos são ricos em cálcio.
A couve lombarda é rica em cálcio.
Logo, todos os legumes são ricos em cálcio.

Esta generalização indutiva não invalida a hipótese de


alguns legumes não serem ricos em cálcio.

Não é possível justificar, com rigor, aquilo que é proposto numa teoria ou lei científica que decorra
da generalização indutiva. O rigor e a verdade do conhecimento científico ficam comprometidos.
David Hume

sublinha o carácter ilusório do indutivismo

Apesar de admitir que o conhecimento científico se


constrói por indução, reconhece que ela não serve para
justificar esse conhecimento.

Como podemos então garantir a


cientificidade do conhecimento?

Karl Popper

Mostra que o
Propõe outro método Propõe outro critério
problema da indução
– conjeturas e de cientificidade –
não tem o peso que
refutações. falsificabilidade.
Hume lhe atribui.
2.2.4. A conceção de ciência de Popper
– o método conjetural
Karl Popper

Rejeita o critério da
Considera que a especificidade verificabilidade e da confirmação
metodológica da ciência não das hipóteses e teorias científicas
pode assentar na indução. tal como proposto pelo
positivismo lógico.

A construção do conhecimento O critério que garante a


científico faz-se através de cientificidade das teorias é o da
conjeturas e refutações. sua falsificabilidade.
CIÊNCIA

Faz-se por um processo de construção criativa de


hipóteses– conjeturas – para responder a problemas.

Ao contrário do indutivismo, Popper entende que a


observação não é o ponto de partida do cientista, nem
as teorias resultam de inferências indutivas.

A ciência parte de problemas (ou factos-problemas) e


as teorias começam por ser hipóteses explicativas e
criativas (conjeturas) que terão de ser submetidas a
testes rigorosos, tendo em vista a sua refutação.

Hipótese Testes
Problema
(conjetura)) (refutação)
Etapas do método hipotético-dedutivo (ou conjetural)

“Facto-problema” 1 – Formulação da hipótese ou conjetura a


Exemplo: partir de um facto-problema.
Constata-se que algumas
crianças, mesmo quando bem O ponto de partida da investigação científica são os
alimentadas e sem problema de problemas ou factos-problemas . Um facto-problema surge,
foro genético diagnosticado, em geral, de conflitos decorrentes das nossas expectativas
revelam um crescimento abaixo ou das teorias já existentes. Para o resolver, o cientista terá
da média. Procura-se explicar a de propor uma explicação provisória – hipótese (ou
razão pela qual estas crianças conjetura): momento criativo da atividade científica,
revelam um baixo crescimento. associado à intuição, à imaginação, ao raciocínio abdutivo
(raciocínio criativo) e não à indução.

1 – Formulação da Hipótese
hipótese ou conjetura

Explicação provisória de um dado fenómeno que


Exemplo: exige comprovação; suposição que se expressa
Hipótese 1 – A presença em excesso num enunciado antecipado sobre a natureza das
da hormona X no organismo impede o relações entre dois ou mais fenómenos.
crescimento.
2 – Dedução das
2 – Dedução das consequências
consequências

Depois de a hipótese ter sido formulada, são


Exemplo: deduzidas as suas principais consequências. Ou seja,
Dedução das consequências da na prática o cientista procura prever o que pode
hipótese 1 – Se a hipótese 1 for
acontecer se a sua hipótese ou conjetura for
verdadeira, a redução ou a
inibição da produção da hormona verdadeira.
X promoverá o crescimento.
3 – Experimentação 3 – Experimentação

Exemplo:
Experiências realizadas com
Agora será necessário descobrir se as previsões que
ratinhos revelam que, nos grupos o cientista fez estão ou não corretas: a hipótese será
em que a hormona X foi testada, confrontada com a experiência. Os
administrada em doses resultados podem, então, mostrar o “sucesso” ou o
sucessivamente superiores, os fracasso da conjetura proposta.
ratinhos apresentaram um
crescimento mais ou menos lento • Se for validada pela experiência, a hipótese é
e pouco significativo, mesmo
quando bem alimentados; já nos
considerada como credível e passará a ser
grupos de ratinhos que não reconhecida na comunidade científica – teoria
sofreram essa administração, o corroborada.
seu crescimento foi normal. Este
resultado validou a hipótese. • Se não for validada, teremos de a abandonar
Caso não tivesse validado a ou de a reformular – teoria refutada.
hipótese, teríamos de a
reformular ou apresentar uma
nova hipótese.
Validade das hipóteses ou conjeturas

Condições exigidas para a garantir:

É preciso criticá-las, tentar refutá-las, procurar os seus


pontos fracos, submetê-las a testes rigorosos, proceder
a várias tentativas de falsificação..

