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A morte e a Donzela

e outros poemas das canções (lieder) de

Franz Schubert

Galileu Edições
A morte e a Donzela
e outros poemas das canções (lieder) de

Franz Schubert

Foto da capa:
Hans Baldung Grien,
Der Tod und das Mädchen, 1517

Edição bilíngue
Tradução: Jardel Dias Cavalcanti

Galileu Edições
Londrina, 2021
SUMÁRIO

An die Musik
À Música

Der Tod und das Mädchen


A Morte e a Donzela

Die Forelle
A Truta

Gretchen am Spinnrade
Margarida na Roca

Nacht und Träume


Noite e Sonhos

Erlkönig
Rei dos Elfos

Fülle der Liebe


Fortuna do Amor
An die Musik
Josephine Foster

Du holde Kunst, in wieviel grauen Stunden,


Wo mich des Lebens wilder Kreis umstrickt,
Hast du mein Herz zu warmer Lieb entzunden,
Hast mich in eine beßre Welt entrückt!
Oft hat ein Seufzer, deiner Harf entflossen,
Ein süßer, heiliger Akkord von dir
Den Himmel beßrer Zeiten mir erschlossen,
Du holde Kunst, ich danke dir dafür!
À Música

Sua arte adorável, em quantas horas cinzentas,


Quando a selvageria da vida me enlaça
Você acende meu coração com caloroso amor,
Me levando para um mundo melhor!

Muitas vezes, um suspiro fluiu de sua harpa,


Um acorde suave e sagrado seu
O paraíso de tempos melhores abriu para mim,
Ó, maravilhosa arte, eu te agradeço por isso.
Der Tod und das Mädchen
Matthias Claudius

Das Mädchen:
Vorüber! Ach, vorüber!
Geh, wilder Knochenmann!
Ich bin noch jung! Geh, lieber,
Und rühre mich nicht an.
Und rühre mich nicht an.

Der Tod:
Gib deine Hand, du schön und zart Gebild!
Bin Freund, und komme nicht, zu strafen.
Sei gutes Muts! ich bin nicht wild,
Sollst sanft in meinen Armen schlafen!
A Morte e a Donzela

A Donzela:
Vá embora! Ah, vá embora!
Vá, feroz homem de ossos!
Eu ainda sou jovem! Vá, de preferência,
E não me toque.
E não me toque.

A Morte:
Dê-me sua mão, bela e delicada forma!
Sou amigo, e não venho para punir.
Tenha coragem! Eu não sou feroz,
E tranquilamente dormirás em meus braços!
Die Forelle
Hannes Wader

In einem Bächlein helle da schoß in froher Eil


Die launische Forelle vorüber wie ein Pfeil
Ich stand an dem Gestade und sah in süßer Ruh
Des muntern Fischleins Bade im klaren Bächlein zu

Ein Fischer mit der Rute wohl an dem Ufer stand


Und sah's mit kaltem Blute, wie sich das Fischlein wand
So lang dem Wasser Helle, so dacht ich, nicht gebricht
So fängt er die Forelle mit seiner Angel nicht

Doch endlich ward dem Diebe die Zeit zu lang


Er macht das Bächlein tückisch trübe, und eh ich es gedacht
So zuckte seine Rute, das Fischlein, das Fishlein zappelt dran
Und ich mit regem Blute sah die Betrogene an
A Truta

Em um pequeno riacho, com uma pressa feliz,


A truta caprichosa passou como uma flecha
Eu estava na margem e assisti em doce paz
O alegre banho do peixe no riacho claro.

Um pescador com a vara à margem estava


E viu com sangue frio como o peixe se contorcia.
Enquanto a água ainda manter-se clara, eu pensei,
Não conseguirá ele pegar a truta com sua vara.

Mas finalmente o tempo passou para o ladrão


O que deixou o riacho traiçoeiramente turvo, e antes que eu
[pensasse
Ele levantou sua vara, o peixinho, o peixinho se contorceu nela
[fisgado
E vi o sangue jorrar do peixinho capturado.
Gretchen am Spinnrade
J. W. Goethe

Meine Ruh ist hin,


Mein Herz ist schwer,
Ich finde sie nimmer
Und nimmermehr.
Wo ich ihn nicht hab,
Ist mir das Grab,
Die ganze Welt
Ist mir vergällt.

Mein armer Kopf


Ist mir verrückt,
Mein aremer Sinn
Ist mir zerstückt.