Só assim é possível o desenvolvimento


do conhecimento científico.

O crescimento do conhecimento avança de velhos para novos


problemas mediante conjeturas e refutações (K. P.).
2.2.5. O critério da falsificabilidade
POPPER

rejeita o critério da verificabilidade

Segundo Popper, as teorias científicas não são


empiricamente verificáveis.

Para que uma hipótese venha a ser considerada


credível, é preciso procurar refutá-la ou falsificá-la.

Critério da
falsificabilidade

Uma hipótese é
científica se, e só se, for
falsificável.
Confrontação da hipótese com a experiência

Não visa confirmar a hipótese, mas permitir testar a


resistência que ela tem face às tentativas
empreendidas para a enfraquecer, refutar ou falsificar.

O teste experimental é visto como a procura de


fenómenos que possam infirmar a hipótese.

Se se encontrar
Uma teoria científica é válida enquanto for resistindo à
um cisne de tentativa de a falsificar empiricamente e é tanto mais forte
outra cor, quanto mais resistir. A atitude do cientista
teremos de deve ser a de
procurar cisnes de
abandonar e/ou outra cor (para
reformular o O enunciado «Todos os cisnes são brancos» é científico, falsificar) e não a de
enunciado: este porque é empiricamente falsificável – para o falsificar, procurar cisnes
brancos (para
não resistiu à basta encontrar um cisne de outra cor. confirmar).
falsificação e foi,
efetivamente,
falsificado.
Enunciados

“Surgirá no Céu uma bola de “O cometa Halley aparecerá


fogo.” no ano de 1986.”

Enunciado não falsificável. Enunciado falsificável.

Quanto mais uma teoria é


falsificável, mais
Uma teoria que não é
possibilidades o cientista
falsificável nada diz de
tem de descobrir falhas na
significativo sobre os factos.
sua investigação e de propor
uma nova explicação.

Mais possibilidades de a ciência


progredir.
Critério da falsificabilidade

Permite a Popper responder ao problema


da demarcação.

As teorias científicas são diferentes das


não-científicas (ou das pseudocientíficas),
na medida em que são falsificáveis.

“Todos os cisnes são


“Deus existe.” brancos.”

Não pode ser falsificado. Pode ser falsificado.

Não constitui um enunciado Constitui um enunciado de


de carácter científico. carácter científico.
2.2.6. Críticas a Popper
Críticas a Popper

Considerando a história da
O processo de refutação ou
ciência, não parece que ela
falsificação não é o
possa evoluir por um
procedimento mais comum
processo assente nas
entre os cientistas.
refutações.

Ao nível da história da ciência


Alguns autores defendem que a encontramos episódios que
atitude falsificacionista não parecem pôr em causa a
corresponde exatamente àquela perspetiva falsificacionista e a
que os cientistas demonstram na ideia de que a ciência progride
atividade científica. por meio de conjeturas e
refutações.

Geralmente, os cientistas
procuram confirmar aquilo que as Copérnico, Galileu ou Newton, por
teorias científicas propõem e, exemplo, não abandonaram as
mesmo que dada observação suas teorias na presença de
implique a rejeição de uma factos que aparentemente as
previsão, isso não os demove de poderiam falsificar.
investigar no mesmo sentido.
2.3. A racionalidade científica e a
questão da objetividade

2. A Filosofia na cidade
História da ciência

Mostra-nos um conjunto de leis, teorias e modelos científicos sucessivamente revistos ou


rejeitados e substituídos por outros mais eficazes, mais aptos a explicar os fenómenos.

•O facto de quase todas as teorias da história da ciência terem sido substituídas constituirá um indício de
que as que atualmente vigoram serão também um dia dadas como falsas ou inadequadas?
•Como podemos estar certos de que a ciência nos oferece um conjunto de conhecimentos verdadeiros?
•Para onde nos leva o conhecimento científico?
•Como podemos ter a certeza de que a ciência evolui no sentido da verdade?

Karl Popper Thomas Kuhn

Destaca o papel que a


Defende o valor da ciência
história, a sociedade e o
enquanto conhecimento que
modo de ver e de fazer
resulta de um processo
ciência segundo determinado
progressivo de construção de
contexto têm sobre a própria
conjeturas e refutações.
atividade científica.
2.3.1. A evolução da ciência
Karl Popper VERDADE

Correspondência das proposições


científicas à realidade dos factos.

Meta para a qual a ciência avança.

O progresso científico deve ser entendido


como o desenvolvimento da ciência em
direção a um fim que, podendo não ser
alcançável, não deixa de ser pressuposto.

O critério da
falsificabilidade pressupõe Nenhuma teoria, mesmo
que a todo o momento as aquela que é corroborada,
teorias possam ser é completamente definitiva
refutadas.. e verdadeira.
A ciência avança por meio de tentativas e erros:

Parte de problemas. P1

Propõe hipóteses ou conjeturas, ou novas teorias-tentativas (TT) de


explicação do mundo, que são provisórias. TT

Vai eliminando os erros (EE), submetendo as teorias à refutação. EE

Conduz, neste processo, à descoberta de novos problemas (P2), e


assim por diante. P2…
Evolução da ciência: é comparável à evolução das espécies.

Conceção darwinista da Processo de construção da


evolução das espécies ciência

As espécies que melhor


respondem aos desafios que o
ambiente e a natureza As hipóteses
propõem são as que mais sofrem uma espécie de
probabilidades têm de processo de “seleção natural”.
sobreviver.

As teorias mais fortes – as que


As teorias menos aptas – as que
resistem às várias tentativas de
não resistem aos testes
refutação – são as melhores,
experimentais – são eliminadas
isto é, as que oferecem uma
e dadas como erros.
(boa) explicação dos factos.
ERROS

Obrigam o cientista a procurar novas


explicações dos factos ou problemas.

Importância da crítica: critério racional


de progresso científico.

A crítica permitirá a eliminação dos erros e,


consequentemente, o avanço da ciência em
direção à verdade..

O cientista encontra falhas ou erros nas teorias


já existentes e empenha-se na procura de
novas respostas.

Isso impede que a ciência estagne ou se fixe a


qualquer tipo de dogma.
Atitude crítica

Sendo contrária à atitude dogmática, ela


permite ao cientista avançar.

O objetivo do cientista é encontrar a verdade, ainda que essa


tarefa corresponda apenas a uma aproximação da verdade por
intermédio de teorias cada vez melhores.

As teorias científicas nunca são categóricas, mas conjeturais.

A ciência nunca pode afirmar-se como detentora da VEROSIMILHANÇA


verdade: as teorias são sempre falsificáveis.

Mesmo no caso das teorias corroboradas, há sempre a


hipótese de virem a ser refutadas no futuro..

Grau com que uma


Podemos mostrar apenas que dada teoria é verosímil. teoria capta a verdade.
Thomas S. Kuhn

Destaca o papel que a história da ciência tem na construção da própria ciência.

Reflete sobre o processo de produção da ciência.

A construção de teorias
A produção científicas está sempre
Ao contrário da tradição
científica dependente de um
positivista, Kuhn não vê o
depende de conjunto de factos, de
cientista como um sujeito
um crenças e conhecimentos,
neutro ou isolado, mas
paradigma regras, técnicas e valores
sim condicionado e
científico. compartilhados e aceites
contextualizado.
pela maioria dos
cientistas.

O paradigma funciona como um modelo de referência na descoberta e resolução de


problemas, no interior da comunidade científica.
Processo de desenvolvimento da ciência
Fase da atividade científica que ocorre no âmbito de um dado paradigma aceite pela comunidade
Ciência
científica. Consiste essencialmente na resolução de enigmas (quebra-cabeças) de acordo com a
normal aplicação dos princípios, regras, conceitos do paradigma vigente.

Anomalias Enigmas persistentes, factos a que o paradigma não é capaz de responder.

Fase de tomada de consciência da insuficiência do paradigma vigente para explicar todos os


Crise
factos ou anomalias. Vive-se um clima de insatisfação e insegurança.

Ciência Fase de questionamento dos pressupostos e fundamentos do paradigma vigente. Gera-se o


extraordinária debate sobre a manutenção do paradigma (velho) ou a escolha de um novo paradigma.