Nach ihm nur schau ich


Zum Fenster hinaus,
Nach ihm nur geh ich
Aus dem Haus.

Sein hoher Gang,


Sein' edle Gestalt,
Seines Mundes Lächeln,
Seiner Augen Gewalt,

Und seiner Rede


Zauberfluss,
Sein Händedruck,
Und ach, sein Kuss.
Margarida na Roca
Minha paz se foi,
Meu coração está pesado,
Eu nunca mais a
Encontrarei novamente.
Não o ter é para mim
A minha sepultura.
O mundo todo
É amargo para mim.
Minha pobre cabeça
Está enlouquecida.
Minha pobre razão
Está despedaçada.
Minha paz se foi,
Meu coração está pesado.
Eu nunca mais a
Encontrarei novamente.
Apenas por ele
Eu olho pela janela.
Apenas por ele
Eu saio de casa.
Seu caminhar altivo,
Sua nobre figura,
Seu sorriso nos lábios,
Seu poderoso olhar.
E o mágico fluir
De suas palavras.
E, ah, seus beijos!
Minha paz se foi,
Meu coração está pesado.
Eu nunca mais a
Encontrarei novamente.
Mein Busen drängt
Sich nach ihm hin.
Auch dürf ich fassen
Und halten ihn,

Und küssen ihn,


So wie ich wollt,
An seinen Küssen
Vergehen sollt!
Meu peito se comprime
Por ele.
Ah, talvez devesse eu tocá-lo
E segurá-lo!

E beijá-lo,
Tal como eu queria.
E com esses beijos
Eu poderia morrer.
Nacht und Träume
Matthäus von Colin

Heil'ge Nacht, du sinkest nieder;


Nieder wallen auch die Träume
Wie dein Mondlicht durch die Räume
Durch der Menschen stille Brust
Die belauschen sie mit Lust
Rufen, wenn der Tag erwacht
Kehre wieder, heil'ge Nacht!
Holde Träume, kehret wieder!
Noite e Sonhos

Noite sagrada que cais;


Os sonhos também vagueiam
Com a luz do luar através dos quartos,
Pelos corações silenciosos dos homens.
Eles ouvem com deleite,
Gritam quando o dia desperta:
Retorna, noite sagrada!
Serenos sonhos, voltai!
Erlkönig
J. W. Goethe

Wer reitet so spät durch Nacht und Wind?


Es ist der Vater mit seinem Kind
Er hat den Knaben wohl in dem Arm
Er fasst ihn sicher, er hält ihn warm
Mein Sohn, was birgst du so bang dein Gesicht?
Siehst, Vater, du den Erlkönig nicht?
Den Erlenkönig mit Kron' und Schweif?
Mein Sohn, es ist ein Nebelstreif
Du liebes Kind, komm geh mit mir
Gar schöne Spiele spiel ich mit dir
Manch bunte Blumen sind an dem Strand
Meine Mutter hat manch gülden Gewand
Mein Vater, mein Vater und hörest du nicht
Was Erlenkönig mir leise verspricht?
Sei ruhig, bleibe ruhig, mein Kind
In dürren Blättern säuselt der Wind
Willst feiner Knabe, du mit mir gehn?
Meine Töchter sollen dich warten schön
Meine Töchter führen den nächtlichen Reim
Und wiegen und tanzen und singen dich ein
Und wiegen und tanzen und singen dich ein
Mein Vater, mein Vater, und siehst du nicht dort
Erlkönigs Töchter am düsteren Ort?
Mein Sohn, mein Sohn, ich seh es genau
Es scheinen die alten Weiden so grau
Ich liebe dich, mich reizt deine schöne Gestalt
Und bist du nicht willig, so brauch ich Gewalt
Mein Vater, mein Vater, jetzt fasst er mich an
Erlkönig hat mir ein Leid getan
Rei dos Elfos

Quem cavalga tão tarde pela noite e ao vento?


É o pai com seu filho.
Ele tem o menino em seus braços
Ele o mantém seguro e aquecido

Meu filho, porque esconde seu rosto com tanto medo?


Meu pai, não vê o Rei dos Elfos?
O Rei dos Elfos com sua coroa e manto?
Meu filho, é apenas uma rajada de neve.

Querido filho, venha comigo


Farei belas brincadeiras com você,
Há muitas flores coloridas na praia,
E minha mãe mantos dourados fará para você.