Revolução
Fase de mudança e aceitação de um novo paradigma pela comunidade científica.
científica

Paradigma: conjunto de crenças, regras, técnicas e valores compartilhados e aceites por uma
Novo
comunidade científica e que orientam a sua atividade. Corresponde a um modo de fazer
paradigma
ciência, de perceber, abordar e resolver problemas, que se institui no seio dessa comunidade.
Dois momentos fundamentais de
progresso no interior da ciência

Durante o período de No período das


ciência normal revoluções científicas

O cientista, sem se desviar


do paradigma de referência,
faz um estudo cada vez Nesta altura, ocorrem
mais específico e novas descobertas, que
aprofundado dos
obrigam a mudanças
fenómenos. A resolução de
novos enigmas significa a revolucionárias, porque
possibilidade de validar não se ajustam ao
novos resultados sem pôr paradigma anterior.
em causa as teorias do
paradigma vigente.
A mudança de um paradigma para outro não é cumulativa, antes
corresponde a um modo qualitativamente diferente de olhar o real.

Kuhn exemplifica com as imagens da psicologia da forma (Gestalt): estas imagens ilustram a
inesperada e total mutação de formas que ocorre de um paradigma para outro.

Ora se vê um pato, ora se vê um coelho.

Ora se vê uma jovem, ora se


vê uma idosa.
A verdade das teorias científicas está sempre dependente do paradigma em
que se inserem: aquilo que é verdadeiro num paradigma pode não o ser noutro.

Três conceções de espaço que suportam três geometrias diferentes: todas podem ser
verdadeiras, pois funcionam em paradigmas distintos (a de Euclides é a que está subjacente
à física newtoniana; a de Riemann está subjacente à física einsteiniana).

Conceção de espaço de Conceção de espaço de Conceção de espaço de


Euclides. Riemann. Lobachevsky-Bolyai..
Os paradigmas são incomensuráveis, isto é, são incomparáveis e
incompatíveis. Não podemos comparar objetivamente aquilo que cada
paradigma defende, pois correspondem a formas totalmente diferentes
de explicar e prever os fenómenos.

Interpretação diferente do
progresso da ciência

O progresso científico não pode ser entendido como um processo contínuo e cumulativo de
teorias ou paradigmas cada vez melhores em direção a uma meta ou fim.

Se não podemos afirmar que um paradigma é melhor que o antecessor, também não podemos
afirmar que, ao ocorrer uma mudança de paradigma, há uma evolução da ciência para melhor:
não podemos dizer que o novo paradigma descreve melhor a realidade que o antecessor.

A ciência não progride de forma As mudanças de paradigmas não


cumulativa e contínua. implicam a aproximação à verdade.

Recusa da ideia de que a ciência é o Recusa da visão teleológica da


único meio para alcançar a verdade evolução da ciência: a verdade não é
(cientifismo Ingénuo). a meta para a qual ela se orienta.
A escolha de um novo paradigma é marcada por fatores de
ordem histórica, sociológica e psicológica.

Quando a comunidade científica tem de escolher entre


dois paradigmas rivais, gera-se o debate.

A atividade do cientista não se reduz à resolução de enigmas, ao recurso à lógica e


à experimentação, mas está dependente da argumentação.

Na obra A Tensão Essencial, Kuhn define os critérios a partir dos quais, regra geral,
os cientistas escolhem determinadas teorias e abandonam outras.
A escolha entre teorias rivais obedece a critérios objetivos e subjetivos.

CRITÉRIOS

Objetivos Subjetivos

São individuais,
São partilhados por toda a dependentes de fatores
comunidade científica, subjetivos, relativos ao que
sendo dependentes de individualmente cada
fatores objetivos, isto é, cientista sente e pensa – de
princípios, regras e até acordo com a sua história
valores comummente de vida e a sua
adotados. personalidade – em relação
à teoria que elege.
Princípios ou critérios objetivos de
escolha das teorias

Exatidão Consistência Alcance Simplicidade Fecundidade

Característica Sobriedade e
segundo a qual elegância na
uma teoria é Ausência de
forma como a
capaz de fazer contradições Capacidade da
Abrangência da teoria explica os
previsões internas e teoria para
teoria fenómenos;
corretas. Quanto compatibilidade impulsionar a
relativamente à uma teoria é
mais exata for da teoria com investigação
uma teoria, mais diversidade de simples se não
outras teorias científica em
perto ela está do fenómenos que é depende de
aceites dentro direção a novas
que é possível capaz de explicar. muitas leis para
do paradigma descobertas.
observar ou dos explicar os
vigente.
resultados da fenómenos
experimentação. observados.
Critérios objetivos

Indicam as propriedades ou características que as teorias devem ter


para serem escolhidas..