Meu pai, meu pai, não ouves


O que o Rei dos Elfos sussurrando me promete?
Fique quieto, fique calmo, meu filho
É o vento que sussurra nas folhas secas.

Querido menino, você vem comigo?


Minhas filhas te esperam contentes
Minhas filhas cantarão canções noturnas
E te embalarão com dança e cantos.

Meu pai, meu pai, você não vê


As filhas do Rei dos Elfos na escuridão?
Meu filho, meu filho, eu sei o que vejo
Os velhos salgueiros cinzentos apenas.

Eu te amo, sua bela forma me encanta


Mas se não quiser, então usarei a força!
Meu pai, meu pai, ele está me pegando!
O Rei dos Elfos está me machucando!
Dem Vater grauset's, er reitet geschwind
Er hält in den Armen das ächzende Kind
Erreicht den Hof mit Müh' und Not
In seinen Armen das Kind war tot
O pai, assustado, cavalga mais rápido.
Ele segura a criança que geme em seus braços
Mas, ao acabar de chegar na sua morada,
Em seus braços a criança estava morta.
Fülle der Liebe

Friedrich von Schlegel

Ein sehnend Streben


Theilt mir das Herz,
Bis alles Leben
Sich lös't in Schmerz.

In Leid erwachte
Der junge Sinn,
Und Liebe brachte
Zum Ziel mich hin.

Ihr edle Flammen,


Wecktet mich auf;
Es ging mitsammen
Zu Gott der Lauf.

Ein Feuer war es,


Das alles treibt;
Ein starkes, klares,
Was ewig bleibt.

Was wir anstrebten,


War treu gemeynt;
Was wir durchlebten
Bleibt tief vereint.

Da trat ein Scheiden


Mir in die Brust;
Das tiefe Leiden
Der Liebes Lust.
Fortuna do Amor

Um desejo delirante parte


Meu coração,
Até que toda a minha vida se
Dissolva em dor.

Com pesar,
O jovem espírito despertou
E o amor me levou
Ao meu objetivo.

Suas nobres chamas vão


Me deixar;
Juntos, o caminho
Nos conduziu a Deus.

Foi um incêndio
Que empurra tudo;
Próspero e claro
Isso permanece para sempre.

O que
Pretendíamos de boa-fé foi pensado;
O que vivemos
Permanece profundamente unido.

Então um adeus
Entrou em meu coração,
O profundo sofrimento
Da alegria do amor.
Im Seelengrunde
Wohnt mir Ein Bild;
Die Todeswunde
Ward nie gestillt.

Viel tausend Thränen


Flossen hinab;
Ein ewig Sehnen
Zu Ihr ins Grab.

In Liebes Wogen
Wallet der Geist,
Bis fortgezogen,
Die Brust zerreißt.

Ein Stern erschien mir


Vom Paradies;
Und dahin flieh'n wir
Vereint gewiß.

Hier noch befeuchtet


Der Blick sich lind,
Wenn mich umleuchtet
Dieß Himmelskind.

Ein Zauber waltet


Jetzt über mich,
Und der gestaltet
Dieß all nach sich,
No fundo da minha alma
Vive uma imagem;
A ferida mortal
Nunca foi curada.

Muitos milhares de lágrimas


Foram derramadas,
Um desejo eterno
Por ela no túmulo.

Nas ondas do amor


O espírito reina,
Até que quando parte
E o coração se despedaça.

Uma estrela
Do paraíso apareceu para mim;
E para lá juntos
Com certeza fugiremos.

Aqui, meus olhos


Ainda estão suavemente umedecidos
Quando esta criança do céu
Ilumina meus arredores.

Um feitiço
Agora reina sobre mim,
E define tudo de acordo
Com sua vontade,
Als ob uns vermähle
Geistesgewalt,
Wo Seele in Seele
Hinüberwallt.

Ob auch zerspalten
Mir ist das Herz;
Seelig doch halten
Will ich den Schmerz.
Como se uma força espiritual
Nos unisse,
Onde uma alma
Transmigra para outra.

Mesmo que meu coração


Esteja partido,
Abençoada irei considerar
Minha dor.
Edição produzida e traduzida por
Jardel Dias Cavalcanti
para Galileu Edições
Londrina, março de 2021.
O jovem Franz Schubert (1814), pintado por Josef Abel