Mas, quando duas teorias competem entre si, nem sempre a


comunicação entre cientistas é fácil.

É possível que uns valorizem mais determinados critérios do que outros


e isso reflete-se na argumentação que desenvolvem..

Só é possível compreender a ciência tendo em conta o contexto em


que ela se desenvolve: valores e convicções da comunidade científica.

A ideia de ciência como conhecimento objetivo, certo e indubitável da


realidade é posta em causa..

Critérios subjetivos
Críticas à conceção
Incomensurabilidade kuhniana de ciência Adoção de um novo
dos paradigmas paradigma

O facto de os paradigmas serem


O critério para justificar a adoção de
incomensuráveis implica a
um novo paradigma é considerado
impossibilidade de os comparar e
«irracional» por alguns autores.
avaliar objetivamente.

Cada paradigma representa um modo A adesão a um novo paradigma ocorre


totalmente diferente de encarar os por conversão (quase religiosa) de
problemas e propor soluções, não todos os cientistas – como se se
havendo hipótese de partilha, tratasse de uma questão de fé – ao
cooperação ou diálogo entre eles.. novo paradigma.

Este processo traduz a ideia de que a


Assim, alguns críticos acusam Kuhn de
atividade científica é irracional (o que
ser relativista.
põe em causa o valor da ciência).
2.3.2. A questão da objetividade
científica
Objetividade do conhecimento científico

O computador pesa O computador é O computador é


20 quilos. leve. pesado.

Proposição objetiva. Proposições subjetivas.

Dá-nos informações do objeto e


não do sujeito: o computador A informação «pesado» ou «leve» depende do sujeito que a
pesa 20 quilos afirma, mais do que do objeto. A proposição dá-nos mais
independentemente dos informações sobre as características do sujeito (ser forte ou
sujeitos e pesa o mesmo para não) do que sobre as características do objeto.
todos os sujeitos.
Conhecimento objetivo

Refere-se exclusivamente ao objeto de estudo, independentemente


do sujeito que realizou a investigação.

Para o atingir, o cientista terá de se abstrair da sua subjetividade:


da sua forma pessoal de entender o objeto, da sua afetividade, dos
seus valores, dos seus interesses, das suas crenças ideológicas e
políticas, dos seus gostos estéticos, etc.

A repetição de uma mesma experiência científica, sob


determinadas condições, deve proporcionar os mesmos resultados.
Prática científica (nas ciências empíricas)

Recurso a instrumentos de observação e medida.

Eles permitem quantificar e exprimir grandezas, o que é


determinante para conseguir a descrição objetiva e
rigorosa do mundo que habitamos.

A história das ciências revela-nos uma sucessão de


instrumentos que, por serem menos rigorosos, foram
substituídos por outros mais sensíveis e complexos,
permitindo o avanço das pesquisas científicas.

Mas a objetividade não parece ser assegurada pela


criação de instrumentos de medida, por causa dos efeitos
que eles podem ter na observação.
Fatores que influenciam o cientista

Ideológicos Económicos Estéticos

A investigação científica
O interesse que o A escolha dos modelos e
está dependente de
cientista demonstra por teorias científicas pode
financiamento:
determinados factos, em ser orientada por
determinadas
vez de outros, pode ser o critérios estéticos
investigações podem ser
resultado da sua enraizados na respetiva
patrocinadas porque
ideologia. tradição cultural.
interessam e outras não.

O cientista move-se num determinado contexto histórico e cultural: a sua


atividade é situada e interessada. Mas ele tem necessariamente
incorporada a “objetividade” no seu sistema de valores.
PROBLEMA DA OBJETIVIDADE

Será que a ciência é apenas


Será que a ciência representa
uma leitura que reflete as
uma leitura objetiva dos factos?
crenças dos cientistas?

A ciência é apenas uma leitura que


A ciência obedece a determinadas
reflete aquilo que os cientistas,
regras, aplica métodos de pesquisa e
integrados numa comunidade
critérios racionais de escolha e
científica, pensam, os seus valores e
validação de teorias.
as suas crenças.
Respostas de Popper e Kuhn ao problema da objetividade

POPPER O cientista é um sujeito ativo, criativo KUHN


Destaca o papel que os cientistas,
e crítico, mas comprometido com
inseridos na comunidade científica,
ideias, valores e princípios que
partilhando valores e crenças, têm
funcionam como um quadro teórico
sobre a construção do conhecimento.
de referência.

A ciência e o conhecimento que dela


Mas as teorias científicas, sendo
resulta só podem ser compreendidos
corroboradas, correspondem a uma
em função do paradigma que orienta
leitura objetiva da realidade.
a atividade científica.

Rejeita o critério falsificacionista O


Uma teoria objetiva propõe uma
cientista não põe em causa o
explicação dos fenómenos que pode
paradigma, a não ser num período de
ser confrontada com a experiência,
crise, se se esgotarem todas as
sendo falsificável e testável
possibilidades de o paradigma
universalmente.
responder a anomalias persistentes.
POPPER KUHN
O conhecimento científico não se confunde
O conhecimento é dependente do sujeito
com o sujeito que o produz; é independente
integrado numa comunidade científica.
do sujeito e do contexto.

A validação das teorias obedece ao critério


A escolha e avaliação das teorias dependem
da falsificabilidade, que garante a
de fatores objetivos e subjetivos.
cientificidade. O
conhecimento
O conteúdo das teorias ou conjeturas, científico é
obedecendo a princípios lógicos, garante o A verdade é relativa ao paradigma vigente;
objetivo?
rigor e a objetividade com que o só pode ser entendida dentro dos limites
conhecimento científico descreve e explica que ele impõe.
a realidade.

A ciência é conjetural, ela não atinge a A verdade é definida no interior de cada


verdade; aproxima-se da verdade. A verdade paradigma. Com a mudança de paradigma,
é a meta da ciência (verdade como não podemos dizer que nos aproximamos
correspondência aos factos). da verdade.

Tanto Popper como Kuhn compreendem que a ciência não é o tipo de conhecimento absolutamente certo e
indubitável. Segundo Popper, a ciência evolui progressivamente em direção à verdade, através da
eliminação de erros ou da refutação de teorias; para Kuhn, ela evolui dentro de cada paradigma e também
nas mudanças de paradigma. No entanto, não podemos dizer que se aproxima da verdade.
RACIONALIDADE CIENTÍFICA

Noções tradicionalmente associadas:

Verdade certa,
Objetividade Neutralidade necessária e Demonstração
universal

As correntes positivista e neopositivista atribuíram à ciência o estatuto de conhecimento verdadeiro e objetivo.

A matéria do trabalho científico – os factos – é suscetível de uma descrição exata e de uma explicação rigorosa.

A objetividade científica é assegurada pelo rigor da medição e da


matematização.

A verdade a que a ciência chega é indubitável.


Cientista (imagem tradicional)

perfeitamente objetivo e
puramente racional isolado do mundo imparcial nas suas
conclusões

Esta imagem demarcava a racionalidade


científica de outras atividades racionais.

Fez da ciência o modelo cultural por excelência.

Este modo de entender a ciência deu origem ao chamado mito do


CIENTISMO

Uma espécie de nova religião, com a sua ideologia própria.

O cientismo leva o grande público a depositar na ciência toda a sua confiança


e esperança, mesmo sem compreender muitas das suas teorias.
Evolução da ciência moderna para a ciência pós-moderna (associada à teoria da
relatividade de Einstein e ao princípio da incerteza de Heisenberg).

Esgotamento da conceção positivista e neopositivista de ciência.

A ciência desviou-se do modelo de conhecimento certo,


absolutamente objetivo e verdadeiro.

Redefinição da racionalidade científica e das suas


principais noções:

A objetividade passa a ser O cientista não apresenta Não existe uma verdade
entendida como uma racionalidade pura e absolutamente certa,
intersubjetividade. neutral. universal e necessária.

Existem apenas verdades


A sua racionalidade é dependentes dos diferentes
As teorias científicas estão
condicionada e relativa à quadros paradigmáticos em
dependentes da aceitação
sua circunstância histórica, que são produzidas e/ou
dos pares constituintes de
cultural, social, económica e teorias mais ou menos
uma comunidade científica.
psicológica. verosímeis e mais ou menos
plausíveis.
RACIONALIDADE CIENTÍFICA

Perde o carácter de modelo de todas as


outras formas de racionalidade.

O conhecimento científico é um dos modos


possíveis de ler e interpretar o real.

Conhecimento

É uma interpretação e
Não é o reflexo do real.
leitura do real.

Contém o risco do erro, inerente a todas as leituras


e interpretações da realidade.